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Caminhada de reconhecimento dos ODS e as águas de Porto Feliz

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A ONG Caminho das Águas ↗ aceitou um convite para participar do projeto FAÇA PARTE do NUPEX (Núcleo de Práticas Educativas e de Extensão), da Faculdade Cruzeiro do Sul, através da estudante Adriana Cristina Nickel.

Os objetivos do projeto são conhecer os impactos positivos de ações locais para a resolução das questões apontadas na Agenda 2030, norteado pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, permitindo o engajamento do aluno perante sua comunidade.

O objetivo geral do NUPEX é ampliar a formação global do aluno, por meio do desenvolvimento de suas habilidades socioemocionais e de suas atuações transformadoras junto à sociedade.

Sendo um Projeto de Pesquisa e de Extensão, de caráter voluntário, a atividade tem caráter interdisciplinar acadêmico-científico, pautado sob a perspectiva multidimensional das questões humanas, de modo a potencializar a formação global do estudante.

Alguns destaques da caminhada de reconhecimento

Em uma semana que prometia um frio extremo no Estado de São Paulo, um dos integrantes da ONG Caminho das Águas ↗ acompanhou a estudante em uma caminhada de reconhecimento de um corpo hídrico, localizado no km 97 da rodovia Castelo Branco, cidade de Porto Feliz, interior de São Paulo.

Estas caminhadas, onde a liberdade de caminhar e conversar sobre o ambiente e os seres humanos, são integrantes do projeto Conversando com as Águas ↗, e visam criar reflexões sobre os Direitos das Águas de existir, manter-se, persistir e regenerar-se com respeito à sua Natureza.

A escolha do local se deu nos momentos anteriores e foi eleito um lago de significado afetivo para a Adriana e seu companheiro Marcelo Nickel. Durante a atividade pudemos observar e abordar muitos temas relacionados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), com destaque ao ODS 6, Água Potável e Saneamento.

Logo ao chegar é sensível a quantidade de garrafas de vidro e plástico, além de outros resíduos comuns em atividades de lazer na beira d´água, como churrascos e pescarias de finais de semana. O primeiro instinto, molhar as mãos nas águas, se desfaz com a quantidade de espuma que só a proximidade humana permite ver.

No diálogo, imaginando as possíveis fontes desta poluição, pudemos notar que, com o represamento simulando um lago, foi extraído do modelo (o lago) as suas matas ciliares, compostas somente com gramíneas como a braquiária. No campo de visão dos visitantes somente duas árvores, não identificadas, uma em cada margem, cujo costume é abrigar pescarias (ODS 14, Vida na Água).

No entorno de toda a área temos pequenas estradas, aparentemente ativas para meios mecanizados de transporte, e uma plantação monocultural de amendoim em crescimento. Nesta observação podemos imaginar os benefícios de práticas como a Agroecologia e Agrofloresta teriam no local (ODS 2, Fome Zero e Agricultura Sustentável), muito frequentado por bandos de pássaros, aves e passarinhos além de alguns insetos (ODS 15, Vida Terrestre).

O solo da plantação, sem cobertura nenhuma, não apresentou espécimes distintas da cultura do amendoim, indicando o uso intenso de práticas venenosas de manejo ambiental, possivelmente contaminando as águas do represamento, uma prática contrária ao ODS 12, Consumo e Produção Responsáveis.

Dado que aparentemente o local é pertencente a uma empresa privada, destacamos as necessidades de maior atenção à paisagem e sustentabilidade de um reservatório que será muito importante em futuras estiagens, invocando o ODS 9, Indústria, Inovação e Infraestrutura e conectando exemplos como projetos de organizações parceiras, como a Transition Brasil ↗ que trabalha ativamente no ODS 11, Cidades e Comunidades Sustentáveis.

Ao fundo é possível observar outro corpo hídrico, com uma aparência, ao menos estética, mais natural. Não compreendemos os motivos dos reservatórios não serem conectados, como é comum ao fluxo das águas. Talvez sejam de proprietários diferentes que não conversam entre si, o que nos remete ao ODS 17, Parcerias e Meios de Implementação.

Lembramos de uma provocação do Jornalista Inclusivo ↗ em questões quanto à integração da Pessoa com Deficiência em relação ao Meio Ambiente em que vive e o que poderia, talvez, significar uma paisagem se fôssemos privados da visão, relembrando elementos sensíveis aos ODS 3, Saúde e Bem-estar.

Conversamos também sobre nossas atividades pessoais, os esforços de integração entre comunidades e os impactos na alteração da realidade que, ultimamente, tem sido insustentável, lembrando de iniciativas globais como a Harmony with Nature UN e Extinction Rebellion que podem ser pensadas como ações positivas no ODS 13, Ação contra a mudança global do clima.

Foi um dia feliz 😍💙

 

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Conflito no Jardim Regina: sem diálogos, comunidade ganha um aterro para se preocupar

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Conflito e pedido de socorro comunitário ante a implantação de um aterro no Bairro Jardim Regina, em Pindamonhangaba, interior do Estado de São Paulo e Vale do Paraíba.

Os moradores solicitam reavaliação, com laudo comprobatório, sobre impactos ambientais e sociais gerados pelo aterro sanitário na comunidade.

 

O local da instalação do aterro tem a distância de apenas 1,5 km da área de reserva ambiental, área de várzea onde abriga os quatro munícipios de Roseira, Pindamonhangaba, Taubaté e Lagoinha.

 

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O canto das águas: pela proteção de Rios limpos e livres no Brasil

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Acompanhando os preparativos para o Dia Internacional das Águas, uma iniciativa super inspiradora da International Rivers e apoiada pela ONG MAPAS ↗ convida você para contribuir com sua ação por seu Rio amigo!

O CANTO DAS ÁGUAS: PELA PROTEÇÃO DE RIOS LIMPOS E LIVRES NO BRASIL

EVENTO NO DIA INTERNACIONAL DAS ÁGUAS, 22 DE MARÇO

No dia 22 de março de 2021, a International Rivers ↗ e parceiros pela proteção de rios estão organizando um evento destacando valores de rios e iniciativas inovadoras para garantir os rios livres, limpos e saudáveis no Brasil.

CHAMADA PARA RECEBIMENTO DE VÍDEOS

Duração: Vídeos de até 3 minutos ou trechos de vídeos mais longos com até 3 minutos

Qualidade: Imagem visível e som fácil de ser compreendido, sem necessidade de alta qualidade. Podem ser filmados com celular ou com qualquer dispositivo.

Conteúdo da sua contribuição

Os vídeos podem conter o seguinte conteúdo:

  • Relatos da importância dos rios para sua comunidade ou ecossistema
  • Poemas, músicas ou místicas destacando o valor dos rios
  • Relatos de iniciativas regionais e comunitárias de proteção de rios

Pedimos para que gravem os vídeos junto a um rio ou com um jarro de água ou copo com a água do seu rio.

Envie seu vídeo do Dia Internacional das Águas

Por favor enviem os vídeos para acarcamo@internationalrivers.org ou fmontiel@internationalrivers.org até dia 10 de março.

💦💦💦💦💦💦💦

Enviado por Vanessa Hasson

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ONU e parceiros lançam apelo de US$565 milhões para Líbano

Apoiadores da comunidade limpam entulhos provocados pela explosão catastrófica na área de Gemmayze, em Beirute, no Líbano. Foto: UNICEF

Apoiadores da comunidade limpam entulhos provocados pela explosão catastrófica na área de Gemmayze, em Beirute, no Líbano. Foto: UNICEF

ONU e parceiros estão buscando 565 milhões de dólares para atender às necessidades do Líbano após as explosões mortais que arrasaram grandes áreas da capital, Beirute, há quase duas semanas.

O apelo lançado na sexta-feira (14) ajudará o povo libanês a passar do socorro imediato para a reconstrução e recuperação, incluindo o reparo da economia despedaçada a longo prazo.

“A escala das perdas com as explosões de Beirute é tão vasta que é provável que cada pessoa no Líbano tenha sido de alguma forma atingida por este terrível evento”, disse Najat Rochdi, o vice-coordenador especial da ONU para o país, que também é coordenador-residente e humanitário.

Quase 180 pessoas morreram e mais de 6 mil ficaram feridas nas explosões, que destruíram a maior parte do porto de Beirute e bairros vizinhos. Milhares estão desabrigados.

As explosões danificaram seis hospitais, 20 clínicas de saúde e 120 escolas, de acordo com o escritório de assuntos humanitários da ONU, o OCHA.

Agravando crises já existentes

A catástrofe estagnou enquanto o Líbano enfrenta várias crises, incluindo contração econômica, aumento da pobreza e a pandemia de COVID-19. Tanto os cidadãos quanto a grande população de refugiados do país, principalmente sírios e palestinos, foram afetados.

A transmissão da COVID-19 está sobrecarregando o sistema de saúde, com a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrando mais de 7,7 mil casos no país até sexta-feira. Metade de todas as infecções até o momento foi diagnosticada nas últimas duas semanas, de acordo com o OCHA.

O apelo de 565 milhões de dólares visa quatro áreas: segurança alimentar, saúde, abrigo e educação.

Os planos imediatos incluem o fornecimento de refeições quentes e rações alimentares, bem como a entrega de grãos.

A resposta à saúde se concentrará na reabilitação de instalações danificadas e no fornecimento de kits para traumas e medicamentos essenciais.

Famílias forçadas a deixar suas casas receberão dinheiro para custear abrigo, e o financiamento também irá para o conserto das áreas comuns dos edifícios e instalações afetadas pela explosão.

A resposta educacional incluirá a reforma de escolas e o fornecimento de apoio psicossocial, entre outras medidas.

OIT cria empregos decentes para apoiar as operações de limpeza após explosões em Beirute

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) mobilizou recursos para dar uma resposta rápida à explosão que devastou partes da capital libanesa.

Mais de 100 empregos decentes de curto prazo para ajudar na remoção de escombros e destroços das ruas foram criados para cidadãos libaneses e refugiados sírios, no âmbito do Programa de Infraestrutura Intensiva em Emprego da OIT (EIIP) , financiado pela Alemanha por meio do Banco de Desenvolvimento Alemão (KfW).

Cerca de 60 trabalhadores participam das operações de limpeza em uma das áreas mais afetadas da capital libanesa. Omar Saidoun, de nacionalidade libanesa, é um deles:

“O apoio mais importante é o financeiro. Eu precisava muito desse apoio, pois não tinha qualquer trabalho antes. Além do trabalho remunerado, o trabalho em equipe que vivemos é fundamental ”, disse ele.

A equipe da EIIP está trabalhando em estreita colaboração com a Prefeitura de Beirute para garantir que o apoio chegue às áreas que foram duramente atingidas pela explosão. Está em coordenação com grupos de trabalho da agência da ONU, liderados pelo Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), com o objetivo de garantir que os esforços para criar uma Beirute mais segura sejam coerentes e apoiem todas as pessoas afetadas pela explosão.

“Em poucos dias, conseguimos realocar trabalhadores libaneses e sírios empregados no programa, para ajudar na resposta imediata às necessidades em Beirute, e esperamos aumentar este esforço nas próximas semanas ”, disse o Diretor Regional Adjunto da OIT para os Estados Árabes, Frank Hagemann.

“A OIT não é uma agência humanitária, mas há muitos anos trabalhamos na área de resiliência, no context de emergência e desenvolvimento. Desde o início da guerra na vizinha Síria, temos trabalhado com refugiados sírios e comunidades anfitriãs vulneráveis, e esse esforço continuará no futuro ”, acrescentou.

Cidades serão determinantes para a recuperação verde no pós-pandemia

A recuperação pós COVID-19 oferece uma oportunidade para as economias voltadas para o futuro, ajudando as cidades a limparem o ar atmosférico, criarem espaços abertos naturais e adotarem soluções que reduzam a emissão de carbono e o uso de recursos naturais. Foto: Pxfuel / DMCA

As cidades abrigam 55% da população mundial, condensando muitas pessoas em um mesmo lugar. Não é de se estranhar que elas sejam as áreas mais afetadas pela COVID-19: estima-se que 90% de todos os casos relatados do coronavírus tenham ocorrido nestas regiões.

No entanto, a concentração de pessoas também torna esses locais essenciais para vencer a luta pela recuperação verde no pós-pandemia – importante para reduzir o risco de futuras pandemias e combater as mudanças climáticas.

As cidades são terrenos férteis para novas ideias e lugares onde muitas técnicas inovadoras para reduzir as mudanças climáticas, a poluição, o uso de recursos e a perda de biodiversidade estão tomando forma.

Antes da COVID-19, muitas já haviam adotado a agricultura urbana, a mobilidade elétrica, os meios de transporte não motorizados e exploravam opções como edifícios de zero carbono, energia distrital, sistemas de energia renovável descentralizados, soluções baseadas na natureza e projetos de recuperação.

De fato, os trilhões de dólares que serão investidos em pacotes de recuperação pós COVID-19 podem acelerar esses desenvolvimentos.

“Ao respondermos à pandemia e trabalharmos pela recuperação, consideramos nossas cidades como hubs de comunidade, inovação e engenhosidade”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, no lançamento de um resumo de políticas sobre a COVID-19 em áreas urbanas. “Agora é a hora de nos recuperarmos melhor, construindo cidades mais resilientes, inclusivas e sustentáveis”.

Economias preparadas para o futuro

A recuperação pós COVID-19 oferece uma oportunidade para as economias voltadas para o futuro, ajudando as cidades a limparem o ar atmosférico, criarem espaços abertos naturais e adotarem soluções que reduzam a emissão de carbono e o uso de recursos naturais, bem como os impactos relacionados aos ecossistemas, ao mesmo tempo em que geram novos empregos.

É fundamental focar no planejamento e design urbanos para criar cidades estrategicamente densas e conectar as residências aos meios de transportes e ao planejamento energético, além de combinar infraestruturas cinza, azul e verde para aproveitar os benefícios das soluções baseadas na natureza.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) defende uma abordagem integrada que conecte natureza, clima e uso da terra nas cidades. Além disso, o PNUMA é a agência implementadora do Programa de Impacto em Cidades Sustentáveis do GEF-7 (GEF-7 Sustainable Cities Impact Program, em inglês), uma plataforma global para a instalação de desenvolvimentos urbanos sustentáveis do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

Por meio desse projeto, o PNUMA, juntamente com o Grupo de Liderança Climática das Grandes Cidades C40, o World Resources Institute (WRI) e a associação Governos Locais pela Sustentabilidade (ICLEI), vão trabalhar com várias áreas urbanas, como Freetown (capital da Serra Leoa), para avançar nas abordagens integradas, que também incluem soluções baseadas na natureza.

O PNUMA também está trabalhando com o ICLEI, através do Centro de Biodiversidade de Cidades (CBC), para apoiar a governança multinível, a fim de ver as pessoas e a natureza coexistindo em harmonia nas cidades e arredores.

“Precisamos lutar por uma recuperação econômica mais verde, resiliente e inclusiva”, disse Guterres. “Ao focar em transformação ecológica e criação de empregos, os pacotes de estímulo podem nos direcionar para um caminho mais resiliente e de baixo carbono, ajudando-nos a avançar rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.

Mudança climática: a próxima ameaça

Para evitar maiores problemas, é necessário agir logo. No momento, a COVID-19 pode estar roubando os holofotes, mas as mudanças climáticas estão aguardando nos bastidores.

As cidades costeiras já estão sofrendo com eventos relacionados à mudança climática, como inundações, erosão costeira, elevação do nível do mar e eventos climáticos extremos. Além disso, as áreas urbanas sofrem mais com altas temperaturas do que as não urbanas.

Atualmente, cerca de 200 milhões de habitantes de mais de 350 cidades experimentam temperaturas superiores a 35°C no verão (95°F). Até 2050, prevê-se que o número de cidades afetadas cronicamente pelo estresse térmico aumente para 970. Todos esses fatores representam graves ameaças à saúde, meios de subsistência e economias em geral.

Contudo, ao mesmo tempo em que as cidades são vulneráveis ​​às mudanças climáticas, elas também são responsáveis por cerca de 75% das emissões globais de dióxido de carbono. Isso significa que a transição pela descarbonização é de responsabilidade dos prefeitos e vereadores. Mais de 70 cidades grandes se comprometeram com a neutralização do carbono até 2050 – o que representa 425 milhões de pessoas.

No entanto, isso é apenas o começo, pois estima-se que cerca de 227 cidades são responsáveis por produzir mais de 10 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C, é preciso reduzir em cinco vezes essas emissões.

Mas, como as cidades já têm o costume de se reinventar, isso é possível. Por exemplo, pandemias anteriores também trouxeram respostas inovadoras, como a introdução dos sistemas de esgoto, os parques públicos e a regulamentação habitacional para melhorar o saneamento e reduzir a superlotação.

Conectando natureza, clima e uso da terra

O Parque Centenário da Universidade Chulalongkorn de Bangcoc é um bom exemplo que combina estratégias baseadas na natureza com objetivos que promovam a saúde, a resiliência urbana e o clima. Seu design inovador reduziu o risco de inundações, através da absorção e armazenamento de água, que é posteriormente usada para a irrigação nos períodos de seca.

Enquanto isso, Medellín, na Colômbia, adotou a natureza como uma solução para a refrigeração do ar atmosférico, através do projeto “Corredores Verdes”, que transformou 18 estradas e 12 vias fluviais em paraísos verdes e de sombra fresca. O projeto reduziu a temperatura da cidade em 2-3°C, melhorando a qualidade do ar e ajudando a biodiversidade.

Através da governança multinível na tomada de decisões, cidades e nações estão cada vez mais unidas pela recuperação socioeconômica. Ministros e prefeitos se reuniram recentemente para acelerar a ação climática em um evento organizado pelo PNUMA, juntamente com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a ONU-Habitat, o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia, o ICLEI e a organização Cidades e Governos Locais Unidos (UCLG).

Mais de 300 participantes – incluindo ministros da Itália, Indonésia, Costa do Marfim, Etiópia, África do Sul e Chile, bem como mais de 25 prefeitos e governadores – discutiram a coordenação de ações para combater as mudanças climáticas, especialmente em setores-chave, como construção civil, transporte, agricultura e gestão de resíduos.

Pacotes de estímulo “verdes”

Como todos os níveis de governo estarão planejando a recuperação socioeconômica das nações, pacotes de estímulo poderiam apoiar a transição rumo à descarbonização. O investimento urbano pode gerar cidades mais compactas, integradas e de uso misto, que reduzam a distância entre locais de trabalho e de residência.

Revitalizar espaços verdes, repensar a mobilidade urbana, promover o uso de transporte público e não motorizado e investir na reforma de prédios para reduzir as desigualdades são formas de melhorar o bem-estar e de criar mais empregos.

“As cidades estão tanto na linha de frente dos impactos das mudanças climáticas, quanto das soluções”, disse a diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen. “Cidades sustentáveis beneficiam nossa saúde, ajudam na mitigação e adaptação do clima e ainda geram empregos”.

UNESCO manifesta preocupação com grande número de incêndios no Pantanal

O pantanal é uma das seis Reservas da Biosfera localizadas no Brasil. Foto: Flickr/Denis Gustavo

O pantanal é uma das seis Reservas da Biosfera localizadas no Brasil. Foto: Flickr/Denis Gustavo

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), por meio do Centro do Patrimônio Mundial (WHC) e do Programa O Homem e a Biosfera (MAB), disse observar com atenção e preocupação o grande número de incêndios têm atingido a região ecológica do Pantanal nas últimas semanas.

Segundo informações prestadas por especialistas e bombeiros do local, bem como dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), várias dezenas de milhares de hectares deste território (equivalente a oito vezes a área da cidade de São Paulo) têm sido destruídas como resultado de incêndios desde julho.

A UNESCO afirma que, de acordo com as informações disponíveis, alguns desses incêndios podem estar ocorrendo no sítio do Patrimônio Mundial “Área de Conservação do Pantanal” e na Reserva da Biosfera do Pantanal, ou em áreas ao seu redor.

O WHC da UNESCO e o secretariado do Programa MAB elogiaram os esforços das autoridades competentes para lidar com a situação e disseram estarem prontos para mobilizar apoio técnico e financeiro.

“É importante fazer tudo o que for humanamente possível para superar este flagelo que ameaça a biodiversidade daquela que é também a maior zona úmida do planeta”, afirmaram o diretor do WHC, Mechtild Rössler, e o secretário do MAB, Miguel Clüsener-Godt.

O Pantanal se estende principalmente pelos estados brasileiros de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, e pelos territórios da Bolívia e do Paraguai.

Em 2000, parte dessa região ecológica, a chamada “Área de Conservação do Pantanal”, que representa 1,3% do Pantanal brasileiro, foi inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. No mesmo ano, 26,4 milhões de hectares foram designados Reserva da Biosfera da UNESCO.

Terceira maior reserva da biosfera do mundo, a Reserva da Biosfera do Pantanal abriga uma diversidade de flora e fauna particularmente valiosa, contendo pelo menos 4,7 mil espécies descritas. Além disso, quase 2 milhões de pessoas vivem no sítio do Patrimônio Mundial e na Reserva da Biosfera.

ONU-Habitat apoia concurso para casas e cidades saudáveis no Rio Grande do Sul

As inscrições do concurso para a categoria profissional vão até o dia 30/08 e para a categoria estudantes até o dia 31/08. Foto: CAU/RS

O Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) está apoiando institucionalmente o Concurso de Ideias “Casa Saudável – Cidade Saudável”, promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul, como parte do pacote de medidas do conselho para responder à pandemia da COVID-19.

O Concurso de Ideias é uma oportunidade para a criação, inovação e propostas de soluções para o enfrentamento da pandemia, com o objetivo de promover uma sociedade mais saudável e segura. A iniciativa busca envolver profissionais e estudantes da Arquitetura e Urbanismo, promover a valorização profissional e também servir como uma resposta à redução da atividade econômica resultante da pandemia.

As ideias a serem apresentadas devem atender cinco categorias: 1. Cidade Saudável: planejamento, urbanização, mobilidade, saneamento; 2. Espaços Públicos: parques, praças, ruas, mobiliário urbano; 3. Equipamentos Públicos: saúde, ensino, cultura; 4. Trabalho Saudável: ambiente de trabalho comercial, serviços ou industrial – coletivos ou individuais; e 5. Casa Saudável: Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS), unifamiliar, condomínios verticais e horizontais, co-livings; home-office e outras modalidades de moradia individual ou coletiva.

Serão premiadas cinco propostas por categoria (25 prêmios para profissionais e 25 para estudantes), totalizando 50 ideias premiadas e R$ 100 mil em prêmios.

“Habitação digna e saneamento são fundamentais para o ser humano sentir-se cidadão e viver com dignidade. Precisamos devolver às cidades os bens universais como ar, sol, água e espaço. E é com esse objetivo que o CAU/RS propõe iniciativas emergenciais para resposta à COVID-19 no estado”, afirmou a vice-presidente interina do CAU/RS, Helenice Macedo do Couto.

De acordo com o Presidente do CAU/RS, Tiago Holzmann da Silva, “a iniciativa aumenta ainda mais a responsabilidade dos Arquitetos e Urbanistas no enfrentamento da crise sanitária que estamos vivendo e busca também sensibilizar a sociedade e reforçar a importância do profissional para a construção de uma sociedade mais saudável, da casa à cidade”.

Segundo a analista de programas do ONU-Habitat, Paula Zacarias, “a pandemia da COVID-19 evidenciou a necessidade de colocar uma ‘lente’ de saúde nos espaços urbanos e habitacionais, e iniciativas como a do Concurso de Ideias “Casa Saudável – Cidade Saudável” contribuem, portanto, para que os determinantes de saúde sejam considerados nos projetos e soluções”.

O Concurso de Ideias é também uma oportunidade para que “os princípios e diretrizes da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e da Nova Agenda Urbana sejam implementados localmente, contribuindo para que tenhamos cidades mais sustentáveis, inclusivas, resilientes e, agora mais do que nunca, também saudáveis”, concluiu a analista de programas do ONU-Habitat.

Clique aqui para acessar mais informações sobre o concurso na categoria profissional
(inscrições até o dia 30/08)

Clique aqui para mais informações sobre o concurso na categoria estudante
(inscrições até o dia 31/08)

Novo padrão global para o setor de mineração visa melhorar a segurança das instalações de rejeitos

Padrão para gestão de rejeitos foi desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Princípios para o Investimento Responsável e Conselho Internacional de Mineração e Metais após o trágico rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho em 25 de janeiro de 2019. Foto: Pixabay

Padrão para gestão de rejeitos foi desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Princípios para o Investimento Responsável e Conselho Internacional de Mineração e Metais após o trágico rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho em 25 de janeiro de 2019. Foto: Pixabay

Um padrão para a gestão segura dos rejeitos da mineração foi lançado por uma aliança internacional com o objetivo de se tornar o primeiro padrão global desse tipo a ser aplicado às instalações existentes e futuras, independentemente da localização, para evitar danos às pessoas e ao meio ambiente.

O Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos foi desenvolvido a partir da Revisão Global de Rejeitos (RGR), um processo independente organizado conjuntamente pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Princípios para o Investimento Responsável (PRI) e Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM) após o trágico rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho em 25 de janeiro de 2019.

O conjunto de diretrizes reforça práticas atuais no setor de mineração ao integrar fatores sociais, ambientais, técnicos e econômicos locais, e abrange todo o ciclo de vida das estruturas de disposição de rejeitos – desde a seleção do local, projeto e construção, passando pelo gerenciamento e monitoramento, até o fechamento e pós-fechamento.

Com a ambição de evitar qualquer dano às pessoas e ao meio ambiente, o novo padrão estabelece critérios significativamente mais rigorosos para o setor alcançar sólidos resultados sociais, ambientais e técnicos. Além de ampliar a responsabilização aos mais altos níveis organizacionais e prever novos requisitos de supervisão independente, o Padrão também estabelece expectativas claras em relação ao cumprimento de requisitos globais de transparência e divulgação, ajudando a melhorar a compreensão das partes interessadas.

Cada um dos co-organizadores endossou o Padrão e defende sua implementação ampla e eficaz em todo o setor:
• O PNUMA apoiará os governos que desejarem utilizar e incorporar o novo padrão a suas leis e políticas nacionais ou estaduais.
• Os PRI, que representam US$ 103,4 trilhões em ativos sob gestão, elaborarão uma declaração de expectativas de investidores para apoiar todas as empresas de mineração na implementação do Padrão.
• As empresas associadas do ICMM implementarão o Padrão como um compromisso de associação, o que inclui a realização de validações robustas no nível local e avaliações externas.

“É com enorme satisfação que apresento o Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos, que estabelece um precedente para a gestão segura de estruturas de disposição de rejeitos com o objetivo de alcançar a meta de dano zero”, afirmou Bruno Oberle, presidente da Revisão Global de Rejeitos.

“O catastrófico rompimento da barragem de rejeitos da mina do Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, foi uma tragédia humana e ambiental que demandou ações decisivas e adequadas para melhorar a segurança e fortalecer a governança das estruturas de disposição de rejeitos em todo o mundo. Para mim, é uma satisfação especial entregar um documento que reflete e aborda a complexidade e a natureza multidisciplinar de uma gestão de rejeitos robusta”, declarou Oberle.

“Foi um privilégio liderar esse trabalho e agora faço um apelo para que todas as empresas de mineração, governos e investidores usem o Padrão e continuem trabalhando juntos para melhorar a segurança de todas as estruturas de disposição de rejeitos do mundo. Espero que o Padrão seja apoiado por um órgão independente que possa manter a qualidade e refiná-lo e fortalecê-lo ainda mais ao longo do tempo”, complementou.

Para Ligia Noronha, diretora da Divisão de Economia do PNUMA, a abordagem de gerenciamento de estruturas de disposição de rejeitos da mineração deve colocar a segurança em primeiro lugar, priorizando a segurança ambiental e humana em ações de gestão e operações locais. “O Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos constitui um importante marco em prol da consecução da ambiciosa meta de evitar qualquer dano às pessoas e ao meio ambiente causado por rompimentos de estruturas de disposição de rejeitos. Seu impacto dependerá do nível de sua adoção e o PNUMA seguirá trabalhando no sentido de promover sua implementação”, afirmou.

Adam Matthews, diretor de Ética e Engajamento da Equipe de Investimentos do Conselho de Pensões da Igreja da Inglaterra (que representa os PRI), explicou que durante décadas, as pessoas exigiram o desenvolvimento de um padrão global que promovesse a adoção de melhores práticas.

“É trágico que foi preciso o desastre de Brumadinho para isso acontecer, mas uma parceria inédita foi formada para superar um desafio sistêmico enfrentado pelo setor de mineração e agora estamos empenhados em fazer dessa uma prática comum em todas as operações. Pela primeira vez, temos um modelo global que vai além das melhores práticas existentes, estabelecendo o Padrão mais abrangente já produzido pelo qual os investidores responsabilizarão as empresas na sua implementação”,  ressaltou.

Para Tom Butler, diretor executivo do Conselho Internacional de Mineração e Metais, “o ICMM e seus membros – que representam cerca de um terço do setor global – têm um compromisso inabalável com a promoção de uma gestão mais segura de estruturas de disposição de rejeitos”. “O Padrão será integrado aos atuais compromissos dos membros do ICMM, que incluem a verificação e validação externas, e estamos trabalhando no desenvolvimento de orientações de apoio”, informou.

O documento abrange seis tópicos principais: comunidades afetadas; base integrada de conhecimentos; projeto, construção, operação e monitoramento de estruturas de disposição de rejeitos; gestão e governança; resposta a emergências e recuperação de longo prazo; e divulgação pública e acesso à informação. Esses tópicos contêm 15 princípios e 77 requisitos auditáveis específicos que os operadores devem cumprir.

O lançamento é apoiado por outros dois documentos, publicados de forma independente pelo presidente da RGR: um compêndio detalhado de artigos que exploram diversas questões operacionais e de governança relacionadas a rejeitos e um relatório sobre o feedback colhido na consulta pública.

A RGR foi presidida pelo Dr. Oberle e contou com o apoio de um painel multidisciplinar de especialistas e com a contribuição de um Grupo Consultivo de Múltiplas Partes Interessadas. A revisão, que envolveu um amplo processo de consulta pública com comunidades afetadas, representantes do governo, investidores, organizações multilaterais e partes interessadas do setor de mineração, fundamenta-se nas boas práticas existentes e em lições aprendidas com rupturas de estruturas de disposição de rejeitos ocorridas no passado.

O Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos está disponível em aqui em inglês, português, russo, francês, espanhol, chinês e japonês.

Leia o documento completo em Português aqui.

Sobre o ICMM
O Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM) é uma organização internacional dedicada a promover uma indústria de mineração e metais segura, justa e sustentável. Reunindo 27 empresas de mineração e metais e 37 associações regionais e de commodities, o ICMM fortalece o desempenho ambiental e social e serve como um catalisador de mudanças, aprimorando a contribuição da mineração para a sociedade. Todas as empresas associadas do ICMM cumprem os Princípios de Mineração da organização, que incorporam requisitos ambientais, sociais e de governança abrangentes, mecanismos robustos de validação local de expectativas de desempenho e a verificação confiável de relatórios de sustentabilidade corporativos.

Sobre o PNUMA
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é a principal autoridade ambiental global que determina a agenda internacional sobre o meio ambiente, promove a implementação coerente da dimensão ambiental do desenvolvimento sustentável no Sistema das Nações Unidas e serve como autoridade defensora do meio ambiente no mundo. A missão do PNUMA é desempenhar um papel de liderança e encorajar parcerias na proteção do meio ambiente, inspirando, informando e permitindo que países e pessoas melhorem sua qualidade de vida sem comprometer as gerações futuras.

Sobre os PRI
Os Princípios para o Investimento Responsável (PRI) são o principal defensor mundial do investimento responsável. A iniciativa trabalha para compreender as implicações de investimento dos fatores ambientais, sociais e de governança (ASG) e apoiar sua rede internacional de investidores signatários na incorporação desses fatores a suas decisões de investimento e propriedade. Os PRI buscam defender o interesse de longo prazo de seus signatários, dos mercados financeiros e economias em que atuam e, em última análise, do meio ambiente e da sociedade como um todo. Nesse processo, a iniciativa está sendo representada por John Howchin, do Conselho de Ética da Suécia, e Adam Matthews, do Conselho de Pensões da Igreja da Inglaterra.

Contatos para imprensa:
Antonia Mihaylova, Gerente de Projeto, Revisão Global de Rejeitos
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Rojin Kiadeh, Especialista de Comunicação, Princípios para o Investimento Responsável
Kira Scharwey, Oficial Sênior de Comunicação, Conselho Internacional de Mineração e Metais, +44 (0) 7483 092315

ONU leva ajuda humanitária imediata para apoiar Beirute após explosão

Uma equipe da Reserva de Comandantes da Força Interina da ONU no Líbano (UNIFIL) avalia a magnitude da explosão na terça-feira (4) no porto de Beirute, Líbano. Foto: Pasqual Gorriz/ONU

A resposta à explosão ocorrida nesta terça-feira (4) em Beirute, no Líbano, exige apoio global para “superar o impacto devastador” da crise que o povo libanês enfrenta, afirmou o vice-coordenador especial da ONU para o país na quinta-feira (6), Ján Kubis.

As explosões causaram cerca de 140 mortes, 5.000 feridos e centenas de pessoas ainda estão desaparecidas.

Reiterando o compromisso do Secretário-Geral em ajudar o Líbano, a coordenadora-residente Najat Rochdi, que também coordena o esforço humanitário da ONU no país, liberou 9 milhões de dólares do Fundo Humanitário Libanês para ajudar a atender às necessidades imediatas.

A coordenadora-residente disse que ficou profundamente comovida com a solidariedade das pessoas e os atos espontâneos de bondade. “Estamos nisso juntos e estamos comprometidos em apoiar o Líbano neste momento muito difícil”.

O chefe de assistência emergencial da ONU, Mark Lowcock, também vai liberar recursos adicionais do Fundo Central da ONU de Resposta de Emergências (CERF) para atender às necessidades imediatas e ajudar a fortalecer a capacidade dos hospitais existentes. Isso incluirá a expansão e o estabelecimento de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) adicionais, além do fornecimento de kits de trauma, ventiladores, suprimentos médicos e medicamentos.

Impacto nas crianças

Cerca de 80.000 crianças estão entre as 300.000 pessoas deslocadas pelas explosões de Beirute, segundo estimativas do UNICEF, com famílias afetadas que precisam desesperadamente de apoio.

De acordo com a representante adjunta do UNICEF no Líbano, Violet Speek-Warnery, nas últimas 24 horas o UNICEF está trabalhando junto com as autoridades e parceiros locais para responder às necessidades urgentes das famílias afetadas, focando na saúde, na água e no bem-estar das crianças.

Hospitais atingidos

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a explosão deixou três hospitais inoperantes. Além disso, outras duas instalações de saúde sofreram danos substanciais – o equivalente a 500 leitos hospitalares perdidos.

O vice-porta-voz da ONU, Farhan Haq, explicou que estão sendo realizadas novas avaliações, em coordenação com o Ministério da Saúde do Líbano, para “identificar a capacidade disponível, as necessidades materiais e as lacunas operacionais no setor da saúde”.

Instalações lotadas

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), os centro de saúde em Beirute continuam lotados de vítimas com traumas e queimaduras, e muitos atendimentos estão sendo feitos nas calçadas e nos estacionamentos.

Muitas unidades de terapia intensiva já estavam próximas da capacidade com a COVID-19 e o surto no país está piorando.

A OCHA está enviando equipes de emergência para ajudar na resposta às explosões, incluindo especialistas da equipe de Avaliação e Coordenação de Desastres da ONU (UNDAC) e o Grupo Consultivo Internacional de Busca e Resgate.

Fechamento do porto 

“Com o porto de Beirute inoperável, a ONU e seus parceiros estão buscando ajustar as redes de logísticas para garantir a realização das ações”, disse o vice-porta-voz da ONU, Farhan Haq. Segundo ele, os materiais humanitários provavelmente seriam redirecionados pelo porto de Trípoli, mas por ter uma capacidade menor do que o porto de Beirute, é possível que algumas cadeias de suprimentos sejam afetadas negativamente.

Missão da ONU 

A Força Interina da ONU no Líbano (UNIFIL) informou que continua avaliando os danos a um de seus navios da Força-Tarefa Marítima, atingidos durante a explosão. Segundo o porta-voz da ONU, após as explosões, 23 soldados das forças de paz da UNIFIL de Bangladesh foram hospitalizados e 18 receberam alta. Dois soldados permanecem em condições críticas, mas estão estáveis​.

A Missão da ONU continua a se engajar e oferecer apoio às autoridades e ao povo do Líbano para lidar com as consequências.

Líbano: tragédia, crise e pandemia agravam necessidades da população refugiada

Segundo o relatório Tendências Globais, o Líbano é a nação que abriga a maior população de refugiados per capita do mundo: 1 em cada 6 habitantes é uma pessoa que deixou seu país natal para escapar de guerras e conflitos, e buscou em território libanês uma vida em segurança. No total, o Líbano abriga mais de 925.000 refugiados registradosA maior parte deles (98%) veio do país vizinho, a Síria, que está em guerra há quase dez anos. Em seguida, estão refugiados vindos do Iraque e do Sudão. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) atua no país para assegurar abrigo, alimento, saúde e educação aos refugiados e às comunidades que os acolhem. 

Além disso, mais de 200 mil refugiados palestinos vivem no país sob o mandato da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente 

País de origem dos refugiados registrados no Líbano, 31 de Janeiro 2020. © ACNUR

Pandemia de COVID-19 agrava crise socioeconômica 

Altas taxas de desemprego, inflação e depreciação monetária já colocavam em risco o acesso a serviços essenciais pela população libanesa e milhares de refugiados que buscaram refúgio no país. A chegada da pandemia de COVID-19, somada às restrições para conter sua propagação, agravou o cenário de vulnerabilidade enfrentado pela nação. 

No total, o ACNUR já realizou mais de 3.500 testes para COVID-19 em 147 locais em todo o país e participou de obras de expansão e reabilitação de três hospitais públicos. Fornecemos também abrigos com áreas de isolamento, equipamentos hospitalares, leitos de UTI e treinamento para profissionais da saúde. Além disso, o ACNUR distribuiu materiais de higiene para mais de 345.000 refugiados e mais de 10.000 cestas de alimentos foram doadas. 

Comunidade libanesa no Brasil 

No final do século passado, foram os libaneses que contaram com o acolhimento da comunidade internacional, em especial, do Brasil. De 1975 a 1990, uma guerra civil destruiu a nação e deixou cerca de 120 mil mortos, segundo números reconhecidos pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU. 

Diversas fés coexistem no Líbano – muçulmanos xiitas e sunitas, cristãos ortodoxos, católicos, maronitas e protestantes, drusos, judeus, bahá’ís, budistas, hindus – constituindo também uma multiplicidade de posicionamentos políticos dentro do país. 

Com a adoção do Pacto Nacional, em 1943, determinou-se que certos cargos do governo deveriam ser ocupados por indivíduos de grupos religiosos específicos. O presidente da República e o comandante do Exército deveriam ser cristãos maronitas; o primeiro-ministro, um muçulmano sunita; e o presidente do Parlamento, um muçulmano xiita. 

O equilíbrio entre as comunidades religiosas, contudo, foi fragilizado com os eventos da política internacional na metade do século XX. A guerra árabe-israelense de 1948 causou o deslocamento em massa de palestinos para o Líbano, modificando a demografia religiosa do país. A Guerra Fria também polarizou ainda mais as comunidades religiosas em campos ideológicos. 

As tensões político-religiosas logo desencadearam ataques e massacres pelo país, com os grupos disputando o controle do governo. Em 1978, Israel invadiu o sul do Líbano em ofensiva contra a resistência palestina. Em 1982, os israelenses avançaram até Beirute, causando centenas de mortes. Outros países também participaram ativamente do conflito, como a Síria.

O Brasil recebeu milhões de pessoas que precisaram abandonar suas casas durante este período, oferecendo segurança e um novo começo. Esses migrantes estabeleceram-se principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, formando uma rede familiar de acolhimento para parentes que viviam no Líbano e queriam sair do país por causa do conflito. É justamente no Brasil onde vive a maior comunidade de libaneses no mundo, com uma população maior do que a do próprio Líbano. 

Após cada cessar-fogo e acordo de paz, o povo libanês mostrou incrível resiliência para reconstruir seu país. Mesmo enfrentando suas próprias mazelas, como o alto desemprego, a inflação galopante e a depreciação de sua moeda, que colocaram o país em uma crise econômica sem precedentes, o Líbano segue sendo refúgio para milhões de pessoas que foram forçadas a deixar seus países

O ACNUR presta sua solidariedade a população de Beirute e do Líbano e à comunidade libanesa no Brasil neste momento trágico.  

Líbano: apoio aos hospitais é prioridade da ONU após explosão em Beirute

Grandes áreas de Beirute foram destruídas como resultado da explosão no porto da cidade. Foto: UNIFIL

Grandes áreas de Beirute foram destruídas como resultado da explosão no porto da cidade. Foto: UNIFIL

A Organização das Nações Unidas (ONU) está trabalhando em estreita colaboração com as autoridades do Líbano para apoiar a resposta contínua após a enorme explosão que abalou Beirute na terça-feira (4), destruindo grandes áreas da capital.

Mais de 130 pessoas morreram na explosão, que atingiu o porto e os arredores, deixando inúmeros feridos e milhares de desabrigados. O governo declarou estado de emergência por duas semanas.

Falando na quarta-feira (5), o vice-porta-voz da ONU Farhan Haq disse a jornalistas que o apoio a hospitais e à resposta a traumas é uma prioridade.

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) está trabalhando em estreita colaboração com o Ministério da Saúde libanês para conduzir uma avaliação das instalações hospitalares em Beirute, sua funcionalidade e necessidades de apoio adicional, particularmente em meio à pandemia de COVID-19”, disse ele.

“Especialistas estão sendo enviados para Beirute para ajudar na resposta de emergência, tanto das Nações Unidas quanto de vários Estados-membros. Especialistas estão a caminho para apoiar operações de busca e salvamento urbano. As equipes também estão equipadas para realizar avaliações rápidas sobre a situação no terreno e ajudar a coordenar as atividades de resposta a emergências.”

O porto de Beirute é o principal porto do Líbano e é essencial para as atividades do país e das Nações Unidas na Síria, explicou Haq.

“Os danos ao porto devem exacerbar significativamente a situação econômica e de segurança alimentar no Líbano, que importa cerca de 80% a 85% de seus alimentos”, disse ele, respondendo à pergunta de um jornalista.

“Nossos colegas do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) também esperam que isso afete nossa capacidade de fornecer ajuda à Síria, porque o porto de Beirute era uma das maneiras de enviar ajuda e, é claro, também usamos aeroportos, por isso precisamos encontrar planos alternativos.”

Avaliações sobre alimentação e abrigo

Enquanto isso, o Programa Mundial de Alimentos (WFP) está realizando uma avaliação das necessidades alimentares. Uma avaliação das necessidades de abrigo também está em andamento.

O WFP disse que a explosão e os danos ao porto piorarão “a sombria situação econômica e de segurança alimentar no Líbano”, que já estava enfrentando a pior crise econômica de todos os tempos, agravada pela pandemia de COVID-19.

“Uma pesquisa recente do WFP sobre o impacto da crise econômica e do surto de COVID-19 e medidas subsequentes de bloqueio nos meios de subsistência e segurança alimentar revelou que os alimentos se tornaram uma importante fonte de preocupação, com 50% dos libaneses dizendo no mês passado que se sentiam preocupados sobre a possibilidade de não ter comida suficiente”, disse a agência na quarta-feira.

A ONU está analisando todas as opções para encontrar maneiras de fornecer assistência financeira para os esforços de resposta em andamento.

A Organização está otimista com o fato de que governos de todo o mundo declararam seu apoio ao Líbano, disse Haq, que lembrou que o país tem sido destino para pessoas que fogem da guerra e da perseguição.

Acolhida a refugiados

O Líbano, que tem uma população de cerca de 6 milhões de pessoas, recebeu quase 900 mil sírios e mais de 200 mil refugiados palestinos, além de mais de 18 mil outras pessoas deslocadas de países como Iraque e Sudão.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) expressou solidariedade com o povo libanês após a explosão de grandes proporções.

O alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados, Filippo Grandi, emitiu um comunicado manifestando “sinceras condolências às famílias que perderam seus entes queridos. Nossos pensamentos estão com aqueles que ficaram feridos.”

Os funcionários da ONU no Líbano e seus dependentes estão entre os afetados pela explosão, com cerca de 100 recebendo tratamento, segundo Haq. Ele também informou que dois familiares de funcionários da ONU morreram.

Estado de choque

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelou o impacto sobre sua equipe no Líbano.

“Um de nossos colegas perdeu a esposa, sete de nossa equipe ficaram levemente feridos e dezenas de casas foram danificadas”, disse Yukie Mokuo, representante do UNICEF no Líbano, em comunicado divulgado na quarta-feira.

“A maioria de nossa equipe – assim como a maioria das pessoas no Líbano – está em estado de choque.”

O UNICEF está coordenando com as autoridades e parceiros libaneses a responta às necessidades.

A agência forneceu água potável para os funcionários do porto de Beirute enquanto ajudava as autoridades de saúde a resgatar medicamentos e vacinas que permaneciam em um depósito. Seus parceiros no terreno estão fornecendo apoio psicossocial para crianças em toda a cidade.

“A catástrofe de ontem em Beirute contribui para o que já estava sendo uma crise terrível para o povo do Líbano, agravada por um colapso econômico e um aumento nos casos de COVID-19. A pandemia já significava que os hospitais estavam sobrecarregados e os funcionários da linha de frente, exaustos”, disse Mokuo.

Ela acrescentou que o UNICEF intensificará os esforços para alcançar as famílias em maior situação de vulnerabilidade nos próximos dias.

ONU anuncia apoio ao Líbano após explosões no porto de Beirute

Vista aérea de Beirute (arquivo). Foto: Banco Mundial/Dominic Chavez

Vista aérea de Beirute (arquivo). Foto: Banco Mundial/Dominic Chavez

As Nações Unidas disseram que estão “ajudando ativamente” na resposta às explosões que atingiram a área portuária de Beirute na terça-feira (4) e que deixaram ao menos uma centena de mortos e milhares de feridos, entre os quais alguns membros das forças de manutenção de paz da ONU.

Uma declaração de um porta-voz da ONU disse que o secretário-geral António Guterres expressou suas mais profundas condolências às famílias das vítimas, bem como ao povo e ao governo do Líbano, após as explosões na capital.

O chefe da ONU desejou uma rápida recuperação dos feridos, incluindo vários funcionários da ONU que trabalham no Líbano.

De acordo com a imprensa internacional, além de mais de 100 mortes, milhares de pessoas ficaram feridas nas explosões de grandes proporções, que enviaram ondas de choque pela movimentada cidade de Beirute, estourando janelas e sacudindo edifícios.

Segundo o premiê do Líbano, Hassan Diab, citado pelas agências de notícias internacionais, o incidente foi causado por 2.750 toneladas de nitrato de amônio estocadas na região portuária há seis anos.

“As Nações Unidas continuam comprometidas em apoiar o Líbano neste momento difícil e estão ajudando ativamente na resposta a esse incidente”, disse Guterres.

Tijjani Muhammad-Bande, presidente da Assembleia Geral da ONU, estendeu suas mais profundas condolências às famílias que perderam entes queridos na explosão de Beirute e desejou uma rápida recuperação dos feridos.

“Muhammad-Bande gostaria de reiterar sua solidariedade com o Líbano durante esse período”, disse o porta-voz do presidente da Assembleia.

No início do dia, a Força Interina da ONU no Líbano (UNIFIL) disse que, como resultado da enorme explosão, um navio de sua Força-Tarefa Marítima atracado no porto foi danificado, deixando alguns de membros das forças navais da UNIFIL feridos – alguns, seriamente.

“A UNIFIL está transportando os capacetes-azuis feridos para os hospitais mais próximos para tratamento médico. A UNIFIL está atualmente avaliando a situação, incluindo a escala do impacto no pessoal da UNIFIL”, disse uma declaração da operação, criada em 1978 inicialmente para confirmar a retirada das forças israelenses do sul do Líbano, bem como para garantir que a área voltasse ao controle de Beirute.

O comandante da Força-Tarefa Marítima da UNIFIL, Stefano Del Col, disse: “estamos com o povo e o governo do Líbano durante este período difícil e estamos prontos para ajudar e prestar qualquer assistência e apoio”.

Senso de urgência da Agenda 2030 é ainda maior com pandemia, diz ONU no Brasil

Criança no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

Criança no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

O senso de urgência para a execução da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável foi renovado diante dos efeitos da pandemia de COVID-19 no Brasil e no mundo, na avaliação do coordenador-residente da ONU no país, Niky Fabiancic.

“Como sabemos, a Agenda 2030, com seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, foi o plano elaborado pelos 193 países-membros das Nações Unidas para a construção de um mundo mais justo e sustentável, que não deixe ninguém para trás”, lembrou.

“Quando este plano foi acordado pelos países em 2015, com intensa liderança do Brasil, os países tinham consciência de que estavam discutindo os desafios mais urgentes enfrentados pela humanidade. Esses países aprovaram a Agenda 2030 com a certeza de que avançar no cumprimento dos 17 ODS era o caminho mais curto, justo e seguro para a superação desses desafios.”

Para Fabiancic, cinco anos após sua aprovação, o senso de urgência da execução desse plano foi renovado pela “gigantesca emergência sanitária que a pandemia de COVID-19 impôs ao mundo”.

“Temas que já estavam expressos na Agenda 2030 em 2015, como o acesso à água e a saneamento básico e a universalização dos serviços de saúde, se mostram imprescindíveis para a superação desta crise sem precedentes”, disse.

As declarações foram feitas na sexta-feira (31), em Brasília (DF), durante audiência pública da Frente Parlamentar Mista em Apoio aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Congresso Nacional.

Na ocasião, foi lançado o IV Relatório Luz da Sociedade Civil sobre a Agenda 2030, produzido pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, o GT Agenda 2030 – coalizão formada por 51 organizações, fundações e movimentos brasileiros.

O documento é a única publicação no Brasil, organizado pela sociedade civil, que apresenta um panorama sobre como os 17 ODS estão sendo implementados no Brasil, país que foi um dos 193 signatários do acordo que deu origem à Agenda 2030, na ONU.

Clique aqui para acessar o relatório.

“O Relatório Luz que está sendo lançado hoje nos alerta que não estamos avançando na implementação dos ODS na velocidade que precisamos. Isso não é uma novidade e nem é uma exclusividade do Brasil”, disse Fabiancic.

No início do ano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, já havia feito um chamado para que esta fosse a Década de Ação, para que todo o mundo empreendesse mais esforços para tirar os ODS do papel.

“A pandemia nos mostra que essa união é imprescindível e que investir em saúde, educação, saneamento e na preservação do meio ambiente é estratégico. Parafraseando o secretário-geral, o mundo é tão forte quanto seu elo mais fraco.”

Segundo o coordenador-residente da ONU no país, a pandemia alcançou o Brasil, assim como toda a América Latina, em uma situação desfavorável, e a crise decorrente da pandemia agravou essa situação.

As desigualdades históricas são determinantes para a forma e a intensidade com que cada pessoa experimenta os efeitos da pandemia, disse. “As pessoas que já se encontravam em situação vulnerável foram mais duramente atingidas. Elas estão mais suscetíveis aos efeitos na saúde, já que têm menos condições de adotar as medidas de prevenção à doença, e muitas delas têm mais chance de desenvolver as formas graves da COVID-19.”

“Ao mesmo tempo, são esses grupos vulneráveis que sofrem mais com os efeitos socioeconômicos da pandemia. Trabalhadores informais, mulheres, indígenas, afrodescendentes, pessoas com deficiência são alguns dos grupos que que estão sentindo os piores efeitos da crise socioeconômica provocada pela pandemia.”

O Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe deve recuar 9,1% este ano – enquanto a queda prevista para o PIB brasileiro é de cerca de 9%. A pobreza deve chegar a mais de 37% da população da região, ou seja, 231 milhões de pessoas, enquanto 98 milhões de pessoas viverão em situação de pobreza extrema, segundo projeções da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

Fabiancic lembrou que o desemprego e a informalidade também devem aumentar, com o fechamento de 2,7 milhões de empresas, somando 44 milhões de pessoas sem emprego na região. No Brasil, a pobreza deve chegar a 25% da população, ou cerca de 50 milhões de pessoas, salientou.

“Portanto, a desigualdade, que já era intensa, deve ser acirrada. E com mais desigualdade, a tendência é termos desafios maiores em todas as áreas do desenvolvimento, como saúde, educação, trabalho e renda, lacunas de gênero, segurança alimentar, meio ambiente e crescimento econômico.”

Altos níveis de desigualdade são um empecilho para o desenvolvimento e estão associados a instabilidade econômica, corrupção, crises financeiras, aumento da criminalidade e condições de saúde ruins, disse Fabiancic.

“Precisamos quebrar esse ciclo e, para isso, precisamos ter dados confiáveis e oportunos, como estes do Relatório Luz. Portanto desejo parabenizar a todas as organizações que fizeram um grande esforço para a preparação deste relatório.”

As Nações Unidas, por meio da CEPAL, têm algumas recomendações para que os países consigam quebrar o ciclo de desigualdade, entre elas, a implementação de programas de renda básica, que ajudarão inicialmente as famílias pobres a atravessar o período mais crítico da crise, disse Fabiancic.

Outras recomendações incluem a adoção de políticas sociais universais, de saúde e educação, ancoradas em reformas fiscais progressivas e distributivas, tanto nos impostos quanto nas despesas públicas. “Políticas desse tipo provocarão mudanças estruturais duradouras capazes de levar a região a um modelo de desenvolvimento mais inclusivo e sustentável”, disse.

Fabiancic lembrou que a geração de emprego e renda deve ser uma prioridade, principalmente por meio do apoio a pequenas e médias empresas. Também deve haver alinhamento de esforços pela redução da grande lacuna digital da região, como no acesso à Internet, que também favorecerá a redução de outras desigualdades e a geração de emprego e renda.

“Essas quatro recomendações têm um aspecto em comum: políticas fiscais e monetárias expansivas, que mantenham um período mais longo de investimentos que não seja interrompido por regimes de austeridade”, disse.

“Encorajamos o Congresso Nacional e a sociedade brasileira como um todo a se engajar nesta discussão para encontrar as soluções mais adequadas para que o Brasil construa um futuro melhor, com igualdade, inclusão e sustentabilidade.”

“Enxergamos o Sistema Nações Unidas como um catalisador de diálogos e seguimos à disposição do Brasil para facilitar essa grande conversa. Estou seguro de que com todo seu potencial e criatividade, o Brasil será capaz não apenas de encontrar soluções inovadoras para seus desafios, como também de contribuir para que todo o mundo emerja desta crise melhor do que antes”, concluiu Fabiancic.

Clique aqui para acessar a íntegra do discurso do coordenador-residente da ONU Brasil.

UNIDO participa de webinar sobre Política Nacional de Resíduos Sólidos

UNIDO participou de painel temático com especialistas em resíduos sólidos, compostagem e biometanização. Foto: UNIDO

UNIDO participou de painel temático com especialistas em resíduos sólidos, compostagem e biometanização. Foto: UNIDO

A Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) participou na quarta-feira (29) do webinar “PNRS 2030 – Caminhos para implementação efetiva da Política Nacional de Resíduos Sólidos nos próximos 10 anos”.

O evento reuniu discussões em torno da gestão sustentável de resíduos sólidos no Brasil. O consultor da UNIDO Luis Felipe Colturato, especialista em resíduos e biogás, fez uma apresentação técnica durante o painel “Resíduos orgânicos/compostáveis – gestão estratégica e oportunidades para uma nova sociedade”.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), os resíduos orgânicos correspondem a cerca de metade do lixo domiciliar brasileiro. Além disso, a agroindústria produz grande quantidade de resíduos sólidos que, quando descartados sem nenhum aproveitamento, acabam se tornando um passivo ambiental.

Com um tratamento adequado, resíduos orgânicos podem ser recuperados e transformados em energia elétrica, térmica, combustível ou fertilizante, desocupando aterros sanitários. A produção de biogás a partir da biodigestão de resíduos orgânicos, por exemplo, anula os impactos negativos desses resíduos no meio ambiente e gera emprego, renda, novos negócios e inovação tecnológica. O biogás é uma fonte renovável de energia.

No painel temático foram abordadas soluções para a implementação de tecnologias de reciclagem de resíduos orgânicos em centros urbanos brasileiros, utilizando a compostagem ou a biometanização.

De acordo com o MMA, a compostagem é um método de tratamento que transforma resíduos em adubo por meio de um processo biológico de decomposição do material orgânico. Já a biometanização, também chamada de biodigestão anaeróbia, é um método que submete os resíduos orgânicos à digestão por bactérias e outros microorganismos, gerando biogás e composto orgânico.

Durante o webinar, o consultor da UNIDO Luis Felipe Colturato apresentou diversas técnicas de compostagem e biometanização disponíveis para municípios e países. Destacou, também, a importância de políticas públicas e campanhas que reduzam o descarte de alimentos. Colturato chamou a atenção para uma pesquisa recente que indica que o brasileiro desperdiça em média mais alimentos que o europeu, principalmente por fatores culturais.

“Não há dúvida de que temos que mostrar à população brasileira que ela é responsável pelo resíduo que gera. Precisamos nos conscientizar de que nossos hábitos têm impacto direto no meio em que vivemos”, reforçou Colturato.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), tema principal do webinar, é uma lei instituída em 2010 que incentiva a gestão sustentável dos resíduos sólidos no país. O aproveitamento energético de resíduos orgânicos é uma das estratégias possíveis para a promoção de uma economia mais circular e com baixa emissão de gases de efeito estufa.

Conheça as ações do escritório da UNIDO no Brasil no site da organização: www.unido.org/brasil

UNIDO participou de painel temático com especialistas em resíduos sólidos, compostagem e biometanização. Foto: UNIDO

No painel temático foram abordadas soluções para a implementação de tecnologias de reciclagem de resíduos orgânicos em centros urbanos brasileiros, utilizando a compostagem ou a biometanização. Foto: UNIDO

 

Programa Territórios Sociais distribui 250 mil sabonetes para famílias de favelas do Rio

Clique para exibir o slide.

O Programa Territórios Sociais vai distribuir 250 mil sabonetes para cerca de 25 mil famílias dos dez maiores complexos de favelas do Rio de Janeiro (RJ). Os itens foram doados ao município pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

O programa, que trabalha identificando e monitorando famílias com os menores índices de desenvolvimento social na capital fluminense, tem adaptado suas ações diante da pandemia de COVID-19.

Segundo Andrea Pulici, coordenadora do programa e atual presidente do Instituto Pereira Passos (IPP), doações possibilitam que as medidas de prevenção se tornem possíveis para muitas famílias em condição de extrema vulnerabilidade social.

“Ficamos verdadeiramente agradecidos pela doação e esperançosos dos reflexos positivos que isso trará no terreno.”

Segundo Rayne Ferretti Moraes, oficial nacional do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), a cooperação entre as agências do sistema ONU e a rapidez das ações, nesse caso, foram fundamentais para o sucesso de processo de doação.

“Com os dados relevantes sobre as famílias que foram levantados ao longo do projeto, podemos dizer que o material chegará às mãos de quem precisa. Agradecemos o empenho de todos os parceiros envolvidos.”

O Programa, que também conta com o apoio da Obra Social Abrace Rio, já distribuiu cerca de 1.951 cestas e fez doação de mais de 500 frascos de álcool em gel, junto com os alimentos.

Desde o início da pandemia, as agentes de campo do Programa já fizeram cerca de 4 mil ligações telefônicas para as famílias monitoradas, reforçando a importância da higiene e do isolamento social.

Nesse processo, os agentes também realizaram 1.244 ligações para as famílias com integrantes no grupo de risco, monitorando os casos suspeitos e confirmados da infecção pela COVID-19.

Debates online vão traçar plano de sustentabilidade para o futuro do Rio

O Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT), por meio do projeto Sistemas de Responsabilidade Pública para Medir, Monitorar e Informar sobre Políticas Urbanas Sustentáveis na América Latina, acompanha a construção do Plano de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura do Rio de Janeiro (RJ).

O segundo debate da série “Diálogos para 2030: Preparando a Cidade do Rio para o Futuro” acontecerá na quinta-feira (14), às 10h, no canal do Youtube da Multirio. O tema será “Longevidade e bem-estar para o desenvolvimento sustentável”.

As sessões, que ocorrem online em virtude da pandemia da COVID-19, buscam a participação de gestores públicos, membros de sociedade civil, academia, setor privado e público interessado.

O encontro desta quinta-feira faz parte de uma série de cinco com o objetivo de debater desafios e soluções para a capital fluminense nos próximos dez anos. As temáticas são alinhadas com o Rio Capital Mundial da Arquitetura por incluir propostas para o futuro dos espaços urbanos.

Participarão da mesa virtual de debates Rubens Filho, jornalista e coordenador de Comunicação do Instituto Trata Brasil; Daniel Vilella, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor de Epidemiologia e Biologia Computacional; Paulo Saldiva, professor da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador de doenças respiratórias e saúde ambiental; e Mónica Guerra, arquiteta, mestre em planejamento e gestão urbana e fundadora do Comida do Amanhã.

Segundo Daniel Mancebo, coordenador geral do Escritório de Planejamento da Prefeitura do Rio, “longevidade e bem-estar” são eixos transversais do Plano de Desenvolvimento Sustentável da cidade.

Esses eixos têm forte relação com a a Agenda 2030 e seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que visam erradicar a pobreza, reduzir as desigualdades e garantir a saúde para todos, entre outros.

As condições ambientais, como a redução da poluição de ar e das águas, se colocam nesse contexto e serão abordadas no debate, assim como a resposta à pandemia e temas ligados à garantia do bem-estar nas cidades.

Os seminários são promovidos pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro em parceria com ONU-Habitat. Em cinco quintas-feiras seguidas, sempre às 10h, os convidados discutirão temas relacionados ao Plano de Desenvolvimento Sustentável do Rio.

Projeto fotográfico apoiado pelo ONU-HABITAT retrata favelas brasileiras

Foto: Henrique de Campos Foto: Henrique de Campos O fotógrafo Henrique de Campos. Foto: ONU-HABITAT Foto: Henrique de Campos

O Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) apoia o projeto fotográfico “Miséria que Habita”, que documentará em livro as formas de habitação precárias no Brasil.

As imagens foram capturadas pelo fotógrafo Henrique de Campos, que percorreu diversos estados brasileiros.

No mundo, cerca de 1 bilhão de pessoas vivem em assentamentos informais. No Brasil, esse número ultrapassa 11 milhões de pessoas, de acordo com o último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010.

Sem serviços públicos essenciais, como coleta de lixo, rede de esgoto, rede de água, energia elétrica e iluminação pública, os moradores dos assentamentos precários enfrentam uma série de vulnerabilidades sociais e sanitárias.

As fotografias do projeto criado em 2017 retratam moradores de favelas como Cantão, em Porto Alegre (RS), Jardim Peri, em São Paulo (SP), Rocinha, no Rio de Janeiro (RJ), e do lixão da cidade de Codó (MA).

Segundo o fotógrafo, a ideia de registrar essas realidades surgiu de sua “inquietude diante dos problemas sociais ligados à pobreza, e por paixão pela arte visual”.

Campos, que em paralelo ao projeto fotográfico já arrecadou mais de 1 mil cestas básicas e kits de higiene, transformou a mobilização social de suas redes em ajuda para cerca de 600 famílias em diversos estados do país.

“Diante da pandemia e das deficiências sanitárias que fotografei, notei que ajuda e medidas emergenciais poderiam, pelo menos, garantir o básico para essas pessoa em situação extrema carência provocada pelo novo coronavírus”, disse.

Rayne Ferretti Moraes, oficial nacional do ONU-Habitat, afirmou que a organização apoia institucionalmente os registros fotográficos do projeto, uma vez que estes ilustram de forma alarmante as disparidades sociais vivenciadas pelos brasileiros nas cidades.

“O mandato de nossa agência, na busca por cidades mais justas, resilientes, seguras e inclusivas, planeja e apoia ações dos poderes públicos nos mais diversos níveis para que esses registros de total escassez e precariedade façam parte do passado das cidades brasileiras”, disse Rayne.

Sobre o projeto “Miséria que Habita”

O projeto reúne imagens produzidas pelo fotógrafo Henrique de Campos, com a curadoria do também fotógrafo Eder Chiodetto.

As principais fotografias serão reunidas em um livro. A ideia é dar rosto e voz às famílias e comunidades mais vulneráveis, retratar os efeitos da crise econômica dos últimos anos e a crescente onda de desemprego que atinge, em sua maioria, os mais pobres.

Por meio da narrativa do dia a dia das pessoas, o objetivo é mostrar a luta contra o aumento da pobreza (material e imaterial) e a degradação das condições de vida.

Todo dinheiro arrecadado será revertido para os personagens registrados e para os projetos parceiros na forma de assessoria educacional, jurídica, serviços de saúde, beneficiamento de residência, cursos de capacitação profissional ou aquisição de maquinário para trabalho.

Saiba sobre a iniciativa no site miseriaquehabita.com.br e nas redes sociais Instagram @miseriaquehabita e Facebook.com/miseriaquehabita

ONU-HABITAT participa de discussões sobre plano de desenvolvimento sustentável do Rio

O Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT), por meio do projeto Sistemas de Responsabilidade Pública para Medir, Monitorar e Informar sobre Políticas Urbanas Sustentáveis na América Latina, acompanha a construção do Plano de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura do Rio de Janeiro (RJ).

A série de discussões para a construção do plano terá início em 7 de maio, às 10h, no canal do Youtube da Multirio. As sessões, que ocorrerão no ambiente online em virtude da pandemia da COVID-19, buscam a participação de membros da sociedade civil, gestores públicos, academia, setor privado e público interessado.

Iniciado em 2017, o projeto do ONU-HABITAT atua em cidades brasileiras como Rio de Janeiro e Niterói, nas cidades peruanas de Trujillo e Chimbote e em cidades bolivianas como Tarija e La Paz, com o principal objetivo de contribuir para a implementação da Agenda 2030 e, em particular, para a consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) por governos locais.

O Plano de Desenvolvimento Sustentável (PDS) tem por objetivo nortear as ações da Prefeitura do Rio de Janeiro no médio e longo prazos, orientando políticas públicas que terão continuidade ao longo das diferentes administrações até 2030.

O encontro inicial discutirá a importância da Agenda 2030 e o desenvolvimento sustentável para a cidade. Nas demais sessões serão tratados temas relacionados aos eixos do Plano de Desenvolvimento Sustentável da cidade, como questões ligadas a bem-estar e longevidade, igualdade e equidade, cooperação e paz e governança.

Cada encontro terá a participação de equipe técnica da Prefeitura e especialistas convidados a participar de uma mesa de debate.

Segundo Rayne Ferretti Moraes, oficial nacional do ONU-HABITAT, “é estratégico poder discutir a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável neste momento tão marcante de nossas cidades”.

“Este projeto, em conjunto com a Prefeitura, assume grande relevância neste momento de pandemia, na medida em que, através desses seminários, um princípio muito importante de governo aberto está sendo colocado em prática: o da colaboração.”

“Os governos locais podem impulsionar processos de busca de soluções fazendo uso dos saberes, metodologias e experiências dos diversos setores da sociedade. Planejar a cidade para o futuro é essencial, nesse momento de crise”, completou.

“Estamos sensíveis ao momento atual da pandemia do novo coronavírus, em que a cidade precisa se reinventar, criar novos paradigmas, se aperfeiçoar em alguns aspectos”, declarou o subsecretário de Planejamento e Acompanhamento de Resultados da Prefeitura do Rio de Janeiro, Anderson Simões.

“Diante desses vários problemas, queremos trazer especialistas e envolver a sociedade como forma de ampliar o debate e deixá-lo o mais participativo o possível.”

O primeiro webinar será realizado no dia 7 de maio, às 10h. As sessões seguintes acontecerão todas às quintas-feiras, sempre às 10h, pelo canal do Youtube da Multirio.

Pandemic could generate more empathy towards refugees, says Brazilian filmmaker

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Instead of fear and xenophobia, the isolation and uncertainty about the future brought by the COVID-19 pandemic has the potential to generate more empathy and solidarity towards others, including refugees.

That’s the hope of the Brazilian filmaker Karim Aïnouz, who launched directly on the streaming platforms his documentary “Central Airport THF”, which describes the situation of asylum seekers sheltered in the former Tempelholf Airport, in Berlin.

Built in the 1920s, the airport of gigantic proportions was renovated in the 1930s by the Nazi regime. Deactivated in 2008, it served as a shelter for asylum seekers between 2015 and 2019, today has been transformed into a public park.

In portraying the lives of those who fled from to survive, Aïnouz shows the “suspension of time” faced by refugees who wait for months – or even years – for a decision by the German Government regarding their stay in the country.

The documentary followed the lives of young Syrian student Ibrahim and Iraqi physiotherapist Qutaiba over the course of a year. While undergoing interviews, German classes and medical exams, they tried to deal with homesickness and the anxiety generated by the possibility of deportation.

Aïnouz believes it is possible to draw some parallels with the situation experienced by billions of people currently confined to their homes in the midst of the COVID-19 pandemic, who are facing financial difficulties and fear of infection.

“This inability to know what the future holds, the level of uncertainty and (the fact) that the decision regarding their future is no longer theirs, the situation is similar to what the former refugees were going through at that time”, said Aïnouz in an interview with the United Nations Information Center (UNIC Rio).

“There’s also a lesson of humility (…). They are people who have nothing, who have lost everything they had. They only have the ‘from now on’. So I thought it would be interesting to show the film specifically at this moment, on streaming platforms”, he said.

The documentary was released on Now, Vivo Play, Oi Play, Itunes, Google+, Filme Filme and Looke platforms. The feature film was due to open in Brazilian theaters on 26 March 2020, but due to the COVID-19 pandemic, Mar Filmes and Canal Brasil decided to release it directly on video on demand.

For the filmmaker, the documentary and the current crisis enables the viewer to not only put himself or herself in the place of refugees, but the film helps the viewer to relate to all of society’s most vulnerable people, such as the homeless and the poorest, who are at greater risk.

“In Brazil, we have Brazilian refugees within their own country, when you contrast the living conditions of the poor neighborhoods with those that are very affluent,” the filmmaker said. “I hope that this (the pandemic) will bring us closer to the pain of these people. I hope that this will enable us to be more supportive and less hostile.”

Hope

Despite living through a period of such uncertainty and waiting, when they are unable to return home or know for sure what their future will hold, the refugees portrayed in “Central Airport THF” remain hopeful that their lives will change for the better in the host community.

“When you see a 17-year-old boy who leaves his country, not because he wants to, but because he is escaping war, risking his own life to be in a place that is not his home, and he still has hope … it is very important that we try to show compassion towards each other”, said Aïnouz.

According to the filmmaker, the documentary presents an important lesson for all: people should have faith in the future and imagine that the future will certainly be better than the past. “Let’s imagine that our differences unite us rather than separate us” he said. “I hope the film causes a degree of empathy that it would not have caused if it had been released at another moment”, he added.

Hope also permeates the Brazilian filmmaker’s own relationship with the park that currently exists at the former Tempelholf Airport, which has become a public space due to pressure from the population itself.

O cineasta brasileiro Karim Aïnouz estreou como diretor de longas-metragens com "Madame Satã". Outras obras incluem "Aeroporto Central", "Praia do Futuro" e "O Céu de Suely". Foto: Bob Wolfenson

Brazilian filmmaker Karim Aïnouz. Photo: Bob Wolfenson

“Whenever I’m there, I look at those airstrips and think, ‘Wow, I’m here riding a bike under this beautiful sun, with a vegetable garden over there, at a place where Hitler had once landed. So, there is this feeling of hope, and it is a public space that remains more alive than ever”, he explains.

Aïnouz – who has directed more than 15 films, including “The Invisible Life of Eurídice Gusmão”, which premiered in Cannes at the Un Certain Regard exhibition in 2019, predicts that movie theaters will be more sought after than ever after the pandemic, because people will want to make social contact when it is safe to do so.

In the filmmaker’s view, movies have never been more important as “storytelling machines”. “Imagine what it would be like to go through this pandemic without being able to watch a television series, a movie or read a book”, he said.

Importance of culture in the midst of COVID-19 – More than130 Ministers and Vice-Ministers of Culture joined a recent online meeting convened by UNESCO to discuss actions to bolster the cultural sector, which is facing unprecedented upheaval due to the COVID-19 pandemic. The ministers spoke of the direct effects of the current crisis on tourism, museums, cultural production and artists, as well as the measures that they have taken to mitigate the impact of the crisis. They reaffirmed their commitment to intergovernmental dialogue and international solidarity in order to strengthen and unite their efforts.

Support refugees during the coronavirus crisis – Countries across Latin America are calling on refugee and migrant health workers to support their national responses to COVID-19. Across the region, thousands are now working with national health systems responding to the pandemic while many more stand ready to support and give back to the communities sheltering them.

As COVID-19 cases increase by the day and already over-stretched health systems strain under mounting pressure, UNHCR, the UN Refugee Agency, is supporting these efforts that tap into the skills and resources that refugee medics can provide.

Several countries in the region have now put in place special measures. These authorize the hiring of foreign-qualified health professionals and technicians, including those awaiting licensing or whose certification is yet to be validated by host countries. Other states have adopted expedited recognition processes to fast-track their inclusion in national health responses.

Your donation will help aid the efforts of UNHCR .

ONU lança documento com recomendações para proteger idosos durante pandemia

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, publicou nesta sexta-feira (1) um relatório sobre o impacto que a pandemia de COVID-19 está tendo em pessoas idosas.

Na pesquisa, o chefe da ONU informa que a taxa de mortalidade para os idosos é mais alta no geral e, para aqueles com mais de 80 anos, é cinco vezes a média global.

Além do impacto imediato na saúde, António Guterres alertou que “a pandemia está colocando as pessoas mais velhas em maior risco de pobreza, discriminação e isolamento”, com um impacto potencialmente arrasador sobre as pessoas idosas nos países em desenvolvimento.

Acesse o documento clicando aqui.

O secretário-geral afirmou que, como pessoa idosa e como responsável por uma pessoa ainda mais idosa – sua mãe –, ele está “profundamente preocupado com a pandemia em nível pessoal e com seus efeitos em comunidades e sociedades”.

O relatório inclui um resumo de políticas com análises e recomendações para enfrentar esses desafios. São quatro as mensagens principais.

Recomendações

Primeiro, nenhuma pessoa, jovem ou velha, é dispensável. Os idosos têm os mesmos direitos à vida e à saúde que todos os outros.

Para Guterres, “as decisões difíceis em torno dos cuidados médicos que salvam vidas devem respeitar os direitos humanos e a dignidade de todos”.

Segundo, embora o distanciamento físico seja crucial, não se pode esquecer que o mundo é uma comunidade e que todos estão ligados.

Guterres disse que são precisos mais apoio social e esforços mais inteligentes para chegar às pessoas mais velhas usando tecnologia digital. Segundo ele, “isso é vital para que possam enfrentar o grande sofrimento e isolamento criado por bloqueios e outras restrições”.

Em terceiro lugar, todas as respostas sociais, econômicas e humanitárias devem levar em consideração as necessidades dos idosos, desde a cobertura universal de saúde à proteção social, trabalho decente e pensões.

O chefe da ONU lembrou que a maioria destas pessoas são mulheres, que têm maior probabilidade de viver na pobreza e sem acesso a cuidados de saúde.

Por fim, em quarto lugar, o secretário-geral disse que o mundo não deve “tratar as pessoas mais velhas como invisíveis ou impotentes”.

Muitos idosos continuam trabalhando, têm vidas familiares ativas e cuidam de familiares. Para Guterres, “suas vozes e liderança contam”.

O chefe da ONU afirmou que, para superar essa pandemia, o mundo precisa “de uma onda de solidariedade global e das contribuições de todos os membros da sociedade, incluindo os idosos”.

Guterres disse olhar para o futuro, dizendo que durante a recuperação será preciso “ambição e visão para construir sociedades mais inclusivas, sustentáveis e amigas dos idosos”.

Rio’s vulnerable organize themselves to fight coronavirus

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Gizele Martins was born and raised in the Complexo da Maré, a group of 16 favelas (slums) with around 140,000 inhabitants in Rio de Janeiro. A journalist and community activist, she helped to create the Mare Mobilization Front to prepare for the arrival of the new coronavirus.

Her mission is to distribute information based on the recommendations from the Ministry of Health of Brazil, the World Health Organization (WHO) and Oswaldo Cruz Foundation (Fiocruz) about the care and risks of the new coronavirus, in a broad and effective manner to the poor living in difficult conditions in the favelas.

Today the Front counts on the participation of and support from residents living in the various favelas of the complex. The biggest challenge is that not all of them have access to information from the news media or even the internet. “We are working with loudspeakers broadcasting from vehicles, and flyers posted in churches, associations and businesses throughout the Maré favelas. We are also creating street art, banners and producing videos, articles and images,” explains Gisele.

In an interview to United Nations Information Center in Rio de Janeiro (UNIC Rio), she says that one of the greatest obstacles they face is maintaining social distance. The conditions of life in the favelas – lack of basic sanitation, a shortage of drinking water, very small, suffocated, overcrowded houses that are built very close to each other – are the main challenges in preventing COVID-19.

The concern for survival also influences the people’s decision to stay at home. “Most residents are informal workers. People work to eat, which also forces many people out of their homes to try to keep their small businesses going, which means they put themselves at risk,” she says.

To help residents, the Maré Mobilization Front is supervising and organizing the distribution of food and hygiene donations to the most vulnerable people living in the Maré.

According to a survey by Data favela, a partnership between the Instituto Locomotiva and the Central Única das Favelas (Cufa), 72% of favela residents in Brazil will run out of money in just one week of social isolation.

Gizele says that people are heeding the call for solidarity made by the Director General of the World Health Organization (WHO), Dr. Tedros Adhanom. “It is a time to think not only of oneself, and how social isolation is affecting each person, it is a time to think of the group collectively, of oneself and of the other”, reflected the activist.

“Not everyone in the favela has water, so we reinforce the message that the population should wash their hands and that it is more important now than ever for us to share our water with our neighbor who doesn’t have access to it”, Gisele said.

Multimedia Campaign – An important ally in the fight against the new coronavirus in the Complexo da Maré is the Oswaldo Cruz Foundation (FIOCRUZ), which launched together with the NGO Redes da Maré and community organizations a multimedia campaign titled, “Se Liga No Corona” (“Beware of Corona”). The initiative aims to disseminate reliable information throughout the complex of favelas, adapted to the context in these communities on the margins of the city.

Posters, audio messages, radio soap operas, images and videos for social media are the main materials produced by the campaign. These materials are distributed in the busiest areas of these communities, from loud speakers and community radios, in commercial establishments, at bus and motor-taxi stops, neighborhood associations, and also by sharing online.

Fiocruz, a neighbor of the Maré slum complex, was recently honoured for its scientific achievements when WHO appointed its Respiratory and Measles Virus Laboratory as the Reference Laboratory for COVID-19 in the Americas. They conduct genetic and evolutionary studies aimed at the development of vaccines and treatments, supporting laboratories in the region. The Foundation is also a partner of the Pan American Health Organization (PAHO) and WHO in implementing the guidelines and protective measures of the UN organizations in combating the new coronavirus.

Precautions – Hygiene is essential to combat COVID-19. WHO recommends washing one’s hands with soap and water or with alcohol-based hand disinfectants regularly; when coughing or sneezing, cover one’s mouth and nose with a flexed elbow or tissue – then throw away the tissue and sanitize the hands; it is necessary to keep at least one meter away from people who are coughing or sneezing; and if a person has a fever, dry cough and difficulty breathing, it is important to seek medical attention as soon as possible.

UN-Habitat – The Social Territories Program, implemented by the Pereira Passos Institute in partnership with the United Nations Program for Human Settlements (UN-HABITAT), aims to reduce the risk posed to vulnerable families living in Rio’s ten large slum complexes.

The project, implemented by the municipality of Rio de Janeiro in partnership with UN-HABITAT, identifies people who are extremely vulnerable in the capital of the state of Rio de Janeiro and directs them to public services or cash transfer programmes. In the midst of the COVID-19 pandemic, the search for these people, previously made in person, is now conducted by telephone. More than 1,600 calls have already been made.

Mais de 130 ministros pedem apoio ao setor cultural em meio à pandemia

Os ministros falaram sobre os efeitos diretos da atual crise no turismo, nos museus, na produção cultural e nos artistas. Foto: UNESCO

Os ministros falaram sobre os efeitos diretos da atual crise no turismo, nos museus, na produção cultural e nos artistas. Foto: UNESCO

Mais de 130 ministros, vice-ministros e secretários da Cultura participaram de reunião online convocada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) na semana passada para discutir ações para fortalecer o setor cultural, que enfrenta perturbações sem precedentes devido à pandemia da COVID-19.

Os ministros falaram sobre os efeitos diretos da atual crise no turismo, nos museus, na produção cultural e nos artistas, bem como sobre as medidas que adotaram para mitigar o impacto da crise. Eles reafirmaram seu compromisso com o diálogo intergovernamental e com a solidariedade internacional, a fim de fortalecer e unir seus esforços.

Ao abrir o debate, a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, lembrou os participantes de que “precisamos da cultura e, por isso, precisamos ajudá-la a suportar esse choque”. “Devemos avaliar o impacto da crise, lançar uma reflexão conjunta e iniciativas coordenadas. A UNESCO pretende desempenhar plenamente seu papel nesse processo, em conformidade com seu mandato.”

Os ministros destacaram os benefícios sociais e econômicos do setor cultural em seus países, bem como concordaram com a necessidade urgente de investir no setor durante e após a crise.

As restrições de mobilidade e as medidas de contenção que os governos foram forçados a adotar devido à pandemia reduziram drasticamente o acesso à cultura no curto prazo e – se não forem tomadas medidas – podem enfraquecer todo o ecossistema cultural pelas próximas gerações.

O efeito cascata da COVID-19 na cultura

A maioria dos países mencionou o fechamento de seus locais e instituições culturais, como seus sítios do Patrimônio Mundial, e o efeito cascata que isso está provocando.

De fato, até o momento, 90% dos países fecharam total ou parcialmente seus sítios do Patrimônio Mundial da UNESCO, e 128 países fecharam suas instituições culturais.

Além desses fechamentos, os festivais tradicionais e uma grande variedade de outros eventos foram cancelados, o que causou impactos na vida cultural das comunidades e na renda de profissionais criativos, cujo trabalho, com frequência, é sazonal.

De fato, os ministros observaram repetidamente que artistas e profissionais de criação estão entre os mais duramente atingidos nesta crise devido à fragilidade do setor, em que muitos são autônomos, empregados de pequenas e médias empresas e, em alguns casos, trabalham no setor informal.

Durante a reunião, muitos ministros enfatizaram que o colapso da vida cultural e da produção cultural estava causando um impacto terrível no setor de turismo – o qual, em alguns países, corresponde a mais da metade da atividade econômica nacional. Dados recentes do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (World Travel and Tourism Council) mostram que 75 milhões de empregos no setor de turismo estão ameaçados.

A cultura é uma parte vital da solução

Uma série de ministros prestou homenagem a seus artistas nacionais e a todos os trabalhadores do setor cultural, incluindo os gestores de sítios do Patrimônio Mundial, por seus talentos e seu papel em garantir o acesso à cultura nestes tempos de confinamento, bem como por seu compromisso de aumentar a conscientização sobre a pandemia por meio de suas atividades.

Graças às plataformas online, o acesso à cultura tem sido assegurado em muitas partes do mundo, inclusive por meio de museus, galerias e bibliotecas virtuais. Uma grande quantidade de músicos, dançarinos, artistas visuais e escritores tornaram seus trabalhos acessíveis online.

Muitas dessas iniciativas também garantem a continuidade das atividades de educação artística. No entanto, a cultura não é disseminada apenas por plataformas digitais, pois muitas regiões do mundo não possuem a infraestrutura adequada. A cooperação com redes de televisão, estações de rádio e a imprensa também garante que as pessoas possam se conectar com a cultura como uma fonte de conforto, bem-estar e união durante estes momentos traumáticos..

Para abordar o fato de o setor cultural ter sido um dos primeiros a ser afetado por esta crise e, ainda assim, o último a receber apoio orçamentário, muitos ministros destacaram os pacotes de financiamento de emergência que implementaram em seus países para salvaguardar, no curto prazo, os meios de subsistência de artistas, artesãos e profissionais criativos.

Algumas dessas ações incluem a encomenda de novas obras, muitas vezes adaptadas à nova realidade do ambiente digital, para fornecer uma renda contínua aos indivíduos e acesso à cultura para a sociedade como um todo.

Enquanto os países estão em diferentes estágios da pandemia da COVID-19, muitos já começaram a realizar avaliações de impacto para abordar não apenas o impacto de curto prazo, mas também para conceber estratégias de longo prazo.

Para uma grande quantidade de governos, a expansão das tecnologias digitais será uma parte importante da estratégia. Os Emirados Árabes Unidos observaram que “devemos iniciar discussões sobre uma economia cultural digital integral e planejar o apoio a uma cultura que não se traduz facilmente no mundo virtual”.

No entanto, como muitos ministros indicaram, a cultura também é uma experiência coletiva da nossa humanidade compartilhada, e será importante revitalizar o contato humano quando for seguro fazê-lo.

Construção de uma coalizão ampla para apoiar o ecossistema cultura

A participação maciça na própria reunião foi um testemunho da necessidade de solidariedade internacional neste momento, um sentimento ecoado repetidamente pelos ministros. Por exemplo, a China, o primeiro país a ser afetado pela COVID-19, observou que “a cultura pode – e deve – nos unir, aumentar o compromisso internacional e restaurar a esperança e a confiança”.

Vários outros Estados-membros pediram uma plataforma reforçada de diálogo para compartilhar boas práticas entre os países. Outros salientaram a necessidade de mecanismos financeiros internacionais para apoiar os países com menor capacidade de reforçar seus setores culturais.

Até mesmo o aprimoramento dos instrumentos normativos da UNESCO foi citado como um objetivo de longo prazo, pois a crise evidenciou a importância da cultura para a sociedade, bem como a sua vulnerabilidade. Como ressaltou a República Tcheca, “a cultura é uma parte essencial da sociedade, não é um luxo”.

Muitos ministros observaram que o impacto da crise no setor cultural não deve ser subestimado e que o mundo será diferente após o término dessas medidas excepcionais. A Suécia implorou aos colegas ministros que “unissem seus esforços para defender sociedades abertas e democráticas, nas quais os criadores possam trabalhar sob condições livres, justas e seguras e nas quais a liberdade artística seja protegida e promovida”.

De fato, muitos países disseram que, no longo prazo, será necessário adaptar-se a uma “nova normalidade”; e países como o Mali disseram que “esta crise é uma oportunidade para desenvolver uma reflexão mundial e estratégica sobre a cultura”. De forma muito simples, o México afirmou que “a cultura sempre nos salvou no passado e desta vez não será diferente”.

No encerramento do debate, o diretor-geral adjunto de Cultura da UNESCO, Ernesto Ottone R., lembrou que “não pode haver futuro sem cultura”.

Ele concluiu, dizendo que “esta reunião mostrou o seu grande compromisso, e a UNESCO continuará apoiando os senhores. Não podemos reverter o progresso observado nos últimos anos no setor cultural. É por meio da cultura que nós forjamos nossa resiliência coletiva, e é a cultura que nos aproximará ainda mais”.

ONU-HABITAT lança plano de resposta à pandemia com foco em comunidades vulneráveis

Favelas em Porto Príncipe, Haiti. Foto: ONU-Habitat/Julius Mwelu

Favelas em Porto Príncipe, Haiti. Foto: ONU-Habitat/Julius Mwelu

A contínua propagação da crise da COVID-19 ameaça as pessoas mais vulneráveis das cidades e comunidades, particularmente 1 bilhão de pessoas que vivem em favelas e assentamentos informais, incluindo refugiados, deslocados internos e migrantes.

Para enfrentar a crise, o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT) está lançando um Plano de Resposta para a COVID-19 de caráter emergencial para 64 países, com foco em ações imediatas em áreas pobres e densamente povoadas.

O plano é apoiado pela campanha COVID-19 para mobilizar apoio entre governos nacionais e locais e líderes comunitários por meio de sua rede de profissionais urbanos, organizações comunitárias e empresas.

Mais de 95% das infecções por coronavírus no mundo ocorrem em áreas urbanas, em cerca de 1,5 mil cidades. Pessoas em assentamentos informais estão particularmente em risco, pois vivem em condições de superlotação, carecem de habitação e serviços básicos adequados, como água e saneamento, e muitas são trabalhadoras informais que não podem isolar-se socialmente.

Isso torna difícil a implementação de medidas para diminuir a transmissão, como o distanciamento físico, a auto-quarentena, a lavagem das mãos ou os bloqueios em toda a comunidade.

O ONU-HABITAT está trabalhando com parceiros no terreno – incluindo prefeitos, governadores, operadores de transporte e serviços públicos, mulheres, organizações comunitárias e de jovens e ONGs – para implementar com urgência o Plano de Resposta para a COVID-19 de 72 milhões de dólares em África, Estados Árabes, Ásia-Pacífico e América Latina e Caribe.

Esse apoio ampliará o impacto de iniciativas que já estão em andamento e sendo lideradas por governos centrais e locais, comunidades e outras agências da ONU. Os requisitos para o financiamento serão atualizados à medida que a situação evoluir e as necessidades forem avaliadas.

Mais de 70% do apoio será usado para ajudar os assentamentos informais a melhorar o acesso à água e ao saneamento, aumentar a conscientização sobre a COVID-19 e apoiar iniciativas para prevenir que as pessoas sejam despejadas, fornecendo abrigo temporário ou atividades alternativas de geração de renda.

A garantia de transporte seguro e a adaptação de edifícios para isolar pessoas infectadas são outras áreas prioritárias.

Para garantir que as respostas urbanas, como o fornecimento de água, comida, moradia, serviços de saúde e meios de subsistência sejam direcionadas para as áreas mais vulneráveis e de alto risco, o ONU-HABITAT ajudará na coleta de dados, no mapeamento de áreas críticas existentes ou emergentes e nas análises ao trabalhar com sua rede de parceiros locais e globais. Esse apoio permitirá a tomada de decisão baseada em evidências pelos governos locais e principais partes interessadas.

À medida que a pandemia mergulha a economia mundial em uma recessão, o ONU-HABITAT se concentra em políticas e medidas para mitigar o impacto social e econômico local da COVID-19 e está trabalhando com uma coalizão de líderes e especialistas globais e partes interessadas nas esferas pública e privada.

O ONU-HABITAT já forneceu financiamento inicial de mais de 1,3 milhão de dólares para a ampliação de projetos em 13 países, com preparação comunitária, divulgação e apoio às recomendações de higiene. A agência também lançou em conjunto com as redes Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU) e Metropolis uma série virtual de aprendizado #BeyondTheOutbreak para líderes locais compartilharem soluções urbanas.

“A equipe do ONU-HABITAT está trabalhando dia e noite para ajudar os líderes locais e comunitários na linha de frente dessa pandemia a reduzir os riscos em assentamentos informais e ajudar os mais vulneráveis.”

“Com nossa extensa rede de parceiros e especialistas internos, o ONU-HABITAT está trabalhando em estreita colaboração com cidades e comunidades para encontrar soluções inovadoras e direcionadas para fornecer água e saneamento, transporte seguro e mitigar o impacto econômico sobre os pobres urbanos”, disse a diretora-executiva do ONU-HABITAT, Maimunah Mohd Sharif.

“Queremos ajudar a aumentar a resiliência de nossos parceiros nas comunidades para responder a desafios específicos e variados nos próximos meses e além.”

No nível global, o ONU-HABITAT compartilha boas práticas e soluções e identifica políticas, medidas legais e abordagens de governança bem-sucedidas para responder às necessidades atuais e à resiliência a longo prazo.

Na África, o ONU-HABITAT apoiará 20 países, priorizando a coordenação da preparação e resposta a emergências, melhorando o acesso a alimentos e serviços básicos, incluindo água, saneamento e higiene, e promovendo o empreendedorismo.

A resposta da agência em 11 países da região árabe concentra-se na melhoria dos serviços de água, saneamento e higiene, garantindo transporte seguro, assegurando meios de subsistência, realizando avaliações de vulnerabilidade e mapeamento de áreas de risco.

Em 17 países da região Ásia-Pacífico, a agência coletará, analisará e produzirá dados relevantes, irá melhorar as instalações para higiene, água, saneamento e saúde e trabalhará na conscientização do público.

Em 16 países da América Latina e do Caribe, o ONU-HABITAT fortalecerá a capacidade das autoridades locais, ajudará a mitigar o impacto econômico da pandemia entre os mais pobres nas cidades e unirá esforços regionais para trazer investimentos para áreas vulneráveis.

Para ampliar o impacto e o alcance do Plano de Resposta para a COVID-19, o ONU-HABITAT está lançando a campanha COVID-19 “Atue conosco nas cidades e comunidades”, que convida organizações da sociedade civil, grupos comunitários, instituições profissionais, acadêmicas e de pesquisa, empresas e autoridades locais a se comprometerem virtualmente a agir em solidariedade para combater a pandemia nas cidades e ajudar as comunidades mais vulneráveis.

A campanha fornecerá um local central para formar uma rede e compartilhar soluções, iniciativas, boas práticas, lições e histórias de parceiros e fortalecerá ações integradas para melhorar a resiliência das cidades e comunidades.

O Plano de Resposta e a Campanha COVID-19 fornecem um roteiro e um ponto de encontro para o compromisso combinado do ONU-HABITAT e sua rede de atores urbanos para apoiar respostas pró-ativas das cidades com o objetivo de proteger suas populações, deter a pandemia e trabalhar em prol da recuperação e resiliência.

Clique aqui para acessar o documento do plano de resposta (em inglês).

Projeto apoiado pelo ONU-HABITAT no Rio ajuda pessoas em situação de extrema pobreza

Anatália Santos, gestora do Projeto Territórios Sociais no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: ONU-HABITAT/Denise Silveira

Anatália Santos, gestora do Projeto Territórios Sociais no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: ONU-HABITAT/Denise Silveira

Enquanto líderes mundiais e chefes de agências das Nações Unidas pedem foco às populações em situação de vulnerabilidade na resposta à pandemia de COVID-19, no Rio de Janeiro (RJ), cerca de 66 gestores e agentes de campo do Projeto Territórios Sociais também lutam para não deixar ninguém para trás nos assentamentos informais cariocas.

Os gestores, em sua maioria mulheres, e agentes de campo do projeto implementado pela Prefeitura do Rio de Janeiro através do Instituto Pereira passos (IPP), em parceria com o escritório do ONU-HABITAT no Brasil, já fizeram mais de 1,6 mil ligações em busca daqueles antes considerados “invisíveis” para os sistemas de proteção social do município, estado e governo federal.

Os agentes são contratados localmente nos dez maiores complexos de favelas da capital fluminense – Complexo do Alemão, Cidade de Deus, Rocinha, Penha, Jacarezinho, Lins, Villa Kennedy, Chapadão, Pedreira e Maré.

Desde o início da pandemia, com a interrupção das visitas presenciais, a equipe continuou seus esforços para localizar pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social, visando protegê-las das graves consequências das restrições econômica e alimentares causadas disseminação do novo coronavírus.

Entre agosto de 2019 e fevereiro de 2020, o Projeto Territórios Sociais visitou cerca de 102 mil domicílios, entrevistou cerca de 98 mil pessoas e identificou nos seus primeiros oito meses aproximadamente 28 mil famílias como socialmente vulneráveis.

As famílias já encontradas estão sendo monitoradas e seus protocolos de atendimento sendo implantados. Cerca de 8 mil foram submetidas a uma visita de saúde, aproximadamente 4 mil foram atendidas pela assistência social e 1,6 mil crianças foram matriculadas na escola.

Segundo Rayne Ferretti Moraes, oficial no Brasil do ONU-HABITAT, a pandemia deixou mais evidente diversas desigualdades existentes – como as de renda, gênero, raça, grupo etário e outras – pois cada vez fica mais claro que as dificuldades de lidar com essa crise não recaem sobre todos de maneira igual.

Busca emergencial

Segundo Anatália Santos, gestora do projeto no Complexo do Alemão, o programa se esforça por “enxergar, por exemplo, os idosos, as pessoas com doenças crônicas e as pessoas com deficiência”, que correm riscos particulares e desproporcionais em meio à pandemia, exigindo um esforço total para que suas vidas sejam salvas e o seu futuro protegido.

Como muitas dessas pessoas já haviam foram monitoradas pelo projeto ao longo do último ano, a ação integrada tem possibilitado uma resposta ágil envolvendo as áreas de desenvolvimento social, saúde, educação e moradia na localização das famílias.

Para Andrea Pulici, diretora de Projetos Especiais do IPP e coordenadora do Projeto Territórios Sociais, o programa possui ferramentas e parcerias inovadoras para acabar a miséria e a pobreza ainda existentes na capital carioca.

A busca ativa em áreas mais vulneráveis, a adoção de um protocolo integrado desenhado por várias secretarias e a construção de um sistema de monitoramento é a forma mais efetiva de de “não deixar ninguém para trás“ como previsto pela Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, avaliou Pulici.

Funcionários do Instituto Pereira Passos (IPP) já entregaram 850 cestas básicas para famílias com integrantes acamados, idosos ou com problemas respiratórios graves, nas comunidades cobertas pelo projeto.

Informação para gerar a inclusão

Segundo dados do censo de 2010, cerca de 8,5% da população brasileira vive em extrema pobreza. Essa marca de desigualdade é evidenciada nos contrastes socioeconômicos revelados pelas diferentes análises de indicadores sociais.

A pobreza se materializa através de múltiplas privações, lembrou o ONU-HABITAT. Pessoas e famílias nessas condições acabam não tendo acesso a serviços e oportunidades de que precisam para atingir padrões mínimos de vida, devido à fragilidade e desânimo que a pobreza gera.

Buscando “tornar cidades e assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”, conforme definido pelo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11, foi necessário conhecer e entender a territorialidade da pobreza no Rio de Janeiro, de acordo com o programa das Nações Unidas.

O ONU-HABITAT lembra que a capital carioca registra um percentual maior de população em extrema pobreza na comparação com a média nacional (cerca de 7,6%). Além disso, a cidade é uma das mais desiguais da América Latina (coeficiente de Gini de 0,64 em 2010).

Nesse cenário, o Projeto Territórios Sociais busca diariamente entender essa realidade para transpor os altos níveis de desigualdade, barreira prejudicial ao desenvolvimento sustentável e à erradicação da pobreza, salientou o organismo da ONU.

Pensar globalmente e agir localmente

Com base no Índice de Desenvolvimento Social do Instituto Municipal de Dados Urbanos, juntamente com o Índice Multidimensional de Pobreza das Nações Unidas (IMP) e a abordagem territorial e espacial trazida pelo ONU-HABITAT, o programa promove coesão, interação e integração entre diferentes grupos e territórios dentro da mesma comunidade.

O objetivo é garantir acesso equitativo às oportunidades urbanas, fornecendo diferentes tipos de infraestrutura e serviços.

A metodologia do ONU-HABITAT possibilita o relacionamento dos dados existentes com os dados espaciais das comunidades, resultando em informação espacial adequada para tomar decisões de investimentos públicos baseadas em evidências de uma perspectiva territorial.

Em 2019, os dez complexos de favelas foram georreferenciados no mapa base do IPP, agregando, além das informações do censo demográfico, dados relacionados aos equipamentos existentes, tais como clínicas familiares, escolas, Centros de Referência de Assistência Social- CRAS) e mapas geotécnicos de risco para avaliação dos territórios.

Políticas públicas durante e pós COVID-19

Os impactos da proliferação da COVID-19 poderão potencialmente acentuar as desigualdades urbanas e contribuir para seu aumento após o fim da crise.

No Brasil, grande parte desse desafio está relacionada à forma como as cidades são construídas e geridas. Para o ONU-HABITAT, é necessário promover o planejamento urbano integrado, que propicie um acesso universal a serviços básicos.

Isso tornaria as cidades mais resilientes a crises, sendo necessário levar em conta uma agenda de direitos humanos como ferramenta de desenvolvimento, salientou a agência das Nações Unidas. 

O Dia da Terra é mais importante do que nunca

Foto: Guillaume de Germain/Unsplash

22 de abril é o Dia da Terra.

Enquanto o mundo se apressa para planejar uma recuperação pós-pandemia, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) vê esse momento de pandemia como uma oportunidade de chamar a atenção para a necessidade de nos reconstruirmos melhor. Os riscos enfrentados por ignorarmos as ameaças de destruição ambiental devem ser entendidos e endereçados com proteções e políticas ambientais. O dia 22 de abril é um lembrete oportuno para abraçarmos os empregos verdes, estimularmos a economia sustentável, tomarmos medidas urgentes para nos proteger do aquecimento global e garantirmos futuros dignos e saudáveis.

De acordo com o Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2019 do PNUMA, as emissões globais de CO2 precisam cair 7,6% até o final de 2020 – e continuar caindo 7,6% a cada ano – para limitar o aquecimento global em até 1,5°C.

A pandemia é um lembrete da vulnerabilidade dos seres humanos e do planeta diante das ameaças globais. É preciso endereçar os danos ao meio ambiente. “Se tivéssemos cumprido um pouco mais os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris sobre Mudanças do Clima, poderíamos enfrentar melhor esse desafio”, afirmou o Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, em sua resposta aos impactos socioeconômicos da COVID-19.

Contexto histórico

A primeira vez que o Dia da Terra foi celebrado foi em 1970. Vinte milhões de pessoas, indignadas com o derramamento de óleo, a poluição atmosférica e dos rios, foram às ruas protestar contra o que reconheceram ser uma crise ambiental. Foi o maior evento cívico do planeta à época e obrigou os governos a tomarem ações concretas, como o estabelecimento de leis e agências ambientais. Além desses resultados práticos, o evento demonstrou a força das pessoas quando se unem e demandam ações.

Até hoje, a data continua com grande significado. Em 2009, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou uma resolução reconhecendo formalmente o Dia Internacional da Mãe Terra. Em 2016, a ONU adotou o Acordo de Paris, articulando o compromisso das nações em limitar o aumento da temperatura global em até 2ºC em relação aos níveis pré-industriais e fortalecer sua capacidade de mitigar os impactos negativos das mudanças climáticas.

O Dia da Terra 2020 não comemora apenas o 50º aniversário da celebração, mas também o aniversário da assinatura do Acordo de Paris pela ação climática.

Dia da Terra 2020

Para marcar seu 50º aniversário, o Dia da Terra 2020 estabeleceu a ação climática como tema. A proposta inicial era reunir as pessoas em uma série de eventos, mas o surto da COVID-19 mudou o formato para plataformas digitais. O Dia da Terra 2020 pede por ações em tempo integral, grandes e pequenas, pelas pessoas e pelo planeta. Nesse aniversário, as organizações da sociedade civil esperam preencher o mundo digital com conversas, performances, webinars e eventos que apoiem ações urgentes para controlar a mudança climática.

O que podemos fazer?

No dia 22 de abril, assista às discussões, eventos e ações ao vivo pelo site earthday.org. Explore diversas transmissões do Dia da Terra através dessa plataforma para eventos online em diferentes fusos horários globais. Conheça novas ferramentas para voluntariado, defesa e participação como cientistas cidadãos – usando o aplicativo Earth Challenge 2020 (Desafio da Terra, em português) para avaliar dados como qualidade do ar e poluição plástica de onde você estiver. Existem desafios diários, gráficos para compartilhar nas redes sociais, dicas para criar seu próprio cartaz e lugares para divulgar suas ações pela natureza.

O defensor da saúde e músico ganhador do Grammy, Ricky Kej, juntamente com 44 músicos de seis países, se apresentaram ao vivo em um show em apoio à Organização Mundial de Saúde e ao Fundo de Resposta de Solidariedade para o COVID-19.

Lideranças comunitárias na linha de frente participaram de um webinar no dia 21 de abril, trazendo as bênçãos do Dia da Terra pelas líderanças mundiais, as mensagem de jovens ativistas pelo clima e as conversas com lideranças indígenas e religiosas.

Assim como no primeiro Dia da Terra, há 50 anos, agora é hora de demonstrarmos solidariedade, agindo e enviando uma mensagem clara para as lideranças mundiais pela ação contra a mudança climática, detendo a perda da biodiversidade e dos habitats e garantindo que a proteção ambiental seja uma das bases para nos reconstruirmos melhor.

Com os próximos 50 anos em perspectiva, e em preparação para o Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, o PNUMA compartilhará informações sobre ações que podem ser tomadas para proteger a biodiversidade, contribuir com o reflorestamento de paisagens degradadas e se comprometer com a gestão sustentável de recursos naturais.

A natureza está em crise, ameaçada pela perda de biodiversidade e de habitat, pelo aquecimento global e pela poluição tóxica. Falhar em agir é falhar com a humanidade. Enfrentar a nova pandemia da COVID-19 e nos proteger das futuras ameaças globais requer o gerenciamento correto de resíduos médicos e químicos perigosos, a administração consistente e global da natureza e da biodiversidade, e o comprometimento com a reconstrução da sociedade, criando empregos verdes e facilitando a transição para uma economia neutra em carbono. A humanidade depende de ação agora para um futuro resiliente e sustentável.

Assista aqui o vídeo (em inglês) com a mensagem da diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen.

No Dia da Terra, chefe da ONU propõe seis ações-chave para evitar ‘ruptura climática’

Neste Dia Internacional da Terra, marcado anualmente em 22 de abril, toda a atenção está voltada para a pandemia da COVID-19. Segundo o secretário-geral das Nações Unidas, este é de fato “o maior teste que o mundo enfrentou desde a Segunda Guerra Mundial”.

“Devemos trabalhar juntos para salvar vidas, aliviar o sofrimento e diminuir as suas consequências econômicas e sociais devastadoras”, disse António Guterres, em uma mensagem em vídeo para a data.

“O impacto do coronavírus é imediato e terrível. Mas há outra emergência profunda: a crise ambiental do planeta”, destacou.

Guterres lembrou que a biodiversidade está em declínio acentuado, enquanto a ruptura climática está alcançando um “ponto sem retorno”. Ele ressaltou a importância de agir “sem hesitação para proteger o nosso planeta, tanto do coronavírus como da ameaça existencial das perturbações climáticas”.

“A crise atual é um despertar sem precedentes. Precisamos transformar a recuperação numa oportunidade real de fazer as coisas certas para o futuro”, acrescentou.

Na mensagem, Guterres propõe seis ações relacionadas ao clima para “moldar a recuperação e o trabalho que temos pela frente”.

A primeira é relacionada à recuperação da crise provocada pelo coronavírus: “ao gastarmos enormes quantias de dinheiro para nos recuperar do coronavírus, precisamos criar empregos e negócios através de uma transição limpa e verde”.

A segunda ação pede que, quando o dinheiro dos contribuintes for usado para resgatar empresas, este “deve estar vinculado à obtenção de empregos verdes e ao crescimento sustentável”.

A terceira ação diz respeito às políticas orçamentárias: estas, diz Guterres, devem “transformar a economia cinzenta em uma economia verde e tornar as sociedades e as pessoas mais resilientes”.

A quarta ação trata dos fundos públicos, que devem ser usados para “investir no futuro, não no passado”, e ser utilizados em setores e projetos sustentáveis que ajudam o meio ambiente e o clima. Guterres acrescentou: “Os subsídios aos combustíveis fósseis devem ser encerrados e os poluidores devem começar a pagar pela sua poluição”.

Quinta ação: os riscos e as oportunidades relacionados com o clima devem ser incorporados no sistema financeiro, bem como em todos os aspetos da formulação de políticas públicas e de infraestruturas.

E, por fim, a sexta ação proposta por António Guterres trata da cooperação entre todos os países, comunidades e povos: “precisamos trabalhar juntos como uma comunidade internacional”.

“Estes seis princípios constituem um guia importante para juntos nos recuperarmos melhor. Os gases de efeito de estufa, assim como os vírus, não respeitam fronteiras nacionais. Neste Dia da Terra, por favor unam-se a mim para exigir um futuro saudável e resiliente para as pessoas e para o planeta”, disse o secretário-geral da ONU.

VÍDEO: 2020 é o Ano Internacional da Saúde Vegetal

Você sabia que algumas espécies de árvores só podem ser germinadas na barriga de um elefante? Esse é apenas um exemplo de como plantas e animais – incluindo humanos – estão intrinsecamente conectados e não sobrevivem sem as bactérias e fungos que compõem os solos saudáveis.

As plantas são a fonte do ar que respiramos e da maioria dos alimentos que ingerimos, mas sua saúde é frequentemente ignorada.

Isso pode ter resultados devastadores: a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que até 40% das culturas alimentares são perdidas anualmente devido a pragas e doenças vegetais.

Isso deixa milhões de pessoas sem comida suficiente e prejudica seriamente a agricultura — a principal fonte de renda para as comunidades rurais.

Por essas e outras razões, 2020 foi nomeado Ano Internacional da Saúde Vegetal pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

“A saúde das plantas está cada vez mais ameaçada. As mudanças climáticas e as atividades humanas degradaram os ecossistemas, reduziram a biodiversidade e criaram novos nichos onde as pragas podem prosperar”, diz Marieta Sakalian, especialista do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

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Campanha do ONU-HABITAT aborda efeitos da pandemia de coronavírus nas cidades

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As cidades são, historicamente, os principais epicentros de epidemias. Sua alta concentração de pessoas e atividades contribuem para amplificar os riscos de transmissão de doenças infecciosas.

Para alertar sobre os reflexos que a pandemia do novo coronavírus terá sobre a vida nas cidades, o escritório do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT) no Brasil lançou nas redes sociais a campanha “Cidades Inclusivas, Seguras, Resilientes, Sustentáveis & Livres do Coronavírus”.

A campanha aborda formas de mitigar os efeitos da pandemia da COVID-19 nas cidades brasileiras.

Se, por um lado, a urbanização planetária e a infraestrutura da globalização colou as cidades no epicentro de epidemias, por outro, as cidades são parte essencial da solução para esse tipo de crise, segundo o ONU-HABITAT.

“Os governos locais e regionais têm mostrado seu papel central na prevenção, preparação, mitigação e adaptação à pandemia da COVID-19. Cada país deve tomar medidas adequadas de preparação e resposta para enfrentar a pandemia causada pelo novo coronavírus”, salientou a organização.

O programa das Nações Unidas enfatiza, contudo, ser urgente que governos locais e regionais implementem, com ainda mais ênfase, políticas públicas de resposta à crise, seguindo os princípios do desenvolvimento urbano sustentável: resiliência, sustentabilidade, inclusão e segurança.

“Políticas que contribuam para ampliação e eficiência do sistema de saúde, proteção das populações vulnerabilizadas, adaptação do sistema de mobilidade urbana, transparência de dados e participação social são essenciais para que possamos alcançar ‘Cidades Inclusivas, Seguras, Resilientes, Sustentáveis & Livres do Coronavírus'”, de acordo com o programa das Nações Unidas.

COVID-19 e favelas

O novo coronavírus se espalha pelo mundo sem distinção de bairro, idade, raça ou classe social. Entretanto, prevê-se que o impacto seja muito mais expressivo para as populações vulnerabilizadas, em especial as que vivem em assentamentos informais, como favelas, loteamentos e ocupações, bem como a população em situação de rua.

As condições precárias nas quais essas populações vivem tendem a se agravar com a pandemia, de acordo com o ONU-HABITAT. Entre as principais dificuldades a serem enfrentadas estão: limitações dos equipamentos de saúde, falta de saneamento básico, falta de abastecimento de água, precariedade das moradias e acesso à informação sobre a doença e sua prevenção.

“Tais condições dificultam a efetividade ou impossibilitam a adoção das recomendações de prevenção por essa população como: lavar as mãos com frequência; adotar o distanciamento físico e o teletrabalho”, afirmou o ONU-HABITAT.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, cerca de 11,4 milhões de pessoas viviam em favelas no Brasil e em algumas capitais esses números são ainda maiores. Em Belém (PA), 54% da população vive em favelas, em Salvador (BA), 33% e no Rio de Janeiro (RJ), 22%.

Nesse cenário, muitas comunidades e coletivos têm se organizado para amenizar os impactos da COVID-19.

“A atuação dos governos locais e nacionais por meio de políticas públicas direcionadas é fundamental para que o impacto da pandemia não seja ainda mais grave nesses territórios”, afirmou o ONU-HABITAT.

Mulheres e pandemia

As pandemias afetam mulheres e homens de formas diferentes e potencializam as desigualdades de gênero já existentes. Há ainda assimetrias na exposição à infecção e no recebimento de tratamentos e cuidados.

As mulheres representam 70% da força de trabalho em serviços sociais e de saúde no mundo; têm maior participação nas tarefas de cuidado familiar e, ao estarem na linha de frente da resposta à COVID-19, acabam também tendo mais risco de exposição à doença, lembrou o ONU-HABITAT.

Por isso, é essencial que as necessidades imediatas das mulheres sejam prioritárias. Dentro de casa, as elas nem sempre estão seguras, uma vez que as taxas de violência doméstica aumentam muito durante o isolamento, conforme constatado em outros países. Para o ONU-HABITAT, é fundamental que o sistema de proteção à mulher se fortaleça nesse período.

“A grande desigualdade entre mulheres e homens nos espaços de tomada de decisão faz com que as necessidades gerais e de saúde das mulheres fiquem em segundo plano. Assim, é importante garantir que a dimensão de gênero seja considerada no planejamento da resposta à pandemia e da alocação de recursos.”

Dados desagregados por sexo, gênero e idade são fundamentais para o planejamento de políticas públicas qualificadas baseadas em evidências e para sistemas de vigilância e resposta eficientes, apontou o programa das Nações Unidas.

“É fundamental reconhecer o impacto multidimensional da COVID-19 nas mulheres e garantir respostas que atendam às suas necessidades, assegurando seus direitos. Essas medidas são também essenciais para a prevenção, a resposta e a recuperação da crise atual.”

Segurança da posse

A disseminação da COVID-19 tem contribuído para aumentar a crise habitacional global. Contextos de instabilidade econômica, como os causados por pandemias, podem diminuir parcial ou totalmente a renda de muitas famílias.

A paralisação dos serviços, demissões e reduções da jornada de trabalho e dos salários podem levar à interrupção do pagamento do aluguel ou das prestações de financiamento habitacional, por exemplo, lembrou o ONU-HABITAT.

Esses períodos afetam significativamente os mais pobres e vulnerabilizados, as suas formas de trabalho, o acesso aos serviços básicos e as condições de precariedade e/ou insegurança habitacional em que vivem, salientou a organização.

A relatora especial da ONU sobre direito à moradia adequada, Leilani Farha, recomenda que os Estados tomem medidas específicas durante e após a pandemia.

Exemplos dessas medidas são a proibição de despejos devido a atrasos de aluguel; cancelamento de contratos; congelamento de aluguéis; garantia de habitação para pessoas com rendimentos afetados pela COVID-19; compensação governamental para os proprietários de imóveis, quando necessário e suspensão dos custos e sobretaxas sobre serviços básicos, como água, eletricidade, gás, telefone e Internet.

Neste momento, a manutenção da vida cotidiana, sem despejos e remoções forçadas, é uma questão de saúde global uma vez que permite o isolamento físico e a redução da exposição ao novo coronavírus e seus ciclos de contágios, lembrou o ONU-HABITAT.

“No entanto, as medidas recomendadas são de curto e/ou médio prazos e não necessariamente irão assegurar a segurança da posse após a crise. Por isso, garantir que sistemas habitacionais sustentáveis e resilientes sejam implementados e que o direito à moradia segura e acessível não seja violado é fundamental para mitigar os impactos durante e após a pandemia.”

Acesse as mensagens-chave do ONU-HABITAT no link (em inglês): https://unhabitat.org/

Saneamento em áreas irregulares

Proteções Permanentes (APPs), mananciais, áreas de riscos, comunidades... Saiba como o saneamento chega a essas áreas!

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ONU-HABITAT apoia elaboração de medidas contra COVID-19 nos assentamentos precários de Maceió

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Por meio de parceria com o governo de Alagoas, o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT) disponibilizou dados para subsidiar gestores dos governos estadual e municipal na elaboração de medidas rápidas e emergenciais de enfrentamento à COVID-19.

A parceria no projeto “Prosperidade Urbana Sustentável e Inclusiva no Estado de Alagoas: Uma Iniciativa Integrada” também visa elaborar medidas a longo prazo, visando a melhoria das condições urbanas nos assentamentos precários de Maceió.

Os assentamentos precários não são territórios homogêneos entre si, por isso, o ONU-HABITAT Brasil preparou materiais apontando as localidades mais vulnerabilizadas, tendo como objetivo auxiliar o governo do estado no enfrentamento da COVID-19.

A Nota Técnica , recebida pela secretária especial do Tesouro da Secretaria de Fazenda do Estado de Alagoas, Renata Santos, contém dados e informações que permitem a formulação de respostas rápidas e a priorização de territórios e ações específicas para os assentamentos precários de Maceió.

O documento traz dados de natureza espacial e tabular oriundos tanto do trabalho do ONU-HABITAT no estado desde 2017 – como o mapeamento de todas as grotas da cidade – quanto de outras fontes, como o Censo Demográfico 2010.

Essas informações foram também disponibilizadas em uma plataforma interativa do Google que permite a visualização das diferentes condições de vulnerabilidade dos moradores de grotas e favelas da capital.

Foram abordadas questões como o abastecimento de água, a infraestrutura de coleta de esgoto, a densidade de domicílios em cada assentamento e a densidade de moradores em cada domicílio e por dormitório, e os níveis de informalidade de emprego e renda.

Segundo Renata Santos, diversas medidas e iniciativas emergenciais já estão sendo implementadas pelo governo do estado, mas o recebimento da Nota Técnica pode auxiliar na elaboração de medidas específicas que se adaptem à realidade das favelas e grotas.

“O documento que temos em mãos hoje é fruto do conhecimento do ONU-HABITAT sobre Alagoas e sobre as grotas de Maceió, construído durante os quase três anos de parceria com o governo do Estado”, disse.

“Ações e medidas de mitigação dos graves efeitos da crise sanitária, incluindo a recuperação econômica dos assentamentos e comunidades atingidas, pedem a cooperação de uma multiplicidade de atores”, afirmou o oficial sênior internacional do ONU-HABITAT, Alain Grimard.

“Apoiamos o governo do estado de Alagoas na articulação de respostas emergenciais no curto prazo e também aconselhamos a realização de um planejamento de longo prazo que possibilite a recuperação das condições de vida dos moradores de assentamentos precários e de Maceió”, concluiu Grimard.

O conteúdo da Nota Técnica alinha-se com o posicionamento da sede do ONU-HABITAT em Nairóbi, no Quênia, que incentiva a cooperação entre atores locais, regionais e internacionais para mitigar a propagação da pandemia causada pelo coronavírus.

Acesse as mensagens-chave do ONU-Habitat no link: https://unhabitat.org/

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