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Documentário “O Território” leva ao público realidade enfrentada pelos indígenas Uru-Eu-Wau-Wau

O filme já possui diversos prêmios internacionais e terá estreia em Setembro, no mês Amazônia O documentário “O Território” mostra de forma intimista a luta incansável dos povos indígenas Uru-Eu-Wau-Wau (RO) da Amazônia contra o desmatamento, invasores e grileiros que querem ocupar suas terras. Localizado no norte de Rondônia, a terra indígena possui 1.867,117 hectares …

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Suíça promete acabar com importação de ouro ilegal de Terras Indígenas brasileiras

A Suíça importou 24,5 toneladas de ouro em 2021; pelo menos um quinto saiu de Terras Indígenas de estados da Amazônia brasileira. O garimpo ilegal tem gerado desmatamento, envenenamento por mercúrio e aumento da violência.  Com a ausência de resposta do governo Bolsonaro à escalada da crise, uma delegação independente, composta de liderança indígenas e …

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Crime ambiental contra a Amazônia tem ramificação em mais de 250 cidades de 24 estados brasileiros

Por: Aldrey

Estudo divulgado esta semana revela que o crime ambiental tem se espalhado pelo país, aumentando o desafio no combate ao desmatamento ilegal  Os crimes ambientais contra a Amazônia são cometidos de forma organizada e se espalham por 24 estados e 254 cidades brasileiras, demonstrando que o desmatamento não é apenas um problema local. A conclusão …

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Governo Bolsonaro certificou 239 mil hectares de fazendas dentro de áreas indígenas

Por: Aldrey

Bruno Fonseca, Caio de Freitas Paes, Rafael Oliveira Desde de 2020, mais de 400 fazendas foram certificadas dentro de territórios indígenas graças a normativa da Funai. Medida foi apoiada por Nabhan Garcia Em 24 de abril de 2020, o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcelo Xavier, e o secretário especial de Assuntos Fundiários …

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Câmera, drone e celular: as ‘armas’ das jovens Munduruku para resistir à escalada de invasões e ameaças

Coletivo audiovisual usa redes sociais para denunciar e expulsar madeireiros e garimpeiros, uma luta que se tornou ainda mais arriscada durante o governo Bolsonaro; ‘Ninguém acredita mais só na fala da gente, só acreditam vendo’ Do alto, a pequena aldeia quase se perde em meio à floresta Amazônica. Mas é ali, em uma cabana na …

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STF suspende atos da Funai que negavam proteção a áreas não homologadas

Barroso entendeu que iniciativa coloca comunidades sob risco sanitário e facilita invasões de grileiros O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu suspender, nesta terça-feira (1º), os atos administrativos da Fundação Nacional do Índio (Funai) que deixavam sem proteção territorial as áreas indígenas não homologadas. O magistrado entendeu que a suspensão do serviço de …

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Povo Kanela do Araguaia enfrenta ataques de fazendeiro no Mato Grosso

 Há três meses, indígenas do povo Kanela do Araguaia estão sob sucessivos ataques por parte de um fazendeiro. O foco da tensão é a terra indígena Aldeia Porto Velho, que fica no município de Luciara, no nordeste do Mato Grosso. Na manhã do último dia 8 de novembro duas lideranças sofreram um atentado. Domingos Crisóstomo …

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População de pirarucu cresce 631% nas terras indígenas Paumari do rio Tapauá (AM)

Águas Mídia Livre - Brasil - Bem comum em mídia livre

Com manejo sustentável e vigilância territorial, indígenas ajudam a recuperar espécie que corre risco de extinção

Em 12 anos, a população de pirarucu cresceu 631% nas três terras indígenas dos Paumari do rio Tapauá, no sul do Amazonas. Enquanto em 2009 foram contados 251 indivíduos, em 2021, o total foi de 1835 – isso em apenas 16 lagos monitorados no período. O aumento é fruto do manejo sustentável do pirarucu, atividade desenvolvida pelos indígenas com apoio do projeto Raízes do Purus, que conta com patrocínio da Petrobras para fortalecer a gestão sustentável e a proteção da biodiversidade em seis terras indígenas no sul e sudoeste do Amazonas, contribuindo para a conservação de mais de dois milhões de hectares de floresta. Muito consumido na região Norte, o pirarucu está ameaçado de extinção pela pesca predatória, e não é mais encontrado em diversos locais da Amazônia. Iniciativas de manejo, como a dos Paumari, têm papel fundamental na recuperação deste que é o maior peixe de escama de água doce do mundo, podendo chegar a três metros de comprimento, e mais de 200 quilos.

Com manejo os Paumari protegem uma area equivalente a 22 mil campos de futebol (Adriano Gambarini)

Neste contexto, algumas lideranças foram apresentadas ao manejo sustentável do pirarucu, que já estava ajudando comunidades ribeirinhas do rio Solimões a recuperar e proteger a espécie, e, decidiram  implementar a atividade no contexto dos Paumari.

“Ficamos sem pescar nos lagos destinados ao manejo durante cinco anos. Com a vigilância, a quantidade de pirarucu foi crescendo, e a proposta foi conquistando mesmo aqueles que não acreditavam que ia dar certo no início”, relata Germano.

Atualmente a vigilância dos territórios envolve a maioria das famílias, que se alternam em turnos de uma semana nas bases flutuantes, nos períodos de maior ocorrência de invasões. “O trabalho de proteção é importante, porque, hoje, a gente tem a nossa alimentação garantida. Sem vigilância, os invasores vão entrar, e o peixe vai acabar de novo”, destaca Francisco Paumari, uma das primeiras lideranças a apostar no manejo como caminho para melhorar a qualidade de vida do povo. Além da escala de plantão nos flutuantes, as comunidade aproveitam outros deslocamentos pelos territórios para vigiar as áreas mais vulneráveis à pesca ilegal.

Familia durante plantão de vigilancia em uma das bases flutuantes (Marina Rabello OPAN)

Quem vê a estrutura com a qual os Paumari contam hoje, não imagina as dificuldades enfrentadas no início do manejo. “A gente acampava nos barrancos na beira dos lagos e rios para vigiar. Pegava chuva de dia, de noite. Sofremos bastante. Agora temos as bases flutuantes, e se a gente passa a noite acordado, tem um lugar confortável para descansar no decorrer do dia”, comemora Francisco. As melhorias estruturais, como os dois flutuantes de vigilância adquiridos com recursos do projeto Raízes do Purus, engajaram mais pessoas no trabalho, que foi incorporado à rotina das comunidades.

Magno Paumari posa em frente a entrada de lago protegido por base flutuante (Marina Rabello OPAN)

Desde 2013, os Paumari realizam, uma vez por ano, a pesca da cota de pirarucu autorizada pelo Ibama, e comercializam o pescado, gerando renda para as comunidades investirem na vigilância e em itens que melhoram a sua qualidade de vida, como motores de popa para as canoas – que reduzem o tempo de deslocamento nas longas distâncias amazônicas –, rádios e painéis solares.

Sobre o Raízes do Purus

O projeto Raízes do Purus é uma iniciativa da OPAN, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, que visa a contribuir para a conservação da biodiversidade no sudoeste e sul do Amazonas, fortalecendo iniciativas de gestão e o uso sustentável dos recursos naturais das terras indígenas Jarawara/Jamamadi/Kanamanti, Caititu, Paumari do Lago Manissuã, Paumari do Lago Paricá, Paumari do Cuniuá e Banawa, na bacia do rio Purus, e Deni e Kanamari, no rio Juruá.

Sobre a OPAN

A OPAN foi a primeira organização indigenista fundada no Brasil, em 1969. Nos últimos anos, suas equipes vêm trabalhando em parceria com povos indígenas no Amazonas e em Mato Grosso, desenvolvendo ações voltadas para a garantia dos direitos dos povos, gestão territorial e busca de alternativas de geração de renda baseadas na conservação ambiental e no fortalecimento das culturas indígenas.

Notícia gerada pela agência De Propósito ↗, com autoria de Jéssica Amaral

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MPF: Justiça condiciona licenciamento de obras do Linhão de Tucuruí a compensação exigida pelos indígenas kinja

Por: Aldrey

Decisão atende parcialmente pedidos de ação apresentada pelo MPF diante da recusa do governo e seus órgãos licenciadores a considerarem propostas de acordo do povo indígena conhecido como Waimiri Atroari, diretamente afetado pelo empreendimento O Ministério Público Federal (MPF) obteve uma importante decisão liminar favorável em defesa dos direitos do povo indígena Kinja, mais conhecidos como Waimiri …

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Duas crianças Yanomami são mortas após serem sugadas e cuspidas por draga do garimpo ilegal

Os meninos, de 5 e 7 anos, nadavam às margens da comunidade Makuxi Yano, na região do Parima; associação exige retirada de invasores da Terra Indígena Yanomami A Hutukara Associação Yanomami denunciou em carta nesta quarta-feira (13/10) a morte de duas crianças na comunidade Makuxi Yano, região do Parima, Terra Indígena Yanomami. De acordo com relatos de …

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Denúncia: 106 vacinas para Yanomami foram desviadas

A série especial da Amazônia Real Ouro do Sangue Yanomami, publicada em parceria com a Repórter Brasil, pode ter puxado o fio de um criminoso novelo que envolve a negociação de vacinas em áreas de garimpo. É o que denunciou o Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’Kuana (Condisi-YY), em ofício de 15 de julho, a …

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Isolados em perigo: desmatamento na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau dobra em junho

Boletim Sirad-Isolados, do ISA, registrou 57,6 hectares de floresta destruídos no mês — um aumento de 111% em relação a maio Os territórios com presença de povos indígenas isolados no Brasil continuam sob forte ameaça, sobretudo a Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, segundo alerta do último Boletim Sirad-Isolados, do Instituto Socioambiental (ISA). O desmatamento na TI, localizada em Rondônia, …

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Governo Bolsonaro vai deixar quase 400 mil indígenas fora da primeira etapa de imunização

Por: Site

O plano do governo federal prevê que sejam imunizados apenas indígenas que vivem em aldeias dentro de territórios demarcados.

Caos na pandemia: governo Bolsonaro vai deixar quase 400 mil indígenas fora da primeira etapa de imunização
No Amazonas, o governo estadual quebrou a regra e vacinou a primeira indígena de contexto urbano: Vanda Witoto, que mora em Manaus (Foto: Arthur Castro/Secom)

plano nacional de imunização da Covid-19, previsto para começar nesta terça-feira (18) no país, exclui pelo menos 380 mil indígenas porque eles não vivem dentro de aldeias dos territórios demarcados, segundo levantamento do Coletivo Indígenas do Amazonas, que no último domingo (17) lançou uma mobilização nacional para pressionar as autoridades de saúde a ampliarem a cobertura vacinal prioritária. O número é com base no Censo de 2010 do IBGE, no qual aponta que a população indígena é de 900 mil indígenas, sendo que 379,535 mil vivem fora de terras indígenas, portanto, sem cobertura do subsistema de saúde indígena (SUS) do Ministério da Saúde. Este número pode estar subestimado, e deve ser muito maior, chegando a 400 mil, a quantidade de indígenas excluídos da vacina, segundo Lúcia Alberta Andrade, do povo Baré, indígena do Alto Rio Negro, uma das lideranças que assinam o documento (leia ele na íntegra).

Organizações indígenas do Amazonas estimam que só em Manaus, que enfrenta nesta pandemia a pior tragédia humanitária de sua história, há cerca de 20 mil indígenas vivendo em comunidades urbanas. Ao deixar esse grupo de fora das prioridades, o Ministério da Saúde lava as mãos de sua responsabilidade sobre os povos originários. Segundo Lúcia Alberta, na lista dos excluídos estão indígenas de contexto urbano, comunidades rurais fora de terras demarcadas, acampamentos e territórios que lutam por demarcação, além de imigrantes, como é o caso do povo Warao, da Venezuela.

“Todas as vezes que o ministro da saúde [general Eduardo Pazuello] fala em ‘indígenas aldeados’ com prioritários, ele esquece que somos indígenas em qualquer lugar. Eu nasci em uma aldeia do Alto Rio Negro. Por morarmos em cidades e termos uma imunidade mais delicada do que os não indígenas, temos mais facilidade de sermos infectados, até mais do que nossos parentes que estão nas comunidade distantes, mais isoladas. Tem que ser revista essa política de separar indígenas aldeados de não aldeados”, disse Lúcia Alberta à Amazônia Real.

Lúcia Alberta também ressaltou que não são apenas os indígenas de contexto urbano que serão excluídos, mas aqueles que vivem em territórios em processo de demarcação. Ela destaca também a necessidade de incluir os indígenas Warao, refugiados na Amazônia desde 2015.

“Tem esse agravante. Quando fala não aldeados, exclui completamente os indígenas há muito tempo lutam para terem suas terras demarcadas. E que perderam suas terras por todo esse processo de colonização. Essas pessoas correm grave risco de não ter vacinação”, alerta.

A Articulação dos Povos Indígenas Brasileiros (APIB), maior organização indígena do país, deve definir, ainda nesta terça-feira (19), os planos de uma campanha de pressão nacional e internacional para cobrar informações detalhadas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A organização vai se reunir com pesquisadores da Fiocruz. Segundo Sonia Guajajara, em entrevista à Amazônia Real, a APIB não descarta entrar com medidas judiciais para cobrar por ações efetivas no combate à Covid-19 entre a população indígena.

“Queremos garantir a imunidade para toda a população indígena independente de distância e localização geográfica, desde as áreas mais remotas ao contexto urbano. Nesse momento talvez seja mais difícil conseguir vacinação para quem está perto, pois o governo federal adotou uma política de exclusão dos povos que estão vivendo nas cidades. Isso será uma grande questão a ser enfrentada”, protestou. 

Sonia Guajajara deu como exemplo a situação do Amazonas, onde os indígenas que vivem na capital “estão doentes e morrendo”. “O Amazonas está um caos. Os indígenas em Manaus precisam de apoio. Como ser seletivo [a vacina] nesta situação? Não podemos permitir esse racismo institucional”, afirmou.

Dos 900 mil indígenas, segundo o Censo do IBGE de 2010, mais de 500 mil vivem em territórios tradicionais demarcados. Mas segundo as organizações a população indígena do país passa de 1 milhão.

A condução do combate à pandemia do governo federal envolve não só desinformação e negacionismo, mas também ocultamento de dados reais sobre a situação entre os povos indígenas. O governo Bolsonaro tem subestimado o número de óbitos e a contaminação por Covid-19.

A APIB produz um levantamento próprio da evolução da doença e aponta que o número de óbitos de indígenas é quase o dobro do divulgado pelo governo, 917 ante 513. Desde o mês de abril de 2020, a organização indígena registrou 45.267 casos positivos do novo coronavírus no país A Secretaria Especial de Saúde Inígena (Sesai), do Ministério da Saúde, contabiliza 5.867 mortes, uma diferença de 87,0%.

Nesta segunda-feira (18), com as primeiras doses da Coronavac chegando aos estados, as organizações indígenas do Amazonas iniciaram uma mobilização para pressionar a inclusão de todos os povos originários do Brasil. O documento do Coletivo Indígena do Amazonas traz um abaixo-assinado, liderado por representações dos 65 povos do Estado com a maior população de indígenas autodeclarados (168,7 mil), foi encaminhado ao procurador da República Fernando Merlotto Soave, do Ministério Público Federal (MPF). Eles também reivindicam a criação de planos estadual e municipal de imunização e de um hospital de campanha.

Vanda Witoto é vacinada em Manaus

Velório do Cacique Messias no Parque das Tribos (Foto: Raphael Alves)

No Brasil, a vacinação de imunização do novo coronavírus começou no domingo (16) em São Paulo. A primeira mulher indígena a ser vacinada foi a técnica de enfermagem e assistente social Vanuzia Kaimbé, de 50 anos.

O governo de São Paulo enviou 50 mil doses da vacina Coronavac do Instituto Butantan para o Amazonas. Mais 256 mil doses foram enviadas pelo Ministério da Saúde, segundo o governador Wilson Lima (PSC).

Em Manaus, o início da vacinação começou nesta noite de segunda-feira (18) tendo a primeira pessoa imunizada, com a primeira dose da Coronavac, a auxiliar enfermagem a indígena Vanda Ortega Witoto, de 33 anos.

Moradora do Parque das Tribos, comunidade urbana de Manaus onde vivem mais de 35 etnias, Vanda atendeu centenas de doentes indígenas na primeira onda da pandemia, e agora está de novo na linha de frente da crise em Manaus. Na comunidade vivem 132 famílias, aproximadamente 660 pessoas. Nas duas últimas semanas, 32 indígenas testaram positivo para a Covid-19, segundo Vanda Witoto.

Antes de ser convidada pelo governo do Amazonas para ser a primeira a ser vacinada no Estado, Vanda falou com a Amazônia Real e criticou a falta de vacinação para os povos indígenas que vivem nas cidades brasileiras. “Estamos fora do planejamento de vacinação e de todas as ações realizadas pelo Ministério da Saúde. A Sesai não nos atende por levar em consideração esse termo ‘aldeados’. No quantitativo de 410 mil indígenas que está referenciado para ser vacinado, ficaríamos de fora”, afirmou Vanda.

Morando em Manaus, ou seja, em contexto urbano, ela disse que a escolha pode abrir precedentes para que outros indígenas da capital também sejam incluídos na prioridade. Depois de ser vacinada no Centro de Convenções Vasco Vasquez, na zona centro-sul de Manaus, Vanda Witoto cobrou a vacinação para todos os povos indígenas brasileiros e fez um desabafo ao governador Wilson Lima:

“Para as populações indígenas do Amazonas, esse momento representa muito para o meu povo Witoto e para os 63 povos indígenas do Estado do Amazonas. Esse estado, que tem a maior população indígena do Brasil, precisa ser cuidado”, discursou.

“Eu venho lá do Parque das Tribos, e nessa segunda onda de Covid nós temos, nesse momento, 32 indígenas positivos para Covid. Na verdade, não era para estar aqui, porque nesse momento nós recebemos uma ligação de que quatro parentes estão indo para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), com dificuldade respiratória. Nós estamos montando um hospital de campanha por nossos próprios esforços dentro da comunidade e a gente precisa do seu apoio. A gente já conversou sobre isso [disse ela ao governador]. E quero que esse estado olhe para essas populações aqui”, ressaltou.

Indígenas participam d 5ª Marcha dos Povos Indígenas do Amazonas (2919) (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)

A liderança lembrou o histórico de negligência por que passa os indígenas no país e salientou a necessidade de romper a discriminação nas estruturas do poder.

“Os nossos povos, historicamente, são muito negados. Negado por esse sistema de poder, mas nós queremos nesse momento histórico, que essa vacina chegue para os nossos povos na cidade também. Isso é uma luta do nosso movimento indígena. E precisa ser garantido que esses povos sejam contemplados por essa vacina. Ela é importante para nós”, afirmou.

Com uma fala forte e impactante, Vanda pediu que as autoridades “cuidem das populações que estão na cidade” e apontou “precariedade junto a essas comunidades”.

“Nesse momento de pandemia, as nossas comunidades não têm água potável. É preciso olhar para essas questões dos nossos povos na capital. E sou muito grata àquelas pessoas que têm nos ajudado de alguma maneira. Nós temos recebido apoio de remédio. Nós precisamos de alimento na nossa comunidade para essas famílias que estão desempregadas dentro das nossas comunidades. E eu quero, nesse momento aqui, eu só quero agradecer a Deus, a Mooma, ao nosso Deus Criador, aos nossos ancestrais, porque é necessário garantir a vacina não só para 410.000 indígenas. Hoje, nós somos mais de um milhão de indígenas no território brasileiro, que precisa ser cuidado nesse enfrentamento de pandemia”, declarou, emocionada.

“Muito obrigado a todos por esse momento que Tupana olhe por todos nós. Que Deus cuide de todos nós. Viva os povos indígenas!”, finalizou Wanda Witoto

À Amazônia Real, Lúcia Alberta Andrade destacou a relevância das palavras de Vanda Witoto no momento em que o plano de saúde do governo federal ignora as populações de comunidades não demarcadas.

“A vacina em nossa parenta foi uma vitória. Ela levou nossa mensagem para que seja garantida a vacinação para todos os povos indígenas do Amazonas e do Brasil. Em Manaus, temos muitos povos. São quase 20 mil indígenas que vivem em contexto e mais os povos Warao [da Venezuela] que temos acolhê-los. Queremos que eles sejam vacinados. Vivem numa situação bastante vulnerabilidade. A Vanda, por ser indígena em contexto urbano, mostrou a importância dessa vacinação ser para todos os indígenas”, ressaltou.

Até o momento, contudo, o Ministério da Saúde e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) não divulgaram como vai ser essa operação da imunização nos territórios indígenas. Não há informações de datas, locais, logística para áreas mais remotas, povos, etc. Historicamente, o subsistema de saúde indígena já possui experiência em ações de imunização de indígenas contra doenças endêmicas como sarampo e gripe.

Covid está em alta entre indígenas

Foto do protesto de Vanda Witoto com o secretário Robson Santos em frente ao hospital
(Foto: Dsei Manaus)

Com três ‘parentes’ com dificuldade respiratória, a enfermeira Vanda Witoto afirma que conseguiu a doação de dois cilindros de oxigênio que deveriam ser instalados na segunda-feira. “Iniciamos uma campanha para a compra de medicamento e o pedido de oxigênio para poder cuidar dos nossos parentes sem levar nos hospitais por conta do caos que está lá fora. Para os que têm mais dificuldade respiratória, fazemos exercícios com garrafa pet para ajudar”, explicou.

O abaixo-assinado “Pela vida de todos os povos indígenas do Amazonas: vacinação para todos!” pressiona o governo do Amazonas a vacinar contra a Covid-19 todos os indígenas do estado, inclusive o povo Warao, oriundo da região do rio Orinoco, na Venezuela e que integra a população migrante daquele país no Estado.

“Se é para morrer calado, morrer sem nenhuma assistência dentro de casa, é melhor morrer com dignidade, na rua, lutando, porque não vamos ficar esperando o governo, que já maltrata tanto a nossa população, continue nos matando”, afirmou a líder indígena Marcivana Sateré-Mawé, coordenadora – executiva da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime).

 “Vão fingir que índio não existe”

A liderança Marcivana Sateré-Mawé (do lado de fora) (Foto: Cáritas)

“Sabemos que o prefeito (David Almeida) foi eleito sem ter nenhuma proposta para atender a população indígena da cidade de Manaus. É uma vergonha a Prefeitura não ter um plano, uma vez que grande parte dos indígenas estão em Manaus. Até quando vão viver fingindo que não existe índio em Manaus?”, indagou a liderança Marcivana Sateré-Mawé,. Segundo ela, na capital amazonense, hoje, são falados 16 línguas diferentes entre os povos originários.

Para o médico sanitarista Douglas Rodrigues, do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, a imunização dos indígenas em situação urbana deveria ser priorizada. “Eles estão nas cidades para estudar, trabalhar, buscar atendimento. Passa um tempo e voltam. Se a ideia é proteger as comunidades, por que não vacinar essas pessoas?”, questiona o profissional que trabalha com populações indígenas e em isolamento voluntário na Amazônia há mais de 50 anos.

O indigenista aposentado, Armando Soares, que atuou durante 35 anos pela Fundação Nacional do Índio (Funai) na Amazônia, concorda: “Hoje a saúde indígena tem problemas gravíssimos como se negar a atender indígenas que estão na cidade. Isso é inadmissível, como se morar na cidade tirasse a origem das pessoas”, afirma.

“Esse governo que está aí tirou todos os indigenistas, as pessoas capacitadas das Coordenações regionais da Funai e colocou militares, pessoas que sempre foram inimigas dos índios. É difícil conceber que a vacinação possa dar resultado sendo uma iniciativa deste governo”, completa.

Por: Steffanie Schmidt
Fonte: Amazônia Real

Solidariedade partilhada: nas aldeias ou em contexto urbano, indígenas enfrentam muito mais do que o avanço da covid-19 em Rondônia

Por: Site

Cimi Regional Rondônia vem realizando ações de enfretamento à covid-19 juntos aos povos, com cestas básicas, kits de higiene e denúncia das invasões aos territórios

Equipe de monitoramento e fiscalização do território Uru Eu Wau Wau. Foto: Cimi Regional Rondônia
Equipe de monitoramento e fiscalização do território Uru Eu Wau Wau. Foto: Cimi Regional Rondônia

Se de um lado o avanço do novo coronavírus tem deixado as comunidades indígenas em pé de alerta, por outro, as invasões dos territórios tradicionais têm preocupado as lideranças e organizações indígenas e indigenistas em Rondônia. Com um largo histórico de invasões nos territórios por posseiros, grileiros, pescadores, garimpeiros e madeireiros, a pandemia torna essa ameaça à vida ainda mais grave, pois estes invasores se tornaram também agentes disseminadores da covid-19 entre os povos.

Não raro, os indígenas presenciam os invasores circulando em torno e dentro dos territórios, como tem sido com os Karipuna e Uru-Eu-Wau-Wau. “As próprias lideranças fazem o monitoramento e fiscalização, pois o governo se nega a proteger os territórios e, assim, os indígenas ficam à mercê dos invasores”, relata Cyntia Regina Marques da Silva, coordenadora do Conselho Indigenista Missionário – Cimi Regional Rondônia.

“O governo se nega a proteger os territórios e, assim, os indígenas ficam à mercê dos invasores”

Registro da barreira sanitária na Aldeia Lage Novo, organizada pelos indígenas para barrar a entrada do vírus. Foto: Cimi Regional Rondônia

A falta de fiscalização por parte do Estado agrava a situação de invasões e práticas predatórias nos territórios indígenas em Rondônia. Em abril, o professor e liderança indígena Ari Uru-Eu-Wau-Wau foi assassinado. Ele fazia parte de uma equipe constituída pelo próprio povo para fazer a vigilância de suas terras. No início deste mês, o Cimi Regional Rondônia publicou uma manifestação sobre a situação preocupante dos indígenas no estado, em especial os que se encontram em isolamento voluntário.

Os povos indígenas em contexto urbano, além de terem sido expulsos de seus territórios tradicionais, enfrentam o descaso e a falta de assistência à saúde. “Nós não estamos tendo atendimento básico no que se trata da covid-19. Muitos dos nossos parentes já foram a óbito e nós nem sequer aparecemos na lista de registro dos casos de indígenas de covid-19”, denuncia Rosa Maria Guarasugwe, que mora na capital, Porto Velho.

A negligência do governo federal tem levado à morte muitos indígenas por falta de recursos e materiais apropriados para o combate do novo coronavírus, tanto em contexto urbano como nas aldeias.

“Nós não estamos tendo atendimento básico no que se trata da covid-19. Nem sequer aparecemos na lista de registro dos casos de indígenas de covid-19”

As máscaras que compõe o kit de higiene foram confeccionaras pelas mulheres nas aldeias com tecidos doados. Foto: Cimi Regional Rondônia

A liderança Guarasugwe quer saber por que o Estado brasileiro se nega a dar atendimento a esses povos indígenas que estão fora do seu território tradicional. “Se nós estamos fora do nosso território tradicional, não é culpa dos indígenas. A maioria desses indígenas tem território sim, mas se encontra na mão de invasores”, lamenta a liderança.

De Guajará Mirim, o segundo maior município de Rondônia, Eva Canoé conta que, para os povos indígenas, os óbitos inseridos no cálculo da estatística da covid-19 não são simplesmente números. “São vidas humanas. Vidas que estão sendo ceifadas pelo descaso, pela falta de estrutura, por falta de políticas públicas que realmente atendam à demanda da população indígena”. A liderança do povo Canoé, crítica como tem sido em todas suas intervenções, faz um lembrete: “esse mísero atendimento à saúde indígena não é nenhum favor. É um direito”.

“São vidas humanas. Vidas que estão sendo ceifadas pelo descaso, pela falta de estrutura, por falta de políticas públicas”

Registro da entrega das cestas básicas e kits de higiene ao Povo Uru-Eu-Wau-Wau. Foto: Cimi Regional Rondônia

Direito este que tem sido historicamente negado aos povos indígenas em todo país. Para Rosa Maria, há uma diferenciação para o Estado brasileiro de quem é mais índio e quem é menos índio. “Estamos cansados, foram muitas mortes, muitas vidas que os indígenas perderam e nós não temos nenhuma política de básica para esse atendimento, quando se trata desses indígenas que vivem em contexto urbano. A esperança vai se acabando, junto com nossas histórias que estão sendo enterradas”.

Essa tem sido uma dupla morte, os povos sofrem com a morte de seus parentes pelo vírus e sofrem mais ainda, porque com eles está se indo o legado e a cultura de seus antepassados, lamenta Vera Lucia Gabriel, do Cimi Rondônia. “Resta a luta contra os invasores e o avanço da covid-19, na esperança de que dias melhores virão e que o governo possa garantir aos povos indígenas seus direitos descritos na Constituição de 1988, estejam eles em seus territórios ou em contexto urbano”, esclarece Vera.

“Estamos cansados, foram muitas mortes. A esperança vai se acabando, junto com nossas histórias que estão sendo enterradas”

As ações organizadas pelos Cimi Rondônia buscam amenizar os impactos da pandemia junto aos povos. No registro a entrega de cestas básicas em Guajara-Mirim. Foto: Cimi Regional Rondônia

Ações de enfretamento à covid-19

Com o apoio de organizações, entidades e colaboradores, o Cimi Regional Rondônia tem organizado uma série de ações de enfretamento à covid-19 juntos às comunidades indígenas que vivem nas aldeias e em contexto urbano. Foram entregues cestas básicas completas com frutas, legumes e verduras, kits de higiene e máscaras de proteção pessoal.

A partilha tem sido possível pela solidariedade de organizações como a Arquidiocese de Porto Velho, Dioceses, Caritas, Instituto Madeira Vivo, CLAR, Greenpeace, Enterculturas, Misereor, Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) e Associação das Guerreiras Indígenas de Rondônia (AGIR).

“Resta a luta contra os invasores, o avanço da covid-19 e para que Governo garanta aos povos indígenas seus direitos constitucionais”

Registro da entrega das cestas básicas e kits de higiene na aldeia Ribeirão, do Povo Oro Wari. Foto: Cimi Regional Rondônia

As ações organizadas pelo Regional buscam também fortalecer as práticas realizadas pelos indígenas, como as barreiras sanitárias, instaladas na entrada dos territórios para conter o avanço do vírus nas aldeias.

Na Terra Indígena (TI) Igarapé Lage, ainda em março, todas as visitas de não-indígenas foram suspensas nas aldeias devido ao avanço e interiorização do novo coronavírus. “Para nossa prevenção, nós construímos um portão na entrada da aldeia”, conta Arão Oro Waram Xijein, liderança da aldeia Lage Novo. Já na TI Pacaas Novos, a faixa alerta os desavisados: “Proibido a entrada de pessoas que não sejam moradores”. “Queremos impedir a entrada de não-indígenas e pescadores, para preservar nossas vidas”, afirma Milton Oro Nao, liderança da aldeia Capoeirinha.

“Queremos impedir a entrada de não-indígenas e pescadores, para preservar nossas vidas”

Registro da entrega das cestas básicas e kits de higiene ao Povo Cassupa. Foto: Cimi Regional Rondônia

Outra frente de atuação tem sido a comunicação, intensificada com o isolamento e aplicativos de trocas de mensagens. As lideranças gravaram vídeos alertando sobre a covid-19 e orientando como se proteger da doença. Eles têm sido uma ferramenta fundamental na disseminação das informações nas aldeias e no contexto urbano, conta Cyntia. Ela ainda completa: “com o isolamento, a prevenção e o uso tradicional dos remédios foram intensificados pelos próprios indígenas, resgatando suas práticas tradicionais de prevenção e cura”.

Campanhas de doações

Em todo país, o Cimi tem organizado ações de enfrentamento à covid-19 com o apoio de organizações parceiras, simpatizantes da causa e agências de cooperação nacionais e internacionais. A entidade busca fortalecer as medidas adotadas pelas próprias comunidades, respeitando sua autonomia e organicidade de cada uma delas.

“Temos três desafios: pandemia, conjuntura política do atual governo e as invasões em terras indígenas”

Os pedidos de apoio e solidariedade têm vindo de todas as regiões do país. José Luis Cassupá, que vive em Vilhena (RO), aponta três grandes desafios dos povos indígenas, no enfrentamento dos quais contam com o apoio e solidariedade de organizações como o Cimi. “O primeiro é a pandemia que afeta os povos indígenas em todo o Brasil. O segundo é essa conjuntura política do atual governo e o descaso com os povos indígenas e nosso direito constitucional. E o terceiro são as invasões em terras indígenas, seguidas do garimpo ilegal, roubo de madeira, desmatamento e loteamento ilegal dessas terras”.

Por: ADI SPEZIA
Fonte: Cimi

O contraste entre Terras Pretas no Médio Xingu

Por: Site

Projeto “Terra Treta?” conta histórias de vida das comunidades no Médio Xingu

©MiguelPinheiro

Em meio ao recorde de queimadas que aconteceram na região amazônica em 2019, o documentarista e fotógrafo português, Miguel Pinheiro, desenvolveu um projeto chamado “Terra Preta?”, para contar histórias sobre os povos tradicionais que vivem na região do Médio-Xingu, no Pará, coração da Amazônia brasileira.

A escolha do nome contrasta entre duas terras pretas: uma catástrofe e um ritual antigo. “Foi muito marcante pra mim assistir a floresta arder em 2019. O cenário se pintava de preto sob o pincel das chamas e uma sensação de perda me inundou por dentro. Semanas depois visitei algumas aldeias indígenas, foi então que pela primeira vez toquei a terra preta de índio”, explica Miguel.

A Terra Preta de Índio (TPI), são manchas de solo escuro encontradas na Bacia Amazônica, cujo os nutrientes como cálcio, magnésio, zinco, manganês, fósforo e carbono, aumentam exponencialmente a fertilidade do solo.

O primeiro vídeo do projeto conta a história de Juma Xipaya, a primeira mulher cacique do Médio-Xingu. Juma se tornou sinônimo de luta e resistência, atualmente saiu da sua aldeia para enfrentar novos desafios: a Universidade de Medicina.

Miguel Pinheiro é um premiado criativo português. Formado em Neurociência em Portugal, e mestre em Teatro / Comunicação pela St. Mary’s University, Londres – UK. Suas histórias foram publicadas por PUBLICO (Portugal), O GLOBO (Brasil), JN (Portugal), CIFOR (Indonésia). Trabalhos recentes incluem uma colaboração com o artista chinês Wei Wei para seu próximo longa-metragem.

Confira a entrevista concedida ao site Amazônia.org

Como surgiu a iniciativa de desenvolver o projeto “Terra Preta?”

Há vários anos tenho registrado as rotinas e as percepções do mundo a partir da perspectiva dos povos tradicionais. Aqui no Brasil, tenho encontrado as mais sofisticadas e surpreendentes visões entre estes povos, que normalmente vivem em lugares bem remotos. Isso me levou a vários quilombos no país e também junto das populações ribeirinhas e indígenas na Amazônia.

Em 2019 após um projeto de documentário para o artista chinês Ai Wei Wei, aproveitei a presença na Amazônia Brasileira para conhecer mais a fundo a região do Médio-Xingu e as várias nações indígenas no entorno. Ao mergulho nas vidas e nos sonhos destes povos, eu dei o nome de “Terra Preta?”.

Porque a escolha do nome “Terra Preta?”?

Foi muito marcante pra mim assistir a floresta arder em 2019. Ao longe era o cheiro da madeira queimada, pontuado por uns flocos de cinza que viajavam quilômetros e quilômetros na paisagem,se acumulavam no topo dos carros e das casas e entravam pela janela do quarto de hotel. De perto era ainda pior. Tinha de prender a respiração para segurar a câmera e filmar no meio de um inferno que transformava o sol numa bola vermelha espreitando entre cortinas de fumo espesso. À volta, o cenário se pintava de preto sob o pincel das chamas, e uma sensação de perda me inundou por dentro. Semanas depois visitei algumas aldeias indígenas e percebi a relação umbilical destes povos com a floresta. Foi então que pela primeira vez toquei a “terra preta de índio”, uma mistura particular usada há milhares de anos pelos povos da floresta, e cujas propriedades aumentam exponencialmente a fertilidade dos solos. Estas duas terras pretas, cada uma à sua maneira, norteiam este projeto.

©MiguelPinheiro

Qual momento mais marcante que presenciou durante o período que passou na Amazônia desenvolvendo o projeto?

Quando eu visitei o Brasil pela primeira vez, ainda antes de me mudar para cá, eu fiquei encantado por pisar um país imenso em que a língua portuguesa era cantada com tantos sons diferentes. Na época atravessei o lindo Ceará, e dei um pulo no Rio e em S. Paulo, e que celebração esta mistura de sotaques, me senti num universo paralelo.

Minha experiência mais recente na Amazônia alterou esta perspetiva. De repente eu estava sentado numa aldeia em que todos falavam Kayapó, que pertence à família linguística Jê, e eu era o único que não entendia nada da conversa. Só quando se dirigiam a mim usavam o português, e apenas se realmente estivessem interessados na minha opinião. Ali eu entendi pela primeira vez o mosaico original do Brasil, a quimera de povos que partilhava este território e que a língua portuguesa uniu, e que a língua portuguesa também destruiu. Meu olhar mudou. A deslumbrante língua de Camões e de Machado de Assis, que nos anima a todos desde o berço, tem também uma história de sombras. É uma língua de invasão. E se por vezes conseguiu a proeza de ser uma entre outras línguas, muitas outras silenciou culturas. Por isso eu defendo com este “Terra Preta?”, que “em pleno Antropoceno começa a ser óbvio que a maior de todas as extinções é a do próprio ser humano.” Estamos a aniquilar a nossa diversidade, e pomos em causa a nossa existência.

Você acompanhou uma região que foi afetada pela construção do projeto da usina hidrelétrica Belo Monte. Diante dos relatos e vivência, como acha que a usina afetou os indígenas?

A situação é muito complexa, a próxima história que vou liberar será sobre a Volta Grande do Xingu, tudo o que sei é o que me disseram e o que me mostraram, depois da chegada de Belo Monte, o rio Xingu sofre. Tem menos peixe, menos água, menos floresta em volta, menos caça, menos comida disponível na natureza, cresceram as invasões dentro do território indígena, aumentaram as disputas por terras, e a corrupção permeou de tal maneira o cotidiano que hoje Altamira é dos municípios mais violentos em todo o Brasil. Depois da chegada de Belo Monte, paira no ar uma inexperiente sensação de fim.

©MiguelPinheiro

Diante do cenário atual, considera que as comunidades que visitou estão em situação ainda mais vulneráveis neste cenário de pandemia?

É dever do Brasil perante o mundo proteger a diversidade dos seus povos. São estes povos que permitem que o Brasil seja não só um país de primeiro mundo, como também um dos lugares mais ricos no planeta. É de imensurável importância o convívio dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, junto com a sociedade urbana do nosso dia-a-dia. A história nos relata como epidemias de sarampo, varíola, ou gripe dizimaram povos e extinguiram nações na Amazônia. Somos do século XXI. Temos de fazer mais. Temos de fazer melhor. Os invasores têm de ser expulsos de todas as terras indígenas, e às populações nativas se devem assegurar cuidados de saúde e de sustento.

Conheça o projeto: http://www.miguelpinheiro.com/trabalhos/terra-preta/
Leia aqui o artigo publicado

Por: Nicole Matos
Fonte: Amazônia.org.br

Rondônia registra três primeiros casos do novo coronavírus entre indígenas

Por: Site

Diagnósticos positivos foram confirmados nesta segunda-feira (18). Pacientes foram infectados após irem a Porto Velho sacar o auxílio emergencial de R$ 600 e estão em isolamento na Casa de Apoio à Saúde do Índio.

O Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) de Rondônia confirmou os três primeiros casos do novo coronavírus entre indígenas nesta segunda-feira (18). Conforme o conselho, eles foram infectados após irem para Porto Velho sacar o auxílio emergencial da Caixa Econômica Federal de R$ 600.

Os três indígenas têm 37, 40 e 50 anos e são do povo Karitiana. Eles chegaram a voltar à aldeia Caracol, que fica a cerca de 90 quilômetros de Porto Velho sentido Guajará-Mirim, mas uma semana depois sentiram os primeiros sintomas da doença e precisaram retornar à capital.

Os diagnósticos também foram confirmados pelo coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena de Porto Velho, Luiz Tagliani.

Segundo ele, os indígenas passaram por exames, são monitorados e estão isolados em uma área específica da Casa de Apoio à Saúde do Índio (Casai), em Porto Velho.

“A equipe de saúde adentrou na aldeia e detectaram esses casos então suspeitos. Fizeram os exames necessários e confirmaram a positividade dos testes. Eles estão evoluindo bem, já estão com pouca febre. Estamos entrando em contato com a Funai para fazer uma barreira sanitária, evitar a entrada e saúde de indígenas”, complementou.

Conforme Elivar Karitiana, presidente do Conselho Indígena da Casai, equipes de saúde irão intensificar as ações de prevenção na aldeia.

Ao G1, o presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Dom Roque Paloschi, disse lamentar pelas confirmações da Covid-19 entre indígenas e reforçou que é preciso maior fiscalização por parte das autoridades responsáveis.

“Nós evidentemente lamentamos o ocorrido. Precisa-se de uma política diferenciada para a saúde indígena. Eles não têm os anticorpos que nós temos. O Cimi também acompanha, mas não entramos em área, segundo as orientações das autoridades de saúde”, explicou o arcebispo de Porto Velho.

A Rede Amazônica entrou em contato com a Fundação Nacional do Índio (Funai) e aguarda retorno.

Temor pelo avanço

No mês passado, entidades se disseram preocupadas com a disseminação do novo coronavírus nas aldeias.

Na ocasião, Funai e Ibama afirmaram estarem atuando para combater o avanço do vírus em terras indígenas com medidas como o bloqueio de entradas das aldeias e ações de comando e controle contra ilícitos ambientais nas áreas federais.

Dom Roque Paloschi chegou a dizer que o Cimi orienta que os indígenas cumpram com as recomendações das autoridades de saúde de permanecerem dentro das aldeias para evitar a disseminação da doença. “Mas diante da desassistência, eles são obrigados a chegar nas cidades, e isso é um risco maior”, reforçou o presidente.

O movimento Survival Internacional declarou, no início de abril, que a proteção de terras indígenas em todo o mundo é fundamental para impedir que indígenas morram por causa do novo coronavírus.

Até domingo (17), Rondônia acumula 1.963 casos do novo coronavírus, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (Sesau) divulgados no início da noite. O estado tem 74 mortes decorrentes da doença.

Fonte: G1

Vírus sobe o Rio Amazonas e adoece população indígena

Por: Site

Na remota comunidade amazônica de Betânia, os membros da tribo Tikuna suspeitam que o coronavírus tenha chegado este mês depois que alguns retornaram de uma viagem de barco de duas horas pelo rio Solimões para receber seus pagamentos de benefícios governamentais.

Velório do líder índigena Messias Martins Moreira, da etnia Kokama, em Manaus, Amazonas, no dia 14 de maio de 2020.
© AP Photo / Edmar Barros

Depois, dezenas tiveram dores de cabeça, febre e tosse. Dois morreram. E a equipe médica de cinco pessoas, que é mantida pelo governo para atender a comunidade de cerca de quatro mil pessoas, não está tratando os doentes por falta de equipamentos de proteção e testes de coronavírus, afirma o líder da tribo Sinesio Tikuna.

Os Tikuna confiam em seu remédio tradicional para doenças respiratórias: inalar nuvens de fumaça da queima de plantas medicinais e colméias.

A situação dos Tikuna ilustra o perigo do coronavírus, que se espalha para áreas de floresta tropical e locais onde populações indígenas vivem em proximidade e com serviços médicos limitados. A maioria é acessível apenas por barco ou aeronave pequena.

“Estamos muito preocupados, principalmente porque a ajuda não está chegando”, disse Sinesio Tikuna em uma entrevista por telefone para a agência de notícias Associated Press.

O Brasil tem o maior número de mortos de COVID-19 da América Latina, com mais de 16 mil óbitos neste domingo (17). A cidade mais atingida, segundo taxas per capita, é Manaus, onde valas comuns estão se enchendo de corpos.

Enquanto Sinesio Tikuna descrevia na entrevista por telefone sua crença de que a fumaça da colméia salvou quatro membros da tribo doentes, não havia ninguém no hospital de Manaus para ajudar uma mulher com febre, lutando para respirar, a entrar na sala de emergência. Um policial a colocou em uma maca, levando-a para dentro com a ajuda de um fotógrafo da Associated Press.

Os povos indígenas que habitam os rios Solimões e Negro, que se fundem em Manaus para formar o rio Amazonas, tentaram por semanas isolar suas reservas do vírus, pedindo doações enquanto aguardavam a entrega de alimentos pelo governo para que pudessem permanecer isolados. Não foi o suficiente para muitos, disseram defensores dos indígenas.

A bacia do Alto Solimões possui 44 reservas de tribos e emergiu como um local com alta taxa de infecção indígena na Amazônia brasileira. Os testes são extremamente limitados, mas mostram que pelo menos 162 de aproximadamente 76 mil indígenas da área foram infectados e 11 morreram. Existem mais de 2 mil infecções confirmadas em partes do território que não têm serviços públicos de saúde para a população indígena.

Em uma aldeia Tikuna chamada Umariacu, perto da fronteira com Peru e Colômbia, as três primeiras mortes por COVID-19 foram de idosos infectados por membros mais jovens que deixaram a cidade para receber pagamentos do governo e trocar peixes e produtos por frango e outros alimentos, disse Weydson Pereira, que coordena os serviços de saúde do governo na região.

“Nossa maior angústia hoje são os povos indígenas que não ficam em suas comunidades e entram e saem da cidade. Hoje, o lugar mais seguro para eles é dentro de suas aldeias”, disse Pereira este mês, infectado e isolado em casa com sua esposa e filha infectadas.

Duas semanas de quarentena entre as tribos na região forneceriam tempo para identificar e isolar os casos, mas “infelizmente, isso não aconteceu”, disse ele.

Na mesma área, pessoas da etnia Kokama não conseguiram tratamento médico no sistema de saúde da pequena cidade de Tabatinga ou no prestador de cuidados do governo, disseram promotores federais em um processo movido esta semana.

Os dez ventiladores do hospital estão em uso por pacientes com coronavírus e a terapia intensiva mais próxima fica a 1.600 quilômetros rio abaixo em Manaus, também cheia de pacientes, disse Pereira.

A falta de tratamento para o coronavírus em Manaus levou Pedro dos Santos, líder de uma favela chamada Parque das Nações Indígenas, a beber chá feito de raiz de chicória, alho e limão para combater uma febre alta que durou 10 dias. Um vizinho de 62 anos da etnia indígena Bare precisava de um leito de UTI, mas nenhum estava disponível e ele morreu, disse o filho do homem, Josué Paulino.

Alguns moradores assustados de Manaus, cidade com 2,2 milhões de habitantes, estão fugindo, mas podem ser portadores assintomáticos e espalhar o vírus em outros lugares, disse Miguel Lago, diretor executivo do Instituto de Estudos de Políticas de Saúde do Brasil, que assessora autoridades de saúde pública.

Cerca de 925 quilômetros acima do rio Negro, fica o município de São Gabriel da Cachoeira, onde pessoas de 23 etnias indígenas compõem mais de 75% da população.

Cerca de 46 mil vivem na área urbana e em reservas rurais com trânsito frequente, disse Juliana Radler, consultora do Instituto Socioambiental, um grupo de defesa ambiental e indígena.

São Gabriel da Cachoeira reagiu rapidamente à ameaça da COVID-19. Uma semana após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar o novo coronavírus uma pandemia, o trânsito de barcos e aviões foi cortado. As únicas exceções são bens essenciais e soldados.

Mas Radler afirma que alguns moradores de São Gabriel da Cachoeira presos em Manaus voltaram para casa em navios de abastecimento, desembarcando nas proximidades e entrando furtivamente na cidade sob o manto da escuridão. Cerca de outros 150 fizeram a viagem em uma balsa de três andares chamada Lady Luiza.

Membros da tribo indígena Saterê Mawé usando máscaras durante atendimento médico via celular com médico em São Paulo na comunidade Sahu-Apé, no município amazonense de Iranduba
Membros da tribo indígena Saterê Mawé usando máscaras durante atendimento médico via celular com médico em São Paulo na comunidade Sahu-Apé, no município amazonense de Iranduba © AFP 2020 / RICARDO OLIVEIRA

Quando chegaram dias depois, as autoridades tentaram e não conseguiram afastar os viajantes. Não há áreas de quarentena disponíveis e alguns passageiros da balsa podem ter levado o vírus a São Gabriel da Cachoeira, disse Radler.

A Marinha do Brasil autorizou a viagem da balsa e os passageiros estavam desesperados para ir para casa porque “se sentiam expostos e vulneráveis” em Manaus, disse o proprietário de Lady Luiza no Facebook.

Em meados de abril, muitos residentes tinham o que acreditavam ser uma gripe forte. O comitê de COVID-19 da comunidade usou transmissões de rádio, caminhões de som e panfletos para emitir avisos sobre o vírus em idiomas portugueses e indígenas, incluindo Tukano, Nheengatu e Baniwa.

Um dos primeiros casos confirmados de coronavírus foi um professor da etnia Baniwa, que morreu após ser levado para Manaus para tratamento. Para a maioria das pessoas, a COVID-19 causa sintomas moderados como febre, mas pode resultar em morte.

Até esta semana, São Gabriel da Cachoeira tinha 292 infecções confirmadas e reservas indígenas próximas registraram seus primeiros casos.

Todos os seis ventiladores em funcionamento no hospital estavam em uso e os centros de saúde de tribos isoladas estavam com falta de suprimentos, disse Radler.

“Precisamos de um hospital de campanha o mais rápido possível, nos próximos 20 dias”, disse ela. “Se não, será uma catástrofe, uma verdadeira catástrofe.”

Fonte: Sputnik News

Barreira sanitária Krahô intercepta carro com munição de arma de fogo na Terra Indígena Kraolândia

Por: Site

Indígenas apreenderam veículo com munições de armas de fogo na TI Kraolândia e denunciam a presença de caçadores e madeireiros no seu território, no Tocantins

Barreira sanitária do povo Krahô na aldeia Kapej, TI Kraolândia, no Tocantins. Foto: povo Krahô
Barreira sanitária do povo Krahô na aldeia Kapej, TI Kraolândia, no Tocantins. Foto: povo Krahô

Lideranças do povo Krahô detiveram invasores numa das barreiras sanitárias realizada por eles na Terra Indígena (TI) Kraolandia, no Tocantins, em função da pandemia de covid-19. Na noite de sexta-feira (8), os indígenas barraram uma caminhonete que trafegava numa das estradas de acesso ao território e encontraram no veículo muitas munições de armas de fogo de diferentes calibres.

Os indígenas decidiram apreender a caminhonete até que a Polícia Civil e a Fundação Nacional do Índio (Funai) fossem até a barreira sanitária da aldeia Kapej, que fica próxima ao limite do território. A chegada dos policiais e servidores da Funai ocorreu nesta terça (12), e os indígenas entregaram a caminhonete apreendida às autoridades, que levaram o veículo até o município de Itacajá.

As lideranças Krahô também avisaram à polícia que o proprietário da caminhonete já ameaçou os indígenas em diversas ocasiões e relataram a situação ao Ministério Público Federal (MPF). No ano passado, os indígenas chegaram a denunciar essas ameaças à polícia.

Munições encontradas pelos indígenas em caminhonete parada na barreira sanitária Krahô. Foto: povo Krahô
Munições encontradas pelos indígenas em caminhonete parada na barreira sanitária Krahô. Foto: povo Krahô

Segundo informações do Cimi Regional Goiás/Tocantins, os Krahô, assim como outros povos indígenas do Tocantins, fizeram barreiras sanitárias para diminuir o risco de contaminação por coronavírus nas suas aldeias logo depois que o governo do estado decretou o isolamento social, ainda em março.

Como as invasões à TI Kraolândia continuaram, entretanto, as lideranças das mais de 40 aldeias do território decidiram ampliar o número de barreiras, estabelecendo locais de fiscalização em outros quatro pontos do território. As barreiras devem seguir por tempo indeterminado.

A maioria das invasões, ainda segundo informações do Regional do Cimi, é feita por madeireiros e por caçadores ilegais que adentram o território em busca especialmente de ovos de arara, especialmente, para revender as aves no mercado clandestino de animais silvestres. Além disso, os indígenas também já denunciaram que há traficantes circulando na terra demarcada.

“As lideranças das aldeias relatam que estão quase totalmente desassistidas pelo governo federal”

Indígenas reclamam que não têm recebido cestas básicas e nem materiais de higiene, como máscaras. Foto: povo Krahô
Indígenas reclamam que não têm recebido cestas básicas e nem materiais de higiene, como máscaras. Foto: povo Krahô

“O território Krahô é cercado pelo agronegócio, com extensas plantações de eucalipto e soja que também pressionam os indígenas. Às vezes, as lavouras são pulverizadas com agrotóxicos que chegam até a terra indígena”, explica Jucilene Correia, do Cimi Regional Goiás/Tocantins.

A proximidade de fazendas e dos municípios vizinhos e a presença de invasores na TI Kraolândia em meio à pandemia preocupa especialmente os indígenas, que cobram providências dos órgãos públicos. Os Krahô afirmam que ainda não receberam da Funai e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) materiais de higiene, como álcool gel e máscaras.

Os indígenas também cobram da Funai a distribuição de cestas básicas, que ainda não chegaram às aldeias. Segundo o Cimi Regional Goiás/Tocantins, as únicas cestas básicas que estão sendo fornecidas aos indígenas são as do governo estadual.

“Essas cestas do governo estadual são reduzidas e voltadas apenas às crianças e aos jovens matriculados nas escolas, que estão com as aulas suspensas”, relata Jucilene. “Mas, fora isso, as lideranças das aldeias relatam que estão quase totalmente desassistidas pelo governo federal”.

Fonte: Cimi

Avanço do novo coronavírus na população indígena é um desastre

Por: Site

Médicos e pesquisadores apontam deficiência no atendimento de saúde e na quarentena, além de subnotificação dos casos. A Apib registra 92 mortes enquanto a Sesai confirma 19, uma disparidade que não reflete a realidade

Profissionais da saúde atendem indígenas da aldeia Xexena, dos Yanomami, em Roraima (Foto: Dsei Yanomami/Sesai)

Há dois meses, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou a pandemia do novo coronavírus no mundo. A falta de acesso das populações indígenas ao sistema público hospitalar, a dificuldade em fazer a quarentena e a subnotificação da estatística governamental são apontados por médicos e especialistas em saúde indígena como um desastre neste momento em que a Covid-19 cresce entre os povos mais vulneráveis e com a imunidade mais baixa entre os brasileiros.

A primeira morte de indígena registrada no país foi em 19 de março no oeste do Pará. A anciã Lusia dos Santos Lobato, de 87 anos, do povo Borari, faleceu em 19 de março, em? ?Santarém. Por não morar em aldeia reconhecida pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e não ter cobertura do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), sua morte não consta na estatística da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, o que representa uma subnotificação.

No norte de Roraima, um grupo de 40 indígenas Yanomami foi enviado pela Sesai de volta à aldeia Xexena, na Terra Indígena, sem passar pela quarentena ou fazer o teste do coronavírus. Na região, foi registrado ainda profissionais da saúde infectados com o vírus.

Na última terça-feira (12), o ancião Feliciano Pimentel Lana, de 83 anos, do povo Desana, morreu dentro de sua casa em consequência de uma parada cardiorrespiratória e suspeita de novo coronavírus, mas não recebeu atendimento médico, em São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, noroeste do Amazonas.

Erik Jennings, neurocirurgião e coordenador da residência médica em neurocirurgia do Hospital Regional do Baixo Amazonas da Universidade do Estado do Pará, em Santarém, avalia que “esse trânsito, de estar muito dependente dos hospitais sede, é um desastre para a população indígena”.

“Estava escrito que isso ia acontecer, mais cedo ou mais tarde. Não se conseguiu fazer o isolamento das áreas como seria o indicado”, afirma o médico sanitarista Douglas Rodrigues sobre o aumento dos casos da doença entre os indígenas. Ele é do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e trabalha com populações indígenas da Amazônia há mais de 50 anos.

O antropólogo Márcio Meira, ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) e pesquisador do Museu Emílio Goeldi, em Belém (PA), diz que o principal motivo para o descontrole no combate ao avanço do novo coronavírus na população indígena “é a incapacidade, a incompetência do governo federal de agir. Porque a saúde indígena é majoritariamente de responsabilidade do governo federal”.

O primeiro caso confirmado de Covid-19 em povos indígenas foi notificado em 1o. De abril pela Sesai, no Amazonas. Uma jovem de 20 anos foi contaminada por um médico do Distrito Sanitário Indígena (Dsei) Alto Solimões, no município de Santo Antônio do Içá (a 878 quilômetros de Manaus), iniciando a transmissão entre os povos Kokama, até o momento os indígenas mais afetados pela pandemia na Amazônia.

Até esta quinta-feira (14), de acordo com os dados da Sesai, há 301 casos confirmados de Covid-19 entre indígenas aldeados no Brasil, mais 146 casos suspeitos e 19 mortes. As regiões com maior incidência são: no Alto Solimões com 129 casos e dez mortes, no Amazonas; Ceará com 23 casos e dois óbitos; e Yanomami com 19 casos confirmados e uma morte. A secretaria não inclui na estatística os indígenas que moram em cidades, mas apenas os vivem nas aldeados dentro dos territórios, o que aumenta a subnotificação.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) criou o Comitê Nacional pela Vida e Memória Indígena para monitorar e fazer a estatística de dados sobre a pandemia do novo coronavírus em povos que moram tanto nas aldeias como nas comunidades urbanas. Na estatística divulgada em 14 de maio, o comitê notificou 446 casos confirmados de Covid-19 e 92 mortes entre 38 povos indígenas do país.

Entre as mortes que a Sesai não contabilizou está a da liderança Tikuna, Aldenor Basques Félix Gutchicü, vice-cacique da comunidade Wotchimaücü, que morreu com suspeita de Covid-19 em 28 de abril, e foi enterrado em um vala comum no cemitério público de Manaus.

Enterro de Aldenor Basques Félix Gutchicü em vala comum, em Manaus (Foto:Fernando Crispim/La Xunga/Amazônia Real)

Para o sanitarista Douglas Rodrigues, “a gente agora está com uma outra situação. Saímos da situação de barreira sanitária, que era o que estávamos propondo, e está uma situação de transmissão sustentada em algumas áreas, possivelmente em outras também”. Pela falta de exames e atrasos nos processamentos dos exames que são feitos, há semanas especialistas apontam para uma defasagem entre o que os números indicam e a realidade.

Rodrigues diz que, com a mudança de situação, “agora é uma questão de como fazer para mitigar, diminuir ao máximo o sofrimento e a mortalidade nas aldeias. O que não vai ser alguma coisa fácil”. Para ele, a estratégia envolve duas etapas. “Primeiro: diminuir ao máximo o contágio entre as pessoas”, afirma o médico. Ou seja, “diminuir ao máximo o contágio interpessoal nas aldeias, e com isso diminuir o número de casos”.

O segundo ponto da nova estratégia defendida pelo médico sanitarista diz respeito a cuidados e atenção primária, um esforço em “detectar precocemente para que a gente possa, se tiver para onde ir, encaminhar em tempo hábil. Porque não adianta deixar o cara muito ruim, com falecimento múltiplo dos órgãos”. Por isso Rodrigues é categórico: “precisamos abordar todos os casos. Todas pessoas na aldeia que tiverem sintomas de gripe, é covid-19 até que se prove o contrário. ”

Segundo Rodrigues, as aldeias devem também criar estruturas, como casas ou tendas de isolamento. “Senão, no oitavo dia de sintomas, o cara já contaminou a aldeia inteira”, afirma o sanitarista.

Douglas Rodrigues explicita a estratégia de cuidados locais como forma de mitigar a propagação do novo coronavírus. “Essa mitigação, do meu ponto de vista, acaba por separar os casos, e que menos pessoas se desenvolvam casos graves. Em média, 5% das pessoas doentes precisam de medicação. E se elas forem cuidadas precocemente? E se elas receberem oxigênio nas aldeias? E se eu der uma alimentação boa? E se eu tratar das doenças graves? Isso pode diminuir a gravidade. Com medidas de cuidado de atenção básica, esse número de 5% pode cair. Estamos defendendo isso pois conseguimos fazer. Isso é viável. Temos capilaridade”.

Ele também ressalta a importância do uso de oxímetros nas aldeias, aparelho que mede a taxa de oxigenação no sangue: “se cair abaixo de 95%, retirar a pessoa, direto para o hospital”.

O médico Douglas Rodrigues é enfático quanto à necessidade de se implementar estratégias de atendimento primário à saúde, como as descritas acima: “Imaginar que vamos ficar aquartelados nos hospitais esperando os doentes chegarem, isso é inviável. É uma necroatividade. Fica todo mundo doente e morre na porta do hospital”.

Concentração hospitalar e população indígena

Sepultamentos de indígenas no cemitério de São Gabriel da Cachoeira (Foto: Paulo Desana/Dabakuri/Amazônia Real)

O neurocirurgião Erik Jennings atua também como médico da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) com os povos Zo’é e Munduruku. O médico está na linha de frente para conter o avanço da Covid-19 no oeste do Pará. Ele também relaciona o aumento da pressão por parte de agentes ilegais em terras Indígenas.

Para Jennings, atividades garimpeiras e madeireiras ilegais se valem do momento de pandemia para adentrar territórios indígenas, e aumentam possibilidade de contágio pelo novo coronavírus.

“Os garimpos não param. Garimpo, madeireira. Em todas essas comunidades, por exemplo, Munduruku, no Tapajós, e de certa forma os Zo’é, você teve um aumento da pressão do entorno, por esses agentes ilegais, e que se viram numa boa situação de poder avançar, já que se reduz a fiscalização do Estado”, afirma o médico.

“Essas populações em geral estão pressionadas pelo vírus e por esses atores. Essa é a nossa preocupação agora”, afirma Jennings. Segundo o médico, diferente da nossa sociedade, onde podemos fazer um lockdown, fechar as terras indígenas é impossível. “Uma das coisas que tenho insistido, é que os indígenas viveram sempre fugindo dessas epidemias. Eles estão fugindo agora de novo. Mas diferente de nossa sociedade, que podemos fazer um lockdown, fechar estradas, portos, rodoviárias, na terra indígena isso não acontece: não se pode fechar as bordas das terras indígenas. O Estado não faz isso. Ao contrário, ele relaxa mais. ”

“Soma-se à vulnerabilidade biológica, social, geográfica, a vulnerabilidade de não poder fechar o entorno, a margem. O entorno fica muito mais agressivo até”, reflete Erik Jennings.

O médico paraense retoma a sua crítica ao modelo de concentração de hospitais nas regiões mais populosas. Segundo ele, os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis) possuem “uma capilaridade muito boa de ir para aldeia. Mas quando você precisa de unidades hospitalares, usa a da cidade. E aí que está o problema: nós não equipamos essas áreas indígenas com recursos tecnológicos e mesmo humanos para tocar os casos de coronavírus leve ou moderado nessas áreas. E essas pessoas precisam sair, e ficam perambulando, de um lugar para o outro, e contaminam parentes e etc.”

Gabinete de crise junto à população

Profissionais de saúde atenderam indígenas Yanomami, em Roraima (Foto: Dsei Yanomami/Sesai)

Márcio Meira foi presidente da Funai entre os anos de 2007 a 2012, participou da demarcação das terras indígenas do Médio Rio Negro (Amazonas) no início da década de 1990. Ele afirma que “esse índice da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), do Ministério da Saúde, é subnotificado. Se tu fores ver os dados da Apib, que tem feito um acompanhamento independente, o prognóstico a gente já sabia: a gente já falava que isso poderia vir a ser uma tragédia. Ao país com um todo, e em especial com os povos indígenas parece que está caminhando para isso”.

O Censo do IBGE estimou que, em 2010, a população indígena brasileira era de 896.917 pessoas – 36,2% em área urbana e 63,8% na área rural. A Apib diz que são mais de 1 milhão de indígenas nos territórios. No país existem mais de 305 povos, que falam mais de 180 línguas diferentes, além de etnias em isolamento voluntário da sociedade nacional, principalmente na região amazônica.

Ainda no início da pandemia do novo coronavírus, em entrevista à Amazônia Real, o secretário da Sesai, Robson Silva disse que indígenas que vivem em comunidades das cidades serão atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No Brasil, a Sesai atende a uma população de mais de 800 mil indígenas através de 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei). Na Amazônia Legal, são 25 Dseis que dão assistência para uma população de 433.363 pessoas.

“Os Dseis estão preparados para atender às especificidades epidemiológicas de seus Dseis”, disse Silva na ocasião, mas ele voltou atrás em relação aos indígenas que vivem na cidade de Manaus. Ele anunciou no dia 4 de maio que um hospital de campanha será construído na capital amazonense para atender povos aldeados indígenas e do contexto urbano. A obra, no entanto, não começou.

Márcio Meira critica duramente a posição da Sesai de não levar em conta os indígenas que vivem na cidade: “o indígena não deixa de ser indígena se ele está na aldeia ou na cidade”, afirma Meira.

O antropólogo cita o exemplo de Manaus: “Manaus é uma cidade que tem milhares de indígenas. Se um indígena mora em Manaus, ele não entra na conta da Sesai. Não considera o indígena que morre na cidade como indígena”, afirma o antropólogo. Trata-se, segundo Meira, de “um problema de fundo ideológico, de quem está à frente da Funai”.

Márcio Meira questiona ainda a política indigenista do governo federal, que dificulta parcerias com outros atores da sociedade, com as organizações não governamentais (ONGs): “a atitude do governo federal em relação à política indigenista, já é uma atitude equivocada, as ONGs são tratadas como inimigas”, acusa.

Para ele, o governo federal está atrasado: “deveria já estar agindo há muito tempo com um gabinete de crise específico para tratar as populações indígenas em relação à covid-19”. Este gabinete de crise deveria ser composto, segundo Meira, primeiramente pela “Sesai, articulada à Funai, Secretarias de Saúde dos estados e outros órgãos, para uma ação articulada e emergencial, com vários órgãos, como o Ibama, a Polícia Federal, as Forças Armadas. O exército sempre cumpriu esse poder de polícia nas fronteiras. É a hora de fazer um esforço conjunto”.

Entretanto, Márcio Meira lamenta: “a gente não vê isso acontecer. Parece que nada está acontecendo no país. Isso é um problema geral, do governo federal. Um presidente irresponsável, completamente insano, que acha que o que está acontecendo é uma ‘gripezinha’. Dentro desse problema geral, tem os indígenas, com todas as vulnerabilidades”.

Equipes Multidisciplinares no Dsei Alto Rio Purus no combate à Covid (Foto: DARP)

Por: Fábio Zuker
Fonte: Amazônia Real

Covid-19 se alastra pelas Terras Indígenas do Rio Negro

Por: Site

Dispararam os registros entre povos da região, como os Baniwa, Tukano e Baré; “precisamos de ajuda humanitária para evitar uma tragédia”, alertou Marivelton Barroso, presidente da Foirn

Comunidade indígena de Boa Esperança, na BR 307, proibiu visitas após registro do primeiro caso|DSEI-ARN

São Gabriel da Cachoeira, município mais indígena do Brasil, vive dias dramáticos. Com uma população de 45 mil habitantes, a cidade experimenta um crescimento acelerado de casos de Covid-19, apesar do bloqueio de trânsito decretado em março. Nesta sexta-feira (15/05) foram notificados 265 casos, com 12 óbitos e 14 pessoas internadas no único hospital local. Porém, o Hospital de Guarnição (HGU), gerido pelo exército brasileiro, não possui Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

Segundo o secretário de Saúde do município, Fábio Sampaio, todos os pacientes entubados estão inscritos no Sistema de Transferências de Emergências Reguladas (Sister), da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) e aguardam um leito de tratamento intensivo na capital, Manaus, distante mil quilômetros de São Gabriel.

Manaus, por sua vez, protagoniza cenas de colapso na saúde e tem dificuldade em absorver pacientes graves do interior. Com a doença penetrando as aldeias, as lideranças indígenas do Rio Negro cobram medidas urgentes para o atendimento da população. “O hospital está esgotado e não temos recursos para atendimento de pacientes mais graves nos polos de saúde indígena. A situação com certeza vai piorar na segunda quinzena de maio e precisamos de ajuda humanitária neste momento para evitar uma imensa tragédia”, alertou Marivelton Barroso, presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).

Em apenas 19 dias, os casos da Covid-19 em São Gabriel da Cachoeira tiveram uma alta de 13.150%. No dia 26 de abril foram confirmados os dois primeiros casos, sendo que na sexta-feira as confirmações já chegavam a 265. São Gabriel é no momento o 11º município do interior do Amazonas com maior número de casos, ficando atrás de Manacapuru (1.357); Tefé (663); Parintins (580); Coari (502); Tabatinga (472); Santo Antônio do Içá (365); Itacoatiara (337); Careiro (309); Iranduba (302) e Rio Preto da Eva (299).

Usina quebrada

O único hospital da cidade também está com a sua usina de oxigênio quebrada e incapaz de reabastecer os cilindros usados pelos pacientes que respiram com auxílio mecânico. Com isso, os cilindros precisam ser reabastecidos em Manaus, exigindo grandes esforços logísticos, além dos riscos dessa operação.

No último sábado (09/05), por pouco seis pacientes entubados no HGU não ficaram sem oxigênio. O Comitê de Enfrentamento e Combate ao Covid-19 do município montou uma grande articulação e correu contra o tempo para salvar os pacientes. De última hora os cilindros chegaram de Manaus via Força Aérea Brasileira (FAB).

Além disso, pacientes que precisam de atendimento para outras doenças graves correm sério risco de se contaminar no hospital ou então estão deixando de se tratar com medo da infecção. O HGU também é o único local que faz partos no município, aumentando ainda mais o alerta de contaminação de gestantes e recém-nascidos.

“Continuo afirmando que é urgente uma unidade alternativa para as pessoas que adoecem de outras patologias, uma Unidade Mista, um Centro de Saúde, uma UPA, qualquer outra unidade para dar suporte e atender as pessoas que adoecem, que precisam de uma consulta de rotina, para as gestantes parirem, um lugar com segurança e sem estar contaminado com esse vírus”, explicou o gestor em saúde coletiva da Secretaria Municipal de Saúde de São Gabriel, Angelo Quintanilha.

A malária também é outro ponto de tensão. Em 2019, São Gabriel foi o município com a maior incidência de casos no Amazonas, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) do estado, e as ocorrências continuam em alta esse ano. Alguns moradores relatam dificuldades para fazer testes de malária, com peregrinações pela cidade para conseguir atendimento, aumentando a exposição e risco à contaminação.

Também há relatos de profissionais de saúde, sobretudo enfermeiros que atendem nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município, trabalhando com sintomas de Covid-19 ou já afastados por estarem infectados. A falta de recursos humanos é outra grande preocupação e exige esforços urgentes para se levar profissionais de saúde para atuarem no município.

Catástrofe

“Se não temos uma unidade hospitalar preparada para atender sequer a população urbana de São Gabriel com Covid-19, se começarem a descer pessoas das comunidades doentes, será uma catástrofe. Digo isso sem exageros”, ressaltou Quintanilha.

Essa catástrofe anunciada começou a se desenhar com o surgimento de casos positivos nas aldeias das calhas dos rios Tiquié, Uaupés, Xié, Içana e no próprio Rio Negro. Também foram registrados casos no Balaio, na BR-307, na comunidade de Boa Esperança, e também na comunidade Lago das Pedras, no município de Barcelos.

Além disso, com a ausência de testes e carência no atendimento, as informações que circulam pelas redes de radiofonia e grupos de Whatsapp indicam que muito mais gente possa estar doente. Óbitos recentes por paradas cardiorrespiratórias que não tiveram confirmação de Covid-19 por exame também apontam subnotificação de mortes de indígenas nas aldeias e na área urbana, como o caso da morte do artista indígena Feliciano Lana, do povo Desana, na última terça-feira (12/05), que não consta nos registros oficiais.

Aliança interinstitucional

O Instituto Socioambiental (ISA), junto com a Foirn, integra o Comitê de Enfrentamento ao Covid-19 em São Gabriel da Cachoeira – criado por decreto municipal – e vem fazendo uma série de articulações para buscar melhorias para a saúde na região, assim como para garantir soberania alimentar durante o isolamento social e direito à informação. A Federação indígena está recebendo doações diretamente através da campanha Rio Negro, Nós Cuidamos, assim como articulando uma série de parcerias para incrementar a estrutura da saúde indígena. Funai, Exército, Marinha, IFAM, Polícias Militar e Civil, Prefeitura e outras instituições também integram o Comitê.

Wizer Almeida, do ISA, retira álcool gel, sabão e materiais para confecção de máscaras, no aeroporto de São Gabriel|Raquel Uendi/ISA

Os Expedicionários da Saúde (EDS), que já atuam no rio Negro em campanhas de saúde junto à população indígena, receberam doações mobilizadas pela parceria ISA-Foirn para a compra de 30 concentradores de oxigênio e 14 cilindros de 50 litros carregados de oxigênio, com fluxômetros (equipamento para medir o fluxo de oxigênio nos cilindros), além de 15 geradores de energia. O material foi doado ao DSEI-ARN (Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena do Alto Rio Negro) e chegará amanhã (17/05) a São Gabriel em voo do Greenpeace, também parceiro nas ações de combate ao Covid-19 junto aos povos indígenas na Amazônia.

O EDS já havia doado medicamentos e equipamentos de segurança individual (EPIs) aos profissionais da saúde indígena da região, que foram transportados pela FAB. No site do EDS é possível fazer doações diretas e conhecer mais sobre suas ações e parceiros.

O trabalho interinstitucional tem ajudado a mobilizar recursos, parcerias e apoios aos povos indígenas do Rio Negro, muito vulneráveis à pandemia dada a falta de infraestrutura de saúde da região fronteiriça e longa distância da capital Manaus, única cidade com leitos de UTI em todo Amazonas. Quem tiver interesse em acompanhar os boletins diários com as notícias do Comitê de Enfrentamento e Combate ao Covid-19 de São Gabriel da Cachoeira, produzido pelo ISA e distribuído pelo whatsapp para levar informação à população, basta enviar mensagem para o número (DDD 31) 99806-2958.

Lockdown

Dia 8 de maio, quando o município registrava 54 casos e quatro óbitos, o comitê decidiu recomendar à Prefeitura emitir o decreto de “lockdown”, prevendo medidas mais severas de restrição à circulação. Além disso, é obrigatório o uso de máscara e está valendo também o toque de recolher na sede municipal.

As pessoas só podem circular das 6h. às 15h., e somente para algumas atividades, como ir ao comércio essencial (farmácia e mercados), banco e lotéricas. A circulação das pessoas nas vias públicas fora desse horário foi proibida. Aglomerações e eventos sociais estão sendo severamente fiscalizados pela polícia. Também está interrompido por decreto municipal o fluxo entre aldeias e núcleo urbano.

Por: Juliana Radler
Fonte: ISA

PF prende dois suspeitos de matar professor indígena no MA

Por: Site

PF diz que suspeitos são dois índios da mesma região da vítima

Policiais federais prenderam, em caráter preventivo, dois suspeitos de assassinar o professor e coordenador regional da Comissão de Caciques e Lideranças da Terra Indígena Arariboia (Cocalitia), Zezico Rodrigues Guajajara. A identidade deles não foi divulgada.

Militante da luta contra a invasão e a extração ilegal de madeira da reserva indígena, localizada no Maranhão, Zezico foi morto a tiros no dia 31 de março.

Segundo a PF, os suspeitos são dois índios que viviam na mesma terra indígena que Zezico – um deles, na mesma aldeia que o professor, a Zutíua, no município de Arame (MA), a cerca de 270 quilômetros de Imperatriz. O cacique da aldeia, no entanto, afirma que um deles não é indígena, mas vive na reserva por ser casado com uma índia.

Segundo a PF, enquanto cumpriam os mandados de busca e apreensão expedidos pela 2ª Vara da Justiça Federal em São Luís, os policiais não encontraram os dois, que se apresentaram posteriormente na delegacia da PF em Imperatriz, acompanhados por um advogado.

Após serem interrogados, os dois foram encaminhados ao sistema prisional. Eles foram indiciados por homicídio e, se forem considerados culpados, podem ser condenados a penas que variam de seis a 20 anos de prisão. A PF informou que, durante a investigação, encontrou evidências da participação dos indígenas no assassinato.

Apenas um dia após Zezico ser emboscado, a cerca de 3 quilômetros da aldeia Zutiua, quando retornava da cidade de Grajaú, o cacique Paulino Rodrigues Guajajara disse à Agência Brasil que a comunidade indígena suspeitava que o professor tinha sido morto por outro índio da própria região; alguém que, segundo ele, tinha “raiva” e “inveja” da liderança do professor.

Cunhados

O cacique disse hoje (23) à Agência Brasil que os assassinos são cunhados. Ele ressaltou que, embora um deles viva na Terra Indígena Arariboia, casado com uma indía, não é indígena. De acordo com Paulino Guajajara, o “não índio induziu” o indígena a matar Zezico. O crime, segundo Paulino Guajajara, agravou a tensão na região. “A gente está com medo e pedindo segurança para a aldeia porque as coisas aqui estão tão tensas que não conseguimos mais fazer as coisas do dia a dia.”

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Zezico foi o quinto membro da etnia Guajajara assassinado na região desde meados de novembro de 2019. Entre eles está o líder Paulo Paulino Guajajara, integrante do grupo Guardiões da Floresta, formado pelos próprios indígenas para monitorar e defender seus territórios. Paulino também foi morto a tiros, em novembro.

Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Maria Claudia

Profissionais indígenas ajudam no combate ao coronavírus em Roraima

Por: Site

Enfermeira diz que há aldeias bem distantes, só com acesso aéreo

São cerca de 50 mensagens diárias trocadas entre a enfermeira Letícia Monteiro e os indígenas das etnias Wai Wai, Macuxi, Taurepag, Wapixana que vivem nas regiões Murupú, Wai Wai e Surumú, em Roraima, sobre o novo coronavírus (covid-19). Ela é responsável pelo monitoramento dessas comunidades e, além de checar se há alguém com algum dos sintomas da doença nas regiões, ela tira dúvidas e transmite orientações. 

Indígena do povo Taurepag, da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, localizada também em Roraima, Letícia tem 44 anos e é uma das enfermeiras da Divisão de Atenção à Saúde Indígena (Diasi) do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Leste Roraima, ligada à Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde.

“A pandemia é bem preocupante. Existem aldeias em regiões bem distantes, só com acesso aéreo. Se a doença chegar lá, há o risco de a pessoa não conseguir chegar a tempo à cidade”, diz. “Além disso, a população indígena não tem isso de cada um ficar na sua casa. Todo mundo fica junto, têm famílias que moram juntos pais, filhos, filhos já casados e netos. Uma casa comporta 15, 20 pessoas. A comunidade se reúne para comer, para conversar. Há um risco muito grande de contaminar todos de uma vez”. 

Até a realização da entrevista não havia casos registrados na região monitorada por Letícia. A própria enfermeira, no entanto, estava isolada em casa, em Boa Vista, por apresentar alguns dos sintomas da covid-19 após ter contato com uma pessoa que testou positivo para o vírus. Ela apresentou apenas sintomas leves e segue fazendo o monitoramento em casa.  

“Primeiro, a gente sente uma grande preocupação e, depois, uma impotência por não ter todos os materiais, todos os epi [equipamento de proteção individual]. Agora que eles estão chegando”, diz Letícia.

O Conselho Indígena de Roraima (CIR) também monitora a pandemia do novo coronavírus e oferece apoio às comunidades indígenas. “Elaboramos um projeto emergencial para apoiar as lideranças indígenas no combate ao coronavírus nas entradas das terras indígenas. Também estamos arrecadando recursos para a compra de cestas básicas e material de higienização. Estamos recebendo das lideranças solicitação de material para confecção de máscaras dentro dos territórios”, explica a secretária-geral do Movimento das Mulheres Indígenas do CIR, Maria Betania Mota de Jesus, que é da etnia Macuxi.

“É estranho para nós, povos indígenas, o isolamento social porque a gente vive na coletividade. Mas, é necessário fazer isso, ter essa força tarefa para conscientizar a ter cuidado com aglomerações”, diz. Segundo ela, o próprio CIR cancelou todas as atividades e reuniões agendadas para os próximos dias.

Desde o mês passado, para tentar conter o avanço da doença, comunidades indígenas fecharam o acesso ao território e estão controlando a entrada de pessoas. 

Em Roraima, segundo dados parciais da Sesai, são mais de 342 comunidades, com população de 70,6 mil indígenas dos povos Macuxi, Wapichana, Ingarikó, Patamona, Taurepang, Wai Wai, Yekuana, Yanomami, Sapará, Pirititi e Wamiri Atroari.

Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Graça Adjuto

Aumenta número de indígenas contratados com carteira assinada

Por: Site

Área de enfermagem foi a que mais contratou em 2019

índios

O número de indígenas com ensino superior contratados com carteira assinada aumentou em 2019 em relação a 2018, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Ao todo, foram contratados 3.094 profissionais no ano passado. O número aumentou em relação aos 2.092 indígenas admitidos em 2018. A área de enfermagem foi a que mais contratou. 

Em 2018, as contratações voltaram a crescer, após quedas sucessivas desde 2015. Em 2014, 2.246 profissionais foram contratados. Esse número caiu até 1.572 em 2017, atingindo a menor marca da década. Em 2019, a tendência de crescimento das contratações verificadas no ano anterior foi mantida. 

 “Temos uma tendência um pouco oscilante, mas crescente de contratações de indígenas”, diz o diretor de Inteligência Educacional da plataforma Quero Bolsa, Pedro Balerine. O levantamento foi feito pela Quero Bolsa. Segundo Balerine, a análise mostra que, embora haja uma concentração em determinadas profissões, os indígenas atuam nas mais diversas áreas e buscam formações diversificadas. 

O aumento das contratações de indígenas, de acordo com o diretor, está relacionado à expansão do ensino superior. “A oferta de ensino superior no Brasil está aumentando muito e tem a expansão do Ead [Ensino a distância], que é um facilitador para esse público”, diz. Apesar de esbarrar em dificuldades tecnológicas, como acesso à internet e a computadores, segundo Balerine, os pólos presenciais, obrigatórios para a oferta de cursos a distância, podem ajudar a quem não tem esses equipamentos. 

O levantamento mostra que, no ano passado, a área que mais contratou foi enfermagem, com 215 admissões. Em seguida, estão os professores de ensino superior, com 84 admissões na área de prática de ensino e 82 na área de didática. Foram contratados ainda 71 analistas de desenvolvimento de sistema, 69 administradores e 56 farmacêuticos, entre outras ocupações. A média salarial verificada foi R$ 3.409,28.  

Desafios

Mesmo sendo o mais alto da década, o número de contratações de indígenas ainda é pequeno no país, e os profissionais contam que ainda há ainda muita dificuldade para a formação. Em 2018, de acordo com o Censo da Educação Superior, havia 57.706 indígenas matriculados em todo o país, o que representava 0,7% do total de 8,4 milhões de estudantes. 

“Para nós, indígenas da aldeia, é bem mais difícil. É difícil passar em vestibular. Tem faculdade particular mas, às vezes, não se tem condições de pagar o curso”, diz a enfermeira Letícia Monteiro, que é indígena do povo Taurepag, da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, localizada em Roraima.

“Tem ainda essa questão da discriminação. Em pleno século 21, a gente ainda consegue ver essa discriminação e a dificuldade de fazer o curso em uma cidade onde não tem residência e nem apoio financeiro. Fica muito mais difícil”, diz a enfermeira, uma de dez indígenas do total de 51 enfermeiros que atuam na Divisão de Atenção à Saúde Indígena (Diasi) do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Leste Roraima, ligada à Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde. Segundo Letícia, há muitos indígenas que desejam cursar enfermagem, por exemplo, mas que acabam não conseguindo devido a essas limitações.

De acordo com a secretária-geral do Movimento das Mulheres Indígenas do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Maria Betania Mota de Jesus, que é da etnia Macuxi, muitos dos indígenas que vivem nas aldeias e saem para estudar, retornam para atuar nas comunidades. Tendem também a permanecer nos postos de trabalho. “Eles conhecem a cultura, conhecem o trabalho. Há muitas pessoas não indígenas que acabam não se habituando e isso leva a uma rotatividade de profissionais”. 

Nas instituições federais, os indígenas têm reserva de vagas por causa da chamada Lei de Cotas, Lei 12.711/2012. Desde 2016, 50% das vagas nessas instituições são reservadas a estudantes de escolas públicas. Dentro da lei, há a reserva de vagas para pretos, pardos e indígenas, de acordo com o percentual dessas populações nas unidades federativas.

Apesar de não estarem submetidas a essa lei, as instituições privadas, que detêm a maior parte das matrículas do ensino superior, podem desenvolver ações para a formação desses estudantes. 

Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Graça Adjuto

Mais de 200 terras indígenas na Amazônia têm alto risco para Covid-19

Por: Site

Por: Anna Beatriz Anjos, Bruno Fonseca

Estudo mostra que menos de 10% dos municípios brasileiros com terras indígenas possuem leitos de UTI; sistema de saúde indígena atende apenas quadros leves

Foto: Alex Pazuello/Semcom – Arte:Bruno Fonseca/Agência Pública

Está na Amazônia a maioria das Terras Indígenas (TIs) em situação crítica para a pandemia do coronavírus no Brasil. Além de sete territórios com maior fragilidade, os estados da Amazônia Legal possuem 239 Tis com índices de vulnerabilidade intensos ou altos em relação à Covid-19.

Os dados estão em um estudo recém-publicado pela Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep) a que a Agência Pública teve acesso.

No trabalho, demógrafos, antropólogos, geógrafos e economistas avaliaram 471 Tis em relação à vulnerabilidade à pandemia de coronavírus. O estudo levou em consideração fatores como a distância de centros com unidades de terapia intensiva (UTI), saneamento e porcentagem de idosos na população, entre outros.

Índice de vulnerabilidade em terras indígenas na Amazônia Legal

E um dos dados é alarmante: de 1.228 municípios brasileiros onde há ao menos um trecho de Tis, apenas 108 possuem algum leito de UTI.

Além das Tis, os pesquisadores avaliaram que seis Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) estão em situação crítica, todos eles nos estados da Amazônia Legal.

Um deles é o Yanomami, em Roraima, onde está a TI de mesmo nome. Segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), submetida ao Ministério da Saúde, o distrito já registrou uma morte: a de um menino Yanomami de 15 anos. Alvanei Xirixana faleceu no início de abril, após seis dias internado na UTI do Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista.

Os indígenas estão entre as populações com mais risco para a Covid-19 devido à própria vulnerabilidade social e histórica a que esses povos estão submetidos, explica Marta Azevedo, demógrafa, indigenista, ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) e uma das autoras do estudo. “Todos os indicadores demográficos de saúde são piores entre os indígenas. A taxa de mortalidade é mais alta entre todas as raças, a de mortalidade materna, mesmo controlando o nível socioeconômico”, afirma.

Por isso, “o ideal é que o vírus não entre nas aldeias”, declara a médica sanitarista Sofia Mendonça, coordenadora do Projeto Xingu, programa de extensão da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que há mais de 50 anos atua no atendimento dos povos da bacia do rio Xingu. “É preciso interromper o acesso a essas comunidades, mas mantendo a comunicação e a criação de estratégias junto com os indígenas”, diz. Por si mesmos, os povos indígenas têm tomado medidas para evitar que o vírus os atinja: são vários os casos de etnias que têm bloqueado os acessos às aldeias, por exemplo.

No Amazonas, indígenas precisam ser transportados até Manaus caso precisem de UTIs, onde o sistema de saúde já está em colapso. Terra indígena mais vulnerável do estado fica a cerca de 700 km da capital

UTI, um gargalo ainda maior para os indígenas

O levantamento da Abep mostra que todas as Tis em situação mais crítica para enfrentar a Covid-19 possuem um fator em comum: estão distantes dos centros urbanos com UTIs.

Para se ter uma ideia, a TI Acapuri de Cima – a mais crítica de todo o estado do Amazonas –, habitada pelos Kokama, está a quase 700 km em linha reta da cidade de Manaus, o único município do estado que possui leitos de UTIs para tratamento dos casos mais graves da Covid-19. Atualmente, mesmo Manaus já está com o sistema de saúde em colapso: o Hospital Delphina Aziz, unidade de referência para atenção às vítimas do coronavírus, atingiu sua capacidade máxima em 10 de abril, assim como os outros três hospitais de apoio na cidade.

No estado do Amapá, não há nenhum município com UTI; em Roraima e no Acre, os leitos de tratamento intensivo existem apenas nas regiões metropolitanas das capitais.

A sobrecarga do SUS é fator de risco para os indígenas tanto quanto para a população em geral. O Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), que engloba 34 DSEIs, cuida de ações de saneamento e da atenção básica de saúde nas aldeias, como o acompanhamento de pacientes com doenças crônicas. Administrado pela Sesai, ele foi instituído por lei em 1999 para que as ações e serviços de saúde voltados para os povos indígenas sejam prestados de forma diferenciada, considerando suas especificidades culturais, epidemiológicas e territoriais – e, inclusive, abrangendo os saberes tradicionais dessas comunidades.

No entanto, não é atribuição dos DSEIs o atendimento de média ou alta complexidade, que demanda profissionais especializados e recursos tecnológicos, como no caso das internações em leitos clínicos ou UTI.

Isso significa que, se um indígena apresenta suspeita de Covid-19 e seus sintomas são leves, ele pode ser tratado pela equipe de saúde de sua própria aldeia, “mas será necessário, dependendo da situação clínica desse paciente, encaminhá-lo para um serviço de referência. Ele segue então para um polo-base, onde poderá ter acesso a exames – como a testagem para o coronavírus”, explica a médica Sofia Mendonça. “Porém, se não estiver bem, tem que ir para uma unidade que atenda média e alta complexidade”, afirma.

“Esse vai ser o nó dessa epidemia”, diz a também médica Ana Lúcia Pontes. “A capacidade dos serviços de saúde é limitada, o sistema público já vinha num contexto de estrangulamento há anos com cortes de gastos, a população já enfrentava muitos problemas de desassistência, e agora, de uma vez só, tem um conjunto muito grande de pessoas necessitando dessa ajuda”, destaca a pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e coordenadora do Grupo Temático Saúde Indígena da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Por isso, há uma preocupação especial entre os povos indígenas com a disponibilidade dos leitos de UTI. “A partir do momento em que foi identificado um caso e vai precisar de atendimento pelo estado, essa é a questão. Como o município e o estado vão receber o indígena? Vai ter vaga?”, questionou a deputada Joenia Wapichana (Rede-RR), coordenadora da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas, em entrevista online a jornalistas no começo do mês. “Se estão faltando leitos para os não indígenas, imagina para os indígenas, que estão longe.”

A inquietação da deputada tem base em números: de acordo com o Instituto Socioambiental, mais de 80% da extensão de todas as Tis do país se concentram no Norte, justamente a região que, junto com o Nordeste, dispõe dos maiores desertos de UTI no país. “É certo que isso torna os povos indígenas mais vulneráveis ainda, junto com os ribeirinhos, quilombolas e populações que vivem naquela região. Precisa-se assumir, enquanto política pública, que os indígenas são um grupo vulnerável, um grupo de risco”, argumenta Sofia Mendonça.

A insuficiência de leitos de terapia intensiva somada à velocidade com que pode evoluir o quadro clínico da Covid-19 faz com que as pesquisadoras ouvidas pela Pública chamem atenção para a importância de estabelecer estratégias específicas para a atenção aos povos indígenas. No início do mês, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) enviou cartas a todos os governadores do Brasil pedindo justamente que os planos emergenciais para atendimento dos pacientes graves de municípios e estados incluam a população indígena, “deixando explícitos os fluxos e as referências para o atendimento em tempo hábil, em articulação com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e DSEIs”.

Outra reivindicação da Apib, em alerta emitido no dia 18 de abril, é a construção de hospitais de campanha exclusivos para indígenas, como o Ministério da Saúde anunciou que fará em Manaus.

Sistema de saúde indígena é focado em casos de baixa complexidade – em casos de internações, é preciso ir a hospitais da rede pública de cidades. Ministério da Saúde adiantou vacinação contra a gripe. Foto: Alex Pazuello/Semcom

Falta de demarcação de terras é bandeira de Bolsonaro e aumenta vulnerabilidade

Apesar de a Amazônia Legal concentrar a maior parte das terras mais vulneráveis, há territórios indígenas em situação crítica por todo o Brasil – e um dos fatores é falta de conclusão na demarcação das Tis. Entre as dez terras mais vulneráveis ao coronavírus no país, sete estão com demarcação incompleta.

A região com a maior quantidade de territórios que ainda não passaram pela homologação – a última etapa do processo de demarcação – é o Sul do Brasil. Fica em Santa Catarina o maior número de territórios nessa situação: o estudo mapeou três Tis em situação de vulnerabilidade crítica que não tiveram a regularização concluída.

Uma delas é justamente a com uma das situações mais críticas de todo o Brasil, a Guarani do Araça’i, no extremo oeste do estado, habitada por populações Guarani e Guarani Ñandeva. Além de três terras em situação crítica, em Santa Catarina há dois outros territórios não demarcados em situação de vulnerabilidade alta e intensa.

Como aponta o estudo, em territórios não demarcados é mais fácil a entrada de não indígenas e mais difícil estabelecer o isolamento das comunidades. Segundo os pesquisadores, nesses locais os indígenas são mais expostos a “possíveis contaminações por outras doenças e também pelo coronavírus”.

O governo Jair Bolsonaro não homologou nenhuma TI, apesar de ter herdado do governo anterior mais de 50 com processo julgado e que poderiam ter sido demarcadas. O governo Bolsonaro foi acusado pelo Ministério Público Federal de manobrar para travar a demarcação de Tis no Brasil, por meio de pedidos de análises de estudos já realizados e a constante troca de funcionários e atribuições da Funai. Antes mesmo de assumir, o presidente já havia declarado que “no que depender de mim, não tem mais demarcação de terra indígena”.

Nas Tis, falta saneamento e população está envelhecendo

Além da distância de hospitais com UTIs e falta de demarcação, as Tis têm outro ponto de vulnerabilidade na pandemia: a falta de saneamento. Segundo o estudo apontou, cerca de quatro em cada cinco domicílios nos territórios indígenas não possuíam abastecimento de água, de acordo com o último Censo, de 2010. Mais da metade das terras tinham todos os domicílios sem acesso a tratamento de água.

Afora o baixo acesso a água tratada, o trabalho apontou que quase um terço dos domicílios em terras indígenas não possuía banheiro de uso exclusivo, um indicador de falta de saneamento. A falta de sanitário também pode aumentar a possibilidade de contágio por doenças infecciosas, no caso de banheiros compartilhados. A maior parte das terras sem banheiro de uso exclusivo fica no Amazonas.

Outro elemento de vulnerabilidade é o envelhecimento da população: o Censo de 2010 já havia apontado 17 Tis onde pelo menos um quinto da população tinha mais de 50 anos de idade, fator considerado de risco para o coronavírus. A maioria desses territórios está na Amazônia Legal, mas também há uma grande proporção de indígenas idosos em Tis nas regiões Sul e Nordeste e no Mato Grosso do Sul.

Por fim, há ainda seis Tis com mais de dez moradores por domicílio, a maior parte no estado do Mato Grosso.

A morte de indígenas idosos pela Covid-19 não é só uma consequência nefasta do ponto de vista da saúde pública, mas também no aspecto cultural, afirma o antropólogo Márcio Meira, ex-presidente da Funai. “A chegada do coronavírus é uma ameaça muito grande da perda eventual de pessoas detentoras de grandes conhecimentos”, declarou Meira em entrevista ao portal Amazônia Real. “Se um ancião se for, vai com ele toda uma história. Os jovens dependem totalmente dessas pessoas para receberem o conhecimento das tradições, que só eles possuem. É uma população pequena, mas com importância cultural imensa.”

Indígenas em cidades são deixados de fora da contagem

A Sesai tem divulgado diariamente dados sobre casos confirmados e óbitos por Covid-19 entre indígenas. No entanto, a Apib e especialistas afirmam que os números podem estar subestimados, já que a secretaria contabiliza e atende apenas pessoas que vivem em aldeias. Por exemplo, no momento, enquanto a Sesai registra três mortes pela doença, a Apib conta sete.

Em um segundo alerta, a organização “repudiou” a diferença de contagem e classificou a situação como uma “ação de racismo institucional que invisibiliza e desassiste os povos indígenas que vivem em áreas urbanas”. “Somos indígenas dentro ou fora de nossos territórios. Estamos em uma situação de grande vulnerabilidade, com risco real deste novo vírus causar outro genocídio”, diz o texto.

De fato, uma portaria de 2004 determina que a saúde indígena deve ser voltada para as “populações aldeadas”. Mas existe uma discussão em torno do assunto. Para Ana Lúcia Pontes, isso pode gerar subnotificação. “Não será possível fazer uma análise da progressão da epidemia na população indígena brasileira. Só vamos ter dados sobre quem estava dentro dos territórios. Nesse sentido, parte da população ficará inviabilizada”, aponta. “Tem que haver o acompanhamento de um cenário epidemiológico indígena amplo e plural.”

Os indígenas que vivem em áreas urbanas, mas fora de aldeias, normalmente já encontram dificuldades para acessar os serviços de saúde e muitas vezes precisam suprimir sua identidade para conseguir atendimento no SUS. Com o sistema de saúde sobrecarregado por causa da pandemia e fora da abrangência de políticas específicas, sua situação pode piorar. “Entendemos que a Sesai não tem como garantir a assistência a essas pessoas, mas é possível estimular as secretarias municipais e estaduais a olharem para a população indígena urbana e garantir que esteja devidamente acompanhada e identificada”, afirma a médica.

Fonte: A Pública

Pela radiofonia, indígenas do Alto Rio Negro recebem informações de prevenção contra o coronavírus

Por: Site
Na imagem, estão indígenas Tukano da comunidade São Domingos, no rio Tiquié, em São Gabriel da Cachoeira (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)

Uma pequena sala na sede da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) tem guardado – e compartilhado – um poderoso recurso contra a pandemia do novo coronavírus, a Covid-19: a informação. Nesse espaço funciona a radiofonia, sistema que leva informação sobre a doença a pelo menos 200 comunidades do Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas.

Na região do Alto Rio Negro não há registros de casos do novo coronavírus. Presidente da Foirn, Marivelton Baré explica como a organização está fazendo a prevenção pela radiofonia. Ele disse que há radiofonia em 210 comunidades e cada uma delas acaba atendendo a várias outras. “A radiofonia tem sido um modelo de comunicação eficaz no Rio Negro. Pela grande mobilidade que tem entre as comunidades, nas calhas, isso permite também elas irem repassando as informações”, diz.

Ao todo, são cerca de 750 comunidades de 23 etnias atendidas pela federação, numa área de 108 mil quilômetros quadrados. Marivelton explica que a crise da Covid-19 ressaltou a necessidade de reforço do sistema de comunicação. “Estamos priorizando as comunidades mais longínquas, como as comunidades Hupda, que têm mais dificuldade de acesso à comunicação”, explica.

Na sala de radiofonia, Edneia Teles, da etnia Arapaso e que faz parte do Departamento de Comunicação da Foirn, passa cerca de duas horas diárias no ar. O sistema usado para todo tipo de comunicação tem enfatizado os esclarecimentos sobre o coronavírus.

Do outro lado do rádio, surgem perguntas como “o que é o Corona?”, “a gripe comum pode ser Covid-19?”, “quando é permitido ir à cidade?”, “quando voltam as aulas?”, “há casos de coronavírus em São Gabriel?”, “há mortes causadas pelo vírus em Manaus?” e “quando os benefícios voltarão a ser pagos?”. Essas foram algumas dúvidas dos indígenas ouvidas pela Amazônia Real. Pelo rádio, os indígenas também fazem reivindicações; querem saber se a prefeitura vai mandar cestas básicas e sabão.

Munida com os últimos decretos da prefeitura de São Gabriel da Cachoeira, que estabeleceu estado de emergência em saúde, Edneia Teles responde às perguntas dos indígenas. Pelo rádio, ela manda a mensagem: “A dúvida que vocês tiverem, podem mandar. As coisas não estão muito fáceis. É pela nossa saúde mesmo. Nossa saúde em primeiro lugar, dos nossos pais e nossas crianças”.

Membro do Comitê de Enfrentamento e Combate a Covid-19 em São Gabriel da Cachoeira (Foto: Foirn/2020)

A Foirn tem levado nas transmissões profissionais da saúde, como biólogo, enfermeira e médico. Outro cuidado é o de levar pessoas que falam outros idiomas indígenas, como Baniwa, Tukano e Nheengatu. Também com essa preocupação, o Instituto Socioambiental (ISA) elaborou cartilhas informativas sobre o coronavírus, nas línguas Baniwa, Dãw, Nheengatu e Tukano, além do português, a serem levadas para as terras indígenas pelos profissionais de saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Alto Rio Negro.

Tanto a Foirn quanto a prefeitura orientam para que os indígenas fiquem em suas aldeias, evitando ao máximo seguirem para a cidade. O pagamento de benefícios, como Bolsa Família, foi adiado.

Em São Gabriel da Cachoeira, em 18 de março, o prefeito Clóvis Moreira Saldanha decretou emergência em saúde. A maior parte do comércio está fechada, com exceção de supermercados, padarias e drogarias. Os serviços de portos foram suspensos, sendo liberado apenas o movimento de embarcações de carga. No aeroporto, os voos estão reduzidos. Eventos públicos e privados com aglomerações foram adiados. Não está havendo aulas nas escolas. A praia à margem do rio Negro, sempre cheia nos fins de tarde, agora está vazia. Não há casos confirmados de Covid-19 no município.

Operações policiais estão sendo realizadas para evitar o descumprimento da norma e abordagem daqueles que insistem em se agrupar.

No Amazonas, segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, de 13 de março até esta quinta-feira (23 de abril) foram confirmados 38 casos de Covid-19 entre indígenas atendidos pelos Distritos Sanitário Especiais (Dseis): Manaus (19 casos), Alto Solimões (12), Parintins (4) e Médio Purus (3). Três indígenas morreram vítimas do corovírus no Amazonas. Eles são das etnias Kokama, Tikuna e Sateré-Mawé. A população indígena que mora nas áreas urbanas não são atendidas pelos distritos, por isso os dados de suas mortes não estão na estatística da Sesai. Leia aqui.

O risco da pandemia de gripe

Ruas comerciais de Gabriel da Cachoeira estão vazias por causa do coronavírus (Foto: João Claudio Moreira/Amazônia Real)

O médico do Dsei Guilherme Monção foi um dos últimos convidados da Foirn. Ele também é o profissional do Dsei referência no Comitê de Enfrentamento e Combate à Covid-19, criado pela prefeitura de São Gabriel. “O nosso medo é informação errada. Será que as informações que são repassadas estão corretas? A questão de fake news chega muito fácil para lá também”, esclarece.

No programa, Monção respondeu a várias dúvidas. Entre elas, qual a situação em Manaus e nas cidades da região do Alto Rio Negro, que abrange além de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro. Ele também conversou sobre a importância da prevenção, de lavar as mãos. Informou sobre os sintomas da doença, orientou profissionais da saúde, esclareceu sobre o isolamento social e reforçou a necessidade de não se cruzar a fronteira com Colômbia e Venezuela.

Guilherme Monção chegou recentemente a São Gabriel da Cachoeira, após ter ficado 40 dias no Alto Uaupés. Ele visitou cerca de 20 comunidades, algumas de difícil acesso e comunicação. E informa que, mesmo em localidades muito isoladas, há informação sobre a Covid-19 e que a “doença do branco” está chegando.

Indígena Tukano no rio Tiquié, no Alto Rio Negro (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)

O médico explica que os indígenas têm a memória de outras doenças enfrentadas pelos pais ou avós, como o sarampo. “A gente sabe que qualquer infecção respiratória tem um impacto muito grande na comunidade indígena. Essa questão de imunidade, também da gripe, ela é passada até de uma geração para outra. Eles não estão preparados para essa enfermidade agora. Qualquer síndrome gripal pode levar a uma pneumonia. E a Covid, que é mais grave, a gente não sabe como vai ser. A gente está lutando para que não chegue”, disse Guilherme Monção.

O ideal, segundo o médico, seria o de se fazer o teste da Covid-19 em pelo menos em três situações: naquelas em que o paciente tem sintomas gripais e viajaram para algum lugar, nos últimos 14 dias, que tenha coronavírus; nos casos de sintomas gripais e contato com caso suspeito; nos pacientes com sintoma gripal que teve contato com caso confirmado.

Na análise dele, as comunidades indígenas devem receber maior atenção das autoridades e que é um risco se adotar testes apenas nos casos graves, como foi feito em Manaus e o sistema de saúde colapsou. “Nós não vamos conseguir controlar as comunidades. Porque a gente quer saber quais delas têm o coronavírus, quais não têm, quais a gente trabalha com isolamento de comunidade ou isolamento de paciente. A nossa realidade é diferente, é de comunidade indígena. É de difícil acesso, requer toda uma logística. A gente não pode ter essa dúvida”, diz o médico.

Por: Ana Amélia Hamdan
Fonte: Amazônia Real

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