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Casos de síndrome respiratória grave tendem a crescer em 23 estados

Dados do boletim Infogripe da Fiocruz foram divulgados hoje O número de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) tende a crescer em 23 unidades da federação, segundo o boletim semanal Infogripe, divulgado hoje (2) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com dados referentes até 29 de janeiro. Especialistas monitoram as tendências de casos de SRAG …

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Colapso no Amazonas: cresce o número de sepultamentos por covid-19

Por: Site

Vacinação do grupo prioritário deve começou nesta segunda (18), enquanto municípios do interior ainda são abastecidos

Crise de falta de oxigênio e colapso do sistema de saúde no Amazonas registra aumento nos sepultamentos com mais de 6 mil mortes por covid-19 no estado. – MICHAEL DANTAS / AFP

Após o colapso do sistema de saúde, na última quinta-feira (14), o estado do Amazonas começou esta semana registrando mais um crescimento no número de óbitos em decorrência da covid-19. Nesta segunda-feira (18) foram registradas 6.191 mortes, quase 280 mil casos confirmados e a fila de espera por um leito já passa dos trezentos pacientes, de acordo com dados da Secretaria de Saúde do Estado.

Em compensação, por causa da repercussão da calamidade de pacientes morrendo sem oxigênio nos principais hospitais, começaram a chegar novos cilindros, por meio de doações e ações do poder público. O governo do estado também iniciou a transferência dos pacientes graves com covid-19 para outras regiões. Ao todo, já foram transferidos 94 pacientes, endereçados para unidades no Piauí, Maranhão, Goiás e Paraíba.

Segundo comunicado da Secretaria Estadual de Saúde, 30 municípios retiraram, nos últimos dois dias aproximadamente 950 cilindros de oxigênio na própria Secretaria, na Central de Medicamento e na empresa White Martins. Outros 150 cilindros, ainda segunda SES, foram enviados via terrestre ou aérea para as cidades de Tefé, Coari, Parintins, Fonte Boa e Tapauá. 

Colapso

O sistema de saúde do estado entrou colapso na última quinta-feira (14), quando as unidades bateram recorde de internações e a demanda por oxigênio aumentou cinco vezes. Os médicos ficaram desesperados e começaram a gravar vídeos denunciando a situação. Alguns pacientes morreram por asfixia, quando não conseguem respirar.

A crise também atingiu quem não estava com covid-19. Era o caso de bebês recém-nascidos, que precisavam fazer uso do oxigênio. Especialistas, como epidemiologista Jesem Orellana da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Amazonas, afirmam que esta crise era evitável e que os governos estadual e federal sabiam que o oxigênio não seria suficiente para uma nova onda de internações  no estado.

“O governo do estado do Amazonas, na figura do governador, obviamente, reconhece que vinha fazendo o monitoramento de vários indicadores, incluindo do consumo de oxigênio medicinal. Portanto, eles vinham acompanhando essa situação há mais de duas, três semanas; eles sabiam que provavelmente nós chegaríamos a uma situação limítrofe como essa, e isso é uma situação que precisa ser investigada pela justiça”, pontuou. 

Com a escassez do oxigênio, as famílias dos pacientes se lançaram numa corrida em busca dos cilindros no mercado e se depararam com um aumento de preços incalculável, como recorda a psicóloga Karla Tayná, cujo tio estava internado no Hospital 28 de Agosto, um dos maiores de Manaus.
 
“A gente nunca imaginou que viveria o que viveu na semana passada. Muita gente procurando cilindro para comprar, as empresas aumentando o preço absurdamente; um cilindro que vale 600 reais indo para 6 mil reais. Imagina que muitas famílias não conseguiram comprar. É muito caro”, relata ela. 

Enem

A crise na saúde provocou o adiamento do Enem, o principal exame nacional que garante o acesso ao Ensino Superior, e os estudantes amazonenses farão a prova nos dias 23 e 24 de fevereiro.

A manutenção do exame não agradou a alguns candidatos, como Ana Paula Feitosa, que tentará o curso de medicina no vestibular. “Eu acho muito injusto, porque assim como foi difícil para mim me preparar, imagino que para muitos outros também. Então, você ainda ter que fazer  uma prova com familiar internado, ou depois de perder um familiar, é muito triste”, declarou. 

Vacina

O governo do Amazonas iniciou a vacinação do grupo prioritário nesta segunda-feira (18). O estado recebeu 256 mil doses do governo federal e 50 mil do governo de São Paulo.

Em comunicados à imprensa, o governo estadual anunciou requisição de novos cilindros, transferências de pacientes, força tarefa da equipe da assistência social e fiscalização sobre o abastecimento de oxigênio nas unidades do interior. 

A justiça federal do Amazonas determinou que o governo federal apresente um plano de abastecimento de oxigênio e transferência de pacientes com risco de morte. Até o momento, segundo informações do ministério da saúde, foram enviados 350 cilindros e 373 bombas de infusão, mas quantidade ainda é insuficiente.

Por: Afonso Bezerra
Fonte: Brasil de Fato

Trabalhador que for infectado com coronavírus no trabalho terá estabilidade de um ano

Por: fnu

O Ministério da Saúde publicou, nesta terça-feira (dia 1º), uma portaria no Diário Oficial da União com a versão atualizada da Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT). A exposição ao novo coronavírus (SARS-CoV-2) em atividades de trabalho passou a fazer parte da lista como um agente ou fator de risco.

Com a inclusão da Covid-19 na lista de doenças ocupacionais, os trabalhadores que forem afastados das atividades por mais de 15 dias em razão do vírus, e entrarem de licença pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), passarão a ter estabilidade de um ano no emprego e direito ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) proporcional ao tempo de licença médica.

De acordo com a portaria, a LDRT será revisada novamente no prazo máximo de cinco anos, “observado o contexto epidemiológico nacional e internacional”.

Com a reforma da Previdência, a regra para esse tipo de benefício mudou. O auxílio-doença previdenciário passou a ser de 60% do valor do benefício, mais 2% a cada ano após 15 anos de contribuição, se mulher, ou 20 anos, no caso do homem.

Segundo Adriane Bramante, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), no entanto, se for comprovado que o segurado foi infectado pelo coronavírus no trabalho, o benefício passará a ser considerado acidentário, o que garantirá 100% do valor.

O que dizem os advogados

O advogado trabalhista André Pessoa ressalta, porém, que é preciso comprovar que a Covid-19 foi acometida pelo trabalhador no ambiente e em razão do trabalho desenvolvido para seu empregador, para que seja considerada doença ocupacional.

Isso porque já existe uma legislação que determina que doenças endêmicas, como é o caso do coronavírus, não são caracterizadas como doença do trabalho.

— Se for comprovado, o empregado fará jus ao recolhimento do FGTS durante o período de afastamento, se gerar incapacidade para o trabalho e se essa incapacidade durar mais de 15 dias. Além disso, o empregado terá, após o seu retorno, um ano de estabilidade no emprego e poderá, ainda, requerer o pagamento de indenização por danos morais e materiais decorrentes do acometimento da doença, indenização essa que deverá levar em consideração a extensão do dano causado pela doença, bem como as medidas preventivas adotadas pelo empregador para evitar o contágio no ambiente de trabalho — avalia.

Janaína Camargo Fernandes, advogada trabalhista, afirma ainda que não basta comprovar que o contágio ocorreu na empresa, mas também que o empregador não cumpriu as normas de prevenção ao coronavírus no ambiente de trabalho, como fornecimento de máscaras cirúrgicas ou de tecido, além de álcool 70%, adoção de medidas de distanciamento social, desinfecção dos locais de trabalho, entre outras.

— É preciso provar que a empresa não adotou as cautelas necessárias. A exceção é para profissionais da saúde, porque nesse caso o risco é inerente ao trabalho — aponta a advogada, lembrando que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o trecho da Medida Provisória 927 que previa que a Covid-19 não poderia ser caracterizada como doença de trabalho.

listagem completa de agentes nocivos e doenças ocupacionais pode ser conferida no Diário Oficial desta terça-feira.

A LDRT orienta as atividades dos profissionais do Sistema Único de Saúde nos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest). Esses serviços integram a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (Renast), que garantem ações de prevenção, promoção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e vigilância em saúde dos trabalhadores urbanos e rurais. A assistência acontece independentemente do vínculo empregatício e do tipo de inserção no mercado de trabalho.

Fonte: Jornal Extra

A pesca artesanal no Brasil em tempos de pandemia

Águas Mídia Livre - Brasil - Bem comum em mídia livre

Você já pensou como está a vida de pescadores e pescadoras em tempos de pandemia global?

Para responder a esta pergunta vamos utilizar os dados da Carta de Reivindicações da pesca artesanal do Brasil frente à pandemia do coronavirus ↗, por sinal primorosa.

Os pescadores e pescadoras artesanais são cerca de 1,5 milhão de pessoas e representam mais de 60% da produção dos pescados que chegam à mesa dos brasileiros, sendo que no Norte e Nordeste este número pode chegar a 75% do fornecimento de pescados.

São também a base de uma larga cadeia produtiva que abastece restaurantes, bares e a indústria alimentícia, dando energia para a indústria da produção de artigos náuticos e de gelo, além de formar a base do trabalho de parte daqueles que realizam o transporte de mercadorias.

Fundamentais né?

 

Dilemas e desafios da comunidade da pesca artesanal

Estas pessoas fazem dos rios, estuários, manguezais e do mar os meios de produção de suas vidas, resistindo à especulação imobiliária e a chegada de grandes empreendimentos que colonizam nossos recursos hídricos, invarialmente trazendo danos ao ambiente coletivo e às sociedades tradicionais.

Além das pressões das iniciativas privadas, são constantemente eliminados de Políticas Públicas e dos programas de governo federais e estaduais relativos ao trabalho. Para que você tenha uma idéia, o Registro Geral da Pesca (RGP) está totalmente paralisado desde o ano de 2012.

Este registro, de responsabilidade do antigo Ministério da Pesca e Aquicultura, garante um registro profissional àqueles que fazem da pesca uma profissão, comercializando seus resultados do trabalho.

São mais de 600.000 (seiscentos mil) os registros cancelados, suspensos ou não entregues, o equivalente a mais de um terço dos profissionais economicamente ativos, causando inúmeras dificuldades ao exercício da profissão e garantia de direitos.

As pessoas e comunidades pesqueiras tradicionais são também constantemente afetadas pelos derramamentos de petróleo no litoral e outros crimes ambientais hídricos, como os rompimentos de barragens e suas consequências. Crimes que carregam em si a impunidade.

Além da ausência de Políticas Públicas específicas, as comunidades pesqueiras do País não possuem acesso adequado ao sistema público de saúde, assistência social, renda básica, segurança e dignidade no trabalho.

Então, com estes fatores, você já pode ter uma idéia de como é a vida destas pessoas em situação de alta vulnerabilidade socioambiental em tempos de pandemia, onde todos deveriam contar com o apoio social para a prevenção e atendimento em momentos de contaminação viral e comorbidades.

 

Reivindicações e a Cartilha especial

Visando a busca de solução para problemas pontuais e nacionais, uma série de entidades se unem em um trabalho coordenado e articulado em torno de exigências comuns. Se você não clicou no primeiro link deste texto, pode acessar a Carta Pública aqui ↗.

São 435 pessoas, organizações associativas e grupos sociais que assinam o documento, liderados pelo Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil (MPP), a Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e Povos e Comunidades Tradicionais Extrativistas Costeiras e Marinhas (CONFREM), a Articulação Nacional das Pescadoras (ANP) e a Coordenação Nacional de Comunidades Tradicionais Caiçaras ( RJ-SP-PR).

Dentre estes esforços, agradecemos ao Observatório dos Impactos do Coronavírus nas Comunidades Pesqueiras, que é uma organização associativa que se utiliza de suas tecnologias e redes para a preservação da Natureza à qual está imersa, além de proteger e desenvolver os saberes e as boas práticas da pesca artesanal.

O grupo, formado por pescadores e pescadoras de todo o país junto com cientistas e apoiadores da pesca artesanal, tem como sua principal função monitorar os impactos e discutir o enfrentamento ao covid19 nas comunidades pesqueiras. Produziu a Cartilha: O que os pescadores e pescadoras artesanais precisam saber sobre o Coronavírus (Covid-19)?

Você pode fazer o download da cartilha aqui no ÁguasML:

Leia atentamente, aprenda algo que talvez seja novo para você e compartilhe!

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O que os pescadores e pescadoras artesanais precisam saber sobre o Coronavírus?

Por: Pacha Men

Águas Mídia Livre - Brasil - Bem comum em mídia livre

Para responder perguntas de como evitar a contaminação pelo Coronavírus ou sobre como realizar a pesca nesses tempos de pandemia, o Grupo Observatório dos Impactos do Coronavírus nas Comunidades Pesqueiras acaba de lançar uma cartilha que tenta, de maneira leve, responder essas questões.

Direcionada para as comunidades pesqueiras, a publicação tem o objetivo de ser um instrumento de formação, que ajude a tirar as principais dúvidas dos pescadores e pescadoras artesanais.

Saiba mais visitando o site do Grupo Observatório dos Impactos do Coronavírus nas Comunidades Pesqueiras ↗

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Infodemia tem tornando resposta às emergências de saúde ainda mais difícil, afirma OPAS

Jovem mexe no celular em escola em Cebu, nas Filipinas. Foto: UNICEF/Estey

Jovem mexe no celular em escola em Cebu, nas Filipinas. Foto: UNICEF/Estey

A infodemia — um aumento significativo no volume de informações, corretas ou não, sobre um tema específico — tem dificultado a resposta à pandemia de COVID-19, afirmou na sexta-feira (14) a representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, Socorro Gross, na aula inaugural da especialização Comunicação em Saúde, promovida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Brasília.

Após saudar os 30 alunos selecionados para a primeira turma da pós-graduação, Gross falou sobre a relevância da parceria com a Fiocruz, pontuando que um dos pilares fundamentais da estratégia de promoção da saúde é a comunicação em saúde.

“No curto período em que vivemos esta terrível pandemia, uma grande quantidade de informações, muitas delas falsas, inundou os diferentes canais que existem, como as redes sociais e os meios de comunicação.”

“Muitas pessoas estão se perguntando qual notícia é a correta e, por isso, essa formação é tão importante – não só por levar à população as informações certas, mas também pela oportunidade de combater as notícias falsas que causam tantos danos à população e trazem insegurança”, ressaltou Gross.

Segundo a representante da OPAS no Brasil, o curso formará pessoas e profissionais que contribuirão para a construção de uma saúde universal, fortalecendo a democracia da comunicação, permitindo às pessoas ter acesso a informações oportunas para que possam proteger a si e a suas famílias das ameaças à saúde.

A especialização, estruturada em sete módulos, foi lançada em janeiro deste ano com palestra magna de Renata Schiavo, professora da Universidade de Columbia. A OPAS é parceira da Fiocruz Brasília para a realização da pós-graduação e coordenará, junto ao Ministério da Saúde, o módulo Saúde e Mídias, previsto para ocorrer em fevereiro de 2021.

A aula inaugural da pós-graduação — transmitida virtualmente aos alunos e interessados no tema com mediação do coordenador de comunicação da Fiocruz Brasília, Wagner Vasconcelos — contou com palestras da pesquisadora da Universidade de Buenos Aires, Monica Petracci, e do professor da Universidade Jonhs Hopkins, Benjamin Lozare.

Na ocasião, a Fiocruz Brasília também lançou o e-book “Fake News e Saúde”, organizado pela assessoria de comunicação da instituição com base no “VI Seminário Nacional e II Seminário Internacional As Relações da Saúde Pública com a Imprensa: Fake News e Saúde”, realizados em março de 2019.

O curso, inicialmente previsto para acontecer presencialmente, precisou ser adaptado devido ao distanciamento físico imposto pela pandemia de COVID-19. “Se nosso encontro de hoje fosse presencial, estaríamos recebendo os alunos no jardim da Fiocruz, mas por força da necessidade de cuidado, trabalhamos para garantir esta transmissão ao vivo”, disse Fabiana Damásio, diretora da Fiocruz Brasília.

“Os tempos são difíceis e demandam de nós compreensão, atenção e a desafiadora tarefa de mantermos viva a nossa rede de afetos com o auxílio das ferramentas virtuais. Diante das dificuldades, nós assumimos o desafio de ofertar o curso virtualmente”.

Cristiane Machado, vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, ressaltou que para a Fundação, a “comunicação não é uma área meio e sim uma área finalística, porque remete ao direito dos cidadãos de ter acesso a informações confiáveis, possibilidade de diálogo, ou seja, um conjunto abrangente de direitos que estende a possibilidade de acesso a outros direitos”.

Consumo desenfreado de desinformação

Em sua palestra, a pesquisadora argentina Mónica Petracci abordou, entre outros temas, as mudanças no modelo de comunicação em saúde exigidas pelos meios digitais e os desafios impostos pelo agravamento da infodemia durante a COVID-19.

“A emergência sanitária desencadeou um consumo desmensurado de desinformação. A OMS definiu como infodemia, ou pandemia de desinformação, uma rede de comunicação que é a porta de entrada para a presença da desinformação. Vale a pena estudarmos o peso dos diferentes atores que produzem esta infodemia”, explicou.

Com base em um artigo publicado ao fim de 2019, a pesquisadora argentina também apresentou uma agenda propositiva para lidar com pandemias em termos de comunicação.

“Os números colocam em evidência que as linguagens especializada e jornalística são difíceis de conciliar. Mostrar uma curva ou uma medida requer o conhecimento de especialistas, mas muitas vezes eles não consideram o papel da compreensão desses números.”

“Os comunicadores têm como tarefa não naturalizar esses dados. A comunicação de pessoas mortas foi naturalizada, mas essas pessoas são histórias, existe luto e dor por trás de tudo isso”. Para Petracci, recorrer às mídias sociais é algo muito importante neste momento desde que se saiba avaliar as características de cada uma delas para trazer mensagens de maneira clara.”

Comunicação eficaz depende de aprendizado contínuo

Benjamin Lozare deu ênfase à importância do aprendizado e da liderança na comunicação durante a COVID-19 e outras pandemias que ainda virão: “a base da função de liderança em comunicação é crucial. Para mudarmos os outros, precisamos mudar a nós mesmos em primeiro lugar”.

De acordo com o professor da Universidade Jonhs Hopkins, momentos de crise são também momentos que oferecem a grande oportunidade de aprender e aprimorar o que já se sabe. “Temos que questionar tudo. A síndrome do “eu sei, eu sei” (IKIK, em inglês) quer dizer que podemos parar de aprender. E precisamos aprender com outras culturas. Nós cometemos erros, mas isso faz parte do processo de aprendizado.”

Segundo o professor, a forma como podemos comunicar e liderar depende diretamente de como vemos e nos relacionamos com os outros. “A COVID-19 é um problema que apresenta diversos desafios em termos de liderança. Ainda não saímos da nossa zona de conforto”. Para Lozare, a equação mais adequada para uma comunicação efetiva neste contexto é a combinação entre liderança e um bom gerenciamento.

“O ideal talvez seja o mínimo de ‘lidar com o problema’, mas com o apoio de uma boa gerência e liderança. E muitas vezes olhamos para a liderança como alguém que está no topo, mas existem líderes em todos os níveis de uma organização, do mais alto ao mais baixo.”

“Uma comunicação em saúde eficaz é um investimento, não um gasto, pois temos retorno: salva vidas, economiza dinheiro e é crucial nos resultados de saúde”, afirmou Lozare, que também salientou a necessidade de uma comunicação mais clara, com um público-alvo bem definido e com mensagens-chave claras para as pessoas – evitando muitas mensagens ao mesmo tempo, o que pode confundi-las.

“Nossas campanhas de comunicação em saúde ainda têm muitas mensagens, fazendo com que a mensagem principal se perca. Precisamos também mostrar benefícios claros às pessoas e não dar ordens e falar em tom de autoridade.”

Medo de exposição à COVID-19 afeta cobertura vacinal nas Américas

Pesquisas internas realizadas pela OPAS mostram redução na cobertura vacinal nas Américas durante a pandemia. Foto: OPAS

Embora os países das Américas tenham implementado estratégias inovadoras para impulsionar os programas de imunização durante a pandemia da COVID-19, a preocupação com o risco de exposição ao novo coronavírus, bem como os desafios de acesso aos serviços durante o confinamento, levaram a uma redução na cobertura vacinal, mostram os resultados de uma série de pesquisas internas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

As pesquisas foram realizadas com consultores dos programas de imunização da OPAS em 16 países da América Latina e 22 do Caribe e revelam que, à medida que as políticas de confinamento diminuíram e foram relaxadas, a oferta de serviços regulares de vacinação aumentou.

Isso se deve à implementação de medidas como a vacinação drive-thru, postos móveis de vacinação, vacinação em domicílios e outros locais estratégicos como bancos e escolas vazias, além da comunicação digital para enfatizar a importância da imunização durante uma pandemia.

Apesar desses esforços, no entanto, o Resumo da Situação dos Programas Nacionais de Imunização durante a Pandemia da COVID-19 revelou que a preocupação pública em torno do risco de exposição à COVID-19 afetou a demanda por serviços de vacinação. Outras questões, como confinamento ou distanciamento físico, bem como limitações no transporte público, também levaram à redução da cobertura vacinal e ao aumento das lacunas existentes.

Relatórios de 23 países revelam uma diminuição entre 12% e 14% no número de doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP) e da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (conhecida no Brasil como tríplice viral) administradas em crianças – se comparadas com o mesmo período do ano passado, principalmente em março.

O chefe do Programa de Imunização da OPAS, Cuauhtemoc Ruiz Matus, enfatizou a necessidade de “os países continuarem a implementar medidas e estratégias inovadoras para alcançar aqueles que não foram vacinados”. Ele também pediu esforços de comunicação “para transmitir mensagens à população sobre a importância da imunização e para manter as pessoas saudáveis e protegidas contra doenças evitáveis por vacinação”.

Na pesquisa, participantes de 17 países relataram um impacto na vigilância epidemiológica devido à mudança nas prioridades para os casos de SARSCoV-2. No entanto, outros fatores, como recursos humanos dedicados para a resposta à pandemia, redução das investigações de campo e triagens para doenças evitáveis por vacinas, bem como a suspensão do envio de amostras para análise, também dificultaram a vigilância. Os participantes da pesquisa também indicam que a notificação de casos diminuiu significativamente.

O fechamento das fronteiras internacionais e problemas com o transporte internacional também levaram a dificuldades na entrega de vacinas e suprimentos para programas nacionais de imunização, com entrevistados de 18 países (47%) relatando problemas nesta área.

Daqueles que responderam a pesquisa em 38 países, 12 também enfatizaram a interrupção dos serviços laboratoriais devido à redefinição de prioridade do trabalho de diagnóstico de casos da COVID-19.

A publicação analisou os resultados de pesquisas realizadas a cada duas semanas de abril até 6 de julho de 2020. Os inquéritos mostram que os serviços de vacinação de rotina têm aumentado lentamente nos últimos meses. Todos os entrevistados relataram na pesquisa mais recente que os serviços de vacinação estavam abertos.

Como identificar e amparar mulheres vítimas de violência, orienta pesquisadora

Jackeline Romio é doutora em demografia e pesquisadora sobre violência contra mulheres. Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Com o objetivo de informar as mulheres sobre como acontece a violência baseada em gênero e os mecanismos para prevenção e denúncia, a doutora em demografia Jackeline Romio conversou com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e com o Departamento Nacional do Sesc.

A pesquisadora considera ser fundamental o engajamento das comunidades na luta pelo fim da violência praticada contra as mulheres. Segundo ela, neste momento de pandemia, o isolamento social pode gerar mais tensões, novos casos podem aparecer e os que já existem tornam-se mais frequentes.

A entrevista, que faz parte da campanha promovida pelo UNFPA e Sesc, tem como objetivo apoiar as mulheres, reforçar a importância de falar sobre a violência doméstica e sobre o direito das mulheres a uma vida com segurança, liberdade e paz. Além de informar como elas podem se prevenir.

Confira abaixo a entrevista completa com a pesquisadora.

UNFPA e Sesc: Como uma mulher pode identificar se está sofrendo violência? Existem alguns sinais? Onde ela pode ter ajuda para fazer essa identificação?

Há vários sintomas da violência no cotidiano de vida das mulheres, o isolamento é um deles. Uma das ferramentas do agressor é isolar a mulher, com isso se enfraquece a rede de possíveis apoios à mulher. A ausência de comunicação deve ser um alerta as pessoas que vivem em torno da mulher que vive a violência. Mesmo as meninas também tendem a ficarem mais caladas e distantes no auge das agressões e esse deve ser um padrão a ser observado por professoras, amigas e vizinhas, para conseguir intervir na violência de gênero que vê no silêncio e isolamento social seus maiores aliados.

UNFPA e Sesc: Quando se fala em prevenir a violência de gênero, sempre pensamos em macroações. Mas o que cada um e cada uma pode fazer, em suas comunidades, para prevenir essas violências?

A violência de gênero, por ser naturalizada na sociedade, é de difícil prevenção, devido às normas sociais que minimizam o sofrimento cotidiano de meninas, adolescentes e mulheres, como o poder masculino dentro das relações domésticas e familiares, por exemplo. A divulgação de informações de qualidade destinada a desmascarar esta naturalidade é uma atitude que as cidadãs e os cidadãos podem fazer para mudar esta realidade desde a comunidade.

UNFPA e Sesc: Um exemplo disso é aquela velha história de “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, não é mesmo? Como evitar esse comportamento?

Sim, outra atitude que ajuda a prevenir a violência de gênero é a solidariedade com as vítimas das agressões sexistas. A comunidade é cúmplice da violência de gênero quando assiste, sem reação, às amigas, vizinhas e familiares sofrendo da violência conjugal, doméstica, familiar e sexual, ali ao seu lado, sem assumir o papel ativo de barrar a violação, especialmente utilizando o Disque 180, que pode ser acionado de forma anônima para qualquer denúncia de atos de violência. Também para o caso de arbitrariedade policial e tortura pode-se ligar para o Disque 100, que recebe denúncias da violação dos direitos humanos.

UNFPA e Sesc: Então, quando a pessoa sabe de uma situação de violência com uma amiga ou uma vizinha, por exemplo, como ela deve proceder?

É fundamental identificar situações de violência de gênero encarando-as com seriedade e compromisso. Ao perceber que uma amiga, vizinha ou aluna esteja em uma situação de violência, seja física, sexual ou psicológica, deve-se tomar partido por meio de ajuda. A covardia do machista pode ser barrada com a presença ativa da comunidade naquele contexto, o que é raro, pois a maioria prefere “não se meter”, até mesmo por medo da segurança pessoal.

De qualquer forma, as denúncias anônimas e o apoio, seja na escuta, seja na presença e ligações para apoiar as vítimas que perpassam seu ciclo próximo de convívio, são fundamentais. Não feche a cortina, não vire as costas, não pense que é normal uma menina, adolescente, mulher estar isolada e sozinha num convívio violento. Essa ação solidária pode salvar vidas, ligue 180, visite uma familiar em contexto de violência, tome partido pela vida das mulheres!

UNFPA e Sesc: E para quem não flagrou nenhum comportamento violento, mas deseja se engajar nesta luta, como fazer?

Uma boa atitude é não compartilhar material que reforce os estereótipos, que autorizem a violência contra as meninas, adolescentes e mulheres. Não consuma pornografia infantil, não compartilhe meme sexistas e racistas em suas redes sociais. Divulgue informação sobre formas de identificar e prevenir a violência de gênero.

 

 

ONGs parceiras concluem primeira fase de entregas da campanha Compra Solidária

Clique para exibir o slide.

Organizações não governamentais (ONGs) parceiras da campanha Compra Solidária do Carrefour Brasil concluíram na semana passada a distribuição de 6 mil cartões de alimentação de 100 reais cada em 12 estados e no Distrito Federal.

A arrecadação foi feita pelo Carrefour, enquanto o Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (WFP) das Nações Unidas coordenou a atuação das ONGs parceiras Ação da Cidadania, Cáritas, Diaconia e Fundação Amazônia Sustentável (FAS).

A maior parte dos cartões foi entregue diretamente às famílias, possibilitando a compra direta, em estabelecimentos locais, dos itens de necessidade básica escolhidos pelas famílias.

Para a entrega em comunidades mais isoladas no estado do Amazonas, a FAS usou os cartões para compor cestas de alimentos que foram entregues às famílias. O Centro de Excelência do WFP inicia agora a segunda fase de distribuição, com 8.898 cartões.

Saiba mais sobre o que essa ação significou para as famílias beneficiadas:

Para esta campanha, a Ação da Cidadania distribuiu 700 cartões em bairros de São Luís e de Paço do Lumiar (MA). Antônia Célia, de 44 anos, moradora da comunidade Vila Vitória, em São Luís, foi uma das beneficiadas.

“Estamos agradecidos por receber esse tíquete de alimentação de 100 reais. A gente já recebia ajuda antes, mas agora foi diferente porque podemos escolher o que comprar de acordo com a nossa necessidade, então estamos muito gratos por isso”, disse.

Já a Cáritas distribuiu 3,4 mil cartões em 11 regiões metropolitanas de norte a sul do país. Em Belo Horizonte (MG), a ONG entregou os cartões para famílias da ocupação Pátria Livre e moradores da comunidade Pedreira Padro Lopes, além de catadores e catadoras de materiais recicláveis da capital mineira.

“Nós catadoras estamos sem trabalhar, não temos retirada de materiais. Então, esse é um momento bem difícil para nós e os cartões irão trazer alegria para as mesas de muitas famílias”, disse Silvana Assis, presidente da Cooperativa Solidária dos Recicladores e Grupos Produtivos do Barreiro e Região.

A Diaconia distribuiu 1,1 mil cartões em áreas rurais e urbanas de Ceará, Paraíba e Pernambuco, por meio de articulações com grupos comunitários e igrejas parceiras. De acordo com a ONG, o formato de cartão possibilitou que as famílias escolhessem o que e onde comprar.

“Eu pude comprar outras coisas que não estão na cesta básica, por exemplo, goma de tapioca, bolacha, carne, frutas, legumes e verduras. A gente pôde escolher e comprar um pouco de cada”, disse Silva Rangel, de 56 anos, que recebeu um dos cartões. Ela está desempregada e mora com outros quatro familiares no Recife (PE).

Já a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) recebeu 700 cartões e os utilizou para compor cestas de alimentos que foram distribuídas a comunidades mais afastadas do estado do Amazonas.

Na Reserva de Desenvolvimento Sutentável Canumã, 455 famílias foram beneficiadas, enquanto que a Floresta Estadual de Maués, 813 famílias receberam alimentos. O processo de entrega durou vários dias e incluiu viagens de barco.

Até agora, a campanha já arrecadou mais de 1,6 milhão de reais, valor que foi dobrado pela contribuição do Carrefour.

Para doar e saber mais sobre as outras instituições parceiras, acesse comprasolidaria.carrefour.com.br

 

Especialistas destacam importância da atenção primária à saúde em meio à pandemia

Pandemia da COVID-19 causou impactos na atenção primária, inclusive com a paralisação de alguns serviços logo no pico da doença. Foto: Reprodução

Pandemia da COVID-19 causou impactos na atenção primária, inclusive com a paralisação de alguns serviços logo no pico da doença. Foto: Reprodução

O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Pará (Cosems/PA) em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) realizou na última semana um webinário com o tema “Experiência do Distrito Federal nos serviços da Atenção Primária à Saúde, com ênfase na saúde da mulher durante a pandemia”.

O evento teve como palestrante o coordenador de Atenção Primária da Secretaria Estadual de Saúde do Distrito Federal, Fernando Erick. O evento online contou ainda com a participação do presidente do Conselho, Charles Tocantins, e da oficial de programa em Saúde Sexual e Reprodutiva da UNFPA, Nair Souza.

Erick apresentou a estrutura da Atenção Primária do Distrito Federal, destacando os números e características dos casos da COVID-19 no estado. Ele ainda fez uma explanação sobre as estratégias tomadas, além de apresentar a expansão e qualificação dos serviços da atenção primária no atual cenário de pandemia.

“Estamos numa situação atípica muito delicada no âmbito da saúde. Tivemos de fazer adaptações dos serviços diante das circunstâncias provocadas pela pandemia. Isso nos obrigou a mudar a forma de trabalho e determinou toda nossa rotina”, disse Erick.

De acordo com Charles Tocantins, a pandemia teve impactos na atenção primária, inclusive com a paralisação de alguns serviços logo no pico da doença. Ele ressaltou que a região amazônica lidou com consequências mais graves devido às dificuldades de acesso e até mesmo para a fixação de médicos no interior.

“Percebemos que a experiência do Distrito Federal tem sido bem sucedida, visto que eles têm uma estruturação muito bem elaborada, principalmente relacionada aos recursos humanos. Outro fator positivo é a qualificação das equipes diante da pandemia e o planejamento da rotina”, disse.

Ele lembrou que o COSEMS firmou parceria com a UNFPA para a promoção de diversas atividades conjuntas voltadas à saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes e garantia de direitos das mulheres.

Entre as ações está o projeto para a Ilha do Marajó, que inclui a distribuição de kits dignidade a gestantes e puérperas, que contém insumos para higiene pessoal. Nair Souza reforçou a importância da parceria com o Conselho com a UNFPA, lembrando os próximos eventos a serem realizados. “Além disso, teremos ainda outros webinários a cada quinze dias voltados para essa temática”, lembrou.

OMS pede solidariedade no financiamento, garantindo igualdade de acesso à futura vacina COVID-19

Menino realiza exame de saúde em meio a casos de COVID-19 na cidade de Muntinlupa, nas Filipinas. Foto: OIT/Minette Rimando

Menino realiza exame de saúde em meio a casos de COVID-19 na cidade de Muntinlupa, nas Filipinas. Foto: OIT/Minette Rimando

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse na quinta-feira (13) que seis meses depois de soar o alarme internacional sobre a COVID-19, a agência da ONU está agora intensamente focada nos testes necessários para as pesquisas de vacinas e em garantir acesso rápido, justo e equitativo a para todos os países.

Com os efeitos em cadeia afetando a vida das pessoas, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse durante coletiva de imprensa em Genebra que, para seguir em frente, “a melhor aposta é fazermos isso juntos”.

O Acelerador de Acesso às Ferramentas COVID-19 (ACT), lançado em abril, mostrou resultados, disse Tedros, com nove vacinas candidatas no portfólio do mecanismo COVAX, projetado para garantir o acesso rápido, justo e equitativo às vacinas contra COVID-19 em todo o mundo, agora avançando pelos testes de Fase 2 ou 3.

O portfólio, o mais amplo do mundo, está em expansão, acrescentou. Países que representam 70% da população global se registraram ou expressaram interesse em fazer parte da iniciativa.

Em termos de tratamento, ele disse que a primeira terapia comprovada para COVID-19 grave, a dexametasona, foi anunciada em junho e agora está ganhando escala. Mais de 50 testes estão em avaliação e novas evidências foram geradas em torno dos testes de detecção rápida de antígenos que podem estar “mudando o jogo”.

FMI: pandemia custará US$12 trilhões em dois anos

Salientando que o Acelerador ACT é a única estrutura global para garantir a alocação justa e equitativa das ferramentas COVID-19, ele disse que, para ter sucesso, esta deve ser adequadamente financiada.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a pandemia esteja custando 375 bilhões de dólares por mês e prevê uma perda cumulativa de 12 trilhões de dólares para a economia global em dois anos.

Só o G-20, grupo de economias mais ricas, mobilizou mais de 10 trilhões de dólares em estímulos fiscais para tratar e mitigar as consequências da pandemia – três vezes e meia o que o mundo liberou para enfrentar a crise financeira global de 2008.

Por outro lado, o financiamento do Acelerador ACT custará uma “pequena fração” em comparação com a alternativa, que é as economias retraírem ainda mais e exigirem pacotes de estímulo fiscal contínuos, disse Tedros.

Antes de gastar mais 10 trilhões de dólares nas consequências da próxima onda, ele disse que o mundo precisará gastar pelo menos 100 bilhões de dólares em novas ferramentas, especialmente quaisquer novas vacinas que sejam desenvolvidas.

A necessidade mais imediata é de 31,3 bilhões de dólares para o Acelerador ACT — a única iniciativa ativa que reúne todas as pesquisas globais, fabricação, estipulações regulatórias, compras e aquisições necessárias para acabar com a pandemia.

Divulgue o risco, compartilhe a recompensa

“Escolher vencedores individuais é uma aposta arriscada e cara”, disse ele. “O Acelerador ACT permite que os governos distribuam o risco e compartilhem a recompensa.”

Para ser seguro, o desenvolvimento de vacinas é longo, complexo, arriscado e caro, disse Tedros, observando que a grande maioria falha nos estágios iniciais.

O mundo precisa de múltiplas vacinas candidatas para maximizar as chances de encontrar uma vencedora que funcione.

‘Nacionalismo vacinal’

O excesso de demanda e a competição pelo fornecimento já estão acelerando o “nacionalismo da vacina” e o risco de aferição de preços, disse ele: o tipo de falha de mercado que somente a solidariedade global, o investimento público e o engajamento podem resolver.

A lacuna de financiamento do Acelerador ACT não pode ser coberta apenas pela ajuda tradicional ao desenvolvimento, disse ele. A melhor solução é uma combinação de ajuda ao desenvolvimento e financiamento de pacotes de estímulo. É a maneira mais rápida de acabar com a pandemia e garantir uma rápida recuperação global.

Os investimentos em estímulos e a implementação coordenada de novas vacinas, testes e tratamentos terão um grande efeito multiplicador nas economias globais. “Há esperança”, disse ele. “Se todos nós implantarmos as ferramentas à nossa disposição hoje e investirmos coletivamente em novas (vacinas) por meio do Acelerador, teremos uma rota para sair desta pandemia.”

Rafael Sanz, migrant and tireless hero caring for others

 

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Every day since the beginning of the pandemic Rafael Sanz, driver for the UN Population Fund (UNFPA) in Roraima, Brazil, follows a careful routine when arriving home after an intense day of work on the front lines. He takes off his shoes, undresses and showers in an improvised stall in the backyard of his house.  These extra safety measures are justified. Rafael, who is Venezuelan, resides in Boa Vista, in the North of Brazil, with his wife and his 13-year-old son, Guierry Pierre, who lives with Duchenne muscular dystrophy and is considered to be in the high risk category for contracting COVID-19.

It was with Guierry in mind that Rafael left Venezuela in 2016. Duchenne’s syndrome is a degenerative disease and has no cure, but the best treatment for this condition is available in São Paulo, where the family often goes. “The disease is advancing very fast, Guierry no longer walks or stretches his legs. But the treatment helps to slow the progression of the disease. His body may be weak, but his mind is very strong. He’s a smart boy and loves to use the computer”, said his proud father.

Rafa – as he is known – is a fundamental part of UNFPA’s humanitarian assistance team, which directly serves migrants and refugees, acting strategically, so that the missions take place safely. During the pandemic, he assisted with the delivery of Dignity Kits, containing personal hygiene items, such as soap and alcohol gel, to help prevent COVID-19 among the highly vulnerable population.

Tireless and always with a smile on his face, Rafa is extremely kind to both team members and beneficiaries. “Rafael is an exceptional human being and his personal story strengthens us all”, said the head of the UNFPA office in Roraima, Igo Martini.

Rafael started working for UNFPA in 2018, two years after arriving in Brazil. He joined the UN after completing a Portuguese language course for foreigners. His work has been an even greater source of pride during the pandemic, despite the risks. “We’re extremely careful. I see that people are very happy when we deliver the kits with basic necessities. They are so happy that they want to hug us. But we explain that they can’t”, he said. “It’s great to be able to work, remain in this agency and help my Venezuelan brothers and sisters. I feel very proud”, he concluded.

Rafael Sanz, migrante e herói incansável no cuidado com o próximo

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Todos os dias, desde o princípio da pandemia, o motorista e apoio em operações do Fundo de População da ONU (UNFPA) em Roraima, Rafael Sanz, adota uma cuidadosa rotina ao chegar em casa após um intenso dia de trabalho em campo. Ele tira os sapatos, se despe e toma banho em um chuveiro improvisado do lado de fora da casa, no quintal. Os cuidados redobrados têm razão de ser: Rafael, que é venezuelano, mora em Boa Vista com a esposa e o filho de 13 anos, Guierry Pierre, que vive com distrofia muscular de Duchenne e integra o grupo de risco da COVID-19.

Foi pensando em Guierry que Rafael deixou a Venezuela, em 2016. A síndrome de Duchenne é uma doença degenerativa e não tem cura, mas o melhor tratamento disponível para Guierry é feito em São Paulo, para onde a família vai com frequência. “A doença avança muito rápido, Guierry já não anda nem estica as pernas. Mas o tratamento ajuda a frear esse avanço. Seu corpo pode estar fraco, mas sua mente está bem forte. Ele é um menino esperto e adora mexer no computador”, conta o pai, orgulhoso.

Mais do que o responsável pelo deslocamento das equipes do Fundo de População da ONU em Roraima, Rafa, como é conhecido, é peça fundamental do time de assistência humanitária, que atende diretamente as pessoas migrantes e refugiadas, atuando estrategicamente para que as missões ocorram em segurança. Durante a pandemia, ele tem auxiliado na entrega dos Kits Dignidade, contendo itens de higiene como sabonete e álcool em gel e uma das principais frentes de trabalho do UNFPA para ajudar a prevenir a COVID-19 entre pessoas que enfrentam situação de grande vulnerabilidade.

Incansável, sempre com o sorriso a postos e uma gentileza inata, o integrante do time é extremamente querido tanto pelos membros da equipe quanto pelos beneficiários. “O Rafael é um ser humano excepcional e sua história de vida fortalece a todos nós”, relata o chefe do escritório do Fundo de População da ONU em Roraima, Igo Martini.

Rafael começou a trabalhar para o Fundo de População da ONU em 2018, dois anos após chegar ao Brasil. Ele chegou ao Sistema ONU por intermédio de um curso de português para estrangeiros. Seu trabalho tem sido uma fonte ainda maior de orgulho durante a pandemia, apesar da preocupação. “Nós somos extremamente cuidadosos. E eu vejo que as pessoas ficam muito felizes quando entregamos os kits e cestas básicas. Ficam tão felizes que querem abraçar a gente. Então explicamos que não pode”, relata ele. “É muito bom poder trabalhar, permanecer nesta agência e ajudar os meus irmãos e irmãs venezuelanos. Eu me sinto muito orgulhoso”, conclui.

UNICEF e SuperVia distribuem itens de higiene e limpeza em comunidades vulneráveis do Rio

Kits com material de limpeza e higiene estão empilhados em um carrinho para distribuição. Foto: João Laet/UNICEF

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a SuperVia, empresa responsável pelo serviço de trens urbanos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, iniciaram a distribuição de kits com materiais de higiene pessoal e limpeza na semana passada (6). Ao todo, 2.345 famílias de comunidades que margeiam a linha férrea no Rio de Janeiro serão beneficiadas.

A distribuição é feita com a ajuda de ONG’s que atuam nessas comunidades e é focada em famílias lideradas por mulheres e/ou jovens mães. Os kits começaram a ser entregues nas comunidades da Pedreira, Chapadão e Palmeirinha, localizadas na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, e Muquiço e Providência, no Centro da capital fluminense. A distribuição seguirá ao longo de agosto e terá, no total, mais de 112,5 mil itens de limpeza e higiene.

A doação beneficiará cerca de 9,4 mil pessoas e será feita com recursos da Fundação Mitsui Bussan do Brasil, que faz parte da Mitsui & Co. (Brasil) S.A., uma das empresas japonesas que detêm o controle acionário da concessionária.

Como lavar as mãos e manter a limpeza dos ambientes são medidas efetivas de prevenção contra o novo coronavírus, a ação foi concentrada em doar itens que ajudem na higiene pessoal e limpeza das casas. O kit de higiene pessoal e doméstico foi montado considerando a necessidade de uma família de quatro pessoas, durante um mês, e cada família receberá dois deles.

Os kits são compostos por dez sabonetes, cinco sabões em pedra, dois detergentes líquidos, quatro frascos de álcool em gel (430 ml), três litros de água sanitária e três pacotes de absorvente higiênico. Também estão sendo entregues folhetos educativos com dicas de prevenção.

“O sistema ferroviário do Rio de Janeiro é margeado por diversas comunidades com população de baixa renda e carente de infraestrutura e saneamento. Com o cenário de crise instaurado no País em função da pandemia do novo coronavírus, a população que vive em situação de vulnerabilidade é quem mais precisa de ajuda para conseguir sobreviver. Como estamos contando com a parceria do UNICEF, as doações serão destinadas a famílias com crianças e adolescentes”, informou o presidente da SuperVia, Antonio Carlos Sanches.

A coordenadora do UNICEF na Região Sudeste, Luciana Phebo, reforçou que cuidar da higiene e proteger a saúde é um direito básico de cada criança, cada adolescente, cada família. “Diante da pandemia da COVID-19, é essencial buscar alternativas para que as famílias – especialmente as mais vulneráveis – tenham acesso a itens críticos de higiene e limpeza, e também à informação confiável. Por isso, estamos muito satisfeitos em chegar a mais famílias em parceria com a SuperVia e a Fundação Mitsui Bussan do Brasil”.

Por preocupação e indicação da SuperVia, as comunidades beneficiadas estão localizadas nos cinco ramais atendidos pela concessionária. A seleção das comunidades contempladas foi feita pelo UNICEF e a SuperVia levando-se em conta aquelas com alta vulnerabilidade social e com projetos já realizados pelo Fundo ou por seus parceiros.

Ramal Deodoro: Muquiço; Providência; Morro do Pinto.
Ramal Santa Cruz: Curral das Éguas; Vila Vintém.
Ramal Japeri: Caixa d’água; Chatuba.
Ramal Saracuruna: Vigário; Lixão.
Ramal Belford Roxo: Pedreira; Chapadão; Palmeirinha.

Além de a doação, a ação está envolvendo o fortalecimento de cinco núcleos de jovens dessas comunidades para produção e divulgação de conteúdo sobre prevenção ao novo coronavírus em canais digitais.

Outras ações de prevenção
Desde os primeiros sinais de transmissão da doença no Estado do Rio de Janeiro, a SuperVia adotou uma série de medidas preventivas. Equipes extras de limpeza realizam a desinfecção dos trens quando chegam à Central do Brasil, antes de suas partidas para novas viagens, durante todo o dia. A limpeza é feita no interior das composições, como em balaústres, alças pega-mão e bagageiros.

As estações de maior movimento também estão recebendo higienização especial nas catracas e validadores. Paralelamente, a SuperVia está utilizando os seus canais de comunicação para divulgar informações de prevenção à COVID-19.

Fundação Mitsui Bussan do Brasil
A Fundação Mitsui Bussan do Brasil foi criada em fevereiro de 2008 pela Mitsui & Co. (Brasil) S.A., Mitsui Rail Capital Latin America (MRCLA), Mitsui Alimentos e Mitsui Gás e Energia do Brasil.

A Fundação apoia atividades nas áreas de educação, meio ambiente, social e intercâmbio bilateral entre o Japão e o Brasil, com o objetivo de contribuir para o fortalecimento da relação e colaboração entre os dois países.

Novo selo reconhecerá tribunais brasileiros que se destacarem na incorporação dos objetivos globais

Relatório mostrou que apenas 21% dos presidentes de empresas do mundo acreditam que os negócios têm um papel importante para a conquista dos objetivos globais. Foto: ONU

Selo visa divulgar as ações dos tribunais brasileiros associadas à Agenda 2030 e aos objetivos globais. Foto: ONU

Os tribunais brasileiros que tiverem melhor desempenho no cumprimento das metas relacionadas aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) serão premiados com o Selo CNJ – Agenda 2030.

O selo é uma iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com a ONU Brasil e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O objetivo é divulgar as ações dos tribunais associadas à Agenda 2030. Na fase atual dos trabalhos, o Conselho prepara o edital para apresentação das condições e seleção dos projetos.

“Saúdo a continuada e incansável liderança do CNJ na institucionalização da Agenda 2030 e sua incorporação como agenda oficial de direitos humanos do Poder Judiciário brasileiro”, disse o coordenador-residente da ONU Brasil, Niky Fabiancic, ao participar na segunda-feira (10) do II Encontro Ibero-Americano da Agenda 2030 no Poder Judiciário Brasileiro, em Brasília (DF).

Niky Fabiancic, coordenador-residente da ONU Brasil. Foto: UNIC Rio/Luise Martins

Niky Fabiancic, coordenador-residente da ONU Brasil. Foto: UNIC Rio/Luise Martins

“Esse trabalho, promovido pelo presidente da Suprema Corte, ministro Dias Toffoli, provê um exemplo de inovação para outros países na região, rumo à institucionalização da Agenda 2030”, declarou.

O II Encontro Ibero-Americano da Agenda 2030 no Poder Judiciário teve como objetivo compartilhar e difundir boas práticas e desafios, bem como conhecer as experiências de outros países, rumo à institucionalização da Agenda 2030.

A Agenda 2030 é um plano de ação formado por 17 grandes objetivos e 169 metas para países, sociedade e cidadãos comprometidos e interessados no desenvolvimento sustentável. Entre as diretrizes mundiais constam erradicação da pobreza e da fome, educação de qualidade, redução das desigualdades, trabalho decente e desenvolvimento econômico. Diretamente identificadas com a esfera judiciais estão a busca de paz e justiça e instituições eficazes.

“Faltando apenas uma década para cumprir os 17 ODS, nos encontramos no meio de uma emergência sanitária global. Podemos afirmar que a América Latina e Caribe é a região mais afetada em termos de números de vidas perdidas. Além disso, os efeitos da pandemia de COVID-19 são agravados em nossa região da America Latina e Caribe por sistemas de saúde fragmentados, desigualdades profundas, desemprego alto e sistemas de proteção social frágeis”, lembrou Fabiancic.

“Assim, o senso de urgência da execução da Agenda 2030 se impõe com ainda mais força, chamando os países da região a não só fazer o melhor esforço para mitigar o impacto da pandemia, mas também a se reconstruírem melhor do que antes, com democracias fortalecidas, direitos humanos protegidos e sustentabilidade.”

O evento, realizado pelo CNJ, teve a participação do vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, e do embaixador Ronaldo Costa Filho, chefe da missão do Brasil na ONU.

As Nações Unidas no país assinaram no ano passado um memorando de entendimento com o Poder Judiciário, visando a colaboração com o CNJ para a incorporação dos 17 ODS no trabalho do sistema de Justiça do país.

Conheça jovens agroempresários que estão adaptando seus negócios em meio à pandemia

Karina Brito e sua equipe adaptaram seu negócio de agroecoturismo na Guatemala. Foto: FAO

Karina Brito e sua equipe adaptaram seu negócio de agroecoturismo na Guatemala. Foto: FAO

Desde o início da COVID-19, a vida mudou para empreendedores e empresas em todo o mundo. Devido a bloqueios e restrições de deslocamento, os pequenos agricultores e empresas rurais não têm conseguido acessar os mercados para vender sua produção ou outros produtos.

Como muitas vezes os jovens que trabalham no meio rural têm pouco ou nenhum acesso à seguridade social, eles sofrem desproporcionalmente com as restrições da pandemia aos negócios. Em geral, os jovens também já enfrentam maiores taxas de desemprego e subemprego em comparação com os adultos.

No entanto, experientes com o uso da tecnologia, os jovens empresários agrícolas estão adaptando rapidamente seus modelos de negócios e usando ferramentas digitais a seu favor. Aceitar pedidos online com pagamentos móveis, oferecer entrega em domicílio, comercializar produtos nas redes sociais, usar as TICs para trabalhar em casa e fazer aulas online para adquirir novas habilidades, são apenas algumas das maneiras que os jovens estão usando esta oportunidade para crescimento e inovação.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançou uma iniciativa de engajamento da juventude, Coping with COVID-19: voices of young agripreneurs (Lidando com a COVID-19: vozes dos jovens agroempresários na tradução para o português), no final de março de 2020 para compreender o impacto do surto nos negócios dos jovens rurais e saber como apoiá-los durante e após a pandemia.

Por meio de redes e grupos de jovens agricultores e agroempresários em toda a África e América Central, a iniciativa identificou soluções lideradas por jovens para lidar com a crise. Isso serviu de base para o conselho político da FAO aos governos e aos esforços de mobilização de recursos para defender respostas que incluam os jovens.

Aqui estão as histórias de três jovens agroempresários provando que estão se adaptando diante da pandemia:

Do ecoturismo ao serviço de alimentação online na Guatemala

Há seis meses, Karina Brito, de 22 anos, estava pronta para lançar seu novo negócio. Junto com um grupo de 20 jovens empresários de Nebaj, Guatemala, ela fundou uma empresa chamada Avantichajil – uma palavra indígena Ixil que significa “semeadores de vida”.

Com o apoio de um programa liderado pela FAO e treinamento do Instituto Florestal Nacional, seu plano era oferecer serviços de agroecoturismo, como passeios pela floresta e aulas de culinária, e vender móveis de madeira. Mas quando a COVID-19 chegou, tudo teve que esperar.

O movimento nacional e as restrições aos negócios obrigaram Karina e sua equipe a suspender as atividades de ecoturismo, além da fabricação de móveis. Eles rapidamente perceberam que não poderiam deixar seu negócio desmoronar, então começaram a procurar uma maneira de diversificar seus serviços.

Eles decidiram usar o componente ‘Gastronomia Ixil’ de sua empresa como o novo foco. O negócio originalmente iria oferecer pratos tradicionais da comunidade indígena Ixil local e aulas de culinária para turistas.

Agora, a equipe se organizou para produzir comida local e vendê-la online. Eles oferecem carne defumada, banana, pão de banana, smoothies, café e muito mais. Para obedecer às regras de distanciamento físico, eles criaram um perfil online, chamado MercaRed, para promover e vender produtos de sete diferentes agroindústrias lideradas por jovens em sua área. O empreendimento ainda é novo, mas os resultados já são animadores.

“Se tivéssemos permanecido focados no projeto inicial, não sei onde estaríamos agora. É preciso arriscar, avançar, inovar e aprender errando”, diz Karina.

Oferecendo energia limpa em Uganda

Arthur Woniala, de 29 anos, é cofundador e engenheiro de projeto da Khainza Energy, uma empresa liderada por jovens e comprometida em reduzir a dependência das famílias de Uganda de combustíveis de madeira, oferecendo biogás como uma alternativa limpa, acessível e sustentável. Eles embalam o biogás em cilindros recicláveis e fornecem treinamento sobre como usá-lo.

As interrupções no transporte público em resposta à COVID-19 deixaram milhões de ugandenses sem acesso a serviços básicos, como combustível para cozinhar. A Khainza Energy está tentando preencher essa lacuna.

Arthur tem limitado o contato físico anunciando e coletando pedidos nas redes sociais e aceitando pagamentos pelo celular. Dando um passo além para manter as comunidades de Uganda informadas durante a pandemia, ele distribui panfletos com conselhos do Ministério da Saúde junto a entrega dos seus pedidos.

Embora ele não possa negar que os últimos meses foram difíceis para seu negócio, Arthur permanece firme. “Temos o compromisso de garantir que as pessoas ainda tenham acesso aos serviços básicos”, diz ele com orgulho.

Vendendo produtos em Ruanda

As redes sociais também têm sido uma tábua de salvação para a ruandesa Adeline Umukunzi, de 25 anos. Antes da pandemia, ela vendia cogumelos para hotéis, restaurantes e atacadistas. As grandes vendas foram importantes, pois ela produziu uma colheita diária de 100 quilos. No entanto, com o surto de COVID-19 e, consequente, com o bloqueio, a demanda dos clientes diminuiu. Muitos negócios fecharam e, com severas restrições ao transporte público, ela não conseguiu colocar seus produtos no mercado.

Adeline não possui instalações para armazenar e refrigerar produtos não vendidos, então, para vender seus produtos o mais rápido possível, ela passou a vender diretamente para as pessoas. Adeline tem anunciado seus produtos nas redes sociais e pedido aos clientes que compartilhem para ajudar na divulgação. Ela aumentou sua força de trabalho e comprou uma bicicleta para poder ampliar sua rota de entrega.

Apoio da FAO à juventude rural

Por meio de parcerias com organizações de jovens rurais, a FAO tem trabalhado com jovens trabalhadores agrícolas e empresários para entender suas necessidades e mitigar os efeitos negativos da pandemia.

Apenas 1 em cada 10 jovens relatou ter recebido apoio de governos locais ou outros atores do desenvolvimento. Apesar disso e do cenário negativo para os negócios, é inspirador ver quantos jovens enxergam a crise como uma oportunidade para inovar.

Os problemas enfrentados por Karina, Arthur e Adeline nos últimos meses são comuns, e suas soluções são prova da engenhosidade e resiliência dos jovens diante de crises. A julgar por sua incrível resposta aos desafios da COVID-19, os jovens de hoje estão bem preparados para o futuro.

Jovens apoiados pelo UNAIDS celebram Dia Internacional da Juventude com vídeo sobre zero discriminação

Os jovens da NBR são um exemplo da aplicação prática do tema das celebrações da ONU para este ano: engajamento juvenil para a ação global. Foto: UNAIDS

Os jovens da NBR são um exemplo da aplicação prática do tema das celebrações da ONU para este ano: engajamento juvenil para a ação global. Foto: UNAIDS

Em comemoração ao Dia Internacional da Juventude, celebrado em 12 de agosto, a organização não governamental Nação Basquete de Rua (NBR) lança o vídeo “Humano igual a você” junto com uma série de cards para redes sociais inspirados no projeto Se Liga Ae, Juventude!, que levou conhecimento sobre HIV e AIDS a jovens da periferia de Campos dos Goytacazes (RJ), em 2019.

Os jovens da NBR são um exemplo da aplicação prática do tema das celebrações da ONU para este ano: engajamento juvenil para a ação global. Ao abordar o HIV, ISTs e sexualidade como temas centrais em seus projetos, a NBR mobilizar os jovens para discussões sobre racismo, direitos humanos, educação e empoderamento feminino, entre outros.

O projeto Se Liga Aê, Juventude!, que contou com o apoio do UNAIDS, buscou promover o empoderamento e o engajamento destas comunidades por meio do conhecimento sobre sexualidade e questões relacionadas ao estigma e à discriminação—que ainda têm impacto significativo sobre pessoas que vivem com HIV, especialmente sobre a população negra.

“O objetivo do vídeo e destes materiais é conscientizar a comunidade, principalmente a juventude negra de periferia, sobre a prevenção do HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), sobre seus direitos e sobre a importância do empoderamento como resposta ao estigma e à discriminação”, explica presidente da ONG Victor Hugo Ribeiro Almeida, mais conhecido na comunidade como Lebron Victor.

“O vídeo e os materiais foram produzidos antes da pandemia de COVID-19, com foco no trabalho que desenvolvemos com o UNAIDS em 2019, mas segue muito atual e tem tudo a ver com o tema do Dia Internacional da Juventude. Por isso, seu lançamento agora é muito simbólico para nós.”

Segundo dados do Boletim Epidemiológico sobre HIV/AIDS do Ministério da Saúde, em 2017, foram registrados 11.463 óbitos por causas relacionadas à AIDS, com uma taxa de mortalidade de 4,8/100.000 habitantes. A taxa de mortalidade teve redução de 15,8% entre 2014 e 2017, possivelmente em consequência da recomendação do “tratamento para todos” no Brasil e da ampliação do diagnóstico precoce da infecção pelo HIV.

Contudo, deste total, 60,3% ocorreram entre pessoas negras (pretas 14,1% e pardas 46,2%), 39,2% em entre pessoas brancas – sendo 0,2% entre amarelas e 0,2% entre indígenas. A proporção de óbitos entre mulheres negras foi superior à observada entre homens negros: 63,3% e 58,8%, respectivamente. Realizando-se uma comparação entre os anos de 2007 e 2017, há uma queda de 23,8% na proporção de óbitos de pessoas brancas e um crescimento de 25,3% na proporção de óbitos de pessoas negras.

“A violência, em todas as suas faces, impacta a população negra de maneira desporporcional no Brasil. E os dados sobre HIV e AIDS demonstram claramente uma destas faces, através do estigma, da discriminação e do racismo estrutural”, explica Cláudia Velasquez, diretora e representante do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) no Brasil.

“Quando focamos nosso olhar na juventude negra, vemos que a morte precoce destes jovens tem impacto direto no futuro de suas comunidades, de suas famílias e na contribuição potencial que cada indivíduo tem para oferecer à sociedade, não apenas como parte da riqueza inerente de sua diversidade, mas também como parte do direito de todas as pessoas a uma vida digna e cheia de oportunidades.”

Engajamento juvenil em tempos de COVID-19

Em continuidade ao projeto Se Liga Aê, Juventude! e no contexto da pandemia de COVID-19, a ONG Nação Basquete de Rua tem implementado ações e iniciativas emergenciais nas comunidades mais carentes de Campos dos Goytacazes. Um dos projetos é sobre informação a respeito de direitos sexuais e reprodutivos, voltado para meninas de uma das comunidades atendidas – um pedido que partiu da própria comunidade.

“Pra além disso, estamos mapeando questões de saúde desse território e atuando com jovens saídos do tráfico para sua reinserção social no âmbito da formação para uma conscientização comunitária e para o entendimento, por exemplo, das medidas sanitárias para prevenção da COVID-19”, conta Lebron.

A liderança juvenil da NBR deu seguimento também ao projeto Papo Reto, cujos encontros passaram de presencial a virtual em função da pandemia. Neste caso, atuam em parceria com escolas públicas debatendo temas como racismo, politica, saúde, direitos, entre outros – também conforme as demandas das próprias escolas e alunos –, buscando fazer trocas de forma horizontal e tentando tornar os assuntos mais palatáveis.

O tema do Dia Internacional da Juventude deste ano, “Engajamento Juvenil para a Ação Global”, destaca as formas pelas quais o engajamento dos jovens nos níveis local, nacional e global está fortalecendo instituições e processos nacionais e multilaterais. A celebração deste ano também busca extrair lições sobre como a representação e o envolvimento da juventude na política institucional formal podem ser aprimorados.

“Neste Dia International da Juventude, queremos celebrar o empoderamento da juventude negra brasileira por meio deste projeto e desta iniciativa. Através de nosso mandato de resposta ao HIV e defesa aos direitos humanos, queremos ecoar o chamado do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, e convidar todas as lideranças e pessoas adultas, em todos os lugares, a fazer tudo o que for possível para permitir que a juventude tenha uma vida com segurança, dignidade e oportunidade, contribuindo ao máximo para seu grande potencial”, concluiu Velasquez.

Quase 40% das escolas brasileiras não têm estruturas básicas para lavagem de mãos

Alunos aprendem a prevenção ao novo coronavírus na Escola Municipal Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro (RJ), através de cartazes, trabalhos escolares, e medidas de higiene e convívio pessoal. Foto: Agência Brasil/ Fernando Frazão

Alunos aprendem a prevenção ao novo coronavírus na Escola Municipal Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro (RJ), através de cartazes, trabalhos escolares, e medidas de higiene e convívio pessoal. Foto: Agência Brasil/ Fernando Frazão

Enquanto as escolas em todo o mundo estão discutindo sua reabertura, os dados mais recentes do Programa Conjunto de Monitoramento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para Saneamento e Higiene revelam que 43% das escolas em todo o mundo não tinham instalações básicas para lavagem das mãos com água e sabão em 2019 – uma condição fundamental para que sejam capazes de operar com segurança em meio à pandemia de COVID-19.

“O fechamento global de escolas desde o início da pandemia de COVID-19 apresentou um desafio sem precedentes para a educação e o bem-estar das crianças”, disse Henrietta Fore, diretora executiva do UNICEF.

“Devemos priorizar o aprendizado das crianças. Isso significa garantir que as escolas sejam seguras para reabrir – incluindo acesso à higiene das mãos, à água potável limpa e ao saneamento seguro.”

De acordo com o relatório, cerca de 818 milhões de crianças não têm instalações básicas para lavar as mãos em suas escolas, o que as coloca em maior risco de contrair COVID-19 e outras doenças transmissíveis.

Mais de um terço dessas crianças (295 milhões) estão na África ao sul do Saara. Nos países menos desenvolvidos, sete em cada dez escolas carecem de instalações básicas para lavagem das mãos e metade das escolas carecem de saneamento básico e serviços de água.

O relatório enfatiza que os governos que buscam controlar a disseminação da COVID-19 devem equilibrar a necessidade de implementação de medidas de saúde pública e os impactos sociais e econômicos associados às medidas de quarentena/lockdown. As evidências dos impactos negativos do fechamento prolongado de escolas na segurança, no bem-estar e no aprendizado das crianças estão bem documentadas, afirma o relatório.

“O acesso a serviços de água, saneamento e higiene é essencial para a prevenção e o controle eficazes de infecções em todos os ambientes, incluindo escolas”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “Deve ser o foco principal das estratégias governamentais para reabertura e operação seguras de escolas durante esta pandemia de COVID-19”.

Outras descobertas importantes do relatório incluem:

Das 818 milhões de crianças que não tinham um serviço básico de lavagem das mãos na escola, 355 milhões foram para escolas que tinham instalações com água, mas não tinham sabão, e 462 milhões para escolas que não tinham nenhuma instalação ou água disponível para lavar as mãos.
Nos 60 países com maior risco de crises de saúde e humanitárias devido à COVID-19, três em cada quatro crianças não tinham serviço básico de lavagem das mãos na escola no início do surto; metade de todas as crianças não tinha serviço básico de água; e mais da metade não tinha serviço de saneamento básico.
Uma em cada três escolas em todo o mundo tinha serviço limitado de água potável ou nenhum serviço de água potável.
698 milhões de crianças não tinham serviço de saneamento básico na escola.

O relatório identifica vários recursos necessários para a prevenção e controle da COVID-19 nas escolas, incluindo 10 ações imediatas e listas de verificação de segurança.

O documento se baseia nas diretrizes sobre a reabertura segura de escolas publicadas por Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), UNICEF, Programa Mundial de Alimentos (WFP) e Banco Mundial. Há conselhos práticos para as autoridades nacionais e locais sobre como se preparar para a reabertura segura e como manter as crianças seguras quando retornarem à escola.

O relatório identifica vários recursos necessários para a prevenção e controle da COVID-19 nas escolas, incluindo dez ações imediatas e listas de verificação de segurança. As diretrizes incluem protocolos relacionados com água, saneamento e higiene, uso de equipamento de proteção individual, limpeza e desinfecção, bem como acesso a água limpa, estações de lavagem das mãos com sabão e banheiros seguros.

UNICEF e OMS estão empenhados em alcançar o acesso equitativo a serviços de água, saneamento e higiene adequados em todo o mundo.

As agências lançaram recentemente uma iniciativa conjunta, Hand Hygiene for All (Higiene das Mãos para Todos – disponível somente em inglês), para apoiar as comunidades mais vulneráveis com os meios para proteger sua saúde e meio ambiente. Reúne parceiros internacionais, governos nacionais, setores público e privado e sociedade civil para garantir que produtos e serviços acessíveis estejam disponíveis, especialmente em áreas desfavorecidas.

No Brasil

Nota técnica lançada pelo UNICEF, em parceria com o Banco Mundial e o Instituto Internacional de Águas de Estocolmo (SIWI) mostra a situação de água e saneamento no Brasil, apresentando uma análise das ações implementadas no país e recomendações para uma resposta mais eficaz e equitativa à crise da COVID-19.

No Brasil, 39% das escolas não dispõem de estruturas básicas para lavagem de mãos, segundo dados do Programa Conjunto de Monitoramento da OMS e do UNICEF para Saneamento e Higiene (JMP). Além disso, de acordo com o Censo Escolar 2018, 26% das escolas brasileiras não têm acesso a abastecimento público de água. Quase metade (49%) das escolas brasileiras não tem acesso à rede pública de esgoto.

Confira a nota técnica.

Sobre o Programa Conjunto de Monitoramento

O Programa Conjunto de Monitoramento da OMS e do UNICEF para Saneamento e Higiene (JMP) é responsável por monitorar o progresso global em direção a metas e indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados a água potável, saneamento e higiene. O JMP produz estimativas nacionais, regionais e globais do progresso de água, saneamento e higiene nas famílias, escolas e instalações de saúde.

Sobre a OMS

A Organização Mundial da Saúde dirige e coordena a saúde internacional dentro do sistema das Nações Unidas. Trabalhando com seus 194 Estados-Membros, a missão da OMS é promover a saúde, manter o mundo seguro e servir aos vulneráveis.

FAO lança plataforma para ajudar a fortalecer os setores de alimentos e agricultura pós-COVID-19

FAO lança plataforma geoespacial que contribuirá para a transformação agrícola e o desenvolvimento rural sustentável. Foto: Free-Photos/Pixabay

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançou uma plataforma geoespacial Hand-in-Hand com um grande e rico conjunto de dados sobre alimentos, agricultura, socioeconomia e recursos naturais para ajudar a fortalecer as tomadas de decisão baseadas em evidências nos setores de alimentação e agricultura.

A plataforma é uma ferramenta crucial para os esforços de reconstruir melhor e criar sistemas alimentares mais resilientes pós-COVID-19.

Possui mais de um milhão de camadas geoespaciais e milhares de séries estatísticas com mais de 4.000 registros de metadados, reunindo informações geográficas e dados estatísticos em mais de dez domínios ligados à alimentação e agricultura – desde segurança alimentar, safras, solo, terra, água, clima, pesca e pecuária para silvicultura. Também inclui informações sobre o impacto da COVID-19 na alimentação e na agricultura.

Os dados foram obtidos através da FAO e de outros provedores de dados públicos, como as Nações Unidas e ONGs, universidades, setor privado e agências espaciais. Também incorporam dados da FAOSTAT sobre alimentação e agricultura para os 194 países membros da FAO, mais os 51 territórios, de 1961 ao ano mais recente disponível.

Segundo o diretor-geral da FAO, QU Dongyu, as tecnologias geoespaciais e os dados agrícolas representam uma oportunidade para encontrar novas maneiras de reduzir a fome e a pobreza por meio de soluções baseadas em dados mais acessíveis e integrados.

“A plataforma geoespacial serve como um bem público digital para criar mapas de dados interativos, analisar tendências e identificar lacunas e oportunidades em tempo real”, acrescentou o diretor-geral.

A plataforma pode ser usada por qualquer pessoa, e seu uso ajudará na tomada de decisões baseadas em dados e evidências em alimentação e agricultura.

Entre seus muitos usos, a plataforma fornece informações vitais para:

– monitorar a produtividade agrícola da água, incluindo sistemas agrícolas em risco devido à pressão humana sobre a terra e a água;
– comparar a densidade da população humana com a distribuição de gado ou comparar a densidade entre duas espécies de gado em todo o mundo;
– verificar a distribuição das espécies aquáticas;
– analisar tendências de precipitação;
– analisar informações de sistemas nacionais de monitoramento de florestas que mostram a distribuição de recursos florestais com outros dados geoespaciais, como a rede de estradas. Isso permite a separação de áreas florestais não perturbadas com alto valor de conservação, de áreas acessíveis que são mais adequadas para restauração ou produção.

“A plataforma geoespacial nos permitirá projetar intervenções agrícolas e planos de investimento mais direcionados por meio de uma abordagem territorial – uma abordagem que promove a igualdade, inclusão e segurança alimentar e nutricional sustentável”, disse o economista-chefe da FAO, Maximo Torero.

A FAO adicionará à plataforma, novos conjuntos de dados e estudos de caso específicos dos países para melhorar o direcionamento e adaptação de intervenções políticas, inovação, finanças e investimento, e reforma institucional em alimentação e agricultura.

A plataforma faz parte da iniciativa Hand-in-Hand da FAO – uma iniciativa baseada em evidências, liderada pelos países, e de propriedade dos países, que visa acelerar a transformação agrícola e o desenvolvimento rural sustentável para erradicar a pobreza (ODS1) e acabar com a fome e todas as formas de desnutrição (ODS2), inclusive por meio do uso das ferramentas mais sofisticadas disponíveis, como modelagem e análise geoespacial avançada.

Pandemia interrompe educação de mais de 70% dos jovens no mundo

Pandemia interrompe a educação de mais de 70% dos jovens e pode prejudicar o potencial produtivo de uma geração inteira, aponta relatório da OIT. Foto: Pexels por Pixabay

A crise da COVID-19 está causando um efeito devastador sobre a educação e a formação de jovens. Desde o início da pandemia, mais de 70% dos(as) jovens que estudam ou combinam os estudos com o trabalho foram adversamente afetados(as) pelo fechamento de escolas, universidades e centros de treinamento, de acordo com um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Segundo os resultados do relatório “Juventude e COVID-19: impactos sobre empregos, educação, direitos e bem-estar mental” (em inglês), 65% dos jovens relataram que sua atividade educacional foi adversamente afetada desde o início da pandemia, como consequência do período de transição do ensino presencial em sala de aula para o ensino online ou a distância durante a fase de confinamento. Apesar de seus esforços para continuar os estudos e a capacitação, metade destes jovens acredita que a conclusão dos estudos será atrasada e 9% afirmam que poderão ter que abandonar os estudos de forma definitiva.

A situação é ainda mais grave para os jovens que vivem em países de baixa renda, onde há grandes lacunas no acesso à Internet e na disponibilidade de equipamentos e, às vezes, até de espaço em casa.

Isso destaca a enorme “divisão digital” entre as regiões. Enquanto 65% dos jovens em países de alta renda puderam assistir às aulas por meio de videoconferência, a proporção de jovens que puderam prosseguir seus estudos online em países de baixa renda foi de apenas 18%.

“A pandemia está infligindo vários choques aos jovens. Ela não só destrói seus empregos e suas perspectivas profissionais, mas também compromete sua educação e seu treinamento e tem repercussões graves sobre o seu bem-estar mental. Não podemos deixar que isso aconteça”, disse diretor-geral da OIT, Guy Ryder.

Preocupados com o futuro

De acordo com o relatório, 38% dos jovens não têm certeza sobre suas perspectivas de carreira, e espera-se que a crise crie mais obstáculos no mercado de trabalho e estenda o período de transição entre o fim dos estudos e o momento em que os jovens ingressam no primeiro emprego.

Alguns jovens já foram afetados, visto que um em cada seis teve que parar de trabalhar desde o início da pandemia. Os trabalhadores mais jovens geralmente têm empregos em setores fortemente afetados pela pandemia, como aqueles nas áreas de atendimento ao cliente, prestação de serviços e vendas, e, portanto, são mais vulneráveis aos efeitos econômicos da pandemia. Nesse contexto, 42% dos jovens que mantiveram seus empregos tiveram sua renda reduzida.

Isso afetou seu bem-estar mental. A pesquisa revelou que 50% dos jovens podem ser propensos a sofrer de ansiedade ou depressão, enquanto outros 17% provavelmente estão sofrendo de ansiedade ou depressão.

É preciso escutar a voz dos jovens

Apesar da complexa situação atual, os jovens estão usando seu vigor para se mobilizar e fazer sua voz ser ouvida na luta contra a crise. De acordo com a pesquisa, um em cada quatro jovens fez algum tipo de trabalho voluntário durante a pandemia.

É essencial ouvir a voz dos jovens para dar uma resposta mais inclusiva à crise da COVID-19. Segundo o relatório, a participação dos jovens na tomada de decisões de acordo com as suas necessidades e seus projetos aumenta a eficácia das políticas e programas e lhes dá a oportunidade de contribuir para a implementação.

O relatório também defende a adoção urgente de medidas políticas específicas em grande escala para evitar que a crise prejudique, a longo prazo, o futuro profissional de toda uma geração de jovens.

Dentre essas medidas, vale destacar a reinserção no mercado de trabalho de jovens que perderam o emprego ou tiveram que reduzir o número de horas de trabalho, bem como o acesso de jovens ao seguro-desemprego e a programas que lhes permitam melhorar o bem-estar mental, como apoio psicossocial ou realização de atividades esportivas.

O relatório “Juventude e COVID-19: impactos sobre empregos, educação, direitos e bem-estar mental” é uma publicação conjunta da OIT, AIESEC, Fundo Fiduciário de Emergência da União Europeia para a África, o Fórum Europeu da Juventude, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e o Grupo Principal das Nações Unidas para Crianças e Jovens.

ARTIGO: juventude lidera o caminho para as soluções frente à COVID-19

A diretora-executiva do UNFPA, Natália Kanem. Foto: UNFPA Bangladesh/Lauren Anders Brown

A diretora-executiva do UNFPA, Natália Kanem. Foto: UNFPA Bangladesh/Lauren Anders Brown

Por Natalia Kanem*

Enquanto nos preparamos para celebrar o Dia Internacional da Juventude em meio a uma pandemia, estamos testemunhando como a juventude está agindo para resolver os problemas em suas comunidades.

Jovens estão na linha de frente na resposta à pandemia da COVID-19, mobilizando-se em todo o mundo. Eles e elas são profissionais de saúde, ativistas, inovadores e trabalhadores sociais e comunitários.

Para alcançar e engajar a juventude durante esta pandemia, é necessário compartilhar informações, elucidar desinformações e equipar essas pessoas para que tomem medidas para conter a propagação do vírus. Devemos reconhecer a liderança de pessoas jovens e defender seus direitos humanos.

O UNFPA, a agência de saúde sexual e reprodutiva das Nações Unidas, ouve a voz da juventude e apoia sua valiosa participação nas decisões que a afeta.

Na semana passada, o UNFPA liderou uma conversa global com a hashtag #YouthAgainstCOVID19. Pessoas jovens em todos os lugares são encorajadas a enviar vídeos que mostram suas ações para enfrentar a pandemia e compartilhar lições sobre como estão traçando novos caminhos para suas comunidades.

Entre os efeitos devastadores da pandemia, está a perda de oportunidades de emprego, educação e acesso a serviços essenciais, incluindo serviços de saúde sexual e reprodutiva, e significa que muitos jovens estão enfrentando violações de seus direitos e escolhas. Mulheres jovens e meninas estão particularmente vulneráveis.

À medida que o mundo busca se reconstruir melhor, devemos garantir que pessoas jovens sejam priorizadas para que tenham acesso à educação, às ferramentas e aos serviços necessários, e que alcancem seu pleno potencial.

Hoje, vamos andar de mãos dadas com as gerações. Vamos nos unir e enfrentar os desafios que temos pela frente, trabalhando com jovens para construir um futuro mais inclusivo e sustentável para todas e todos.

*Declaração da diretora-executiva do UNFPA

ONU elogia engajamento de jovens em meio à pandemia

Comemorando o Dia Internacional da Juventude, altos funcionários da ONU pediram que líderes de todo o mundo “façam todo o possível” para permitir que os jovens alcancem seu potencial máximo.

Contra o pano de fundo da pandemia de coronavírus, que afetou as vidas e aspirações dos jovens e aumentou suas vulnerabilidades, o secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou a resiliência, a desenvoltura e o envolvimento das gerações mais jovens.

“São os jovens que se levantaram para exigir ações climáticas. Eles estão se mobilizando por justiça racial e igualdade de gênero e são os defensores de um mundo mais sustentável”, disse ele em mensagem marcando a data.

“Muitos são mulheres jovens que estiveram na linha de frente da mobilização por justiça e ação climática – ao mesmo tempo em que atuaram na linha de frente da resposta à COVID-19.”

O secretário-geral também destacou que cumprir a promessa da geração jovem exige investir muito mais em sua inclusão, participação, organizações e iniciativas.

“Convido os líderes e adultos em todos os lugares a fazer todo o possível para permitir que os jovens do mundo desfrutem de uma vida com segurança, dignidade e oportunidades e contribuam para o máximo de seu grande potencial”, acrescentou.

O tema do Dia Internacional da Juventude deste ano, “Engajamento Juvenil para a Ação Global”, destaca as maneiras pelas quais o engajamento dos jovens em nível local, nacional e global está fortalecendo instituições e processos nacionais e multilaterais, tirando lições sobre como sua representação e envolvimento na política institucional formal podem ser aprimorados.

Também neste ano, por meio da campanha de mídia social #31DaysOfYOUth, a ONU celebra os jovens ao longo do mês de agosto, antes e depois do Dia Internacional, para espalhar a palavra e iniciar uma conversa em torno do engajamento dos jovens para a ação global.

Ecoando o apelo do secretário-geral, Tijjani Muhammad-Bande, presidente da Assembleia Geral da ONU, também destacou uma “responsabilidade global” de garantir que os jovens em todos os lugares tenham acesso a oportunidades justas e equitativas para cumprir seus direitos e aspirações.

“O potencial da humanidade para criar um futuro pacífico e próspero não será alcançado enquanto as desigualdades e a discriminação contra os jovens continuarem sendo comuns e os jovens não tiverem oportunidades de fazerem ouvir suas vozes”, disse ele em mensagem para a data.

O presidente da Assembleia aplaudiu os jovens por suas “contribuições incríveis” para um futuro melhor. Seus movimentos em suas comunidades e países, disse ele, já estão melhorando as sociedades e aumentando as ambições globais, a cada dia.

“Na era da COVID-19 e em meio a seus efeitos socioeconômicos negativos duradouros sobre os jovens – e faltando apenas 10 anos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) -, [sua] visão e compromisso são fundamentais para criar um mundo mais sustentável e inclusivo”, acrescentou.

“Com sua inovação e ambição, orientadas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, tenho certeza que sua geração irá efetivamente transformar o mundo em um lugar mais sustentável, inclusivo e justo para todos”, disse Muhammad-Bande, exortando todos os jovens a participar da Plenária Juvenil UN75 virtual, a ser realizada em setembro, para somar sua voz à formação das Nações Unidas nas próximas décadas.

Jovens são a nossa maior esperança de futuro

A representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, Astrid Bant, gravou uma declaração em vídeo na qual reconhece os esforços e cumprimenta as milhares de pessoas jovens atuando em suas comunidades durante a pandemia da COVID-19.

Astrid também destaca a necessidade de continuar ofertando serviços e acesso a direitos e educação à juventude.

COVID-19 ameaça controle e eliminação de doenças infecciosas nas Américas

Médica analisa exame para eventual diagnóstico de tuberculose. Foto: AGECOM/Carol Garcia

Médica analisa exame para eventual diagnóstico de tuberculose. Foto: AGECOM/Carol Garcia

A pandemia de COVID-19, que matou mais de 390 mil pessoas nas Américas, está ameaçando os planos regionais para eliminar e controlar doenças infecciosas, incluindo tuberculose, HIV e hepatites, disse na terça-feira (11) Carissa F. Etienne, diretora da OPAS.

Com mais de 10,5 milhões de casos de COVID-19 nas Américas e 100 mil novos casos sendo notificados todos os dias, “os países não podem atrasar a luta contra COVID-19, mas não devem permitir que a doença nos atrase para completar a agenda inacabada de eliminar e controlar as doenças infecciosas em nossa região”, afirmou Etienne em coletiva de imprensa.

Desafios na distribuição de tratamentos de tuberculose (TB) durante a pandemia foram relatados por 80% dos países da América Latina e do Caribe, o que poderia transformar casos controláveis de TB em infecções ativas.

Da mesma forma, 30% das pessoas que vivem com HIV evitam procurar atendimento e os medicamentos antirretrovirais são limitados. Interrupções nos exames de hepatites, chave para detecção e tratamento, também foram relatadas por um terço dos países.

A diretora da OPAS lembrou que a prevenção e o tratamento de doenças infecciosas foram o ímpeto para a criação da Organização Pan-Americana da Saúde há quase 120 anos e que a região continua “na vanguarda da eliminação de doenças infecciosas”.

De fato, em outubro de 2019, os Estados-membros da OPAS se comprometeram com um enfoque regional para a eliminação de mais de 30 doenças transmissíveis e condições relacionadas nas Américas até 2030.

Mas “o progresso para alcançar este marco está agora ameaçado devido à carga da COVID-19 nos sistemas de saúde e à interrupção dos serviços essenciais, incluindo programas prioritários de controle de doenças, iniciativas de eliminação e imunização de rotina”, observou Etienne.

A pandemia também interrompeu as campanhas de administração de medicamentos em massa que são vitais para os esforços de eliminação “exatamente quando estávamos fazendo um progresso significativo contra doenças tropicais negligenciadas como filariose linfática, esquistossomose e helmintíases transmitidas pelo solo”, pontuou a diretora da OPAS.

A dengue e a malária continuam sendo uma grande carga para os serviços de saúde e, como a COVID-19, têm um impacto desproporcional nas populações pobres e vulneráveis, incluindo as comunidades indígenas, acrescentou.

A diretora da OPAS relevou ainda que, “nos primeiros dois meses de 2020, as Américas relataram um aumento de 139% nos casos de dengue em comparação ao mesmo período de 2019. No entanto, desde que a COVID-19 atingiu nossa região em março, os casos notificados de dengue diminuíram”.

As notificações de doenças transmitidas por mosquitos, como a malária, “caíram mais de 40%, e houve uma redução observada no número de pessoas fazendo o teste. No entanto, sabemos que esses dados não contam a história completa”, disse Etienne.

A diretora da OPAS explicou que, “embora seja verdade que, como muitos de nós estamos presos em casa, estamos menos propensos a ser picados por mosquitos, a realidade é que os mosquitos e os patógenos que eles transmitem ainda estão circulando. E sem testes ou tratamento, os casos graves de doenças transmitidas por mosquitos podem ir de condições facilmente tratáveis à morte”.

Etienne disse que os sistemas de saúde devem tornar mais fácil para os pacientes receber cuidados, “aproveitando a telemedicina e oferecendo cuidados fora dos ambientes hospitalares, por meio de programas de extensão à comunidade e visitas domiciliares, por exemplo”.

Os sistemas de saúde também precisam proteger os profissionais de saúde na linha de frente desta pandemia. “Nossos médicos, enfermeiras e equipe devem ter o equipamento de proteção, suprimentos e tecnologias de que precisam para oferecer cuidados com segurança” e garantir que os pacientes possam continuar a receber atenção médica e os medicamentos para gerenciar com segurança suas condições”.

Mais de 200 venezuelanos em Roraima são atendidos em ação de saúde da OIM

Refugiados e migrantes venezuelanos receberam atendimento de saúde da equipe médica da OIM. Foto: OIM

Com o objetivo de mitigar os impactos da pandemia da COVID-19 e de responder às necessidades de saúde de refugiados e migrantes venezuelanos e de famílias brasileiras vulneráveis, a equipe médica da Organização Internacional para as Migrações (OIM) passou uma semana em Pacaraima (RR). Foram realizados atendimentos nos assentamentos espontâneos, bem como no abrigo institucional indígena da Operação Acolhida.

Mais de 230 atendimentos foram realizados pela equipe que levou três profissionais de saúde até a fronteira do Brasil com a Venezuela. Com a Unidade Móvel de Saúde da OIM que viajou de Boa Vista, os dois médicos acompanhados de um técnico de enfermagem, e apoiados pela equipe administrativa, fizeram atendimentos de atenção primária em diversas localidades.

No abrigo institucional indígena Janokoida foram atendidos, em um dia, mais de 50 idosos, gestantes e crianças da etnia Warao. No assentamento espontâneo Orquídeas, os atendimentos foram realizados com o apoio do Exército nas tendas do Batalhão de Fronteira de Pacaraima.

“Nesse período de pandemia, o desafio aumentou e é cada vez mais importante que as necessidades básicas de saúde das pessoas mais vulneráveis sejam atendidas. A ação também é uma medida importante para mitigar o impacto da COVID-19”, ressaltou a coordenadora de emergência da resposta humanitária da OIM, Lia Poggio.

Nos diferentes locais por onde a equipe de saúde passou, foram realizados testes rápidos para sífilis, HIV, hepatite B e C e COVID-19, além de procedimentos de drenagem e curativos. Exames de pré-natal, como o de detecção dos batimentos cardíacos de bebês com ultrassom, foram feitos com os equipamentos da Unidade Móvel de Saúde. Muitos dos medicamentos prescritos também já eram dispensados diretamente e sem custos.

No abrigo institucional indígena Janokoida foram atendidos, em um dia, mais de 50 idosos, gestantes e crianças da etnia Warao. No assentamento espontâneo Orquídeas, os atendimentos foram realizados com o apoio do Exército nas tendas do Batalhão de Fronteira de Pacaraima.

Durante as consultas, casos de doenças relacionados à falta de água potável e saneamento foram assinalados. Um caso de leishmaniose também feito identificado.

Foto: OIM

“A OIM traz a equipe médica e fornece os medicamentos, além de sempre apoiar nosso trabalho nos abrigos e ocupações espontâneas em Boa Vista e agora em Pacaraima”, comentou a médica do Ministério Público e Tribunal de Justiça, Mariângela Nazário Andrade, que esteve no primeiro dia de atividades e atua em parceria com a Operação Acolhida acompanhando e avaliando a situação dos refugiados e migrantes em Roraima.

Há seis meses no Brasil, o venezuelano Ramon J. Z. mora na Vila Esperança e foi um dos moradores a se consultar: “Todos os cuidados dos médicos da OIM dão um sentimento de valorização para nós que somos migrantes e estamos em busca de uma vida melhor”.

A iniciativa de atender durante vários dias a população vulnerável no município de Pacaraima partiu de uma primeira ida ao local em conjunto com a Operação Acolhida. À ocasião, foi feita uma avaliação das necessidades das comunidades e elaborado um plano de ação prevendo o retorno da equipe médica.

“Este é mais um trabalho que está sendo desenvolvido dentro dessa sinergia de cooperação entre a OIM e a Operação Acolhida. Vemos aqui uma ação que começa para mitigar os efeitos colaterais, mas também pensando em uma solução a longo prazo”, destacou o Coordenador Operacional da Operação Acolhida e Comandante da Força-Tarefa Logística Humanitária, General Manoel de Barros, presente nas atividades na Vila Esperança no primeiro dia do mutirão.

Estas ações em promoção da saúde são realizadas com o apoio financeiro do Governo do Japão e do Canadá. O intuito é garantir assistência humanitária nas áreas de atenção primária à saúde por meio do suporte assistencial em saúde a venezuelanos e à população do estado. As atividades são alinhadas e executadas em consonância com o Sistema Único de Saúde do Brasil.

OMS cita sinais de esperança no combate à pandemia de COVID-19

Proteções de acrílico foram instalados para garantir o distanciamento social em um hospital em Bangkok, Tailândia. Foto: Alin Sirisaksopit /OIT

Embora o número de casos da COVID-19 esteja próximo de atingir 20 milhões no mundo esta semana e 750.000 mortes, o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou sinais de esperança em meio à crise global. Mas instou governos e pessoas para continuarem trabalhando para suprimir o novo coronavírus.

“Sei que muitos de vocês estão de luto e que este é um momento difícil para o mundo”, disse o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (10).

“Mas gostaria de deixar claro que há sinais de esperança, não importando aonde esteja o país, a região, a cidade ou a vila – nunca é tarde para reverter o surto ao redor”.

Tedros destacou dois elementos para responder a pandemia de forma eficaz: “os líderes devem intensificar a ação e os cidadãos devem adotar novas medidas”.

O chefe da OMS elogiou a Nova Zelândia como um “exemplo global” na pandemia. Neste fim de semana o país celebrou 100 dias sem transmissão comunitária do vírus. Ainda assim, a primeira-ministra Jacinda Adern destacou a necessidade de a população manter-se cautelosa.

Tedros também mencionou a situação de Ruanda: “o progresso do país se deve a uma combinação semelhante de liderança forte, cobertura universal de saúde, profissionais de saúde bem apoiados e comunicações claras de saúde pública”.

O chefe da OMS também elogiou as nações do Sudeste Asiático, Caribe e Pacífico, que tomaram medidas precoces para suprimir o vírus.

Países como França, Alemanha, República da Coréia, Espanha, Itália e Reino Unido, que enfrentaram grandes surtos, também foram capazes de suprimir o vírus de forma significativa, depois que agiram.

Medidas fortes e precisas

Durante toda a pandemia, a OMS recomendou medidas como identificação rápida de casos, rastreamento de contato, distanciamento físico, uso de máscara e lavagem frequente das mãos.

Tedros disse que os países que enfrentam novos picos da doença “agora têm todas as ferramentas disponíveis”.

Ele citou medidas recentemente implementadas no Reino Unido para ficar em casa, bem como a decisão da França sobre o uso obrigatório de máscaras em espaços ao ar livre movimentados em Paris.

“Medidas fortes e precisas como estas, combinadas ao uso de todas as ferramentas disponíveis, são fundamentais para prevenir qualquer ressurgimento da doença e permitir que as sociedades sejam reabertas com segurança”, disse ele. “E mesmo em países onde a transmissão é intensa, ela pode ser controlada através de uma resposta do governo e de toda a sociedade”.

“Suprimir, suprimir e suprimir”

O chefe da OMS enfatizou que a supressão do vírus é crucial para que as sociedades se reabram com segurança, inclusive para que os alunos voltem às aulas.

“Minha mensagem é clara: suprimir, suprimir e suprimir o vírus. Se suprimirmos o vírus de forma eficaz, poderemos abrir sociedades com segurança”, disse ele.

Apoio ao Líbano

A OMS destacou seu apoio ao Líbano após a explosão devastadora na semana passada, que destruiu grande parte da capital, Beirute, deixando cerca de 200 mortos, mais de 6.000 feridos e centenas de milhares desabrigados.

A OMS lançou um apelo de US$ 76 milhões para o Líbano, enquanto a equipe está trabalhando ao lado dos libaneses e de outros parceiros da ONU para avaliar o impacto no setor da saúde.

A agência está enviando US$ 1,7 milhão de itens de equipamentos de proteção individual (EPI) para ajudar na resposta à COVID-19, além de suprimentos humanitários que foram destruídos pela explosão.

“Nós também estamos trabalhando em estreita colaboração com as autoridades nacionais de saúde para melhorar o atendimento ao trauma, inclusive por meio da implantação e coordenação de equipes médicas de emergência qualificadas”, disse Tedros.

“Nós estamos mitigando o impacto da COVID-19, atendendo às necessidades psicossociais e ajudando a restaurar com rapidez as unidades de saúde que foram danificadas”, explicou o chefe da OMS.

Cidades serão determinantes para a recuperação verde no pós-pandemia

A recuperação pós COVID-19 oferece uma oportunidade para as economias voltadas para o futuro, ajudando as cidades a limparem o ar atmosférico, criarem espaços abertos naturais e adotarem soluções que reduzam a emissão de carbono e o uso de recursos naturais. Foto: Pxfuel / DMCA

As cidades abrigam 55% da população mundial, condensando muitas pessoas em um mesmo lugar. Não é de se estranhar que elas sejam as áreas mais afetadas pela COVID-19: estima-se que 90% de todos os casos relatados do coronavírus tenham ocorrido nestas regiões.

No entanto, a concentração de pessoas também torna esses locais essenciais para vencer a luta pela recuperação verde no pós-pandemia – importante para reduzir o risco de futuras pandemias e combater as mudanças climáticas.

As cidades são terrenos férteis para novas ideias e lugares onde muitas técnicas inovadoras para reduzir as mudanças climáticas, a poluição, o uso de recursos e a perda de biodiversidade estão tomando forma.

Antes da COVID-19, muitas já haviam adotado a agricultura urbana, a mobilidade elétrica, os meios de transporte não motorizados e exploravam opções como edifícios de zero carbono, energia distrital, sistemas de energia renovável descentralizados, soluções baseadas na natureza e projetos de recuperação.

De fato, os trilhões de dólares que serão investidos em pacotes de recuperação pós COVID-19 podem acelerar esses desenvolvimentos.

“Ao respondermos à pandemia e trabalharmos pela recuperação, consideramos nossas cidades como hubs de comunidade, inovação e engenhosidade”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, no lançamento de um resumo de políticas sobre a COVID-19 em áreas urbanas. “Agora é a hora de nos recuperarmos melhor, construindo cidades mais resilientes, inclusivas e sustentáveis”.

Economias preparadas para o futuro

A recuperação pós COVID-19 oferece uma oportunidade para as economias voltadas para o futuro, ajudando as cidades a limparem o ar atmosférico, criarem espaços abertos naturais e adotarem soluções que reduzam a emissão de carbono e o uso de recursos naturais, bem como os impactos relacionados aos ecossistemas, ao mesmo tempo em que geram novos empregos.

É fundamental focar no planejamento e design urbanos para criar cidades estrategicamente densas e conectar as residências aos meios de transportes e ao planejamento energético, além de combinar infraestruturas cinza, azul e verde para aproveitar os benefícios das soluções baseadas na natureza.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) defende uma abordagem integrada que conecte natureza, clima e uso da terra nas cidades. Além disso, o PNUMA é a agência implementadora do Programa de Impacto em Cidades Sustentáveis do GEF-7 (GEF-7 Sustainable Cities Impact Program, em inglês), uma plataforma global para a instalação de desenvolvimentos urbanos sustentáveis do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

Por meio desse projeto, o PNUMA, juntamente com o Grupo de Liderança Climática das Grandes Cidades C40, o World Resources Institute (WRI) e a associação Governos Locais pela Sustentabilidade (ICLEI), vão trabalhar com várias áreas urbanas, como Freetown (capital da Serra Leoa), para avançar nas abordagens integradas, que também incluem soluções baseadas na natureza.

O PNUMA também está trabalhando com o ICLEI, através do Centro de Biodiversidade de Cidades (CBC), para apoiar a governança multinível, a fim de ver as pessoas e a natureza coexistindo em harmonia nas cidades e arredores.

“Precisamos lutar por uma recuperação econômica mais verde, resiliente e inclusiva”, disse Guterres. “Ao focar em transformação ecológica e criação de empregos, os pacotes de estímulo podem nos direcionar para um caminho mais resiliente e de baixo carbono, ajudando-nos a avançar rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.

Mudança climática: a próxima ameaça

Para evitar maiores problemas, é necessário agir logo. No momento, a COVID-19 pode estar roubando os holofotes, mas as mudanças climáticas estão aguardando nos bastidores.

As cidades costeiras já estão sofrendo com eventos relacionados à mudança climática, como inundações, erosão costeira, elevação do nível do mar e eventos climáticos extremos. Além disso, as áreas urbanas sofrem mais com altas temperaturas do que as não urbanas.

Atualmente, cerca de 200 milhões de habitantes de mais de 350 cidades experimentam temperaturas superiores a 35°C no verão (95°F). Até 2050, prevê-se que o número de cidades afetadas cronicamente pelo estresse térmico aumente para 970. Todos esses fatores representam graves ameaças à saúde, meios de subsistência e economias em geral.

Contudo, ao mesmo tempo em que as cidades são vulneráveis ​​às mudanças climáticas, elas também são responsáveis por cerca de 75% das emissões globais de dióxido de carbono. Isso significa que a transição pela descarbonização é de responsabilidade dos prefeitos e vereadores. Mais de 70 cidades grandes se comprometeram com a neutralização do carbono até 2050 – o que representa 425 milhões de pessoas.

No entanto, isso é apenas o começo, pois estima-se que cerca de 227 cidades são responsáveis por produzir mais de 10 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C, é preciso reduzir em cinco vezes essas emissões.

Mas, como as cidades já têm o costume de se reinventar, isso é possível. Por exemplo, pandemias anteriores também trouxeram respostas inovadoras, como a introdução dos sistemas de esgoto, os parques públicos e a regulamentação habitacional para melhorar o saneamento e reduzir a superlotação.

Conectando natureza, clima e uso da terra

O Parque Centenário da Universidade Chulalongkorn de Bangcoc é um bom exemplo que combina estratégias baseadas na natureza com objetivos que promovam a saúde, a resiliência urbana e o clima. Seu design inovador reduziu o risco de inundações, através da absorção e armazenamento de água, que é posteriormente usada para a irrigação nos períodos de seca.

Enquanto isso, Medellín, na Colômbia, adotou a natureza como uma solução para a refrigeração do ar atmosférico, através do projeto “Corredores Verdes”, que transformou 18 estradas e 12 vias fluviais em paraísos verdes e de sombra fresca. O projeto reduziu a temperatura da cidade em 2-3°C, melhorando a qualidade do ar e ajudando a biodiversidade.

Através da governança multinível na tomada de decisões, cidades e nações estão cada vez mais unidas pela recuperação socioeconômica. Ministros e prefeitos se reuniram recentemente para acelerar a ação climática em um evento organizado pelo PNUMA, juntamente com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a ONU-Habitat, o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia, o ICLEI e a organização Cidades e Governos Locais Unidos (UCLG).

Mais de 300 participantes – incluindo ministros da Itália, Indonésia, Costa do Marfim, Etiópia, África do Sul e Chile, bem como mais de 25 prefeitos e governadores – discutiram a coordenação de ações para combater as mudanças climáticas, especialmente em setores-chave, como construção civil, transporte, agricultura e gestão de resíduos.

Pacotes de estímulo “verdes”

Como todos os níveis de governo estarão planejando a recuperação socioeconômica das nações, pacotes de estímulo poderiam apoiar a transição rumo à descarbonização. O investimento urbano pode gerar cidades mais compactas, integradas e de uso misto, que reduzam a distância entre locais de trabalho e de residência.

Revitalizar espaços verdes, repensar a mobilidade urbana, promover o uso de transporte público e não motorizado e investir na reforma de prédios para reduzir as desigualdades são formas de melhorar o bem-estar e de criar mais empregos.

“As cidades estão tanto na linha de frente dos impactos das mudanças climáticas, quanto das soluções”, disse a diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen. “Cidades sustentáveis beneficiam nossa saúde, ajudam na mitigação e adaptação do clima e ainda geram empregos”.

#MeuFuturoDoTrabalho: Uma conversa online sobre emprego juvenil na América Latina e no Caribe

No Dia Internacional da Juventude (12 de agosto) em tempos de pandemia, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nas Américas e no Brasil convida para uma conversa virtual importante para o futuro das sociedades na América Latina e no Caribe sobre o emprego das/dos jovens e suas oportunidades de trabalho decente.

A conversa online será realizada na quarta-feira (12), às 18h (horário de Brasília) com tradução em três idiomas (espanhol, inglês e português). Inscreva-se o quanto antes – pois as vagas são limitadas – pelo seguinte link: https://zoom.us/webinar/register/WN_pWHVMr1mRTyIbZF9oJRM-Q

Como as/os jovens enxergam seu futuro do trabalho? Como as/os jovens foram afetados pela COVID-19? Quais são os principais desafios que as/os jovens enfrentam no mundo pós-COVID-19? Quais ferramentas e habilidades as/os jovens precisam ter para sobreviver à crise? Como podemos construir um normal melhor que inclua as/os jovens e que promova seu enorme potencial?

Essas são algumas perguntas que buscaremos responder como parte da estratégia para enfrentar uma crise sem precedentes na região.

Apresentação

Sigrid Bazán, moderadora, Peru.
Vinícius Pinheiro, diretor da OIT para a América Latina e o Caribe.

Painelistas

Alice Caymmi, cantora e compositora, Brasil.
Jameela Hollingsworth, representante do Conselho de Desenvolvimento da Juventude, Barbados.
Santiago Cano, Global Shaper – One Young World, Colômbia.
Marysol Rodriguez, União Industrial Argentina (UIA) Jovem, Argentina.
Gustavo Padua, presidente do Comitê da Juventude Trabalhadora das Américas (CJTA), Brasil.
Max Trejo, secretário-geral da Organização Internacional da Juventude para Iberoamérica (OIJ).

As consequências desta crise acompanharão as/os jovens nos próximos anos. Elas e eles correm o risco de se tornar uma “geração de confinamento”, caracterizada pela interrupção de programas educacionais, pela perda de empregos, pela falência de empreendimentos e pela queda de renda. Mas também é o momento de responder aos desafios, criar novas oportunidades e tornar as/os jovens a força motriz de uma nova sociedade.

O diálogo regional da OIT neste Dia Internacional da Juventude com e para as/os jovens buscará:

Debater o futuro do trabalho das e dos jovens no “#pósCOVID19.
Explorar alternativas de políticas públicas: o que pedem as/os jovens.
Boas práticas: o que funciona para as/os jovens.
Habilidades de amanhã: educação e treinamento para um mundo sustentável.
Empreendimento e empoderamento: o futuro é das/dos jovens.
Diálogo social: como construir um futuro possível.

Mande a sua opinião também!

Diga-nos: O que você deseja para o seu futuro do trabalho pós-COVID-19? Quais os desafios?

Publique sua resposta na forma de um vídeo de até 30 segundos ou um texto curto no Twitter, Instagram ou Facebook com a hashtag #MeuFuturoDoTrabalho. E nós publicaremos em nossas redes sociais.

Saiba mais sobre o evento: https://bit.ly/2CildSZ

 

ONU-Habitat apoia concurso para casas e cidades saudáveis no Rio Grande do Sul

As inscrições do concurso para a categoria profissional vão até o dia 30/08 e para a categoria estudantes até o dia 31/08. Foto: CAU/RS

O Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) está apoiando institucionalmente o Concurso de Ideias “Casa Saudável – Cidade Saudável”, promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul, como parte do pacote de medidas do conselho para responder à pandemia da COVID-19.

O Concurso de Ideias é uma oportunidade para a criação, inovação e propostas de soluções para o enfrentamento da pandemia, com o objetivo de promover uma sociedade mais saudável e segura. A iniciativa busca envolver profissionais e estudantes da Arquitetura e Urbanismo, promover a valorização profissional e também servir como uma resposta à redução da atividade econômica resultante da pandemia.

As ideias a serem apresentadas devem atender cinco categorias: 1. Cidade Saudável: planejamento, urbanização, mobilidade, saneamento; 2. Espaços Públicos: parques, praças, ruas, mobiliário urbano; 3. Equipamentos Públicos: saúde, ensino, cultura; 4. Trabalho Saudável: ambiente de trabalho comercial, serviços ou industrial – coletivos ou individuais; e 5. Casa Saudável: Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS), unifamiliar, condomínios verticais e horizontais, co-livings; home-office e outras modalidades de moradia individual ou coletiva.

Serão premiadas cinco propostas por categoria (25 prêmios para profissionais e 25 para estudantes), totalizando 50 ideias premiadas e R$ 100 mil em prêmios.

“Habitação digna e saneamento são fundamentais para o ser humano sentir-se cidadão e viver com dignidade. Precisamos devolver às cidades os bens universais como ar, sol, água e espaço. E é com esse objetivo que o CAU/RS propõe iniciativas emergenciais para resposta à COVID-19 no estado”, afirmou a vice-presidente interina do CAU/RS, Helenice Macedo do Couto.

De acordo com o Presidente do CAU/RS, Tiago Holzmann da Silva, “a iniciativa aumenta ainda mais a responsabilidade dos Arquitetos e Urbanistas no enfrentamento da crise sanitária que estamos vivendo e busca também sensibilizar a sociedade e reforçar a importância do profissional para a construção de uma sociedade mais saudável, da casa à cidade”.

Segundo a analista de programas do ONU-Habitat, Paula Zacarias, “a pandemia da COVID-19 evidenciou a necessidade de colocar uma ‘lente’ de saúde nos espaços urbanos e habitacionais, e iniciativas como a do Concurso de Ideias “Casa Saudável – Cidade Saudável” contribuem, portanto, para que os determinantes de saúde sejam considerados nos projetos e soluções”.

O Concurso de Ideias é também uma oportunidade para que “os princípios e diretrizes da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e da Nova Agenda Urbana sejam implementados localmente, contribuindo para que tenhamos cidades mais sustentáveis, inclusivas, resilientes e, agora mais do que nunca, também saudáveis”, concluiu a analista de programas do ONU-Habitat.

Clique aqui para acessar mais informações sobre o concurso na categoria profissional
(inscrições até o dia 30/08)

Clique aqui para mais informações sobre o concurso na categoria estudante
(inscrições até o dia 31/08)

Cristo Redentor é palco de celebrações do Dia dos Pais e do lançamento de vídeo narrado por Tony Ramos

Cena do vídeo com poema narrado por Tony Ramos foi exibido em homenagem às vítimas da COVID-19. Evento teve apoio da campanha Verificado. Foto: Divulgação

Cena do vídeo com poema narrado por Tony Ramos foi exibido em homenagem às vítimas da COVID-19. Evento teve apoio da campanha Verificado. Foto: Divulgação

No final de semana em que o Brasil ultrapassou a triste marca de 100 mil vítimas fatais por conta da pandemia, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas Brasileira, com apoio da Verificado – iniciativa das Nações Unidas para o combate à desinformação sobre a COVID-19 – promoveram duas missas em Ação de Graças pelo Dia dos Pais, aos pés do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. As celebrações, presididas pelo cardeal brasileiro Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, homenagearam também as vítimas e as famílias que perderam pais e entes queridos afetados pela COVID-19.

O cardeal deixou uma mensagem para as pessoas que perderam familiares nesta pandemia: “Que essas pessoas que perderam os seus entes queridos, principalmente os pais, mas todos os demais entes queridos também, avós, parentes, filhos, que, mesmo com a dor da separação, sintam que não estão sozinhos. E assim como o Redentor, de braços abertos, nós estamos também abertos para ser essa presença que dá esperança e confiança, para olhar o horizonte bonito que temos aqui com coragem, ânimo, esperança e confiança”, afirmou o arcebispo do Rio de Janeiro.

Na ocasião, foi lançado o vídeo com um poema de autoria do cardeal, poeta e teólogo português José Tolentino Mendonça, lido e interpretado pelo ator Tony Ramos, que emocionado ressaltou que o mundo só pode ficar melhor se nos respeitarmos. A mensagem de solidariedade e esperança busca acalentar os corações dos brasileiros, além de trazer luz aos dias que estão por vir. O vídeo pode ser assistido no link https://youtu.be/nioABTEtndo.

As celebrações foram transmitidas na manhã de ontem (09), ao vivo, pela TV Globo às 6h25, e às 11h nas TVs de inspiração católica – REDEVIDA e Pai Eterno, pelos canais de YouTube da CNBB, Cáritas Brasileira, Edições CNBB e WebTV Redentor, pela Rádio Catedral 106,7 FM da Arquidiocese do Rio de Janeiro, e também pelas páginas de Facebook da Rádio Catedral, WebTV Redentor, Pascom Rio, Arquidiocese do Rio de Janeiro e Cardeal Orani João Tempesta. As imagens foram geradas pela REDEVIDA.

A MENSAGEM
“Livra-nos, Senhor, deste vírus, mas também de todos os outros que se escondem dentro dele.
Livra-nos do vírus do pânico disseminado, que em vez de construir sabedoria nos atira desamparados para o labirinto da angústia.
Livra-nos do vírus do desânimo que nos retira a fortaleza de alma com que melhor se enfrentam as horas difíceis.
Livra-nos do vírus do pessimismo, pois não nos deixa ver que, se não pudermos abrir a porta, temos ainda possibilidade de abrir janelas.
Livra-nos do vírus do isolamento interior que desagrega, pois o mundo continua a ser uma comunidade viva.
Livra-nos do vírus do individualismo que faz crescer as muralhas, mas explode em nosso redor todas as pontes.
Livra-nos do vírus da comunicação vazia em doses massivas, pois essa se sobrepõe à verdade das palavras que nos chegam do silêncio. Livra-nos do vírus da impotência, pois uma das coisas mais urgentes a aprender é o poder da nossa vulnerabilidade.
Livra-nos, Senhor, do vírus das noites sem fim, pois não deixas de recordar que Tu Mesmo nos colocaste como sentinelas da Aurora.”
Cardeal José Tolentino Mendonça

As celebrações com o tema “Para Cada Vida” contam com o apoio do projeto Verificado, uma iniciativa global da Nações Unidas, que busca inundar os canais de comunicação com informações verificadas e transmitidas pela ONU envolvendo os temas de ciência, solidariedade e soluções, combatendo, assim, a infodemia de desinformações em meio a esta pandemia que assola o mundo. O projeto conta com a colaboração da Purpose, uma das maiores organizações de mobilização social do mundo, e com o apoio de articulação do NEXUS, movimento global que facilita espaços de encontro entre as novas gerações de filantropos, empreendedores sociais e investidores de impacto.

Sobre a Cáritas Brasileira
A Cáritas Brasileira é um organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Está organizada em uma rede com 187 entidades-membros e 12 regionais. Sua diretriz geral de ação é a construção solidária, sustentável e territorial de um projeto popular, pautado no fortalecimento da democracia e da justiça social. Acesse www.caritas.org.br.

Sobre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é uma instituição permanente que reúne os bispos católicos do Brasil que exercem conjuntamente funções pastorais em favor dos fiéis do seu território, a fim de promover o maior bem que a Igreja proporciona aos homens, principalmente em formas e modalidades de apostolado devidamente adaptadas às circunstâncias de tempo e lugar. Acesse www.cnbb.org.br.

Sobre o projeto Verificado projeto Verificado é uma iniciativa global ONU que tem o objetivo de combater a infodemia de desinformação em meio à pandemia, compartilhar informações que salvam vidas e orientações baseadas em fatos e histórias do melhor da humanidade. O site Verificado traz uma galeria de informações verificadas e transmitidas pelas Nações Unidas. Na busca de inundar os canais de comunicação, as mensagens são baseadas em três frentes: Ciência – para salvar vidas, Solidariedade – para promover cooperação local e global; e Soluções – para defender o apoio a populações impactada. Acesse: www.compartilheverificado.com.br.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA – AGÊNCIA KETCHUM
Cátia Aiello – catia.aiello@ketchum.com.br – (11) 99566-5328
Valéria Santoro – valeria.santoro@ketchum.com.br – (11) 97672-0159

Pandemia interrompe acesso a informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva

Especialistas participaram da 15ª edição da série de webinários “População e Desenvolvimento em Debate” sobre os impactos da COVID-19 no acesso aos métodos contraceptivos, organizado pelo UNFPA em parceria com a ABEP. Foto: UNFPA

Além das diversas consequências epidemiológicas, a pandemia da COVID-19 também vem interrompendo o acesso a informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva. Especialistas se juntaram, em debate virtual, na última quarta-feira (5) para discutir os impactos no acesso aos métodos contraceptivos. O encontro resultou na 15ª edição da série de webinários População e Desenvolvimento em Debate, realizado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em parceria com a Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP).

O consultor regional do UNFPA em Sistemas de Saúde e Garantia de Suprimentos de Saúde Reprodutiva, Federico Tobar, apresentou resultados de pesquisas – frequentemente atualizadas – realizadas em toda a América Latina e Caribe desde o início da pandemia. “O indicador de necessidades insatisfeitas de planejamento familiar na América Latina vinha caindo nos últimos anos. No início de 2020, chegou a 11,2%, e, com a pandemia da COVID-19, em agosto de 2020, chegou a 16,3%, revelando que cerca de 17 milhões de mulheres descontinuaram o uso de métodos contraceptivos, um retrocesso de até 27 anos”.

O consultor do UNFPA acredita que, neste momento, é necessário desenvolver uma ampla variedade de estratégias para que a população em situação de vulnerabilidade afetada possa, de alguma maneira, acessar os serviços de saúde e contraceptivos.

De acordo com a vice-presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, Cristiane Martins Pantaleão, “este momento de pandemia trouxe várias dificuldades e desafios para nós, gestores municipais e profissionais de saúde quando pensamos na continuidade da garantia do atendimento à população”.

Para lidar com este cenário, desenvolveram guias de orientação para a organização da rede de atenção à saúde, além de oficinas de capacitação para profissionais de saúde. “O Conasems trabalha para apoiar os municípios e os profissionais de saúde, e assim manter o atendimento e o acesso aos serviços de saúde, não só em relação aos contraceptivos, mas todos os serviços, principalmente os vinculados à atenção primária”.

A coordenadora do ForoLAC/Reproductive Health Supplies Coalition, Milka Dinev, trouxe para a discussão exemplos de ferramentas disponíveis que auxiliam no acesso aos serviços. “A SEPREMI, plataforma de seguimento de preços de métodos contraceptivos e insumos de saúde sexual e reprodutiva, cujo objetivo final é que os governos tenham acesso a medicamentos e insumos a melhores preços e condições, pode cobrir as populações em situação de vulnerabilidade”. A segunda ferramenta, MiPLAN, permite medir o impacto do investimento em planejamento familiar e em número de casais protegidos.

A mediação do webinário foi realizada pela representante do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil, Astrid Bant.

Assista o debate na íntegra:

A cada semana, a série “População e Desenvolvimento em Debate” promovida por UNFPA e ABEP realiza discussões entre academia, governo e sociedade civil sobre temas emergentes na Agenda de População e Desenvolvimento. Na próxima quarta-feira (12/08) o tema será: “Pessoas jovens, adolescentes e a COVID-19”. Acompanhe no perfil do UNFPA no Youtube.

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VOCÊ JÁ OUVIU O PODCAST “FALA, UNFPA”?

O Fundo de População das Nações Unidas no Brasil lançou o podcast “Fala, UNFPA” que aborda temas como saúde sexual e reprodutiva, equidade de gênero, raça e etnia, população e desenvolvimento, juventude, cooperação entre países do hemisfério sul e assistência humanitária. Tudo isso, claro, a partir de uma perspectiva de direitos humanos. Saiba mais clicando aqui.

OIM e Câmara Internacional de Comércio lançam guia para proteger trabalhadores migrantes da COVID-19

Migrantes birmaneses trabalham com barcos de pesca nas comunidades costeiras de Phang Nga, na Tailândia. Foto: Thierry Falise/OIM

Migrantes birmaneses trabalham com barcos de pesca nas comunidades costeiras de Phang Nga, na Tailândia. Foto: Thierry Falise/OIM

A Câmara Internacional de Comércio (CIC) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) lançam nesta semana um guia do empregador com medidas para proteger migrantes durante a COVID-19.

Os trabalhadores migrantes são parte crucial da força de trabalho global, respondendo por 3,5% da população mundial, de acordo com a OIM. Em todo o mundo, micro, pequenos e médios empreendimentos dependem dos trabalhadores migrantes, incluindo serviços que garantem commodities e serviços essenciais, assim como indústrias muito afetadas pela COVID-19.

Como as consequências econômicas e humanas da COVID-19 continuam a definir comunidades locais, os negócios podem ter um papel decisivo em abordar os desafios singulares enfrentados por trabalhadores migrantes.

Os trabalhadores migrantes são suscetíveis a perda de trabalho, redução salarial e outros assuntos de segurança e saúde. Ao contrário das populações locais, os trabalhadores migrantes normalmente estão longe de redes de apoio familiares. Eles enfrentam barreiras culturais e linguísticas e com frequência não possuem proteção social. Muitos sofrem discriminação. Enquanto isso, economias no exterior que contam com as contribuições financeiras de trabalhadores migrantes -especialmente países de baixa e média renda – enfrentam uma brusca queda nas remessas internacionais.

Em resposta, a CIC e a OIM publicaram uma lista de recomendações para os empregadores, destacando o papel do setor privado em lidar com desafios específicos dos trabalhadores migrantes durante a pandemia da COVID-19.

O guia inclui um conjunto de princípios gerais para os empregadores, tais como tratar todos com “igualdade, dignidade e respeito”, independentemente do gênero ou condição migratória. Este guia é apresentado em cinco categorias: saúde física e mental, condições de moradia e trabalho, apoio econômico, recrutamento ético e transparência na cadeia de suprimentos.

“A COVID-19 tem exposto e realçado desigualdades do nosso sistema econômico global, incluindo os desafios diários enfrentados pelos trabalhadores migrantes ao redor do mundo”, afirmou o secretário-geral da CIC, John W.H. Denton.

“Ao estabelecer políticas de respostas inclusivas, os negócios podem garantir a saúde, bem estar e segurança de todos os empregados e, ao mesmo tempo, lançar as bases para uma recuperação mais resiliente da economia”, ele acrescentou.

O documento foi adaptado do Guia da OIM para COVID-19 para empregadores e negócios para melhorar a proteção do trabalhador migrante durante a atual crise sanitária e complementa outras recomendações da Câmara em medidas de saúde e segurança para trabalhadores.

“Trabalhadores migrantes continuam nas linhas de frente da nossa resposta à pandemia da COVID-19: não apenas como médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, mas também como trabalhadores em agricultura, transporte e comércio, que mantém nossas cidades funcionando”, afirmou Marina Manke, chefe da Divisão de Desenvolvimento Humano e Mobilidade Laboral da OIM.

“Empregadores estão numa posição única de garantir proteção total para estes trabalhadores, tanto no local de trabalho quanto nas cadeias de suprimento e operação em suas comunidades. Esperamos que este guia seja útil”, afirmou.

A Câmara e sua rede nacional de comitês estão trabalhando com a OIM para chamar atenção às necessidades específicas e medidas de apoio para trabalhadores migrantes durante a COVID-19 em negócios de diferentes regiões. Mais recentemente, a CIC e a OIM – junto com seus escritórios regionais na Argentina, Colômbia, Guatemala e México – realizaram um webinar destinado a empregadores da América Latina.

Acesse o guia complete aqui.

Informações para a imprensa

OIM – Porta-voz: Safa Msehli
smsehli@iom.int Tel: +41794035526

CIC – Oficial de comunicação global: Timothy Conley
timothy.conley@iccwbo.org Tel: +336451282

OIT reforça a importância da convenção sobre os povos indígenas e tribais em tempos da COVID-19

A Convenção da OIT Nº 169 é o único tratado no sistema multilateral aberto à ratificação que trata de forma específica e abrangente dos direitos dos povos indígenas e tribais. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No Dia Internacional dos Povos Indígenas, 9 de agosto, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) relembra a Convenção Nº 169 sobre os Povos Indígenas e Tribais em tempos de COVID-19. Aprovada em 1989, a Convenção busca superar práticas discriminatórias que afetam os povos indígenas e assegurar que participem da tomada de decisões que impactam suas vidas.

A Convenção Nº 169 baseia-se no respeito às culturas e aos modos de vida dos povos indígenas e reconhece os direitos deles à terra e aos recursos naturais, e a definir suas próprias prioridades para o desenvolvimento. Dessa forma, os princípios fundamentais de consulta e participação constituem a pedra angular da Convenção.

A Convenção sobre Povos Indígenas e Tribais (Nº 169) é um tratado internacional adotado pela Conferência Internacional do Trabalho da OIT em 1989. Ela representa um consenso alcançado pelos constituintes tripartites (governos, organizações de trabalhadores e de empregadores) da OIT sobre os direitos dos povos indígenas e tribais nos Estados-membros em que vivem e as responsabilidades dos governos de proteger esses direitos.

A Convenção Nº 169 trata da situação de mais de 5.000 povos indígenas, constituindo uma população de mais de 370 milhões de pessoas, que vivem em mais de 70 países em todas as regiões do mundo. Esses povos possuem diversas línguas, culturas, práticas de subsistência e sistemas de conhecimento.

Como Norma Internacional do Trabalho na forma de uma Convenção, ela é um instrumento que, para ter vigência em um Estado-membro da OIT, necessita de um ato formal por este Estado, comprometendo-se a cumprir os requerimentos estabelecidos nesta convenção. No caso do Brasil, este ato formal de ratificação foi registrado em 25 de julho de 2002, seguindo a decisão do Congresso Nacional do Decreto Legislativo número 143, de 20 de julho de 2002.

Assista a palestra do Diretor do Escritório da OIT no Brasil sobre a Convenção Nº 169, realizada no Simpósio Àwúre, realizado em Brasília em dezembro de 2019:

Processo de aprovação

Desenvolvida em um processo de duas leituras nas Conferências Internacionais do Trabalho realizadas em 1988 e 1989, a Convenção 169 foi adotada pela Conferência Internacional do Trabalho, ocorrida em Genebra, em junho de 1989.

A Convenção Nº 169 não é o primeiro instrumento da OIT tratando de questões relacionados a povos indígenas e tribais. Já em 1957, a Conferência tinha adotado a Convenção Sobre os Povos Indígenas e Tribais de 1957. No entanto, em 1986, um comitê de especialistas convocado pela OIT concluiu que “a abordagem integracionista da Convenção (de 1957) era obsoleta e que sua aplicação era prejudicial no mundo moderno”.

Desde sua adoção em junho de 1989, 23 países ratificaram a Convenção Nº 169. Destes 15 países são latino-americanos: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Dominica, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Paraguai, Peru e Venezuela.

A Convenção Nº 169 é o único tratado no sistema multilateral aberto à ratificação que trata de forma específica e abrangente dos direitos dos povos indígenas e tribais. A ratificação requer dos Estados-membros, que ratificaram a Convenção, se assegurarem que as leis e práticas nestes Estados estejam em concordância com todos os requerimentos da Convenção. Além destes efeitos para os Estados ratificantes, a Convenção também incentivou vários outros países a adotar leis, políticas, instituições ou programas para tratar dos direitos e bem-estar dos povos indígenas e tribais em todo o mundo.

Quando a Conferência Internacional do Trabalho em 1989 adotou a Convenção, estava ciente do fato de que as histórias dos povos indígenas foram marcadas por discriminação, marginalização, etnocídio ou genocídio. Dessa forma, a Convenção Nº 169 reafirma que os povos indígenas e tribais têm direito aos mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que todos os outros seres humanos. Ao mesmo tempo, isso implica também que os costumes indígenas não podem ser justificados, se violarem os direitos humanos universais.

A Convenção Nº 169 prevê, portanto, medidas especiais para garantir uma igualdade efetiva entre os povos indígenas e todos os outros setores da sociedade. No entanto, a exigência de medidas especiais não significa que a Convenção exija que os povos indígenas recebam privilégios especiais em relação ao restante da população.

A importância da Convenção Nº 169 em tempos de pandemia

No mundo inteiro continuam a existir desafios para uma implementação completa da Convenção Nº 169. Esse é um tema de grande importância para a OIT, que tem como uma de suas funções, não somente a supervisão da aplicação de convenções ratificadas, mas também a obrigação de assistir os Estados-membros a encontrarem possibilidades para aprimorar a aplicação da norma.

Até hoje, os povos indígenas e tribais, onde quer que vivam, estão entre os mais pobres, enfrentando exclusão e marginalização. No mundo inteiro, os povos indígenas enfrentam barreiras e desvantagens no mercado de trabalho, pois, comumente, têm acesso limitado à educação e à formação profissional e seus conhecimentos e suas habilidades tradicionais não são necessariamente valorizados ou demandados. Frequentemente, os povos indígenas também enfrentam discriminação contra seus meios de subsistência tradicionais.

Esse conjunto de diferentes vulnerabilidades socioeconômicas, de saúde e ambientais existentes antes da pandemia foi posto em evidência pela crise da COVID-19, cujos impactos se traduzem em consequências particularmente graves para 55 milhões de mulheres e homens indígenas que vivem na América Latina e no Caribe, de acordo com uma análise da OIT divulgada em junho passado.

Com relação ao impacto sobre o emprego, dezenas de milhões de mulheres e homens indígenas também trabalham em setores particularmente afetados pela crise causada pela COVID-19, de serviços, incluindo o trabalho doméstico, hospitalidade e turismo, até comércio, transporte, manufatura e construção. Como a perda de renda afeta os(as) trabalhadores(as) em geral, suas consequências são especialmente graves para homens e mulheres indígenas, pois são mais propensos a trabalharem em condições de informalidade.

A Convenção Nº 169 compreende uma seção completa sobre o direito dos povos indígenas ao emprego, treinamento vocacional e proteção de seus direitos trabalhistas. Além disso, a OIT e seus constituintes estão abordando cada vez mais a situação dos povos indígenas e tribais por meio das convenções fundamentais sobre trabalho, que tratam da não-discriminação; da liberdade de trabalho forçado e de trabalho infantil; e da liberdade sindical e direito à negociação coletiva.

Direito de consulta e de participação

O direito de consulta e de participação na tomada de decisões constitui a pedra angular da Convenção Nº 169 e é a base para a aplicação do conjunto mais amplo de direitos consagrados na Convenção. A consulta e a participação são objetivos importantes em si mesmos, mas também são os meios pelos quais os povos indígenas podem participar das decisões que os afetam.

Consulta e participação não são direitos exclusivamente atribuídos aos povos indígenas. A consulta é um princípio fundamental que pode ser encontrado em todas as outras convenções da OIT, que determinam consultas entre governos, organizações de empregadores e de trabalhadores, bem como aquelas especificamente relacionadas a uma determinada convenção. O requisito geral de consultar os povos indígenas está refletido no artigo 6 (1) da Convenção Nº 169.

Assim, a consulta aos povos indígenas surge como uma obrigação geral nos termos da Convenção Nº 169, sempre que medidas legislativas ou administrativas as afetem diretamente. Tais medidas podem, por exemplo, dizer respeito à elaboração de legislação nacional referente a consultas ou à construção de infraestrutura viária nas terras de uma comunidade indígena específica.

Além disso, a Convenção Nº 169 enfatiza particularmente a necessidade de consultar sob certas circunstâncias, inclusive antes da exploração dos recursos da superfície e antes de uma possível realocação e alienação de terras. A principal área de aplicação dos conceitos de consulta e participação está no contexto das relações entre os povos indígenas e os Estados.

Por fim, a consulta e a participação são princípios fundamentais da governança democrática e do desenvolvimento inclusivo. No Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 9 de agosto, a OIT recorda que os povos indígenas e tribais são parceiros fundamentais para assegurar a construção de um “normal melhor”, que respeite seus direitos e garante o seu acesso a um trabalho decente.

Hospital de campanha salva vidas de indígenas infectados pela COVID-19 no Brasil

Dialisa Mata, indígena Warao de 25 anos e mãe de três filhos, se recuperou da COVID-19 no hospital de campanha em Boa Vista. Foto: Allana Ferreira/ACNUR

Quando seu teste para COVID-19 voltou positivo, Dialisa Mata não conseguiu conter as lágrimas. Ela ouvira o quão perigoso o vírus poderia ser e, como uma mulher indígena cujo povo foi duramente atingido por doenças infecciosas por séculos, Dialisa estava particularmente angustiada.

“Pensei que ia morrer”, disse ela, que tem 25 anos e três filhos. Vivendo com a família em um abrigo no norte do Brasil, ela apresentou sintomas típicos da COVID-19, como falta de ar extrema e fadiga. “Comecei a pensar na minha família, meus filhos… O que aconteceria com eles? O que aconteceria comigo?”

“Comecei a chorar muito, porque tinha tanto medo”, disse ela, acrescentando que também se preocupava com a possibilidade de transmitir a doença para outras pessoas no abrigo onde ela e sua família vivem desde que foram forçados a deixar a Venezuela, em 2018.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 70 mil casos da COVID-19 e mais de 2 mil mortes pela doença foram relatados no início de julho entre a população indígena do mundo, e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) divulgou que há aproximadamente oito mil casos da COVID-19 e 177 mortes entre os povos indígenas que vivem no Brasil.

Para salvar vidas, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), apoia um hospital de campanha em Boa Vista, capital do estado de Roraima, na fronteira norte. Construído pela Operação Acolhida (resposta governamental ao fluxo de refugiados e migrantes venezuelanos no Brasil), o hospital tem capacidade para tratar e isolar até 1.782 pacientes confirmados e suspeitos da COVID-19. Até o momento, 625 venezuelanos e muitos brasileiros – incluindo indígenas – receberam atendimento no hospital.

O ACNUR está ciente de pelo menos 19 mortes relacionadas à COVID-19 entre refugiados, dos quais nove eram venezuelanos indígenas. Mas, graças aos cuidados oportunos que recebeu nas instalações, a Dialisa estava entre as mais de 570 pessoas que se recuperaram. Felizmente, seus familiares, que estavam em quarentena no hospital, escaparam da infecção.

Para os povos indígenas, a COVID-19 é o capítulo mais recente da longa série de dificuldades que remonta ao período colonial, quando as populações originárias das Américas foram dizimadas por doenças como sarampo e gripe comum.

Nos últimos anos, à medida que a crise da Venezuela se aprofundava, milhares de Warao se juntaram aos cerca de cinco milhões de refugiados e migrantes venezuelanos que foram forçados a deixar seu país por causa da escassez generalizada de alimentos e medicamentos, inflação galopante e insegurança. Estima-se que 3,3 mil Warao buscaram segurança no país vizinho, juntamente com quase 1,7 mil outros indígenas venezuelanos, de grupos étnicos como Pemon, E’ñepa e Kariña.

Muitos vieram por conta das dificuldades econômicas para viver em bairros populosos ou mesmo nas ruas, onde medidas de prevenção ao novo coronavírus, como lavar as mãos e manter a distância social, são bem difíceis. Também viram sua renda despencar em meio ao isolamento social imposto pela COVID-19, e muitos que vivem em acomodações alugadas temem serem despejados.

A escassez e a crescente insegurança finalmente levaram Dialisa e sua família a abandonar sua pequena e outrora pacífica vila na região norte de Monagas.

“Os mercados começaram a fechar e não havia mais nada para comer”, lembrou. “Quando as pessoas começaram a ficar com mais fome, muitos roubos começaram a acontecer e a comunidade não estava tão segura quanto costumava ser”.

Em 2018, sua família vendeu seus pertences para pagar a viagem ao Brasil, juntamente com várias outras famílias Warao. Eles chegaram a Boa Vista e conseguiram segurança em um dos abrigos da Operação Acolhida, gerenciados pelo ACNUR e seus parceiros.

Mais da metade dos refugiados e migrantes indígenas no Brasil recebeu algum tipo de apoio do ACNUR, incluindo itens básicos, abrigo e acesso a serviços de saúde – uma ajuda fundamental em contexto de pandemia.

Para o representante do ACNUR no Brasil, José Egas, a saúde é uma das principais prioridades na assistência humanitária às comunidades indígenas. “É uma das maneiras pelas quais o ACNUR está trabalhando em conjunto com a Operação Acolhida do governo brasileiro, que oferece assistência com a recepção e integração local de refugiados e migrantes venezuelanos e é reconhecida como um exemplo a ser seguido por outros países da região”.

Enquanto Dialisa se recupera completamente, ela se preocupa todos os dias com o que a pandemia pode fazer para sua mãe, que ainda está na Venezuela.

“Eu sempre ligo para checar, e ela sempre me diz para ficar aqui com minha família porque lá está muito difícil”, disse Dialisa.

UNICEF e organizações se unem para atender crianças e adolescentes no Complexo da Maré

CRIAndo Rede: proteção à vida de crianças e adolescentes na Maré.

Em resposta à pandemia da COVID-19, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) se uniu às organizações da sociedade civil Luta pela Paz, Redes da Maré e Observatório de Favelas para desenvolver o projeto CRIAndo Rede: proteção à vida de crianças e adolescentes na Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

O objetivo do projeto é fortalecer a rede de proteção social e políticas públicas com foco em crianças, adolescentes e jovens vulneráveis do território, bem como suas famílias.

Entre as ações que serão desenvolvidas até o mês de setembro, estão as doações de cestas básicas e kits de higiene para mais de 6.000 famílias. Além disso, o projeto vai realizar atendimento psicossocial remoto com assistentes sociais, psicólogas e advogada, a fim de identificar e responder a situações de vulnerabilidade envolvendo famílias com crianças e adolescentes da Maré.

Segundo dados do Censo Maré, das 140 mil pessoas moradoras da região, 52% têm até 30 anos, sendo 24,5% com até 14 anos e 27,4% entre 15 e 29 anos.

“Neste momento de pandemia, sabemos da importância do apoio psicossocial e da identificação de violências contra crianças e adolescentes vulneráveis, que foram intensificadas com o isolamento social. É necessário também identificar os gargalos dos serviços de proteção de crianças e apoiá-los para melhorar o acesso e a qualidade do atendimento”, afirmou a chefe do Território Sudeste do UNICEF no Brasil, Luciana Phebo.

Para a coordenadora do eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça da Redes da Maré, Lidiane Malanquini, iniciativas como essa são de suma importância para a comunidade: “A Maré é o conjunto de favelas mais populoso do Rio de Janeiro, com uma grande representação de crianças, adolescentes e jovens. Neste momento de pandemia, é muito importante pensarmos em ações específicas para essa parcela da população que deem conta desse novo contexto, fortalecendo e potencializando a rede de proteção social”.

Com o intuito de promover o fortalecimento das famílias diante dos múltiplos fatores de risco à violência e à violação de direitos, serão criados espaços online seguros de apoio psicossocial para mais de 300 crianças, adolescentes e jovens. Jovens mobilizadores da Maré também atuarão como agentes promotores da saúde mental, produzindo e disseminando conteúdo. “Vamos oferecer atendimento psicológico remoto, utilizando a metodologia dos Diários da Quarentena, uma ferramenta de acompanhamento do processo de cuidado da saúde mental”, apontou a diretora presidente da Luta pela Paz, a Juliana Tibau.

Também será realizada uma pesquisa sobre violência contra crianças, adolescentes e jovens e a rede de proteção na Maré. “O estudo visa levantar dados e análises para subsidiar ações de prevenção da violência e fortalecimento da rede de garantia de direitos de crianças, adolescentes e jovens no território”, explicou a diretora do Observatório de Favela, Raquel Willadino.

Será realizado ainda o mapeamento de atores da rede que poderão ajudar na garantia de direitos e identificação de gargalos do sistema local de proteção. A ideia é realizar recomendações de políticas públicas para adaptar e fortalecer a rede e protocolos durante e pós a pandemia.

As organizações trabalharão de forma conjunta, cada uma com sua especialidade, com intercâmbio de conhecimentos, informações e experiências. Estratégias e ações sinérgicas serão colocadas em prática com intuito de fortalecer a rede de proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Assim, como resultado, espera-se mitigar os danos causados pela pandemia em crianças, adolescentes e jovens da Maré.

Sobre o CRIAndo Rede
O projeto CRIAndo Rede: proteção à vida de crianças e adolescentes na Maré é fruto da parceria entre UNICEF, Luta pela Paz, Redes da Maré e Observatório de Favelas, com o objetivo de mitigar os danos causados pela pandemia do novo coronavírus e fortalecer a rede de proteção de crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade da Maré, na Zona Norte da capital fluminense, o maior conjunto de favelas do estado do Rio de Janeiro.

Sobre a Luta pela Paz
A Luta pela Paz (LPP) foi fundada em 2000 no Complexo da Maré com o propósito de promover o desenvolvimento de crianças e jovens que vivem em áreas afetadas pela violência. Hoje, temos presença em mais de 25 países, por meio de nossas academias, programas Comunidades Seguras e uma aliança de parceiros treinados na metodologia da LPP.

Sobre a Redes da Maré
A Redes da Maré é uma organização não governamental que atua há mais de 20 anos no conjunto de favelas da Maré. A missão da organização é tecer as redes necessárias para efetivar os direitos da população do conjunto de 16 favelas da Maré. Atualmente, conta com mais de 40 projetos que atuam na área da educação, arte, cultura, memórias e identidades, desenvolvimento territorial e direito à segurança pública e acesso à justiça.

Sobre o Observatório de Favelas
Fundado em 2001, o Observatório de Favelas é uma organização da sociedade civil de interesse público sediada no Conjunto de Favelas da Maré, dedicada à produção de conhecimento e metodologias visando incidir em políticas públicas sobre as favelas e promover o direito à cidade. A organização tem como missão construir experiências que superem as desigualdades e fortaleçam a democracia a partir da afirmação das favelas e periferias como territórios de potências e direitos. Desenvolve programas e projetos prioritariamente nos seguintes eixos: direito à vida e segurança pública, comunicação, arte, educação e políticas urbanas.

UNESCO lança cursos online para apoiar empregabilidade de 1 milhão de jovens no mundo

As informações detalhadas sobre os treinamentos disponíveis serão compartilhadas com os 250 Centros UNESCO-UNEVOC, em mais de 160 Estados-membros. Foto: UNESCOAs informações detalhadas sobre os treinamentos disponíveis serão compartilhadas com os 250 Centros UNESCO-UNEVOC, em mais de 160 Estados-membros. Foto: UNESCO

As informações detalhadas sobre os treinamentos disponíveis serão compartilhadas com os 250 Centros UNESCO-UNEVOC, em mais de 160 Estados-membros. Foto: UNESCO

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) lançou no mês passado a Academia Mundial de Habilidades, cujo objetivo é apoiar a empregabilidade e as habilidades de resiliência de 1 milhão de jovens no mundo todo.

Os cursos online também visam ajudá-los a encontrar trabalho durante a recessão iminente, quando as perspectivas de emprego dos jovens parecem sombrias.

Os membros da Coalizão Global de Educação da UNESCO, lançada em março para apoiar os países a desenvolver soluções inclusivas de aprendizagem, estão se unindo para oferecer aos jovens oportunidades de adquirir habilidades digitais e outras competências por meio do acesso gratuito a programas de desenvolvimento de habilidades online.

As ofertas dos parceiros serão agrupadas na Academia Mundial de Habilidades, de modo a fornecer um acesso único às oportunidades de treinamento.

Contribuirão para o projeto os parceiros fundadores, incluindo Coursera, Dior, Festo, Huawei, IBM, Microsoft, Orange Digital Centers e PIX, além de organizações internacionais e outros parceiros, como Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Torneio Internacional de Educação Profissional.

A Academia funcionará por meio de um processo de correspondência coordenado pelo Centro UNESCO-UNEVOC, a rede mundial da UNESCO para instituições especializadas em educação técnica e vocacional.

As informações detalhadas sobre os treinamentos disponíveis serão compartilhadas com os 250 Centros UNESCO-UNEVOC, em mais de 160 Estados-membros.

Os Centros identificarão os participantes interessados e os conectarão às plataformas de treinamento dos membros da Coalizão. Uma prioridade será alcançar os estudantes desfavorecidos.

“A crise destacou a urgência de dotar os jovens com as habilidades certas para acelerar a transição para economias mais inclusivas, sustentáveis e resilientes”, disse Stefania Giannini, diretora-geral adjunta de Educação da UNESCO.

“Isso requer um investimento maciço em educação e capacitação, bem como parcerias ampliadas com os empregadores para reduzir a distância entre a demanda por habilidades e os locais de trabalho.”

O impacto da pandemia na educação e no emprego tem sido dramático. Os estudantes matriculados em instituições de treinamento e os aprendizes foram particularmente afetados pelo fechamento dessas instituições, pois são mais dependentes do treinamento prático e do acesso a máquinas e equipamentos (hardware), disponíveis apenas em centros de treinamento e locais de trabalho.

Habilidades em áreas como análise de dados, computação em nuvem, inteligência artificial e aprendizado de máquina são procuradas nos mercados de trabalho em todo o mundo, mas muitos sistemas de educação e treinamento carecem das capacidades necessárias para preparar os jovens para o emprego nessas áreas.

As contribuições dos parceiros fundadores são as seguintes:

Coursera: Iniciativa de Recuperação da Força de Trabalho (Workforce Recovery Initiative), curso online para recapacitar trabalhadores desempregados para que sejam capazes de entrar novamente no mercado de trabalho.
Dior: programa Women@Dior, um programa de liderança educacional em torno de quatro valores fundamentais: autonomia, inclusão, criatividade e desenvolvimento sustentável.
Huawei: programa Tech4All, um treinamento de habilidades digitais e MOOCS, que cobre áreas como inteligência artificial, big data e internet das coisas.
Festo: módulos de e-learning em tecnologia hídrica e gestão de águas residuais.
IBM: acesso gratuito a plataformas que fornecem treinamento sobre tecnologias emergentes, aprimoramento e capacitação de jovens e adultos.
Microsoft: cursos online e ferramentas do mundo real, ambos gratuitos, para desenvolver habilidades em tecnologias que ajudam estudantes e candidatos a emprego a terem sucesso em um mundo pós-COVID.
Orange: Centros Digitais Orange para o desenvolvimento de habilidades digitais e o Orange Campus Services, que permite acesso gratuito a cursos online, na África e no Oriente Médio.
PIX: plataforma para avaliar, desenvolver e certificar habilidades digitais.

Cooperação global é nossa única escolha contra a COVID-19, diz chefe da OMS

As recomendações da OPAS/OMS foram fundamentais para o Hospital Juarez, na Cidade do México. Foto:  ONU México/Gabriela Ramirez

As recomendações da OPAS/OMS foram fundamentais para o Hospital Juarez, na Cidade do México. Foto:
ONU México/Gabriela Ramirez

Com mais de 18,5 milhões de casos de COVID-19 relatados em todo o mundo até quinta-feira (6), e 700 mil mortes, o principal oficial de saúde da ONU apelou novamente aos países para que se unam na luta contra a doença.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), discursou no Fórum de Segurança de Aspen, que reúne funcionários de alto escalão e ex-funcionários do governo dos Estados Unidos.

A região das Américas continua sendo o epicentro atual da pandemia de COVID-19.

“Apesar de todas as nossas diferenças, somos uma raça humana compartilhando o mesmo planeta e nossa segurança é interdependente – nenhum país estará seguro, até que estejamos todos seguros”, disse ele no encontro virtual.

“Peço a todos os líderes que escolham o caminho da cooperação e ajam agora para acabar com esta pandemia! Não é apenas a escolha inteligente, é a escolha certa e é a única escolha que temos.”

Investimento em preparação

Tedros disse que a pandemia testou a infraestrutura política, econômica, cultural e social global, levando ao limite os sistemas nacionais de saúde, em todos os lugares.

“O mundo gasta bilhões todos os anos se preparando para possíveis ataques terroristas, mas aprendemos da maneira mais difícil que, a menos que invistamos na preparação para uma pandemia e para a crise climática, estaremos expostos a enormes danos”, disse ele.

Como nenhum país pode combater o vírus sozinho, Tedros disse que “nosso melhor caminho é nos atermos à ciência, a soluções e solidariedade, e juntos superarmos esta pandemia”.

Durante uma sessão de perguntas e respostas moderada pelo apresentador de TV norte-americano Lester Holt, o chefe da OMS foi questionado sobre como garantir a distribuição justa de uma vacina contra a COVID-19 quando esta for desenvolvida.

Tedros alertou contra o “nacionalismo da vacina” em um mundo globalizado.

Em abril, OMS e parceiros lançaram o ACT Accelerator para acelerar o desenvolvimento de vacinas e medicamentos contra a doença e para garantir que eles estejam disponíveis para as pessoas em todos os lugares.

“Mas para que isso aconteça, especialmente a distribuição justa, deve haver um consenso global para fazer de uma vacina, ou de qualquer produto, um produto público global. E esta é uma escolha política, um compromisso político, e queremos que os líderes políticos decidam sobre isso”, disse ele.

“O que estamos dizendo é que compartilhar vacinas, ou compartilhar outras ferramentas, na verdade ajuda o mundo a se recuperar junto, e a recuperação econômica pode ser mais rápida e os danos da COVID-19, menores.”

Conheça 14 propostas inovadoras que poderão minimizar o impacto da COVID-19 no Brasil

Hospital das Clínicas. Foto: Governo do Estado de São Paulo

Para incentivar e apoiar a sociedade na criação de alternativas para minimizar o impacto da COVID-19 nas áreas de saúde, economia, impacto social e tecnologia, a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) lançou, com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Plataforma Desafios.

A iniciativa recebeu 598 propostas de projetos, das quais 14 foram classificadas, oito na categoria “Pessoa Física” e seis na categoria “Pessoa Jurídica”. As soluções pontuaram pelos critérios de facilidade de implementação, impacto, eficiência e viabilidade jurídica e econômica.

Categoria Pessoa Física

Da categoria Pessoa Física, participaram cidadãs e cidadãos brasileiros e estrangeiros em situação regular no país, a partir de 18 anos de idade, individualmente ou em grupo. O edital previa até oito premiações para as propostas com melhor pontuação. Todos os projetos vencedores obtiveram mais de 90 pontos, em uma escala com variação de zero a 100.

Conheça as propostas vencedoras:

– Aumento da disponibilidade do Ventilador Mecânico com uso de Válvula Controladora: permite atender a dois pacientes simultaneamente com o ventilador mecânico, utilizando uma válvula controladora de fluxo bidirecional.

– Mandando a real sobre a COVID-19: propõe a criação de uma central de conteúdos artísticos, educativos, informativos e de engajamento direcionados ao combate à COVID-19 nas periferias.

– Aplicativo de Cooperação em Saúde: propõe estabelecer uma rede de parcerias entre União, estados e municípios para fazer a gestão dos recursos de saúde disponíveis, congregando as informações de projeções das curvas de contágio para antever a necessidade de insumos, inclusive para transporte de pacientes e formação de rede de parcerias.

– Aplicativo para acompanhar pacientes com COVID-19: a proposta é identificar o momento certo para buscar assistência presencial em unidade de saúde e auxiliar grupos de risco que precisem de cuidados precoces, monitorando parâmetros e indicando necessidade de auxílio médico.

– Aproximando a comunidade à sua Equipe de Saúde da Família através da tecnologia que já temos e que a maioria dos brasileiros possuem – WhatsApp: propõe usar os agentes comunitários de saúde como mediadores de informações. O agente cria um grupo de WhatsApp com as pessoas da sua área, adicionando um morador por residência. Diariamente, o agente de saúde fará perguntas básicas sobre sintomas no grupo e poderá também compartilhar informações em tempo real. Quem tiver sintomas receberá encaminhamento ao profissional habilitado.

– Coronavírus, o Jogo: desenvolvido para jovens de 12 a 16 anos, é um material educativo “gamificado”, que tem o objetivo de conscientizar jovens para a prevenção da COVID-19. Inclui site, aplicativo nas lojas e campanha de marketing.

– Tecer Esperança: o objetivo é enfrentar a escassez de equipamentos de proteção individual para profissionais de saúde. Em paralelo, propõe a geração de renda para populações vulneráveis que trabalharão na confecção de máscaras e aventais.

– HigienizAção: a proposta é instalar pias de assepsia com acionamento por pedal nas comunidades com aglomerados subnormais, espalhados no Brasil.

Categoria Pessoa Jurídica

A categoria Pessoa Jurídica foi aberta à participação de empresas, negócios de impacto, entidades privadas sem fins lucrativos, instituições de pesquisa científica e tecnológica (ICTs) públicas e privadas. Todos os projetos premiados obtiveram mais de 95 pontos na avaliação realizada pelas bancas examinadoras.

Conheça as propostas vencedoras:

UTI Control – COVID-19: é uma plataforma desenvolvida pela empresa 3 Wings, que permite a gestão e o monitoramento de diversas UTIs simultaneamente e em tempo real. É possível identificar vagas disponíveis, maximizar os tempos de liberação de leitos, necessidades pontuais de isolamento e ventilação mecânica (uso de respirador), permitindo o suporte mais intensivo e eficiente do ponto de vista hemodinâmico e respiratório. Tem ferramenta que permite organizar a fila, usando modelos preditivos, dos pacientes candidatos a leitos de UTI com base em dados assistenciais objetivos. Tem como público os órgãos gestores de saúde. A solução está pronta e vem sendo utilizada por 20 hospitais em Pernambuco.

Monitora COVID-19: apresentada pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Técnica da Fiocruz, é um sistema de código aberto, interativo e escalável, que permite visualização e download de dados brutos e taxas por município, estados, países, bem como opções de modelos matemáticos, análises temporais e espaciais, cenários, medidas de combate, população de risco, relatório municipal. Permite o acompanhamento da pandemia e sua tendência ao longo do tempo, bem como a comparação dos dados brasileiros com os de outros países que estão em estágios mais avançados da epidemia. Viabiliza novas intervenções sociais e administrativas.

Aua (significa “gente”, em tupi-guarani): a ideia é conectar pequenos empreendedores que precisam de apoio para sustentar seus negócios a consumidores que desejam obter mais benefícios em suas compras do dia a dia. O aplicativo oferece cupons de desconto em produtos de pequenos negócios e dá visibilidade aos empreendedores, apostando na humanização.

Simulador de Dispersão do Coronavírus: simula o contágio do vírus com diferentes parâmetros, como o número de pessoas no ambiente, o número inicial de infectados, o percentual de confinamento social e a aquisição de imunidade de rebanho no tempo. O simulador mostra como o vírus se perpetua no ambiente, prediz curvas de contágio, as chamadas ondas. A simulação serve para fins de pesquisa e orientação preditiva aos interessados (do setor público, privado ou de organismos não-governamentais); sua simplicidade e acesso grátis servem para fins educacionais. A plataforma está disponível online.

Micro/nanocrédito comunitário + ações comunitárias: a proposta, enviada pelo Laboratório de Informática e Sociedade da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é investir na Rede de Bancos Comunitários de Desenvolvimento já existentes (com ênfase no Banco do Preventório) para que desenvolva soluções de microcrédito (para produção) e nanocrédito (para consumo). Em paralelo, propõe ações comunitárias como distribuição de cestas básicas.

CovidBR – Uso de Business Intelligence e Geoprocessamento no Combate à COVID-19 no Brasil: destinado a cidadãos, sociedade organizada e autoridades, o projeto é de autoria do Laboratório de Sistemas de Informação da Universidade Federal de Campina Grande. Propõe um sistema de visualização do progresso da pandemia, utilizando técnicas de Business Intelligence com Analytics e de geoprocessamento. O sistema integra dados relevantes para o combate à pandemia em um data warehouse espacial, que atua como um banco de dados centralizado. A partir desse banco de dados, podem ser realizadas diversas análises: espacial, temporal, espaço-temporal, mostrando informações relevantes: casos confirmados, mortes, leitos disponíveis por estado, região ou município, demonstrando a evolução da COVID-19 no país. Por meio do uso do sistema, as pessoas terão visão mais realista e simplificada do progresso da pandemia.

Premiações e incentivos

Somando a premiação e apoio financeiro, os incentivos oferecidos podem totalizar até R$ 1,75 milhão. A próxima etapa é avaliar os projetos que, além da premiação pela ENAP, têm os requisitos para receber apoio de implementação do BNDES, do Fundo Socioambiental da Caixa e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Parcerias

A Plataforma Desafios é uma iniciativa da ENAP, com apoio do PNUD, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), Tribunal de Contas da União (TCU), BB Seguros, BB Consórcios, Cielo, Cateno, Livelo, Banco do Brasil e Caixa.

O apoio do PNUD à plataforma ocorre no âmbito do projeto em parceria com a ENAP que, desde 2016, promove capacidades e políticas públicas para o desenvolvimento sustentável. O objetivo da parceria entre ENAP e PNUD é contribuir para o fortalecimento das capacidades estatais para a implementação da Agenda 2030, por meio de atividades de diagnóstico, produção e gestão de dados e capacitação e desenvolvimento de gestores públicos.

COVID-19 é grave ameaça para os povos indígenas, diz Bachelet

Nas Américas, mais de 70 mil indígenas foram infectados pela COVID-19, sendo 23 mil integrantes de 190 povos da Bacia do Amazonas. Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo

Nas Américas, mais de 70 mil indígenas foram infectados pela COVID-19, sendo 23 mil integrantes de 190 povos da Bacia do Amazonas. Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo

A COVID-19 é uma grave ameaça para os povos indígenas, num momento em que muitos também estão lutando contra os danos ambientais causados pela ação humana e várias formas de exploração econômica.

O alerta foi feito pela alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, para a ocasião do Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo (9 de agosto).

Em quase todos os 90 países onde vivem, frequentemente em locais remotos, muitas comunidades indígenas têm acesso inadequado a cuidados de saúde, água potável e saneamento, salientou.

“O seu modo de vida comunitário pode aumentar a probabilidade de contágio rápido, embora em todo o mundo tenhamos visto exemplos inspiradores de comunidades indígenas tomando medidas baseadas na sua forte organização interna para limitar a propagação do vírus e reduzir os seus impactos.”

“Aqueles que vivem em ambientes mais urbanos sofrem com frequência com a pobreza multidimensional, danos que são agravados por uma severa discriminação – inclusive no contexto dos cuidados de saúde”, declarou.

Nas Américas, mais de 70 mil indígenas foram infectados pela COVID-19, sendo 23 mil integrantes de 190 povos da Bacia do Amazonas.

Houve mais de 1 mil mortes, entre elas a de vários anciãos com profundo conhecimento de tradições ancestrais, incluindo a trágica morte no Brasil esta semana do cacique Aritana, do povo Yawalapiti.

Nesta vasta região que abrange áreas de Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, 420 ou mais povos indígenas vivem em terras que estão cada vez mais danificadas e poluídas pela mineração ilegal, exploração madeireira e agricultura de corte e queima.

Apesar de regulamentações restritivas, muitas destas atividades econômicas ilegais têm continuado nos últimos meses. A movimentação de missionários religiosos também expõe as comunidades a um elevado risco de infecção.

“Os povos indígenas que vivem em isolamento voluntário das sociedades modernas – ou que se encontram nas fases iniciais de contato – podem ter uma imunidade particularmente baixa a infecções virais, criando riscos especialmente agudos”, disse Bachelet.

“As comunidades e povos que foram forçados a abandonar suas terras são também muito vulneráveis, particularmente aqueles que vivem em territórios transfronteiriços.”

Em junho, o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) emitiu orientações sobre os direitos humanos dos povos indígenas no contexto da COVID-19.

O documento destaca práticas promissoras adotadas por vários países – muitas em estreita consulta com os povos indígenas – e enfatiza recomendações práticas com impacto imediato e a longo prazo sobre a saúde.

“De modo geral, a pandemia ressalta repetidamente a importância de assegurar que os povos indígenas possam exercer os seus direitos de autogoverno e autodeterminação”, disse a alta-comissária da ONU.

“Eles devem também ser consultados e devem poder participar na formulação e implementação de políticas públicas que os afetam, através de suas entidades representativas, líderes e autoridades tradicionais.”

Segundo ela, trata-se de salvar vidas e proteger “uma preciosa rede de culturas, línguas e conhecimentos tradicionais que nos ligam às raízes profundas da humanidade”.

“Neste Dia Internacional dos Povos Indígenas, meu escritório compromete-se a trabalhar com os povos indígenas, bem como com a Organização Mundial de Saúde, as equipes das Nações Unidas nos países, os mecanismos de direitos humanos da ONU, e os Estados, para apoiar uma melhor proteção dos seus direitos humanos fundamentais”, concluiu.

ONU leva ajuda humanitária imediata para apoiar Beirute após explosão

Uma equipe da Reserva de Comandantes da Força Interina da ONU no Líbano (UNIFIL) avalia a magnitude da explosão na terça-feira (4) no porto de Beirute, Líbano. Foto: Pasqual Gorriz/ONU

A resposta à explosão ocorrida nesta terça-feira (4) em Beirute, no Líbano, exige apoio global para “superar o impacto devastador” da crise que o povo libanês enfrenta, afirmou o vice-coordenador especial da ONU para o país na quinta-feira (6), Ján Kubis.

As explosões causaram cerca de 140 mortes, 5.000 feridos e centenas de pessoas ainda estão desaparecidas.

Reiterando o compromisso do Secretário-Geral em ajudar o Líbano, a coordenadora-residente Najat Rochdi, que também coordena o esforço humanitário da ONU no país, liberou 9 milhões de dólares do Fundo Humanitário Libanês para ajudar a atender às necessidades imediatas.

A coordenadora-residente disse que ficou profundamente comovida com a solidariedade das pessoas e os atos espontâneos de bondade. “Estamos nisso juntos e estamos comprometidos em apoiar o Líbano neste momento muito difícil”.

O chefe de assistência emergencial da ONU, Mark Lowcock, também vai liberar recursos adicionais do Fundo Central da ONU de Resposta de Emergências (CERF) para atender às necessidades imediatas e ajudar a fortalecer a capacidade dos hospitais existentes. Isso incluirá a expansão e o estabelecimento de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) adicionais, além do fornecimento de kits de trauma, ventiladores, suprimentos médicos e medicamentos.

Impacto nas crianças

Cerca de 80.000 crianças estão entre as 300.000 pessoas deslocadas pelas explosões de Beirute, segundo estimativas do UNICEF, com famílias afetadas que precisam desesperadamente de apoio.

De acordo com a representante adjunta do UNICEF no Líbano, Violet Speek-Warnery, nas últimas 24 horas o UNICEF está trabalhando junto com as autoridades e parceiros locais para responder às necessidades urgentes das famílias afetadas, focando na saúde, na água e no bem-estar das crianças.

Hospitais atingidos

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a explosão deixou três hospitais inoperantes. Além disso, outras duas instalações de saúde sofreram danos substanciais – o equivalente a 500 leitos hospitalares perdidos.

O vice-porta-voz da ONU, Farhan Haq, explicou que estão sendo realizadas novas avaliações, em coordenação com o Ministério da Saúde do Líbano, para “identificar a capacidade disponível, as necessidades materiais e as lacunas operacionais no setor da saúde”.

Instalações lotadas

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), os centro de saúde em Beirute continuam lotados de vítimas com traumas e queimaduras, e muitos atendimentos estão sendo feitos nas calçadas e nos estacionamentos.

Muitas unidades de terapia intensiva já estavam próximas da capacidade com a COVID-19 e o surto no país está piorando.

A OCHA está enviando equipes de emergência para ajudar na resposta às explosões, incluindo especialistas da equipe de Avaliação e Coordenação de Desastres da ONU (UNDAC) e o Grupo Consultivo Internacional de Busca e Resgate.

Fechamento do porto 

“Com o porto de Beirute inoperável, a ONU e seus parceiros estão buscando ajustar as redes de logísticas para garantir a realização das ações”, disse o vice-porta-voz da ONU, Farhan Haq. Segundo ele, os materiais humanitários provavelmente seriam redirecionados pelo porto de Trípoli, mas por ter uma capacidade menor do que o porto de Beirute, é possível que algumas cadeias de suprimentos sejam afetadas negativamente.

Missão da ONU 

A Força Interina da ONU no Líbano (UNIFIL) informou que continua avaliando os danos a um de seus navios da Força-Tarefa Marítima, atingidos durante a explosão. Segundo o porta-voz da ONU, após as explosões, 23 soldados das forças de paz da UNIFIL de Bangladesh foram hospitalizados e 18 receberam alta. Dois soldados permanecem em condições críticas, mas estão estáveis​.

A Missão da ONU continua a se engajar e oferecer apoio às autoridades e ao povo do Líbano para lidar com as consequências.

Líbano: tragédia, crise e pandemia agravam necessidades da população refugiada

Segundo o relatório Tendências Globais, o Líbano é a nação que abriga a maior população de refugiados per capita do mundo: 1 em cada 6 habitantes é uma pessoa que deixou seu país natal para escapar de guerras e conflitos, e buscou em território libanês uma vida em segurança. No total, o Líbano abriga mais de 925.000 refugiados registradosA maior parte deles (98%) veio do país vizinho, a Síria, que está em guerra há quase dez anos. Em seguida, estão refugiados vindos do Iraque e do Sudão. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) atua no país para assegurar abrigo, alimento, saúde e educação aos refugiados e às comunidades que os acolhem. 

Além disso, mais de 200 mil refugiados palestinos vivem no país sob o mandato da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente 

País de origem dos refugiados registrados no Líbano, 31 de Janeiro 2020. © ACNUR

Pandemia de COVID-19 agrava crise socioeconômica 

Altas taxas de desemprego, inflação e depreciação monetária já colocavam em risco o acesso a serviços essenciais pela população libanesa e milhares de refugiados que buscaram refúgio no país. A chegada da pandemia de COVID-19, somada às restrições para conter sua propagação, agravou o cenário de vulnerabilidade enfrentado pela nação. 

No total, o ACNUR já realizou mais de 3.500 testes para COVID-19 em 147 locais em todo o país e participou de obras de expansão e reabilitação de três hospitais públicos. Fornecemos também abrigos com áreas de isolamento, equipamentos hospitalares, leitos de UTI e treinamento para profissionais da saúde. Além disso, o ACNUR distribuiu materiais de higiene para mais de 345.000 refugiados e mais de 10.000 cestas de alimentos foram doadas. 

Comunidade libanesa no Brasil 

No final do século passado, foram os libaneses que contaram com o acolhimento da comunidade internacional, em especial, do Brasil. De 1975 a 1990, uma guerra civil destruiu a nação e deixou cerca de 120 mil mortos, segundo números reconhecidos pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU. 

Diversas fés coexistem no Líbano – muçulmanos xiitas e sunitas, cristãos ortodoxos, católicos, maronitas e protestantes, drusos, judeus, bahá’ís, budistas, hindus – constituindo também uma multiplicidade de posicionamentos políticos dentro do país. 

Com a adoção do Pacto Nacional, em 1943, determinou-se que certos cargos do governo deveriam ser ocupados por indivíduos de grupos religiosos específicos. O presidente da República e o comandante do Exército deveriam ser cristãos maronitas; o primeiro-ministro, um muçulmano sunita; e o presidente do Parlamento, um muçulmano xiita. 

O equilíbrio entre as comunidades religiosas, contudo, foi fragilizado com os eventos da política internacional na metade do século XX. A guerra árabe-israelense de 1948 causou o deslocamento em massa de palestinos para o Líbano, modificando a demografia religiosa do país. A Guerra Fria também polarizou ainda mais as comunidades religiosas em campos ideológicos. 

As tensões político-religiosas logo desencadearam ataques e massacres pelo país, com os grupos disputando o controle do governo. Em 1978, Israel invadiu o sul do Líbano em ofensiva contra a resistência palestina. Em 1982, os israelenses avançaram até Beirute, causando centenas de mortes. Outros países também participaram ativamente do conflito, como a Síria.

O Brasil recebeu milhões de pessoas que precisaram abandonar suas casas durante este período, oferecendo segurança e um novo começo. Esses migrantes estabeleceram-se principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, formando uma rede familiar de acolhimento para parentes que viviam no Líbano e queriam sair do país por causa do conflito. É justamente no Brasil onde vive a maior comunidade de libaneses no mundo, com uma população maior do que a do próprio Líbano. 

Após cada cessar-fogo e acordo de paz, o povo libanês mostrou incrível resiliência para reconstruir seu país. Mesmo enfrentando suas próprias mazelas, como o alto desemprego, a inflação galopante e a depreciação de sua moeda, que colocaram o país em uma crise econômica sem precedentes, o Líbano segue sendo refúgio para milhões de pessoas que foram forçadas a deixar seus países

O ACNUR presta sua solidariedade a população de Beirute e do Líbano e à comunidade libanesa no Brasil neste momento trágico.  

Cristo Redentor recebe missa do Dia dos Pais e lançamento de vídeo de esperança

No Dia dos Pais, comemorado no dia 9 de agosto, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas Brasileira, com apoio do Verificado – iniciativa das Nações Unidas para o combate à desinformação – promoverão duas missas, aos pés de uma das sete maravilhas do mundo – o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. As celebrações vão homenagear as vítimas e as famílias que perderam pais e entes queridos na pandemia, que já levou mais de 716 mil vidas em todo o mundo, sendo aproximadamente 98 mil mortes no Brasil.

As transmissões serão realizadas ao vivo diretamente do Santuário Cristo Redentor. A primeira missa será às 6h25 na TV Globo e, logo após, às 11h00 haverá uma segunda celebração transmitida pelas TVs de inspiração católica, como REDEVIDA e Pai Eterno, e pelos canais de YouTube da CNBB e Cáritas Brasileira. As imagens serão geradas pela REDEVIDA.

Durante ambas celebrações religiosas, haverá o lançamento de um vídeo inédito com um poema de autoria do cardeal, poeta e teólogo português José Tolentino Mendonça, lido e interpretado pelo ator Tony Ramos, que almeja tocar os corações dos brasileiros com palavras de esperança e solidariedade, e, por meio delas, trazer luz aos dias que estão por vir.

Emocionado com o momento crítico pelo qual o planeta está passando, o ator ressaltou: “O mundo só pode ficar melhor se nos respeitarmos. Uma frase antiga de um pensador inglês diz: ‘Cuidado: ódio gera doenças graves, tenhamos amor dentro de nós’. Sonhemos com um mundo melhor, é possível e, agora, depende de nós”.

O cardeal brasileiro Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, que presidirá as duas missas, fará uma bênção especial às famílias e a todos os afetados pela pandemia. “O Cristo Redentor, mais uma vez, abre os braços ao mundo para lembrar de todas as vítimas e famílias que perderam seus entes queridos em decorrência da pandemia. Também, neste segundo domingo de agosto, que é dedicado aos pais, rezemos pedindo a Deus que abençoe a todos”, disse o cardeal.

Verificado – As celebrações com o tema “Para Cada Vida” contam com o apoio do projeto Verificado, uma iniciativa global da Nações Unidas, que busca inundar os canais de comunicação com informações verificadas e transmitidas pela ONU envolvendo os temas de ciência, solidariedade e soluções, combatendo, assim, a infodemia de desinformações em meio a esta pandemia que assola o mundo. O projeto conta com a colaboração da Purpose, uma das maiores organizações de mobilização social do mundo, e com o apoio de articulação do NEXUS, movimento global que facilita espaços de encontro entre as novas gerações de filantropos, empreendedores sociais e investidores de impacto.

Em primeiro de julho, também com o conceito “Para Cada Vida”, foi realizada uma missa em tributo às vítimas da COVID-19, celebrada na igreja São José da Lagoa e uma projeção especial no Cristo Redentor com imagens emocionantes. A mensagem de solidariedade chegou a mais de 25 países e a quase 300 milhões de pessoas, trazendo luz ao triste momento que o país vem atravessando durante a pandemia.

Serviço
Missas em Ação de Graças pelo Dia dos Pais
Data: 9 de agosto
Local: Santuário Cristo Redentor – Rio de Janeiro
Transmissão ao vivo: 6h25 pela TV Globo e 11h00 pelas TVs de inspiração católica, como REDEVIDA e Pai Eterno e pelos canais de YouTube da CNBB e Cáritas Brasileira (horário de Brasília).

Sobre a Cáritas Brasileira
A Cáritas Brasileira é um organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Está organizada em uma rede com 187 entidades-membros e 12 regionais. Sua diretriz geral de ação é a construção solidária, sustentável e territorial de um projeto popular, pautado no fortalecimento da democracia e da justiça social. Acesse www.caritas.org.br.

Sobre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é uma instituição permanente que reúne os bispos católicos do Brasil que exercem conjuntamente funções pastorais em favor dos fiéis do seu território, a fim de promover o maior bem que a Igreja proporciona aos homens, principalmente em formas e modalidades de apostolado devidamente adaptadas às circunstâncias de tempo e lugar. Acesse www.cnbb.org.br.

Sobre o projeto Verificado
O projeto Verificado é uma iniciativa global ONU que tem o objetivo de combater a infodemia de desinformação em meio à pandemia, compartilhar informações que salvam vidas e orientações baseadas em fatos e histórias do melhor da humanidade. O site Verificado traz uma galeria de informações verificadas e transmitidas pelas Nações Unidas. Na busca de inundar os canais de comunicação, as mensagens são baseadas em três frentes: Ciência – para salvar vidas, Solidariedade – para promover cooperação local e global; e Soluções – para defender o apoio a populações impactada. Acesse: www.compartilheverificado.com.br.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA – AGÊNCIA KETCHUM
Cátia Aiello – catia.aiello@ketchum.com.br – (11) 99566-5328
Valéria Santoro – valeria.santoro@ketchum.com.br – (11) 97672-0159

Vídeo produzido por estudantes Waiãpi é selecionado para mostra My World 360º

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Isolados desde o início da pandemia do novo coronavírus na comunidade Waiãpi, em Pedra Branca do Amapari, no Amapá, os estudantes Kauri Waiãpi, Motã Waiãpi, Kuripiri Waiãpi, o professor Aikyry Waiãpi e o diretor da escola indígena, Evilázio Ribas, ainda não sabem que o vídeo Moma’e jarã kõ jikuwaê’ã kõ (Os donos que não vemos) é hoje uma das histórias imersivas que compõem a mostra MY World 360º (Meu mundo 360 graus).

Criada em 2018, a MY World 360º é uma parceria da ONU com a Oculus (Facebook) e propõe a criação de histórias através de tecnologias imersivas, tratando de assuntos relevantes dentro das comunidades e os relacionando aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Atualmente, a mostra compila mais de 100 histórias, que são exibidas em encontros e eventos da ONU, incluindo agora o vídeo Os donos que não vemos.

Projeto Cineastas 360º – O vídeo produzido pelos estudantes da Escola Indígena Estadual Aramirã só se tornou realidade através do projeto Cineastas 360º, promovido pela ONG Recode. Também em parceria com a Oculus, a ONG estimula que alunos de ensino médio reflitam sobre os problemas de suas comunidades e há 25 anos trabalha com empoderamento digital, doando equipamentos de tecnologia imersiva e capacitando professores de escolas públicas.

Como usar esses equipamentos – headsets, tripés, smartphones, câmeras 360º, softwares e materiais didáticos -, e como eles podem contribuir para resolver questões na comunidade? Partindo dessa provocação, o projeto já produziu mais de 100 curtas em todo território brasileiro, revela Rafael Romão, especialista em educação audiovisual da Recode e responsável pedagógico do Cineastas 360º.

Os Donos Que Não Vemos – No segundo semestre de 2019, a Escola Indígena Estadual Aramirã foi uma das selecionadas para representar a região norte do país e o professor de Educação Intercultural Aikyry Waiãpi se deslocou até a sede da Recode no Rio de Janeiro para uma capacitação. Por conta da dinâmica da escola, Romão decidiu ajudar na finalização do projeto indo até a escola em Pedra Branca do Amapari, em vez de oferecer assistência remota, como nos outros projetos.

“Eles queriam difundir os saberes e a cultura Waiãpi”, conta Romão em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio). No filme rodado com tecnologia 360 graus, eles contam que as entidades “que cuidam” da floresta são também as “donas” de rios, igarapés, matas, animais – tudo o que integra o habitat da comunidade. E pedem o fim das queimadas na Amazônia e da poluição das águas porque o dano ao meio ambiente afeta os povos visíveis (os Waiãpi) e os povos invisíveis (entidades donas de todo o ecossistema onde habitam).

“Para eles, todos os seres e os fenômenos possuem donos metafísicos. Se eles, por exemplo, exploram demais determinado rio, estariam ofendendo esse dono, que se vingaria deles. Eles têm essa relação temerária com a natureza”, explica o especialista. “A cosmologia Waiãpi é importante nesse sentido de respeito pelo meio ambiente. Eles têm uma cosmovisão que atravessa tudo, uma disposição, uma ética de se olhar para as coisas com outro olhar”, completa.

Vinculando sempre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável aos projetos, Romão explica que a dinâmica de abordagem dos objetivos acontece de maneira que se entenda como questões locais podem estar conectadas com o global. “Primeiro fazemos o vídeo e depois eles conectam com os ODS e percebem o quanto um problema local se vincula com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, diz.

O vídeo foi finalizado com Romão quando os estudantes se deslocaram até Brasília, para o evento nacional da Recode em 2019. Neste ano, a produção foi então selecionada para a mostra do MY World 360º, uma surpresa que os waiãpi só receberão quando saírem do isolamento da pandemia da COVID-19.

Assista ao vídeo aqui.

Datas internacionais – O trabalho dos jovens Waiãpi vai de encontro ao tema de 2020 do Dia Internacional da Juventude – lembrado em 12 de agosto -, que é “Engajamento da Juventude para Ação Global”. O mês de agosto também celebra o Dia Internacional dos Povos Indígenas no dia 9. O tema da data neste ano é “COVID-19 e a resiliência dos povos indígenas”, focando nas maneiras inovadoras pelas quais eles demonstram resiliência e força para enfrentar a pandemia mesmo ao confrontar graves ameaças à sua sobrevivência. Recentemente, as Nações Unidas em Colômbia, Brasil e Peru pediram um aumento nos esforços de apoio e resposta na região amazônica, à medida que a COVID-19 continua em alta na região, afetando centenas de milhares de pessoas indígenas

No dia 10 de agosto, haverá uma comemoração virtual do Dia Internacional dos Povos Indígenas, transmitida ao vivo (em inglês), das 10h às 11h na TV da ONU . Para saber mais sobre o assunto, acesse aqui a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas em português.

ACNUR lança podcast que discute integração de refugiados no Brasil

Temas relacionados à integração das pessoas refugiadas no Brasil serão discutidos entre profissionais de campo, pesquisadores e os próprios refugiados. Foto: Daniele Batemarque e Camila Seabra

Temas relacionados à integração das pessoas refugiadas no Brasil serão discutidos entre profissionais de campo, pesquisadores e os próprios refugiados. Foto: Daniele Batemarque e Camila Seabra

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), em parceria com universidades da Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM), lançaram na quinta-feira (6) o podcast “Refúgio em Pauta”, que discute temas de integração das pessoas refugiadas no Brasil com profissionais de campo, pesquisadores e os próprios refugiados.

O primeiro episódio trata da segurança alimentar no contexto de pandemia da COVID-19. O coordenador de campo do ACNUR em Boa Vista (RR), Arturo de Nieves, fala sobre a resposta do ACNUR e de seus parceiros em um contexto de emergência humanitária.

A coordenadora do Programa de Atendimento a Refugiados (PARES) da Cáritas-RJ, Aline Thuller, discute a assistência prestada pela ONG no apoio às pessoas em situação de refúgio no Rio de Janeiro (RJ), vivendo em comunidades e no abrigo gerido pela Cáritas-RJ.

Fechando o episódio, o casal de empreendedores venezuelanos Carlos e Marifer relatam o processo de chegada ao Brasil e como está sendo a adaptação de seu empreendimento gastronômico à realidade da pandemia.

Todo mês, um diferente tema conduzirá os debates entre profissionais de campo, pesquisadores, refugiados e parceiros do ACNUR para que seja feita uma análise conjuntural do assunto proposto. O próximo episódio, a ser lançado em setembro, discutirá o tema dos refugiados indígenas que vivem no Brasil.

Para o representante do ACNUR no Brasil, Jose Egas, o podcast “Refúgio em Pauta” consolida os esforços do ACNUR em fazer com que o tema do refúgio seja tratado de forma inclusiva, trazendo os desafios enfrentados, mas também as amplas possibilidades de contribuição que os refugiados aportam no país.

“Os temas de cada episódio são debatidos entre especialistas e pessoas refugiadas, sendo um retrato da realidade que requer aprofundamento de discussão. Por isso o podcast é importante, pois pode ser acessado em diferentes localidades, por diferentes públicos e traz variadas perspectivas de análise que contribuem para uma melhor compreensão sobre o tema do refúgio como um todo, reduzindo a xenofobia e a discriminação”, afirma Egas.

O podcast “Refúgio em Pauta” é o resultado de um projeto de inovação do ACNUR, onde profissionais da agência de todo o mundo são convidados para trazerem dilemas dos mais variados campos de atuação para discutir soluções adequadas, de baixo investimento.

Como o programa de interiorização de venezuelanos promovido pelo governo federal já realocou mais de 38 mil pessoas desde Boa Vista para cerca de 600 municípios brasileiros, o podcast é uma ferramenta estratégica de informação atual e confiável, estando disponível nos diversos agregadores de podcast.

A produção conta com a participação de acadêmicos vinculados à Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM), uma iniciativa do ACNUR que existe desde 2003 e que atualmente reúne 23 instituições de ensino superior.

A Cátedra tem o objetivo de difundir no ensino universitário os temas relacionados ao refúgio, promover pesquisas e implementar iniciativas que facilitem o processo de integração das pessoas refugiadas no Brasil.

Os seguintes profissionais integram a equipe de produção do podcast:

Coordenação: Miguel Pachioni (ACNUR)
Produção: ACNUR (Miguel Pachioni e William Laureano); PUC-Minas (Profs. Danny Zahreddine e Duval Fernandes); UFES (Profa. Brunela Vincenzi); UNICAMP (Profa. Ana Carolina Maciel e Mariana Hafiz); UFSM (Profa. Giuliana Redin, Gianlluca Simi e Nathália Costa) e Carlos Escalona (jornalista venezuelano)
Arte: PUC-Minas (Daniele Batemarque e Camila Seabra)
Edição de som: ACNUR (Miguel Pachioni), UNICAMP (Mariana Hafiz), UFSM (Gianlluca Simi) e UFES (Alex Rosa de Andrade e Hélio Marchioni)
Vozes das vinhetas: Leonardo Matumona (músico da República Democrática do Congo) e Oula Al-Saghir (artista da Palestina/Síria)

Todos os episódios estarão disponíveis no site do ACNUR Brasil e nos principais agregadores de podcast.

ONU: é essencial que países mobilizem recursos para proteger povos indígenas na pandemia

Os povos indígenas são os melhores protetores das florestas tropicais. Foto: Mongabay | Daniel Aguilar.

Os povos indígenas são os melhores protetores das florestas tropicais. Foto: Mongabay | Daniel Aguilar.

Em mensagem para o Dia Internacional dos Povos Indígenas, observado no próximo domingo (9), o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a COVID-19 está tendo um impacto devastador em mais de 476 milhões de indígenas em todo o mundo.

“Ao longo da história, os povos indígenas foram dizimados por doenças trazidas de outros lugares, às quais não tinham imunidade”, lembrou.

“É essencial que os países mobilizem os recursos para responder às suas necessidades, honrar suas contribuições e respeitar seus direitos inalienáveis.”

O secretário-geral da ONU lembrou que, mesmo antes da atual pandemia de COVID-19, os povos indígenas já enfrentavam desigualdades arraigadas, estigmatização e discriminação.

O acesso inadequado a cuidados de saúde, água potável e saneamento aumenta sua vulnerabilidade, salientou.

“Os povos indígenas trabalham principalmente em ocupações tradicionais e economias de subsistência ou no setor informal. Todos foram afetados negativamente pela pandemia.”

As mulheres indígenas, que costumam ser as principais fornecedoras de alimentos e nutrição para suas famílias foram particularmente afetadas pelo fechamento de mercados de artesanato, produtos e outros bens, lembrou.

“Também devemos abordar com urgência a situação das crianças indígenas que não têm acesso a oportunidades virtuais de aprendizagem.”

“Em todo o mundo, os povos indígenas têm estado na vanguarda na demanda por ações ambientais e climáticas”, disse.

O secretário-geral da ONU alertou que a aplicação deficiente das proteções ambientais durante a crise trouxe uma crescente invasão dos territórios dos povos indígenas por mineradores e madeireiros ilegais.

“Muitos povos indígenas foram vítimas de ameaças e violência, e muitos perderam a vida diante de tais ameaças.”

Mesmo nesse cenário, Guterres lembrou que os povos indígenas demonstraram extraordinária resiliência.

“As comunidades indígenas com autonomia para administrar suas terras, territórios e recursos garantiram a segurança e o cuidado alimentar por meio de cultivos tradicionais e da medicina tradicional”, disse.

O povo Karen da Tailândia reviveu seu antigo ritual de “Kroh Yee”, ou fechamento de uma vila, para combater a pandemia, contou.

“Tais estratégias foram aplicadas em outros países asiáticos e na América Latina, com as comunidades fechando a entrada em suas áreas.”

“A realização dos direitos dos povos indígenas significa garantir sua inclusão e participação nas estratégias de resposta e recuperação da COVID-19. Os povos indígenas devem ser consultados em todos os esforços para se fortalecer e se recuperar melhor.”

Desde o início da pandemia global, as agências das Nações Unidas vêm trabalhando para defender os direitos dos povos indígenas. A ONU tem ajudado a salvaguardar a saúde e a segurança e a fornecer acesso a proteção social e oportunidades econômicas.

O Sistema das Nações Unidas continua comprometido com a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas e em reforçar sua resiliência, concluiu o secretário-geral.

Líbano: apoio aos hospitais é prioridade da ONU após explosão em Beirute

Grandes áreas de Beirute foram destruídas como resultado da explosão no porto da cidade. Foto: UNIFIL

Grandes áreas de Beirute foram destruídas como resultado da explosão no porto da cidade. Foto: UNIFIL

A Organização das Nações Unidas (ONU) está trabalhando em estreita colaboração com as autoridades do Líbano para apoiar a resposta contínua após a enorme explosão que abalou Beirute na terça-feira (4), destruindo grandes áreas da capital.

Mais de 130 pessoas morreram na explosão, que atingiu o porto e os arredores, deixando inúmeros feridos e milhares de desabrigados. O governo declarou estado de emergência por duas semanas.

Falando na quarta-feira (5), o vice-porta-voz da ONU Farhan Haq disse a jornalistas que o apoio a hospitais e à resposta a traumas é uma prioridade.

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) está trabalhando em estreita colaboração com o Ministério da Saúde libanês para conduzir uma avaliação das instalações hospitalares em Beirute, sua funcionalidade e necessidades de apoio adicional, particularmente em meio à pandemia de COVID-19”, disse ele.

“Especialistas estão sendo enviados para Beirute para ajudar na resposta de emergência, tanto das Nações Unidas quanto de vários Estados-membros. Especialistas estão a caminho para apoiar operações de busca e salvamento urbano. As equipes também estão equipadas para realizar avaliações rápidas sobre a situação no terreno e ajudar a coordenar as atividades de resposta a emergências.”

O porto de Beirute é o principal porto do Líbano e é essencial para as atividades do país e das Nações Unidas na Síria, explicou Haq.

“Os danos ao porto devem exacerbar significativamente a situação econômica e de segurança alimentar no Líbano, que importa cerca de 80% a 85% de seus alimentos”, disse ele, respondendo à pergunta de um jornalista.

“Nossos colegas do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) também esperam que isso afete nossa capacidade de fornecer ajuda à Síria, porque o porto de Beirute era uma das maneiras de enviar ajuda e, é claro, também usamos aeroportos, por isso precisamos encontrar planos alternativos.”

Avaliações sobre alimentação e abrigo

Enquanto isso, o Programa Mundial de Alimentos (WFP) está realizando uma avaliação das necessidades alimentares. Uma avaliação das necessidades de abrigo também está em andamento.

O WFP disse que a explosão e os danos ao porto piorarão “a sombria situação econômica e de segurança alimentar no Líbano”, que já estava enfrentando a pior crise econômica de todos os tempos, agravada pela pandemia de COVID-19.

“Uma pesquisa recente do WFP sobre o impacto da crise econômica e do surto de COVID-19 e medidas subsequentes de bloqueio nos meios de subsistência e segurança alimentar revelou que os alimentos se tornaram uma importante fonte de preocupação, com 50% dos libaneses dizendo no mês passado que se sentiam preocupados sobre a possibilidade de não ter comida suficiente”, disse a agência na quarta-feira.

A ONU está analisando todas as opções para encontrar maneiras de fornecer assistência financeira para os esforços de resposta em andamento.

A Organização está otimista com o fato de que governos de todo o mundo declararam seu apoio ao Líbano, disse Haq, que lembrou que o país tem sido destino para pessoas que fogem da guerra e da perseguição.

Acolhida a refugiados

O Líbano, que tem uma população de cerca de 6 milhões de pessoas, recebeu quase 900 mil sírios e mais de 200 mil refugiados palestinos, além de mais de 18 mil outras pessoas deslocadas de países como Iraque e Sudão.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) expressou solidariedade com o povo libanês após a explosão de grandes proporções.

O alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados, Filippo Grandi, emitiu um comunicado manifestando “sinceras condolências às famílias que perderam seus entes queridos. Nossos pensamentos estão com aqueles que ficaram feridos.”

Os funcionários da ONU no Líbano e seus dependentes estão entre os afetados pela explosão, com cerca de 100 recebendo tratamento, segundo Haq. Ele também informou que dois familiares de funcionários da ONU morreram.

Estado de choque

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelou o impacto sobre sua equipe no Líbano.

“Um de nossos colegas perdeu a esposa, sete de nossa equipe ficaram levemente feridos e dezenas de casas foram danificadas”, disse Yukie Mokuo, representante do UNICEF no Líbano, em comunicado divulgado na quarta-feira.

“A maioria de nossa equipe – assim como a maioria das pessoas no Líbano – está em estado de choque.”

O UNICEF está coordenando com as autoridades e parceiros libaneses a responta às necessidades.

A agência forneceu água potável para os funcionários do porto de Beirute enquanto ajudava as autoridades de saúde a resgatar medicamentos e vacinas que permaneciam em um depósito. Seus parceiros no terreno estão fornecendo apoio psicossocial para crianças em toda a cidade.

“A catástrofe de ontem em Beirute contribui para o que já estava sendo uma crise terrível para o povo do Líbano, agravada por um colapso econômico e um aumento nos casos de COVID-19. A pandemia já significava que os hospitais estavam sobrecarregados e os funcionários da linha de frente, exaustos”, disse Mokuo.

Ela acrescentou que o UNICEF intensificará os esforços para alcançar as famílias em maior situação de vulnerabilidade nos próximos dias.

ONU Mulheres lança na sexta (7) diretrizes para atendimento em casos de violência de gênero

O documento traz orientações e recomendações práticas para auxiliar e garantir o acesso das mulheres às medidas cabíveis nas situações de violência que estejam vivenciando. Foto: EBC

O documento traz orientações e recomendações práticas para auxiliar e garantir o acesso das mulheres às medidas cabíveis nas situações de violência que estejam vivenciando. Foto: EBC

A ONU Mulheres lança na sexta-feira (7), a partir das 16h em seu canal do YouTube, um documento com diretrizes para atendimento em casos de violência de gênero contra meninas e mulheres em tempos de pandemia de COVID-19.

O objetivo é fortalecer a resposta para o enfrentamento à violência sofrida por meninas e mulheres neste período.

O documento terá recomendações para atendimento remoto e reorganização do atendimento presencial, considerando a rede de atendimento a mulheres em situação de violência e as especificidades de resposta no acolhimento às vítimas nos serviços policiais, de saúde, de abrigamento, entre outros.

O evento de lançamento é realizado em parceria com a União Europeia e ocorre em celebração dos 14 anos da Lei Maria da Penha.

A transmissão ao vivo no Youtube da ONU Mulheres Brasil será aberta para perguntas do público com propósito de ampliar a fortalecer as discussões acerca das políticas públicas voltadas à redução dos efeitos da violência de gênero no Brasil.

Para a representante da ONU Mulheres Brasil, Anastasia Divinskaya, a Lei Maria da Penha é mais que uma lei, é um instrumento que salva vidas, além de ser um marco histórico de vitória do movimento de mulheres no Brasil.

“Este ano celebramos seu 14º aniversário com as Diretrizes para Atendimento em Casos de Violência de Gênero contra Meninas e Mulheres em Tempos da Pandemia COVID-19, uma pequena contribuição da ONU Mulheres para o enfrentamento da pandemia silenciosa das violências contra mulheres e meninas”, disse.

O documento traz orientações e recomendações práticas para auxiliar e garantir o acesso das mulheres às medidas cabíveis nas situações de violência que estejam vivenciando.

Recupera princípios éticos no acolhimento às vítimas no contexto das medidas sanitárias para contenção da COVID-19, abordando também as etapas de atendimento em tempos de pandemia.

A apresentação será feita pela pesquisadora Wânia Pasinato e a mediação ficará por conta da gerente de programas da ONU Mulheres Brasil, Ana Carolina Querino.

As diretrizes são voltadas a organismos de políticas para mulheres, conselhos de direitos das mulheres, profissionais de serviços especializados/não especializados de atendimento a mulheres em situação de violência, bem como a quaisquer organizações que atendam mulheres de todas as idades e raças em situação de violência.

Apesar da escassez e dificuldade em produzir dados específicos no atual contexto, estudos parciais sinalizam para um aumento no registro de atendimentos de violência doméstica no 190 e no número de feminicídios no país.

Neste sentindo, é fundamental que exista inclusão das perspectivas de gênero e raça na elaboração e implementação de todas as medidas para a contenção do novo coronavírus, de acordo com a ONU Mulheres.

Clique aqui para acessar a publicação.

Lançamento das Diretrizes para Atendimento em Casos de Violência de Gênero contra Meninas e Mulheres em Tempos da Pandemia COVID-19
Data: 07/08/2020
Horário: 16h às 17h30
Conexão – canal do YouTube da ONU Mulheres Brasil

UNFPA entrega 800 kits e cestas básicas para mulheres vítimas de violência em Salvador

UNFPA entrega kits e cestas em parceria com a Prefeitura de Salvador. Foto: Midiã Santana/UNFPA Brasil

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em parceria com a Prefeitura de Salvador, começou a entregar, nesta terça-feira (04), 800 kits de higiene e cestas básicas a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar que estão sob proteção e abrigamento na Bahia.

Os Kits Dignidade, como são chamados, contêm artigos como sabonete, álcool em gel e máscaras de tecido confeccionadas por artesãs do coletivo de costureiras Rede de Economia do Sagrado Solidária. O objetivo é fortalecer a prevenção à COVID-19 entre essas pessoas e também a rede de proteção à violência baseada em gênero.

Tanto os kits quanto os alimentos vêm acompanhados de folhetos informativos, elaborados com apoio de especialistas do Fundo de População da ONU e da Prefeitura de Salvador, sobre como se prevenir da doença causada pelo novo coronavírus, como reconhecer a violência de gênero e como denunciar, uma vez em que na pandemia o número de casos pode aumentar.

A representante do Fundo de População da ONU no Brasil, Astrid Bant, explicou que o Fundo de População da ONU tem investido na entrega de Kits Dignidade em vários estados do país, sempre com foco em mulheres e pessoas que já estavam em situação de vulnerabilidade antes na pandemia e que podem ter sua situação agravada.

“É uma forma de fornecer acesso a produtos de prevenção que nem sempre estão disponíveis. Nesse contexto, é fundamental também o apoio da prefeitura de Salvador para reconhecer e proteger mulheres vítimas de violência de gênero”, afirmou a representante do UNFPA.

“Sem dúvidas essa parceria vem para somar com todas políticas públicas que já estão sendo desenvolvidas pela Prefeitura de Salvador para as mulheres vítimas de violência, visando trazer esperança e uma nova perspectiva de futuro para elas”, destacou a secretária municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), Rogéria Santos.

Parceria UNFPA e Prefeitura de Salvador

A entrega dos kits faz parte de uma parceria maior, firmada pelo Fundo de População da ONU (UNFPA) com a Prefeitura de Salvador, com apoio estratégico da área internacional do Gabinete do Prefeito, da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ) e da Secretaria Municipal de Promoção Social (SEMPRE).

Oficializada com a assinatura de um memorando de entendimento com a Prefeitura de Salvador, a parceria prevê, inicialmente, o desenvolvimento de projetos que visem a prevenção à violência de gênero e o fortalecimento da rede de proteção às mulheres, mas também pode envolver outros projetos com foco no desenvolvimento sustentável e equitativo da população soteropolitana, contemplando o reconhecimento, proteção, promoção e efetivação dos direitos humanos, incluindo ações relacionadas aos direitos e necessidades de adolescentes, jovens e mulheres, considerando os recortes de raça e gênero.

Pessoas refugiadas e migrantes indígenas de Manaus recebem apoio

O UNFPA realizou também na quarta-feira (5) a doação de kits no abrigo indígena Tarumã Centro, em Manaus (AM). A ação foi realizada com apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semasc), que administra o local.

Os kits doados pela União Europeia contém artigos de higiene pessoal, como álcool em gel, sabonete, escova de dentes e absorventes. Foram distribuídos para todas as meninas, adolescentes e mulheres do abrigo, que hoje conta com uma população aproximada de 39 pessoas da etnia Warao.

OPAS adverte contra uso de produtos à base de cloro como tratamento para a COVID-19

A OPAS não recomenda o uso oral ou parenteral de dióxido de cloro ou produtos com clorito de sódio para pacientes com suspeita ou diagnóstico da COVID-19. Foto: OPAS

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um alerta contra o uso de produtos à base de cloro como tratamentos para a COVID-19.

“A OPAS não recomenda o uso oral ou parenteral – intravenosa, intra-arterial, intramuscular e subcutânea – de dióxido de cloro ou produtos com clorito de sódio para pacientes com suspeita ou diagnóstico da COVID-19 ou para qualquer outra pessoa. Não há evidências de sua eficácia e a ingestão ou inalação de tais produtos pode causar graves efeitos adversos”, alertou o documento.

A OPAS recomenda que a população evite consumir produtos que contenham dióxido de cloro ou substâncias relacionadas (hipoclorito de sódio e alvejante, por exemplo) e que toda a comercialização desses produtos para fins terapêuticos seja notificada às autoridades.

Desde o início da pandemia da COVID-19 neste ano, “numerosos produtos contendo dióxido de cloro ou seus derivados foram comercializados isoladamente ou em combinação com outros produtos com falsas alegações de que podem curar a COVID-19 e doenças associadas”, explicou a OPAS no alerta.

O dióxido de cloro, um gás usado como alvejante nas estações de tratamento de água, e o hipoclorito de sódio, um desinfetante comercializado como alvejante doméstico, podem ser tóxicos se ingeridos e causar vários efeitos adversos.

Os ministérios da saúde e as autoridades reguladoras de pelo menos nove países das Américas, incluindo a Administração de Medicamentos e Alimentos dos EUA (FDA, sigla em inglês), juntamente com redes de centros de controle de venenos e a Rede Argentina de Centros de Informação sobre Medicamentos, emitiram alertas sobre os riscos à saúde do consumo de dióxido de cloro ou clorito de sódio e alertaram sobre a comercialização de produtos “milagrosos” não comprovados para prevenir ou tratar a COVID-19.

A OPAS recomenda que as autoridades de saúde facilitem a notificação de eventos adversos relacionados a essas substâncias e emitam os alertas e ações regulatórias necessários, incluindo possíveis sanções, a fim de evitar a recorrência de tais eventos.

Clique aqui para acessar o alerta da OPAS (em inglês).

Com apoio do UNFPA, mulheres em custódia participam de oficina de costura em Manaus

Máquinas de costura e materiais foram doados pelo UNFPA em Manaus (AM). Foto: UNFPA/Bruno Augusto Kelly

Máquinas de costura e materiais foram doados pelo UNFPA em Manaus (AM). Foto: UNFPA/Bruno Augusto Kelly

Quatorze mulheres em custódia no Centro de Detenção Provisória de Manaus (AM) estão participando de oficina de costura em curso ministrado por meio de um projeto de ressocialização da Secretaria de Administração Penitenciária do Amazonas (Seap).

O objetivo é que aprendam a desenhar e confeccionar máscaras de tecido a serem utilizadas na prevenção ao novo coronavírus. O projeto é realizado com apoio do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

O UNFPA doou os equipamentos e os materiais, em mais uma de suas atividades para ajudar a diminuir o impacto da pandemia da COVID-19 no país.

A oficina faz parte de uma parceria maior com a Secretaria de Administração Penitenciária, firmada por meio da assinatura de um termo de cooperação que prevê ações de promoção da saúde e de proteção dos direitos humanos das mulheres em custódia de Manaus.

As 10 mil máscaras resultantes da oficina de costura serão utilizadas pelo próprio programa de assistência humanitária do UNFPA na região e também pelos funcionários e demais pessoas em custódia do sistema.

“Esta iniciativa nos enche de orgulho. Além de promover a saúde, com a distribuição em larga escala de máscaras de tecido, também contribui significativamente para o pleno exercício dos direitos humanos. É uma oportunidade de oferecer novas habilidades e aperfeiçoamento para essas mulheres em custódia”, destaca a representante do UNFPA no Brasil, Astrid Bant.

A assistente de projetos do UNFPA em Manaus, Débora Rodrigues, visitou a oficina na semana passada e conheceu um pouco mais sobre o trabalho. A visita foi acompanhada pelo secretário-executivo adjunto da Seap, André Luiz Barros Gioia, pela chefe do Departamento de Reintegração Social e Capacitação, Keyla Maria Pinheiro Prado, e pela diretora do Centro de Detenção Provisória, a tenente Maria do Socorro Freitas Pinho de Souza.

A diretora destacou a importância da oficina e do apoio do UNFPA no processo. “Ao oferecer uma educação profissional às internas, temos como objetivo formar uma cidadã para o ingresso de volta à sociedade, onde serão tratadas com respeito e dignidade. Isso cria esperança e abre novos caminhos e perspectivas de vida”, afirma.

OPAS alerta para interrupções nos serviços regulares de saúde devido à COVID-19

Foto: Agência Brasil

Os serviços de saúde nos países das Américas estão sendo interrompidos à medida que profissionais de saúde são redirecionados para atender pacientes com COVID-19. Além disso, as pessoas estão hesitando em procurar atendimento de rotina devido ao medo de infecção e as cadeias globais de fornecimento de medicamentos e equipamentos estão prejudicadas, alertou nesta terça-feira (4) a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne.

“Sem médicos e enfermeiros disponíveis para oferecer outros serviços essenciais no primeiro nível de atenção – incluindo atendimento relacionado à gestação e gerenciamento de condições crônicas como diabetes ou doenças infecciosas como HIV, TB e malária –, esses serviços foram severamente interrompidos ou pior ainda, pararam por completo”, explicou Etienne na coletiva de imprensa semanal da OPAS.

A região permanece sob forte atenção. Em 3 de agosto, as Américas contabilizavam mais de 9,7 milhões de casos e mais de 365 mil mortes. “E esses números continuam a aumentar”, afirmou a diretora da OPAS.

“Mais de um quarto dos países suspenderam campanhas de vacinação de rotina. Semanas ou meses de interrupção aumentarão o risco de surtos de doenças evitáveis por vacinas, revertendo nossas tendências de longa data na região”, pontuou Etienne.

Em 27 países, metade dos programas de diabetes e hipertensão da atenção primária foi interrompida, mostra pesquisa, e as visitas relacionadas à gestação caíram 40%. Hoje, 11 países das Américas têm menos de três meses de fornecimento de antirretrovirais. “Se estes não forem reabastecidos em breve, as pessoas que vivem com HIV podem ter que interromper o tratamento. A falta desses suprimentos simplesmente não é uma opção”, afirmou a diretora da OPAS.

Uma resposta prolongada a esta pandemia deve incluir o fornecimento de outros serviços essenciais para salvar vidas, defendeu Etienne. “Os países devem evitar pensar que precisam fazer uma escolha entre reabrir economias e proteger a saúde e o bem-estar de seu povo”.

A OPAS está pedindo aos países que se adaptem a essa nova situação para “reestruturar como os cuidados essenciais são prestados e investir no primeiro nível de atenção, usando telemedicina, visitas domiciliares e programas de extensão comunitária para apoiar populações vulneráveis”.

Ao mesmo tempo, também devem mitigar os efeitos da COVID-19. “Esta não é uma escolha, os governos devem encontrar esse equilíbrio cuidadoso para a saúde pública”, disse a diretora da OPAS.

“Os países podem responder à COVID-19 fornecendo testes e rastreamento de contatos, além de oferecer outros serviços essenciais, como imunização e apoio à saúde mental. Uma abordagem integrada economiza tempo e recursos dos pacientes, melhorando a qualidade dos cuidados que eles recebem”, disse ela.

“Os investimentos em atenção primária à saúde também melhoram a eficiência, reduzem os custos de cuidados de saúde e permitem que hospitais e comunidades expandam a capacidade em outras áreas de atendimento”.

“Enquanto continuamos esse caminho em direção à saúde universal, precisamos garantir que nossos sistemas de saúde sejam resilientes e que tenham os recursos, suprimentos e profissionais de saúde necessários para combater uma pandemia, além de manter as pessoas saudáveis e protegidas de outras doenças”, concluiu Etienne.

CEPAL analisa efeitos da pandemia no comércio internacional e na logística da América Latina e Caribe

A rápida disseminação da COVID-19 e as medidas tomadas pelos governos tiveram graves consequências nas principais economias mundiais, o que provocou uma queda significativa no comércio global. Foto: APPA

A rápida disseminação da COVID-19 e as medidas tomadas pelos governos tiveram graves consequências nas principais economias mundiais, o que provocou uma queda significativa no comércio global. Foto: APPA

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) apresentará na quinta-feira (6) seu relatório especial COVID-19 N⁰ 6, que acompanha os efeitos socioeconômicos da pandemia na região e fornece estimativas do impacto da pandemia nas exportações, importações, transporte e logística.

O documento “Os efeitos da COVID-19 no comércio internacional e na logística” incluirá previsões sobre setores exportadores mais afetados, nível do comércio intrarregional, atividade portuária, tráfego aéreo e transporte terrestre, assim como recomendações para aprofundar a integração regional.

As previsões serão feitas com base em análises e estimativas apresentadas nos cinco relatórios anteriores, divulgados desde abril.

A apresentação do relatório será feita por meio de coletiva de imprensa virtual liderada por Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL, de Santiago, Chile, às 12h (Horário de Brasília).

Será transmitida ao vivo via Webex no seguinte link: https://eclac.webex.com/eclac/onstage/g.php?MTID=ea6dc87b258f5ce1ff3e53ace0bcf0087

Os jornalistas interessados em participar deverão registrar-se com antecedência. Receberão um e-mail automático com as instruções para se conectar.

Será transmitida também, online, pelo site da CEPAL e pelas redes sociais, como Twitter (@cepal_onu) e Facebook (https://www.facebook.com/cepal.onu).

Os jornalistas poderão enviar suas perguntas com antecedência para o e-mail: conferenciaprensa@cepal.org, que serão respondidas ao vivo pela secretária-executiva da CEPAL, ao final da apresentação do documento. As perguntas serão recebidas até às 12h30 (horário de Brasília).

O relatório afirma que a rápida disseminação da COVID-19 e as medidas tomadas pelos governos tiveram graves consequências nas principais economias mundiais, o que provocou uma queda significativa no comércio global.

No atual contexto de crise econômica e comercial, a América Latina e o Caribe é a região em desenvolvimento mais afetada. Os números que mostram a magnitude desses impactos nas exportações, importações e logística da região serão divulgados no lançamento.

A apresentação será transmitida também, pelo site da CEPAL e por: https://live.cepal.org/.

O quê: Lançamento do Relatório especial COVID-19 N⁰ 6 da CEPAL: Os efeitos da COVID-19 no comércio internacional e na logística.

Quem: Alicia Bárcena, Secretária-Executiva da CEPAL.

Quando: Quinta-feira, 6 de agosto de 2020, 12h (Horário de Brasília).

Onde: Conexão virtual pela plataforma Webex (é necessário registro prévio).

https://eclac.webex.com/eclac/onstage/g.php?MTID=ea6dc87b258f5ce1ff3e53ace0bcf0087

Event number: 160 901 6335

Event password: CepalN6

Pelo site da CEPAL e por: https://live.cepal.org/.

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