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Problema de oxigênio no Amazonas está equacionado, diz Pazuello

Por: Site

Ministro e governador falaram sobre plano de enfrentamento à covid-19

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, declarou em entrevista coletiva hoje (18) que o problema de abastecimento no estado do Amazonas está “equalizado”. Ele e o governador do estado, Wilson Lima, falaram sobre o plano de ações para enfrentar o colapso no sistema de saúde local, especialmente na capital Manaus.

O plano foi elaborado em resposta a uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandovski na sexta-feira (15). A partir de um pedido do PC do B e do PT, o magistrado estabeleceu que o governo federal teria até 48h para apresentar o plano e fornecer oxigênio e insumos ao estado.

Pazuello informou que o plano foi submetido ao STF ontem (17) e que será disponibilizado na página do Ministério da Saúde. Apesar de afirmar que o abastecimento de oxigênio estaria normalizado, o titular do Ministério admitiu a situação grave do estado. “Toda a logística está impactada, não é só oxigênio. Equipes de saúde estão no seu limite. Hospitais estão no seu limite. Médicos estão no seu limite”, destacou.

O governador do Amazonas reforçou que o abastecimento de oxigênio foi “equilibrado”, mas acrescentou que o cenário pode piorar. Isso porque o mês de fevereiro é tradicionalmente quando há mais casos de síndromes gripais graves, tendo um clima e ambiente propícios para a disseminação de vírus gripais.

“Temos preocupação para o mês de fevereiro. Ele historicamente é onde há maior quantidade de casos de SRAG [Síndrome Respiratória Aguda Grave]. Estamos nos preparando para a situação. Estamos trabalhando para ampliação de leitos. Uma enfermaria foi montada no estacionamento do hospital Delphina Aziz. Ainda temos fila significativa de pessoas que esperam atendimento”, contou Lima.

Crise

Tanto Lima quanto Pazuello buscaram explicar como a situação saiu do controle e as ações adotadas. Segundo o governador, no auge do primeiro pico da pandemia, entre abril e maio, o consumo de oxigênio chegou ao máximo de 30 mil metros cúbicos (m3). Já neste novo pico, entre dezembro e janeiro, o consumo médio saiu de 15 mil m³ para 75 mil m³.

Lima colocou que houve ampliação dos leitos na cidade, com 700 unidades criadas nos últimos dois meses. Agora, para além de Manaus está havendo uma preocupação com o interior, onde o sistema de saúde é menos estruturado.

O ministro da Saúde disse que a equipe da pasta tomou conhecimento do desabastecimento no dia 8 de janeiro. Ele negou a informação publicada na imprensa de que um ofício da Advocacia-Geral da União (AGU) ao STF revelaria que o órgão já tinha ciência da situação antes.

“Quando chegamos [a Manaus] no dia 4 [de janeiro] o problema era estrutura de leito. Não havia a menor indicação de falta de oxigênio. A quantidade de oxigênio que a White Martins fabrica por dias é de 28 mil m³ e o consumo era de 17 mil m³. A White Martins tinha flexibilidade de trazer quase o dobro. A elevação foi muito rápida. Tomamos conhecimento de que a White Martins chegou no limite quando ela nos informou”, comentou.

Pazuello elencou as medidas adotadas pelo governo. Até o momento foram removidos 90 pacientes para hospitais federais. Foram levadas “toneladas de equipamentos e insumos” ao estado e transportados “centenas de cilindros” em aviões cargueiros civis e militares. Um navio cargueiro da Marinha está em deslocamento para Manaus com 40 mil m³ de oxigênio.

Ele destacou os leitos habilitados (quando o ministério passa a custear parte das despesas), mas não detalhou o número. Um hospital de campanha militar foi deslocado para Manaus. Sobre o apoio com pessoal, o titular do Ministério da Saúde relatou ter selecionado e capacitado oito mil profissionais de saúde, tendo 300 já sido contratados.

O governo brasileiro está em diálogo com o governo dos Estados Unidos para conseguir o apoio de um avião que auxilie no transporte dos cilindros. Mas, conforme o ministro, ainda não há data para que a aeronave comece a operar.

Outras cidades

Pazuello alertou que a crise em curso no Amazonas pode se replicar em outras cidades e estados. Ele destacou o período chuvoso no Norte e em parte do Nordeste neste início do ano como propício para a disseminação do vírus, enquanto no restante do país os períodos mais perigosos podem ser no inverno. Além disso, chamou a atenção para o fato de que a variante do novo coronavírus encontrada na capital amazonense já está em circulação em outros locais do país.

“Isso sim pode se replicar para outras cidades e pode se replicar quando chegarmos mais perto do inverno na região centro-sul. Vamos combater isso com vacina. É por isso que estamos tão ávidos por receber as vacinas, distribuí-las e imunizar a população. Esta é a grande ação efetiva para segurar a pandemia. E manter as estruturas que foram criadas, os leitos que foram criados para a covid-19 ativos nas regiões que poderão sofrer o impacto”, sublinhou.

Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Aline Leal

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ONU e parceiros lançam apelo de US$565 milhões para Líbano

Apoiadores da comunidade limpam entulhos provocados pela explosão catastrófica na área de Gemmayze, em Beirute, no Líbano. Foto: UNICEF

Apoiadores da comunidade limpam entulhos provocados pela explosão catastrófica na área de Gemmayze, em Beirute, no Líbano. Foto: UNICEF

ONU e parceiros estão buscando 565 milhões de dólares para atender às necessidades do Líbano após as explosões mortais que arrasaram grandes áreas da capital, Beirute, há quase duas semanas.

O apelo lançado na sexta-feira (14) ajudará o povo libanês a passar do socorro imediato para a reconstrução e recuperação, incluindo o reparo da economia despedaçada a longo prazo.

“A escala das perdas com as explosões de Beirute é tão vasta que é provável que cada pessoa no Líbano tenha sido de alguma forma atingida por este terrível evento”, disse Najat Rochdi, o vice-coordenador especial da ONU para o país, que também é coordenador-residente e humanitário.

Quase 180 pessoas morreram e mais de 6 mil ficaram feridas nas explosões, que destruíram a maior parte do porto de Beirute e bairros vizinhos. Milhares estão desabrigados.

As explosões danificaram seis hospitais, 20 clínicas de saúde e 120 escolas, de acordo com o escritório de assuntos humanitários da ONU, o OCHA.

Agravando crises já existentes

A catástrofe estagnou enquanto o Líbano enfrenta várias crises, incluindo contração econômica, aumento da pobreza e a pandemia de COVID-19. Tanto os cidadãos quanto a grande população de refugiados do país, principalmente sírios e palestinos, foram afetados.

A transmissão da COVID-19 está sobrecarregando o sistema de saúde, com a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrando mais de 7,7 mil casos no país até sexta-feira. Metade de todas as infecções até o momento foi diagnosticada nas últimas duas semanas, de acordo com o OCHA.

O apelo de 565 milhões de dólares visa quatro áreas: segurança alimentar, saúde, abrigo e educação.

Os planos imediatos incluem o fornecimento de refeições quentes e rações alimentares, bem como a entrega de grãos.

A resposta à saúde se concentrará na reabilitação de instalações danificadas e no fornecimento de kits para traumas e medicamentos essenciais.

Famílias forçadas a deixar suas casas receberão dinheiro para custear abrigo, e o financiamento também irá para o conserto das áreas comuns dos edifícios e instalações afetadas pela explosão.

A resposta educacional incluirá a reforma de escolas e o fornecimento de apoio psicossocial, entre outras medidas.

OIT cria empregos decentes para apoiar as operações de limpeza após explosões em Beirute

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) mobilizou recursos para dar uma resposta rápida à explosão que devastou partes da capital libanesa.

Mais de 100 empregos decentes de curto prazo para ajudar na remoção de escombros e destroços das ruas foram criados para cidadãos libaneses e refugiados sírios, no âmbito do Programa de Infraestrutura Intensiva em Emprego da OIT (EIIP) , financiado pela Alemanha por meio do Banco de Desenvolvimento Alemão (KfW).

Cerca de 60 trabalhadores participam das operações de limpeza em uma das áreas mais afetadas da capital libanesa. Omar Saidoun, de nacionalidade libanesa, é um deles:

“O apoio mais importante é o financeiro. Eu precisava muito desse apoio, pois não tinha qualquer trabalho antes. Além do trabalho remunerado, o trabalho em equipe que vivemos é fundamental ”, disse ele.

A equipe da EIIP está trabalhando em estreita colaboração com a Prefeitura de Beirute para garantir que o apoio chegue às áreas que foram duramente atingidas pela explosão. Está em coordenação com grupos de trabalho da agência da ONU, liderados pelo Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), com o objetivo de garantir que os esforços para criar uma Beirute mais segura sejam coerentes e apoiem todas as pessoas afetadas pela explosão.

“Em poucos dias, conseguimos realocar trabalhadores libaneses e sírios empregados no programa, para ajudar na resposta imediata às necessidades em Beirute, e esperamos aumentar este esforço nas próximas semanas ”, disse o Diretor Regional Adjunto da OIT para os Estados Árabes, Frank Hagemann.

“A OIT não é uma agência humanitária, mas há muitos anos trabalhamos na área de resiliência, no context de emergência e desenvolvimento. Desde o início da guerra na vizinha Síria, temos trabalhado com refugiados sírios e comunidades anfitriãs vulneráveis, e esse esforço continuará no futuro ”, acrescentou.

Infodemia tem tornando resposta às emergências de saúde ainda mais difícil, afirma OPAS

Jovem mexe no celular em escola em Cebu, nas Filipinas. Foto: UNICEF/Estey

Jovem mexe no celular em escola em Cebu, nas Filipinas. Foto: UNICEF/Estey

A infodemia — um aumento significativo no volume de informações, corretas ou não, sobre um tema específico — tem dificultado a resposta à pandemia de COVID-19, afirmou na sexta-feira (14) a representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, Socorro Gross, na aula inaugural da especialização Comunicação em Saúde, promovida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Brasília.

Após saudar os 30 alunos selecionados para a primeira turma da pós-graduação, Gross falou sobre a relevância da parceria com a Fiocruz, pontuando que um dos pilares fundamentais da estratégia de promoção da saúde é a comunicação em saúde.

“No curto período em que vivemos esta terrível pandemia, uma grande quantidade de informações, muitas delas falsas, inundou os diferentes canais que existem, como as redes sociais e os meios de comunicação.”

“Muitas pessoas estão se perguntando qual notícia é a correta e, por isso, essa formação é tão importante – não só por levar à população as informações certas, mas também pela oportunidade de combater as notícias falsas que causam tantos danos à população e trazem insegurança”, ressaltou Gross.

Segundo a representante da OPAS no Brasil, o curso formará pessoas e profissionais que contribuirão para a construção de uma saúde universal, fortalecendo a democracia da comunicação, permitindo às pessoas ter acesso a informações oportunas para que possam proteger a si e a suas famílias das ameaças à saúde.

A especialização, estruturada em sete módulos, foi lançada em janeiro deste ano com palestra magna de Renata Schiavo, professora da Universidade de Columbia. A OPAS é parceira da Fiocruz Brasília para a realização da pós-graduação e coordenará, junto ao Ministério da Saúde, o módulo Saúde e Mídias, previsto para ocorrer em fevereiro de 2021.

A aula inaugural da pós-graduação — transmitida virtualmente aos alunos e interessados no tema com mediação do coordenador de comunicação da Fiocruz Brasília, Wagner Vasconcelos — contou com palestras da pesquisadora da Universidade de Buenos Aires, Monica Petracci, e do professor da Universidade Jonhs Hopkins, Benjamin Lozare.

Na ocasião, a Fiocruz Brasília também lançou o e-book “Fake News e Saúde”, organizado pela assessoria de comunicação da instituição com base no “VI Seminário Nacional e II Seminário Internacional As Relações da Saúde Pública com a Imprensa: Fake News e Saúde”, realizados em março de 2019.

O curso, inicialmente previsto para acontecer presencialmente, precisou ser adaptado devido ao distanciamento físico imposto pela pandemia de COVID-19. “Se nosso encontro de hoje fosse presencial, estaríamos recebendo os alunos no jardim da Fiocruz, mas por força da necessidade de cuidado, trabalhamos para garantir esta transmissão ao vivo”, disse Fabiana Damásio, diretora da Fiocruz Brasília.

“Os tempos são difíceis e demandam de nós compreensão, atenção e a desafiadora tarefa de mantermos viva a nossa rede de afetos com o auxílio das ferramentas virtuais. Diante das dificuldades, nós assumimos o desafio de ofertar o curso virtualmente”.

Cristiane Machado, vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, ressaltou que para a Fundação, a “comunicação não é uma área meio e sim uma área finalística, porque remete ao direito dos cidadãos de ter acesso a informações confiáveis, possibilidade de diálogo, ou seja, um conjunto abrangente de direitos que estende a possibilidade de acesso a outros direitos”.

Consumo desenfreado de desinformação

Em sua palestra, a pesquisadora argentina Mónica Petracci abordou, entre outros temas, as mudanças no modelo de comunicação em saúde exigidas pelos meios digitais e os desafios impostos pelo agravamento da infodemia durante a COVID-19.

“A emergência sanitária desencadeou um consumo desmensurado de desinformação. A OMS definiu como infodemia, ou pandemia de desinformação, uma rede de comunicação que é a porta de entrada para a presença da desinformação. Vale a pena estudarmos o peso dos diferentes atores que produzem esta infodemia”, explicou.

Com base em um artigo publicado ao fim de 2019, a pesquisadora argentina também apresentou uma agenda propositiva para lidar com pandemias em termos de comunicação.

“Os números colocam em evidência que as linguagens especializada e jornalística são difíceis de conciliar. Mostrar uma curva ou uma medida requer o conhecimento de especialistas, mas muitas vezes eles não consideram o papel da compreensão desses números.”

“Os comunicadores têm como tarefa não naturalizar esses dados. A comunicação de pessoas mortas foi naturalizada, mas essas pessoas são histórias, existe luto e dor por trás de tudo isso”. Para Petracci, recorrer às mídias sociais é algo muito importante neste momento desde que se saiba avaliar as características de cada uma delas para trazer mensagens de maneira clara.”

Comunicação eficaz depende de aprendizado contínuo

Benjamin Lozare deu ênfase à importância do aprendizado e da liderança na comunicação durante a COVID-19 e outras pandemias que ainda virão: “a base da função de liderança em comunicação é crucial. Para mudarmos os outros, precisamos mudar a nós mesmos em primeiro lugar”.

De acordo com o professor da Universidade Jonhs Hopkins, momentos de crise são também momentos que oferecem a grande oportunidade de aprender e aprimorar o que já se sabe. “Temos que questionar tudo. A síndrome do “eu sei, eu sei” (IKIK, em inglês) quer dizer que podemos parar de aprender. E precisamos aprender com outras culturas. Nós cometemos erros, mas isso faz parte do processo de aprendizado.”

Segundo o professor, a forma como podemos comunicar e liderar depende diretamente de como vemos e nos relacionamos com os outros. “A COVID-19 é um problema que apresenta diversos desafios em termos de liderança. Ainda não saímos da nossa zona de conforto”. Para Lozare, a equação mais adequada para uma comunicação efetiva neste contexto é a combinação entre liderança e um bom gerenciamento.

“O ideal talvez seja o mínimo de ‘lidar com o problema’, mas com o apoio de uma boa gerência e liderança. E muitas vezes olhamos para a liderança como alguém que está no topo, mas existem líderes em todos os níveis de uma organização, do mais alto ao mais baixo.”

“Uma comunicação em saúde eficaz é um investimento, não um gasto, pois temos retorno: salva vidas, economiza dinheiro e é crucial nos resultados de saúde”, afirmou Lozare, que também salientou a necessidade de uma comunicação mais clara, com um público-alvo bem definido e com mensagens-chave claras para as pessoas – evitando muitas mensagens ao mesmo tempo, o que pode confundi-las.

“Nossas campanhas de comunicação em saúde ainda têm muitas mensagens, fazendo com que a mensagem principal se perca. Precisamos também mostrar benefícios claros às pessoas e não dar ordens e falar em tom de autoridade.”

Medo de exposição à COVID-19 afeta cobertura vacinal nas Américas

Pesquisas internas realizadas pela OPAS mostram redução na cobertura vacinal nas Américas durante a pandemia. Foto: OPAS

Embora os países das Américas tenham implementado estratégias inovadoras para impulsionar os programas de imunização durante a pandemia da COVID-19, a preocupação com o risco de exposição ao novo coronavírus, bem como os desafios de acesso aos serviços durante o confinamento, levaram a uma redução na cobertura vacinal, mostram os resultados de uma série de pesquisas internas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

As pesquisas foram realizadas com consultores dos programas de imunização da OPAS em 16 países da América Latina e 22 do Caribe e revelam que, à medida que as políticas de confinamento diminuíram e foram relaxadas, a oferta de serviços regulares de vacinação aumentou.

Isso se deve à implementação de medidas como a vacinação drive-thru, postos móveis de vacinação, vacinação em domicílios e outros locais estratégicos como bancos e escolas vazias, além da comunicação digital para enfatizar a importância da imunização durante uma pandemia.

Apesar desses esforços, no entanto, o Resumo da Situação dos Programas Nacionais de Imunização durante a Pandemia da COVID-19 revelou que a preocupação pública em torno do risco de exposição à COVID-19 afetou a demanda por serviços de vacinação. Outras questões, como confinamento ou distanciamento físico, bem como limitações no transporte público, também levaram à redução da cobertura vacinal e ao aumento das lacunas existentes.

Relatórios de 23 países revelam uma diminuição entre 12% e 14% no número de doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP) e da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (conhecida no Brasil como tríplice viral) administradas em crianças – se comparadas com o mesmo período do ano passado, principalmente em março.

O chefe do Programa de Imunização da OPAS, Cuauhtemoc Ruiz Matus, enfatizou a necessidade de “os países continuarem a implementar medidas e estratégias inovadoras para alcançar aqueles que não foram vacinados”. Ele também pediu esforços de comunicação “para transmitir mensagens à população sobre a importância da imunização e para manter as pessoas saudáveis e protegidas contra doenças evitáveis por vacinação”.

Na pesquisa, participantes de 17 países relataram um impacto na vigilância epidemiológica devido à mudança nas prioridades para os casos de SARSCoV-2. No entanto, outros fatores, como recursos humanos dedicados para a resposta à pandemia, redução das investigações de campo e triagens para doenças evitáveis por vacinas, bem como a suspensão do envio de amostras para análise, também dificultaram a vigilância. Os participantes da pesquisa também indicam que a notificação de casos diminuiu significativamente.

O fechamento das fronteiras internacionais e problemas com o transporte internacional também levaram a dificuldades na entrega de vacinas e suprimentos para programas nacionais de imunização, com entrevistados de 18 países (47%) relatando problemas nesta área.

Daqueles que responderam a pesquisa em 38 países, 12 também enfatizaram a interrupção dos serviços laboratoriais devido à redefinição de prioridade do trabalho de diagnóstico de casos da COVID-19.

A publicação analisou os resultados de pesquisas realizadas a cada duas semanas de abril até 6 de julho de 2020. Os inquéritos mostram que os serviços de vacinação de rotina têm aumentado lentamente nos últimos meses. Todos os entrevistados relataram na pesquisa mais recente que os serviços de vacinação estavam abertos.

Plan International Brasil e UNICEF iniciam parceria para empoderamento de meninas em São Paulo

A Plan International Brasil e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançaram uma iniciativa para contribuir com o empoderamento de meninas na cidade de São Paulo (SP).

Denominada Minhas Escolhas, a ação reunirá 80 meninas de 15 a 19 anos, moradoras de bairros periféricos da capital paulista, para aprimorar conhecimentos sobre seus direitos, discutir sobre gravidez na adolescência e prevenção da violência online.

A ideia é que essas adolescentes sejam líderes multiplicadoras que disseminem os conhecimentos adquiridos para pelo menos 800 adolescentes, entre meninas e meninos.

“Debater esses temas é fundamental para que meninas se empoderem e desfrutem plenamente de seus direitos, vivam bem e sejam respeitadas. Os conteúdos também serão compartilhados com o poder público, para que possam ser utilizados ou sirvam de inspiração para programas municipais pelos direitos das meninas e mulheres”, afirma Adriana Alvarenga, coordenadora do UNICEF em São Paulo.

São vários os desafios que afetam o desenvolvimento pleno das adolescentes nos centros urbanos. Um exemplo é a gravidez na adolescência. No Brasil, 53 a cada 1 mil meninas se tornam mães enquanto têm entre 15 e 19 anos.

A estatística, divulgada recentemente pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), coloca o país bem acima da média mundial, que é de 41 a cada 1 mil meninas.

Na cidade de São Paulo, a desigualdade dentro da cidade chama atenção: a chance de um bebê nascer de uma mãe adolescente é 47 vezes maior em Parelheiros do que em Moema, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde de 2018.

“Falar de gravidez é pensar na vida de meninas e meninos, nas informações que recebem sobre seus corpos. É refletir que há palavras pouco faladas, proibidas. Sexualidade é uma delas. Adultos que tiveram desafios para viver sua sexualidade seguem com essa dificuldade. Quando isso não é elaborado, manifesta-se em tabu ao pensar a sexualidade dos jovens”, diz Viviana Santiago, gerente de Gênero e Incidência Política da Plan International Brasil.

Além disso, em 2018, quase 1.500 meninas foram vítimas de violência sexual na cidade de São Paulo – e isso leva em conta apenas os casos que foram denunciados. Mais de dois terços de todas as vítimas de casos registrados de violência sexual na cidade tinham até 18 anos, segundo dados da Secretária de Segurança Pública do estado.

Diante dos intensos desafios cotidianos, a iniciativa se propõe a sensibilizar as próprias adolescentes e jovens sobre seus direitos por meio de uma trilha formativa de empoderamento feminino.

Entre os temas que serão abordados, estão ser assertiva, ter consciência de gênero, ter autoconfiança corporal, estar informada sobre saúde sexual e reprodutiva, desfrutar de direitos sexuais e reprodutivos com responsabilidade, viver livre da violência baseada em gênero, ser economicamente empoderada, e dialogar sobre gênero com meninos.

Essa trilha formativa visa reforçar os conhecimentos e as habilidades que as meninas já têm e possibilitar novos aprendizados. Assim elas poderão multiplicar esses conhecimentos para outras meninas e meninos de seus territórios.

Minhas Escolhas

Considerando a desigualdade no acesso a informações, a iniciativa Minhas Escolhas vai priorizar a seleção de meninas que vivem em bairros periféricos.

As 80 selecionadas receberão três tipos de materiais: uma revista formativa sobre os temas abordados na iniciativa, um jogo de cartas que elas podem jogar sozinhas ou com outra pessoa e um brinde que vai ajudá-las a compartilhar os conhecimentos aprendidos nas redes sociais.

A partir de setembro, elas participarão de encontros online com as educadoras da iniciativa, terão a oportunidade de conhecer e interagir com as outras líderes multiplicadoras e planejar juntas processos que podem conduzir para o engajamento de outras jovens.

Os conteúdos da iniciativa também serão compartilhados com os parceiros governamentais do UNICEF e da Plan, para que possam ser usados para o aprimoramento de políticas públicas pelos direitos das meninas e mulheres.

A fase de inscrições para a iniciativa está aberta até 20 de agosto pelo link https://forms.gle/aWjiDsQheu26W3LD7.

Médica sul-africana é nova relatora da ONU para o direito à saúde física e mental

A médica sul-africana Tlaleng Mofokeng é a nova relatora especial da ONU para o direito à saúde física e mental. Foto: UNAIDS

A médica sul-africana Tlaleng Mofokeng é a nova relatora especial da ONU para o direito à saúde física e mental. Foto: UNAIDS

Tlaleng Mofokeng, médica sul-africana e ativista dos direitos das mulheres e dos direitos de saúde sexual e reprodutiva, foi nomeada nova relatora especial das Nações Unidas sobre o direito de todas as pessoas de usufruto do mais alto padrão possível de saúde física e mental.

“Cumprimento Tlaleng Mofokeng por sua nomeação como relatora especial das Nações Unidas para o direito à saúde — a primeira mulher africana a ser nomeada para esse importante papel”, disse Winnie Byanyima, diretora-executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS).

“Eu sei que ela lutará pelos direitos humanos e por todas as pessoas, em todos os lugares, para que consigam os cuidados de saúde de que necessitam. Ambas compartilhamos uma visão: que os cuidados de saúde não devem ser apenas para os ricos, mas um direito para todas as pessoas.”

Nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, a relatora especial sobre o direito de usufruto do mais alto padrão possível de saúde física e mental monitora o direito à saúde em todo o mundo.

A titular estuda práticas e experiências nacionais relacionadas ao direito à saúde, identifica tendências e desafios no processo e faz recomendações sobre como garantir a proteção do direito à saúde. Ela também recebe denúncias individuais de supostas violações do direito à saúde.

O direito à saúde é um direito humano fundamental consagrado no direito internacional e os países têm obrigações básicas em direitos humanos de respeitar, proteger e cumprir o direito à saúde.

“Estou ansiosa para trabalhar com a Dra. Mofokeng”, acrescentou Byanyima. “Somente ao garantir que o direito à saúde seja uma realidade para todas as pessoas, poderemos acabar com a AIDS em 2030”.

UNAIDS: resposta ao HIV ainda está falhando em relação às crianças

Ano após ano, o objetivo ambicioso de eliminar novas infecções por HIV entre as crianças no mundo todo está sendo esquecido. Foto: UNAIDS

Ano após ano, o objetivo ambicioso de eliminar novas infecções por HIV entre as crianças no mundo todo está sendo esquecido. Foto: UNAIDS

O relatório mais recente sobre o progresso das metas Start Free, Stay Free, AIDS Free mostra que, apesar dos grandes progressos realizados desde o início da epidemia, a resposta ao HIV para crianças tem falhado.

Ano após ano, o objetivo ambicioso de eliminar novas infecções por HIV entre as crianças no mundo todo está sendo esquecido e elas estão morrendo desnecessariamente por doenças relacionadas à AIDS—mortes que poderiam ser evitadas com tratamentos simples e de baixo custo se as crianças fossem diagnosticadas e tratadas a tempo.

“É uma tragédia ver tantas crianças perdidas e sendo deixadas para trás enquanto temos tantas ferramentas disponíveis, tantas novas infecções por HIV prevenidas entre crianças e tantas crianças com HIV vivendo bem”, disse Winnie Byanyima, diretora-executiva do UNAIDS.

“Não podemos aceitar que dezenas de milhares de crianças ainda sejam infectadas pelo HIV e morram de doenças relacionadas à AIDS todos os anos.”

O marco Start Free, Stay Free, AIDS Free possui três conceitos simples. Primeiro, os bebês têm o direito de entrar neste mundo livres do HIV. Segundo, através da prevenção do HIV, crianças, adolescentes e mulheres jovens têm o direito de permanecer livres do vírus. Terceiro, crianças e adolescentes que adquirem o HIV têm o direito de receber diagnóstico, tratamento e cuidados, para que possam permanecer livres da AIDS.

Os países concordaram com uma série de metas de prevenção e tratamento do HIV. Para que as crianças comecem a viver sem HIV, um desses objetivos era reduzir as novas infecções infantis (de 0 a 14 anos) para menos de 40.000 em 2018 e para 20.000 em 2020. No entanto, estimativas recém-publicadas mostram que 150.000 crianças foram infectadas com HIV em 2019—uma redução de 52% desde 2010, mas ainda quatro vezes acima da meta de 2018.

Ao garantir que as mulheres grávidas que vivem com HIV sejam diagnosticadas, iniciadas e retidas no tratamento com medicamentos antirretrovirais durante a gravidez, o parto e a amamentação, a chance de transmitir o vírus é inferior a 1%. Globalmente, 85% das mulheres grávidas que vivem com HIV receberam esses medicamentos em 2019.

Mas, apesar da alta cobertura, as crianças ainda estão sendo infectadas devido ao acesso desigual aos serviços de tratamento (principalmente na África Ocidental e Central), mulheres que estão evadindo os cuidados de saúde e grávidas e mulheres que se infectam por HIV na fase de amamentação.

“Como comunidade global, fizemos um progresso notável no controle da pandemia do HIV, mas ainda estamos perdendo muitas crianças, adolescentes e mulheres jovens”, disse Angeli Achrekar, principal coordenadora adjunta de AIDS Global dos Estados Unidos no PEPFAR (Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da AIDS).

“Todos devemos redobrar nossos esforços para alcançar urgentemente essas populações críticas—e o PEPFAR continua profundamente comprometido em fazer sua parte.”

O componente Stay Free (permaneça livre) estabeleceu uma meta de reduzir as novas infecções por HIV entre meninas e mulheres jovens para menos de 100.000 até 2020. Há muito tempo, meninas e mulheres jovens são afetadas pelo HIV de maneira desproporcional – entre os países- foco da iniciativa Start Free, Stay Free, AIDS Free , meninas adolescentes e mulheres jovens representam 10% da população total, mas correspondem a 25% das novas infecções por HIV e têm um risco quase duas vezes maior de infecção pelo vírus em comparação com os homens.

No entanto, novas infecções por HIV entre mulheres jovens vêm caindo. Na África do Sul, onde existem programas de prevenção combinada para meninas adolescentes e mulheres jovens, as novas infecções por HIV nessa faixa etária caíram 35%. E em Suazilândia, as novas infecções por HIV entre mulheres jovens de 15 a 24 anos caíram 54%.

“Por muito tempo, a resposta ao HIV negligenciou crianças, adolescentes e mulheres jovens”, disse Henrietta Fore, diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

“Mas há esperança. O momento recente na redução de novas infecções entre meninas e mulheres adolescentes em países como Suazilândia e África do Sul nos mostra o que é possível quando governos e comunidades, liderados pelas próprias meninas, unem esforços. Não devemos deixar que a COVID-19 e suas questões econômicas nos atrapalhem. Devemos permanecer ousados ​​e ambiciosos em nossos esforços conjuntos para garantir que a próxima geração de crianças permaneça livre do HIV e da AIDS”.

Para que crianças e adolescentes permaneçam livres da AIDS, os países convocaram metas ambiciosas, mas alcançáveis, para o tratamento do HIV—oferecer terapia antirretroviral a 1,4 milhão de crianças vivendo com HIV até 2020. Em 2019, no entanto, apenas 950.000 (53%) dos 1,8 milhão de crianças vivendo com HIV estavam recebendo tratamento para HIV—muito abaixo dos 67% dos adultos em tratamento. É claro que, para salvar vidas, as 840.000 crianças que não estão em tratamento—estima-se que dois terços delas estejam entre 5 e 14 anos—devem ser diagnosticadas e tratadas com urgência.

“A falta de medicamentos ideais para o HIV com formulações pediátricas adequadas tem sido uma barreira de longa data para melhorar os resultados de saúde para crianças vivendo com HIV, contribuindo para a baixa cobertura do tratamento”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde.

“O acesso aos serviços para grupos vulneráveis ​​deve ser expandido através de um maior envolvimento da comunidade, de melhoria na prestação de serviços e de combate ao estigma e discriminação.”

Apesar das falhas, a notícia positiva é que sabemos como o mundo poderia ter atingido as metas previstas nesta iniciativa. E com bastante comprometimento, ainda podemos superar os principais obstáculos e reverter estas falhas.

“A década passada foi marcada por inovação e progresso no campo pediátrico do HIV, mas a dramática falha em alcançar as metas para as crianças que vimos neste último relatório é simplesmente inaceitável. Precisamos renovar urgentemente nosso compromisso de lutar por uma geração livre de AIDS. Hoje, como comunidade global, estamos desapontando os mais vulneráveis ​​entre nós: crianças e jovens”, disse Chip Lyons, Presidente e CEO da Elizabeth Glaser Pediatric AIDS Foundation.

“Nós podemos fazer melhor. Precisamos fazer melhor”, acrescentou Byanyima. “Sabemos como salvar vidas e impedir novas infecções por HIV entre crianças. Exijo que não poupemos esforços. Nada menos que isso é vergonhoso”.

O UNAIDS e o Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da AIDS (PEPFAR) lançaram o marco Start Free, Stay Free, AIDS Free em 2016 para aproveitar as realizações do Plano Global, finalizado em 2015, para a eliminação de novas infecções por HIV entre crianças até 2015 e manutenção de suas mães vivas.

Especialistas destacam importância da atenção primária à saúde em meio à pandemia

Pandemia da COVID-19 causou impactos na atenção primária, inclusive com a paralisação de alguns serviços logo no pico da doença. Foto: Reprodução

Pandemia da COVID-19 causou impactos na atenção primária, inclusive com a paralisação de alguns serviços logo no pico da doença. Foto: Reprodução

O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Pará (Cosems/PA) em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) realizou na última semana um webinário com o tema “Experiência do Distrito Federal nos serviços da Atenção Primária à Saúde, com ênfase na saúde da mulher durante a pandemia”.

O evento teve como palestrante o coordenador de Atenção Primária da Secretaria Estadual de Saúde do Distrito Federal, Fernando Erick. O evento online contou ainda com a participação do presidente do Conselho, Charles Tocantins, e da oficial de programa em Saúde Sexual e Reprodutiva da UNFPA, Nair Souza.

Erick apresentou a estrutura da Atenção Primária do Distrito Federal, destacando os números e características dos casos da COVID-19 no estado. Ele ainda fez uma explanação sobre as estratégias tomadas, além de apresentar a expansão e qualificação dos serviços da atenção primária no atual cenário de pandemia.

“Estamos numa situação atípica muito delicada no âmbito da saúde. Tivemos de fazer adaptações dos serviços diante das circunstâncias provocadas pela pandemia. Isso nos obrigou a mudar a forma de trabalho e determinou toda nossa rotina”, disse Erick.

De acordo com Charles Tocantins, a pandemia teve impactos na atenção primária, inclusive com a paralisação de alguns serviços logo no pico da doença. Ele ressaltou que a região amazônica lidou com consequências mais graves devido às dificuldades de acesso e até mesmo para a fixação de médicos no interior.

“Percebemos que a experiência do Distrito Federal tem sido bem sucedida, visto que eles têm uma estruturação muito bem elaborada, principalmente relacionada aos recursos humanos. Outro fator positivo é a qualificação das equipes diante da pandemia e o planejamento da rotina”, disse.

Ele lembrou que o COSEMS firmou parceria com a UNFPA para a promoção de diversas atividades conjuntas voltadas à saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes e garantia de direitos das mulheres.

Entre as ações está o projeto para a Ilha do Marajó, que inclui a distribuição de kits dignidade a gestantes e puérperas, que contém insumos para higiene pessoal. Nair Souza reforçou a importância da parceria com o Conselho com a UNFPA, lembrando os próximos eventos a serem realizados. “Além disso, teremos ainda outros webinários a cada quinze dias voltados para essa temática”, lembrou.

OMS pede solidariedade no financiamento, garantindo igualdade de acesso à futura vacina COVID-19

Menino realiza exame de saúde em meio a casos de COVID-19 na cidade de Muntinlupa, nas Filipinas. Foto: OIT/Minette Rimando

Menino realiza exame de saúde em meio a casos de COVID-19 na cidade de Muntinlupa, nas Filipinas. Foto: OIT/Minette Rimando

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse na quinta-feira (13) que seis meses depois de soar o alarme internacional sobre a COVID-19, a agência da ONU está agora intensamente focada nos testes necessários para as pesquisas de vacinas e em garantir acesso rápido, justo e equitativo a para todos os países.

Com os efeitos em cadeia afetando a vida das pessoas, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse durante coletiva de imprensa em Genebra que, para seguir em frente, “a melhor aposta é fazermos isso juntos”.

O Acelerador de Acesso às Ferramentas COVID-19 (ACT), lançado em abril, mostrou resultados, disse Tedros, com nove vacinas candidatas no portfólio do mecanismo COVAX, projetado para garantir o acesso rápido, justo e equitativo às vacinas contra COVID-19 em todo o mundo, agora avançando pelos testes de Fase 2 ou 3.

O portfólio, o mais amplo do mundo, está em expansão, acrescentou. Países que representam 70% da população global se registraram ou expressaram interesse em fazer parte da iniciativa.

Em termos de tratamento, ele disse que a primeira terapia comprovada para COVID-19 grave, a dexametasona, foi anunciada em junho e agora está ganhando escala. Mais de 50 testes estão em avaliação e novas evidências foram geradas em torno dos testes de detecção rápida de antígenos que podem estar “mudando o jogo”.

FMI: pandemia custará US$12 trilhões em dois anos

Salientando que o Acelerador ACT é a única estrutura global para garantir a alocação justa e equitativa das ferramentas COVID-19, ele disse que, para ter sucesso, esta deve ser adequadamente financiada.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a pandemia esteja custando 375 bilhões de dólares por mês e prevê uma perda cumulativa de 12 trilhões de dólares para a economia global em dois anos.

Só o G-20, grupo de economias mais ricas, mobilizou mais de 10 trilhões de dólares em estímulos fiscais para tratar e mitigar as consequências da pandemia – três vezes e meia o que o mundo liberou para enfrentar a crise financeira global de 2008.

Por outro lado, o financiamento do Acelerador ACT custará uma “pequena fração” em comparação com a alternativa, que é as economias retraírem ainda mais e exigirem pacotes de estímulo fiscal contínuos, disse Tedros.

Antes de gastar mais 10 trilhões de dólares nas consequências da próxima onda, ele disse que o mundo precisará gastar pelo menos 100 bilhões de dólares em novas ferramentas, especialmente quaisquer novas vacinas que sejam desenvolvidas.

A necessidade mais imediata é de 31,3 bilhões de dólares para o Acelerador ACT — a única iniciativa ativa que reúne todas as pesquisas globais, fabricação, estipulações regulatórias, compras e aquisições necessárias para acabar com a pandemia.

Divulgue o risco, compartilhe a recompensa

“Escolher vencedores individuais é uma aposta arriscada e cara”, disse ele. “O Acelerador ACT permite que os governos distribuam o risco e compartilhem a recompensa.”

Para ser seguro, o desenvolvimento de vacinas é longo, complexo, arriscado e caro, disse Tedros, observando que a grande maioria falha nos estágios iniciais.

O mundo precisa de múltiplas vacinas candidatas para maximizar as chances de encontrar uma vencedora que funcione.

‘Nacionalismo vacinal’

O excesso de demanda e a competição pelo fornecimento já estão acelerando o “nacionalismo da vacina” e o risco de aferição de preços, disse ele: o tipo de falha de mercado que somente a solidariedade global, o investimento público e o engajamento podem resolver.

A lacuna de financiamento do Acelerador ACT não pode ser coberta apenas pela ajuda tradicional ao desenvolvimento, disse ele. A melhor solução é uma combinação de ajuda ao desenvolvimento e financiamento de pacotes de estímulo. É a maneira mais rápida de acabar com a pandemia e garantir uma rápida recuperação global.

Os investimentos em estímulos e a implementação coordenada de novas vacinas, testes e tratamentos terão um grande efeito multiplicador nas economias globais. “Há esperança”, disse ele. “Se todos nós implantarmos as ferramentas à nossa disposição hoje e investirmos coletivamente em novas (vacinas) por meio do Acelerador, teremos uma rota para sair desta pandemia.”

UNICEF e SuperVia distribuem itens de higiene e limpeza em comunidades vulneráveis do Rio

Kits com material de limpeza e higiene estão empilhados em um carrinho para distribuição. Foto: João Laet/UNICEF

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a SuperVia, empresa responsável pelo serviço de trens urbanos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, iniciaram a distribuição de kits com materiais de higiene pessoal e limpeza na semana passada (6). Ao todo, 2.345 famílias de comunidades que margeiam a linha férrea no Rio de Janeiro serão beneficiadas.

A distribuição é feita com a ajuda de ONG’s que atuam nessas comunidades e é focada em famílias lideradas por mulheres e/ou jovens mães. Os kits começaram a ser entregues nas comunidades da Pedreira, Chapadão e Palmeirinha, localizadas na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, e Muquiço e Providência, no Centro da capital fluminense. A distribuição seguirá ao longo de agosto e terá, no total, mais de 112,5 mil itens de limpeza e higiene.

A doação beneficiará cerca de 9,4 mil pessoas e será feita com recursos da Fundação Mitsui Bussan do Brasil, que faz parte da Mitsui & Co. (Brasil) S.A., uma das empresas japonesas que detêm o controle acionário da concessionária.

Como lavar as mãos e manter a limpeza dos ambientes são medidas efetivas de prevenção contra o novo coronavírus, a ação foi concentrada em doar itens que ajudem na higiene pessoal e limpeza das casas. O kit de higiene pessoal e doméstico foi montado considerando a necessidade de uma família de quatro pessoas, durante um mês, e cada família receberá dois deles.

Os kits são compostos por dez sabonetes, cinco sabões em pedra, dois detergentes líquidos, quatro frascos de álcool em gel (430 ml), três litros de água sanitária e três pacotes de absorvente higiênico. Também estão sendo entregues folhetos educativos com dicas de prevenção.

“O sistema ferroviário do Rio de Janeiro é margeado por diversas comunidades com população de baixa renda e carente de infraestrutura e saneamento. Com o cenário de crise instaurado no País em função da pandemia do novo coronavírus, a população que vive em situação de vulnerabilidade é quem mais precisa de ajuda para conseguir sobreviver. Como estamos contando com a parceria do UNICEF, as doações serão destinadas a famílias com crianças e adolescentes”, informou o presidente da SuperVia, Antonio Carlos Sanches.

A coordenadora do UNICEF na Região Sudeste, Luciana Phebo, reforçou que cuidar da higiene e proteger a saúde é um direito básico de cada criança, cada adolescente, cada família. “Diante da pandemia da COVID-19, é essencial buscar alternativas para que as famílias – especialmente as mais vulneráveis – tenham acesso a itens críticos de higiene e limpeza, e também à informação confiável. Por isso, estamos muito satisfeitos em chegar a mais famílias em parceria com a SuperVia e a Fundação Mitsui Bussan do Brasil”.

Por preocupação e indicação da SuperVia, as comunidades beneficiadas estão localizadas nos cinco ramais atendidos pela concessionária. A seleção das comunidades contempladas foi feita pelo UNICEF e a SuperVia levando-se em conta aquelas com alta vulnerabilidade social e com projetos já realizados pelo Fundo ou por seus parceiros.

Ramal Deodoro: Muquiço; Providência; Morro do Pinto.
Ramal Santa Cruz: Curral das Éguas; Vila Vintém.
Ramal Japeri: Caixa d’água; Chatuba.
Ramal Saracuruna: Vigário; Lixão.
Ramal Belford Roxo: Pedreira; Chapadão; Palmeirinha.

Além de a doação, a ação está envolvendo o fortalecimento de cinco núcleos de jovens dessas comunidades para produção e divulgação de conteúdo sobre prevenção ao novo coronavírus em canais digitais.

Outras ações de prevenção
Desde os primeiros sinais de transmissão da doença no Estado do Rio de Janeiro, a SuperVia adotou uma série de medidas preventivas. Equipes extras de limpeza realizam a desinfecção dos trens quando chegam à Central do Brasil, antes de suas partidas para novas viagens, durante todo o dia. A limpeza é feita no interior das composições, como em balaústres, alças pega-mão e bagageiros.

As estações de maior movimento também estão recebendo higienização especial nas catracas e validadores. Paralelamente, a SuperVia está utilizando os seus canais de comunicação para divulgar informações de prevenção à COVID-19.

Fundação Mitsui Bussan do Brasil
A Fundação Mitsui Bussan do Brasil foi criada em fevereiro de 2008 pela Mitsui & Co. (Brasil) S.A., Mitsui Rail Capital Latin America (MRCLA), Mitsui Alimentos e Mitsui Gás e Energia do Brasil.

A Fundação apoia atividades nas áreas de educação, meio ambiente, social e intercâmbio bilateral entre o Japão e o Brasil, com o objetivo de contribuir para o fortalecimento da relação e colaboração entre os dois países.

Jovens apoiados pelo UNAIDS celebram Dia Internacional da Juventude com vídeo sobre zero discriminação

Os jovens da NBR são um exemplo da aplicação prática do tema das celebrações da ONU para este ano: engajamento juvenil para a ação global. Foto: UNAIDS

Os jovens da NBR são um exemplo da aplicação prática do tema das celebrações da ONU para este ano: engajamento juvenil para a ação global. Foto: UNAIDS

Em comemoração ao Dia Internacional da Juventude, celebrado em 12 de agosto, a organização não governamental Nação Basquete de Rua (NBR) lança o vídeo “Humano igual a você” junto com uma série de cards para redes sociais inspirados no projeto Se Liga Ae, Juventude!, que levou conhecimento sobre HIV e AIDS a jovens da periferia de Campos dos Goytacazes (RJ), em 2019.

Os jovens da NBR são um exemplo da aplicação prática do tema das celebrações da ONU para este ano: engajamento juvenil para a ação global. Ao abordar o HIV, ISTs e sexualidade como temas centrais em seus projetos, a NBR mobilizar os jovens para discussões sobre racismo, direitos humanos, educação e empoderamento feminino, entre outros.

O projeto Se Liga Aê, Juventude!, que contou com o apoio do UNAIDS, buscou promover o empoderamento e o engajamento destas comunidades por meio do conhecimento sobre sexualidade e questões relacionadas ao estigma e à discriminação—que ainda têm impacto significativo sobre pessoas que vivem com HIV, especialmente sobre a população negra.

“O objetivo do vídeo e destes materiais é conscientizar a comunidade, principalmente a juventude negra de periferia, sobre a prevenção do HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), sobre seus direitos e sobre a importância do empoderamento como resposta ao estigma e à discriminação”, explica presidente da ONG Victor Hugo Ribeiro Almeida, mais conhecido na comunidade como Lebron Victor.

“O vídeo e os materiais foram produzidos antes da pandemia de COVID-19, com foco no trabalho que desenvolvemos com o UNAIDS em 2019, mas segue muito atual e tem tudo a ver com o tema do Dia Internacional da Juventude. Por isso, seu lançamento agora é muito simbólico para nós.”

Segundo dados do Boletim Epidemiológico sobre HIV/AIDS do Ministério da Saúde, em 2017, foram registrados 11.463 óbitos por causas relacionadas à AIDS, com uma taxa de mortalidade de 4,8/100.000 habitantes. A taxa de mortalidade teve redução de 15,8% entre 2014 e 2017, possivelmente em consequência da recomendação do “tratamento para todos” no Brasil e da ampliação do diagnóstico precoce da infecção pelo HIV.

Contudo, deste total, 60,3% ocorreram entre pessoas negras (pretas 14,1% e pardas 46,2%), 39,2% em entre pessoas brancas – sendo 0,2% entre amarelas e 0,2% entre indígenas. A proporção de óbitos entre mulheres negras foi superior à observada entre homens negros: 63,3% e 58,8%, respectivamente. Realizando-se uma comparação entre os anos de 2007 e 2017, há uma queda de 23,8% na proporção de óbitos de pessoas brancas e um crescimento de 25,3% na proporção de óbitos de pessoas negras.

“A violência, em todas as suas faces, impacta a população negra de maneira desporporcional no Brasil. E os dados sobre HIV e AIDS demonstram claramente uma destas faces, através do estigma, da discriminação e do racismo estrutural”, explica Cláudia Velasquez, diretora e representante do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) no Brasil.

“Quando focamos nosso olhar na juventude negra, vemos que a morte precoce destes jovens tem impacto direto no futuro de suas comunidades, de suas famílias e na contribuição potencial que cada indivíduo tem para oferecer à sociedade, não apenas como parte da riqueza inerente de sua diversidade, mas também como parte do direito de todas as pessoas a uma vida digna e cheia de oportunidades.”

Engajamento juvenil em tempos de COVID-19

Em continuidade ao projeto Se Liga Aê, Juventude! e no contexto da pandemia de COVID-19, a ONG Nação Basquete de Rua tem implementado ações e iniciativas emergenciais nas comunidades mais carentes de Campos dos Goytacazes. Um dos projetos é sobre informação a respeito de direitos sexuais e reprodutivos, voltado para meninas de uma das comunidades atendidas – um pedido que partiu da própria comunidade.

“Pra além disso, estamos mapeando questões de saúde desse território e atuando com jovens saídos do tráfico para sua reinserção social no âmbito da formação para uma conscientização comunitária e para o entendimento, por exemplo, das medidas sanitárias para prevenção da COVID-19”, conta Lebron.

A liderança juvenil da NBR deu seguimento também ao projeto Papo Reto, cujos encontros passaram de presencial a virtual em função da pandemia. Neste caso, atuam em parceria com escolas públicas debatendo temas como racismo, politica, saúde, direitos, entre outros – também conforme as demandas das próprias escolas e alunos –, buscando fazer trocas de forma horizontal e tentando tornar os assuntos mais palatáveis.

O tema do Dia Internacional da Juventude deste ano, “Engajamento Juvenil para a Ação Global”, destaca as formas pelas quais o engajamento dos jovens nos níveis local, nacional e global está fortalecendo instituições e processos nacionais e multilaterais. A celebração deste ano também busca extrair lições sobre como a representação e o envolvimento da juventude na política institucional formal podem ser aprimorados.

“Neste Dia International da Juventude, queremos celebrar o empoderamento da juventude negra brasileira por meio deste projeto e desta iniciativa. Através de nosso mandato de resposta ao HIV e defesa aos direitos humanos, queremos ecoar o chamado do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, e convidar todas as lideranças e pessoas adultas, em todos os lugares, a fazer tudo o que for possível para permitir que a juventude tenha uma vida com segurança, dignidade e oportunidade, contribuindo ao máximo para seu grande potencial”, concluiu Velasquez.

Quase 40% das escolas brasileiras não têm estruturas básicas para lavagem de mãos

Alunos aprendem a prevenção ao novo coronavírus na Escola Municipal Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro (RJ), através de cartazes, trabalhos escolares, e medidas de higiene e convívio pessoal. Foto: Agência Brasil/ Fernando Frazão

Alunos aprendem a prevenção ao novo coronavírus na Escola Municipal Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro (RJ), através de cartazes, trabalhos escolares, e medidas de higiene e convívio pessoal. Foto: Agência Brasil/ Fernando Frazão

Enquanto as escolas em todo o mundo estão discutindo sua reabertura, os dados mais recentes do Programa Conjunto de Monitoramento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para Saneamento e Higiene revelam que 43% das escolas em todo o mundo não tinham instalações básicas para lavagem das mãos com água e sabão em 2019 – uma condição fundamental para que sejam capazes de operar com segurança em meio à pandemia de COVID-19.

“O fechamento global de escolas desde o início da pandemia de COVID-19 apresentou um desafio sem precedentes para a educação e o bem-estar das crianças”, disse Henrietta Fore, diretora executiva do UNICEF.

“Devemos priorizar o aprendizado das crianças. Isso significa garantir que as escolas sejam seguras para reabrir – incluindo acesso à higiene das mãos, à água potável limpa e ao saneamento seguro.”

De acordo com o relatório, cerca de 818 milhões de crianças não têm instalações básicas para lavar as mãos em suas escolas, o que as coloca em maior risco de contrair COVID-19 e outras doenças transmissíveis.

Mais de um terço dessas crianças (295 milhões) estão na África ao sul do Saara. Nos países menos desenvolvidos, sete em cada dez escolas carecem de instalações básicas para lavagem das mãos e metade das escolas carecem de saneamento básico e serviços de água.

O relatório enfatiza que os governos que buscam controlar a disseminação da COVID-19 devem equilibrar a necessidade de implementação de medidas de saúde pública e os impactos sociais e econômicos associados às medidas de quarentena/lockdown. As evidências dos impactos negativos do fechamento prolongado de escolas na segurança, no bem-estar e no aprendizado das crianças estão bem documentadas, afirma o relatório.

“O acesso a serviços de água, saneamento e higiene é essencial para a prevenção e o controle eficazes de infecções em todos os ambientes, incluindo escolas”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “Deve ser o foco principal das estratégias governamentais para reabertura e operação seguras de escolas durante esta pandemia de COVID-19”.

Outras descobertas importantes do relatório incluem:

Das 818 milhões de crianças que não tinham um serviço básico de lavagem das mãos na escola, 355 milhões foram para escolas que tinham instalações com água, mas não tinham sabão, e 462 milhões para escolas que não tinham nenhuma instalação ou água disponível para lavar as mãos.
Nos 60 países com maior risco de crises de saúde e humanitárias devido à COVID-19, três em cada quatro crianças não tinham serviço básico de lavagem das mãos na escola no início do surto; metade de todas as crianças não tinha serviço básico de água; e mais da metade não tinha serviço de saneamento básico.
Uma em cada três escolas em todo o mundo tinha serviço limitado de água potável ou nenhum serviço de água potável.
698 milhões de crianças não tinham serviço de saneamento básico na escola.

O relatório identifica vários recursos necessários para a prevenção e controle da COVID-19 nas escolas, incluindo 10 ações imediatas e listas de verificação de segurança.

O documento se baseia nas diretrizes sobre a reabertura segura de escolas publicadas por Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), UNICEF, Programa Mundial de Alimentos (WFP) e Banco Mundial. Há conselhos práticos para as autoridades nacionais e locais sobre como se preparar para a reabertura segura e como manter as crianças seguras quando retornarem à escola.

O relatório identifica vários recursos necessários para a prevenção e controle da COVID-19 nas escolas, incluindo dez ações imediatas e listas de verificação de segurança. As diretrizes incluem protocolos relacionados com água, saneamento e higiene, uso de equipamento de proteção individual, limpeza e desinfecção, bem como acesso a água limpa, estações de lavagem das mãos com sabão e banheiros seguros.

UNICEF e OMS estão empenhados em alcançar o acesso equitativo a serviços de água, saneamento e higiene adequados em todo o mundo.

As agências lançaram recentemente uma iniciativa conjunta, Hand Hygiene for All (Higiene das Mãos para Todos – disponível somente em inglês), para apoiar as comunidades mais vulneráveis com os meios para proteger sua saúde e meio ambiente. Reúne parceiros internacionais, governos nacionais, setores público e privado e sociedade civil para garantir que produtos e serviços acessíveis estejam disponíveis, especialmente em áreas desfavorecidas.

No Brasil

Nota técnica lançada pelo UNICEF, em parceria com o Banco Mundial e o Instituto Internacional de Águas de Estocolmo (SIWI) mostra a situação de água e saneamento no Brasil, apresentando uma análise das ações implementadas no país e recomendações para uma resposta mais eficaz e equitativa à crise da COVID-19.

No Brasil, 39% das escolas não dispõem de estruturas básicas para lavagem de mãos, segundo dados do Programa Conjunto de Monitoramento da OMS e do UNICEF para Saneamento e Higiene (JMP). Além disso, de acordo com o Censo Escolar 2018, 26% das escolas brasileiras não têm acesso a abastecimento público de água. Quase metade (49%) das escolas brasileiras não tem acesso à rede pública de esgoto.

Confira a nota técnica.

Sobre o Programa Conjunto de Monitoramento

O Programa Conjunto de Monitoramento da OMS e do UNICEF para Saneamento e Higiene (JMP) é responsável por monitorar o progresso global em direção a metas e indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados a água potável, saneamento e higiene. O JMP produz estimativas nacionais, regionais e globais do progresso de água, saneamento e higiene nas famílias, escolas e instalações de saúde.

Sobre a OMS

A Organização Mundial da Saúde dirige e coordena a saúde internacional dentro do sistema das Nações Unidas. Trabalhando com seus 194 Estados-Membros, a missão da OMS é promover a saúde, manter o mundo seguro e servir aos vulneráveis.

ARTIGO: juventude lidera o caminho para as soluções frente à COVID-19

A diretora-executiva do UNFPA, Natália Kanem. Foto: UNFPA Bangladesh/Lauren Anders Brown

A diretora-executiva do UNFPA, Natália Kanem. Foto: UNFPA Bangladesh/Lauren Anders Brown

Por Natalia Kanem*

Enquanto nos preparamos para celebrar o Dia Internacional da Juventude em meio a uma pandemia, estamos testemunhando como a juventude está agindo para resolver os problemas em suas comunidades.

Jovens estão na linha de frente na resposta à pandemia da COVID-19, mobilizando-se em todo o mundo. Eles e elas são profissionais de saúde, ativistas, inovadores e trabalhadores sociais e comunitários.

Para alcançar e engajar a juventude durante esta pandemia, é necessário compartilhar informações, elucidar desinformações e equipar essas pessoas para que tomem medidas para conter a propagação do vírus. Devemos reconhecer a liderança de pessoas jovens e defender seus direitos humanos.

O UNFPA, a agência de saúde sexual e reprodutiva das Nações Unidas, ouve a voz da juventude e apoia sua valiosa participação nas decisões que a afeta.

Na semana passada, o UNFPA liderou uma conversa global com a hashtag #YouthAgainstCOVID19. Pessoas jovens em todos os lugares são encorajadas a enviar vídeos que mostram suas ações para enfrentar a pandemia e compartilhar lições sobre como estão traçando novos caminhos para suas comunidades.

Entre os efeitos devastadores da pandemia, está a perda de oportunidades de emprego, educação e acesso a serviços essenciais, incluindo serviços de saúde sexual e reprodutiva, e significa que muitos jovens estão enfrentando violações de seus direitos e escolhas. Mulheres jovens e meninas estão particularmente vulneráveis.

À medida que o mundo busca se reconstruir melhor, devemos garantir que pessoas jovens sejam priorizadas para que tenham acesso à educação, às ferramentas e aos serviços necessários, e que alcancem seu pleno potencial.

Hoje, vamos andar de mãos dadas com as gerações. Vamos nos unir e enfrentar os desafios que temos pela frente, trabalhando com jovens para construir um futuro mais inclusivo e sustentável para todas e todos.

*Declaração da diretora-executiva do UNFPA

COVID-19 ameaça controle e eliminação de doenças infecciosas nas Américas

Médica analisa exame para eventual diagnóstico de tuberculose. Foto: AGECOM/Carol Garcia

Médica analisa exame para eventual diagnóstico de tuberculose. Foto: AGECOM/Carol Garcia

A pandemia de COVID-19, que matou mais de 390 mil pessoas nas Américas, está ameaçando os planos regionais para eliminar e controlar doenças infecciosas, incluindo tuberculose, HIV e hepatites, disse na terça-feira (11) Carissa F. Etienne, diretora da OPAS.

Com mais de 10,5 milhões de casos de COVID-19 nas Américas e 100 mil novos casos sendo notificados todos os dias, “os países não podem atrasar a luta contra COVID-19, mas não devem permitir que a doença nos atrase para completar a agenda inacabada de eliminar e controlar as doenças infecciosas em nossa região”, afirmou Etienne em coletiva de imprensa.

Desafios na distribuição de tratamentos de tuberculose (TB) durante a pandemia foram relatados por 80% dos países da América Latina e do Caribe, o que poderia transformar casos controláveis de TB em infecções ativas.

Da mesma forma, 30% das pessoas que vivem com HIV evitam procurar atendimento e os medicamentos antirretrovirais são limitados. Interrupções nos exames de hepatites, chave para detecção e tratamento, também foram relatadas por um terço dos países.

A diretora da OPAS lembrou que a prevenção e o tratamento de doenças infecciosas foram o ímpeto para a criação da Organização Pan-Americana da Saúde há quase 120 anos e que a região continua “na vanguarda da eliminação de doenças infecciosas”.

De fato, em outubro de 2019, os Estados-membros da OPAS se comprometeram com um enfoque regional para a eliminação de mais de 30 doenças transmissíveis e condições relacionadas nas Américas até 2030.

Mas “o progresso para alcançar este marco está agora ameaçado devido à carga da COVID-19 nos sistemas de saúde e à interrupção dos serviços essenciais, incluindo programas prioritários de controle de doenças, iniciativas de eliminação e imunização de rotina”, observou Etienne.

A pandemia também interrompeu as campanhas de administração de medicamentos em massa que são vitais para os esforços de eliminação “exatamente quando estávamos fazendo um progresso significativo contra doenças tropicais negligenciadas como filariose linfática, esquistossomose e helmintíases transmitidas pelo solo”, pontuou a diretora da OPAS.

A dengue e a malária continuam sendo uma grande carga para os serviços de saúde e, como a COVID-19, têm um impacto desproporcional nas populações pobres e vulneráveis, incluindo as comunidades indígenas, acrescentou.

A diretora da OPAS relevou ainda que, “nos primeiros dois meses de 2020, as Américas relataram um aumento de 139% nos casos de dengue em comparação ao mesmo período de 2019. No entanto, desde que a COVID-19 atingiu nossa região em março, os casos notificados de dengue diminuíram”.

As notificações de doenças transmitidas por mosquitos, como a malária, “caíram mais de 40%, e houve uma redução observada no número de pessoas fazendo o teste. No entanto, sabemos que esses dados não contam a história completa”, disse Etienne.

A diretora da OPAS explicou que, “embora seja verdade que, como muitos de nós estamos presos em casa, estamos menos propensos a ser picados por mosquitos, a realidade é que os mosquitos e os patógenos que eles transmitem ainda estão circulando. E sem testes ou tratamento, os casos graves de doenças transmitidas por mosquitos podem ir de condições facilmente tratáveis à morte”.

Etienne disse que os sistemas de saúde devem tornar mais fácil para os pacientes receber cuidados, “aproveitando a telemedicina e oferecendo cuidados fora dos ambientes hospitalares, por meio de programas de extensão à comunidade e visitas domiciliares, por exemplo”.

Os sistemas de saúde também precisam proteger os profissionais de saúde na linha de frente desta pandemia. “Nossos médicos, enfermeiras e equipe devem ter o equipamento de proteção, suprimentos e tecnologias de que precisam para oferecer cuidados com segurança” e garantir que os pacientes possam continuar a receber atenção médica e os medicamentos para gerenciar com segurança suas condições”.

Mais de 200 venezuelanos em Roraima são atendidos em ação de saúde da OIM

Refugiados e migrantes venezuelanos receberam atendimento de saúde da equipe médica da OIM. Foto: OIM

Com o objetivo de mitigar os impactos da pandemia da COVID-19 e de responder às necessidades de saúde de refugiados e migrantes venezuelanos e de famílias brasileiras vulneráveis, a equipe médica da Organização Internacional para as Migrações (OIM) passou uma semana em Pacaraima (RR). Foram realizados atendimentos nos assentamentos espontâneos, bem como no abrigo institucional indígena da Operação Acolhida.

Mais de 230 atendimentos foram realizados pela equipe que levou três profissionais de saúde até a fronteira do Brasil com a Venezuela. Com a Unidade Móvel de Saúde da OIM que viajou de Boa Vista, os dois médicos acompanhados de um técnico de enfermagem, e apoiados pela equipe administrativa, fizeram atendimentos de atenção primária em diversas localidades.

No abrigo institucional indígena Janokoida foram atendidos, em um dia, mais de 50 idosos, gestantes e crianças da etnia Warao. No assentamento espontâneo Orquídeas, os atendimentos foram realizados com o apoio do Exército nas tendas do Batalhão de Fronteira de Pacaraima.

“Nesse período de pandemia, o desafio aumentou e é cada vez mais importante que as necessidades básicas de saúde das pessoas mais vulneráveis sejam atendidas. A ação também é uma medida importante para mitigar o impacto da COVID-19”, ressaltou a coordenadora de emergência da resposta humanitária da OIM, Lia Poggio.

Nos diferentes locais por onde a equipe de saúde passou, foram realizados testes rápidos para sífilis, HIV, hepatite B e C e COVID-19, além de procedimentos de drenagem e curativos. Exames de pré-natal, como o de detecção dos batimentos cardíacos de bebês com ultrassom, foram feitos com os equipamentos da Unidade Móvel de Saúde. Muitos dos medicamentos prescritos também já eram dispensados diretamente e sem custos.

No abrigo institucional indígena Janokoida foram atendidos, em um dia, mais de 50 idosos, gestantes e crianças da etnia Warao. No assentamento espontâneo Orquídeas, os atendimentos foram realizados com o apoio do Exército nas tendas do Batalhão de Fronteira de Pacaraima.

Durante as consultas, casos de doenças relacionados à falta de água potável e saneamento foram assinalados. Um caso de leishmaniose também feito identificado.

Foto: OIM

“A OIM traz a equipe médica e fornece os medicamentos, além de sempre apoiar nosso trabalho nos abrigos e ocupações espontâneas em Boa Vista e agora em Pacaraima”, comentou a médica do Ministério Público e Tribunal de Justiça, Mariângela Nazário Andrade, que esteve no primeiro dia de atividades e atua em parceria com a Operação Acolhida acompanhando e avaliando a situação dos refugiados e migrantes em Roraima.

Há seis meses no Brasil, o venezuelano Ramon J. Z. mora na Vila Esperança e foi um dos moradores a se consultar: “Todos os cuidados dos médicos da OIM dão um sentimento de valorização para nós que somos migrantes e estamos em busca de uma vida melhor”.

A iniciativa de atender durante vários dias a população vulnerável no município de Pacaraima partiu de uma primeira ida ao local em conjunto com a Operação Acolhida. À ocasião, foi feita uma avaliação das necessidades das comunidades e elaborado um plano de ação prevendo o retorno da equipe médica.

“Este é mais um trabalho que está sendo desenvolvido dentro dessa sinergia de cooperação entre a OIM e a Operação Acolhida. Vemos aqui uma ação que começa para mitigar os efeitos colaterais, mas também pensando em uma solução a longo prazo”, destacou o Coordenador Operacional da Operação Acolhida e Comandante da Força-Tarefa Logística Humanitária, General Manoel de Barros, presente nas atividades na Vila Esperança no primeiro dia do mutirão.

Estas ações em promoção da saúde são realizadas com o apoio financeiro do Governo do Japão e do Canadá. O intuito é garantir assistência humanitária nas áreas de atenção primária à saúde por meio do suporte assistencial em saúde a venezuelanos e à população do estado. As atividades são alinhadas e executadas em consonância com o Sistema Único de Saúde do Brasil.

OMS cita sinais de esperança no combate à pandemia de COVID-19

Proteções de acrílico foram instalados para garantir o distanciamento social em um hospital em Bangkok, Tailândia. Foto: Alin Sirisaksopit /OIT

Embora o número de casos da COVID-19 esteja próximo de atingir 20 milhões no mundo esta semana e 750.000 mortes, o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou sinais de esperança em meio à crise global. Mas instou governos e pessoas para continuarem trabalhando para suprimir o novo coronavírus.

“Sei que muitos de vocês estão de luto e que este é um momento difícil para o mundo”, disse o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (10).

“Mas gostaria de deixar claro que há sinais de esperança, não importando aonde esteja o país, a região, a cidade ou a vila – nunca é tarde para reverter o surto ao redor”.

Tedros destacou dois elementos para responder a pandemia de forma eficaz: “os líderes devem intensificar a ação e os cidadãos devem adotar novas medidas”.

O chefe da OMS elogiou a Nova Zelândia como um “exemplo global” na pandemia. Neste fim de semana o país celebrou 100 dias sem transmissão comunitária do vírus. Ainda assim, a primeira-ministra Jacinda Adern destacou a necessidade de a população manter-se cautelosa.

Tedros também mencionou a situação de Ruanda: “o progresso do país se deve a uma combinação semelhante de liderança forte, cobertura universal de saúde, profissionais de saúde bem apoiados e comunicações claras de saúde pública”.

O chefe da OMS também elogiou as nações do Sudeste Asiático, Caribe e Pacífico, que tomaram medidas precoces para suprimir o vírus.

Países como França, Alemanha, República da Coréia, Espanha, Itália e Reino Unido, que enfrentaram grandes surtos, também foram capazes de suprimir o vírus de forma significativa, depois que agiram.

Medidas fortes e precisas

Durante toda a pandemia, a OMS recomendou medidas como identificação rápida de casos, rastreamento de contato, distanciamento físico, uso de máscara e lavagem frequente das mãos.

Tedros disse que os países que enfrentam novos picos da doença “agora têm todas as ferramentas disponíveis”.

Ele citou medidas recentemente implementadas no Reino Unido para ficar em casa, bem como a decisão da França sobre o uso obrigatório de máscaras em espaços ao ar livre movimentados em Paris.

“Medidas fortes e precisas como estas, combinadas ao uso de todas as ferramentas disponíveis, são fundamentais para prevenir qualquer ressurgimento da doença e permitir que as sociedades sejam reabertas com segurança”, disse ele. “E mesmo em países onde a transmissão é intensa, ela pode ser controlada através de uma resposta do governo e de toda a sociedade”.

“Suprimir, suprimir e suprimir”

O chefe da OMS enfatizou que a supressão do vírus é crucial para que as sociedades se reabram com segurança, inclusive para que os alunos voltem às aulas.

“Minha mensagem é clara: suprimir, suprimir e suprimir o vírus. Se suprimirmos o vírus de forma eficaz, poderemos abrir sociedades com segurança”, disse ele.

Apoio ao Líbano

A OMS destacou seu apoio ao Líbano após a explosão devastadora na semana passada, que destruiu grande parte da capital, Beirute, deixando cerca de 200 mortos, mais de 6.000 feridos e centenas de milhares desabrigados.

A OMS lançou um apelo de US$ 76 milhões para o Líbano, enquanto a equipe está trabalhando ao lado dos libaneses e de outros parceiros da ONU para avaliar o impacto no setor da saúde.

A agência está enviando US$ 1,7 milhão de itens de equipamentos de proteção individual (EPI) para ajudar na resposta à COVID-19, além de suprimentos humanitários que foram destruídos pela explosão.

“Nós também estamos trabalhando em estreita colaboração com as autoridades nacionais de saúde para melhorar o atendimento ao trauma, inclusive por meio da implantação e coordenação de equipes médicas de emergência qualificadas”, disse Tedros.

“Nós estamos mitigando o impacto da COVID-19, atendendo às necessidades psicossociais e ajudando a restaurar com rapidez as unidades de saúde que foram danificadas”, explicou o chefe da OMS.

Pandemia interrompe acesso a informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva

Especialistas participaram da 15ª edição da série de webinários “População e Desenvolvimento em Debate” sobre os impactos da COVID-19 no acesso aos métodos contraceptivos, organizado pelo UNFPA em parceria com a ABEP. Foto: UNFPA

Além das diversas consequências epidemiológicas, a pandemia da COVID-19 também vem interrompendo o acesso a informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva. Especialistas se juntaram, em debate virtual, na última quarta-feira (5) para discutir os impactos no acesso aos métodos contraceptivos. O encontro resultou na 15ª edição da série de webinários População e Desenvolvimento em Debate, realizado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em parceria com a Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP).

O consultor regional do UNFPA em Sistemas de Saúde e Garantia de Suprimentos de Saúde Reprodutiva, Federico Tobar, apresentou resultados de pesquisas – frequentemente atualizadas – realizadas em toda a América Latina e Caribe desde o início da pandemia. “O indicador de necessidades insatisfeitas de planejamento familiar na América Latina vinha caindo nos últimos anos. No início de 2020, chegou a 11,2%, e, com a pandemia da COVID-19, em agosto de 2020, chegou a 16,3%, revelando que cerca de 17 milhões de mulheres descontinuaram o uso de métodos contraceptivos, um retrocesso de até 27 anos”.

O consultor do UNFPA acredita que, neste momento, é necessário desenvolver uma ampla variedade de estratégias para que a população em situação de vulnerabilidade afetada possa, de alguma maneira, acessar os serviços de saúde e contraceptivos.

De acordo com a vice-presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, Cristiane Martins Pantaleão, “este momento de pandemia trouxe várias dificuldades e desafios para nós, gestores municipais e profissionais de saúde quando pensamos na continuidade da garantia do atendimento à população”.

Para lidar com este cenário, desenvolveram guias de orientação para a organização da rede de atenção à saúde, além de oficinas de capacitação para profissionais de saúde. “O Conasems trabalha para apoiar os municípios e os profissionais de saúde, e assim manter o atendimento e o acesso aos serviços de saúde, não só em relação aos contraceptivos, mas todos os serviços, principalmente os vinculados à atenção primária”.

A coordenadora do ForoLAC/Reproductive Health Supplies Coalition, Milka Dinev, trouxe para a discussão exemplos de ferramentas disponíveis que auxiliam no acesso aos serviços. “A SEPREMI, plataforma de seguimento de preços de métodos contraceptivos e insumos de saúde sexual e reprodutiva, cujo objetivo final é que os governos tenham acesso a medicamentos e insumos a melhores preços e condições, pode cobrir as populações em situação de vulnerabilidade”. A segunda ferramenta, MiPLAN, permite medir o impacto do investimento em planejamento familiar e em número de casais protegidos.

A mediação do webinário foi realizada pela representante do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil, Astrid Bant.

Assista o debate na íntegra:

A cada semana, a série “População e Desenvolvimento em Debate” promovida por UNFPA e ABEP realiza discussões entre academia, governo e sociedade civil sobre temas emergentes na Agenda de População e Desenvolvimento. Na próxima quarta-feira (12/08) o tema será: “Pessoas jovens, adolescentes e a COVID-19”. Acompanhe no perfil do UNFPA no Youtube.

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VOCÊ JÁ OUVIU O PODCAST “FALA, UNFPA”?

O Fundo de População das Nações Unidas no Brasil lançou o podcast “Fala, UNFPA” que aborda temas como saúde sexual e reprodutiva, equidade de gênero, raça e etnia, população e desenvolvimento, juventude, cooperação entre países do hemisfério sul e assistência humanitária. Tudo isso, claro, a partir de uma perspectiva de direitos humanos. Saiba mais clicando aqui.

Hospital de campanha salva vidas de indígenas infectados pela COVID-19 no Brasil

Dialisa Mata, indígena Warao de 25 anos e mãe de três filhos, se recuperou da COVID-19 no hospital de campanha em Boa Vista. Foto: Allana Ferreira/ACNUR

Quando seu teste para COVID-19 voltou positivo, Dialisa Mata não conseguiu conter as lágrimas. Ela ouvira o quão perigoso o vírus poderia ser e, como uma mulher indígena cujo povo foi duramente atingido por doenças infecciosas por séculos, Dialisa estava particularmente angustiada.

“Pensei que ia morrer”, disse ela, que tem 25 anos e três filhos. Vivendo com a família em um abrigo no norte do Brasil, ela apresentou sintomas típicos da COVID-19, como falta de ar extrema e fadiga. “Comecei a pensar na minha família, meus filhos… O que aconteceria com eles? O que aconteceria comigo?”

“Comecei a chorar muito, porque tinha tanto medo”, disse ela, acrescentando que também se preocupava com a possibilidade de transmitir a doença para outras pessoas no abrigo onde ela e sua família vivem desde que foram forçados a deixar a Venezuela, em 2018.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 70 mil casos da COVID-19 e mais de 2 mil mortes pela doença foram relatados no início de julho entre a população indígena do mundo, e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) divulgou que há aproximadamente oito mil casos da COVID-19 e 177 mortes entre os povos indígenas que vivem no Brasil.

Para salvar vidas, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), apoia um hospital de campanha em Boa Vista, capital do estado de Roraima, na fronteira norte. Construído pela Operação Acolhida (resposta governamental ao fluxo de refugiados e migrantes venezuelanos no Brasil), o hospital tem capacidade para tratar e isolar até 1.782 pacientes confirmados e suspeitos da COVID-19. Até o momento, 625 venezuelanos e muitos brasileiros – incluindo indígenas – receberam atendimento no hospital.

O ACNUR está ciente de pelo menos 19 mortes relacionadas à COVID-19 entre refugiados, dos quais nove eram venezuelanos indígenas. Mas, graças aos cuidados oportunos que recebeu nas instalações, a Dialisa estava entre as mais de 570 pessoas que se recuperaram. Felizmente, seus familiares, que estavam em quarentena no hospital, escaparam da infecção.

Para os povos indígenas, a COVID-19 é o capítulo mais recente da longa série de dificuldades que remonta ao período colonial, quando as populações originárias das Américas foram dizimadas por doenças como sarampo e gripe comum.

Nos últimos anos, à medida que a crise da Venezuela se aprofundava, milhares de Warao se juntaram aos cerca de cinco milhões de refugiados e migrantes venezuelanos que foram forçados a deixar seu país por causa da escassez generalizada de alimentos e medicamentos, inflação galopante e insegurança. Estima-se que 3,3 mil Warao buscaram segurança no país vizinho, juntamente com quase 1,7 mil outros indígenas venezuelanos, de grupos étnicos como Pemon, E’ñepa e Kariña.

Muitos vieram por conta das dificuldades econômicas para viver em bairros populosos ou mesmo nas ruas, onde medidas de prevenção ao novo coronavírus, como lavar as mãos e manter a distância social, são bem difíceis. Também viram sua renda despencar em meio ao isolamento social imposto pela COVID-19, e muitos que vivem em acomodações alugadas temem serem despejados.

A escassez e a crescente insegurança finalmente levaram Dialisa e sua família a abandonar sua pequena e outrora pacífica vila na região norte de Monagas.

“Os mercados começaram a fechar e não havia mais nada para comer”, lembrou. “Quando as pessoas começaram a ficar com mais fome, muitos roubos começaram a acontecer e a comunidade não estava tão segura quanto costumava ser”.

Em 2018, sua família vendeu seus pertences para pagar a viagem ao Brasil, juntamente com várias outras famílias Warao. Eles chegaram a Boa Vista e conseguiram segurança em um dos abrigos da Operação Acolhida, gerenciados pelo ACNUR e seus parceiros.

Mais da metade dos refugiados e migrantes indígenas no Brasil recebeu algum tipo de apoio do ACNUR, incluindo itens básicos, abrigo e acesso a serviços de saúde – uma ajuda fundamental em contexto de pandemia.

Para o representante do ACNUR no Brasil, José Egas, a saúde é uma das principais prioridades na assistência humanitária às comunidades indígenas. “É uma das maneiras pelas quais o ACNUR está trabalhando em conjunto com a Operação Acolhida do governo brasileiro, que oferece assistência com a recepção e integração local de refugiados e migrantes venezuelanos e é reconhecida como um exemplo a ser seguido por outros países da região”.

Enquanto Dialisa se recupera completamente, ela se preocupa todos os dias com o que a pandemia pode fazer para sua mãe, que ainda está na Venezuela.

“Eu sempre ligo para checar, e ela sempre me diz para ficar aqui com minha família porque lá está muito difícil”, disse Dialisa.

Líbano: 80 mil crianças deslocadas devido às explosões em Beirute

A explosão do porto de Beirute afetou gravemente o Hospital Governamental Karantina. O UNICEF apoia esta unidade neonatal, que fornece cuidados médicos para bebês recém-nascidos. Foto tirada em 6 de agosto, dois dias depois da explosão. Foto: Choufany/UNICEF

As explosões em Beirute deixaram 140 pessoas mortas, 5 mil feridas, centenas desaparecidas, e 80 mil crianças deslocadas. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) está preocupado com o fato de muitas crianças terem sofrido trauma e permanecerem em choque.

“Nas últimas 24 horas, o UNICEF continuou a coordenar-se estreitamente com as autoridades e parceiros no local para responder às necessidades urgentes das famílias afetadas, concentrando-se na saúde, na água e no bem-estar das crianças”, disse a representante adjunta do UNICEF no Líbano, Violet Speek-Warnery.

O porto de Beirute – onde a explosão ocorreu – é a principal tábua de salvação do país. Agora está totalmente destruído.

De acordo com as informações mais recentes:

  • Existem inúmeros relatos de crianças que foram separadas dos membros da família, alguns dos quais ainda estão desaparecidos;
  • Pelo menos 12 centros de saúde, maternidades, centros de imunização e de recém-nascidos em Beirute foram danificados, afetando os serviços de quase 120 mil pessoas;
  • Um hospital infantil na área de Karantina, que possuía uma unidade especializada em tratamento de recém-nascidos em estado crítico, foi destruído. Um recém-nascido morreu;
  • Os demais hospitais operacionais estão sobrecarregados e esgotaram os suprimentos médicos críticos;
  • Dez contêineres estocados pelo Ministério da Saúde Pública com equipamentos de proteção individual foram destruídos;
  • Cinco das sete câmaras frias de vacinas apoiadas pelo UNICEF foram destruídas na explosão, afetando programas críticos de vacinação;
  • Muitas escolas relataram danos em Beirute e na área circundante, com avaliações em andamento quanto ao nível de dano;
  • Nas últimas 48 horas, foram registrados 464 novos casos da COVID-19.

“O UNICEF está apoiando as autoridades e parceiros locais. Nossas equipes têm trabalhado o tempo todo para fornecer às pessoas afetadas a assistência necessária”, disse a representante adjunta do UNICEF no Líbano.

Ajuda humanitária do UNICEF no Líbano

O UNICEF no Líbano está trabalhando com colegas e parceiros para aumentar o apoio às crianças afetadas e suas famílias, a fim de responder às necessidades imediatas e de médio prazo, incluindo:

  • Distribuição de água potável para os atendentes da linha de frente e aqueles que moravam no local diretamente afetado ao redor do porto de Beirute;
  • Realização de avaliações preliminares em armazéns, escolas, câmaras frigoríficas, infraestrutura hídrica e instalações de saúde, incluindo hospitais e unidade de terapia intensiva especializada para recém-nascidos;
  • Estimados 90% dos suprimentos de vacinas armazenados resgatados do armazém danificado no porto;
  • Fornecimento de apoio psicossocial para ajudar as crianças a lidar com o luto e o trauma;
  • Apoio à reunificação de crianças que foram separadas de sua família e a criação de uma linha direta para chamadas;
  • Trabalho com jovens voluntários ajudando na limpeza em diferentes áreas;
  • Estabelecimento de um programa de transferência de renda para assistência temporária à moradia das famílias deslocadas pela perda de suas casas.

Para poder responder a essas enormes necessidades, o UNICEF solicita imediatamente cerca de US$ 4,4 milhões.

No Brasil, o UNICEF lançou nesta quinta-feira (6) uma campanha de arrecadação de fundos que serão enviados para a ação humanitária do Fundo em Beirute.

Clique aqui para fazer a sua doação. 

Cooperação global é nossa única escolha contra a COVID-19, diz chefe da OMS

As recomendações da OPAS/OMS foram fundamentais para o Hospital Juarez, na Cidade do México. Foto:  ONU México/Gabriela Ramirez

As recomendações da OPAS/OMS foram fundamentais para o Hospital Juarez, na Cidade do México. Foto:
ONU México/Gabriela Ramirez

Com mais de 18,5 milhões de casos de COVID-19 relatados em todo o mundo até quinta-feira (6), e 700 mil mortes, o principal oficial de saúde da ONU apelou novamente aos países para que se unam na luta contra a doença.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), discursou no Fórum de Segurança de Aspen, que reúne funcionários de alto escalão e ex-funcionários do governo dos Estados Unidos.

A região das Américas continua sendo o epicentro atual da pandemia de COVID-19.

“Apesar de todas as nossas diferenças, somos uma raça humana compartilhando o mesmo planeta e nossa segurança é interdependente – nenhum país estará seguro, até que estejamos todos seguros”, disse ele no encontro virtual.

“Peço a todos os líderes que escolham o caminho da cooperação e ajam agora para acabar com esta pandemia! Não é apenas a escolha inteligente, é a escolha certa e é a única escolha que temos.”

Investimento em preparação

Tedros disse que a pandemia testou a infraestrutura política, econômica, cultural e social global, levando ao limite os sistemas nacionais de saúde, em todos os lugares.

“O mundo gasta bilhões todos os anos se preparando para possíveis ataques terroristas, mas aprendemos da maneira mais difícil que, a menos que invistamos na preparação para uma pandemia e para a crise climática, estaremos expostos a enormes danos”, disse ele.

Como nenhum país pode combater o vírus sozinho, Tedros disse que “nosso melhor caminho é nos atermos à ciência, a soluções e solidariedade, e juntos superarmos esta pandemia”.

Durante uma sessão de perguntas e respostas moderada pelo apresentador de TV norte-americano Lester Holt, o chefe da OMS foi questionado sobre como garantir a distribuição justa de uma vacina contra a COVID-19 quando esta for desenvolvida.

Tedros alertou contra o “nacionalismo da vacina” em um mundo globalizado.

Em abril, OMS e parceiros lançaram o ACT Accelerator para acelerar o desenvolvimento de vacinas e medicamentos contra a doença e para garantir que eles estejam disponíveis para as pessoas em todos os lugares.

“Mas para que isso aconteça, especialmente a distribuição justa, deve haver um consenso global para fazer de uma vacina, ou de qualquer produto, um produto público global. E esta é uma escolha política, um compromisso político, e queremos que os líderes políticos decidam sobre isso”, disse ele.

“O que estamos dizendo é que compartilhar vacinas, ou compartilhar outras ferramentas, na verdade ajuda o mundo a se recuperar junto, e a recuperação econômica pode ser mais rápida e os danos da COVID-19, menores.”

Conheça 14 propostas inovadoras que poderão minimizar o impacto da COVID-19 no Brasil

Hospital das Clínicas. Foto: Governo do Estado de São Paulo

Para incentivar e apoiar a sociedade na criação de alternativas para minimizar o impacto da COVID-19 nas áreas de saúde, economia, impacto social e tecnologia, a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) lançou, com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Plataforma Desafios.

A iniciativa recebeu 598 propostas de projetos, das quais 14 foram classificadas, oito na categoria “Pessoa Física” e seis na categoria “Pessoa Jurídica”. As soluções pontuaram pelos critérios de facilidade de implementação, impacto, eficiência e viabilidade jurídica e econômica.

Categoria Pessoa Física

Da categoria Pessoa Física, participaram cidadãs e cidadãos brasileiros e estrangeiros em situação regular no país, a partir de 18 anos de idade, individualmente ou em grupo. O edital previa até oito premiações para as propostas com melhor pontuação. Todos os projetos vencedores obtiveram mais de 90 pontos, em uma escala com variação de zero a 100.

Conheça as propostas vencedoras:

– Aumento da disponibilidade do Ventilador Mecânico com uso de Válvula Controladora: permite atender a dois pacientes simultaneamente com o ventilador mecânico, utilizando uma válvula controladora de fluxo bidirecional.

– Mandando a real sobre a COVID-19: propõe a criação de uma central de conteúdos artísticos, educativos, informativos e de engajamento direcionados ao combate à COVID-19 nas periferias.

– Aplicativo de Cooperação em Saúde: propõe estabelecer uma rede de parcerias entre União, estados e municípios para fazer a gestão dos recursos de saúde disponíveis, congregando as informações de projeções das curvas de contágio para antever a necessidade de insumos, inclusive para transporte de pacientes e formação de rede de parcerias.

– Aplicativo para acompanhar pacientes com COVID-19: a proposta é identificar o momento certo para buscar assistência presencial em unidade de saúde e auxiliar grupos de risco que precisem de cuidados precoces, monitorando parâmetros e indicando necessidade de auxílio médico.

– Aproximando a comunidade à sua Equipe de Saúde da Família através da tecnologia que já temos e que a maioria dos brasileiros possuem – WhatsApp: propõe usar os agentes comunitários de saúde como mediadores de informações. O agente cria um grupo de WhatsApp com as pessoas da sua área, adicionando um morador por residência. Diariamente, o agente de saúde fará perguntas básicas sobre sintomas no grupo e poderá também compartilhar informações em tempo real. Quem tiver sintomas receberá encaminhamento ao profissional habilitado.

– Coronavírus, o Jogo: desenvolvido para jovens de 12 a 16 anos, é um material educativo “gamificado”, que tem o objetivo de conscientizar jovens para a prevenção da COVID-19. Inclui site, aplicativo nas lojas e campanha de marketing.

– Tecer Esperança: o objetivo é enfrentar a escassez de equipamentos de proteção individual para profissionais de saúde. Em paralelo, propõe a geração de renda para populações vulneráveis que trabalharão na confecção de máscaras e aventais.

– HigienizAção: a proposta é instalar pias de assepsia com acionamento por pedal nas comunidades com aglomerados subnormais, espalhados no Brasil.

Categoria Pessoa Jurídica

A categoria Pessoa Jurídica foi aberta à participação de empresas, negócios de impacto, entidades privadas sem fins lucrativos, instituições de pesquisa científica e tecnológica (ICTs) públicas e privadas. Todos os projetos premiados obtiveram mais de 95 pontos na avaliação realizada pelas bancas examinadoras.

Conheça as propostas vencedoras:

UTI Control – COVID-19: é uma plataforma desenvolvida pela empresa 3 Wings, que permite a gestão e o monitoramento de diversas UTIs simultaneamente e em tempo real. É possível identificar vagas disponíveis, maximizar os tempos de liberação de leitos, necessidades pontuais de isolamento e ventilação mecânica (uso de respirador), permitindo o suporte mais intensivo e eficiente do ponto de vista hemodinâmico e respiratório. Tem ferramenta que permite organizar a fila, usando modelos preditivos, dos pacientes candidatos a leitos de UTI com base em dados assistenciais objetivos. Tem como público os órgãos gestores de saúde. A solução está pronta e vem sendo utilizada por 20 hospitais em Pernambuco.

Monitora COVID-19: apresentada pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Técnica da Fiocruz, é um sistema de código aberto, interativo e escalável, que permite visualização e download de dados brutos e taxas por município, estados, países, bem como opções de modelos matemáticos, análises temporais e espaciais, cenários, medidas de combate, população de risco, relatório municipal. Permite o acompanhamento da pandemia e sua tendência ao longo do tempo, bem como a comparação dos dados brasileiros com os de outros países que estão em estágios mais avançados da epidemia. Viabiliza novas intervenções sociais e administrativas.

Aua (significa “gente”, em tupi-guarani): a ideia é conectar pequenos empreendedores que precisam de apoio para sustentar seus negócios a consumidores que desejam obter mais benefícios em suas compras do dia a dia. O aplicativo oferece cupons de desconto em produtos de pequenos negócios e dá visibilidade aos empreendedores, apostando na humanização.

Simulador de Dispersão do Coronavírus: simula o contágio do vírus com diferentes parâmetros, como o número de pessoas no ambiente, o número inicial de infectados, o percentual de confinamento social e a aquisição de imunidade de rebanho no tempo. O simulador mostra como o vírus se perpetua no ambiente, prediz curvas de contágio, as chamadas ondas. A simulação serve para fins de pesquisa e orientação preditiva aos interessados (do setor público, privado ou de organismos não-governamentais); sua simplicidade e acesso grátis servem para fins educacionais. A plataforma está disponível online.

Micro/nanocrédito comunitário + ações comunitárias: a proposta, enviada pelo Laboratório de Informática e Sociedade da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é investir na Rede de Bancos Comunitários de Desenvolvimento já existentes (com ênfase no Banco do Preventório) para que desenvolva soluções de microcrédito (para produção) e nanocrédito (para consumo). Em paralelo, propõe ações comunitárias como distribuição de cestas básicas.

CovidBR – Uso de Business Intelligence e Geoprocessamento no Combate à COVID-19 no Brasil: destinado a cidadãos, sociedade organizada e autoridades, o projeto é de autoria do Laboratório de Sistemas de Informação da Universidade Federal de Campina Grande. Propõe um sistema de visualização do progresso da pandemia, utilizando técnicas de Business Intelligence com Analytics e de geoprocessamento. O sistema integra dados relevantes para o combate à pandemia em um data warehouse espacial, que atua como um banco de dados centralizado. A partir desse banco de dados, podem ser realizadas diversas análises: espacial, temporal, espaço-temporal, mostrando informações relevantes: casos confirmados, mortes, leitos disponíveis por estado, região ou município, demonstrando a evolução da COVID-19 no país. Por meio do uso do sistema, as pessoas terão visão mais realista e simplificada do progresso da pandemia.

Premiações e incentivos

Somando a premiação e apoio financeiro, os incentivos oferecidos podem totalizar até R$ 1,75 milhão. A próxima etapa é avaliar os projetos que, além da premiação pela ENAP, têm os requisitos para receber apoio de implementação do BNDES, do Fundo Socioambiental da Caixa e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Parcerias

A Plataforma Desafios é uma iniciativa da ENAP, com apoio do PNUD, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), Tribunal de Contas da União (TCU), BB Seguros, BB Consórcios, Cielo, Cateno, Livelo, Banco do Brasil e Caixa.

O apoio do PNUD à plataforma ocorre no âmbito do projeto em parceria com a ENAP que, desde 2016, promove capacidades e políticas públicas para o desenvolvimento sustentável. O objetivo da parceria entre ENAP e PNUD é contribuir para o fortalecimento das capacidades estatais para a implementação da Agenda 2030, por meio de atividades de diagnóstico, produção e gestão de dados e capacitação e desenvolvimento de gestores públicos.

COVID-19 é grave ameaça para os povos indígenas, diz Bachelet

Nas Américas, mais de 70 mil indígenas foram infectados pela COVID-19, sendo 23 mil integrantes de 190 povos da Bacia do Amazonas. Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo

Nas Américas, mais de 70 mil indígenas foram infectados pela COVID-19, sendo 23 mil integrantes de 190 povos da Bacia do Amazonas. Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo

A COVID-19 é uma grave ameaça para os povos indígenas, num momento em que muitos também estão lutando contra os danos ambientais causados pela ação humana e várias formas de exploração econômica.

O alerta foi feito pela alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, para a ocasião do Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo (9 de agosto).

Em quase todos os 90 países onde vivem, frequentemente em locais remotos, muitas comunidades indígenas têm acesso inadequado a cuidados de saúde, água potável e saneamento, salientou.

“O seu modo de vida comunitário pode aumentar a probabilidade de contágio rápido, embora em todo o mundo tenhamos visto exemplos inspiradores de comunidades indígenas tomando medidas baseadas na sua forte organização interna para limitar a propagação do vírus e reduzir os seus impactos.”

“Aqueles que vivem em ambientes mais urbanos sofrem com frequência com a pobreza multidimensional, danos que são agravados por uma severa discriminação – inclusive no contexto dos cuidados de saúde”, declarou.

Nas Américas, mais de 70 mil indígenas foram infectados pela COVID-19, sendo 23 mil integrantes de 190 povos da Bacia do Amazonas.

Houve mais de 1 mil mortes, entre elas a de vários anciãos com profundo conhecimento de tradições ancestrais, incluindo a trágica morte no Brasil esta semana do cacique Aritana, do povo Yawalapiti.

Nesta vasta região que abrange áreas de Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, 420 ou mais povos indígenas vivem em terras que estão cada vez mais danificadas e poluídas pela mineração ilegal, exploração madeireira e agricultura de corte e queima.

Apesar de regulamentações restritivas, muitas destas atividades econômicas ilegais têm continuado nos últimos meses. A movimentação de missionários religiosos também expõe as comunidades a um elevado risco de infecção.

“Os povos indígenas que vivem em isolamento voluntário das sociedades modernas – ou que se encontram nas fases iniciais de contato – podem ter uma imunidade particularmente baixa a infecções virais, criando riscos especialmente agudos”, disse Bachelet.

“As comunidades e povos que foram forçados a abandonar suas terras são também muito vulneráveis, particularmente aqueles que vivem em territórios transfronteiriços.”

Em junho, o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) emitiu orientações sobre os direitos humanos dos povos indígenas no contexto da COVID-19.

O documento destaca práticas promissoras adotadas por vários países – muitas em estreita consulta com os povos indígenas – e enfatiza recomendações práticas com impacto imediato e a longo prazo sobre a saúde.

“De modo geral, a pandemia ressalta repetidamente a importância de assegurar que os povos indígenas possam exercer os seus direitos de autogoverno e autodeterminação”, disse a alta-comissária da ONU.

“Eles devem também ser consultados e devem poder participar na formulação e implementação de políticas públicas que os afetam, através de suas entidades representativas, líderes e autoridades tradicionais.”

Segundo ela, trata-se de salvar vidas e proteger “uma preciosa rede de culturas, línguas e conhecimentos tradicionais que nos ligam às raízes profundas da humanidade”.

“Neste Dia Internacional dos Povos Indígenas, meu escritório compromete-se a trabalhar com os povos indígenas, bem como com a Organização Mundial de Saúde, as equipes das Nações Unidas nos países, os mecanismos de direitos humanos da ONU, e os Estados, para apoiar uma melhor proteção dos seus direitos humanos fundamentais”, concluiu.

ONU leva ajuda humanitária imediata para apoiar Beirute após explosão

Uma equipe da Reserva de Comandantes da Força Interina da ONU no Líbano (UNIFIL) avalia a magnitude da explosão na terça-feira (4) no porto de Beirute, Líbano. Foto: Pasqual Gorriz/ONU

A resposta à explosão ocorrida nesta terça-feira (4) em Beirute, no Líbano, exige apoio global para “superar o impacto devastador” da crise que o povo libanês enfrenta, afirmou o vice-coordenador especial da ONU para o país na quinta-feira (6), Ján Kubis.

As explosões causaram cerca de 140 mortes, 5.000 feridos e centenas de pessoas ainda estão desaparecidas.

Reiterando o compromisso do Secretário-Geral em ajudar o Líbano, a coordenadora-residente Najat Rochdi, que também coordena o esforço humanitário da ONU no país, liberou 9 milhões de dólares do Fundo Humanitário Libanês para ajudar a atender às necessidades imediatas.

A coordenadora-residente disse que ficou profundamente comovida com a solidariedade das pessoas e os atos espontâneos de bondade. “Estamos nisso juntos e estamos comprometidos em apoiar o Líbano neste momento muito difícil”.

O chefe de assistência emergencial da ONU, Mark Lowcock, também vai liberar recursos adicionais do Fundo Central da ONU de Resposta de Emergências (CERF) para atender às necessidades imediatas e ajudar a fortalecer a capacidade dos hospitais existentes. Isso incluirá a expansão e o estabelecimento de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) adicionais, além do fornecimento de kits de trauma, ventiladores, suprimentos médicos e medicamentos.

Impacto nas crianças

Cerca de 80.000 crianças estão entre as 300.000 pessoas deslocadas pelas explosões de Beirute, segundo estimativas do UNICEF, com famílias afetadas que precisam desesperadamente de apoio.

De acordo com a representante adjunta do UNICEF no Líbano, Violet Speek-Warnery, nas últimas 24 horas o UNICEF está trabalhando junto com as autoridades e parceiros locais para responder às necessidades urgentes das famílias afetadas, focando na saúde, na água e no bem-estar das crianças.

Hospitais atingidos

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a explosão deixou três hospitais inoperantes. Além disso, outras duas instalações de saúde sofreram danos substanciais – o equivalente a 500 leitos hospitalares perdidos.

O vice-porta-voz da ONU, Farhan Haq, explicou que estão sendo realizadas novas avaliações, em coordenação com o Ministério da Saúde do Líbano, para “identificar a capacidade disponível, as necessidades materiais e as lacunas operacionais no setor da saúde”.

Instalações lotadas

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), os centro de saúde em Beirute continuam lotados de vítimas com traumas e queimaduras, e muitos atendimentos estão sendo feitos nas calçadas e nos estacionamentos.

Muitas unidades de terapia intensiva já estavam próximas da capacidade com a COVID-19 e o surto no país está piorando.

A OCHA está enviando equipes de emergência para ajudar na resposta às explosões, incluindo especialistas da equipe de Avaliação e Coordenação de Desastres da ONU (UNDAC) e o Grupo Consultivo Internacional de Busca e Resgate.

Fechamento do porto 

“Com o porto de Beirute inoperável, a ONU e seus parceiros estão buscando ajustar as redes de logísticas para garantir a realização das ações”, disse o vice-porta-voz da ONU, Farhan Haq. Segundo ele, os materiais humanitários provavelmente seriam redirecionados pelo porto de Trípoli, mas por ter uma capacidade menor do que o porto de Beirute, é possível que algumas cadeias de suprimentos sejam afetadas negativamente.

Missão da ONU 

A Força Interina da ONU no Líbano (UNIFIL) informou que continua avaliando os danos a um de seus navios da Força-Tarefa Marítima, atingidos durante a explosão. Segundo o porta-voz da ONU, após as explosões, 23 soldados das forças de paz da UNIFIL de Bangladesh foram hospitalizados e 18 receberam alta. Dois soldados permanecem em condições críticas, mas estão estáveis​.

A Missão da ONU continua a se engajar e oferecer apoio às autoridades e ao povo do Líbano para lidar com as consequências.

Líbano: tragédia, crise e pandemia agravam necessidades da população refugiada

Segundo o relatório Tendências Globais, o Líbano é a nação que abriga a maior população de refugiados per capita do mundo: 1 em cada 6 habitantes é uma pessoa que deixou seu país natal para escapar de guerras e conflitos, e buscou em território libanês uma vida em segurança. No total, o Líbano abriga mais de 925.000 refugiados registradosA maior parte deles (98%) veio do país vizinho, a Síria, que está em guerra há quase dez anos. Em seguida, estão refugiados vindos do Iraque e do Sudão. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) atua no país para assegurar abrigo, alimento, saúde e educação aos refugiados e às comunidades que os acolhem. 

Além disso, mais de 200 mil refugiados palestinos vivem no país sob o mandato da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente 

País de origem dos refugiados registrados no Líbano, 31 de Janeiro 2020. © ACNUR

Pandemia de COVID-19 agrava crise socioeconômica 

Altas taxas de desemprego, inflação e depreciação monetária já colocavam em risco o acesso a serviços essenciais pela população libanesa e milhares de refugiados que buscaram refúgio no país. A chegada da pandemia de COVID-19, somada às restrições para conter sua propagação, agravou o cenário de vulnerabilidade enfrentado pela nação. 

No total, o ACNUR já realizou mais de 3.500 testes para COVID-19 em 147 locais em todo o país e participou de obras de expansão e reabilitação de três hospitais públicos. Fornecemos também abrigos com áreas de isolamento, equipamentos hospitalares, leitos de UTI e treinamento para profissionais da saúde. Além disso, o ACNUR distribuiu materiais de higiene para mais de 345.000 refugiados e mais de 10.000 cestas de alimentos foram doadas. 

Comunidade libanesa no Brasil 

No final do século passado, foram os libaneses que contaram com o acolhimento da comunidade internacional, em especial, do Brasil. De 1975 a 1990, uma guerra civil destruiu a nação e deixou cerca de 120 mil mortos, segundo números reconhecidos pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU. 

Diversas fés coexistem no Líbano – muçulmanos xiitas e sunitas, cristãos ortodoxos, católicos, maronitas e protestantes, drusos, judeus, bahá’ís, budistas, hindus – constituindo também uma multiplicidade de posicionamentos políticos dentro do país. 

Com a adoção do Pacto Nacional, em 1943, determinou-se que certos cargos do governo deveriam ser ocupados por indivíduos de grupos religiosos específicos. O presidente da República e o comandante do Exército deveriam ser cristãos maronitas; o primeiro-ministro, um muçulmano sunita; e o presidente do Parlamento, um muçulmano xiita. 

O equilíbrio entre as comunidades religiosas, contudo, foi fragilizado com os eventos da política internacional na metade do século XX. A guerra árabe-israelense de 1948 causou o deslocamento em massa de palestinos para o Líbano, modificando a demografia religiosa do país. A Guerra Fria também polarizou ainda mais as comunidades religiosas em campos ideológicos. 

As tensões político-religiosas logo desencadearam ataques e massacres pelo país, com os grupos disputando o controle do governo. Em 1978, Israel invadiu o sul do Líbano em ofensiva contra a resistência palestina. Em 1982, os israelenses avançaram até Beirute, causando centenas de mortes. Outros países também participaram ativamente do conflito, como a Síria.

O Brasil recebeu milhões de pessoas que precisaram abandonar suas casas durante este período, oferecendo segurança e um novo começo. Esses migrantes estabeleceram-se principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, formando uma rede familiar de acolhimento para parentes que viviam no Líbano e queriam sair do país por causa do conflito. É justamente no Brasil onde vive a maior comunidade de libaneses no mundo, com uma população maior do que a do próprio Líbano. 

Após cada cessar-fogo e acordo de paz, o povo libanês mostrou incrível resiliência para reconstruir seu país. Mesmo enfrentando suas próprias mazelas, como o alto desemprego, a inflação galopante e a depreciação de sua moeda, que colocaram o país em uma crise econômica sem precedentes, o Líbano segue sendo refúgio para milhões de pessoas que foram forçadas a deixar seus países

O ACNUR presta sua solidariedade a população de Beirute e do Líbano e à comunidade libanesa no Brasil neste momento trágico.  

Cristo Redentor recebe missa do Dia dos Pais e lançamento de vídeo de esperança

No Dia dos Pais, comemorado no dia 9 de agosto, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas Brasileira, com apoio do Verificado – iniciativa das Nações Unidas para o combate à desinformação – promoverão duas missas, aos pés de uma das sete maravilhas do mundo – o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. As celebrações vão homenagear as vítimas e as famílias que perderam pais e entes queridos na pandemia, que já levou mais de 716 mil vidas em todo o mundo, sendo aproximadamente 98 mil mortes no Brasil.

As transmissões serão realizadas ao vivo diretamente do Santuário Cristo Redentor. A primeira missa será às 6h25 na TV Globo e, logo após, às 11h00 haverá uma segunda celebração transmitida pelas TVs de inspiração católica, como REDEVIDA e Pai Eterno, e pelos canais de YouTube da CNBB e Cáritas Brasileira. As imagens serão geradas pela REDEVIDA.

Durante ambas celebrações religiosas, haverá o lançamento de um vídeo inédito com um poema de autoria do cardeal, poeta e teólogo português José Tolentino Mendonça, lido e interpretado pelo ator Tony Ramos, que almeja tocar os corações dos brasileiros com palavras de esperança e solidariedade, e, por meio delas, trazer luz aos dias que estão por vir.

Emocionado com o momento crítico pelo qual o planeta está passando, o ator ressaltou: “O mundo só pode ficar melhor se nos respeitarmos. Uma frase antiga de um pensador inglês diz: ‘Cuidado: ódio gera doenças graves, tenhamos amor dentro de nós’. Sonhemos com um mundo melhor, é possível e, agora, depende de nós”.

O cardeal brasileiro Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, que presidirá as duas missas, fará uma bênção especial às famílias e a todos os afetados pela pandemia. “O Cristo Redentor, mais uma vez, abre os braços ao mundo para lembrar de todas as vítimas e famílias que perderam seus entes queridos em decorrência da pandemia. Também, neste segundo domingo de agosto, que é dedicado aos pais, rezemos pedindo a Deus que abençoe a todos”, disse o cardeal.

Verificado – As celebrações com o tema “Para Cada Vida” contam com o apoio do projeto Verificado, uma iniciativa global da Nações Unidas, que busca inundar os canais de comunicação com informações verificadas e transmitidas pela ONU envolvendo os temas de ciência, solidariedade e soluções, combatendo, assim, a infodemia de desinformações em meio a esta pandemia que assola o mundo. O projeto conta com a colaboração da Purpose, uma das maiores organizações de mobilização social do mundo, e com o apoio de articulação do NEXUS, movimento global que facilita espaços de encontro entre as novas gerações de filantropos, empreendedores sociais e investidores de impacto.

Em primeiro de julho, também com o conceito “Para Cada Vida”, foi realizada uma missa em tributo às vítimas da COVID-19, celebrada na igreja São José da Lagoa e uma projeção especial no Cristo Redentor com imagens emocionantes. A mensagem de solidariedade chegou a mais de 25 países e a quase 300 milhões de pessoas, trazendo luz ao triste momento que o país vem atravessando durante a pandemia.

Serviço
Missas em Ação de Graças pelo Dia dos Pais
Data: 9 de agosto
Local: Santuário Cristo Redentor – Rio de Janeiro
Transmissão ao vivo: 6h25 pela TV Globo e 11h00 pelas TVs de inspiração católica, como REDEVIDA e Pai Eterno e pelos canais de YouTube da CNBB e Cáritas Brasileira (horário de Brasília).

Sobre a Cáritas Brasileira
A Cáritas Brasileira é um organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Está organizada em uma rede com 187 entidades-membros e 12 regionais. Sua diretriz geral de ação é a construção solidária, sustentável e territorial de um projeto popular, pautado no fortalecimento da democracia e da justiça social. Acesse www.caritas.org.br.

Sobre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é uma instituição permanente que reúne os bispos católicos do Brasil que exercem conjuntamente funções pastorais em favor dos fiéis do seu território, a fim de promover o maior bem que a Igreja proporciona aos homens, principalmente em formas e modalidades de apostolado devidamente adaptadas às circunstâncias de tempo e lugar. Acesse www.cnbb.org.br.

Sobre o projeto Verificado
O projeto Verificado é uma iniciativa global ONU que tem o objetivo de combater a infodemia de desinformação em meio à pandemia, compartilhar informações que salvam vidas e orientações baseadas em fatos e histórias do melhor da humanidade. O site Verificado traz uma galeria de informações verificadas e transmitidas pelas Nações Unidas. Na busca de inundar os canais de comunicação, as mensagens são baseadas em três frentes: Ciência – para salvar vidas, Solidariedade – para promover cooperação local e global; e Soluções – para defender o apoio a populações impactada. Acesse: www.compartilheverificado.com.br.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA – AGÊNCIA KETCHUM
Cátia Aiello – catia.aiello@ketchum.com.br – (11) 99566-5328
Valéria Santoro – valeria.santoro@ketchum.com.br – (11) 97672-0159

ACNUR lança podcast que discute integração de refugiados no Brasil

Temas relacionados à integração das pessoas refugiadas no Brasil serão discutidos entre profissionais de campo, pesquisadores e os próprios refugiados. Foto: Daniele Batemarque e Camila Seabra

Temas relacionados à integração das pessoas refugiadas no Brasil serão discutidos entre profissionais de campo, pesquisadores e os próprios refugiados. Foto: Daniele Batemarque e Camila Seabra

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), em parceria com universidades da Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM), lançaram na quinta-feira (6) o podcast “Refúgio em Pauta”, que discute temas de integração das pessoas refugiadas no Brasil com profissionais de campo, pesquisadores e os próprios refugiados.

O primeiro episódio trata da segurança alimentar no contexto de pandemia da COVID-19. O coordenador de campo do ACNUR em Boa Vista (RR), Arturo de Nieves, fala sobre a resposta do ACNUR e de seus parceiros em um contexto de emergência humanitária.

A coordenadora do Programa de Atendimento a Refugiados (PARES) da Cáritas-RJ, Aline Thuller, discute a assistência prestada pela ONG no apoio às pessoas em situação de refúgio no Rio de Janeiro (RJ), vivendo em comunidades e no abrigo gerido pela Cáritas-RJ.

Fechando o episódio, o casal de empreendedores venezuelanos Carlos e Marifer relatam o processo de chegada ao Brasil e como está sendo a adaptação de seu empreendimento gastronômico à realidade da pandemia.

Todo mês, um diferente tema conduzirá os debates entre profissionais de campo, pesquisadores, refugiados e parceiros do ACNUR para que seja feita uma análise conjuntural do assunto proposto. O próximo episódio, a ser lançado em setembro, discutirá o tema dos refugiados indígenas que vivem no Brasil.

Para o representante do ACNUR no Brasil, Jose Egas, o podcast “Refúgio em Pauta” consolida os esforços do ACNUR em fazer com que o tema do refúgio seja tratado de forma inclusiva, trazendo os desafios enfrentados, mas também as amplas possibilidades de contribuição que os refugiados aportam no país.

“Os temas de cada episódio são debatidos entre especialistas e pessoas refugiadas, sendo um retrato da realidade que requer aprofundamento de discussão. Por isso o podcast é importante, pois pode ser acessado em diferentes localidades, por diferentes públicos e traz variadas perspectivas de análise que contribuem para uma melhor compreensão sobre o tema do refúgio como um todo, reduzindo a xenofobia e a discriminação”, afirma Egas.

O podcast “Refúgio em Pauta” é o resultado de um projeto de inovação do ACNUR, onde profissionais da agência de todo o mundo são convidados para trazerem dilemas dos mais variados campos de atuação para discutir soluções adequadas, de baixo investimento.

Como o programa de interiorização de venezuelanos promovido pelo governo federal já realocou mais de 38 mil pessoas desde Boa Vista para cerca de 600 municípios brasileiros, o podcast é uma ferramenta estratégica de informação atual e confiável, estando disponível nos diversos agregadores de podcast.

A produção conta com a participação de acadêmicos vinculados à Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM), uma iniciativa do ACNUR que existe desde 2003 e que atualmente reúne 23 instituições de ensino superior.

A Cátedra tem o objetivo de difundir no ensino universitário os temas relacionados ao refúgio, promover pesquisas e implementar iniciativas que facilitem o processo de integração das pessoas refugiadas no Brasil.

Os seguintes profissionais integram a equipe de produção do podcast:

Coordenação: Miguel Pachioni (ACNUR)
Produção: ACNUR (Miguel Pachioni e William Laureano); PUC-Minas (Profs. Danny Zahreddine e Duval Fernandes); UFES (Profa. Brunela Vincenzi); UNICAMP (Profa. Ana Carolina Maciel e Mariana Hafiz); UFSM (Profa. Giuliana Redin, Gianlluca Simi e Nathália Costa) e Carlos Escalona (jornalista venezuelano)
Arte: PUC-Minas (Daniele Batemarque e Camila Seabra)
Edição de som: ACNUR (Miguel Pachioni), UNICAMP (Mariana Hafiz), UFSM (Gianlluca Simi) e UFES (Alex Rosa de Andrade e Hélio Marchioni)
Vozes das vinhetas: Leonardo Matumona (músico da República Democrática do Congo) e Oula Al-Saghir (artista da Palestina/Síria)

Todos os episódios estarão disponíveis no site do ACNUR Brasil e nos principais agregadores de podcast.

ONU: é essencial que países mobilizem recursos para proteger povos indígenas na pandemia

Os povos indígenas são os melhores protetores das florestas tropicais. Foto: Mongabay | Daniel Aguilar.

Os povos indígenas são os melhores protetores das florestas tropicais. Foto: Mongabay | Daniel Aguilar.

Em mensagem para o Dia Internacional dos Povos Indígenas, observado no próximo domingo (9), o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a COVID-19 está tendo um impacto devastador em mais de 476 milhões de indígenas em todo o mundo.

“Ao longo da história, os povos indígenas foram dizimados por doenças trazidas de outros lugares, às quais não tinham imunidade”, lembrou.

“É essencial que os países mobilizem os recursos para responder às suas necessidades, honrar suas contribuições e respeitar seus direitos inalienáveis.”

O secretário-geral da ONU lembrou que, mesmo antes da atual pandemia de COVID-19, os povos indígenas já enfrentavam desigualdades arraigadas, estigmatização e discriminação.

O acesso inadequado a cuidados de saúde, água potável e saneamento aumenta sua vulnerabilidade, salientou.

“Os povos indígenas trabalham principalmente em ocupações tradicionais e economias de subsistência ou no setor informal. Todos foram afetados negativamente pela pandemia.”

As mulheres indígenas, que costumam ser as principais fornecedoras de alimentos e nutrição para suas famílias foram particularmente afetadas pelo fechamento de mercados de artesanato, produtos e outros bens, lembrou.

“Também devemos abordar com urgência a situação das crianças indígenas que não têm acesso a oportunidades virtuais de aprendizagem.”

“Em todo o mundo, os povos indígenas têm estado na vanguarda na demanda por ações ambientais e climáticas”, disse.

O secretário-geral da ONU alertou que a aplicação deficiente das proteções ambientais durante a crise trouxe uma crescente invasão dos territórios dos povos indígenas por mineradores e madeireiros ilegais.

“Muitos povos indígenas foram vítimas de ameaças e violência, e muitos perderam a vida diante de tais ameaças.”

Mesmo nesse cenário, Guterres lembrou que os povos indígenas demonstraram extraordinária resiliência.

“As comunidades indígenas com autonomia para administrar suas terras, territórios e recursos garantiram a segurança e o cuidado alimentar por meio de cultivos tradicionais e da medicina tradicional”, disse.

O povo Karen da Tailândia reviveu seu antigo ritual de “Kroh Yee”, ou fechamento de uma vila, para combater a pandemia, contou.

“Tais estratégias foram aplicadas em outros países asiáticos e na América Latina, com as comunidades fechando a entrada em suas áreas.”

“A realização dos direitos dos povos indígenas significa garantir sua inclusão e participação nas estratégias de resposta e recuperação da COVID-19. Os povos indígenas devem ser consultados em todos os esforços para se fortalecer e se recuperar melhor.”

Desde o início da pandemia global, as agências das Nações Unidas vêm trabalhando para defender os direitos dos povos indígenas. A ONU tem ajudado a salvaguardar a saúde e a segurança e a fornecer acesso a proteção social e oportunidades econômicas.

O Sistema das Nações Unidas continua comprometido com a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas e em reforçar sua resiliência, concluiu o secretário-geral.

Saneamento e higiene têm papel fundamental na resposta à COVID-19, aponta relatório

Crianças lavam as mãos na nova estrutura instalada na ocupação Embratel, em Boa Vista. Muitas delas já não precisam da ajuda dos adultos para higienizarem as mãos e se protegerem da COVID-19. Foto: Yareidy Perdomo/UNICEF

A pandemia da COVID-19 exacerbou a necessidade de políticas públicas que garantam a cobertura universal de serviços de saneamento, cruciais para que a população possa manter hábitos de higiene recomendados para evitar o contágio pelo novo coronavírus.

Em um webinário realizado nesta quarta-feira (5), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Banco Mundial e o Instituto Internacional de Águas de Estocolmo (SIWI) lançaram a nota técnica “O papel fundamental do saneamento e da promoção da higiene na resposta à COVID-19 no Brasil”, que traz uma análise sobre as ações implementadas no país e recomendações para uma resposta mais eficaz e equitativa do setor à crise da COVID-19.

Entre as recomendações feitas na nota técnica, está assegurar a disponibilidade de dados confiáveis e desagregados relativos ao acesso adequado a água e esgoto e higiene em domicílios, escolas e estabelecimentos de saúde. Além disso, lacunas de acesso devem ser preenchidas urgentemente e atenção particular tem de ser dada às populações vulneráveis tanto nos centros urbanos como nas zonas rurais.

Lacunas de acesso devem ser preenchidas urgentemente e atenção particular tem de ser dada às populações vulneráveis tanto nos centros urbanos como nas zonas rurais. Para fortalecer o sistema de saneamento no Brasil – tanto na resposta à crise atual como no longo prazo –, a nota recomenda uma maior cooperação entre as diferentes esferas do governo (municipal, estadual e federal) e a alocação de recursos financeiros públicos aos provedores de água e esgoto com base em metas de desempenho tangíveis, transparentes e verificáveis.

Uma das medidas mais eficazes de prevenção do novo coronavírus é a lavagem frequente e adequada das mãos com água e sabão. Por isso, o acesso contínuo e a qualidade dos serviços de água, esgoto e higiene devem ser garantidos nos domicílios, estabelecimentos de saúde, escolas e outros espaços públicos. Hoje, o acesso a esses serviços básicos não está garantido em grande parte do Brasil – o que tem amplificado o impacto da pandemia no país.

Dados do Programa Conjunto de Monitoramento da OMS e do UNICEF para Saneamento e Higiene (JMP) indicam que 15 milhões de brasileiros residentes em áreas urbanas não têm acesso à água tratada. Em áreas rurais, 25 milhões gozam apenas de um nível básico desses serviços, e 2,3 milhões usam fontes de água não seguras para consumo humano e higiene pessoal e doméstica.

Os números são igualmente alarmantes quando se trata de coleta e tratamento de esgoto. No Brasil, mais de 100 milhões de pessoas não possuem acesso a uma rede segura. Desse total, 21,6 milhões usam instalações inadequadas, e 2,3 milhões ainda defecam a céu aberto.

De acordo com o líder do setor de Infraestrutura e Água do Banco Mundial no Brasil, Luis Andres, a instituição tem feito um monitoramento das medidas adotadas no Brasil para garantir a prestação de serviços de água e esgoto durante a pandemia. Estados, companhias de saneamento, agências reguladoras e prefeituras têm recorrido a ações de auxílio emergencial aos usuários, como, por exemplo, adiamento do vencimento das contas de água e esgoto e campanhas de conscientização.

“Mas, além de garantir o fornecimento seguro de água, sobretudo aos segmentos mais vulneráveis, é importante assegurar que os provedores de serviços de água e esgoto tenham acesso a pacotes de assistência financeira para conseguir atravessar a crise”, ressaltou o líder do setor de Infraestrutura e Água do Banco Mundial no Brasil.

A situação precária também se reflete nas escolas: de acordo com as estimativas do JMP, 39% não possuem serviços básicos para lavagem das mãos. As desigualdades entre as regiões são tremendas. Apenas 19% das escolas públicas do Estado do Amazonas têm acesso ao abastecimento de água e alguns estados da Região Norte registram menos de 10% das escolas com acesso ao sistema público de esgoto.

“Neste momento em que os estados e municípios discutem como assegurar uma reabertura segura das escolas, fortalecer os serviços básicos de água e esgoto deve ser uma das primeiras intervenções. É necessária uma análise criteriosa da situação da COVID-19 em cada estado e município, e da situação das escolas. Neste contexto, a disponibilidade de instalações para a lavagem das mãos, com sabão e torneiras com água suficiente, de banheiro com tratamento adequado do esgoto e de produtos de higiene é indispensável para a decisão sobre reabrir o ensino presencial”, defendeu Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil.

>> Para ler a nota técnica na íntegra, clique aqui.

Sobre o SIWI
O SIWI é um instituto líder em água, focado na governança e capacitação, com o objetivo de alcançar a utilização justa, próspera e sustentável dos recursos hídricos. Suas pesquisas e produções de conhecimento têm ajudado no desenvolvimento e implementação de políticas e programas na área. Além disso, o SIWI usa a sua credibilidade e seu poder de convocação para facilitar o diálogo entre diferentes atores, mais evidentemente, durante seu evento anual, a Semana Mundial da Água.

Líbano: apoio aos hospitais é prioridade da ONU após explosão em Beirute

Grandes áreas de Beirute foram destruídas como resultado da explosão no porto da cidade. Foto: UNIFIL

Grandes áreas de Beirute foram destruídas como resultado da explosão no porto da cidade. Foto: UNIFIL

A Organização das Nações Unidas (ONU) está trabalhando em estreita colaboração com as autoridades do Líbano para apoiar a resposta contínua após a enorme explosão que abalou Beirute na terça-feira (4), destruindo grandes áreas da capital.

Mais de 130 pessoas morreram na explosão, que atingiu o porto e os arredores, deixando inúmeros feridos e milhares de desabrigados. O governo declarou estado de emergência por duas semanas.

Falando na quarta-feira (5), o vice-porta-voz da ONU Farhan Haq disse a jornalistas que o apoio a hospitais e à resposta a traumas é uma prioridade.

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) está trabalhando em estreita colaboração com o Ministério da Saúde libanês para conduzir uma avaliação das instalações hospitalares em Beirute, sua funcionalidade e necessidades de apoio adicional, particularmente em meio à pandemia de COVID-19”, disse ele.

“Especialistas estão sendo enviados para Beirute para ajudar na resposta de emergência, tanto das Nações Unidas quanto de vários Estados-membros. Especialistas estão a caminho para apoiar operações de busca e salvamento urbano. As equipes também estão equipadas para realizar avaliações rápidas sobre a situação no terreno e ajudar a coordenar as atividades de resposta a emergências.”

O porto de Beirute é o principal porto do Líbano e é essencial para as atividades do país e das Nações Unidas na Síria, explicou Haq.

“Os danos ao porto devem exacerbar significativamente a situação econômica e de segurança alimentar no Líbano, que importa cerca de 80% a 85% de seus alimentos”, disse ele, respondendo à pergunta de um jornalista.

“Nossos colegas do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) também esperam que isso afete nossa capacidade de fornecer ajuda à Síria, porque o porto de Beirute era uma das maneiras de enviar ajuda e, é claro, também usamos aeroportos, por isso precisamos encontrar planos alternativos.”

Avaliações sobre alimentação e abrigo

Enquanto isso, o Programa Mundial de Alimentos (WFP) está realizando uma avaliação das necessidades alimentares. Uma avaliação das necessidades de abrigo também está em andamento.

O WFP disse que a explosão e os danos ao porto piorarão “a sombria situação econômica e de segurança alimentar no Líbano”, que já estava enfrentando a pior crise econômica de todos os tempos, agravada pela pandemia de COVID-19.

“Uma pesquisa recente do WFP sobre o impacto da crise econômica e do surto de COVID-19 e medidas subsequentes de bloqueio nos meios de subsistência e segurança alimentar revelou que os alimentos se tornaram uma importante fonte de preocupação, com 50% dos libaneses dizendo no mês passado que se sentiam preocupados sobre a possibilidade de não ter comida suficiente”, disse a agência na quarta-feira.

A ONU está analisando todas as opções para encontrar maneiras de fornecer assistência financeira para os esforços de resposta em andamento.

A Organização está otimista com o fato de que governos de todo o mundo declararam seu apoio ao Líbano, disse Haq, que lembrou que o país tem sido destino para pessoas que fogem da guerra e da perseguição.

Acolhida a refugiados

O Líbano, que tem uma população de cerca de 6 milhões de pessoas, recebeu quase 900 mil sírios e mais de 200 mil refugiados palestinos, além de mais de 18 mil outras pessoas deslocadas de países como Iraque e Sudão.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) expressou solidariedade com o povo libanês após a explosão de grandes proporções.

O alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados, Filippo Grandi, emitiu um comunicado manifestando “sinceras condolências às famílias que perderam seus entes queridos. Nossos pensamentos estão com aqueles que ficaram feridos.”

Os funcionários da ONU no Líbano e seus dependentes estão entre os afetados pela explosão, com cerca de 100 recebendo tratamento, segundo Haq. Ele também informou que dois familiares de funcionários da ONU morreram.

Estado de choque

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelou o impacto sobre sua equipe no Líbano.

“Um de nossos colegas perdeu a esposa, sete de nossa equipe ficaram levemente feridos e dezenas de casas foram danificadas”, disse Yukie Mokuo, representante do UNICEF no Líbano, em comunicado divulgado na quarta-feira.

“A maioria de nossa equipe – assim como a maioria das pessoas no Líbano – está em estado de choque.”

O UNICEF está coordenando com as autoridades e parceiros libaneses a responta às necessidades.

A agência forneceu água potável para os funcionários do porto de Beirute enquanto ajudava as autoridades de saúde a resgatar medicamentos e vacinas que permaneciam em um depósito. Seus parceiros no terreno estão fornecendo apoio psicossocial para crianças em toda a cidade.

“A catástrofe de ontem em Beirute contribui para o que já estava sendo uma crise terrível para o povo do Líbano, agravada por um colapso econômico e um aumento nos casos de COVID-19. A pandemia já significava que os hospitais estavam sobrecarregados e os funcionários da linha de frente, exaustos”, disse Mokuo.

Ela acrescentou que o UNICEF intensificará os esforços para alcançar as famílias em maior situação de vulnerabilidade nos próximos dias.

UNFPA entrega 800 kits e cestas básicas para mulheres vítimas de violência em Salvador

UNFPA entrega kits e cestas em parceria com a Prefeitura de Salvador. Foto: Midiã Santana/UNFPA Brasil

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em parceria com a Prefeitura de Salvador, começou a entregar, nesta terça-feira (04), 800 kits de higiene e cestas básicas a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar que estão sob proteção e abrigamento na Bahia.

Os Kits Dignidade, como são chamados, contêm artigos como sabonete, álcool em gel e máscaras de tecido confeccionadas por artesãs do coletivo de costureiras Rede de Economia do Sagrado Solidária. O objetivo é fortalecer a prevenção à COVID-19 entre essas pessoas e também a rede de proteção à violência baseada em gênero.

Tanto os kits quanto os alimentos vêm acompanhados de folhetos informativos, elaborados com apoio de especialistas do Fundo de População da ONU e da Prefeitura de Salvador, sobre como se prevenir da doença causada pelo novo coronavírus, como reconhecer a violência de gênero e como denunciar, uma vez em que na pandemia o número de casos pode aumentar.

A representante do Fundo de População da ONU no Brasil, Astrid Bant, explicou que o Fundo de População da ONU tem investido na entrega de Kits Dignidade em vários estados do país, sempre com foco em mulheres e pessoas que já estavam em situação de vulnerabilidade antes na pandemia e que podem ter sua situação agravada.

“É uma forma de fornecer acesso a produtos de prevenção que nem sempre estão disponíveis. Nesse contexto, é fundamental também o apoio da prefeitura de Salvador para reconhecer e proteger mulheres vítimas de violência de gênero”, afirmou a representante do UNFPA.

“Sem dúvidas essa parceria vem para somar com todas políticas públicas que já estão sendo desenvolvidas pela Prefeitura de Salvador para as mulheres vítimas de violência, visando trazer esperança e uma nova perspectiva de futuro para elas”, destacou a secretária municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), Rogéria Santos.

Parceria UNFPA e Prefeitura de Salvador

A entrega dos kits faz parte de uma parceria maior, firmada pelo Fundo de População da ONU (UNFPA) com a Prefeitura de Salvador, com apoio estratégico da área internacional do Gabinete do Prefeito, da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ) e da Secretaria Municipal de Promoção Social (SEMPRE).

Oficializada com a assinatura de um memorando de entendimento com a Prefeitura de Salvador, a parceria prevê, inicialmente, o desenvolvimento de projetos que visem a prevenção à violência de gênero e o fortalecimento da rede de proteção às mulheres, mas também pode envolver outros projetos com foco no desenvolvimento sustentável e equitativo da população soteropolitana, contemplando o reconhecimento, proteção, promoção e efetivação dos direitos humanos, incluindo ações relacionadas aos direitos e necessidades de adolescentes, jovens e mulheres, considerando os recortes de raça e gênero.

Pessoas refugiadas e migrantes indígenas de Manaus recebem apoio

O UNFPA realizou também na quarta-feira (5) a doação de kits no abrigo indígena Tarumã Centro, em Manaus (AM). A ação foi realizada com apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semasc), que administra o local.

Os kits doados pela União Europeia contém artigos de higiene pessoal, como álcool em gel, sabonete, escova de dentes e absorventes. Foram distribuídos para todas as meninas, adolescentes e mulheres do abrigo, que hoje conta com uma população aproximada de 39 pessoas da etnia Warao.

OPAS adverte contra uso de produtos à base de cloro como tratamento para a COVID-19

A OPAS não recomenda o uso oral ou parenteral de dióxido de cloro ou produtos com clorito de sódio para pacientes com suspeita ou diagnóstico da COVID-19. Foto: OPAS

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um alerta contra o uso de produtos à base de cloro como tratamentos para a COVID-19.

“A OPAS não recomenda o uso oral ou parenteral – intravenosa, intra-arterial, intramuscular e subcutânea – de dióxido de cloro ou produtos com clorito de sódio para pacientes com suspeita ou diagnóstico da COVID-19 ou para qualquer outra pessoa. Não há evidências de sua eficácia e a ingestão ou inalação de tais produtos pode causar graves efeitos adversos”, alertou o documento.

A OPAS recomenda que a população evite consumir produtos que contenham dióxido de cloro ou substâncias relacionadas (hipoclorito de sódio e alvejante, por exemplo) e que toda a comercialização desses produtos para fins terapêuticos seja notificada às autoridades.

Desde o início da pandemia da COVID-19 neste ano, “numerosos produtos contendo dióxido de cloro ou seus derivados foram comercializados isoladamente ou em combinação com outros produtos com falsas alegações de que podem curar a COVID-19 e doenças associadas”, explicou a OPAS no alerta.

O dióxido de cloro, um gás usado como alvejante nas estações de tratamento de água, e o hipoclorito de sódio, um desinfetante comercializado como alvejante doméstico, podem ser tóxicos se ingeridos e causar vários efeitos adversos.

Os ministérios da saúde e as autoridades reguladoras de pelo menos nove países das Américas, incluindo a Administração de Medicamentos e Alimentos dos EUA (FDA, sigla em inglês), juntamente com redes de centros de controle de venenos e a Rede Argentina de Centros de Informação sobre Medicamentos, emitiram alertas sobre os riscos à saúde do consumo de dióxido de cloro ou clorito de sódio e alertaram sobre a comercialização de produtos “milagrosos” não comprovados para prevenir ou tratar a COVID-19.

A OPAS recomenda que as autoridades de saúde facilitem a notificação de eventos adversos relacionados a essas substâncias e emitam os alertas e ações regulatórias necessários, incluindo possíveis sanções, a fim de evitar a recorrência de tais eventos.

Clique aqui para acessar o alerta da OPAS (em inglês).

OPAS alerta para interrupções nos serviços regulares de saúde devido à COVID-19

Foto: Agência Brasil

Os serviços de saúde nos países das Américas estão sendo interrompidos à medida que profissionais de saúde são redirecionados para atender pacientes com COVID-19. Além disso, as pessoas estão hesitando em procurar atendimento de rotina devido ao medo de infecção e as cadeias globais de fornecimento de medicamentos e equipamentos estão prejudicadas, alertou nesta terça-feira (4) a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne.

“Sem médicos e enfermeiros disponíveis para oferecer outros serviços essenciais no primeiro nível de atenção – incluindo atendimento relacionado à gestação e gerenciamento de condições crônicas como diabetes ou doenças infecciosas como HIV, TB e malária –, esses serviços foram severamente interrompidos ou pior ainda, pararam por completo”, explicou Etienne na coletiva de imprensa semanal da OPAS.

A região permanece sob forte atenção. Em 3 de agosto, as Américas contabilizavam mais de 9,7 milhões de casos e mais de 365 mil mortes. “E esses números continuam a aumentar”, afirmou a diretora da OPAS.

“Mais de um quarto dos países suspenderam campanhas de vacinação de rotina. Semanas ou meses de interrupção aumentarão o risco de surtos de doenças evitáveis por vacinas, revertendo nossas tendências de longa data na região”, pontuou Etienne.

Em 27 países, metade dos programas de diabetes e hipertensão da atenção primária foi interrompida, mostra pesquisa, e as visitas relacionadas à gestação caíram 40%. Hoje, 11 países das Américas têm menos de três meses de fornecimento de antirretrovirais. “Se estes não forem reabastecidos em breve, as pessoas que vivem com HIV podem ter que interromper o tratamento. A falta desses suprimentos simplesmente não é uma opção”, afirmou a diretora da OPAS.

Uma resposta prolongada a esta pandemia deve incluir o fornecimento de outros serviços essenciais para salvar vidas, defendeu Etienne. “Os países devem evitar pensar que precisam fazer uma escolha entre reabrir economias e proteger a saúde e o bem-estar de seu povo”.

A OPAS está pedindo aos países que se adaptem a essa nova situação para “reestruturar como os cuidados essenciais são prestados e investir no primeiro nível de atenção, usando telemedicina, visitas domiciliares e programas de extensão comunitária para apoiar populações vulneráveis”.

Ao mesmo tempo, também devem mitigar os efeitos da COVID-19. “Esta não é uma escolha, os governos devem encontrar esse equilíbrio cuidadoso para a saúde pública”, disse a diretora da OPAS.

“Os países podem responder à COVID-19 fornecendo testes e rastreamento de contatos, além de oferecer outros serviços essenciais, como imunização e apoio à saúde mental. Uma abordagem integrada economiza tempo e recursos dos pacientes, melhorando a qualidade dos cuidados que eles recebem”, disse ela.

“Os investimentos em atenção primária à saúde também melhoram a eficiência, reduzem os custos de cuidados de saúde e permitem que hospitais e comunidades expandam a capacidade em outras áreas de atendimento”.

“Enquanto continuamos esse caminho em direção à saúde universal, precisamos garantir que nossos sistemas de saúde sejam resilientes e que tenham os recursos, suprimentos e profissionais de saúde necessários para combater uma pandemia, além de manter as pessoas saudáveis e protegidas de outras doenças”, concluiu Etienne.

Brasil lança campanha de amamentação durante Semana Mundial do Aleitamento Materno

“Amamentar é a intervenção de saúde pública mais custo-efetiva”, afirmou a representante da OPAS/OMS no Brasil, Socorro Gross. Foto: OPAS

Para marcar a Semana Mundial do Aleitamento Materno 2020, o Ministério da Saúde do Brasil lançou nesta terça-feira (4) sua campanha anual de incentivo à amamentação e apresentou uma pesquisa que aponta aumento dos índices de amamentação no país.

O evento contou com a participação da representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, Socorro Gross, que afirmou que a amamentação é a intervenção de saúde pública mais custo-efetiva. “É o maior ato de amor que nós mães podemos fazer e que os pais e as famílias podem apoiar. O aleitamento materno sempre será, em qualquer país, em qualquer região, em qualquer parte da história, a razão de termos crianças mais saudáveis”.

O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), apresentado no evento, foi realizado com 14.505 crianças menores de cinco anos entre fevereiro de 2019 e março de 2020. De acordo com os resultados preliminares, mais da metade (53%) das crianças continua sendo amamentada no primeiro ano de vida. Entre as menores de seis meses o índice de amamentação exclusiva é de 45,7%. Já nas menores de quatro meses, de 60%.

O secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde do Brasil, Raphael Câmara, afirmou que o aleitamento materno reduz a mortalidade infantil por causas evitáveis, diminui as alergias, diarreias, doenças respiratórias, obesidade e diabetes tipo 2. “A amamentação tem um efeito positivo na inteligência, reduz a chance de a mulher desenvolver câncer de mama e de ovário, não causa poluição ao ambiente, por não ter embalagens, diminui os custos com tratamentos para o sistema de saúde”.

A representante da OPAS/OMS no Brasil, Socorro Gross, ressaltou que o sucesso da amamentação não é responsabilidade exclusiva da mãe e sim de todas e todos: comunidades, empregadores, famílias, governos, profissionais de saúde, meios de comunicação. “Amamentar não é um ato simples. É um ato que tem dor, medo. Muitas vezes, muito cansaço. É um ato que requer todo o apoio da sociedade”.

Durante o lançamento da campanha, também foi destacado que o leite materno deve ser dado inclusive neste momento de pandemia da COVD-19. As principais evidências científicas disponíveis atualmente mostram que os benefícios do aleitamento materno superam consideravelmente os potenciais riscos de transmissão do novo coronavírus.

Além disso, é possível adotar uma série de medidas que ajudam a proteger o bebê, como lavar as mãos frequentemente, cobrir o espirro e a tosse, limpar as superfícies. Se houver suspeita ou confirmação de que a mãe está com COVID-19, ela deve usar uma máscara durante qualquer contato com o bebê, inclusive na hora de amamentar.


Semana Mundial

A Semana Mundial do Aleitamento Materno, comemorada a cada ano na primeira semana de agosto, é uma campanha global para conscientizar e galvanizar ações sobre temas relacionados à amamentação. A OPAS se junta à comunidade global para apoiar os esforços e fortalecer medidas para proteger, promover e apoiar o direito ao aleitamento materno na Região das Américas.

Neste ano, a Aliança Mundial para a Amamentação (WABA, na sigla em inglês), selecionou o lema “Apoie a amamentação para um planeta mais saudável” para a Semana Mundial da Amamentação 2020. O tema busca enfocar o impacto da alimentação infantil no meio ambiente/mudanças climáticas e a necessidade de ser proteger, promover e apoiar a amamentação para a saúde do planeta e de sua população.

Prêmio
O coordenador da Rede Global de Bancos de Leite Humano do Brasil, João Aprígio Guerra de Almeida, foi destaque no boletim de junho da Organização Mundial da Saúde (OMS) após vencer o prêmio Dr. Lee Jong-wook Memorial Prize for Public Health por seu trabalho na promoção do aleitamento materno no Brasil e no mundo. Clique aqui e confira a tradução da entrevista de João Aprígio publicada no boletim da OMS.

Não há ‘bala de prata’ para combater COVID-19, diz chefe da agência de saúde da ONU

Uma mulher usa máscara facial enquanto trabalha em Gujarat, na Índia. Foto: UNICEF

Uma mulher usa máscara facial enquanto trabalha em Gujarat, na Índia. Foto: UNICEF

Não existe “nenhuma bala de prata” para combater a COVID-19, disse o chefe da agência de saúde da ONU a jornalistas na segunda-feira (3), acrescentando que “talvez nunca exista”.

O Comitê de Emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) reuniu-se na sexta-feira (31) para analisar o atual cenário da pandemia, no que o chefe Tedros Adhanom Ghebreyesus chamou de “um momento preocupante”.

Em uma coletiva de imprensa regular na segunda-feira (3) em Genebra, ele lembrou que, quando o Comitê se reuniu três meses atrás, a OMS havia recebido relatos de 3 milhões de casos de COVID-19 e mais de 200 mil mortes.

“Desde então, o número de casos aumentou mais de cinco vezes, para 17,5 milhões, e o número de mortes mais do que triplicou, para 680 mil.”

O Comitê observou que a interrupção de serviços de saúde está tendo impacto em uma série de outras doenças, com redução da cobertura vacinal, da realização de exames e tratamento para câncer, assim como serviços de saúde mental.

Além do impacto na saúde, a COVID-19 está causando danos sociais, econômicos e políticos, segundo o funcionário da OMS.

Medidas de mitigação

O Comitê sugeriu uma série de propostas para os países controlarem o vírus, incluindo compromisso político e liderança aprimorados para estratégias nacionais e atividades de resposta localizadas tendo como base ciência, dados e experiência.

Também reconheceu que os Estados-membros têm “escolhas difíceis” a serem feitas para reverter a epidemia.

Embora reconheça que “não é fácil”, o chefe da OMS sustentou que “quando os líderes se apresentam e trabalham intensamente com suas populações”, a doença pode ser “controlada”.

“Nunca é tarde para mudar essa pandemia”, afirmou Tedros, acrescentando que “se agirmos juntos hoje”, podemos salvar vidas e meios de subsistência.

Recomendações

O Comitê recomendou que os países participassem do Acelerador de Acesso às Ferramentas COVID-19 (ACT), assim como de ensaios clínicos relevantes, e se preparassem para a introdução de tratamentos seguros e vacinas, disse o diretor-geral da OMS a jornalistas.

Ele também informou que algumas vacinas estão atualmente na fase três dos ensaios clínicos, compartilhando sua esperança de ter “várias vacinas eficazes”.

“Por enquanto”, explicou Tedros, “interromper os surtos se resume aos princípios básicos de saúde pública e controle de doenças”, incluindo testes, isolamento e tratamento de pacientes, além de rastrear e colocar em quarentena seus contatos.

Enquanto isso, os indivíduos devem manter distância física, usando uma máscara, limpar as mãos regularmente e tossir com segurança longe dos outros.

“A mensagem para as pessoas e os governos é clara: faça tudo isso”, afirmou, “e quando estiver sob controle, continue!”

Nesta semana, a OMS também está lançando o chamado “desafio das máscaras”, incentivando as pessoas a enviar fotos de si mesmas usando uma máscara protetora.

Além de ser uma ferramenta essencial para parar o vírus, as máscaras passaram a representar solidariedade.

“Se você é um trabalhador da saúde, um trabalhador da linha de frente, onde quer que esteja – mostre sua solidariedade ao seguir as diretrizes nacionais e usar uma máscara com segurança – seja para cuidar de pacientes ou entes queridos, usar transporte público para o trabalho ou buscar suprimentos essenciais”, insistiu Tedros.

Amamentação durante a pandemia

Para finalizar, o funcionário da ONU lembrou que esta é a semana de conscientização sobre amamentação.

Ele reiterou a recomendação da OMS de que mães com suspeita ou confirmação de COVID-19 sejam encorajadas, da mesma forma que todas as outras mães, a iniciar ou continuar a amamentar, dizendo que “os muitos benefícios da amamentação para recém-nascidos e crianças superam substancialmente os potenciais riscos de infecção por COVID-19″.

ONU: mundo deve ‘redesenhar’ a educação em meio à pandemia

Em meio à maior crise jamais vista na educação global, provocada pela pandemia de COVID-19, temos uma “oportunidade geracional” para “redesenhar” a área.

A avaliação é do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em uma mensagem em vídeo ao lançar nesta terça-feira (4) um relatório sobre o tema.

“A educação é a chave para o desenvolvimento pessoal e o futuro das sociedades. Desbloqueia oportunidades e reduz desigualdades. É o alicerce das sociedades informadas e tolerantes e o principal impulsionador do desenvolvimento sustentável”, disse Guterres.

Segundo a ONU, até meados de julho, as escolas estavam fechadas em mais de 160 países, afetando mais de 1 bilhão de estudantes. Além disso, pelo menos 40 milhões de crianças em todo o mundo não tiveram acesso à educação pré-escolar. E os pais e responsáveis – e especialmente as mulheres – foram forçados a assumir os encargos mais pesados de cuidados em casa.

O secretário-geral ressaltou que, apesar da transmissão de aulas por meio do rádio, da televisão e da internet, bem como esforços dos professores e dos pais, muitos alunos continuam sem acesso.

“Alunos com deficiência, aqueles que vivem em comunidades minoritárias ou desfavorecidas, estudantes deslocados e refugiados e os que estão em áreas remotas correm maior risco de serem deixados para trás”, acrescentou.

“Mesmo para os que têm acesso ao ensino a distância, o sucesso depende das suas condições de vida, incluindo a justa distribuição de tarefas domésticas.”

A ONU destacou que o mundo já passava por uma crise aprendizagem antes da pandemia. Mais de 250 milhões de crianças em idade escolar estavam fora da escola e apenas um quarto das crianças do ensino secundário nos países em desenvolvimento saía da escola com competências básicas.

“Agora, enfrentamos uma catástrofe geracional que pode desperdiçar um potencial humano incalculável, minar décadas de progresso e acentuar desigualdades enraizadas”, disse Guterres.

O documento alerta para os efeitos indiretos: desnutrição infantil, casamento infantil e desigualdade de gênero, entre outros, preocupam a organização.

O documento lançado nesta terça (4) foi lançado junto a uma nova campanha com parceiros na área da educação e com agências das Nações Unidas, chamada “Salve nosso Futuro”.

“Estamos num momento decisivo para as crianças e os jovens de todo o mundo. As decisões que os governos e os parceiros tomarem agora terão um impacto duradouro em centenas de milhões de jovens e nas perspectivas de desenvolvimento dos países nas próximas décadas”, disse António Guterres.

O relatório pede a ação de toda a sociedade em quatro áreas principais.

A primeira é a forma como serão reabertas as escolas. Uma vez que a transmissão local da COVID-19 esteja sob controle, mandar os alunos de volta para as escolas e instituições de ensino, da forma mais segura possível, deve ser uma prioridade, disse a organização. O documento lembra que a ONU possui orientações para ajudar os governos “nesta missão complexa”.

“Será essencial equilibrar os riscos para a saúde e os riscos para a educação e a proteção das crianças, e ter em consideração o impacto na participação da força de trabalho das mulheres. É fundamental consultar pais, cuidadores, professores e jovens”, detalhe o chefe da ONU.

A segunda ação é a priorização da educação no orçamento. Antes da crise, destaca a ONU, os países de baixo e médio rendimento já enfrentavam um deficit de financiamento da educação de US$ 1,5 trilhão de dólares por ano. Em meio à pandemia, este deficit cresceu.

“Os orçamentos da educação têm de ser protegidos e aumentados. E é fundamental que a educação esteja no centro dos esforços da solidariedade internacional, com pacotes de gestão de dívidas e de estímulos, apelos humanitários globais e assistência oficial ao desenvolvimento”, destacou o secretário-geral.

Terceiro, chegar aos que são “mais difíceis de alcançar”.

As iniciativas de educação devem procurar alcançar aqueles que correm maior risco de serem deixados para trás, disse Guterres, como pessoas em emergências e crises; grupos minoritários de todos os tipos; pessoas deslocadas e pessoas com deficiência.

“Devem ser sensíveis aos desafios específicos enfrentados por meninas, meninos, mulheres e homens e devem procurar urgentemente superar a desigualdade digital”, acrescentou.

A quarta ação pede que a educação seja “redesenhada”, uma “oportunidade geracional” que poderá dar um “salto em direção a sistemas progressistas que ofereçam uma educação de qualidade para todos como um trampolim para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.

Para alcançar esse cenário, disse Guterres, é preciso investimento na alfabetização digital e em infraestruturas, “uma evolução no sentido de aprender a aprender”, um “rejuvenescimento da aprendizagem ao longo da vida” e “vínculos reforçados entre a educação formal e a não formal”.

Guterres acrescenta: “E precisamos recorrer a métodos flexíveis de aprendizagem, tecnologias digitais e currículos modernizados, garantindo, ao mesmo tempo, apoio contínuo aos professores e às comunidades”.

“À medida que o mundo enfrenta níveis insustentáveis de desigualdade, precisamos da educação – o grande equalizador – mais do que nunca. Devemos tomar medidas ousadas agora, para criar sistemas educativos inclusivos, resilientes e de qualidade, adequados para o futuro.”

Senso de urgência da Agenda 2030 é ainda maior com pandemia, diz ONU no Brasil

Criança no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

Criança no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

O senso de urgência para a execução da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável foi renovado diante dos efeitos da pandemia de COVID-19 no Brasil e no mundo, na avaliação do coordenador-residente da ONU no país, Niky Fabiancic.

“Como sabemos, a Agenda 2030, com seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, foi o plano elaborado pelos 193 países-membros das Nações Unidas para a construção de um mundo mais justo e sustentável, que não deixe ninguém para trás”, lembrou.

“Quando este plano foi acordado pelos países em 2015, com intensa liderança do Brasil, os países tinham consciência de que estavam discutindo os desafios mais urgentes enfrentados pela humanidade. Esses países aprovaram a Agenda 2030 com a certeza de que avançar no cumprimento dos 17 ODS era o caminho mais curto, justo e seguro para a superação desses desafios.”

Para Fabiancic, cinco anos após sua aprovação, o senso de urgência da execução desse plano foi renovado pela “gigantesca emergência sanitária que a pandemia de COVID-19 impôs ao mundo”.

“Temas que já estavam expressos na Agenda 2030 em 2015, como o acesso à água e a saneamento básico e a universalização dos serviços de saúde, se mostram imprescindíveis para a superação desta crise sem precedentes”, disse.

As declarações foram feitas na sexta-feira (31), em Brasília (DF), durante audiência pública da Frente Parlamentar Mista em Apoio aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Congresso Nacional.

Na ocasião, foi lançado o IV Relatório Luz da Sociedade Civil sobre a Agenda 2030, produzido pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, o GT Agenda 2030 – coalizão formada por 51 organizações, fundações e movimentos brasileiros.

O documento é a única publicação no Brasil, organizado pela sociedade civil, que apresenta um panorama sobre como os 17 ODS estão sendo implementados no Brasil, país que foi um dos 193 signatários do acordo que deu origem à Agenda 2030, na ONU.

Clique aqui para acessar o relatório.

“O Relatório Luz que está sendo lançado hoje nos alerta que não estamos avançando na implementação dos ODS na velocidade que precisamos. Isso não é uma novidade e nem é uma exclusividade do Brasil”, disse Fabiancic.

No início do ano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, já havia feito um chamado para que esta fosse a Década de Ação, para que todo o mundo empreendesse mais esforços para tirar os ODS do papel.

“A pandemia nos mostra que essa união é imprescindível e que investir em saúde, educação, saneamento e na preservação do meio ambiente é estratégico. Parafraseando o secretário-geral, o mundo é tão forte quanto seu elo mais fraco.”

Segundo o coordenador-residente da ONU no país, a pandemia alcançou o Brasil, assim como toda a América Latina, em uma situação desfavorável, e a crise decorrente da pandemia agravou essa situação.

As desigualdades históricas são determinantes para a forma e a intensidade com que cada pessoa experimenta os efeitos da pandemia, disse. “As pessoas que já se encontravam em situação vulnerável foram mais duramente atingidas. Elas estão mais suscetíveis aos efeitos na saúde, já que têm menos condições de adotar as medidas de prevenção à doença, e muitas delas têm mais chance de desenvolver as formas graves da COVID-19.”

“Ao mesmo tempo, são esses grupos vulneráveis que sofrem mais com os efeitos socioeconômicos da pandemia. Trabalhadores informais, mulheres, indígenas, afrodescendentes, pessoas com deficiência são alguns dos grupos que que estão sentindo os piores efeitos da crise socioeconômica provocada pela pandemia.”

O Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe deve recuar 9,1% este ano – enquanto a queda prevista para o PIB brasileiro é de cerca de 9%. A pobreza deve chegar a mais de 37% da população da região, ou seja, 231 milhões de pessoas, enquanto 98 milhões de pessoas viverão em situação de pobreza extrema, segundo projeções da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

Fabiancic lembrou que o desemprego e a informalidade também devem aumentar, com o fechamento de 2,7 milhões de empresas, somando 44 milhões de pessoas sem emprego na região. No Brasil, a pobreza deve chegar a 25% da população, ou cerca de 50 milhões de pessoas, salientou.

“Portanto, a desigualdade, que já era intensa, deve ser acirrada. E com mais desigualdade, a tendência é termos desafios maiores em todas as áreas do desenvolvimento, como saúde, educação, trabalho e renda, lacunas de gênero, segurança alimentar, meio ambiente e crescimento econômico.”

Altos níveis de desigualdade são um empecilho para o desenvolvimento e estão associados a instabilidade econômica, corrupção, crises financeiras, aumento da criminalidade e condições de saúde ruins, disse Fabiancic.

“Precisamos quebrar esse ciclo e, para isso, precisamos ter dados confiáveis e oportunos, como estes do Relatório Luz. Portanto desejo parabenizar a todas as organizações que fizeram um grande esforço para a preparação deste relatório.”

As Nações Unidas, por meio da CEPAL, têm algumas recomendações para que os países consigam quebrar o ciclo de desigualdade, entre elas, a implementação de programas de renda básica, que ajudarão inicialmente as famílias pobres a atravessar o período mais crítico da crise, disse Fabiancic.

Outras recomendações incluem a adoção de políticas sociais universais, de saúde e educação, ancoradas em reformas fiscais progressivas e distributivas, tanto nos impostos quanto nas despesas públicas. “Políticas desse tipo provocarão mudanças estruturais duradouras capazes de levar a região a um modelo de desenvolvimento mais inclusivo e sustentável”, disse.

Fabiancic lembrou que a geração de emprego e renda deve ser uma prioridade, principalmente por meio do apoio a pequenas e médias empresas. Também deve haver alinhamento de esforços pela redução da grande lacuna digital da região, como no acesso à Internet, que também favorecerá a redução de outras desigualdades e a geração de emprego e renda.

“Essas quatro recomendações têm um aspecto em comum: políticas fiscais e monetárias expansivas, que mantenham um período mais longo de investimentos que não seja interrompido por regimes de austeridade”, disse.

“Encorajamos o Congresso Nacional e a sociedade brasileira como um todo a se engajar nesta discussão para encontrar as soluções mais adequadas para que o Brasil construa um futuro melhor, com igualdade, inclusão e sustentabilidade.”

“Enxergamos o Sistema Nações Unidas como um catalisador de diálogos e seguimos à disposição do Brasil para facilitar essa grande conversa. Estou seguro de que com todo seu potencial e criatividade, o Brasil será capaz não apenas de encontrar soluções inovadoras para seus desafios, como também de contribuir para que todo o mundo emerja desta crise melhor do que antes”, concluiu Fabiancic.

Clique aqui para acessar a íntegra do discurso do coordenador-residente da ONU Brasil.

Desigualdade social é obstáculo para enfrentamento da COVID-19, dizem pesquisadores

O Brasil do século 21, onde existem 108 celulares para cada 100 habitantes, convive com um Brasil ainda no século 19, onde 45 a cada 100 habitantes não têm solução adequada de esgotos. Foto: EBC

O Brasil do século 21, onde existem 108 celulares para cada 100 habitantes, convive com um Brasil ainda no século 19, onde 45 a cada 100 habitantes não têm solução adequada de esgotos. Foto: EBC

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em parceria com a Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep), realizaram na semana passada (29) a 14ª edição da série de webinários “População e Desenvolvimento em Debate”.

Professores e pesquisadores foram convidados a fazer paralelos históricos com a pandemia da COVID-19. Uma das conclusões foi a de que a desigualdade social é, de fato, um grande obstáculo para o enfrentamento de crises sanitárias.

A professora do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Maria Nikelen Witter analisou a pandemia do cólera no Brasil em meados do século 19 e a comparou com o atual cenário.

De acordo ela, “o cólera naquele momento se apresentou não apenas como ameaça à vida, mas às formas com as quais a vida era organizada no período”, algo semelhante ao que a pandemia da COVID-19 trouxe hoje.

“Enquanto os pobres foram os mais atingidos no século 19, hoje não se pode falar que a COVID-19 seja uma doença ‘democrática’, eu não acredito em pandemia democrática. Sofrerá mais sempre quem estiver mais fragilizado em um mundo tão hierárquico e com tantas diferenças e desigualdades sociais como o nosso.”

Maria Alice Rosa Ribeiro, pesquisadora colaboradora do Centro de Memória da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), traçou paralelos com a epidemia de Influenza A (H1N1) na cidade de São Paulo (SP) em 1918.

A pesquisadora comparou as condições de moradia em diferentes regiões da capital paulista, e lembrou o número de mortes por 1 mil habitantes foi maior nos espaços sem acesso a água, esgoto, saneamento básico, higiene e alimentação apropriados. “Entre os bairros mais vulneráveis estavam os da região mais periférica, Mooca, Belenzinho, Brás e Bom Retiro”, afirmou.

Flavio Coelho Edler, pesquisador da Casa Oswaldo Cruz e professor da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), disse acreditar que é “sempre temerário traçar paralelos entre as epidemias e pandemias do passado e a atual pandemia, pois, para cada historiador, cada epidemia tem suas particularidades ligadas ao modo de vida de cada grupo humano”.

A mediação do webinário foi feita por Ana Silvia Volpi Scott, professora da UNICAMP.

Assista ao debate na íntegra:

OPAS e Prefeitura de São Paulo treinam servidoras para atender mulheres vítimas de violência

O treinamento ocorreu na Casa da Mulher Brasileira, em São Paulo (SP). Foto: OPAS

O treinamento ocorreu na Casa da Mulher Brasileira, em São Paulo (SP). Foto: OPAS

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) realizou, em conjunto com a Secretaria de Relações Internacionais e a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania do município de São Paulo, um treinamento para cerca de 40 servidoras municipais que atendem mulheres vítimas de violência na capital paulista. O treinamento ocorreu na semana passada, na Casa da Mulher Brasileira.

Em todo o mundo, a violência contra as mulheres tende a aumentar durante emergências de qualquer tipo. Por isso, os serviços de atenção são essenciais durante a pandemia da COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus.

“Profissionais que prestam atendimento a mulheres em situação de violência precisam estar bem informadas e atualizadas não apenas sobre como fornecer os cuidados adequados, mas também sobre como se protegerem e protegerem as pessoas que são acolhidas nestes serviços, evitando que haja risco de infecção pelo coronavírus – principalmente, no decorrer desse atendimento”, destacou Akemi Kamimura, consultora de direitos humanos do escritório da OPAS e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil.

Durante a oficina, a equipe da OPAS abordou e discutiu uma série de questões com assistentes sociais, psicólogas e profissionais da equipe socioeducativa das unidades de acolhimento de mulheres. Entre elas, a saúde mental (tanto de quem vai atender quanto de quem receberá os cuidados, incluindo dicas sobre o que fazer e não fazer nas interações), a perspectiva de gênero (com orientações para mulheres, homens, equipes de saúde, gestores, formuladores de políticas e gerentes de serviços de saúde), as principais medidas de prevenção contra a COVID-19 e a preparação para a fase de reabertura dos serviços.

“Além de medidas básicas como uso correto de equipamento de proteção individual, apresentamos recomendações para espaços comunitários fechados. Por exemplo, os abrigos temporários e de maior permanência, visando atender as recomendações sanitárias e promover atendimento presencial seguro e ao mesmo tempo humanizado, já que o público acolhido também vivencia alguma situação de vulnerabilidade”, explicou Fabiana Ganem, consultora de Vigilância, Preparação e Resposta a Emergências e Desastres, do escritório da OPAS e da OMS no Brasil.

Segundo ela, essas medidas envolvem a reorganização da recepção, das salas de atendimento individual e coletivos e demais espaços de convivência, a oferta de água potável para consumo, e de locais adequados e funcionais para higienização das mãos, a limpeza das superfícies com soluções desinfetantes, o gerenciamento de resíduos, a ventilação adequada dos espaços, entre outras.

A missão da OPAS à São Paulo foi feita com recursos doados pelo governo do Japão. Oficinas semelhantes poderão ser organizadas em outros estados ou municípios do Brasil que tiverem interesse, considerando equipes e equipamentos da rede intersetorial, especialmente de assistência social e direitos humanos.

Aumento dos feminicídios

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que os casos de feminicídio tiveram um aumento de 22,2% em 12 estados brasileiros no período entre março/abril de 2019 e março/abril de 2020.

Na cidade de São Paulo, os casos de violência contra a mulher cresceram 30% entre os meses de fevereiro e março de 2020, segundo o Núcleo de Gênero e o Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público de São Paulo.

“O combate à violência contra mulher durante a pandemia é questão de urgência e essa capacitação integra uma série de ações da Prefeitura para proteger as mulheres que vivem em situação de violência. A partir de agora, os atendimentos para elas poderão ser feitos de forma mais qualificada e humanizada”, afirmou o prefeito de São Paulo, Bruno Covas.

Efeitos da pandemia serão sentidos por décadas, diz chefe da OMS

Profissional de saúde verifica a temperatura de paciente em hospital na província de Nonthaburi, Tailândia. Foto: ONU Mulheres/Pathumporn Thongking

Profissional de saúde verifica a temperatura de paciente em hospital na província de Nonthaburi, Tailândia. Foto: ONU Mulheres/Pathumporn Thongking

Manifestando “apreço pelos esforços de resposta à pandemia de COVID-19 feitos por Organização Mundial da Saúde (OMS) e parceiros”, o comitê de emergência convocado pelo chefe da agência deixou claro que ainda não há um fim à vista para a crise de saúde pública que até agora infectou mais de 17 milhões e matou mais de 650 mil pessoas.

O comitê convocado por Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, nos termos do Regulamento Sanitário Internacional (2005) (RSI), realizou sua quarta reunião em 31 de julho.

Em sua declaração após a reunião, publicada no sábado (1), destacou a “prevista duração prolongada” da pandemia, observando “a importância de esforços sustentados de resposta comunitária, nacional, regional e global”.

Após uma discussão e análise completas das evidências, o Comitê “concordou por unanimidade” que o surto ainda constitui uma emergência de saúde pública de interesse internacional (PHEIC). Tedros aceitou o parecer do comitê.

O diretor-geral da OMS declarou a PHEIC – o nível mais alto de alarme da OMS – em 30 de janeiro, quando havia menos de 100 casos no total e nenhuma morte fora da China.

“A pandemia é uma crise de saúde que ocorre uma vez no século, cujos efeitos serão sentidos nas próximas décadas”, disse Tedros ao Comitê em seu discurso de abertura na sexta-feira (31).

“Muitos países que acreditavam ter passado pelo pior agora estão enfrentando novos surtos. Alguns que foram menos afetados nas primeiras semanas agora estão vendo um número crescente de casos e mortes. E alguns que tiveram grandes surtos os controlaram.”

Recomendações

O Comitê fez uma série de recomendações à OMS e aos Estados-membros.

Recomendou que a agência continue a mobilizar organizações e parceiros multilaterais globais e regionais para a preparação e resposta à COVID-19 e a apoiar os Estados-membros na manutenção dos serviços de saúde, além de acelerar a pesquisa e o eventual acesso a diagnósticos, tratamentos e vacinas.

Aconselhou os países a apoiar esses esforços de pesquisa, inclusive por meio de financiamento, e a se unir aos esforços para permitir a alocação equitativa de diagnósticos, tratamentos e vacinas, participando do Acelerador de Acesso às Ferramentas COVID-19 (ACT), uma colaboração global sem precedentes entre países, filantropos e empresas.

O comitê também aconselhou os países a fortalecer políticas públicas de saúde para identificar casos e melhorar o rastreamento rápido de contatos, “inclusive em locais com poucos recursos, vulneráveis ​​ou de alto risco, e a manter serviços de saúde essenciais com financiamento, suprimentos e recursos humanos suficientes.”

Os países também foram aconselhados pelo comitê a implementar medidas e conselhos proporcionais sobre viagens, com base em avaliações de risco, e a revisar essas medidas regularmente.

Parque no Brooklyn, Nova Iorque, marcou círculos para reforçar o distanciamento social durante a pandemia da COVID-19. Foto: Daniel Dickinson/ONU

Jovens ‘não são invencíveis’ frente à COVID-19, diz chefe da OMS

Embora os idosos apresentem mais riscos diante da COVID-19, o chefe da OMS lembrou as gerações mais jovens que “não são invencíveis” quando se trata da doença.

As evidências sugerem que o aumento nos casos em alguns países se deve em parte ao fato de os jovens “baixarem a guarda durante o verão no Hemisfério Norte”, disse o chefe da OMS na quinta-feira (29).

“Já dissemos isso antes e vamos repetir: os jovens não são invencíveis”, disse ele a jornalistas. “Os jovens podem ser infectados; podem morrer e transmitir o vírus para outras pessoas.”

Ele ressaltou que a juventude do mundo “deve ser líder e impulsionadora da mudança” durante a pandemia de COVID-19.

Tedros também aconselhou que as pessoas em todos os lugares aprendam a conviver com o vírus e a tomar as medidas necessárias para proteger a si e aos outros, incluindo aqueles que estão em maior risco, como idosos e pessoas em cuidados prolongados.

É preciso acelerar esforços para garantir direito humano a água e saneamento, diz relator da ONU

Em meio à falta de saneamento, moradores equilibram-se em 'ruas' de madeira para chegar a suas casas em Altamira, no Pará. Foto: Valter Campanato/ABr

Em meio à falta de saneamento, moradores equilibram-se em ‘ruas’ de madeira para chegar a suas casas em Altamira, no Pará. Foto: Valter Campanato/ABr

Dez anos depois de a ONU reconhecer explicitamente o acesso a água e saneamento como um direito humano, bilhões de pessoas carecem desses serviços, alertou um especialista da ONU na semana passada (27).

“A pandemia de coronavírus nos ensinou que deixar para trás as pessoas que mais precisam de serviços de água e saneamento pode levar a uma tragédia humanitária”, disse o brasileiro Léo Heller, relator especial sobre os direitos humanos à água e ao saneamento.

“Nos próximos 10 anos, os direitos humanos à água e ao saneamento devem ser uma prioridade se quisermos construir sociedades justas e humanas.”

Ele emitiu uma declaração no aniversário da adoção, em 28 de julho de 2010, da Resolução 64/292 da Assembleia Geral da ONU. Desde então, 193 Estados se comprometeram a garantir o acesso à água potável e ao saneamento para todos.

Eles reafirmaram explicitamente seu compromisso com os direitos humanos à água e ao saneamento na Agenda 2030, cujos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são um chamado universal à ação para acabar com a pobreza, proteger o planeta e melhorar a vida e as perspectivas de todos.

“O copo está meio vazio e também meio cheio. Os progressos realizados desde 2010 podem mostrar um ritmo lento na implementação dos direitos humanos à água e ao saneamento, mas, de fato, a resolução da Assembleia Geral da ONU, como ponto de partida, desencadeou algumas iniciativas e inspirou vários desenvolvimentos criativos”, disse Heller.

Embora muito tenha sido alcançado nos últimos 10 anos, disse Heller, os países não estão no caminho de cumprir até 2030 as metas relacionadas a água, saneamento e higiene.

Uma em cada três pessoas em nosso planeta ainda não tem acesso a água potável segura e mais da metade da população global não tem acesso a saneamento seguro.

Cerca de 3 bilhões de pessoas carecem de instalações básicas de lavagem das mãos com água e sabão e mais de 673 milhões de pessoas ainda praticam a defecação a céu aberto. Esta situação inaceitável causa 432 mil mortes por diarreia a cada ano.

“Os compromissos da Agenda 2030 preveem ‘não deixar ninguém para trás’, mas não será suficiente se os países abordarem as metas e objetivos apenas como um exercício quantitativo, deixando de lado os direitos humanos à água e ao saneamento.”

Léo Heller é o relator especial sobre os direitos humanos à água potável e ao saneamento, nomeado em novembro de 2014. É pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e foi anteriormente professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Marcando dez anos dos direitos humanos à água e ao saneamento, ele organizou uma campanha de um ano para construir uma ponte entre os aspectos conceituais e teóricos dos direitos humanos à água e ao saneamento e sua implementação prática no terreno.

Siga o relator especial no Twitter, Instagram e Facebook.

VÍDEO: Tratamento para HIV e COVID-19 — dispensação para múltiplos meses

O UNAIDS recomenda que os países adotem a dispensação de terapia antirretroviral para múltiplos meses. Assim, quem vive com HIV reduz o número de visitas ao serviço de saúde durante a pandemia de #COVID19 e mantém seu tratamento.

Este sistema de dispensação para múltiplos meses (DMM, na sigla em inglês) também ajuda a desafogar os serviços de saúde, já bastante congestionados em função da pandemia.

Apoie o UNAIDS na divulgação de informações e evidências confiáveis de credibilidade nas redes sociais. Siga as contas do @unaidsbrasil nas redes e compartilhe. Acesse: www.unaids.org.br.

UNESCO: pandemia expõe importância de universalizar acesso à Internet no mundo

Foto: EBC

Um fluxo livre de informações digitais para todos, e em todos os lugares, é uma questão de vida ou morte se as pessoas não puderem acessar informações essenciais de saúde. Foto: EBC

A pandemia de COVID-19 tem lembrado o mundo sobre a importância da Internet como uma janela para a educação, o acesso à informação, saúde, cultura e a inúmeros outros aspectos da vida diária.

O Mapa para a Cooperação Digital do Secretário-Geral da ONU, lançado em junho de 2020, enfatiza o papel crucial da tecnologia digital no mundo durante e após a pandemia, e a responsabilidade coletiva de conectar quem não está conectado, proteger os vulneráveis e marginalizados e respeitar os direitos humanos na era digital.

O hiato digital entre quem está online e offline está ameaçando se tornar a nova face da desigualdade, reforçando desvantagens sociais e econômicas, disse a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Um fluxo livre de informações digitais para todos, e em todos os lugares, é uma questão de vida ou morte se as pessoas não puderem acessar informações essenciais de saúde – e informações confiáveis de forma mais ampla, salientou a agência das Nações Unidas.

Contudo, nas últimas semanas, tem se observado o aumento de tendências que restringem espaços para uma Internet aberta e livre, lembrou. À medida que surgem restrições online no mundo todo, a universalidade da Internet está em perigo.

“Diante da pandemia e mesmo com a existência de leis internacionais que permitem poderes emergenciais em resposta a ameaças significativas, a UNESCO disse estar convencida de que os direitos humanos não devem ser comprometidos e que uma Internet não fragmentada é de interesse global”, disse o diretor-geral adjunto para comunicação e informação da UNESCO, Moez Chakchouk.

A UNESCO lembrou que há notícias de bloqueio de aplicativos móveis, enquanto leis de segurança nacional têm aumentado os receios da fragmentação da Internet, assim como das restrições aos direitos humanos, notavelmente a liberdade de expressão, liberdade de associação, acesso à informação, a não discriminação e proteção de dados e a privacidade online.

Em algumas regiões, os shutdowns ou “desligamentos” da Internet continuam a negar acesso a milhões de pessoas, em um momento em que o acesso à informação não é apenas necessário, mas também vital, disse a UNESCO.

As leis e políticas públicas para combater a desinformação ou “fake news”, de forma geral, têm sido muito amplas, ultrapassando as condições restritas sob as quais a liberdade de expressão pode ser limitada, conforme estabelecido pelo direito internacional, salientou a agência.

A UNESCO lembrou que essas condições enfatizam a relevância da aprovação unânime dos 195 países-membros, em 2015, do conceito da Universalidade da Internet.

O marco de referência da universalidade da Internet defende os quatro princípios DAAM (ROAM, em inglês) – o que significa que a UNESCO defende uma Internet baseada em Direitos humanos, que seja Aberta, Acessível a todos e governada pela participação de Múltiplas partes interessadas.

De acordo com o mandato constitucional da UNESCO de promover a liberdade de expressão e o acesso à informação, o conceito da universalidade da Internet norteia o trabalho da organização sobre a governança digital.

“Assim, a UNESCO toma uma posição forte em defesa dos princípios DAAM – baseados em normas internacionais – como um marco de referência holístico e um conjunto de recomendações enquanto protege todos os direitos de forma indivisível, e também considerando seu impacto na preservação da abertura e acessibilidade da Internet no espírito da participação de múltiplas partes interessadas nas normas, regulamentos e programas que governam as tecnologias digitais”, disse a organização.

UNICEF intensifica apoio a municípios da Amazônia e do Semiárido para o enfrentamento da COVID-19

O Selo UNICEF é uma estratégia do UNICEF para fortalecer as políticas públicas e reduzir as desigualdades que afetam a vida de crianças e adolescentes em municípios brasileiros da Amazônia e do Semiárido.

Em resposta à tendência de interiorização da pandemia da COVID-19, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e seus parceiros no Brasil intensificarão a atuação na Amazônia Legal e no Semiárido. A iniciativa visa fortalecer as gestões municipais e garantir a continuidade de serviços essenciais direcionados a crianças e adolescentes mesmo em um cenário de distanciamento social.

Os 1.924 municípios já inscritos no Selo UNICEF terão acesso a formações, apoio técnico e compartilhamento de boas práticas de saneamento para volta de serviços, entre outras ferramentas.

Embora crianças e adolescentes não sejam os mais diretamente afetados pelo coronavírus, são eles os que mais sofrem de maneira indireta. O isolamento social e o fechamento de escolas afetam a educação, a saúde mental e mesmo o acesso a serviços básicos de saúde. A ameaça de violência também é maior em situações de calamidade e emergências.

“Neste momento em que a pandemia está avançando para o interior dos estados, onde estão as crianças e os adolescentes mais vulneráveis, é muito importante manter a parceria com os municípios para garantir que meninas e meninos continuem tendo acesso aos serviços essenciais. Só assim vamos conseguir mitigar os impactos da pandemia”, destacou o coordenador nacional do Selo UNICEF, Mário Volpi.

Entre as ações prioritárias, estão a continuidade de serviços de vacinação, a elaboração e implantação de estratégias para garantir educação a distância, o desenvolvimento de planos para a reabertura de escolas no momento apropriado e o fortalecimento do sistema de saneamento municipal, de forma a garantir a consolidação das medidas de higienização e prevenção de transmissão do coronavírus.

Outro ponto destacado pelo coordenador do selo UNICEF é o apoio às equipes municipais dos Conselhos Tutelares e da Assistência Social para prevenção e encaminhamento dos casos de violência contra meninas e meninos.

As populações mais vulneráveis, como crianças e adolescentes pobres, em situação de rua, em abrigos e unidades socioeducativas, comunidades indígenas, quilombolas, migrantes e refugiados também terão atenção especial.

“Queremos aproveitar essa conexão com os municípios que participam do Selo UNICEF para levar soluções para o enfrentamento da pandemia no interior. Por isso, é importante que os municípios continuem mobilizados para receber os conteúdos, multiplicar as informações e aplicar nas comunidades”, reforçou o coordenador nacional do Selo UNICEF.

Nesse sentido, o UNICEF está oferecendo cursos e oficinas para qualificar as equipes municipais para responder de maneira adequada à pandemia. Os cursos já estão disponíveis, a agenda de formações e outros conteúdos programáticos estão sendo divulgados. Também há uma seção especial sobre COVID-19 no site do UNICEF Brasil.

>> Leia a carta enviada aos prefeitos e prefeitas sobre a continuidade da parceria com o UNICEF neste segundo semestre de 2020

Selo UNICEF

O Selo UNICEF é uma estratégia do UNICEF para fortalecer as políticas públicas e reduzir as desigualdades que afetam a vida de crianças e adolescentes em municípios brasileiros da Amazônia e do Semiárido. A Edição 2017-2020 conta com a participação de 1.924 municípios de 18 estados brasileiros, que assumiram perante o UNICEF o compromisso de priorizar e garantir os direitos de meninas e meninos previstos na Convenção sobre os Direitos da Criança e no Estatuto da Criança e do Adolescente. Nesse período, os gestores e técnicos municipais tiveram acesso a formações, conteúdos e outras ferramentas que buscam contribuir e acelerar a realização dessas responsabilidades.

Mais informações sobre o Selo UNICEF: www.selounicef.org.br

Economias latino-americanas só terão retomada se curva de contágio for achatada, diz relatório

Foto: EBC

Foto: EBC

Um novo relatório conjunto de Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) indica que somente se a curva de contágio da pandemia da COVID-19 for achatada, as economias da região poderão ser retomadas.

O relatório propõe uma abordagem com três fases que incluem a adoção de políticas de saúde, econômicas, sociais e produtivas destinadas a controlar e mitigar os efeitos da pandemia, reativar com proteção e reconstruir de maneira sustentável e inclusiva.

Alguns países têm levado a região a se tornar no atual epicentro da pandemia, encabeçando as estatísticas de casos mundiais. Em 29 de julho, foram registrados mais de 4,5 milhões de casos de COVID-19 e quase 190 mil mortes na América Latina e no Caribe.

Um número significativo de países está longe de alcançar um achatamento sustentado e significativo da curva de contágio. No nível social e econômico, a pandemia desencadeou uma inédita crise econômica e social, e, se medidas urgentes não forem tomadas, esta poderá se transformar em uma crise alimentar e humanitária, disseram os organismos da ONU.

Segundo o relatório intitulado “Saúde e economia: uma convergência necessária para enfrentar a COVID-19 e retomar o caminho para o desenvolvimento sustentável na América Latina e no Caribe”, a pandemia tem afetado profundamente os meios de subsistência das pessoas na região.

De forma imediata, provocou a recessão mais abrupta da história que, de acordo com as projeções da CEPAL, implicará uma queda do crescimento regional de 9,1% em 2020, acompanhada de um aumento do desemprego para 13,5%, elevação da taxa de pobreza de 7 pontos percentuais, para 37,3% da população, e um aumento da desigualdade com um avanço médio no índice de Gini de 4,9 pontos percentuais.

Os sistemas de saúde da região, que já estavam subfinanciados e fragmentados antes da chegada da COVID-19, enfrentam fragilidades na resposta à pandemia.

O gasto público em saúde dos países da região alcança em média, 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) regional, abaixo dos 6% recomendados pela OPAS. Uma terça parte da população ainda enfrenta algum tipo de barreira para acessar os serviços de saúde de que necessita.

O relatório foi divulgado nesta quinta-feira (30) em uma coletiva de imprensa virtual conjunta liderada por Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL, e Carissa F. Etienne, diretora da OPAS.

Segundo o documento, os altos graus de desigualdade acompanhados por elevados níveis de pobreza, informalidade, desproteção social e limitado acesso à saúde oportuna e de qualidade explicam os altos custos sociais que a pandemia está tendo na região.

Na dinâmica do contágio, também influem o alto grau de urbanização e metropolização – mais de um terço da população vive em cidades de 1 milhão de habitantes ou mais – e pelos déficits acumulados nas cidades em termos de confinamento, falta de serviços de água e saneamento, e transporte público lotado.

Apesar do comprometimento e dedicação do pessoal de saúde, as fragilidades históricas do sistema público de saúde também contribuíram para a vulnerabilidade da região.

O relatório afirma que a matriz da desigualdade na região coloca certos grupos em uma situação especial de vulnerabilidade, entre os quais os idosos (85 milhões), trabalhadores informais (54% do emprego regional), mulheres (a maioria em atividades informais, com aumento do trabalho não remunerado  e maior exposição à violência doméstica), povos indígenas (60 milhões de pessoas e com comunidades que podem desaparecer), pessoas afrodescendentes (130 milhões de pessoas em 2015), pessoas com deficiência (70 milhões de pessoas) e migrantes. Todos esses grupos necessitam de uma atenção especial que atenue suas condições especiais de vulnerabilidade.

Em termos de saúde, as famílias financiam mais de um terço dos gastos com atenção à saúde com pagamentos diretos do próprio bolso, cerca de 95 milhões de pessoas devem enfrentar gastos catastróficos em saúde e quase 12 milhões ficam empobrecidas devido a esses gastos.

A disponibilidade média de médicos e de leitos hospitalares não chega nem à metade daquela de países desenvolvidos, como os da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o que representa importantes barreiras de acesso.

Por outro lado, e devido à pandemia, o atendimento a outras doenças foi adiado ou interrompido, o que começa a refletir em um excesso de mortalidade que indica os efeitos profundos do deslocamento tanto da oferta como da demanda de serviços.

Controle, retomada e reconstrução

Para enfrentar a pandemia e seus efeitos a curto e longo prazo, a CEPAL e a OPAS propõem um conjunto de princípios de ação e políticas, e uma ampla gama de medidas de saúde, sociais e econômicas a serem implantadas em três fases não lineares e inter-relacionadas: controle, retomada e reconstrução.

Três mensagens articulam as medidas propostas pelas duas organizações para enfrentar a pandemia: não há abertura econômica possível sem que a curva de contágio tenha sido controlada, e não há retomada possível sem um plano claro para evitar o aumento do contágio.

Além disso, as medidas sanitárias direcionadas para controlar a pandemia (entre elas a quarentena e o distanciamento social) devem ser implementadas de forma articulada com as medidas sociais e econômicas destinadas a atenuar os efeitos da crise, uma vez que essas últimas facilitam o cumprimento das medidas sanitárias.

Finalmente, reconstruir melhor implica promover o desenvolvimento sustentável e inclusivo com a igualdade no centro, avançando na transformação produtiva e na criação de um estado de bem-estar.

“Avançar na igualdade é fundamental para o controle eficaz da pandemia e para uma recuperação econômica sustentável na América Latina e no Caribe. Devemos atender à emergência e implementar uma estratégia para superar as debilidades estruturais das economias e sociedades. Por esse motivo, mudar a estratégia de desenvolvimento é essencial na região”, afirmou Bárcena.

“Enfrentamos um desafio sem precedentes, que requer sistemas de saúde sólidos e bem financiados para superar essa crise e, assim, poder se recuperar. Investir em saúde pública até alcançar pelo menos 6% do PIB, com ênfase particular na atenção primária à saúde, é proteger as realizações alcançadas na saúde, mas também, assegurar o desenvolvimento sustentável e enfrentar a crescente pobreza e as desigualdades na região”, disse Etienne.

“A saúde é um direito humano fundamental e o acesso deve ser universal, sem deixar ninguém para trás. A saúde de nossas comunidades, mas também de nossas economias depende disso”, acrescentou.

O relatório indica que a lista de medidas sugeridas por ambas organizações repousa na necessidade de articular as políticas de saúde com as econômicas, sociais e produtivas.

Entre elas, se destacam os testes, o seguimento de contatos e medidas de saúde pública como quarentenas ou de distanciamento social, e o fortalecimento dos sistemas de saúde, com um enfoque na atenção primária à saúde e garantindo o cumprimento das funções essenciais de saúde pública.

Essas medidas deveriam ser acompanhadas pelas políticas de Renda Básica de Emergência (IBE), do Bônus contra a Fome e da proteção do setor produtivo, que apoiam as medidas de saúde.

Juntamente com essas medidas imediatas, é delineado um conjunto de abordagens estratégicas para a reconstrução com o reconhecimento da saúde como direito humano e bem público garantido pelo Estado, o fortalecimento da saúde pública, a consolidação de sistemas de proteção social universais e integrais, a implementação de uma política fiscal progressiva e um gasto público suficiente, eficiente, efetivo e equitativo, aceleração na transformação digital, a redução da dependência regional de produtos médicos importados e mudanças na matriz produtiva, juntamente com um impulso no investimento verde.

 Mais informações:

Reconstruir melhor no pós-pandemia demanda respeito ao direito das futuras gerações

Atualmente, os jovens estão muito à frente nos esforços de proteger o planeta se comparados às gerações anteriores. Foto: pixabay/Alexandra Koch

Atualmente, os jovens estão muito à frente nos esforços de proteger o planeta se comparados às gerações anteriores. Foto: pixabay/Alexandra Koch

Para nos recuperarmos da crise da COVID-19, será necessário um esforço intergeracional. As decisões tomadas hoje sobre os setores econômicos que devemos priorizar e as oportunidades que devemos aproveitar para nossa recuperação podem impactar desproporcionalmente a vida de jovens e crianças.

Temos uma geração emergente de eleitores e consumidores cada vez mais conscientes. Por isso, é fundamental garantirmos um futuro saudável, seguro e mais resiliente às ameaças globais, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Com aulas pela Internet, os horários foram alterados e as rotinas de crianças e adolescentes estão bagunçadas. É difícil saber o que a COVID-19 mudará no longo prazo nas crianças que estão enfrentando a pandemia atual, mas certamente haverá mudanças. Sejam de atitudes em relação à sociedade, ao trabalho ou à educação, a geração jovem não sairá dessa situação do mesmo jeito que entrou.

Uma das áreas com mais transformações pode ser a do meio ambiente.

Atualmente, os jovens estão muito à frente nos esforços de proteger o planeta se comparados às gerações anteriores. Eles viram em primeira mão os impactos gerados por uma crise realmente global. Para os que já estavam preocupados com a crise climática, a pandemia pode ter fortalecido sua determinação em transformar o planeta para melhor.

Muitos movimentos liderados por jovens, como as Sextas-feiras pelo Futuro, que mudaram o teor social da ação climática, não pararam, mas passaram a acontecer pela Internet. Durante esse período de distanciamento social, em vez de interromperem seus trabalhos, os jovens estão se expressando de dentro de casa.

Além da ação social, eles continuam avançando política e legalmente. Autoridades recém-nomeadas em algumas partes do mundo assumiram compromissos perante a jovens que estão trabalhando para priorizar garantias ambientais para os esforços de recuperação da COVID-19.

As petições lideradas por eles continuam a tramitar nos tribunais de Colômbia, Canadá, Noruega, Estados Unidos e outros, para intimar governos e empresas a agirem pelo meio ambiente.

Já o PNUMA está apoiando esforços para promover o direito das crianças a terem um ambiente saudável, seguro, limpo e sustentável.

Nenhum grupo é mais vulnerável aos danos ambientais do que as crianças, explica o relator especial da ONU sobre direitos humanos e meio ambiente, David Boyd. “Toda criança na Terra, não importa em que país viva, deve ter o direito de viver, brincar e estudar em ambientes saudáveis”, diz Boyd.

“Hoje, muitas crianças sofrem com a poluição do ar, a contaminação da água e os alimentos inadequados. Também são preocupantes os impactos crescentes da mudança climática e a redução dos ecossistemas e da biodiversidade, que infligirão danos crescentes às crianças no futuro, incluindo mais pandemias como a COVID-19, a menos que as tendências atuais sejam revertidas.”

A iniciativa #MeuPlanetaMeusDireitos culminará na preparação de uma “Declaração para o Direito das Crianças a um Meio Ambiente Saudável”.

A Declaração irá inspirar ações adicionais para estabelecer padrões nos níveis internacional e nacional e alimentar esforços para estabelecer um direito global a um ambiente saudável. O trabalho sobre a Declaração começou com consultas na América Latina e na Ásia em 2019 e continuará acontecendo até o próximo ano, à medida que mais regiões forem introduzidas.

A COVID-19 expôs a vulnerabilidade dos sistemas globais para proteger o meio ambiente, a saúde e a economia, demonstrando que não há soluções individuais para uma crise global.

Mas a pandemia nos permitiu repensar nosso relacionamento com a natureza e nos proporcionou a oportunidade de nos reconstruirmos melhor como planeta. O ponto central desse esforço é o princípio de que todos temos direito a um ambiente saudável. Em especial, devemos defender esse direito para as crianças, que muitas vezes não conseguem exercê-lo sozinhas.

É um princípio que foi refletido nas declarações do secretário-geral da ONU, António Guterres, que afirmou que a nosso processo de reconstrução deve “respeitar os direitos das gerações futuras”.

Se as atitudes dos jovens continuarem a se solidificar com a ação ambiental por causa da pandemia, os adultos poderão não ter escolha a não ser agir.

Como Boyd observa, “milhões de crianças e jovens em todo o planeta estão pedindo por mudanças. As crianças falaram, agora os adultos devem agir”.

OMS e países elaboram plataforma para compartilhar dados sobre medicamentos e vacinas para COVID-19

“Os jovens não são invencíveis contra a COVID-19. O coronavírus pode colocá-lo no hospital por semanas ou até matá-lo. Mesmo que você não fique doente, as escolhas que você faz sobre onde vai podem ser a diferença entre a vida e a morte, para outra pessoa.” O alerta foi feito pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. Foto: OMS

Os presidentes da Costa Rica, Carlos Alvarado Quesada, e do Chile, Sebastián Piñera, uniram-se ao diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, para anunciar progressos em uma plataforma tecnológica que visa retirar barreiras de acesso a futuras vacinas, medicamentos e outros produtos de saúde eficazes contra a COVID-19.

A Costa Rica propôs a ideia no início da pandemia e vários países estão agora apoiando a proposta.

“Nossa proposta tem base na solidariedade”, disse o presidente Alvarado, da Costa Rica. “É um apelo solidário à ação dos Estados-membros, da academia, de empresas, instituições de pesquisa e agências de cooperação, com base na responsabilidade social global, de forma voluntária, promovendo um licenciamento voluntário não exclusivo mais global.”

“Precisamos liberar todo o poder da ciência, sem ressalvas ou restrições, para oferecer inovações escaláveis, utilizáveis e que beneficiem a todas as pessoas, em qualquer lugar, ao mesmo tempo”, afirmou o diretor-geral da OMS.

“Os modelos tradicionais de mercado não serão entregues na escala necessária para cobrir todo o mundo. A solidariedade dentro e entre países e o setor privado são essenciais para superarmos esses tempos difíceis.”

“O Chile, como a maioria dos países da comunidade internacional, considera que somente por meio da cooperação internacional é possível sair vitorioso da crise causada pela COVID-19”, disse o embaixador Cristian Streeter, diretor de Política Multilateral do Ministério de Relações Exteriores, falando em nome do presidente do Chile.

A plataforma reunirá dados, conhecimento e propriedade intelectual para produtos de saúde existentes ou novos para fornecer “bens públicos globais” a todas as pessoas e todos os países.

Por meio do compartilhamento aberto de ciência e dados, várias empresas poderão acessar as informações necessárias para produzir as tecnologias, aumentando a disponibilidade em todo o mundo, reduzindo os custos e ampliando o acesso.

A OMS e a Costa Rica lançarão oficialmente a plataforma em 29 de maio. Nessa data, uma Chamada à Ação Solidária será publicada no site da OMS, onde governos, financiadores de pesquisa e desenvolvimento, instituições e empresas podem expressar seu apoio.

A solidariedade de todos os Estados-membros da OMS será fundamental para garantir que a plataforma seja uma ferramenta para o acesso equitativo aos produtos de saúde para a COVID-19.

UNICEF alerta sobre impactos de eventual suspensão dos serviços de saúde para crianças e gestantes

Campanha de vacinação contra Sarampo em Salvador, outubro de 2019. Foto: Foto: Jefferson Peixoto/Secom (Fotos Públicas)

Campanha de vacinação contra Sarampo em Salvador, outubro de 2019. Foto: Foto: Jefferson Peixoto/Secom (Fotos Públicas)

O UNICEF está alertando sobre o impacto potencial caso a crise da pandemia do coronavírus cause interrupções nos serviços de atenção primária de saúde direcionados a crianças menores de 5 anos e gestantes. Por este motivo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) recomenda aos governos para que crianças e mulheres grávidas sejam priorizadas nos serviços de saúde e que todos os serviços de cuidado pré-natal e neonatal, inclusive os programas de vacinação, sejam mantidos e adaptados às novas necessidades causadas pela pandemia, sempre respeitando os protocolos de segurança de proteção ao coronavírus.

O Fundo lembra que será crucial assegurar que nenhuma criança e nenhuma gestante fiquem privadas de acessar os serviços de saúde de qualidade devido à COVID-19, evitando-se mortes adicionais por causa de falta de acesso a estes serviços. Também deve estar garantido o acesso aos serviços de testagem e tratamento do HIV, sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis. O UNICEF sugere ainda que sejam garantidas as condições adequadas de sobrevivência, com apoio financeiro e de distribuição de itens básicos.

No Brasil, o UNICEF está trabalhando junto com os governos estaduais e municipais para fortalecer os serviços direcionados a estas populações. Entre as ações, está a capacitação de cerca de 1,9 mil municípios da Amazônia e do Semiárido para que adaptem suas políticas e seus serviços públicos – entre eles, saúde e nutrição – para continuar atendendo com prioridade crianças e gestantes.

No contexto brasileiro, em que o Sistema Único de Saúde (SUS) assegura acesso universal e políticas que levam atenção básica a territórios vulneráveis – como é o caso da Estratégia de Saúde da Família –, o UNICEF entende que medidas como o distanciamento social são fundamentais para a mitigação do impacto da pandemia do coronavírus, inclusive entre as crianças e os adolescentes.

O Fundo lembra que o distanciamento físico precisa ser adaptado às realidades nacionais e subnacionais, levando em consideração as condições das populações afetadas – como comunidades vulneráveis dos grandes centros urbanos, pequenos municípios rurais e campos de refugiados – e a capacidade da rede hospitalar, sempre considerando o melhor interesse da infância, como estabelece a Convenção sobre os Direitos da Criança. Nessas áreas o UNICEF considera que é essencial assegurar uma combinação de testagem em grande escala, distanciamento social, monitoramento de contágio, promoção de higiene e restrição de movimento.

UIT lembra importância das tecnologias da informação na resposta à pandemia

Foto: EBC

O escritório da UIT no país está contribuindo para este portal com informações da região das Américas, incluindo o Brasil. Foto: EBC

O Dia Mundial da Telecomunicação e da Sociedade da Informação (WTISD, na sigla em inglês) marca o aniversário da fundação da União Internacional de Telecomunicações (UIT), em 17 de maio de 1865, quando a primeira Convenção Internacional do Telégrafo foi assinada em Paris.

O tema deste ano é “Connect 2030: TICs para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”. A UIT reafirma seu compromisso de conectar todas as pessoas do mundo, mostrando como as tecnologias de informação e comunicação (TICs) podem contribuir para acelerar a cumprimento da Agenda 2030 e seus 17 ODS.

Com dez anos restantes para alcançar as metas da agenda, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou em janeiro a “Década de Ação”. Logo em seguida, a pandemia da COVID-19 mostrou a importância das TICs para as economias e as sociedades em todos os lugares e a importância de estarmos todos conectados.

Este ano, a UIT realizou um evento virtual de alto nível para abordar a importância de aprimorar a colaboração e a cooperação entre países, empresas, Sistema ONU e outras pessoas. O objetivo é fortalecer o papel das TICs ao embarcarmos na “Década de Ação” e na resposta global à COVID-19.

O evento virtual da UIT foi realizado nesta segunda-feira (18), com a participação de Houlin Zhao, secretário-geral da UIT; Tatiana Valovaya, diretora-geral do Escritório das Nações Unidas em Genebra (UNOG); e Audrey Azoulay, diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Outros participantes foram Francis Gurry, diretor-geral da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI); Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM); e Vaqif Sadiqov, embaixador e representante permanente do Azerbaijão nas Nações Unidas.

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