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Amazonas lança programa de parceria com iniciativa privada nos moldes do Adote um Parque

Por: Danilo

Iniciativa visa o compartilhamento da gestão de Unidades de Conservação do estado. Texto da norma é alvo de críticas por conferir muito poder ao parceiro O governo do estado do Amazonas publicou recentemente um decreto que institui o “Programa Parceiros pelas Unidades de Conservação”, uma cooperação público-privada que visa envolver pessoas físicas e jurídicas na …

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O Brasil pode contratar a termoelétrica de 8GW prevista na Lei de Desestatização da Eletrobras?

Segundo especialistas contatados pela BNamericas, a contratação compulsória de 8 GW de energia termelétrica a gás natural no Brasil, conforme estipulado pela Lei de Desestatização da Eletrobras, não será uma tarefa fácil. O processo de capitalização da estatal foi aprovado pelo Congresso Nacional no ano passado, com a construção de usinas de aquecimento em diversas …

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MPF: Justiça condiciona licenciamento de obras do Linhão de Tucuruí a compensação exigida pelos indígenas kinja

Por: Aldrey

Decisão atende parcialmente pedidos de ação apresentada pelo MPF diante da recusa do governo e seus órgãos licenciadores a considerarem propostas de acordo do povo indígena conhecido como Waimiri Atroari, diretamente afetado pelo empreendimento O Ministério Público Federal (MPF) obteve uma importante decisão liminar favorável em defesa dos direitos do povo indígena Kinja, mais conhecidos como Waimiri …

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Projeto de parceria público-privada visa universalizar cobertura de esgotamento sanitário no MS

Vista aérea de Campo Grande (MS). Foto: Flickr/overdrive_cz (CC)

Vista aérea de Campo Grande (MS). Foto: Flickr/overdrive_cz (CC)

Universalizar a cobertura do serviço de esgotamento sanitário do Mato Grosso do Sul em dez anos é o objetivo do projeto de Parceria Público-Privada apresentado em sessão virtual, na última terça-feira (14).

Na apresentação virtual, representantes da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul) mostraram o modelo de negócios da PPP e mais detalhes sobre normas e procedimentos aos interessados em participar do processo licitatório aberto.

A iniciativa prevê a concessão privada do serviço nos 68 municípios atendidos pela Sanesul, que representa 98% da cobertura em todo o estado e envolve 1,7 milhão de pessoas.

“O estado se preparou para receber esse investimento privado. No marco legal do saneamento do Brasil, estamos saindo na frente com uma PPP bem modelada e equilibrada, com segurança para os investidores. Posso garantir que quem entrar nessa parceria vai investir em um dos estados mais promissores do Brasil”, destacou o governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja.

Conforme previsão do projeto, serão 4,5 bilhões de reais de investimentos nos sistemas de esgotamento do estado nos próximos 30 anos.

A meta é atingir a universalização do sistema nos primeiros dez anos de contrato, por meio de obras e serviços de implantação, recuperação, manutenção e operação da infraestrutura de esgotamento sanitário.

O governo do Mato Grosso do Sul e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) firmaram acordo de cooperação técnica em 2016. Com a parceria, foi possível analisar a viabilidade técnica e econômico-financeira do projeto, bem como aspectos ambientais, modelagem jurídica, execução e acompanhamento de contratos.

Por meio do desenvolvimento de capacidades e transferência de conhecimento, foram desenvolvidos os estudos necessários para viabilizar a PPP.

Em sua participação no evento, a representante-residente do PNUD no Brasil, Katyna Argueta, destacou a importância de projetos de infraestrutura para o desenvolvimento humano, afirmando que os déficits existentes estão mais visíveis em meio à pandemia da COVID-19 e impactam, de forma mais grave, os mais vulneráveis.

“A resposta a essa crise deve ter como base uma confiança mútua, onde o setor privado é chamado a cumprir um papel crucial. Há uma necessidade urgente de transformar os municípios e de construir cidades mais resilientes, inclusivas e sustentáveis. Sabemos que isso é possível”, destacou.

A iniciativa deverá colocar o Mato Grosso do Sul como estado pioneiro no Brasil no alcance da meta 6.2 do Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS 6), que estabelece “até 2030, alcançar o acesso a saneamento e higiene adequados e equitativos para todos”.

Também participaram do evento virtual o diretor presidente da Sanesul, Walter Carneiro Jr.; o secretário estadual de Governo e Gestão Estratégica de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel; a secretária Especial do Escritório de Parcerias Estratégicas do Estado, Eliane Detoni; o representante da EY Consultoria, Gustavo Gusmão; e o gerente de processos licitatórios da B3, Guilherme Peixoto.

O leilão que definirá o parceiro privado da Sanesul está marcado para 23 de setembro. A modalidade escolhida é a de concorrência administrativa, cujo critério de julgamento é o menor preço apresentado. O edital de concorrência e seus anexos estão disponíveis no site da Sanesul.

Conheça jovens agroempresários que estão adaptando seus negócios em meio à pandemia

Karina Brito e sua equipe adaptaram seu negócio de agroecoturismo na Guatemala. Foto: FAO

Karina Brito e sua equipe adaptaram seu negócio de agroecoturismo na Guatemala. Foto: FAO

Desde o início da COVID-19, a vida mudou para empreendedores e empresas em todo o mundo. Devido a bloqueios e restrições de deslocamento, os pequenos agricultores e empresas rurais não têm conseguido acessar os mercados para vender sua produção ou outros produtos.

Como muitas vezes os jovens que trabalham no meio rural têm pouco ou nenhum acesso à seguridade social, eles sofrem desproporcionalmente com as restrições da pandemia aos negócios. Em geral, os jovens também já enfrentam maiores taxas de desemprego e subemprego em comparação com os adultos.

No entanto, experientes com o uso da tecnologia, os jovens empresários agrícolas estão adaptando rapidamente seus modelos de negócios e usando ferramentas digitais a seu favor. Aceitar pedidos online com pagamentos móveis, oferecer entrega em domicílio, comercializar produtos nas redes sociais, usar as TICs para trabalhar em casa e fazer aulas online para adquirir novas habilidades, são apenas algumas das maneiras que os jovens estão usando esta oportunidade para crescimento e inovação.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançou uma iniciativa de engajamento da juventude, Coping with COVID-19: voices of young agripreneurs (Lidando com a COVID-19: vozes dos jovens agroempresários na tradução para o português), no final de março de 2020 para compreender o impacto do surto nos negócios dos jovens rurais e saber como apoiá-los durante e após a pandemia.

Por meio de redes e grupos de jovens agricultores e agroempresários em toda a África e América Central, a iniciativa identificou soluções lideradas por jovens para lidar com a crise. Isso serviu de base para o conselho político da FAO aos governos e aos esforços de mobilização de recursos para defender respostas que incluam os jovens.

Aqui estão as histórias de três jovens agroempresários provando que estão se adaptando diante da pandemia:

Do ecoturismo ao serviço de alimentação online na Guatemala

Há seis meses, Karina Brito, de 22 anos, estava pronta para lançar seu novo negócio. Junto com um grupo de 20 jovens empresários de Nebaj, Guatemala, ela fundou uma empresa chamada Avantichajil – uma palavra indígena Ixil que significa “semeadores de vida”.

Com o apoio de um programa liderado pela FAO e treinamento do Instituto Florestal Nacional, seu plano era oferecer serviços de agroecoturismo, como passeios pela floresta e aulas de culinária, e vender móveis de madeira. Mas quando a COVID-19 chegou, tudo teve que esperar.

O movimento nacional e as restrições aos negócios obrigaram Karina e sua equipe a suspender as atividades de ecoturismo, além da fabricação de móveis. Eles rapidamente perceberam que não poderiam deixar seu negócio desmoronar, então começaram a procurar uma maneira de diversificar seus serviços.

Eles decidiram usar o componente ‘Gastronomia Ixil’ de sua empresa como o novo foco. O negócio originalmente iria oferecer pratos tradicionais da comunidade indígena Ixil local e aulas de culinária para turistas.

Agora, a equipe se organizou para produzir comida local e vendê-la online. Eles oferecem carne defumada, banana, pão de banana, smoothies, café e muito mais. Para obedecer às regras de distanciamento físico, eles criaram um perfil online, chamado MercaRed, para promover e vender produtos de sete diferentes agroindústrias lideradas por jovens em sua área. O empreendimento ainda é novo, mas os resultados já são animadores.

“Se tivéssemos permanecido focados no projeto inicial, não sei onde estaríamos agora. É preciso arriscar, avançar, inovar e aprender errando”, diz Karina.

Oferecendo energia limpa em Uganda

Arthur Woniala, de 29 anos, é cofundador e engenheiro de projeto da Khainza Energy, uma empresa liderada por jovens e comprometida em reduzir a dependência das famílias de Uganda de combustíveis de madeira, oferecendo biogás como uma alternativa limpa, acessível e sustentável. Eles embalam o biogás em cilindros recicláveis e fornecem treinamento sobre como usá-lo.

As interrupções no transporte público em resposta à COVID-19 deixaram milhões de ugandenses sem acesso a serviços básicos, como combustível para cozinhar. A Khainza Energy está tentando preencher essa lacuna.

Arthur tem limitado o contato físico anunciando e coletando pedidos nas redes sociais e aceitando pagamentos pelo celular. Dando um passo além para manter as comunidades de Uganda informadas durante a pandemia, ele distribui panfletos com conselhos do Ministério da Saúde junto a entrega dos seus pedidos.

Embora ele não possa negar que os últimos meses foram difíceis para seu negócio, Arthur permanece firme. “Temos o compromisso de garantir que as pessoas ainda tenham acesso aos serviços básicos”, diz ele com orgulho.

Vendendo produtos em Ruanda

As redes sociais também têm sido uma tábua de salvação para a ruandesa Adeline Umukunzi, de 25 anos. Antes da pandemia, ela vendia cogumelos para hotéis, restaurantes e atacadistas. As grandes vendas foram importantes, pois ela produziu uma colheita diária de 100 quilos. No entanto, com o surto de COVID-19 e, consequente, com o bloqueio, a demanda dos clientes diminuiu. Muitos negócios fecharam e, com severas restrições ao transporte público, ela não conseguiu colocar seus produtos no mercado.

Adeline não possui instalações para armazenar e refrigerar produtos não vendidos, então, para vender seus produtos o mais rápido possível, ela passou a vender diretamente para as pessoas. Adeline tem anunciado seus produtos nas redes sociais e pedido aos clientes que compartilhem para ajudar na divulgação. Ela aumentou sua força de trabalho e comprou uma bicicleta para poder ampliar sua rota de entrega.

Apoio da FAO à juventude rural

Por meio de parcerias com organizações de jovens rurais, a FAO tem trabalhado com jovens trabalhadores agrícolas e empresários para entender suas necessidades e mitigar os efeitos negativos da pandemia.

Apenas 1 em cada 10 jovens relatou ter recebido apoio de governos locais ou outros atores do desenvolvimento. Apesar disso e do cenário negativo para os negócios, é inspirador ver quantos jovens enxergam a crise como uma oportunidade para inovar.

Os problemas enfrentados por Karina, Arthur e Adeline nos últimos meses são comuns, e suas soluções são prova da engenhosidade e resiliência dos jovens diante de crises. A julgar por sua incrível resposta aos desafios da COVID-19, os jovens de hoje estão bem preparados para o futuro.

Evento online discute boas práticas regulatórias e investimentos em infraestrutura

Foto: Ministério da Infraestrutura/Alberto Ruy

A Controladoria-Geral da União (CGU), o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) e a Associação Brasileira de Agências de Regulação (ABAR) promovem na semana que vem (20) o evento virtual “Encontro sobre Boas Práticas Regulatórias e Investimentos em Infraestrutura”.

O objetivo é discutir a importância da adoção de boas práticas em setores regulados de infraestrutura.

Na ocasião, será apresentado o projeto “Avaliação da Capacidade Institucional para Regulação”, que visa obter um diagnóstico sobre a adoção de boas práticas regulatórias em âmbito nacional.

O evento será transmitido pela plataforma Teams, das 14h30 às 15h30 (horário de Brasília). A participação é gratuita e não há necessidade de inscrição prévia.

Voltado para agentes públicos dos órgãos de controle e das agências reguladoras, o encontro discutirá como tais instituições podem atuar para a melhoria da regulação no Brasil, de forma a contribuir com o aumento de investimentos em infraestrutura e o desenvolvimento socioeconômico do país.

O encontro terá a participação de representantes das três entidades promotoras do evento: secretário Federal de Controle Interno da CGU, Antonio Carlos Bezerra Leonel; representante do UNOPS no Brasil, Claudia Valenzuela; presidente da ABAR, Fernando Alfredo Rabello Franco; entre outros.

Entre os temas que serão debatidos estão o cenário desafiador para o aumento dos investimentos em infraestrutura; boas práticas regulatórias e gestão pública equitativa; e a importância da adoção de boas práticas regulatórias para o fortalecimento das agências reguladoras.

Novo padrão global para o setor de mineração visa melhorar a segurança das instalações de rejeitos

Padrão para gestão de rejeitos foi desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Princípios para o Investimento Responsável e Conselho Internacional de Mineração e Metais após o trágico rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho em 25 de janeiro de 2019. Foto: Pixabay

Padrão para gestão de rejeitos foi desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Princípios para o Investimento Responsável e Conselho Internacional de Mineração e Metais após o trágico rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho em 25 de janeiro de 2019. Foto: Pixabay

Um padrão para a gestão segura dos rejeitos da mineração foi lançado por uma aliança internacional com o objetivo de se tornar o primeiro padrão global desse tipo a ser aplicado às instalações existentes e futuras, independentemente da localização, para evitar danos às pessoas e ao meio ambiente.

O Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos foi desenvolvido a partir da Revisão Global de Rejeitos (RGR), um processo independente organizado conjuntamente pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Princípios para o Investimento Responsável (PRI) e Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM) após o trágico rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho em 25 de janeiro de 2019.

O conjunto de diretrizes reforça práticas atuais no setor de mineração ao integrar fatores sociais, ambientais, técnicos e econômicos locais, e abrange todo o ciclo de vida das estruturas de disposição de rejeitos – desde a seleção do local, projeto e construção, passando pelo gerenciamento e monitoramento, até o fechamento e pós-fechamento.

Com a ambição de evitar qualquer dano às pessoas e ao meio ambiente, o novo padrão estabelece critérios significativamente mais rigorosos para o setor alcançar sólidos resultados sociais, ambientais e técnicos. Além de ampliar a responsabilização aos mais altos níveis organizacionais e prever novos requisitos de supervisão independente, o Padrão também estabelece expectativas claras em relação ao cumprimento de requisitos globais de transparência e divulgação, ajudando a melhorar a compreensão das partes interessadas.

Cada um dos co-organizadores endossou o Padrão e defende sua implementação ampla e eficaz em todo o setor:
• O PNUMA apoiará os governos que desejarem utilizar e incorporar o novo padrão a suas leis e políticas nacionais ou estaduais.
• Os PRI, que representam US$ 103,4 trilhões em ativos sob gestão, elaborarão uma declaração de expectativas de investidores para apoiar todas as empresas de mineração na implementação do Padrão.
• As empresas associadas do ICMM implementarão o Padrão como um compromisso de associação, o que inclui a realização de validações robustas no nível local e avaliações externas.

“É com enorme satisfação que apresento o Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos, que estabelece um precedente para a gestão segura de estruturas de disposição de rejeitos com o objetivo de alcançar a meta de dano zero”, afirmou Bruno Oberle, presidente da Revisão Global de Rejeitos.

“O catastrófico rompimento da barragem de rejeitos da mina do Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, foi uma tragédia humana e ambiental que demandou ações decisivas e adequadas para melhorar a segurança e fortalecer a governança das estruturas de disposição de rejeitos em todo o mundo. Para mim, é uma satisfação especial entregar um documento que reflete e aborda a complexidade e a natureza multidisciplinar de uma gestão de rejeitos robusta”, declarou Oberle.

“Foi um privilégio liderar esse trabalho e agora faço um apelo para que todas as empresas de mineração, governos e investidores usem o Padrão e continuem trabalhando juntos para melhorar a segurança de todas as estruturas de disposição de rejeitos do mundo. Espero que o Padrão seja apoiado por um órgão independente que possa manter a qualidade e refiná-lo e fortalecê-lo ainda mais ao longo do tempo”, complementou.

Para Ligia Noronha, diretora da Divisão de Economia do PNUMA, a abordagem de gerenciamento de estruturas de disposição de rejeitos da mineração deve colocar a segurança em primeiro lugar, priorizando a segurança ambiental e humana em ações de gestão e operações locais. “O Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos constitui um importante marco em prol da consecução da ambiciosa meta de evitar qualquer dano às pessoas e ao meio ambiente causado por rompimentos de estruturas de disposição de rejeitos. Seu impacto dependerá do nível de sua adoção e o PNUMA seguirá trabalhando no sentido de promover sua implementação”, afirmou.

Adam Matthews, diretor de Ética e Engajamento da Equipe de Investimentos do Conselho de Pensões da Igreja da Inglaterra (que representa os PRI), explicou que durante décadas, as pessoas exigiram o desenvolvimento de um padrão global que promovesse a adoção de melhores práticas.

“É trágico que foi preciso o desastre de Brumadinho para isso acontecer, mas uma parceria inédita foi formada para superar um desafio sistêmico enfrentado pelo setor de mineração e agora estamos empenhados em fazer dessa uma prática comum em todas as operações. Pela primeira vez, temos um modelo global que vai além das melhores práticas existentes, estabelecendo o Padrão mais abrangente já produzido pelo qual os investidores responsabilizarão as empresas na sua implementação”,  ressaltou.

Para Tom Butler, diretor executivo do Conselho Internacional de Mineração e Metais, “o ICMM e seus membros – que representam cerca de um terço do setor global – têm um compromisso inabalável com a promoção de uma gestão mais segura de estruturas de disposição de rejeitos”. “O Padrão será integrado aos atuais compromissos dos membros do ICMM, que incluem a verificação e validação externas, e estamos trabalhando no desenvolvimento de orientações de apoio”, informou.

O documento abrange seis tópicos principais: comunidades afetadas; base integrada de conhecimentos; projeto, construção, operação e monitoramento de estruturas de disposição de rejeitos; gestão e governança; resposta a emergências e recuperação de longo prazo; e divulgação pública e acesso à informação. Esses tópicos contêm 15 princípios e 77 requisitos auditáveis específicos que os operadores devem cumprir.

O lançamento é apoiado por outros dois documentos, publicados de forma independente pelo presidente da RGR: um compêndio detalhado de artigos que exploram diversas questões operacionais e de governança relacionadas a rejeitos e um relatório sobre o feedback colhido na consulta pública.

A RGR foi presidida pelo Dr. Oberle e contou com o apoio de um painel multidisciplinar de especialistas e com a contribuição de um Grupo Consultivo de Múltiplas Partes Interessadas. A revisão, que envolveu um amplo processo de consulta pública com comunidades afetadas, representantes do governo, investidores, organizações multilaterais e partes interessadas do setor de mineração, fundamenta-se nas boas práticas existentes e em lições aprendidas com rupturas de estruturas de disposição de rejeitos ocorridas no passado.

O Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos está disponível em aqui em inglês, português, russo, francês, espanhol, chinês e japonês.

Leia o documento completo em Português aqui.

Sobre o ICMM
O Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM) é uma organização internacional dedicada a promover uma indústria de mineração e metais segura, justa e sustentável. Reunindo 27 empresas de mineração e metais e 37 associações regionais e de commodities, o ICMM fortalece o desempenho ambiental e social e serve como um catalisador de mudanças, aprimorando a contribuição da mineração para a sociedade. Todas as empresas associadas do ICMM cumprem os Princípios de Mineração da organização, que incorporam requisitos ambientais, sociais e de governança abrangentes, mecanismos robustos de validação local de expectativas de desempenho e a verificação confiável de relatórios de sustentabilidade corporativos.

Sobre o PNUMA
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é a principal autoridade ambiental global que determina a agenda internacional sobre o meio ambiente, promove a implementação coerente da dimensão ambiental do desenvolvimento sustentável no Sistema das Nações Unidas e serve como autoridade defensora do meio ambiente no mundo. A missão do PNUMA é desempenhar um papel de liderança e encorajar parcerias na proteção do meio ambiente, inspirando, informando e permitindo que países e pessoas melhorem sua qualidade de vida sem comprometer as gerações futuras.

Sobre os PRI
Os Princípios para o Investimento Responsável (PRI) são o principal defensor mundial do investimento responsável. A iniciativa trabalha para compreender as implicações de investimento dos fatores ambientais, sociais e de governança (ASG) e apoiar sua rede internacional de investidores signatários na incorporação desses fatores a suas decisões de investimento e propriedade. Os PRI buscam defender o interesse de longo prazo de seus signatários, dos mercados financeiros e economias em que atuam e, em última análise, do meio ambiente e da sociedade como um todo. Nesse processo, a iniciativa está sendo representada por John Howchin, do Conselho de Ética da Suécia, e Adam Matthews, do Conselho de Pensões da Igreja da Inglaterra.

Contatos para imprensa:
Antonia Mihaylova, Gerente de Projeto, Revisão Global de Rejeitos
Marie Daher-Corthay, Oficial de Comunicação, PNUMA, +973 3695 5988
Rojin Kiadeh, Especialista de Comunicação, Princípios para o Investimento Responsável
Kira Scharwey, Oficial Sênior de Comunicação, Conselho Internacional de Mineração e Metais, +44 (0) 7483 092315

Comércio internacional da América Latina e Caribe cairá 23% em 2020 devido aos efeitos da pandemia

A América Latina e o Caribe é a região em desenvolvimento mais afetada por essa conjuntura e será marcada principalmente pelos retrocessos nas vendas de manufaturas, mineração e combustíveis. Foto: MSC shipping

A América Latina e o Caribe é a região em desenvolvimento mais afetada por essa conjuntura e será marcada principalmente pelos retrocessos nas vendas de manufaturas, mineração e combustíveis. Foto: MSC shipping

O comércio internacional da América Latina e do Caribe terá uma queda acentuada de 23% em 2020, mais do que a registrada durante a crise financeira de 2009 – quando diminuiu 21% – como consequência dos efeitos econômicos derivados da pandemia de COVID-19, informou nesta quinta-feira (6) a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) em relatório.

O relatório “Os efeitos da COVID-19 no comércio internacional e na logística” projeta que o valor das exportações regionais terá contração de 23% este ano e o das importações 25%, superior à queda de 24% registrada durante a crise financeira de 2008-2009.

A diminuição ocorre em um contexto global em que o comércio mundial acumula uma queda de 17% em volume entre janeiro e maio de 2020. A América Latina e o Caribe é a região em desenvolvimento mais afetada por essa conjuntura e será marcada principalmente pelos retrocessos nas vendas de manufaturas, mineração e combustíveis.

O colapso do turismo (-50%) arrastará as exportações de serviços, especialmente do Caribe, enquanto o comércio entre os países da região apresentará também uma forte contração de 23,9%, especialmente de manufaturas. Tudo isso resultará em perda de capacidades industriais e em uma “reprimarização” da cesta exportadora da região, alerta o relatório.

“Aprofundar a integração regional é crucial para sair da crise. Com pragmatismo, devemos resgatar a visão de um mercado latino-americano integrado. Além disso, a região deve reduzir custos por meio de uma logística eficiente, fluida e segura”, afirmou a secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, durante a apresentação do relatório.

Segundo o documento, o valor das exportações e importações de bens da região diminuiu 17% entre janeiro e maio de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019. Ambos os fluxos despencaram no final do período de cinco meses em 2020, com uma queda interanual de 37% somente em maio.

Nos primeiros cinco meses deste ano, foram registradas fortes quedas no valor das exportações da América Latina e do Caribe para os Estados Unidos (-22,2%), para a União Europeia (-14,3%) e para a própria região (-23,9%), que conjuntamente absorveram 69% de suas exportações totais de bens em 2019.

Por outro lado, as vendas para a Ásia apresentaram uma maior resiliência. Em particular, as exportações para a China caíram menos de 2% entre janeiro e maio, e se recuperaram em abril e maio, consistente com a reabertura gradual da economia do país, o que constitui um sinal positivo, especialmente para os países sul-americanos exportadores de matérias-primas, segundo a CEPAL.

Para todo o ano de 2020, a previsão é de haja maior contração das exportações regionais para os Estados Unidos (-32%) e para a própria região (-28%), enquanto as vendas para a China devem cair apenas 4%.

Na análise setorial da região, a maior queda entre janeiro e maio em relação ao mesmo período de 2019 foi registrada pela mineração e petróleo (-25,8%), seguida pelas manufaturas (-18,5%). Em contrapartida, o setor de produtos agrícolas e agropecuários registrou um leve aumento de 0,9%. Isso reflete a menor sensibilidade da demanda por alimentos à contração da atividade econômica, por serem bens essenciais, indicou o relatório.

No âmbito de países, o relatório da CEPAL indicou que apenas quatro, todos da América Central, aumentaram suas exportações entre janeiro e maio de 2020: Costa Rica (2%), Honduras (2%), Guatemala (3%) e Nicarágua (14%).

Isso é explicado pela combinação de maiores vendas de suprimentos médicos e equipamentos de proteção pessoal (especialmente máscaras), de produtos agrícolas (cuja demanda não foi tão afetada pela pandemia), e a relativa resiliência demonstrada pelo comércio entre os países da América Central.

Entretanto, as importações diminuíram em todos os países nesse mesmo período (-17,1% em valor médio regional), produto da profunda recessão pela qual a região está passando. Particularmente preocupante é a contração das importações de bens de capital e de insumos intermediários (14,5% e 13,6%, respectivamente), que afetará a taxa de investimento e comprometerá a recuperação, alertou a publicação.

Por outro lado, o comércio mundial marítimo de contêineres seguiu uma tendência de queda desde o surgimento da pandemia. Na América Latina, a variação interanual no período janeiro-maio de 2020 foi de -6,1%, com quedas acentuadas em abril e maio. Como consequência, houve uma queda no movimento portuário em grande parte dos portos da região (diminuição média regional de 1% entre janeiro e maio de 2020).

No entanto, o tráfego aéreo regional sofreu um verdadeiro colapso nesse período: -95% em passageiros e – 46% em carga, seguindo a tendência mundial, enquanto o fechamento de atividades produtivas, medidas sanitárias mais estritas e obstáculos administrativos diminuíram também o transporte terrestre.

Segundo a CEPAL, em uma economia mundial mais incerta e mais regionalizada é crucial aprofundar a integração regional. Para isso, é necessário impulsionar cadeias de valor regionais em setores estratégicos, aproveitando a escala oferecida por um mercado de 650 milhões de habitantes, promover a agenda do “comércio sem papel” e um mercado comum digital, reduzir a vulnerabilidade da região diante de choques externos, e gerar um diálogo mais simétrico com EUA, China e Europa.

O relatório apontou que, para reconstruir melhor, a América Latina e o Caribe devem reduzir seus custos internos e promover uma logística eficiente, fluida e segura, mediante o redesenho da estratégia de investimento, maior interoperabilidade de serviços, integração regional, e a promoção da inteligência logística.

“No atual contexto de elevada incerteza, os países da região devem empreender ações que lhes permitam reduzir seus custos logísticos internos e gerar serviços de valor agregado para aumentar a sua competitividade. Essas medidas devem ser implementadas de forma coordenada com outras medidas econômicas e sociais, para promover uma recuperação econômica com benefícios sociais e ambientais”, acrescentou Bárcena.

Clique aqui para acessar o documento completo.

Menos da metade dos bancos latino-americanos considera mudanças climáticas em suas estratégias

Na pesquisa, 69% dos bancos indicaram que o setor econômico visto como mais exposto aos riscos climáticos é o silvo-agropecuário, seguido pelo setor de geração de energia, com 44%. Foto: Departamento dos Estados Unidos para Agricultura/Ryan Thompson

Na pesquisa, 69% dos bancos indicaram que o setor econômico visto como mais exposto aos riscos climáticos é o silvo-agropecuário, seguido pelo setor de geração de energia, com 44%. Foto: Departamento dos Estados Unidos para Agricultura/Ryan Thompson

Uma nova pesquisa com 78 instituições financeiras da América Latina e do Caribe, representando 54% do total de ativos sob gestão na região, revelou que 38% dos bancos incorporam diretrizes associadas às mudanças climáticas em sua estratégia e 24% têm uma política de avaliação e divulgação de riscos climáticos.

O estudo “Como os bancos da América Latina e Caribe incorporam as mudanças climáticas em sua gestão de riscos” foi desenvolvido pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI) e pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), com a colaboração da Federação Latino-Americana de Bancos (FELABAN).

Na pesquisa, 69% dos bancos indicaram que o setor econômico visto como mais exposto aos riscos climáticos é o silvo agropecuário, seguido pelo setor de geração de energia, com 44%. Além disso, 80% dos bancos indicaram que o principal risco físico a ser incorporado em sua avaliação e gestão é a “inundação”, seguida pela “seca”, que foi mencionada por 41% dos respondentes.

O estudo observou que o setor bancário da América Latina e do Caribe tem uma grande oportunidade de avançar na avaliação dos riscos das mudanças climáticas em seus planos e estratégias, com o objetivo de aumentar sua resiliência e se preparar melhor para apoiar a transição para uma economia de baixo carbono.

Segundo o relatório final, 41% dos bancos pesquisados na região respondem que não possuem mecanismos para identificar, analisar e gerenciar os riscos climáticos.

Os autores da análise concluíram que os riscos climáticos não são gerenciados principalmente devido à falta de informação sobre o impacto financeiro das mudanças climáticas e à ausência de demandas por parte dos reguladores.

Os bancos tendem a perceber os riscos climáticos na perspectiva de como as empresas impactam o meio ambiente, e não como as empresas estão expostas às ameaças climáticas, o que é fundamental para o aumento esperado dos impactos relacionados a eventos mais extremos, afirmou o relatório.

De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), dada a concentração atual e as emissões contínuas de gases de efeito estufa, até o final do século, o aumento da temperatura global provavelmente excederá 1,5 ºC, acima dos níveis pré-industriais, isso virá com o aumento do nível do mar e uma maior frequência e intensidade dos impactos das mudanças climáticas.

“Na última década, os bancos da América Latina e do Caribe avançaram na incorporação de critérios de sustentabilidade em suas diferentes áreas de trabalho. A pesquisa que foi apresentada hoje ajudará os bancos a gerir seus riscos climáticos em suas carteiras de financiamento”, disse Julián Suarez Migliozzi, vice-presidente de Desenvolvimento Sustentável do CAF.

“A avaliação do risco climático é fundamental para alinhar o portfólios do setor bancário a uma economia global sustentável e equitativa no século 21, que se torna ainda mais relevante hoje considerando os efeitos da pandemia de COVID-19”, disse Eric Usher, diretor da UNEP FI.

O relatório chama a atenção para as recomendações da Força Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD, na sigla em inglês), assim como as oferecidas pela UNEP FI com a colaboração do CAF.

Segundo o PNUMA, é importante replicar iniciativas como o projeto-piloto da UNEP FI com 16 dos principais bancos do mundo para desenvolver ferramentas e indicadores analíticos para ajudar a fortalecer a avaliação e divulgação do risco climático, o que será incluído no Curso Virtual “Mudanças Climáticas e o TCFD: riscos e oportunidades para o setor bancário”, da UNEP FI com a colaboração do CAF.

A pesquisa revelou que 53% dos bancos utilizam o Relatório de Sustentabilidade como mecanismo para divulgar os riscos associados às mudanças climáticas, enquanto apenas 16% dos bancos relatam por meio de seus formulários financeiros regulatórios conforme as recomendações da TCFD.

Devido ao desconhecimento e pouca clareza em relação às definições relacionadas aos riscos climáticos, os autores também chamam o setor bancário da região a trabalhar no desenvolvimento de uma taxonomia que tornaria conhecidas definições comuns no setor latino-americano sobre essas questões.

Sobre a Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI)

A Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI) é uma aliança entre o PNUMA e o setor financeiro global, em escala mundial, por meio de seus mais de 300 signatários, entre bancos, seguradoras e investidores, e sua rede de mais de 100 instituições de apoio.

Por meio de um programa de trabalho impulsionado por seus membros, a UNEP FI implementa sua missão de identificar, promover e apoiar a adoção das melhores práticas socioambientais em todos os aspectos das operações financeiras. Mais informações em: www.unepfi.org

Sobre o CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina

O CAF tem a missão de promover o desenvolvimento sustentável e a integração regional, por meio do financiamento de projetos do setor público e privado, da prestação de cooperação técnica e de outros serviços especializados.

Fundada em 1970 e atualmente composto por 19 países – 17 na América Latina e no Caribe, juntamente com Espanha e Portugal – e 13 bancos privados, a instituição é uma das principais fontes de financiamento multilateral e um importante gerador de conhecimento para a região.

Mais informações em: www.caf.com

Sobre a Federação Latino-Americana de Bancos (FELABAN)

A Federação Latino-Americana de Bancos (FELABAN) é uma instituição sem fins lucrativos, incorporada em 1965 na cidade de Mar del Plata, Argentina.

Reúne, por meio de suas respectivas associações em 19 países do continente, mais de 623 bancos e instituições financeiras da América Latina.

Seu objetivo é promover e facilitar o contato, compreensão e relações diretas entre as instituições financeiras na América Latina. Mais informações em: www.felaban.net

CEPAL analisa efeitos da pandemia no comércio internacional e na logística da América Latina e Caribe

A rápida disseminação da COVID-19 e as medidas tomadas pelos governos tiveram graves consequências nas principais economias mundiais, o que provocou uma queda significativa no comércio global. Foto: APPA

A rápida disseminação da COVID-19 e as medidas tomadas pelos governos tiveram graves consequências nas principais economias mundiais, o que provocou uma queda significativa no comércio global. Foto: APPA

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) apresentará na quinta-feira (6) seu relatório especial COVID-19 N⁰ 6, que acompanha os efeitos socioeconômicos da pandemia na região e fornece estimativas do impacto da pandemia nas exportações, importações, transporte e logística.

O documento “Os efeitos da COVID-19 no comércio internacional e na logística” incluirá previsões sobre setores exportadores mais afetados, nível do comércio intrarregional, atividade portuária, tráfego aéreo e transporte terrestre, assim como recomendações para aprofundar a integração regional.

As previsões serão feitas com base em análises e estimativas apresentadas nos cinco relatórios anteriores, divulgados desde abril.

A apresentação do relatório será feita por meio de coletiva de imprensa virtual liderada por Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL, de Santiago, Chile, às 12h (Horário de Brasília).

Será transmitida ao vivo via Webex no seguinte link: https://eclac.webex.com/eclac/onstage/g.php?MTID=ea6dc87b258f5ce1ff3e53ace0bcf0087

Os jornalistas interessados em participar deverão registrar-se com antecedência. Receberão um e-mail automático com as instruções para se conectar.

Será transmitida também, online, pelo site da CEPAL e pelas redes sociais, como Twitter (@cepal_onu) e Facebook (https://www.facebook.com/cepal.onu).

Os jornalistas poderão enviar suas perguntas com antecedência para o e-mail: conferenciaprensa@cepal.org, que serão respondidas ao vivo pela secretária-executiva da CEPAL, ao final da apresentação do documento. As perguntas serão recebidas até às 12h30 (horário de Brasília).

O relatório afirma que a rápida disseminação da COVID-19 e as medidas tomadas pelos governos tiveram graves consequências nas principais economias mundiais, o que provocou uma queda significativa no comércio global.

No atual contexto de crise econômica e comercial, a América Latina e o Caribe é a região em desenvolvimento mais afetada. Os números que mostram a magnitude desses impactos nas exportações, importações e logística da região serão divulgados no lançamento.

A apresentação será transmitida também, pelo site da CEPAL e por: https://live.cepal.org/.

O quê: Lançamento do Relatório especial COVID-19 N⁰ 6 da CEPAL: Os efeitos da COVID-19 no comércio internacional e na logística.

Quem: Alicia Bárcena, Secretária-Executiva da CEPAL.

Quando: Quinta-feira, 6 de agosto de 2020, 12h (Horário de Brasília).

Onde: Conexão virtual pela plataforma Webex (é necessário registro prévio).

https://eclac.webex.com/eclac/onstage/g.php?MTID=ea6dc87b258f5ce1ff3e53ace0bcf0087

Event number: 160 901 6335

Event password: CepalN6

Pelo site da CEPAL e por: https://live.cepal.org/.

Senso de urgência da Agenda 2030 é ainda maior com pandemia, diz ONU no Brasil

Criança no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

Criança no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

O senso de urgência para a execução da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável foi renovado diante dos efeitos da pandemia de COVID-19 no Brasil e no mundo, na avaliação do coordenador-residente da ONU no país, Niky Fabiancic.

“Como sabemos, a Agenda 2030, com seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, foi o plano elaborado pelos 193 países-membros das Nações Unidas para a construção de um mundo mais justo e sustentável, que não deixe ninguém para trás”, lembrou.

“Quando este plano foi acordado pelos países em 2015, com intensa liderança do Brasil, os países tinham consciência de que estavam discutindo os desafios mais urgentes enfrentados pela humanidade. Esses países aprovaram a Agenda 2030 com a certeza de que avançar no cumprimento dos 17 ODS era o caminho mais curto, justo e seguro para a superação desses desafios.”

Para Fabiancic, cinco anos após sua aprovação, o senso de urgência da execução desse plano foi renovado pela “gigantesca emergência sanitária que a pandemia de COVID-19 impôs ao mundo”.

“Temas que já estavam expressos na Agenda 2030 em 2015, como o acesso à água e a saneamento básico e a universalização dos serviços de saúde, se mostram imprescindíveis para a superação desta crise sem precedentes”, disse.

As declarações foram feitas na sexta-feira (31), em Brasília (DF), durante audiência pública da Frente Parlamentar Mista em Apoio aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Congresso Nacional.

Na ocasião, foi lançado o IV Relatório Luz da Sociedade Civil sobre a Agenda 2030, produzido pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, o GT Agenda 2030 – coalizão formada por 51 organizações, fundações e movimentos brasileiros.

O documento é a única publicação no Brasil, organizado pela sociedade civil, que apresenta um panorama sobre como os 17 ODS estão sendo implementados no Brasil, país que foi um dos 193 signatários do acordo que deu origem à Agenda 2030, na ONU.

Clique aqui para acessar o relatório.

“O Relatório Luz que está sendo lançado hoje nos alerta que não estamos avançando na implementação dos ODS na velocidade que precisamos. Isso não é uma novidade e nem é uma exclusividade do Brasil”, disse Fabiancic.

No início do ano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, já havia feito um chamado para que esta fosse a Década de Ação, para que todo o mundo empreendesse mais esforços para tirar os ODS do papel.

“A pandemia nos mostra que essa união é imprescindível e que investir em saúde, educação, saneamento e na preservação do meio ambiente é estratégico. Parafraseando o secretário-geral, o mundo é tão forte quanto seu elo mais fraco.”

Segundo o coordenador-residente da ONU no país, a pandemia alcançou o Brasil, assim como toda a América Latina, em uma situação desfavorável, e a crise decorrente da pandemia agravou essa situação.

As desigualdades históricas são determinantes para a forma e a intensidade com que cada pessoa experimenta os efeitos da pandemia, disse. “As pessoas que já se encontravam em situação vulnerável foram mais duramente atingidas. Elas estão mais suscetíveis aos efeitos na saúde, já que têm menos condições de adotar as medidas de prevenção à doença, e muitas delas têm mais chance de desenvolver as formas graves da COVID-19.”

“Ao mesmo tempo, são esses grupos vulneráveis que sofrem mais com os efeitos socioeconômicos da pandemia. Trabalhadores informais, mulheres, indígenas, afrodescendentes, pessoas com deficiência são alguns dos grupos que que estão sentindo os piores efeitos da crise socioeconômica provocada pela pandemia.”

O Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe deve recuar 9,1% este ano – enquanto a queda prevista para o PIB brasileiro é de cerca de 9%. A pobreza deve chegar a mais de 37% da população da região, ou seja, 231 milhões de pessoas, enquanto 98 milhões de pessoas viverão em situação de pobreza extrema, segundo projeções da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

Fabiancic lembrou que o desemprego e a informalidade também devem aumentar, com o fechamento de 2,7 milhões de empresas, somando 44 milhões de pessoas sem emprego na região. No Brasil, a pobreza deve chegar a 25% da população, ou cerca de 50 milhões de pessoas, salientou.

“Portanto, a desigualdade, que já era intensa, deve ser acirrada. E com mais desigualdade, a tendência é termos desafios maiores em todas as áreas do desenvolvimento, como saúde, educação, trabalho e renda, lacunas de gênero, segurança alimentar, meio ambiente e crescimento econômico.”

Altos níveis de desigualdade são um empecilho para o desenvolvimento e estão associados a instabilidade econômica, corrupção, crises financeiras, aumento da criminalidade e condições de saúde ruins, disse Fabiancic.

“Precisamos quebrar esse ciclo e, para isso, precisamos ter dados confiáveis e oportunos, como estes do Relatório Luz. Portanto desejo parabenizar a todas as organizações que fizeram um grande esforço para a preparação deste relatório.”

As Nações Unidas, por meio da CEPAL, têm algumas recomendações para que os países consigam quebrar o ciclo de desigualdade, entre elas, a implementação de programas de renda básica, que ajudarão inicialmente as famílias pobres a atravessar o período mais crítico da crise, disse Fabiancic.

Outras recomendações incluem a adoção de políticas sociais universais, de saúde e educação, ancoradas em reformas fiscais progressivas e distributivas, tanto nos impostos quanto nas despesas públicas. “Políticas desse tipo provocarão mudanças estruturais duradouras capazes de levar a região a um modelo de desenvolvimento mais inclusivo e sustentável”, disse.

Fabiancic lembrou que a geração de emprego e renda deve ser uma prioridade, principalmente por meio do apoio a pequenas e médias empresas. Também deve haver alinhamento de esforços pela redução da grande lacuna digital da região, como no acesso à Internet, que também favorecerá a redução de outras desigualdades e a geração de emprego e renda.

“Essas quatro recomendações têm um aspecto em comum: políticas fiscais e monetárias expansivas, que mantenham um período mais longo de investimentos que não seja interrompido por regimes de austeridade”, disse.

“Encorajamos o Congresso Nacional e a sociedade brasileira como um todo a se engajar nesta discussão para encontrar as soluções mais adequadas para que o Brasil construa um futuro melhor, com igualdade, inclusão e sustentabilidade.”

“Enxergamos o Sistema Nações Unidas como um catalisador de diálogos e seguimos à disposição do Brasil para facilitar essa grande conversa. Estou seguro de que com todo seu potencial e criatividade, o Brasil será capaz não apenas de encontrar soluções inovadoras para seus desafios, como também de contribuir para que todo o mundo emerja desta crise melhor do que antes”, concluiu Fabiancic.

Clique aqui para acessar a íntegra do discurso do coordenador-residente da ONU Brasil.

Barbados assinará acordo para sediar conferência da UNCTAD em 2021

Rua comercial em Briedgetown, Barbados. Foto: Flickr/Roger W(CC)

Rua comercial em Briedgetown, Barbados. Foto: Flickr/Roger W(CC)

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e o governo de Barbados assinarão na quarta-feira (5) um acordo sobre a realização da 15ª conferência ministerial quadrienal da organização, prevista para a primavera de 2021, na capital do país insular, Bridgetown.

A conferência foi inicialmente agendada para 18 a 23 de outubro de 2020, mas teve que ser adiada devido à pandemia de COVID-19.

Novas datas serão comunicadas durante a cerimônia de assinatura, que será realizada virtualmente via Webex, lançando os preparativos para a conferência. O breve evento de assinatura será seguido por uma conferência de imprensa.

Um comunicado de imprensa sob embargo será enviado à imprensa na terça-feira (4).

Participantes:

• Mia Amor Mottley, primeira-ministra de Barbados
• Mukhisa Kituyi, secretário-geral da UNCTAD
Horário: quarta-feira, 5 de agosto, às 13h30 GMT (10h30 de Brasília)
Local: Online (via Webex)

Os jornalistas devem se registrar antes do evento em unctadpress@unctad.org. O link será compartilhado após a inscrição.

Os jornalistas podem fazer apenas uma pergunta, que deve ser enviada antes ou durante o evento para catherine.huissoud@unctad.org e sharon.marshall@unctadxv.bb.

Sobre a UNCTAD15:

A conferência quadrienal é o mais alto órgão de tomada de decisão da UNCTAD, no qual os Estados-membros fazem avaliações das questões atuais de comércio e desenvolvimento, discutem e formulam respostas políticas globais. A conferência também define as prioridades de trabalho da organização.

A UNCTAD15 será uma oportunidade para os países discutirem como reconstruir e fortalecer suas economias após a crise da COVID-19, para garantir prosperidade para todos.

Para mais informações, entre em contato com a Assessoria de Imprensa da UNCTAD em +41 22 917 5549, catherine.huissoud@unctad.org ou sharon.marshall@unctadxv.bb.

UNESCO: pandemia expõe importância de universalizar acesso à Internet no mundo

Foto: EBC

Um fluxo livre de informações digitais para todos, e em todos os lugares, é uma questão de vida ou morte se as pessoas não puderem acessar informações essenciais de saúde. Foto: EBC

A pandemia de COVID-19 tem lembrado o mundo sobre a importância da Internet como uma janela para a educação, o acesso à informação, saúde, cultura e a inúmeros outros aspectos da vida diária.

O Mapa para a Cooperação Digital do Secretário-Geral da ONU, lançado em junho de 2020, enfatiza o papel crucial da tecnologia digital no mundo durante e após a pandemia, e a responsabilidade coletiva de conectar quem não está conectado, proteger os vulneráveis e marginalizados e respeitar os direitos humanos na era digital.

O hiato digital entre quem está online e offline está ameaçando se tornar a nova face da desigualdade, reforçando desvantagens sociais e econômicas, disse a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Um fluxo livre de informações digitais para todos, e em todos os lugares, é uma questão de vida ou morte se as pessoas não puderem acessar informações essenciais de saúde – e informações confiáveis de forma mais ampla, salientou a agência das Nações Unidas.

Contudo, nas últimas semanas, tem se observado o aumento de tendências que restringem espaços para uma Internet aberta e livre, lembrou. À medida que surgem restrições online no mundo todo, a universalidade da Internet está em perigo.

“Diante da pandemia e mesmo com a existência de leis internacionais que permitem poderes emergenciais em resposta a ameaças significativas, a UNESCO disse estar convencida de que os direitos humanos não devem ser comprometidos e que uma Internet não fragmentada é de interesse global”, disse o diretor-geral adjunto para comunicação e informação da UNESCO, Moez Chakchouk.

A UNESCO lembrou que há notícias de bloqueio de aplicativos móveis, enquanto leis de segurança nacional têm aumentado os receios da fragmentação da Internet, assim como das restrições aos direitos humanos, notavelmente a liberdade de expressão, liberdade de associação, acesso à informação, a não discriminação e proteção de dados e a privacidade online.

Em algumas regiões, os shutdowns ou “desligamentos” da Internet continuam a negar acesso a milhões de pessoas, em um momento em que o acesso à informação não é apenas necessário, mas também vital, disse a UNESCO.

As leis e políticas públicas para combater a desinformação ou “fake news”, de forma geral, têm sido muito amplas, ultrapassando as condições restritas sob as quais a liberdade de expressão pode ser limitada, conforme estabelecido pelo direito internacional, salientou a agência.

A UNESCO lembrou que essas condições enfatizam a relevância da aprovação unânime dos 195 países-membros, em 2015, do conceito da Universalidade da Internet.

O marco de referência da universalidade da Internet defende os quatro princípios DAAM (ROAM, em inglês) – o que significa que a UNESCO defende uma Internet baseada em Direitos humanos, que seja Aberta, Acessível a todos e governada pela participação de Múltiplas partes interessadas.

De acordo com o mandato constitucional da UNESCO de promover a liberdade de expressão e o acesso à informação, o conceito da universalidade da Internet norteia o trabalho da organização sobre a governança digital.

“Assim, a UNESCO toma uma posição forte em defesa dos princípios DAAM – baseados em normas internacionais – como um marco de referência holístico e um conjunto de recomendações enquanto protege todos os direitos de forma indivisível, e também considerando seu impacto na preservação da abertura e acessibilidade da Internet no espírito da participação de múltiplas partes interessadas nas normas, regulamentos e programas que governam as tecnologias digitais”, disse a organização.

UIT lembra importância das tecnologias da informação na resposta à pandemia

Foto: EBC

O escritório da UIT no país está contribuindo para este portal com informações da região das Américas, incluindo o Brasil. Foto: EBC

O Dia Mundial da Telecomunicação e da Sociedade da Informação (WTISD, na sigla em inglês) marca o aniversário da fundação da União Internacional de Telecomunicações (UIT), em 17 de maio de 1865, quando a primeira Convenção Internacional do Telégrafo foi assinada em Paris.

O tema deste ano é “Connect 2030: TICs para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”. A UIT reafirma seu compromisso de conectar todas as pessoas do mundo, mostrando como as tecnologias de informação e comunicação (TICs) podem contribuir para acelerar a cumprimento da Agenda 2030 e seus 17 ODS.

Com dez anos restantes para alcançar as metas da agenda, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou em janeiro a “Década de Ação”. Logo em seguida, a pandemia da COVID-19 mostrou a importância das TICs para as economias e as sociedades em todos os lugares e a importância de estarmos todos conectados.

Este ano, a UIT realizou um evento virtual de alto nível para abordar a importância de aprimorar a colaboração e a cooperação entre países, empresas, Sistema ONU e outras pessoas. O objetivo é fortalecer o papel das TICs ao embarcarmos na “Década de Ação” e na resposta global à COVID-19.

O evento virtual da UIT foi realizado nesta segunda-feira (18), com a participação de Houlin Zhao, secretário-geral da UIT; Tatiana Valovaya, diretora-geral do Escritório das Nações Unidas em Genebra (UNOG); e Audrey Azoulay, diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Outros participantes foram Francis Gurry, diretor-geral da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI); Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM); e Vaqif Sadiqov, embaixador e representante permanente do Azerbaijão nas Nações Unidas.

UNIDO firma parceria com ONG Ajude o Pequeno para apoiar micro e pequenas empresas durante pandemia

A plataforma foi criada pela ONG Ajude o Pequeno para apoiar pequenos negócios durante o período de pandemia. Foto: Ajude o Pequeno

A plataforma foi criada pela ONG Ajude o Pequeno para apoiar pequenos negócios durante o período de pandemia. Foto: Ajude o Pequeno

A Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) deu início em maio a uma parceria junto à organização não governamental Ajude o Pequeno, uma iniciativa sem fins lucrativos que oferece a micro e pequenos empreendedores uma plataforma online gratuita para a venda de produtos e serviços. Mais de 2 mil empresas brasileiras já estão cadastradas.

A plataforma foi criada pela ONG para apoiar pequenos negócios durante o período de pandemia de COVID-19. Empreendedores cadastrados têm acesso a um ecossistema colaborativo que liga produtores, comerciantes e consumidores, dando sustentação a pequenos negócios neste período de incertezas econômicas.

A UNIDO contribui com apoio institucional e recursos para a divulgação da iniciativa.

O marketplace virtual é estruturado como uma loja online que inclui todo o processo de vendas, desde a disponibilização da mercadoria no site até a entrega ao consumidor final por meio de uma rede nacional de entregas.

A plataforma também oferece videoaulas especializadas sobre vendas online, finanças, marketing digital, entregas e temas estratégicos. Além disso, os cadastrados contam com uma assistente virtual que tira dúvidas sobre o sistema: a “Alê”, criada para introduzir os usuários à plataforma, principalmente aqueles que nunca tiveram contato com lojas virtuais.

A Ajude o Pequeno já reúne mais de 200 voluntários. “Queremos ajudar o pequeno produtor, o pequeno empresário, o comerciante do bairro a levar seu produto ao consumidor final através das plataformas digitais”, explica Wesley Barbosa, idealizador da ONG e da plataforma.

A parceria entre UNIDO e Ajude o Pequeno contribui para dar sustentação aos empreendimentos que mais sofrem impactos durante a pandemia.

Acesse a plataforma: https://ajudeopequeno.com.br/

ONU: Não deixar ninguém para trás significa não deixar ninguém offline

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, gravou uma mensagem em vídeo para marcar no domingo (17) o Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação. Segundo Guterres, a tecnologia da informação pode ser um “farol de esperança”, permitindo que bilhões de pessoas em todo o mundo se conectem.

“Durante a pandemia de COVID-19, essas conexões – com entes queridos, com escolas e faculdades, com locais de trabalho, com profissionais da saúde e fornecedores essenciais – são mais importantes do que nunca”, lembrou.

A União Internacional de Telecomunicações continua trabalhando com a comunidade de tecnologia da informação e comunicação e as agências da ONU para ajudar a gerenciar e acabar com esta crise, saindo dela melhor do que entramos.

“Novas tecnologias, de 5G e ‘big data’ à computação em nuvem e inteligência artificial, são ferramentas poderosas para enfrentar os principais desafios mais do mundo, incluindo a pandemia. Não deixar ninguém para trás significa deixar ninguém offline”, destacou António Guterres.

O Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação destaca este ano que a cooperação internacional em tecnologia digital é essencial para ajudar a derrotar a COVID-19 e alcançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Empresa brasileira vence prêmio da UNESCO por usar inteligência artificial na educação

Sede da UNESCO em Paris. Foto: UNESCO

Sede da UNESCO em Paris. Foto: UNESCO

O software brasileiro para habilidades de escrita Letrus e a ferramenta de detecção de dislexia espanhola Dytective são os dois vencedores do Prêmio Rei Hamad Bin Isa-Al Khalifa da UNESCO de 2019 pelo Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na educação.

Cada um dos vencedores receberá 25 mil dólares em uma cerimônia cuja data será marcada nas próximas semanas.

O tema da edição 2019 foi o uso da Inteligência Artificial (IA) para inovar na educação, ensino e aprendizagem. Por meio desse tema, a UNESCO visa promover aplicações efetivas e éticas da IA ​​na educação que estejam universalmente disponíveis.

O Letrus Writing Skills Program, desenvolvido pela empresa brasileira Letrus, é um programa de IA com retorno automatizado sobre a escrita dos alunos. O objetivo é reduzir o analfabetismo funcional na língua portuguesa, apoiando alunos e professores do Ensino Médio.

O programa suporta as habilidades de escrita dos alunos por meio de feedback híbrido da IA ​​e das pessoas. Os alunos recebem retorno imediato do software, que pode identificar padrões de escrita, bem como retorno mais detalhado proveniente de correções humanas. Desde 2017, mais de 65 mil estudantes utilizam o programa em todos os estados brasileiros.

O Dytective (detetive), desenvolvido pela empresa espanhola Change Dyslexia, é uma ferramenta projetada para detectar dislexia em aproximadamente 15 minutos. Ele também fornece exercícios baseados em jogos para ajudar os alunos disléxicos a superar as dificuldades de leitura e escrita em espanhol.

O aplicativo apresenta uma combinação de testes online e aplicativos preditivos de aprendizado de máquina associados. Até o momento, mais de 270 mil crianças de 43 países se beneficiaram de um pré-diagnóstico gratuito de dislexia. A empresa também fornece subsídios para famílias mais pobres com crianças que necessitam de educação corretiva para dislexia.

Os dois vencedores foram escolhidos entre 113 indicações apresentadas pelos Estados-membros da UNESCO e suas organizações associadas, sob recomendação de um júri internacional de especialistas em educação.

Criado em 2005 e apoiado pelo Bahrein, o prêmio homenageia anualmente indivíduos e organizações que fazem uso inovador de novas tecnologias para melhorar o ensino, o aprendizado e o desempenho educacional geral.

O prêmio concede a cada destinatário reconhecimento internacional, um diploma e um prêmio em dinheiro.

Na ocasião da cerimônia de premiação, será realizado um seminário com as apresentações dos projetos vencedores.

Roberto Azevêdo deixará direção da OMC em 31 de agosto

O diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo. Foto: EBC

O diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo. Foto: EBC

Em reunião virtual com todos os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta quinta-feira (14), o diretor geral da entidade, o brasileiro Roberto Azevêdo, anunciou que deixará o cargo no dia 31 de agosto. Alegando motivos pessoais, ele sai um ano antes de terminar o mandato.

De acordo com o diretor, a decisão foi tomada depois de longas discussões com a família – a esposa, em Genebra, e as filhas e a mãe, em Brasília. Ele reforçou que não é uma decisão motivada por saúde ou oportunidades políticas: “É uma decisão pessoal – uma decisão familiar – e estou convencido de que esta decisão serve melhor aos interesses da Organização”.

Ele afirmou que está antecipando a saída para permitir que os membros selecionem seu sucessor nos próximos meses, sem desviar energia política e atenção das preparações para a 12ª Conferência Ministerial(MC12), que acontecerá em 2021. “Nós precisamos dar ao meu sucessor tempo suficiente para planejar, junto com vocês, não apenas o caminho para a MC12 mas para como a Conferência se encaixa nos planos para o futuro da organização”, afirmou. “O quanto antes o novo diretor geral assumir o cargo, melhor”.

O pronunciamento completo está disponível aqui.

Concentração global de CO2 bate recorde mesmo durante crise da COVID-19

As cidades deverão produzir mais de 70% das emissões de gás carbônico globais e consumirão 80% da energia do mundo em 2030. Foto: UNsplash

As cidades deverão produzir mais de 70% das emissões de gás carbônico globais e consumirão 80% da energia do mundo em 2030. Foto: UNsplash

Nas últimas semanas, à medida que o mundo parava para combater a pandemia de coronavírus, houve muitos relatos de melhoria na qualidade do ar em alguns lugares. No entanto, ninguém deve pensar que a crise climática está resolvida.

Os dados mais recentes da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) mostram que os níveis globais de dióxido de carbono (CO2) estão aumentando acentuadamente.

Em abril de 2020, a concentração média de CO2 na atmosfera era de 416,21 partes por 1 milhão (ppm), a mais alta desde o início das medições, que começaram em 1958, no Havaí.

A Sala Mundial de Situação Ambiental do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) mostra um aumento representativo de mais de 100 ppm nas concentrações de CO2 desde março de 1958.

A curva indica flutuações sazonais esperadas: o Hemisfério Norte possui maior massa de terra que o Hemisfério Sul e a vegetação absorve mais CO2 durante o verão.

No Hemisfério Norte, o pico de concentração de CO2 acontece ao final do inverno, em maio, pois, com o frio, a Terra tem menos processos de fotossíntese e, portanto, os níveis de CO2 sobem até o próximo ciclo.

Quando, então, a fotossíntese volta a ocorrer e as novas folhagens aparecem, elas voltam a absorver CO2, diminuindo as concentrações em cerca de 7,5 ppm até outubro.

Contudo, devido às emissões antropogênicas (liberadas por atividades humanas), as concentrações de CO2 estão aumentando rapidamente.

O gráfico a seguir mostra a diferença nos níveis entre o mesmo mês em diferentes anos (há, por exemplo, um acréscimo de mais de 2,88 ppm entre abril de 2019 e abril de 2020).

Isso mostra que, embora na década de 1960 o aumento em um ano tenha sido de cerca de 0,9 ppm, no período de 2010-2019 a média foi de 2,4 ppm. Há uma tendência ascendente claramente acelerada.

A visão de longo prazo

Usando registros do núcleo de gelo, é possível medir o CO2 aprisionado pelo gelo na Antártica, que remonta a 800 mil anos atrás. Desse período até hoje, nunca tínhamos atingido 416 ppm.

Dado que o Homo sapiens apareceu cerca de 300 mil anos atrás e o primeiro vestígio do Homo sapiens sapiens (também conhecido como ser humano) data de 196 mil anos atrás, nenhum indivíduo de nossa espécie jamais vivenciou níveis tão altos de CO2.

“Isso é, obviamente, uma grande preocupação para o clima e demonstra, mais uma vez, que ações urgentes são necessárias para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Para manter a média de aquecimento global em 1,5°C, precisamos zerar as emissões líquidas até 2040 – no mais tardar, até 2055”, disse o diretor do GRID-Genebra do PNUMA e gerente de programas da Sala Mundial de Situação Ambiental, Pascal Peduzzi.

Esses resultados podem ser surpreendentes para aqueles que assumem com otimismo que a COVID-19 reduzirá as emissões globais totais.

Embora seja verdade que o tráfego veicular e aéreo, bem como a atividade industrial, tenham sido drasticamente reduzidos na maior parte do mundo desde janeiro de 2020, esse não é o caso do consumo de eletricidade. De acordo com o Panorama Energético Mundial 2019, 64% das fontes globais de energia elétrica provêm de combustíveis fósseis (carvão: 38%, gás: 23%, petróleo: 3%).

Os sistemas de aquecimento estão funcionando como antes da COVID-19 e nenhuma das questões fundamentais mudou – como a busca por energia renovável, o uso de transporte público e o fim do desmatamento.

Além disso, incêndios florestais mais frequentes e severos, provocados pela mudança climática e outras origens, continuam afetando países como Brasil, Honduras, Mianmar, Tailândia e Venezuela, emitindo grandes quantidades de CO2 adicional.

“Sem mudanças fundamentais na produção global de energia, não teremos motivos para esperar uma redução duradoura dessas emissões”, afirmou o especialista em mudanças climáticas do PNUMA, Niklas Hagelberg.

“A COVID-19 nos dá a oportunidade de medir os riscos que estamos assumindo com o relacionamento insustentável com o meio ambiente e de aproveitarmos para reconstruir nossas economias de maneira mais ecológica. Devemos levar em consideração as ameaças globais, como pandemias e desastres climáticos, a fim de criar mercados, empresas, países e sistemas globais resilientes e gerar um futuro saudável e sustentável para todos.”

“Apoiar o estímulo fiscal e os pacotes financeiros para aproveitar a descarbonização e a transição acelerada para energias limpas e renováveis não será apenas uma vitória econômica de curto prazo, mas também uma vitória para a resiliência futura”, acrescentou.

COVID-19: ONU lança parceria para ampliar produção local de tecnologias de saúde

Equipamentos médicos são necessários para atender pacientes da COVID-19 - Foto: Jair Lázaro/UNSPLASH

Equipamentos médicos são necessários para atender pacientes da COVID-19 – Foto: Jair Lázaro/UNSPLASH

O Banco de Tecnologia das Nações Unidas, juntamente com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), lançaram nesta terça-feira (12) a Tech Access Partnership (Parceria de Acesso a Tecnologia – TAP, em inglês) como parte de uma abordagem coordenada para fortalecer as respostas dos países em desenvolvimento à COVID-19 e aumentar o acesso a tecnologias de saúde que salvam vidas.

À medida que a demanda por equipamentos de proteção individual, dispositivos médicos e diagnósticos aumenta exponencialmente em meio à pandemia global, países com recursos limitados geralmente não conseguem comprar ou produzir as ferramentas necessárias para montar respostas eficazes à COVID-19. A falta de acesso a expertise técnica, treinamento e estruturas regulatórias também limita a produção local de equipamentos essenciais nessas regiões, principalmente para produtos mais complexos, como ventiladores.

A TAP visa abordar a escassez crítica de tecnologias e equipamentos essenciais de saúde, conectando fabricantes com especialistas importantes e fabricantes emergentes em países em desenvolvimento para compartilhar informações, conhecimentos técnicos e recursos necessários para escalar a produção dessas ferramentas. A Parceria também apoiará os países no desenvolvimento de tecnologias e equipamentos acessíveis que atendam aos padrões de qualidade e segurança.

“Agora, mais do que nunca, a comunidade global precisa se unir para salvar vidas e garantir futuros sustentáveis. As desigualdades estão exacerbando a lacuna tecnológica e digital quando se trata de oportunidades para os jovens, criando um fosso que ameaça deixá-los para trás”, afirmou Amina J. Mohammed, vice-secretária geral da ONU. “Aumentar o acesso às tecnologias necessárias por meio de parcerias é um componente crucial da resposta humanitária e socioeconômica da ONU à COVID-19”, complementou.

A TAP será liderada pelo Banco de Tecnologia da ONU para os Países Menos Desenvolvidos, criado em 2016 para ajudar os governos no desenvolvimento e adaptação de novas tecnologias. A iniciativa, aberta a todos os países em desenvolvimento, também será apoiada por seus principais parceiros, PNUD, UNCTAD e OMS.

“Sem acesso a tecnologias que salvam vidas, muitos países em desenvolvimento não estão preparados para o impacto potencialmente devastador da COVID-19”, disse Joshua Setipa, diretor administrativo do Banco de Tecnologia da ONU. “Ao permitir que os países em desenvolvimento produzam essas tecnologias, podemos ajudar a colocá-los no caminho da recuperação”.

As principais funções da TAP incluem:

Informações sobre o produto – um armazém digital de especificações de fabricação e design, conhecimento técnico e informações necessárias para aumentar a capacidade.
Orientação técnica – suporte técnico vital para ajudar os fabricantes a solucionar problemas que possam encontrar à medida que aumentam a produção, incluindo informações sobre dinâmica de mercado e obstáculos regulatórios.
Parcerias – uma plataforma para combinar empresas com base em expertise, necessidades e capacidade.

A iniciativa é orientada pela Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e pelo chamado das Nações Unidas à responsabilidade compartilhada e à solidariedade durante a crise da COVID-19.

“O papel da TAP no avanço de um acesso mais igualitário a tecnologias críticas da saúde é fundamental para ajudar os países em desenvolvimento a responder aos efeitos imediatos e devastadores da COVID-19”, disse Achim Steiner, administrador do PNUD. “Além disso, os esforços da parceria para aumentar o acesso ao conhecimento crítico, ferramentas técnicas e orientação aumentarão a resiliência dos países e sociedades a choques futuros – ajudando a impulsionar sua recuperação socioeconômica ao mesmo tempo”.

“A COVID-19 nos mostrou que um surto de doença em qualquer lugar é uma ameaça a todos os lugares. Devemos nos unir para apoiar todos os países e garantir acesso igualitário a tecnologias que salvam vidas”, afirmou o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “A ampliação do acesso a medicamentos e tecnologias de saúde nesses países é essencial para retardar novas infecções e evitar mortes desnecessárias”.

A TAP também colaborará com outras iniciativas relevantes para garantir que os esforços de resposta à COVID-19 sejam coordenados e complementares. A parceria está centrada na abordagem geral do Sistema de Desenvolvimento da ONU para combater os impactos socioeconômicos da pandemia de COVID-19, que inclui aumentar a capacidade global de testes e tratamento, fornecer proteções sociais para os mais vulneráveis e tornar os países resilientes a futuras pandemias.

“A parceria de acesso à tecnologia pode ser uma parte importante do esforço para ajudar os países em desenvolvimento a se recuperarem desta crise”, disse o Dr. Mukhisa Kituyi, secretário-geral da UNCTAD. “Ao expandir as habilidades e a capacidade dos fabricantes locais, a iniciativa pode impulsionar a inovação e contribuir para o crescimento econômico inclusivo”, afirmou.

Como piloto inicial, a TAP começará a trabalhar com fabricantes em vários países em desenvolvimento ao redor do mundo.

“Existe uma necessidade urgente de começar a preencher lacunas em tecnologia e equipamentos para atender às necessidades de saúde de nossa população”, disse Cham Prasidh, ministro sênior e ministro da Indústria, Ciência, Tecnologia e Inovação do Camboja. “Nosso país enfrenta desafios semelhantes aos de outros países em desenvolvimento: falta de peças de reposição para fins especiais, conhecimento técnico específico, experiência com diferentes tecnologias e financiamento para pesquisa e desenvolvimento. O maior acesso a essas ferramentas oferecido pela TAP salvará vidas, aumentará as respostas do nosso país à COVID-19 e nos ajudará a nos preparar para futuras crises.”

Sobre o Banco de Tecnologia da ONU – O Banco de Tecnologia da ONU é uma organização global dedicada a aumentar a contribuição da ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento sustentável nos 47 países menos desenvolvidos do mundo. Países menos desenvolvidos são os de baixa renda que enfrentam graves impedimentos estruturais para o desenvolvimento sustentável. Eles são altamente vulneráveis a choques econômicos e ambientais e têm baixos níveis de ativos humanos.

O Banco de Tecnologia da ONU apoia esforços tecnológicos nacionais e regionais nos países menos desenvolvidos,
reforçando parcerias entre setores e ajudando nações a identificar e usar
tecnologias apropriadas para transformar suas economias e melhorar os meios de subsistência.

Sobre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) – O PNUD faz parceria com pessoas de todos os níveis da sociedade para ajudar a construir nações que possam suportar crises e impulsionar e sustentar o tipo de crescimento que melhora a qualidade de vida de todos. Em cerca de 170 países e territórios, oferecemos perspectiva global e insight local para ajudar a empoderar vidas e construir nações resilientes.

Sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) – A UNCTAD apoia países em desenvolvimento no acesso aos benefícios de uma economia globalizada de maneira mais justa e eficaz, ajudando a equipá-los para lidar com as possíveis desvantagens de uma maior integração econômica. Para fazer isso, a UNCTAD fornece análises, facilita a construção de consenso e oferece assistência técnica. Isso ajuda os países a usar comércio, investimento, finanças e tecnologia como veículos para o desenvolvimento inclusivo e sustentável.

Sobre a Organização Mundial da Saúde (OMS) – A OMS é a agência especializada das Nações Unidas para a saúde. É uma organização intergovernamental e trabalha em colaboração com seus Estados-Membro, geralmente através dos Ministérios da Saúde. A Organização Mundial da Saúde é responsável por liderar as questões globais de saúde, moldar a agenda de pesquisa em saúde, estabelecer normas e padrões, articular opções de políticas baseadas em evidências, fornecer suporte técnico aos países e monitorar e avaliar tendências da saúde. Saiba mais em http://www.who.int.

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Estudantes do AM criam jogo online com desafios de Biologia e Sociologia

O jogo OCAViva une biologia e sociologia através da percepção de que as instituições sociais têm funções como os órgãos do corpo humano. Foto: UNICEF

Durante o isolamento social, participantes da Maratona UNICEF Samsung mantiveram suas atividades online e desenvolveram um app em que estudantes compreendem que as instituições sociais têm funções como os órgãos do corpo humano.

Os estudantes Pedro Matias, Gabrielly Rodrigues, Ana Oliveira, Alan dos Santos e o professor inEvanilson Andrade descobriram como unir biologia e sociologia. O grupo de Manaus, Amazonas, se uniu para formar a equipe OCAViva, uma das participantes da edição 2020 da Maratona UNICEF Samsung. Desde o início do ano, e mesmo durante a pandemia do novo coronavírus, os estudantes têm recebido mentorias pedagógicas e técnicas online para desenvolver um aplicativo que busca integrar as duas disciplinas do ensino médio em um jogo de desafios.

A história da OCAViva começou quando o professor de sociologia Evanilson Andrade decidiu montar uma equipe para a Maratona. Com uma formação multidisciplinar, o grupo reúne estudantes entre 17 e 21 anos, do ensino médio e do ensino superior em enfermagem e engenharia da computação.

“A primeira ideia era criar um app que unisse história e sociologia, mas percebemos que as duas disciplinas estavam na mesma área de conhecimento. Pensando nas competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), não ficaria tão rico”, diz o professor.

Foi aí que o grupo percebeu que poderia fazer algo inovador: relacionar conteúdos do 2º ano do ensino médio de sociologia e biologia, contribuindo para que os estudantes compreendessem que as instituições sociais têm funções tais quais os órgãos do corpo humano, e refletissem sobre a realidade em que vivem.

Imagens da tela do jogo OCAViva. Foto: UNICEF

Cuidando da sua OCAviva

Com a ideia em mãos, o jogo começou a ser desenvolvido. “Pensamos em fazer um formato de desafios para que o usuário resolva e veja como cada decisão tomada afeta o corpo humano. Dependendo da decisão, ele fica mais doente ou mais saudável”, explicou Pedro, estudante de engenharia da computação e programador do aplicativo. A ideia do nome OCAViva veio justamente para mostrar uma forma de representar uma cidade como um organismo vivo, fazendo referência à Região Norte do Brasil, onde a equipe vive.

O jogo funciona assim: o estudante se torna a autoridade de uma cidade, representada pelos diferentes sistemas do corpo humano. Cada sistema constitui uma fase do jogo, e cada órgão traz desafios e um conjunto de problemas que devem ser resolvidos. Os desafios envolvem discussões sobre temas como políticas públicas, saúde, educação e segurança. De acordo com cada decisão tomada, a OCAViva do usuário pode ficar doente ou saudável.

Na fase do sistema digestivo, por exemplo, o primeiro desafio começa pela boca da OCAViva. “Relacionamos as escolhas sobre o sistema de saúde da cidade com a boca porque ela é a entrada daquilo que o corpo mais necessita, alimentos e nutrientes. Então, assim como aquilo com que nós nos alimentamos tem que ser escolhido de forma que nos mantenha em boa saúde, os investimentos na saúde como instituição social têm que ser bem aplicados para que a população tenha esse direito social de fato”, explica o professor Evanilson.

Esses são alguns dos dilemas que os estudantes precisam resolver durante o jogo, que incentiva a trabalhar as competências previstas na BNCC, entre elas, consciência social e tomada de decisão responsável. Ao mesmo tempo, os usuários também aprendem sobre os sistemas do corpo humano e os órgãos que os compõem.

Os próximos passos

No início do projeto, a equipe costumava se reunir com frequência, a cada semana. Com a pandemia do novo coronavírus e o isolamento social, tudo passou a ser virtual. Mesmo com dificuldades em casa e de conectividade, os estudantes seguem desenvolvendo o aplicativo e recebendo mentorias técnicas e pedagógicas durante esta fase final.

Para Pedro, a mentoria tem sido essencial para a equipe. “Com a mentoria pedagógica fizemos ajustes para consolidar o envolvimento das duas matérias no app. Na técnica melhoramos plataformas, acessibilidade, e o desenvolvimento do aplicativo”, contou.

Agora o app segue para ser testado por alunos do segundo e terceiro ano do ensino médio, contando também com o retorno de professores de biologia, sociologia e outras disciplinas, como química e psicologia.

Mas Pedro já vê além. “Para o futuro, queremos ter uma divulgação maior para que escolas do Estado usem o aplicativo”.

Ciência, tecnologia e inovação são essenciais para América Latina enfrentar pandemia, diz CEPAL

Diagnóstico laboratorial de casos suspeitos do novo coronavírus (2019-nCoV), realizado pelo Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua como Centro de Referência Nacional em Vírus Respiratórios para o Ministério da Saúde. Foto: IOC/Fiocruz/Josué Damacena

Diagnóstico laboratorial de casos suspeitos do novo coronavírus, realizado pelo Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua como Centro de Referência Nacional em Vírus Respiratórios para o Ministério da Saúde. Foto: IOC/Fiocruz/Josué Damacena

A contribuição da ciência, tecnologia e inovação nos tempos de crise pela COVID-19 é essencial para enfrentar os atuais desafios de saúde, mas também para apoiar os esforços produtivos da recuperação econômica pós-pandemia.

Essa é a opinião de diversos ministros de países latino-americanos e caribenhos, que se reuniram em encontro virtual promovido por Alicia Bárcena, secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

A reunião dos países-membros da Conferência de Ciência, Inovação e Tecnologia da Informação e das Comunicações (TICs) – órgão subsidiário da CEPAL – contou com a participação de autoridades de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Guatemala, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai.

O encontro foi liderado por Bárcena e Shamila Nair-Bedouelle, sub-diretora-geral de Ciências Exatas e Naturais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), e Luis Adrián Salazar Solís, ministro de Ciência, Tecnologia e Telecomunicações da Costa Rica, em sua qualidade de presidente da Conferência.

Durante a reunião, a secretária-executiva da CEPAL apresentou uma visão geral do atual sistema científico e tecnológico na América Latina e no Caribe e seus principais desafios.

Ela observou que a infraestrutura digital está particularmente atrasada em relação a outras regiões e que, portanto, o desenvolvimento e a adoção de soluções digitais devem considerar os elementos estruturais dos países e os fatores facilitadores.

“A integração regional, as capacidades do setor de saúde e a economia digital devem ser fortalecidas”, afirmou.

“A pandemia destacou a necessidade de uma abordagem que transcenda o nacional e fortaleça a integração regional através de sistemas de ciência e tecnologia ligados entre países e seus sistemas de produção.”

“A humanidade está na corrida para encontrar uma vacina e tratamentos que neutralizem os efeitos da pandemia na saúde, e é aqui que esforços conjuntos e coordenados se tornam essenciais”, disse Bárcena.

Ela acrescentou que a contribuição da ciência, tecnologia e inovação nos tempos da pandemia e das políticas e instituições que as promovem não se limita à prevenção ou tratamento da doença.

“Temos que aproximar a ciência, a tecnologia e a inovação dos setores produtivos”, disse ela, como é o caso da fabricação de suprimentos médicos, vários produtos de proteção à saúde, testes para detectar o vírus e equipamentos essenciais como ventiladores mecânicos, entre outros.

Bárcena lembrou que a pandemia obrigou pessoas, empresas e Estados a adotarem novas formas de trabalho, de educação e de relacionamentos. Ela citou os desafios tecnológicos e sociais para garantir a possibilidade de teletrabalho e educação a distância para o maior número de pessoas.

No entanto, o baixo investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D), que é de 0,7% do PIB da região, e o baixo percentual de pesquisadores dedicados a P&D (3%) exige um gerenciamento urgente e estratégico, enfatizou Bárcena.

Ela também destacou que o desenvolvimento e a adoção de soluções digitais são condicionados por fatores estruturais nos países da região. Por exemplo, apenas 26,6% do empregados formais da região podem trabalhar em casa, com variação significativa entre os países.

Além disso, o teletrabalho tem um impacto diferenciado nas mulheres devido à divisão sexual injusta do trabalho e à carga excessiva de trabalho não remunerado e de serviços domésticos que recai sobre elas.

Enquanto isso, em relação à educação a distância, explicou que ainda existem grandes problemas de conectividade – falta de acesso a equipamentos e conexão à Internet – que dificultam a educação na região.

Nos países com níveis mais baixos de conectividade, menos de 20% dos estudantes vivem em uma casa com conexão à Internet, disse Bárcena. Além disso, a alta incidência de superlotação nas residências, especialmente nos quintis de menor renda, afeta a qualidade da educação a distância, alertou.

“Nesse contexto urgente, a Conferência de Ciência, Inovação e TICs da CEPAL é apresentada como um espaço de colaboração e construção conjunta de iniciativas e capacidades regionais”, disse.

A chefe da CEPAL também informou que a Comissão está realizando estudos e relatórios especializados sobre a análise do uso de tecnologias digitais em tempos de COVID-19, bem como um documento de posicionamento sobre o cenário digital na região. Também está organizando um diálogo técnico e de alto nível com os países sobre o uso de tecnologias digitais em face da pandemia.

“Para influenciar a nova economia mundial, a região deve avançar em direção a uma maior inovação, integração produtiva, comercial e tecnológica. Um mercado integrado de 650 milhões de habitantes constituiria um importante seguro contra distúrbios gerados fora da região”, disse Bárcena.

Ela lembrou que a CEPAL está trabalhando em uma proposta para um novo regime universal de proteção social com renda básica cidadã, governança internacional inclusiva e sustentável, com base na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Banco Central lança nova edição de cartilha financeira para refugiados e migrantes

Evento de lançamento da cartilha no auditório do Banco Central, em novembro de 2019. Foto: ACNUR/Alan Azevedo

Evento de lançamento da cartilha no auditório do Banco Central, em novembro de 2019. Foto: ACNUR/Alan Azevedo

O Banco Central (BC) atualizou a Cartilha de Informações Financeiras para Migrantes e Refugiados. O guia é feito em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Além da versão em português, as cartilhas estão disponíveis em inglês, francês, espanhol e árabe.

Na nova versão, a cartilha atualiza detalhes sobre regras para o cheque especial e agrega informações sobre abertura de conta corrente.

Desde janeiro de 2020, não há lista de documentos pré-determinada para abertura de conta de depósitos. Cabe às instituições financeiras adotarem os procedimentos que permitam avaliar perfil de risco do cliente e sua capacidade econômico-financeira, observadas as regras do Conselho Monetário Nacional e do BC.

“Abrir uma conta pode parecer algo banal para quem exerce normalmente suas atividades, mas faz toda a diferença para quem passa pelas dificuldades que os solicitantes de refúgio, os refugiados e migrantes em geral passam”, afirma Mauricio Moura, ​diretor de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do Banco Central.

“É por meio de uma conta que esse público começa a organizar o seu dinheiro, recebendo salário, efetuando pagamentos e transferência e remetendo recursos ao exterior.”

A abertura de contas é o serviço financeiro mais demandado pelos refugiados e migrantes, segundo o Departamento de Atendimento Institucional, do BC. A inclusão financeira facilita o envio seguro de remessas e o acesso ao mercado de trabalho formal e ao empreendedorismo.

“Esta nova edição da cartilha apoia o processo de inclusão financeira, que é a porta de entrada a uma série de serviços que potencializam suas capacidades e a integração na sociedade brasileira”, explica Jose Egas, representante ACNUR no Brasil.

De acordo com o diretor de Migrações da Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), André Furquim, a cartilha é mais um instrumento de integração do imigrante, materializado pela compreensão do nosso sistema financeiro e de conceitos e ideias de educação financeira.

“Tudo isso passa por uma etapa importante na vida de qualquer pessoa, seja nacional ou imigrante, que é a bancarização e o acesso a alternativas aos bancos tradicionais, ferramentas essenciais para a garantia da autonomia das pessoas.”

“Ao trazer informações acessíveis, a cartilha também contribui para que os refugiados e migrantes estejam cientes dos seus direitos no Brasil e empoderados para realizar operações financeiras de maneira mais segura”, destaca o chefe de missão da OIM no Brasil, Stéphane Rostiaux.

Vários setores da sociedade ajudam na distribuição do conteúdo aos interessados. São ONGs, governos municipais e estaduais, associações de migrantes, empregadores. O material é útil inclusive para as instituições financeiras, pois orienta sobre as características e necessidades especificas deste tipo de público.

Outros serviços financeiros

A cartilha também traz informações como operações de câmbio, remessas e recebimento de dinheiro do/para o exterior, empréstimos e alertas contra fraudes. Veja depoimento de estrangeiros sobre a importância da cartilha durante o lançamento do material em novembro.

Criar tecnologias para ajudar a enfrentar os desafios da COVID-19

Foto: Guilherme Larsen/PNUD

Para catalisar o potencial criativo de inúmeras mentes em isolamento, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), estão organizando um hackathon gratuito, o HACKCOVID19. As inscrições para o hackaton podem ser realizadas a partir do dia 15 de maio. Já a chamada para propostas de desafios está aberta até hoje, dia 4 de maio.

Durante 72 horas, entre os dias 15 e 17 de maio, os participantes vão colaborar on-line em projetos que visem resolver os desafios da COVID-19. O HACKCOVID19 contará com o auxílio de mentores experientes de diversas áreas e com o conhecimento científico e infraestrutura do CBPF, Fiocruz e LNCC. O objetivo é criar soluções que beneficiem diferentes comunidades e fortaleçam a resposta para a pandemia.

Os participantes poderão trabalhar no desenvolvimento de soluções em diferentes segmentos: saúde, comunidade, populações vulneráveis, empresas e comércio, educação, arte e cultura e meio ambiente e informação.

Para se inscrever no HACKCOVID19, os participantes devem ser maiores de idade e escolher uma das seguintes opções: “Hacker” e “Ativador”. Na primeira opção, os participantes formarão equipes e desenvolverão um projeto ao longo do desafio. Quem optar por se inscrever como “Ativador” poderá propor desafios relacionados às diferentes temáticas do edital e trabalhará com diversos times durante o hackaton. Podem participar pessoas de diferentes áreas de formação e nível de escolaridade. Não há limitações no número de participantes. Os organizadores irão decidir o número total de participantes levando em consideração a produtividade das equipes.

Os projetos devem propor o desenvolvimento de uma tecnologia que vise resolver um desafio inicial e que deve se enquadrar em uma das seguintes categorias: design, protótipo ou simulação.

Serão premiados os primeiros, segundo e terceiros lugares. O objetivo é motivar as equipes em trabalhos colaborativos voltados às necessidades da sociedade. A intenção é que os projetos vencedores possam ser desenvolvidos até o final e que cheguem ao grande público. Os vencedores terão o acompanhamento do Núcleo de Inovação Tecnológica das Unidades de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Parceria

Para o HACKCOVID19, as entidades organizadoras firmaram uma parceria com o PNUD, por meio de um Memorando de Entendimento. O foco é colaborar na realização do evento e incentivar a criação de soluções inovadoras, rápidas e de baixo custo para minimizar os efeitos do isolamento social de forma a facilitar a recuperação de diversos setores no país.

A chamada para propostas de desafios está aberta até hoje, dia 4 de maio. Já as inscrições para o hackaton, podem ser realizadas a partir do dia 15 do mesmo mês. Mais informações em https://hackcovid-19.devpost.com/

Novo mapa de inovações fortalece a resposta à COVID-19

Foto: Gordon Johnson/Pixabay

Um novo mapa de inovação para o Coronavírus foi lançado pelo StartupBlink juntamente com a Agência de Inovações de Moscou e com o Health Innovation Exchange — uma iniciativa do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) para alavancar o potencial de inovações que melhorem a saúde de todos.

O mapa é um diretório de centenas de inovações e soluções em todo o mundo que podem apoiar e fortalecer a resposta à COVID-19, ajudando as pessoas a se adaptarem à vida durante a pandemia e a conectar iniciativas inovadoras para que consigam colaborar em soluções conjuntas.

O mapa fornece informações sobre cinco categorias: prevenção, diagnóstico, tratamento, informação e adaptação à vida e aos negócios. Como parte da categoria de prevenção, por exemplo, o diretório destaca o aplicativo Track Virus, que mostra onde o vírus se espalhou em Israel, e um kit de teste para detectar a COVID-19, desenvolvido pela E25Bio (empresa especializada no desenvolvimento de testes rápidos de diagnóstico), capaz de fornecer resultados em meia hora.

O diretório também mostra maneiras pelas quais as pessoas podem obter remédios sem sair de casa – as soluções de remessa de telessaúde e de remédios caseiros serão tão relevantes para a COVID-19 quanto para a resposta à AIDS.

A categoria de informação mostra como as pessoas podem obter informações oportunas e precisas sobre a crise e as inovações, enquanto a categoria de adaptação de vida e negócios mostra como as pessoas podem se adaptar fazendo as coisas virtualmente – em pouco tempo, escolas e universidades mudaram para o aprendizado online e trabalho em escritórios foi substituído pelo trabalho em casa.

O mapa foi desenvolvido para fornecer informações a funcionários do governo, investidores, empresários e outros, para apoiar a resposta à COVID-19 e abordar a pandemia e seu impacto.

O diretor do Escritório de Inovação do UNAIDS, Pradeep Kakkattil, reforçou a importância de trabalhar juntos a fim de encontrar as melhores idéias capazes de vencer o vírus. “O mapa de inovação para o coronavírus visa fornecer uma plataforma para iniciativas inovadoras, cada pessoa entre nós, para colaborar e se engajar com a resposta”, explicou.

“Você pode compartilhar idéias na plataforma ou entrar em contato com as pessoas e iniciativas inovadoras através da plataforma. Vimos várias ferramentas e inovações já existentes sendo adaptadas para a COVID-19 com grande sucesso e acreditamos que a plataforma ajudará a trazer novas soluções mais rapidamente para as mãos daqueles que estão na linha de frente da resposta”, acrescentou Eli David, CEO da StartupBlink.

Mais de 500 inovações já foram recebidas na plataforma e a iniciativa Health Innovation Exchange (Intercâmbio de Inovação em Saúde) produzirá um relatório sobre inovações pré-selecionadas que será compartilhado com os países parceiros para a resposta à COVID-19.

Isolamento provocado pelo coronavírus lança luz sobre gestão de dados e privacidade online

Código exibido em um monitor de computador. Foto: Unsplash/Markus Spiske

Código exibido em um monitor de computador. Foto: Unsplash/Markus Spiske

Um terço dos países carece de leis para proteger os dados e a privacidade online de seus cidadãos, apesar de um aumento de 11% na adoção de legislação nesse sentido desde 2015, afirmou o órgão de comércio, investimento e desenvolvimento das Nações Unidas (UNCTAD), na quarta-feira (29).

Relatando os resultados de uma nova pesquisa sobre a adoção de leis cibernéticas em todo o mundo, a UNCTAD disse que a vulnerabilidade é ainda mais acentuada entre os países menos desenvolvidos, com um índice de 43%.

A taxa é mais alta na Europa, com 96%, seguida de 69% nas Américas, 57% na Ásia e no Pacífico e 50% na África.

“Dado o aumento do crime cibernético, dos golpes e das fraudes online durante a pandemia da COVID-19, os resultados da pesquisa são muito preocupantes”, disse Shamika Sirimanne, chefe da divisão de tecnologia e logística da UNCTAD.

A UNCTAD não coleta especificamente dados sobre crimes cibernéticos, mas a agência disse ao UN News que houve um aumento nas queixas durante a quarentena em todo o mundo.

Com milhões trabalhando em casa, a segurança do computador corre muito mais risco do que em ambientes de trabalho seguros e, com mais transações online, as fraudes estão aumentando.

Confiança e proteção

Para o comércio eletrônico apoiar o desenvolvimento, consumidores e empresas devem sentir que suas transações online estão protegidas, especialmente no momento em que as ferramentas digitais são cada vez mais a única maneira de acessar bens e serviços, disse Sirimanne.

A pesquisa, realizada em fevereiro, indicou que 10% dos países têm projetos de lei sobre proteção e privacidade de dados que podem se tornar lei neste ou nos próximos anos.

Tais países incluem Brasil e Tailândia, que – como Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul e África do Sul – estão baseando sua legislação no Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia, implementado há dois anos neste mês.

Aplicação da lei é essencial

A UNCTAD observou, no entanto, que uma vez que a legislação relevante for implementada, ela deverá ser aplicada – e os países em desenvolvimento frequentemente carecem dos recursos necessários para fazer cumprir a lei.

O cenário em constante mutação do crime cibernético e a resultante lacuna de capacidades representam um desafio significativo para as agências policiais e procuradores, especialmente no que diz respeito à aplicação transfronteiriça.

Ao adotar novas leis cibernéticas, os países devem optar por legislação neutra em tecnologia sempre que possível, evitando assim a necessidade de revisões regulares e para garantir a compatibilidade entre os diferentes sistemas legais, disse a UNCTAD.

Resumindo outras descobertas importantes, a UNCTAD disse que, globalmente, 81% dos países têm leis de transações eletrônicas, com a Europa e as Américas com a maior taxa (98% e 91%, respectivamente) e a África, a menor (61%).

Setenta e nove por cento possuem legislação sobre crimes cibernéticos, mas com amplas variações entre as regiões, de 89% na Europa a 72% na África.

Países menos desenvolvidos estão atrás

Em relação a leis de proteção online para o consumidor, a taxa global é de 56%, mas a taxa de adoção varia novamente de 73% na Europa e 72% nas Américas para 46% na África.

“Em geral, os países menos em desenvolvimento estão atrasando”, disse a UNCTAD. O compartilhamento com as leis relevantes é particularmente fraco para proteção de dados e privacidade (42%) e proteção ao consumidor (40%).

“Em geral, os países menos desenvolvidos estão ficando para trás”, disse a UNCTAD. A taxa de países com leis relevantes é particularmente baixa para proteção de dados e privacidade (42%) e proteção ao consumidor (40%).

A UNCTAD disse que mais de 60 países participaram da pesquisa. Também houve consultas a organizações e especialistas internacionais, incluindo a Comissão das Nações Unidas para o Comércio Internacional (UNCITRAL), o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e o Conselho da Europa.

Empresas brasileiras reconhecem que não atuar durante crise pode prejudicar reputação

Passageiros usam máscaras na estação Pinheiros, em São Paulo (SP). Foto: Agência Brasil/Rovena Rosa

Passageiros usam máscaras na estação Pinheiros, em São Paulo (SP). Foto: Agência Brasil/Rovena Rosa

As empresas brasileiras reconhecem que devem se responsabilizar para encontrar soluções aos desafios que chegam com a pandemia de COVID-19, e dizem estar satisfeitas com o que estão fazendo.

Por outro lado, menos da metade disse estar conduzindo ações educativas e sociais, como doações financeiras e/ou de equipamentos e materiais, e apenas uma em cada dez disse estar atuando em parceria com os órgãos governamentais.

É o que mostra o relatório “COVID-19 – Como as Empresas Estão Enfrentando a Pandemia”, produzido pela Rede Brasil do Pacto Global e pela agência global de comunicação Edelman, com 86 empresas – 84% signatárias do Pacto Global –, no período de 2 a 9 de abril de 2020.

“Desde a primeira semana da crise no Brasil verificamos uma grande mobilização do setor empresarial, uma vontade de ajudar, fazer alguma coisa. Também percebemos uma preocupação com a cadeia de valor, geralmente formada por empresas menores que seriam mais impactadas com os efeitos econômicos da pandemia”, diz Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global.

“Hoje, mais de um mês depois, é evidente a evolução dessas discussões, que ganham mais maturidade com as articulações e um melhor entendimento das necessidades e com a incorporação de preocupações relacionadas à retomada da economia.”

A seguir os principais destaques do relatório:

Ponto de vista das empresas

97% dos respondentes nas empresas disseram concordar que as marcas têm obrigação de contribuir para a solução dos desafios que chegam com a pandemia;
94% disseram concordar que as empresas têm responsabilidade em ajudar o governo na crise;
88% disseram concordar que não atuar para ajudar durante a crise da COVID-19 pode prejudicar a reputação da empresa;
63% disseram concordar que os consumidores irão recompensar a empresa que adotar medidas para ajudar na crise da COVID-19, comprando ou divulgando seus produtos e/ou serviços.

Funcionários em primeiro lugar

87% dos respondentes nas empresas disseram concordar que as empresas são responsáveis pelo bem-estar físico e financeiro de seus funcionários, mesmo que elas enfrentem problemas financeiros durante a pandemia;
72% afirmaram ter políticas para manter os empregos;
42% afirmaram que sua empresa está conduzindo ações educativas e sociais, como doações financeiras e/ou de equipamentos;
9% afirmaram que sua empresa está atuando junto a órgãos governamentais.

Comunicação

37% disseram acreditar que as empresas correm o risco de serem julgadas como oportunistas se comunicarem suas ações para ajudar na crise.

Recomendações da Rede Brasil do Pacto Global

Proteja seus funcionários: Zelar pela saúde e pelo bem-estar dos funcionários é visto como dever dos empregadores. As empresas não devem medir esforços para que isso aconteça.

Atue além da empresa: As empresas têm um papel vital para desempenhar na crise e é esperado que elas atuem também pelo bem de seus públicos externos e sociedade em geral. Aja de acordo com a sua realidade. Toda atitude, independentemente do porte e da capacidade da empresa, será bem-vinda. Use recursos existentes e muita criatividade para fazer a diferença.

Não aja sozinho: Há força na colaboração. Para ajudar as pessoas durante a crise, é necessário unir forças, principalmente com o governo.

Se posicione e comunique suas ações: Não é momento de ser low profile. As marcas devem comunicar o seu papel no enfrentamento da crise, pois isso gera conforto às pessoas. Ao ir a público, as lideranças devem falar de forma empática e com base em fatos.

Assista ao webinar de apresentação do estudo:

Quarentena com o Pacto aborda relação entre pandemia e sustentabilidade

Profissional em trabalho remoto é uma das medidas relatadas pelas empresas do Pacto Global para conter o coronavírus. Foto: Pixabay

Profissional em trabalho remoto é uma das medidas relatadas pelas empresas do Pacto Global para conter o coronavírus. Foto: Pixabay

A Rede Brasil do Pacto Global promove a segunda edição do projeto Quarentena com o Pacto, que promove discussões sobre a pandemia sob a perspectiva dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e dos Dez Princípios do Pacto Global. Confira abaixo os próximos webinars:

Covid-19: perspectivas, articulação e apoio

Rede Brasil convida lideranças para abordar o atual cenário e perspectivas econômicas e sociais da COVID-19, assim como o papel das iniciativas privada e pública no contexto de pandemia.

Participantes:

  • Julien Imbert – Sócio do BCG no Brasil
  • Teresa Vernaglia – CEO da BRK Ambiental
  • Nicola Cotugno – CEO da Enel Brasil
  • Jonas Donizette – Presidente da Frente Nacional de Prefeitos
  • Mediação: Rodolfo Sirol – Presidente do Conselho de Administração da Rede Brasil do Pacto Global

Data e hora: 29 de abril, às 14h. Inscrições aqui.

Comunicação, reputação e propósito em tempos de pandemia

A COVID-19 está moldando nossa rotina e nosso futuro em diversos aspectos, sejam eles sociais ou individuais. A forma como as empresas se posicionam neste momento em resposta à pandemia pode ser um fator decisivo para proteger e recuperar a reputação frente a uma nova recessão. Como as marcas se inserem nesse contexto? E o que podemos esperar do “novo normal” no que se refere à reputação e ao propósito das organizações?

Participantes:

  • Carlo Pereira – diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global
  • Eraldo Carneiro – head de Consultoria em Gestão Estratégica de Reputação e Propósito da InPress Porter Novelli
  • Roberta Machado – CEO InPress Novelli
  • Sonia Favaretto – presidente do Conselho Consultivo da GRI Brasil e SDG Pioneer do Pacto Global

Data e hora: 5 de maio, de 11h às 12h30. Inscrições aqui.

Importância da Devida Diligência em Direitos Humanos e os desafios durante a epidemia

Ao longo de suas cadeias de valor, as empresas podem ter um enorme impacto na vida das pessoas em todo o mundo. Especialmente em tempos de crise, líderes empresariais devem estar cientes de suas responsabilidades de praticar due diligence em direitos humanos. Neste webinar, Löning – Human Rights & Responsible Business, apresentará uma ferramenta digital criada com intuito de ajudar empresas a dar o primeiro passo para cumprir essa responsabilidade.

Convidados:

  • Löning – Human Rights & Responsible Business

Data e hora: 13 de maio, de 10h às 11h. Inscrições aqui.

COVID-19 e Clima: Efeitos da pandemia nos padrões de emissões e agenda de enfrentamento das mudanças climáticas

Segundo o coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedi, o período crítico da COVID-19 deve reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa, especialmente no setor energético. Por outro lado, estamos intensificando outros impactos como o uso de materiais e embalagens descartáveis. Alguns destes efeitos são temporários e serão revertidos assim que a economia começar a se recuperar. Outros poderão ser mais perenes, como a redução das viagens aéreas de negócios. Neste webinar iremos discutir estes e outros efeitos da pandemia nos padrões de emissão de GEE e na agenda de mudança do clima.

Convidado:

  • Tasso Azevedo – coordenador MapBiomas e SEEG
  • Abertura de Carlo Pereira – Diretor-executivo da Rede Brasil co Pacto Global

Data e hora: 14 de maio, de 14h às 15h30. Inscrições aqui.

COVID-19 e Corrupção: como empresas e suas áreas de integridade estão respondendo

Esse webinar, mediado pelo Fórum Econômico Mundial, traz como foco central a discussão de como as empresas brasileiras e suas áreas de integridade e compliance têm reagido aos desafios que o momento coloca, principalmente em termos de corrupção. O webinar convida empresas da Rede Brasil do Pacto Global a discutir os desafios anticorrupção nas suas ações atuais de reação à crise, principalmente nas doações.

Convidados:

  • Silvio Dulinsky – membro do comitê executivo do Fórum Econômico Mundial

Data: 20 de maio, de 11h às 12h. Inscrições aqui.

Sem a Amazônia, agronegócio e geração de energia entram em colapso no Brasil

Por: Site
A Amazônia depende de imensas quantidades de chuva para manter seu equilíbrio ecológico. Essa abundância está em risco à medida que mudanças no clima e desmatamento acentuam os períodos de seca no bioma. Foto: © Fernando Lessa/TNC

Ultrapassar o ponto de inflexão que transformaria a Floresta Amazônica em uma savana seria “catastrófico” para os principais setores da economia brasileira, alertam especialistas. Os impactos alcançariam sobretudo o agronegócio e a geração de energia, e poderiam repercutir na segurança alimentar internacional.

A abundância natural de água no bioma amazônico beneficia com regularidade a agricultura, o transporte de commodities pelos rios brasileiros e a produção de energia elétrica em inúmeras usinas ao longo dos rios que cortam a vasta região. Agora, porém, o ciclo hidrológico da Amazônia está sob ameaça.

A água sempre foi o sangue que dá vida à floresta tropical. Ela se infiltra no solo e nos aquíferos, flui pelos rios, sobe pelas árvores e se desloca pelo céu. O Rio Amazonas, alimentado por seus afluentes, derrama impressionantes 17 bilhões de toneladas de água no Oceano Atlântico por dia. E, num dia de sol, as árvores da região lançam outras 20 bilhões de toneladas no ar por meio da evaporação – um fluxo de umidade apelidado de “rios voadores”. É assim que a floresta úmida garante o regime pluviométrico em enormes áreas da América do Sul, inclusive nas sedentas metrópoles brasileiras.

Os cientistas há tempos vêm alertando, porém, que, se passarmos do limiar crítico – um ponto de inflexão causado pelas mudanças climáticas regionais e globais, o aumento do desmatamento e a intensificação dos incêndios florestais –, as florestas podem começar a se autodestruir. Estudos revelam que há risco de até 70% da Floresta Amazônica se transformar em área seca e degradada de savana ou vegetação rasteira num prazo de 50 anos.

Principais pontos de degradação florestal na Amazônia em 2019. Imagem: MAAP com dados de UMD GLAD, Hansen UMD Google USGS NASA e MAAP

Ponto de inflexão deve impactar ecossistemas e economias

A Floresta Amazônica e sua biodiversidade dependem de uma quantidade assombrosa de chuva para prosperar. Por isso, o agravamento das secas afeta boa parte da economia brasileira, baseada em commodities. A morte da maior floresta tropical do planeta teria imensas repercussões econômicas para o agronegócio e as usinas hidrelétricas. A Mongabay conversou com importantes cientistas que estudaram os efeitos de uma mudança épica no maior ciclo hidrológico do mundo. O cenário é preocupante.

Em primeiro lugar, alguns rios importantes da Bacia Amazônica – Xingu, Tapajós e Madeira entre eles – podem ter sua vazão reduzida drasticamente na estação seca, o que não impactaria apenas projetos ambiciosos de hidrelétricas, mas também operações de mineração que dependem das usinas para obter energia. Além disso, os cursos d’água se tornariam menos navegáveis para o transporte de minério e soja. As economias regionais seriam igualmente afetadas, prejudicando comunidades indígenas e tradicionais que dependem dos rios para pescar, beber água e se deslocar.

Área desmatada (em km2) em períodos entre agosto e janeiro nos últimos 12 anos. Fonte: Inpe

No longo prazo, a economia do país pode sofrer bastante se medidas não forem tomadas com urgência para evitar o ponto de inflexão. Em 2019, as exportações agrícolas do Brasil ultrapassaram US$ 80 bilhões, com soja e açúcar entre os produtos mais vendidos. O agravamento das secas pode fazer com que as lavouras de soja em áreas de baixo risco sejam reduzidas 40% em 50 anos.

Para reverter a tendência atual, é preciso conter as emissões globais de carbono e o desmatamento na Amazônia, e adotar a partir de já um ambicioso plano de reflorestamento, analisa o cientista climático Carlos Nobre.

Em vez disso, o governo brasileiro caminha na direção contrária. No primeiro ano do presidente Jair Bolsonaro no poder, o desmatamento atingiu seu maior nível em 11 anos. Programas de contenção do problema tiveram pessoal e verbas cortados, assim como foram flexibilizadas regras para a exportação de madeira. Os primeiros levantamentos atestam que a derrubada da floresta continua em ritmo acelerado em 2020.

Embora as políticas de desenvolvimento radicais de Bolsonaro para a Amazônia possam fazê-lo ganhar pontos com agropecuaristas em busca de lucro rápido, tais iniciativas podem incentivar o aumento do desmatamento e apressar o ponto de inflexão – o que seria devastador para a economia brasileira.

“O Brasil deveria ser o país que mais luta [para proteger a Amazônia], porque é quem tem mais a perder”, diz Nobre.

Rio Tapajós, um dos milhares de cursos d’água que alimentam a Bacia Amazônica. Foto: © Teresa Moreira /TNC

Ciclo da água na Amazônia está mudando

Há dez anos, um produtor rural brasileiro com 30 anos de experiência na Amazônia, em Rondônia, aproximou-se do pesquisador e climatologista Marcos Costa, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, e perguntou: “Por que a cada ano a chuva começa um pouco mais tarde?”

Sem ter uma resposta, Costa decidiu investigar. Sua pesquisa confirmou a observação do produtor: em média, a estação chuvosa da Amazônia estava começando a cada ano mais tarde, uma tendência impulsionada pelo desmatamento regional e pelas mudanças climáticas. Hoje, em áreas desmatadas do sul da Amazônia, o atraso sazonal das chuvas varia entre 15 e 30 dias em comparação com 1980, um período de apenas 40 anos de diferença.

E as coisas estão piorando. De acordo com Costa, também a precipitação total começa a diminuir. Um estudo da Nasa publicado em novembro revelou que a atmosfera sobre a Amazônia vem ficando mais seca nas últimas duas décadas. “Esperamos algo ainda mais sombrio no futuro”, comenta Costa. “E isso tem impacto sobre a agricultura e a geração de energia elétrica.”

A seca não é a única tendência nociva. Apesar de a Amazônia ter sofrido uma estiagem severa em 2005, 2010 e 2015, a região teve marcas históricas de inundações em 2009, 2012 e 2014. As cheias danificaram propriedades, afogaram rebanhos, inundaram plantações, aumentaram o escoamento de agrotóxicos para os rios, impactaram a pesca, aumentaram surtos de doenças e pioraram o isolamento de comunidades ribeirinhas dependentes do transporte fluvial. Na verdade, eventos extremos de variação climática – de secas a chuvas recordes – estão se tornando mais comuns.

Apesar das temporadas de inundação, a Amazônia revela-se cada vez mais árida, a tal ponto que árvores que precisam de muita água estão sendo substituídas por um tipo de vegetação adaptada à seca. Isso significa menos evaporação, argumenta Yadvinder Malhi, especialista em florestas tropicais da Universidade de Oxford. E, eventualmente, “uma vez que começarmos a ultrapassar esse ponto de inflexão, veremos um declínio nos rios e uma intensificação de eventos climáticos extremos”.

Obra de usina hidrelétrica no Rio Teles Pires, no Mato Grosso. Foto: © Fernando Lessa/TNC

O déficit hidrelétrico

As usinas hidrelétricas fornecem hoje dois terços da eletricidade do Brasil, convertendo-se em um dos principais motores do bem-estar financeiro do país. Em 2019, 31,6% da energia hidrelétrica produzida foi destinada ao setor industrial – inclusive para operações de mineração na Amazônia e em outras regiões. E 4,7% da energia gerada teve como destino o agronegócio.

Mas a variabilidade do clima já reduz a produção de energia, aponta um relatório de 2019 da Associação Internacional de Energia Hidrelétrica. O quão drástica é a redução depende do estudo que se analisa. À medida que a seca aumenta e a vazão dos rios diminui, o potencial hidrelétrico do Brasil pode cair mais de 80% antes de 2070. As hidrelétricas da Amazônia podem perder em média 40% de seu potencial de geração de energia até o fim do século, de acordo com outras análises.

Uma pesquisa liderada pelo renomado hidrologista Eduardo Martins, da Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura, comparou resultados de 25 estudos e, embora houvesse alguma variabilidade, todos apontavam para a mesma direção: as hidrelétricas da Amazônia devem perder 20% da vazão dos rios até 2070, e até 60% em 2100 nos cenários climáticos mais pessimistas.

Conforme a estação seca se estende, o número de meses de chuva em que as hidrelétricas podem operar é reduzido, com consequências econômicas importantes para o país e as grandes empresas. A mega-hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que custou US$ 9,5 bilhões (R$ 42,7 bi) e só entrou em operação total em 2019, já está enfrentando uma redução na vazão sazonal do Rio Xingu devido ao clima mais seco e ao desmatamento rio acima. Essa tendência deve piorar, fazendo com que a hidrelétrica se torne economicamente inviável – um destino que poderia condenar a mina de ouro Belo Sun, que precisa de quantidades imensas de eletricidade para operar.

Barragem principal de Belo Monte, em 27 de dezembro de 2019. Foto: Palácio do Planalto. 

O Brasil enfrenta um paradoxo energético, avalia Roberto Schaeffer, especialista em economia da energia na Universidade de São Paulo: “Países que são muito dependentes de fontes renováveis [como a energia hidrelétrica] podem ter de depender mais de combustíveis fósseis no futuro para lidar com os efeitos das mudanças climáticas.”

Uma possível prova desta afirmação: em novembro, a operadora da usina de Belo Monte, a Norte Energia, pediu autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica para construir usinas termoelétricas ao lado da mega-hidrelétrica.

De acordo com as estimativas de Schaeffer, o setor energético brasileiro precisará investir outros US$ 50 bilhões (R$ 224 bi) até 2035 para compensar as perdas de capacidade hidrelétrica por conta das mudanças climáticas. Parte desse montante servirá à compra de eletricidade de outras fontes, entre elas, provavelmente, o carvão mineral, gerador de gases de efeito estufa. “A ideia será tentar compensar a perda de energia a um custo mínimo”, explica.

A energia solar e a eólica são alternativas possíveis, mas também necessitam de novos investimentos – e apresentam desafios próprios. A fonte solar, por exemplo, só fica disponível de 10 a 12 horas por dia, e deve ser armazenada em baterias caras. “Algumas dessas baterias precisam de metais pesados, então teremos um aumento de demanda por mineração, com todos os seus impactos negativos”, acrescenta Costa. “O mundo tem uma abundância de materiais para baterias de telefones celulares e laptops. Se esses minérios começarem a ser necessários para armazenar a nossa energia, isso pode gerar outro grande problema no longo prazo.”

Mais um efeito dominó: se a seca fizer com que mais fazendeiros precisem irrigar suas plantações, a medida poderá reduzir ainda mais a vazão dos rios, piorando de vez a crise hidrelétrica.

“Diante das alterações no regime hidrológico, o Brasil voltará à energia suja em vez da energia limpa?”, pergunta a economista Monica de Bolle, do Instituto Peterson de Economia Internacional. Para preencher o vácuo hidrelétrico, fontes de energia não-renováveis, como o gás natural ou o carvão mineral, podem voltar a ser usadas, de acordo com o plano decenal oficial de energia do Brasil.

Mesmo quando o bioma amazônico chegar ao ponto de inflexão e a vazão dos rios diminuir, com hidrelétricas produzindo menos megawatts, ainda haverá grande demanda por energia. No Brasil, as mudanças climáticas resultam na elevação das temperaturas, sobretudo nas ilhas de calor urbanas, levando à necessidade de maior uso de eletricidade para alimentar sistemas de ar condicionado e refrigeração.

Irrigação numa plantação de soja: 90% da agricultura brasileira depende da estabilidade das chuvas, deixando o setor em risco à medida que as secas na Amazônia se agravam. Foto: Flávia Milhorance.

Brasil: uma economia agropecuária dependente da natureza O ponto de inflexão da Amazônia tornará a agricultura mais difícil e mais cara, um investimento mais arriscado, alertam os cientistas. Áreas rurais consideradas hoje de baixo risco, por exemplo, passarão a ser empreendimentos de alto ou médio risco nas próximas décadas, de acordo com pesquisa do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas.

Carlos Nobre explica: o Brasil “já está no limite de produtividade [agrícola]. Se perdemos o controle do aquecimento global, estaremos falando de o Cerrado ficar inviável para a agricultura”. O Cerrado hoje é a fronteira agrícola que se expande mais rapidamente no país – um “rolo compressor” de soja, algodão, milho e pecuária, com exportações vitais para a economia brasileira.

A questão é que esse rolo compressor econômico – que fornece grandes quantidades de soja para alimentar o gado na União Europeia, China e Reino Unido – depende de chuva abundante.

Nobre ressalta que o ponto de virada da Amazônia não é meramente uma abstração futura: seus impactos já estão sendo sentidos no Mato Grosso, importante produtor de soja cujo território cobre parte da Amazônia e do Cerrado. O estado já passa por mudanças alarmantes no ciclo hidrológico.

Grandes companhias do agronegócio estão percebendo essas mudanças: a Amaggi, maior produtora de soja privada do mundo, já observa “mais concentração de chuva numa quantidade menor de dias”. A companhia está buscando tecnologia para mitigar os impactos dessa nova condição. “O mercado procurou cultivos que são resistentes a períodos mais longos de seca”, anuncia a empresa. “São recursos tecnológicos que permitem a adaptação às mudanças de precipitação que podem ocorrer entre uma safra e outra, mantendo os níveis de produção.”

A adaptação, porém, só funcionará até certo ponto. Os cientistas alertam que o aumento da seca intensificará o risco econômico dos fazendeiros. “Até agora, já houve um declínio de 100 milímetros de chuva. Quando se tem 1.500 milímetros por ano, perder 100 não parece ser um absurdo. Mas vai piorar”, diz o pesquisador Eduardo Assad, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “Se a precipitação anual cair para 1.000 milímetros, a produção ainda é possível, mas as lavouras ficarão muito vulneráveis.”

Cientistas se apressam para desenvolver variedades de soja resistentes ao calor e à seca, mas muitos deles duvidam que possam estar à frente de mudanças climáticas que avançam com rapidez. Foto: Flávia Milhorance.

A pesquisa de Assad na Embrapa levou a novas variedades de soja adaptadas à falta d’água e a mais calor, mas o melhoramento genético é um caminho longo e caro – e não é suficiente por si só. “Ok, podemos desenvolver uma soja que tolere mais 2 oC. Mas, e se a temperatura aumentar 3 oC?”, pergunta ele. Novos modelos de sensibilidade climática que ainda estão sendo testados para o ano que vem mostram um possível aumento de temperatura em 2100 de até 5,6 oC. Ninguém ainda desenvolveu uma soja que sobreviva a esse calor.

O desmatamento agrava o problema. “O efeito de uma savanização da Amazônia seria catastrófico. Não faz sentido falar em aumentar a produção agrícola com a taxa de desflorestamento que temos hoje”, conclui Assad. A derrubada das árvores seca rapidamente a paisagem, intensificando a estiagem e diminuindo a produção.

O economista Juliano Assunção, diretor-executivo da Climate Policy Initiative Brasil, concorda. “O desmatamento representa uma imensa perda de recursos. O interesse econômico [do agronegócio] nas áreas [desmatadas] é muito limitado”, diz ele, argumentando que um quarto das áreas desmatadas recentemente do Brasil é mais tarde abandonado. “O desmatamento é uma atividade ilegal com muito pouca importância econômica e baixa produtividade”, explica Assunção, embora seja uma atividade que beneficie muito os especuladores de terra e os grileiros.

A diminuição da capacidade agrícola brasileira não é uma preocupação apenas nacional. A população global deve explodir para mais de 8 bilhões em 2023 – daí a necessidade de produzir mais alimentos. Um estudo prevê que a demanda por alimentos deve aumentar em até 98% até 2050, e um Brasil mais seco terá bastante dificuldade em atender esses novos consumidores.

O ponto de inflexão da Amazônia, que intensificará as secas, não prejudicará apenas o agronegócio em grande escala, mas também os agricultores familiares brasileiros que alimentam a maior parte do país. Foto: © Kevin Arnold / TNC.

Menos água e mais demanda

Fazendeiros que buscam se adaptar à redução das chuvas por meio da irrigação não terão facilidade no novo cenário. Hoje, menos de 10% das plantações brasileiras são irrigadas, mas, com a redução das chuvas e o crescimento da demanda, é provável que aumentem as tensões e conflitos por água. “Todos estarão competindo por um recurso escasso”, diz Roberto Schaeffer.

A região Norte do Brasil já testemunhou um aumento da irrigação de mais de 240% entre 2006 e 2017. E, obviamente, quanto mais água deixa os rios e vai para as grandes plantações, menos sobrará para a geração de energia hidrelétrica, o transporte e as comunidades tradicionais da floresta.

À medida que os rios perdem volume, especialistas avaliam que os pequenos produtores serão os que provavelmente mais irão perder no “cabo de guerra” pela água da Amazônia. “Ficou mais difícil plantar culturas que demandam um período de crescimento completo de seis meses. Então os agricultores têm de optar por cultivos de ciclo mais curto. A vida ficou bem mais precária”, comenta Antônio José Bentes, coordenador da Sociedade para a Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema), uma pequena ONG com sede na Amazônia.

Bentes viu agricultores optando por cultivos que não dependem de um ciclo completo de seis meses, como a abóbora, para se adaptarem à chuva intermitente. Como pode ser cultivada em poucos meses, a produção quase dobrou no último ano. “A produção de abóbora na região de Santarém aumentou de 100 toneladas em 2018 para 180 toneladas em 2019”, diz.

“Com mudanças nos ciclos das chuvas, alteram-se os padrões de colheita e plantio. Grandes fazendeiros podem se adaptar, mas não é fácil para pequenos agricultores que usam a terra para sobreviver”, explica Monica deBolle. Mudanças no clima atingirão com impacto bem maior as famílias pobres e podem causar uma crise de migração semelhante à que está acontecendo na América Central.

Em 27 de novembro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro celebra o término oficial da construção da mega-hidrelétrica de Belo Monte, inaugurando sua última turbina. Especialistas temem que a usina nunca se torne economicamente viável devido ao agravamento da seca e ao desmatamento a montante do Rio Xingu, que reduziu sua vazão. Foto: Palácio do Planalto.

A morte da Amazônia: riscos políticos e sociais

Em seu primeiro ano no governo, Bolsonaro negou a mudança climática; seu ministro das Relações Exteriores acredita que o aquecimento global é uma farsa para que o poder econômico deixe o Ocidente e a China possa conquistar a dominação mundial. O governo também fechou os olhos para a ciência e o risco iminente do ponto de inflexão da Amazônia.

O presidente até agora mostrou desdém pela política ambiental brasileira do passado – um exemplo para o mundo, pois reduziu drasticamente o desmatamento – e é um defensor ferrenho do desenvolvimento agressivo da Amazônia, com planos para expandir a mineração, a exploração de petróleo e o agronegócio em reservas indígenas, e de construir novas estradas e hidrelétricas, iniciativas que poderão antecipar rapidamente esse ponto de virada irreversível para o equilíbrio do bioma.

Alguns produtores agrícolas pragmáticos veem como prioridade a estabilidade do clima regional, mas outros ignoram a ciência, considerando-a um mito, diz Juliano Assunção. “Todos os dias eu me pergunto por que [partes do lobby ruralista] estão lutando contra a agenda ambiental com tanta força, uma vez que ela é tão relevante para a agricultura”, diz ele. “É difícil entender qual é a lógica por trás disso. A agenda ambiental está associada a atividades econômicas relevantes. Então, por que estão desorganizando uma política que funciona, a um custo tão alto para a sua reputação?”

De fato, esse custo tende a ser bastante alto. A agenda antiambiental praticamente inegociável de Bolsonaro pode atrapalhar o fechamento do maior acordo comercial do mundo, entre o Mercosul e a União Europeia. A oposição ao pacto comercial está crescendo na UE, por causa dos incêndios do ano passado na Amazônia e das políticas do presidente.

Evitar os riscos climáticos é “de interesse do agronegócio”, resume Marcos Costa, do IPCC. Mudanças nos padrões de precipitação sazonal e total podem impactar a produtividade, os lucros e até a segurança alimentar, escreveu ele em um artigo de 2019.

Narrativas ambientais arriscadas – como o ponto de inflexão da Amazônia ou os planos de desenvolvimento de Bolsonaro para a região – podem também afastar investidores do agronegócio e aumentar a ameaça de boicotes de consumidores internacionais, acredita Monica deBolle. “A força geopolítica brasileira é o meio ambiente”, diz ela. “Até pouco tempo atrás, estávamos numa posição privilegiada.”

O atual problema de imagem do Brasil não é apenas ambiental, mas também social e econômico, acrescenta deBolle, observando que uma porção considerável da população amazônica vive do extrativismo. “Com a floresta morrendo, a subsistência acaba. O que acontecerá com essas pessoas numa situação em que a floresta começar a desaparecer?”

A aparente abundância de água da Amazônia alimenta a floresta, a agricultura e a infraestrutura energética do Brasil. Mas, a menos que algo seja feito, essa fonte poderá secar, devastando a economia do país. Foto: Rhett A. Butler /Mongabay.

A tendência é a de que as posições extremas de Bolsonaro gerem uma reação ainda mais dura dentro e fora do país nos próximos três anos de seu mandato, à medida que ele faz pressão para explorar a floresta, colocando o Brasil e o planeta em risco.

De acordo com um relatório recente do Observatório do Clima, nenhuma das metas brasileiras para o Acordo do Clima de Paris de 2015 foi cumprida – e as metas de desmatamento de 2020 já foram ultrapassadas. “O que acontece no Brasil não fica só no Brasil”, alerta a ONG. A morte da Amazônia pode ter impactos globais, com o Brasil sozinho colocando em risco o principal objetivo do Acordo de Paris: estabilizar o aquecimento global em 1,5oC acima dos níveis pré-industriais.

Não é um desafio que cabe apenas aos brasileiros, diz Roberto Schaeffer. “Não se trata só do que pode ser feito aqui. Mesmo que o Brasil reduza violentamente suas emissões [contendo o desmatamento], e a China e a Europa não reduzam as suas, isso não resolve o problema.” A mudança climática global continuará empurrando a Amazônia rumo ao ponto de inflexão, só que mais lentamente.

“O que o mundo pode fazer [para salvar a Amazônia] é simples: cumprir as promessas feitas por aquelas pessoas respeitáveis de terno e gravata no Acordo de Paris”, conclui.

Por: Shanna Hanbury
Fonte: Mongabay

OMS e UIT trabalham com empresas de telecom para enviar informações de saúde por SMS

Agora, mais do que nunca, a tecnologia deve garantir que todos possam acessar as informações das quais precisam. Foto: MGov

Agora, mais do que nunca, a tecnologia deve garantir que todos possam acessar as informações das quais precisam. Foto: MGov

Com apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a União Internacional de Telecomunicações (UIT) trabalharão com empresas de telecomunicações para enviar mensagens de texto com informações de saúde para ajudar as pessoas a se proteger da COVID-19. Essas mensagens de texto chegarão a bilhões de pessoas que não têm acesso à Internet.

Agora, mais do que nunca, a tecnologia deve garantir que todos possam acessar as informações das quais precisam. A colaboração começará na região Ásia-Pacífico e posteriormente será lançada mundialmente.

O objetivo é alcançar todas as pessoas com mensagens vitais de saúde, independentemente de seu nível de conectividade. Estima-se que 3,6 bilhões de pessoas permaneçam offline, com a maioria das pessoas desconectadas vivendo em países de baixa renda, onde cerca de duas em cada dez pessoas têm acesso à Internet.

A UIT e a OMS apelam a todas as empresas de telecomunicações em todo o mundo para que se juntem a esta iniciativa para salvar vidas. A ação baseia-se nos esforços atuais de ambas as organizações para disseminar mensagens de saúde por meio da BeHealthy BeMobile.

A COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus, está provocando a primeira pandemia da história onde a tecnologia e as mídias sociais estão sendo usadas em grande escala para manter as pessoas seguras, produtivas e conectadas enquanto estão fisicamente separadas.

Os profissionais de saúde estão utilizando a telemedicina para diagnosticar pacientes e os hospitais estão conectados para coordená-los.

Redes e serviços de telecomunicações resilientes e confiáveis são essenciais, à medida que mais países, empresas e indivíduos recorrem às tecnologias digitais para responder e lidar com os impactos da COVID-19.

Com base em uma colaboração de longa data, a UIT e a OMS estão comprometidas em identificar e dimensionar as melhores soluções de saúde digital baseadas em evidências e em alavancar tecnologias importantes, como inteligência artificial e big data, para diagnosticar, conter e prever melhor e mais rapidamente os surtos.

ONU Mulheres faz chamado ao setor privado por igualdade de gênero na resposta à COVID-19

Enfermeira mede a temperature de menina num Centro de Atenção à Saúde Primária em Beirute, no Líbano, durante a crise da COVID-19. Foto: Fouad Choufany/UNICEF

Enfermeira mede a temperatura de menina num Centro de Atenção à Saúde Primária em Beirute, no Líbano, durante a crise da COVID-19. Foto: Fouad Choufany/UNICEF

O setor privado tem a responsabilidade de usar seu poder, influência e recursos para proteger os direitos e o bem-estar físico e mental de funcionárias e funcionários, além de garantir que os esforços de recuperação de negócios a longo prazo retomem a estabilidade econômica.

A pandemia da COVID-19 está afetando as mulheres de várias maneiras, desde preocupações com sua saúde, segurança e renda, até responsabilidades adicionais de assistência e maior exposição à violência doméstica.

Como empregador e um motor de crescimento econômico, o setor privado tem um papel especialmente importante a desempenhar, não apenas na mitigação do impacto da COVID-19, mas na redução da propagação do vírus.

A ação precoce e direcionada do setor privado reduzirá os riscos imediatos à saúde de funcionárias e funcionários, além de reduzir o impacto econômico geral.

Os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs) são um conjunto de sete princípios que oferecem orientação às empresas sobre como promover a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres no local de trabalho, mercado e comunidade.

Durante esse período de agitação e incerteza, os WEPs são um grande recurso para o setor privado, ajudando-o a proteger os grupos mais vulneráveis.

Princípios de empoderamento das mulheres

COVID-19 e igualdade de gênero: uma apelo à ação para o setor privado

A situação

A pandemia de COVID-19 está colocando uma pressão significativa e sem precedentes na economia global e nos sistemas de saúde pública. Isso está também ampliando as desigualdades e as formas múltiplas e cruzadas de discriminação enfrentadas por mulheres e meninas.

A pandemia está indo além de uma crise global de saúde e se transformando em uma crise do mercado de trabalho, social e econômica, representando uma séria ameaça ao emprego e à sobrevivência das mulheres, especialmente em setores informais precários e não essenciais.

Muitas empresas enfrentaram o desafio e estão usando seus recursos para fornecer informações, suprimentos, equipamentos e pessoas especializadas na luta contra a COVID-19.

Elas também ofereceram acordos de trabalho flexíveis, licença médica, garantia de renda e assistência infantil emergencial às trabalhadoras e aos trabalhadores da linha de frente.

Algumas lideranças têm cortado parte dos seus salários para que funcionárias e funcionários das empresas ainda tenham uma renda durante esse período incerto. Essas políticas não estão apenas servindo a essas pessoas, mas estão ajudando a reduzir a disseminação da COVID-19 e proteger o sistema público de saúde.

Ao mesmo tempo, algumas empresas, principalmente em setores não essenciais, como turismo e hotelaria, estão lutando para permanecer no mercado. Mas muitas pessoas estão sendo demitidas ou recebendo cortes salariais.

Na União Europeia, cerca de 25% das mulheres empregadas estão em empregos precários. Nos Estados Unidos, o desemprego foi estimado em 13% em 3 de abril de 2020, um aumento de 8,5 milhões de pessoas em relação a meados de março. Milhões de famílias estão sem condição de comprar produtos de necessidade básica ou pagar aluguel e serviços públicos.

A pandemia COVID-19 exige uma resposta imediata coordenada, centrada nas pessoas e sensível a gênero. Governos, empresas, representações trabalhistas, trabalhadoras e trabalhadores precisam estar envolvidos para mitigar o impacto na vida das pessoas e abordar os riscos e vulnerabilidades específicos que meninas e mulheres enfrentam devido às desigualdades e estereótipos profundamente enraizados na sociedade.

O setor privado tem a responsabilidade de usar seu poder, influência e recursos para proteger os direitos e o bem-estar físico e mental das funcionárias e funcionários durante esse período, além de garantir que os esforços de recuperação de negócios a longo prazo restaurem a estabilidade econômica.

As empresas também desempenham um papel fundamental no atendimento às necessidades das mulheres em suas cadeias de suprimentos e base de clientes.

“A pandemia de COVID-19 não é apenas um problema de saúde. É um choque profundo para nossas sociedades e economias, e as mulheres estão no centro dos esforços de atendimento e resposta em andamento. Como respondentes da linha de frente, profissionais de saúde, voluntárias da comunidade, gerentes de transporte e logística, cientistas e muito mais, as mulheres estão fazendo contribuições críticas para lidar com o surto todos os dias.”

A Covid-19 terá efeitos a curto e longo prazo na economia global. As demissões que estamos testemunhando hoje serão sentidas nos meses e anos que se seguirão nas cadeias de suprimentos globais, inclusive em países que atualmente não estão no epicentro da pandemia.

Você sabia?

• Impactos econômicos compostos são sentidos especialmente por mulheres e meninas que geralmente estão ganhando menos, economizando menos e mantendo empregos inseguros ou vivendo perto da pobreza.
• As cadeias globais de valor estão sendo interrompidas pela COVID-19. As mulheres desempenham um papel fundamental em todos os setores produtivos, como agricultoras, trabalhadoras, empreendedoras, compradoras, prestadoras de serviços e funcionárias.
• As mulheres estão na linha de frente como profissionais de saúde, trabalhando longas horas e se expondo a riscos enquanto cuidam de pacientes. No entanto, seus empregos geralmente são os mais subvalorizados e mal-pagos.
• Embora os primeiros relatórios revelem que mais homens estão morrendo como resultado da COVID-19, a saúde das mulheres geralmente é afetada negativamente pela realocação de recursos e prioridades, incluindo serviços de saúde sexual e reprodutiva.
• O fechamento de escolas e de creches impuseram encargos adicionais significativos para as mulheres em casa. Ele enfatizou a dependência da sociedade em mulheres e meninas em estruturas de cuidados informais e formais.
• O impacto nas empresas não essenciais, especialmente no setor de serviços, é particularmente preocupante para as mulheres como proprietárias e como funcionárias. Muitas delas estão perdendo seus meios de subsistência porque trabalhar em casa não é uma opção.

Globalmente, as mulheres representam 55,8% das pessoas que trabalham nas indústrias de serviços, enquanto no G7 as mulheres representam cerca de 88% da força de trabalho da indústria de serviços. A maioria não pode trabalhar remotamente e pode exigir apoio adicional para crianças ou pessoas mais velhas da família quando saem de casa para trabalhar.

• À medida que a pandemia COVID-19 aprofunda o estresse econômico e social, juntamente com medidas restritas de movimento e isolamento social, a violência baseada em gênero está aumentando exponencialmente.
• O isolamento e o distanciamento social aumentaram o risco de violência e abuso doméstico. As mulheres em relacionamentos violentos não são apenas expostas ao agressor por longos períodos de tempo, são impossibilitadas de sair de casa ou pedir discretamente por ajuda.
• As mulheres tendem a precisar muito mais de transporte público do que os homens, colocando mulheres em maior risco de pegar o COVID-19 enquanto se deslocam para o trabalho, cuidam de parentes ou fazem compras no mercado.
• O distanciamento social não é possível para todas as pessoas. Milhões de famílias dependem dos cuidados diários e da ajuda das mulheres como cuidadoras primárias.

Chamado à ação – Empresas signatárias dos Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs)

Além de cumprir as políticas e mandatos locais e nacionais relacionados à COVID-19, as empresas devem levar em consideração as três prioridades transversais estabelecidas pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres:

1. Garanta a representação igual das mulheres em todo o planejamento e tomada de decisões da COVID-19;
2. Promova mudanças transformadoras pela igualdade, abordando questões de assistência remunerada e não remunerada;
3. Segmente mulheres e meninas em todos os esforços para lidar com o impacto socioeconômico da COVID-19.

Essas prioridades transversais devem fazer parte de qualquer resposta à COVID-19, inclusive por meio da estrutura WEPs, e devem estar centradas em funcionárias, mulheres empreendedoras nas cadeias de suprimentos globais, consumidoras e mulheres e meninas nas comunidades locais.

Essas prioridades visam garantir que ninguém seja deixada para trás durante ou após a crise da COVID-19.

Liderança

• Garanta que as políticas específicas da COVID-19 e as respostas a crises sejam sensíveis ao gênero e inclusivas, consultando as partes interessadas internas e externas;
• Consulte e colabore com governos, trabalhadores, trabalhadoras, empregadoras e empregadores e representantes, que são essenciais para que as respostas sejam efetivas e sustentáveis. As mulheres devem ter oportunidade de participar;
• Sinalize publicamente o compromisso da liderança e da equipe executiva de abordar as desigualdades de gênero, especialmente durante a pandemia da COVID-19;
• Garanta que haja diversidade e que as vozes das mulheres tenham um papel nas forças-tarefa de crise e nas equipes de resposta, e que mulheres e homens tenham representação e envolvimento equitativo nas decisões;
• Estabeleça canais de comunicação internos claros para as funcionárias e funcionários com atualizações e conselhos regulares e precisos sobre a situação da COVID-19;
• Apoie o trabalho remoto em escala e tenha atenção às tensões eventuais decorrentes da infraestrutura de tecnologia da informação e comunicações existente;
• Divulgue os impactos diferenciados de gênero da pandemia e incentive outras empresas a assinar os WEPs.

Ambiente de trabalho

• Esteja atenta e atento a funcionárias e funcionários com responsabilidades de cuidado, e acomode as necessidades adicionais que elas e eles possam ter durante este período de crise. Isso inclui horários flexíveis de trabalho para as mães e pais, principalmente mães solteiras e pais solteiros e de crianças com deficiência;
• Adote acordos de trabalho flexíveis com remuneração integral durante e além da crise da COVID-19. Pague pelo menos um salário digno a trabalhadoras e trabalhadores de curto prazo e contratados, e ofereça licença médica, familiar e emergencial remunerada;
• Incentive funcionárias e funcionários a compartilhar o ônus do trabalho doméstico e do cuidado não remunerado de crianças, pessoas idosas e familiares com deficiências;
• Considere a saúde física, mental e emocional de todas as funcionárias e todos os funcionários e esteja ciente do aumento da exposição das mulheres à violência doméstica enquanto estiverem confinadas em casa. Considere estabelecer uma pessoa de contato especial dentro do recursos humanos para apoiar a equipe que sofre violência doméstica;
• Compartilhe amplamente, com todos as funcionárias e funcionários, informações sobre serviços públicos, incluindo linhas diretas de violência doméstica e serviços de apoio a sobreviventes de violência, serviços de apoio psicossocial e assistência médica pré e pós-natal.

Mercado

• Aproveite a oportunidade para descobrir novas empresas locais, principalmente empresas pertencentes a mulheres que são afetadas pela crise ou aquelas que estão ajudando na resposta à pandemia. Compre seus produtos e serviços e incentive suas parcerias de negócios a fazer o mesmo;
• Tenha solidariedade com mulheres empresárias que tiveram que fechar seus negócios por causa do COVID-19 e podem estar tendo dificuldades para pagar dívidas. Ofereça produtos e serviços financeiros direcionados para salvá-las da falência;
• Tome medidas proativas por meio de comunicações internas e externas para desafiar os estereótipos e papeis de gênero, discriminação, desigualdade e masculinidades agressivas.

Comunidade

• Promova a conscientização e a visibilidade de pequenas organizações independentes e de mulheres ou homens que estão na linha de frente dos esforços de resposta à pandemia;
• Conceda doações a organizações e instituições, como associações de mulheres e abrigos que apoiam mulheres com necessidades específicas: idosas, sobreviventes de violência, mães solteiras e mulheres com deficiência;
• Doe equipamentos de proteção individual, alimentos e serviços para apoiar a vida cotidiana das pessoas da comunidade e ofereça uma moratória de curto prazo nas despesas domésticas, como aluguel e serviços públicos.

Transparência e relatórios

• Colete e relate dados desagregados por sexo, raça e etnia relacionados à evolução das taxas de infecção, impactos econômicos, carga de assistência e incidência de violência e abuso sexual;
• Compartilhe informações sobre a resposta diferenciada por gênero à COVID-19 como parte de seu compromisso com os WEPs.

Países das Américas coordenaram ações para garantir alimentos na pandemia

Os ministros destacaram a importância da disponibilidade de alimentos a preços convenientes em meio à pandemia de COVID-19. Foto: EBC

Os ministros destacaram a importância da disponibilidade de alimentos a preços convenientes em meio à pandemia de COVID-19. Foto: EBC

Ministros e Secretários de Agricultura de 34 países das Américas se reuniram na última quarta-feira (22) remotamente para compartilhar políticas, ações e planos para enfrentar o impacto da pandemia de COVID-19 na segurança alimentar de suas populações, na agricultura, nos sistemas alimentares e no mundo rural.

Autoridades da América do Norte, América do Sul, América Central e Caribe compartilharam suas experiências e as medidas que estão implementando para garantir sua produção e a oferta de alimentos.

Os ministros destacaram a importância da disponibilidade de alimentos a preços convenientes e que produção, distribuição e venda sejam realizadas com o menor risco para a saúde de todos os que participam da cadeia alimentar. Também enfatizaram a necessidade de impulsionar o comércio de alimentos entre países da própria região.

A inédita Reunião Hemisférica de Ministros e Secretários de Agricultura foi organizada pelo Instituto Interamericano de Cooperação em Agricultura (IICA) e pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em resposta a uma solicitação do Ministério da Agricultura do Chile.

“A FAO e o IICA têm um papel muito relevante e uma grande experiência para conseguir uma melhor coordenação dos esforços que devemos fazer em termos de abastecimento e alimentação para os nossos cidadãos”, disse Antonio Walker, ministro da Agricultura do Chile.

“A cooperação internacional é uma das principais ferramentas que temos para enfrentar os efeitos da pandemia; nenhum país sozinho poderá garantir a alimentação de sua população”, disse Julio Berdegué, representante regional da FAO para a América Latina e o Caribe. “Esta crise nos ensina que devemos acelerar a transformação dos sistemas alimentares para torná-los mais resilientes, inclusivos e sustentáveis ”.

“Esta reunião hemisférica é um sinal dos tempos que estão por vir, de cooperação, complementaridade e trabalho conjunto. Serão necessárias políticas e Estados mais inovadores e instituições mais flexíveis. Os modelos tradicionais foram rompidos. Precisamos mais do que nunca de mais cooperação para termos políticas públicas melhores, sólidas, para um setor como a agricultura que é estratégico para manter o mundo em pé”, disse Manuel Otero, diretor-geral do Instituto Interamericano de Cooperação Agrícola (IICA).

Medidas dos países

O secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, Víctor Villalobos, destacou a importância de evitar ações unilaterais que afetem o fluxo de alimentos, implementar todas as medidas sanitárias necessárias para comercializar alimentos e estabelecer canais de comunicação internacionais e inter-regionais para comercializar alimentos.

Villalobos também propôs que os 34 países criassem uma força-tarefa conjunta para lidar com a pandemia e a pós-pandemia. O representante regional da FAO e o diretor-geral do IICA apoiaram a proposta e indicaram que ambas as instituições poderiam facilitar o trabalho dessa equipe.

Antonio Walker, ministro da Agricultura do Chile, destacou que o Conselho Agrícola do Sul (CAS) está focado em manter o abastecimento de alimentos, mercados internacionais abertos e transparentes, reduzir as lacunas territoriais urbano-rurais e realizar uma análise de como enfrentar a situação pós-pandemia. O ministro destacou a importância da agricultura familiar nesse cenário e a necessidade de compartilhar protocolos sanitários que abranjam toda a cadeia alimentar.

Mauricio Guevara, secretário de Agricultura e Pecuária de Honduras, explicou que o Conselho Agrícola da América Central (CAC) está realizando um cadastro para saber exatamente quanta comida há em cada país do CAC, quais são os excedentes e as necessidades.

Saboto César, ministro da Agricultura, Indústria, Florestas, Pesca e Transformação Rural de São Vicente e Granadinas, falou em nome da Comunidade do Caribe (CARICOM). “Estamos enfrentando uma interrupção no comércio de produtos agrícolas básicos na CARICOM, por rompimentos na cadeia de fornecimento de alimentos e insumos”.

Saboto César destacou o apoio do governo para que os produtores tenham elementos de proteção, assistência técnica para os países, aumento do comércio de alimentos entre os países da CARICOM e cooperação Sul-Sul entre a CARICOM, e da Cooperação Sul-Sul entre CARICOM e América do Sul para o comércio de alimentos.

O ministro da Agricultura e Pecuária do Equador, Xavier Lazo, representando os países andinos, destacou que muitos pequenos agricultores começaram a usar plataformas tecnológicas para alcançar as pessoas de maneira mais direta, até mesmo fornecendo alimentos direto nos domicílios.

“As cadeias agroalimentares serão essenciais para manter o emprego e serão motores para uma rápida recuperação pós-crise”, explicou Tereza Cristina Corrêa, ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil. “O comércio livre e justo é a chave para o fornecimento de alimentos, especialmente para as áreas mais pobres do mundo”. A ministra também destacou a importância da agricultura familiar.

O subsecretário de Agricultura para o Comércio e Assuntos Agrícolas Estrangeiros dos Estados Unidos, Ted McKinney, destacou a importância de promover a inovação para aumentar a produção de alimentos e a relevância da futura I Cúpula Mundial sobre Sistemas Alimentares, promovida pelas Nações Unidas, como instância-chave para fortalecer o sistema alimentar global.

A reunião também contou com a participação de autoridades regionais e especialistas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco Centro-Americano de Integração Econômica (CABEI), do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Caribe (CARDI), da Agência de Saúde Agrícola e Segurança Alimentar do Caribe (CAHFSA), Banco de Desenvolvimento para a América Latina (CAF), Comissão Interamericana de Mulheres (CIM), Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Comunidade do Caribe (CARICOM), Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), Organização Regional Internacional para a Saúde Agrícola (OIRSA) e Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Curitiba combina design e tecnologia para produzir protetores faciais impressos em 3D

Foto: UNESCO

Para lidar com o atual surto da COVID-19, a cidade de Curitiba mobilizou sua experiência em design e inovação para começar a produzir protetores faciais impressos em 3D para proteger seus profissionais de saúde.

Por meio de uma colaboração entre diversas agências do município, como a Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, a Fundação de Ação Social e a Secretaria de Educação, juntamente com instituições do setor privado, foram captados os recursos necessários, que resultaram em uma linha de produção de protetores faciais impressos em 3D. Atualmente, o Fab Lab, o laboratório de fabricação do município, está produzindo cerca de 220 unidades por dia.

Curitiba, uma das Cidades Criativas de Design da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), é conhecida por seus dinâmicos e modernos cenários de design e é considerada uma referência nacional e internacional em inovação e cultura urbana. A cidade se diversificou e fortaleceu seu desenvolvimento econômico através de investimentos estratégicos nas indústrias criativa e cultural.

A iniciativa é um esforço sincronizado entre órgãos públicos e privados na produção desses protetores. Por exemplo, a Maha 3D, uma startup curitibana especializada em fornecer soluções técnicas em impressão 3D, fez ajustes técnicos no modelo de proteção existente para simplificar e agilizar o processo de produção. O município assumiu a responsabilidade de adquirir a placa frontal transparente do protetor facial, e as impressoras 3D usadas no projeto Faróis do Saber e Inovação, que ensina aos estudantes prototipagem e impressão 3D, foram disponibilizadas para produzir os protetores faciais.

A iniciativa chama ainda todas as empresas, laboratórios e indivíduos que possuem uma impressora 3D para que se unam a esse esforço comum e contribuam para ajudar na segurança dos profissionais de saúde enquanto tratam dos pacientes hospitalizados.

Link: https://www.citiesforglobalhealth.org/initiative/curitiba-uses-3d-printers-produce-face-shields

OIT elogia ação conjunta para enfrentar ameaças da COVID-19 à indústria global do vestuário

O objetivo é mobilizar fundos suficientes para permitir que os fabricantes garantam a continuidade de suas atividades. Foto: OIT/Jean‐Pierre Pellissier

O objetivo é mobilizar fundos suficientes para permitir que os fabricantes garantam a continuidade de suas atividades. Foto: OIT/Jean‐Pierre Pellissier

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) saudou o chamado à ação feito por organizações de empregadores e trabalhadores da indústria do vestuário global, de grandes marcas e de grandes distribuidores para trabalhar com governos e instituições financeiras a fim de lidar com as sérias consequências econômicas causadas pela pandemia de COVID-19.

A iniciativa reúne os principais atores do setor em meio aos impactos sociais e econômicos sem precedentes que resultaram no fechamento de fábricas e de lojas, em desemprego e na perda generalizada de renda.

A ação foi anunciada por meio de uma declaração conjunta de Organização Internacional de Empregadores (OIE), Confederação Sindical Internacional (ITUC) e IndusriAll Global Union.

O objetivo é mobilizar fundos suficientes para permitir que os fabricantes garantam a continuidade de suas atividades, o pagamento de salários e estabeleçam mecanismos de apoio à renda e à retenção de emprego para proteger os salários, a saúde e o emprego dos trabalhadores do setor.

“A Organização Internacional do Trabalho está profundamente preocupada com a ameaça que o COVID-19 representa para milhões de empregos na indústria global do vestuário”, disse Guy Ryder, diretor-geral da OIT.

“Esta é uma crise sem precedentes que só pode ser superada com a solidariedade internacional. A prioridade deve ser apoiar as empresas e proteger os trabalhadores. Para isso, é essencial um diálogo social eficaz entre governos e organizações de empregadores e de trabalhadores. Apelamos a todos os atores a responder a esse chamado à ação e tomar medidas comuns que nos ajudarão a evitar uma catástrofe para a indústria. ”

Empregadores, trabalhadores, distribuidores e grandes marcas que participam desta iniciativa formarão um grupo de trabalho internacional – convocado pela OIT – para implementar medidas a fim de limitar os danos causados pela pandemia às empresas e aos meios de subsistência.

O grupo de trabalho também se compromete a apoiar o desenvolvimento e a expansão de sistemas de proteção social para trabalhadores e empregadores da indústria do vestuário, como parte da recuperação.

“As repercussões econômicas da pandemia da COVID-19 nessa importante indústria exigem uma resposta global”, disse Roberto Suárez Santos, secretário-geral da OIE. “A OIE se une a este chamado à ação com o objetivo de apoiar a continuidade das empresas e os meios de subsistência dos trabalhadores da indústria do vestuário durante este período crítico. Esta é uma iniciativa voluntária que se concentra na mobilização de ações coletivas. Não pretende ignorar os atores, empresas ou organizações que não podem participar”.

A secretária-geral da ITUC, Sharan Burrow, destacou a necessidade de cooperação: “Não podemos permitir a devastação humana e econômica que significa o colapso de nossa cadeia de suprimentos global, nem que milhões de pessoas nos países em desenvolvimento sejam lançadas de volta à pobreza.”

“Empregos, renda e proteção social são os dividendos da continuidade dos negócios, e esta declaração exige que fundos de emergência e proteção social sejam destinados aos trabalhadores para garantir a sobrevivência da indústria nos mais pobres de nossos países. A liderança e a cooperação de todas as partes interessadas são essenciais para tornar realidade um futuro baseado na resiliência e no trabalho decente. ”

Projeto do PNUD contribui para conservação do cerrado e da caatinga em Minas Gerais

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Localizado na região Nordeste do Estado do Minas Gerais, o Território do Alto do Rio Pardo abriga a transição de dois importantes biomas nacionais: a caatinga e o cerrado. Com mais de 16 mil quilômetros quadrados, reúne 192 mil habitantes em 15 cidades e nas áreas rurais, que abrigam cerca de 45 de toda a população da região (aproximadamente 86 mil pessoas).

A fauna e a flora locais são típicas de paisagens da caatinga e do cerrado, com alta biodiversidade e grande potencial econômico para a população local. Mesmo com a capacidade de geração de riqueza, de forma sustentável, a região enfrenta desafios que envolvem diretamente as famílias do Território e o setor privado.

A mineração, a monocultura de eucalipto praticada por empresas multinacionais e a agricultura irrigada são alguns dos obstáculos para a preservação da biodiversidade local e da cultura tradicional do povo “geraizero”, que é como se identificam as pessoas que ali vivem e têm as raízes na cultura e tradição locais.

O projeto Bem Diverso, implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e com recursos do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), está atuando na região para contribuir para a conservação da biodiversidade brasileira em paisagens de múltiplos usos, por meio do manejo sustentável da biodiversidade e de sistemas agroflorestais.

A parceria com entidades locais é um dos fortes eixos de implementação das ações no Território. Um exemplo é o trabalho conjunto com o Centro de Agricultura Alternativa (CAA), que atua na valorização e fortalecimento da agroecologia local sustentável e colabora com mais de 3 mil famílias no Alto do Rio Pardo.

Frutas nativas – Pequi, buritis, araticum, café, tamarindo e coquinho azedo são plantas prioritárias na estratégia de fortalecer o extrativismo sustentável do Território. Típicas dos biomas cerrado e caatinga, elas não são tão conhecidas nacionalmente. Por isso, o Bem Diverso dá suporte para o beneficiamento das frutas para a produção em escala. Na cooperativa Grande Sertão, esses processos garantem renda extra para mais de 800 famílias da região.

Para atender à demanda local por mão de obra qualificada e que conheça a região, a Escola Família Agrícola Nova Esperança reúne características de aprendizagem totalmente adaptadas às necessidades locais. Exemplo disso é a metodologia de ensino: metade do tempo os alunos passam em sala de aula, e a outra metade, desenvolvem projetos nas comunidades locais, principalmente nas áreas de cultivo de alimentos e agricultura. O programa Bem Diverso dá estrutura completa para a aprendizagem em tempo integral.

Resultados – O Bem Diverso já capacitou mais de 2200 técnicos, estudantes e agricultores nos territórios em que atua. Seis Escolas de Família Agrícola também foram beneficiadas por ações do projeto.

Outro eixo é o mapeamento de cadeias produtivas em diferentes territórios e a viabilização de mais de R$ 2 milhões em crédito para comunidades extrativistas da Amazônia. Além disso, a parceria da Embrapa com o PNUD possibilitou fazer diagnósticos socioeconômicos com 1200 famílias e ajudou a definir exploração sustentável do uso da terra.

Parcerias – O projeto Bem Diverso é resultado de parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com recursos do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF). A execução, por sua vez, se dá mediante parceria com organizações da sociedade civil organizada e de governos locais.

Atuando em seis Territórios da Cidadania – Alto Acre e Capixaba (AC), Alto Rio Pardo (MG), Marajó (PA), Médio Mearim (MA), Sertão de São Francisco (BA) e Sobral (CE) – a iniciativa colabora com o desenvolvimento sustentável nos biomas Cerrado, Caatinga e Amazônia e fortalece a autonomia de comunidades tradicionais, de agricultores familiares , agroindústrias de pequeno porte e a biodiversidade das regiões.

De forma multidisciplinar, o projeto colabora direta ou indiretamente com a implementação dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

No Dia da Terra, chefe da ONU propõe seis ações-chave para evitar ‘ruptura climática’

Neste Dia Internacional da Terra, marcado anualmente em 22 de abril, toda a atenção está voltada para a pandemia da COVID-19. Segundo o secretário-geral das Nações Unidas, este é de fato “o maior teste que o mundo enfrentou desde a Segunda Guerra Mundial”.

“Devemos trabalhar juntos para salvar vidas, aliviar o sofrimento e diminuir as suas consequências econômicas e sociais devastadoras”, disse António Guterres, em uma mensagem em vídeo para a data.

“O impacto do coronavírus é imediato e terrível. Mas há outra emergência profunda: a crise ambiental do planeta”, destacou.

Guterres lembrou que a biodiversidade está em declínio acentuado, enquanto a ruptura climática está alcançando um “ponto sem retorno”. Ele ressaltou a importância de agir “sem hesitação para proteger o nosso planeta, tanto do coronavírus como da ameaça existencial das perturbações climáticas”.

“A crise atual é um despertar sem precedentes. Precisamos transformar a recuperação numa oportunidade real de fazer as coisas certas para o futuro”, acrescentou.

Na mensagem, Guterres propõe seis ações relacionadas ao clima para “moldar a recuperação e o trabalho que temos pela frente”.

A primeira é relacionada à recuperação da crise provocada pelo coronavírus: “ao gastarmos enormes quantias de dinheiro para nos recuperar do coronavírus, precisamos criar empregos e negócios através de uma transição limpa e verde”.

A segunda ação pede que, quando o dinheiro dos contribuintes for usado para resgatar empresas, este “deve estar vinculado à obtenção de empregos verdes e ao crescimento sustentável”.

A terceira ação diz respeito às políticas orçamentárias: estas, diz Guterres, devem “transformar a economia cinzenta em uma economia verde e tornar as sociedades e as pessoas mais resilientes”.

A quarta ação trata dos fundos públicos, que devem ser usados para “investir no futuro, não no passado”, e ser utilizados em setores e projetos sustentáveis que ajudam o meio ambiente e o clima. Guterres acrescentou: “Os subsídios aos combustíveis fósseis devem ser encerrados e os poluidores devem começar a pagar pela sua poluição”.

Quinta ação: os riscos e as oportunidades relacionados com o clima devem ser incorporados no sistema financeiro, bem como em todos os aspetos da formulação de políticas públicas e de infraestruturas.

E, por fim, a sexta ação proposta por António Guterres trata da cooperação entre todos os países, comunidades e povos: “precisamos trabalhar juntos como uma comunidade internacional”.

“Estes seis princípios constituem um guia importante para juntos nos recuperarmos melhor. Os gases de efeito de estufa, assim como os vírus, não respeitam fronteiras nacionais. Neste Dia da Terra, por favor unam-se a mim para exigir um futuro saudável e resiliente para as pessoas e para o planeta”, disse o secretário-geral da ONU.

Acesso à informação e às TIC estimulam a paz e o desenvolvimento na África

Foto: UNESCO

A ligação entre a tecnologia e o acesso à informação foi especialmente marcada em Victoria Falls, no Zimbábue, durante o segundo Fórum Regional Africano de Ciência, Tecnologia e Inovação (African Regional Science, Technology and Innovation Forum), que ocorreu de 24 a 27 de fevereiro de 2020. O evento foi parte do marco de ação da sexta sessão do Fórum Regional de Desenvolvimento Sustentável (Africa Regional Forum on Sustainable Development).

Intitulado “2010-2030: uma década para produzir uma África próspera e transformada por meio da Agenda 2030 e da Agenda 2063”, o Fórum foi organizado pelo Ministério da Educação Superior e Terciária, Inovação, Ciência e Desenvolvimento Tecnológico do Zimbábue. O evento foi realizado em cooperação com a UNESCO, a Comissão da União Africana (UA) e o Departamento de Ciência e Inovação da África do Sul.

Um destaque durante o evento foi a sessão dedicada ao papel da tecnologia, da inovação e da acessibilidade à informação no avanço do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16 para “promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, fornecer acesso à justiça para todos, construir uma política eficaz, e instituições responsáveis e inclusivas em todos os níveis”. Esta sessão reuniu palestrantes e representantes de instituições regionais e da sociedade civil, bem como organizações internacionais, para compartilharem ideias sobre como as tecnologias emergentes e o acesso à informação podem avançar de forma efetiva os mandatos globais e continentais.

Em sua palestra, Emeka Joseph Nwagboso, do Pink Blue Project, um dos vencedores do concurso Innovation in Action, discutiu como as TIC têm o potencial de fornecer acesso à assistência médica a pacientes com câncer na Nigéria e estimular ações contra a doença. Ele falou sobre como o aplicativo Pink Blue fornece aos pacientes acesso imediato a centros de tratamento do câncer, navegadores de suporte por pares e informações sobre o câncer disponíveis em vários idiomas, incluindo o pidgin.

Com relação ao perigo do uso de informações falsas em todo o continente africano, o fundador e editor-chefe da revista zimbabuana “TechnoMag”, Toneo Tonderai Rutsito, disse que a desinformação e as informações incorretas “são barreiras à conquista da paz no contexto africano”. Para promover a paz, ele e outros membros do painel afirmaram que a proteção aos trabalhadores digitais, incluindo jovens trabalhadores em treinamento em inovação e tecnologia, e o acesso aberto à informação deve ser uma prioridade imediata para os governos.

A conferência também debateu como a inteligência artificial (IA) pode desempenhar um papel fundamental no crescimento econômico nos âmbitos regional e continental.

Tanto o diretor do Instituto Africano de Desenvolvimento Econômico e Planejamento, Karima Bounemra Ben Soltane, como o ex-ministro de Ciência de Ruanda, Romain Murenzi, insistiram que a formulação de políticas e a provisão estatal adequadas devem acompanhar o desenvolvimento da IA para prevenir e mitigar seus efeitos negativos quando essas tecnologias começarem a ser integradas nas economias africanas.

Um tema transversal do evento foi que os governos africanos deveriam acelerar seus esforços na implementação de leis de acesso à informação, de modo a promover o compartilhamento de informações e dados, a transparência e a ciência aberta para alcançar o desenvolvimento sustentável.

Comprometida com o avanço da tecnologia e o acesso a políticas de informação para o desenvolvimento sustentável, a UNESCO promove a criação de sociedades do conhecimento. Isso inclui a defesa da inclusão, da paz, da participação e da igualdade, por meio do uso inovador das tecnologias da informação e comunicação (TIC). Na África e em outros lugares, a UNESCO promove a causa do acesso público à informação como um direito que possibilita justiça, paz e instituições fortes.

O trabalho da UNESCO no monitoramento e elaboração de relatórios sobre o acesso público à informação foi possível com o apoio da Agência Sueca de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (SIDA), e da Alemanha e dos Países Baixos, que contribuíram para o Programa Internacional para o Desenvolvimento da Comunicação (IPDC).

Para mais informações sobre as ações de apoio à mídia, melhoria no acesso à informação e avanço das tecnologias digitais no combate à pandemia, acesse: https://pt.unesco.org/covid19/communicationinformationresponse

UIT promove debates sobre participação de mulheres e meninas no setor tecnológico

Na ocasião do Dia Internacional das Meninas nas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), lembrado em 23 de abril, a União Internacional de Telecomunicações (UIT) realizará uma série de atividades online, incluindo um diálogo sobre o papel dos governos em empoderar mulheres e meninas por meio das tecnologias.

O evento online internacional (em inglês) ocorrerá no dia 23 às 9h (horário de Brasília) e também chamará atenção para a importância de modelos e mentores e como eles podem inspirar meninas e mulheres jovens a seguirem carreiras no campo da tecnologia.

Clique aqui para ver a programação e participar.

Também haverá um chat no Twitter (em inglês) no dia 23 às 10h30 (horário de Brasília), por meio da página @Equals Global Partnership.

No Brasil, ocorrerá por meio de videoconferência o evento “Meninas nas TICs: expandindo horizontes, mudando atitudes”, que ocorre no mesmo dia, às 17. Para acessar a reunião, é necessário clicar em https://isoc.zoom.us/j/94750482382.

Segundo a diretora do Departamento de Desenvolvimento de Telecomunicações da UIT, ​​​Doreen Bogdan-Martin, a celebração global da data, quando a UIT e milhares de parceiros e apoiadores se reúnem para promover oportunidades de carreira para meninas e mulheres jovens no setor de tecnologia, é um dos principais eventos do calendário anual da organização.

“Mas este ano, enfrentamos um desafio sem precedentes. A emergência de saúde global COVID-19 virou nosso mundo de cabeça para baixo. Limitar a propagação desse vírus altamente infeccioso exige mudanças radicais na maneira como trabalhamos e interagimos”, declarou, em comunicado.

“Grandes eventos em todo o mundo estão sendo cancelados ou adiados. Na UIT, continuamos abertos aos negócios, mas de uma maneira diferente. Ainda estaremos comemorando o Girls in ICT Day no dia 23 de abril, mas em um formato virtual.”

“Portanto, este ano, recomendamos que você concentre suas atividades em eventos de mídia social e eventos virtuais, em vez de reuniões ao vivo. Vamos transformar nossas restrições em uma oportunidade de realmente demonstrar o poder da tecnologia para mudar vidas”, declarou.

No Rio, cineastas enfrentam a pandemia rodando filme sem encontros presenciais

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“Solidãoriedade”. É da palavra inventada, na solidão da solidariedade, que o diretor e roteirista de audiovisual Bebeto Abrantes tira energia para enfrentar o distanciamento social. É também na vivência da solidão com solidariedade que ele encontra a criatividade para continuar trabalhando em meio à pandemia da COVID-19.

Em função da idade e algumas limitações de saúde, Bebeto teve que reinventar a rotina que enfrenta em isolamento total há mais de quarenta dias num apartamento no Rio de Janeiro (RJ). Os filhos, de 16 e 20 anos, estavam no turno da guarda compartilhada com a mãe e ele – considerado de grupo de risco pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – acabou ficando sozinho.

Além de fazer exercícios e ministrar aulas online na Academia Internacional de Cinema, Bebeto teve a ideia de fazer um “filme processo” da rigorosa quarentena que o novo coronavírus impôs aos moradores da capital fluminense. A expressão “filme processo” descreve a trajetória de um documentário em construção e que, por enquanto, só se sabe o começo.

Bebeto convidou Cavi Borges, dono da maior produtora independente do Rio – a Cavídeo, com 66 longas e mais de uma centena de curtas -, para o projeto Me Cuidem-se! . “Na sexta-feira, dia 21 de março de 2020, peguei o telefone e liguei pro Cavi. No sábado e no domingo a gente escolheu dez personagens, seguindo critério das diversidades de gênero, social e etária. Três dias depois a gente começou a receber os materiais”, relata o diretor e roteirista do projeto.

Em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), Bebeto conta que a primeira parte do filme reúne pessoas da zona sul do Rio e também do morro Santa Marta, do Complexo da Maré e de São Gonçalo. Eles mostram como estão se adaptando à nova rotina de isolamento social. Depois de compor o elenco, a única orientação foi pedir o material gravado na horizontal e enviado imediatamente por aplicativo de celular.

“É um filme de urgência e enviamos tudo para a edição de Wellington Anjos. Optamos por sermos surpreendidos, mas precisamos receber o material rapidamente”, explica.

O resultado final de Me Cuidem-se! ainda é uma surpresa para todos os envolvidos. Bebeto conta que o modelo de produção é totalmente inovador porque não houve nem haverá nenhum encontro presencial entre o elenco e a equipe. Duas partes do projeto, que deve resultar num longa metragem, já foram editadas e disponibilizadas em plataformas digitais. No segundo curta já editado, alguns personagens enfrentam dificuldades financeiras em função do isolamento.

Para Bebeto, o conceito de autoria do audiovisual acaba se renovando no filme colaborativo e de compartilhamento. “Estou procurando reinventar tudo o que aprendi, aceitando contribuições de todos e contrariando o processo normal de criação”, explica o cineasta. E conclui: “Glauber Rocha dizia que a montagem do filme é muito racional e tira a crueza da imagem. Então é o que vou praticar, a crueza da imagem”.

No projeto, os roteiristas e diretores devem acabar se tornando também personagens do filme. Calculando uma quarentena de dois meses e meio, a dupla estima ter um curta metragem a cada 15 dias, num total de 5 curtas, que depois serão transformados no longa-metragem.

Cultura – A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) reconhece que a pandemia do novo coronavírus provocou o fechamento de patrimônios históricos, museus, teatros e cinemas, comprometendo o apoio financeiro a artistas e indústrias criativas. Por conta disso, a UNESCO lançou iniciativas para apoiar as indústrias culturais e o patrimônio cultural, como uma exposição virtual de propriedades patrimoniais e as campanhas digitais #CompartilheCultura e #CompartilheNossoPatrimônio.

“Agora, mais do que nunca, as pessoas precisam de cultura”, disse Ernesto Ottone R., diretor-geral adjunto para Cultura da UNESCO. “A cultura nos torna resilientes. Isso nos dá esperança. Ela nos lembra que não estamos sozinhos”.

Assista abaixo aos  curtas já finalizados do Me Cuidem-se!

COVID-19: conte à UNESCO como você está lidando com o fechamento das escolas

UNESCO convida estudantes a contar como estão usando ensino a distância durante a pandemia da COVID-19 - Imagem: Imagem de Mudassar Iqbal/Pixabay

UNESCO convida estudantes a contar como estão usando ensino a distância durante a pandemia da COVID-19 – Imagem: Imagem de Mudassar Iqbal/Pixabay

Cerca de 190 países em todo o mundo fecharam suas escolas e universidades para impedir a propagação do coronavírus. Isso obrigou cerca de 1,5 bilhão de estudantes a ficarem em casa. Estudantes, professores e pais da Rede de Escolas Associadas da UNESCO (UNESCO Associated Schools Network) estão compartilhando histórias inspiradoras sobre como estão lidando e continuando a aprender durante o fechamento das escolas devido à COVID-19.

Agora, a UNESCO está convidando estudantes, professores e pais de todo o mundo para gravarem e compartilharem um vídeo curto em seus canais de mídias sociais – usando a hashtag #LearningNeverStops e a tag @UNESCO – para contar ao mundo como estão mantendo sua educação e lidando com essa interrupção educacional sem precedentes. Suas mensagens de esperança inspirarão muitos outros nesta situação difícil.

Marwa, uma estudante libanesa da educação secundária (Ensino médio no Brasil) disse que está mantendo suas aulas online; seus professores enviam as aulas diariamente e ficam à disposição para responder perguntas pelo WhatsApp. “Eu sei que estamos todos vivendo tempos difíceis, mas lembrem-se de que depois da chuva, sempre há um arco-íris”, diz ela. “O coronavírus pode ser forte, mas nós somos ainda mais!”, lembra.

“Como professor, eu instruo os estudantes sobre as medidas a serem tomadas para se proteger desse vírus mortal”, diz Paul, do Quênia.

“Nunca perca a esperança, seja forte e se cuide”, é a mensagem de Kaspar, um estudante da Estônia apaixonado por esqui cross-country. “Nós vamos derrotar o vírus juntos”.

“Sinto falta de ver meus amigos, conversar com eles cara a cara e ter aulas juntos”, disse Nanda, de 17 anos, da Indonésia. “Eu também sinto falta da minha rotina escolar, de acordar de manhã cedo e me preocupar com o dever de casa que não fiz. Acredito que vamos superar isso, continuem otimistas!”, aconselha.

Assista a mais vídeos e leia os depoimentos escritos vindos de todas as partes do mundo aqui.
Saiba mais e encontre dicas sobre como gravar e compartilhar seu vídeo (em inglês) aqui.

Rede Brasil do Pacto Global e ONU Mulheres discutem questões de gênero durante a quarentena

Mãe e filha usam máscaras para se proteger contra o coronavírus em um centro de saúde em Abidjan, Costa do Marfim. Foto: UNICEF/Frank Dejongh

Mãe e filha usam máscaras para se proteger contra o coronavírus em um centro de saúde em Abidjan, Costa do Marfim. Foto: UNICEF/Frank Dejongh

Nas próximas semanas, a Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas e a ONU Mulheres reúnem-se para discutir questões de gênero durante a quarentena realizada por conta da pandemia de COVID-19. Confira abaixo a programação de webinars e inscreva-se:

Webinar Vieses Inconscientes para as questões de Gênero

Todos os dias fazemos associações automáticas que resultam em suposições, julgamentos e atitudes em relação a outras pessoas. Essas associações são chamadas de vieses inconscientes.

O objetivo deste webinar é realizar uma discussão sobre o que são e como os vieses inconscientes podem influenciar um ambiente onde a igualdade de gênero possa ser uma realidade.

Dia 23 de abril (quinta-feira), das 10h às 12h. Inscreva-se aqui.

Webinar WEPs (Princípios de Empoderamento das Mulheres da ONU)

O WEPs é a plataforma conjunta do Pacto Global e ONU Mulheres criada em 2010 para orientar as empresas em como empoderar as mulheres dentro do ambiente de trabalho, na cadeia de valores e na comunidade.

É uma plataforma gratuita, de comprometimento, onde cada empresa escolhe sua jornada. O objetivo deste webinar é apresentar com mais profundidade o que é e como os WEPs podem orientar o empoderamento das mulheres e promover igualdade de gênero.

Dia 30 de abril (quinta-feira), das 10h às 12h. Inscreva-se aqui.

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