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Investimento em energia limpa precisa triplicar nesta década, diz agência

Relatório anual sobre panorama energético global mostra que apenas 40% dos cortes de emissão necessários para estabilizar o clima podem ser feitos com tecnologia disponível A IEA (Agência Internacional de Energia) deu nesta quarta-feira (13) mais um choque no otimismo climático reinante em alguns países. Em seu relatório anual World Energy Outlook (Panorama Energético Global), a organização afirma …

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Lançamento do infográfico: por que gênero e clima?

Águas Mídia Livre - Brasil - Bem comum em mídia livre

O Observatório do Clima (OC) te convida esta sexta (30/07), das 10h às 11h30 (horário de Brasília) para um bate-papo com Selma Dealdina (CONAQ) e Sineia Wapichana (CIR) sobre o infográfico “Por que gênero e clima?”, no seu canal do YouTube

https://bit.ly/YTObsClima ↗

 


 
Este infográfico é o resultado da construção coletiva do Grupo de Trabalho em Gênero do OC e, embora ele não esgote ou responda todas as perguntas e nuances,  foi elaborado em dezenas de reuniões e escutas com diversas mulheres do Observatório, e de outros grupos sociais.

A proposta foi refletir em torno da pergunta “por que gênero e clima?” e organizar de forma simples e objetiva as respostas encontradas. Não se trata de um trabalho acabado, e sim, um ponto de partida!

Anote na agenda e chame todo mundo!

Veja tudo em: https://generoeclima.oc.eco.br ↗

Lançamento do infográfico: por que gênero e clima?

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Dia da Sobrecarga da Terra chega mais cedo

Em 2021, a humanidade excedeu sua cota anual de recursos regeneráveis em 29 de julho, três semanas antes do que em 2020. Seriam necessárias 1,7 Terras para satisfazer nossas necessidades de consumo. Após um adiamento temporário devido à pandemia em 2020 – quando o Dia da Sobrecarga da Terra foi em 22 de agosto – em 2021 …

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Finanças Sustentáveis: Convocação para jovens da América Latina e do Caribe

Águas Mídia Livre - Brasil - Bem comum em mídia livre

Você tem entre 20 e 28 anos e está interessado em abordar as mudanças climáticas? Então, o Grupo de Finanças Climáticas para a América Latina e o Caribe (GFLAC) está procurando por você.

Você pode fazer parte dos líderes juvenis que trabalharão na América Latina e no Caribe em prol do enfrentamento da mudança climática, por meio da promoção, acesso, gestão e mobilização de financiamento nacional e internacional, para o desenvolvimento sustentável, de baixa emissão e resiliente ao clima. Onde os princípios de equidade de gênero, respeito aos direitos humanos, e em particular das comunidades indígenas e intergeracionais, são a base para os investimentos públicos e privados feitos no curto e médio prazo na região.

GFLAC está procurando jovens da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Trinidad e Tobago, Uruguai e Venezuela.

Requisitos para participar

• Ter entre 20 e 28 anos

• Estar interessado em questões de mudança climática e, em particular, em clima e financiamento sustentável.

• É desejável que os jovens estejam fazendo uma carreira para abordar a questão das mudanças climáticas, pode ser da ciência política, das relações internacionais, da economia ou das ciências naturais, mas não é decisiva.

• Ter a nacionalidade de um dos países listados

• Envie sua inscrição por meio deste formulário ↗.

Prazo para inscrição: 14 de janeiro de 2021

Se você tiver alguma dúvida sobre a ligação ou o formulário de inscrição, não hesite em escrever para comunicacionGFLAC@gmail.com ↗

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FAO lança plataforma para reduzir perda e desperdício de alimentos

A perda e desperdício de alimentos gera entre 8 a 10% de todas as emissões de gases de efeito estufa produzidos por seres humanos. Foto: Flickr/Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (cc)

A perda e desperdício de alimentos gera entre 8% a 10% de todas as emissões de gases de efeito estufa produzidos por seres humanos. Foto: Flickr/Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (cc)

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulgou uma plataforma abrangente para ajudar a comunidade global a intensificar as ações para reduzir a perda e o desperdício de alimentos.

A agência da ONU e seus parceiros pedem mais esforços e se preparam para o Dia Internacional da Conscientização sobre a Perda e o Desperdício de Alimentos – que será comemorado pela primeira vez em 29 de setembro.

Plataforma Técnica de Medição e Redução de Perda e do Desperdício de Alimentos reúne informações sobre medição, redução, políticas, alianças, ações e exemplos de modelos de sucesso aplicados na redução da perda e do desperdício de alimentos em todo o mundo.

“Desperdiçar alimentos significa desperdiçar recursos naturais escassos, aumentar os impactos das mudanças climáticas e perder a oportunidade de alimentar uma população crescente no futuro”, disse o diretor-geral da FAO, QU Dongyu, no lançamento da plataforma.

O evento também proporcionou uma oportunidade de aumentar a conscientização sobre o próximo Dia Internacional de Conscientização sobre a Perda e o Desperdício de Alimentos, que visa enfatizar como isso pode contribuir para o desenvolvimento sustentável.

O diretor da FAO pediu aos setores público, privado e aos indivíduos, que promovam, controlem e expandam políticas, inovações e tecnologias para reduzir a perda e o desperdício de alimentos, além de garantir que o primeiro dia internacional seja significativo e influente.

QU Dongyu somou esforços ao seu apelo por maiores esforços para reduzir a perda e o desperdício de alimentos – especialmente em um momento em que a COVID-19 expôs ainda mais as vulnerabilidades e a necessidade de sistemas alimentares mais resilientes – por meio de representantes de uma série de organizações parceiras e estados membros da FAO.

“A perda e o desperdício bobo são um sinal de sistemas alimentares em perigo”, disse Lawrence Haddad, diretor-executivo da Global Alliance for Improved Nutrition (GAIN na sigla em inglês), enquanto aponta que “os alimentos nutritivos são os mais perecíveis e, portanto, os mais vulneráveis à perda. Não só se perdem alimentos, mas também se perde a segurança alimentar e a nutrição”.

“Abordar a perda e o desperdício de alimentos com informações e evidências precisas em nível nacional é uma tentativa de criar um sistema alimentar que atenda à saúde planetária e humana”, disse Geeta Sethi, conselheira e líder global de sistemas alimentares do Banco Mundial, acrescentando: “mas para saber o que é uma prioridade política para um país e, portanto, quais os investimentos e intervenções necessários, requer bons dados e evidências. Esta plataforma é muito relevante.”

Principais informações sobre a plataforma

A plataforma é uma porta de entrada para todos os recursos de perda e desperdício de alimentos da FAO, incluindo: a maior coleção de dados online sobre quais alimentos são perdidos e desperdiçados e onde; fórum de discussão sobre redução da perda de alimentos; exemplos de iniciativas de sucesso; cursos de e-learning; relatório de políticas da perda e desperdício de alimentos no contexto da pandemia de COVID-19; e dicas sobre o que todos podem fazer para reduzir o desperdício de alimentos.

Ele também se conecta a portais de parceiros de desenvolvimento, servindo como uma fonte única de todo o conhecimento sobre perda e desperdício de alimentos.

A plataforma consolidada foi possível graças ao financiamento da Cooperação Suíça para o Desenvolvimento.

Por que reduzir a perda e o desperdício de alimentos?

A redução da perda e do desperdício de alimentos pode trazer muitos benefícios: mais alimentos disponíveis para os mais vulneráveis; uma redução nas emissões de gases de efeito estufa; menos pressão sobre os recursos terrestres e hídricos; e aumento da produtividade e crescimento econômico.

Para que isso aconteça, o diretor-geral da FAO e parceiros convidam para a candidatura de inovações – tanto tecnológica como operacional – como por exemplo, encontrar soluções tecnológicas para a gestão pós-colheita, novas formas de trabalhar em conjunto, melhor embalagem dos alimentos – bem como relaxar nos regulamentos e padrões sobre requisitos estéticos para frutas e vegetais; melhores hábitos de consumo; políticas governamentais destinadas a reduzir o desperdício de alimentos, assim como diretrizes para redistribuir o excedente de alimentos seguros para os necessitados por meio de bancos de alimentos; e construção de alianças, inclusive fora do setor de alimentos, por exemplo, com atores climáticos.

A FAO acredita que intervenções, como informar o público sobre como reduzir o desperdício de alimentos, investir na infraestrutura da cadeia de abastecimento, treinar os agricultores em melhores práticas e reformar os subsídios aos alimentos que involuntariamente levam a mais perdas e desperdícios de alimentos são medidas pequenas em comparação com outras.

Corrigir o ciclo negativo de perda e desperdício de alimentos aproximaria o mundo da meta do acordo de Paris de 2015 de limitar o aquecimento global a menos de 2°C. Por exemplo, reduzir a perda de alimentos em 25% compensaria os danos ambientais que seriam causados pelo uso futuro da terra para a agricultura. Isso significa não ter que destruir mais florestas com consequências devastadoras para as mudanças climáticas e a biodiversidade para produzir mais alimentos.

As inovações tecnológicas também podem combater o impacto ambiental indesejável enquanto economizam alimentos. No Quênia e na Tanzânia, por exemplo, a tecnologia de resfriamento movido a energia solar para resfriar o leite – por meio de um projeto apoiado pela FAO e pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) – ajudou a prevenir perdas de leite sem criar qualquer emissão adicional de gases de efeito estufa. A mesma tecnologia economiza três milhões de litros de água por ano na Tunísia.

Explicação da perda e desperdício de alimentos

Alimentos são perdidos quando são estragados ou derramados antes de chegar ao produto final ou ao varejo. Por exemplo, laticínios, carne e peixe podem estragar no trânsito devido ao transporte não refrigerado e às instalações de armazenamento refrigerado inadequados.

A FAO estima que 14% dos alimentos são perdidos dessa forma, avaliados em US$ 400 bilhões anuais. Em termos de emissões de gases de efeito estufa (GEE), os alimentos perdidos estão associados a cerca de 1,5 gigatoneladas de CO2 equivalente.

As perdas são maiores nos países em desenvolvimento, a exemplo de 14% na África Subsaariana e 20,7% no Sul da Ásia e na Ásia Central, enquanto nos países desenvolvidos, como por exemplo, Austrália e Nova Zelândia, são em média cerca de 5,8%.

As principais perdas são em tubérculos de raízes e oleaginosas (25%), frutas e vegetais (22%) e carne e produtos animais (12%).

Os alimentos são desperdiçados quando são descartados pelos consumidores ou descartados no varejo devido à sua incapacidade de atender aos rígidos padrões de qualidade ou, muitas vezes, devido a um mal-entendido sobre a marcação da data no produto.

A medição do desperdício de alimentos é uma questão complexa. Sabemos, porém, que o alimento que nunca é consumido representa um desperdício de recursos, como trabalho, terra, água, solo e sementes, e aumenta em vão as emissões de gases de efeito estufa.

FAO explica como os povos indígenas ajudam a acabar com a fome no mundo

Indígenas em manifestação em Brasília. Foto: Mídia Ninja

Indígenas em manifestação em Brasília. Foto: Mídia Ninja

Apesar de representarem apenas 5% da população mundial, os povos indígenas são agentes vitais para a preservação do meio ambiente.

Cerca de 28% da superfície terrestre do mundo, incluindo algumas das áreas florestais mais intactas e biodiversas, é  gerenciada principalmente por povos indígenas, famílias, pequenos proprietários e comunidades locais.

Essas florestas são cruciais para conter as emissões de gases e manter a biodiversidade. Os alimentos indígenas também são particularmente nutritivos e seus sistemas alimentares associados são resistentes ao clima e se adaptam bem ao meio ambiente.

O modo de vida e os meios de subsistência dos povos indígenas podem nos ensinar muito sobre como preservar os recursos naturais, obter e cultivar alimentos de maneiras sustentáveis e viver em harmonia com a natureza.

Mobilizar o conhecimento que se origina dessa herança e desses legados históricos é importante para enfrentar os desafios que a alimentação e a agricultura enfrentam hoje e no futuro.

Aqui estão 5 entre as diversas maneiras pelas quais os povos indígenas estão ajudando o mundo a combater as mudanças climáticas:

1. Suas práticas agrícolas tradicionais se adaptam facilmente à mudança climática

Ao longo dos séculos, os povos indígenas desenvolveram técnicas agrícolas adaptadas a ambientes extremos, como as altas altitudes dos Andes ou as pastagens secas do Quênia. Suas técnicas comprovadas, como terraços para evitar a erosão do solo ou jardins flutuantes para fazer uso de campos inundados, são adequadas para os eventos climáticos cada vez mais extremos e mudanças de temperatura provocados pelas mudanças climáticas.

2. Eles conservam e restauram florestas e recursos naturais

Os povos indígenas se veem conectados à natureza e como parte do mesmo sistema, assim como o meio ambiente em que vivem.

Eles adaptaram seus estilos de vida para se adequar e respeitar seus ambientes. Nas montanhas, os sistemas de gestão da paisagem dos povos indígenas preservam o solo, reduzem a erosão, conservam a água e diminuem o risco de desastres. Nas pastagens, as comunidades de pastores indígenas cuidam do pastoreio de gado e do cultivo de maneiras sustentáveis que permitem a conservação da biodiversidade. Na Amazônia, a biodiversidade dos ecossistemas melhora nas regiões habitadas por povos indígenas.

3. Seus alimentos e tradições podem ajudar a expandir e diversificar as dietas

O mundo atualmente depende muito de um pequeno conjunto de culturas básicas. Apenas cinco safras–arroz, trigo, milho, painço e sorgo–fornecem cerca de 50% de nossas necessidades energéticas. Repleto de cultivos nativos nutritivos como a quinoa, os sistemas alimentares dos povos indígenas podem ajudar o resto da humanidade a expandir sua estreita base alimentar para incorporar ervas, grãos, frutas, animais e peixes que podem não ser bem conhecidos ou usados em outras partes do mundo.

4. Eles cultivam safras indígenas que são mais resistentes às mudanças climáticas

Como muitos povos indígenas vivem em ambientes extremos, eles optaram por culturas que também se adaptam a tais condições. Os povos indígenas costumam cultivar uma variedade de espécies nativas e uma infinidade de variedades que são mais bem adaptadas aos contextos locais e frequentemente mais resistentes à seca, altitude, inundações ou outras condições extremas. Usadas de forma mais ampla na agricultura, essas safras podem ajudar a construir a resiliência das fazendas que agora enfrentam mudanças climáticas mais extremas.

5. Eles gerenciam uma grande parte da biodiversidade mundial

Territórios indígenas tradicionais abrangem 28% da superfície terrestre do mundo, mas hospedam 80% da biodiversidade do planeta. Preservar a biodiversidade é essencial para a segurança alimentar e nutricional. O acervo genético de espécies vegetais e animais é encontrado em todos os biomas terrestres, bem como em rios, lagos e áreas marinhas. Vivendo uma vida sustentável, os povos indígenas preservam esses espaços, ajudando a manter a biodiversidade das plantas e animais da natureza.

A FAO considera que os povos indígenas são parceiros inestimáveis no fornecimento de soluções para as mudanças climáticas e na criação de um mundo sem fome. Nunca alcançaremos soluções a longo prazo para as mudanças climáticas e para a segurança alimentar e nutricional sem buscar ajuda e proteger os direitos dos povos indígenas.

ONU elogia engajamento de jovens em meio à pandemia

Comemorando o Dia Internacional da Juventude, altos funcionários da ONU pediram que líderes de todo o mundo “façam todo o possível” para permitir que os jovens alcancem seu potencial máximo.

Contra o pano de fundo da pandemia de coronavírus, que afetou as vidas e aspirações dos jovens e aumentou suas vulnerabilidades, o secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou a resiliência, a desenvoltura e o envolvimento das gerações mais jovens.

“São os jovens que se levantaram para exigir ações climáticas. Eles estão se mobilizando por justiça racial e igualdade de gênero e são os defensores de um mundo mais sustentável”, disse ele em mensagem marcando a data.

“Muitos são mulheres jovens que estiveram na linha de frente da mobilização por justiça e ação climática – ao mesmo tempo em que atuaram na linha de frente da resposta à COVID-19.”

O secretário-geral também destacou que cumprir a promessa da geração jovem exige investir muito mais em sua inclusão, participação, organizações e iniciativas.

“Convido os líderes e adultos em todos os lugares a fazer todo o possível para permitir que os jovens do mundo desfrutem de uma vida com segurança, dignidade e oportunidades e contribuam para o máximo de seu grande potencial”, acrescentou.

O tema do Dia Internacional da Juventude deste ano, “Engajamento Juvenil para a Ação Global”, destaca as maneiras pelas quais o engajamento dos jovens em nível local, nacional e global está fortalecendo instituições e processos nacionais e multilaterais, tirando lições sobre como sua representação e envolvimento na política institucional formal podem ser aprimorados.

Também neste ano, por meio da campanha de mídia social #31DaysOfYOUth, a ONU celebra os jovens ao longo do mês de agosto, antes e depois do Dia Internacional, para espalhar a palavra e iniciar uma conversa em torno do engajamento dos jovens para a ação global.

Ecoando o apelo do secretário-geral, Tijjani Muhammad-Bande, presidente da Assembleia Geral da ONU, também destacou uma “responsabilidade global” de garantir que os jovens em todos os lugares tenham acesso a oportunidades justas e equitativas para cumprir seus direitos e aspirações.

“O potencial da humanidade para criar um futuro pacífico e próspero não será alcançado enquanto as desigualdades e a discriminação contra os jovens continuarem sendo comuns e os jovens não tiverem oportunidades de fazerem ouvir suas vozes”, disse ele em mensagem para a data.

O presidente da Assembleia aplaudiu os jovens por suas “contribuições incríveis” para um futuro melhor. Seus movimentos em suas comunidades e países, disse ele, já estão melhorando as sociedades e aumentando as ambições globais, a cada dia.

“Na era da COVID-19 e em meio a seus efeitos socioeconômicos negativos duradouros sobre os jovens – e faltando apenas 10 anos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) -, [sua] visão e compromisso são fundamentais para criar um mundo mais sustentável e inclusivo”, acrescentou.

“Com sua inovação e ambição, orientadas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, tenho certeza que sua geração irá efetivamente transformar o mundo em um lugar mais sustentável, inclusivo e justo para todos”, disse Muhammad-Bande, exortando todos os jovens a participar da Plenária Juvenil UN75 virtual, a ser realizada em setembro, para somar sua voz à formação das Nações Unidas nas próximas décadas.

Jovens são a nossa maior esperança de futuro

A representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, Astrid Bant, gravou uma declaração em vídeo na qual reconhece os esforços e cumprimenta as milhares de pessoas jovens atuando em suas comunidades durante a pandemia da COVID-19.

Astrid também destaca a necessidade de continuar ofertando serviços e acesso a direitos e educação à juventude.

Cidades serão determinantes para a recuperação verde no pós-pandemia

A recuperação pós COVID-19 oferece uma oportunidade para as economias voltadas para o futuro, ajudando as cidades a limparem o ar atmosférico, criarem espaços abertos naturais e adotarem soluções que reduzam a emissão de carbono e o uso de recursos naturais. Foto: Pxfuel / DMCA

As cidades abrigam 55% da população mundial, condensando muitas pessoas em um mesmo lugar. Não é de se estranhar que elas sejam as áreas mais afetadas pela COVID-19: estima-se que 90% de todos os casos relatados do coronavírus tenham ocorrido nestas regiões.

No entanto, a concentração de pessoas também torna esses locais essenciais para vencer a luta pela recuperação verde no pós-pandemia – importante para reduzir o risco de futuras pandemias e combater as mudanças climáticas.

As cidades são terrenos férteis para novas ideias e lugares onde muitas técnicas inovadoras para reduzir as mudanças climáticas, a poluição, o uso de recursos e a perda de biodiversidade estão tomando forma.

Antes da COVID-19, muitas já haviam adotado a agricultura urbana, a mobilidade elétrica, os meios de transporte não motorizados e exploravam opções como edifícios de zero carbono, energia distrital, sistemas de energia renovável descentralizados, soluções baseadas na natureza e projetos de recuperação.

De fato, os trilhões de dólares que serão investidos em pacotes de recuperação pós COVID-19 podem acelerar esses desenvolvimentos.

“Ao respondermos à pandemia e trabalharmos pela recuperação, consideramos nossas cidades como hubs de comunidade, inovação e engenhosidade”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, no lançamento de um resumo de políticas sobre a COVID-19 em áreas urbanas. “Agora é a hora de nos recuperarmos melhor, construindo cidades mais resilientes, inclusivas e sustentáveis”.

Economias preparadas para o futuro

A recuperação pós COVID-19 oferece uma oportunidade para as economias voltadas para o futuro, ajudando as cidades a limparem o ar atmosférico, criarem espaços abertos naturais e adotarem soluções que reduzam a emissão de carbono e o uso de recursos naturais, bem como os impactos relacionados aos ecossistemas, ao mesmo tempo em que geram novos empregos.

É fundamental focar no planejamento e design urbanos para criar cidades estrategicamente densas e conectar as residências aos meios de transportes e ao planejamento energético, além de combinar infraestruturas cinza, azul e verde para aproveitar os benefícios das soluções baseadas na natureza.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) defende uma abordagem integrada que conecte natureza, clima e uso da terra nas cidades. Além disso, o PNUMA é a agência implementadora do Programa de Impacto em Cidades Sustentáveis do GEF-7 (GEF-7 Sustainable Cities Impact Program, em inglês), uma plataforma global para a instalação de desenvolvimentos urbanos sustentáveis do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

Por meio desse projeto, o PNUMA, juntamente com o Grupo de Liderança Climática das Grandes Cidades C40, o World Resources Institute (WRI) e a associação Governos Locais pela Sustentabilidade (ICLEI), vão trabalhar com várias áreas urbanas, como Freetown (capital da Serra Leoa), para avançar nas abordagens integradas, que também incluem soluções baseadas na natureza.

O PNUMA também está trabalhando com o ICLEI, através do Centro de Biodiversidade de Cidades (CBC), para apoiar a governança multinível, a fim de ver as pessoas e a natureza coexistindo em harmonia nas cidades e arredores.

“Precisamos lutar por uma recuperação econômica mais verde, resiliente e inclusiva”, disse Guterres. “Ao focar em transformação ecológica e criação de empregos, os pacotes de estímulo podem nos direcionar para um caminho mais resiliente e de baixo carbono, ajudando-nos a avançar rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.

Mudança climática: a próxima ameaça

Para evitar maiores problemas, é necessário agir logo. No momento, a COVID-19 pode estar roubando os holofotes, mas as mudanças climáticas estão aguardando nos bastidores.

As cidades costeiras já estão sofrendo com eventos relacionados à mudança climática, como inundações, erosão costeira, elevação do nível do mar e eventos climáticos extremos. Além disso, as áreas urbanas sofrem mais com altas temperaturas do que as não urbanas.

Atualmente, cerca de 200 milhões de habitantes de mais de 350 cidades experimentam temperaturas superiores a 35°C no verão (95°F). Até 2050, prevê-se que o número de cidades afetadas cronicamente pelo estresse térmico aumente para 970. Todos esses fatores representam graves ameaças à saúde, meios de subsistência e economias em geral.

Contudo, ao mesmo tempo em que as cidades são vulneráveis ​​às mudanças climáticas, elas também são responsáveis por cerca de 75% das emissões globais de dióxido de carbono. Isso significa que a transição pela descarbonização é de responsabilidade dos prefeitos e vereadores. Mais de 70 cidades grandes se comprometeram com a neutralização do carbono até 2050 – o que representa 425 milhões de pessoas.

No entanto, isso é apenas o começo, pois estima-se que cerca de 227 cidades são responsáveis por produzir mais de 10 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C, é preciso reduzir em cinco vezes essas emissões.

Mas, como as cidades já têm o costume de se reinventar, isso é possível. Por exemplo, pandemias anteriores também trouxeram respostas inovadoras, como a introdução dos sistemas de esgoto, os parques públicos e a regulamentação habitacional para melhorar o saneamento e reduzir a superlotação.

Conectando natureza, clima e uso da terra

O Parque Centenário da Universidade Chulalongkorn de Bangcoc é um bom exemplo que combina estratégias baseadas na natureza com objetivos que promovam a saúde, a resiliência urbana e o clima. Seu design inovador reduziu o risco de inundações, através da absorção e armazenamento de água, que é posteriormente usada para a irrigação nos períodos de seca.

Enquanto isso, Medellín, na Colômbia, adotou a natureza como uma solução para a refrigeração do ar atmosférico, através do projeto “Corredores Verdes”, que transformou 18 estradas e 12 vias fluviais em paraísos verdes e de sombra fresca. O projeto reduziu a temperatura da cidade em 2-3°C, melhorando a qualidade do ar e ajudando a biodiversidade.

Através da governança multinível na tomada de decisões, cidades e nações estão cada vez mais unidas pela recuperação socioeconômica. Ministros e prefeitos se reuniram recentemente para acelerar a ação climática em um evento organizado pelo PNUMA, juntamente com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a ONU-Habitat, o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia, o ICLEI e a organização Cidades e Governos Locais Unidos (UCLG).

Mais de 300 participantes – incluindo ministros da Itália, Indonésia, Costa do Marfim, Etiópia, África do Sul e Chile, bem como mais de 25 prefeitos e governadores – discutiram a coordenação de ações para combater as mudanças climáticas, especialmente em setores-chave, como construção civil, transporte, agricultura e gestão de resíduos.

Pacotes de estímulo “verdes”

Como todos os níveis de governo estarão planejando a recuperação socioeconômica das nações, pacotes de estímulo poderiam apoiar a transição rumo à descarbonização. O investimento urbano pode gerar cidades mais compactas, integradas e de uso misto, que reduzam a distância entre locais de trabalho e de residência.

Revitalizar espaços verdes, repensar a mobilidade urbana, promover o uso de transporte público e não motorizado e investir na reforma de prédios para reduzir as desigualdades são formas de melhorar o bem-estar e de criar mais empregos.

“As cidades estão tanto na linha de frente dos impactos das mudanças climáticas, quanto das soluções”, disse a diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen. “Cidades sustentáveis beneficiam nossa saúde, ajudam na mitigação e adaptação do clima e ainda geram empregos”.

Menos da metade dos bancos latino-americanos considera mudanças climáticas em suas estratégias

Na pesquisa, 69% dos bancos indicaram que o setor econômico visto como mais exposto aos riscos climáticos é o silvo-agropecuário, seguido pelo setor de geração de energia, com 44%. Foto: Departamento dos Estados Unidos para Agricultura/Ryan Thompson

Na pesquisa, 69% dos bancos indicaram que o setor econômico visto como mais exposto aos riscos climáticos é o silvo-agropecuário, seguido pelo setor de geração de energia, com 44%. Foto: Departamento dos Estados Unidos para Agricultura/Ryan Thompson

Uma nova pesquisa com 78 instituições financeiras da América Latina e do Caribe, representando 54% do total de ativos sob gestão na região, revelou que 38% dos bancos incorporam diretrizes associadas às mudanças climáticas em sua estratégia e 24% têm uma política de avaliação e divulgação de riscos climáticos.

O estudo “Como os bancos da América Latina e Caribe incorporam as mudanças climáticas em sua gestão de riscos” foi desenvolvido pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI) e pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), com a colaboração da Federação Latino-Americana de Bancos (FELABAN).

Na pesquisa, 69% dos bancos indicaram que o setor econômico visto como mais exposto aos riscos climáticos é o silvo agropecuário, seguido pelo setor de geração de energia, com 44%. Além disso, 80% dos bancos indicaram que o principal risco físico a ser incorporado em sua avaliação e gestão é a “inundação”, seguida pela “seca”, que foi mencionada por 41% dos respondentes.

O estudo observou que o setor bancário da América Latina e do Caribe tem uma grande oportunidade de avançar na avaliação dos riscos das mudanças climáticas em seus planos e estratégias, com o objetivo de aumentar sua resiliência e se preparar melhor para apoiar a transição para uma economia de baixo carbono.

Segundo o relatório final, 41% dos bancos pesquisados na região respondem que não possuem mecanismos para identificar, analisar e gerenciar os riscos climáticos.

Os autores da análise concluíram que os riscos climáticos não são gerenciados principalmente devido à falta de informação sobre o impacto financeiro das mudanças climáticas e à ausência de demandas por parte dos reguladores.

Os bancos tendem a perceber os riscos climáticos na perspectiva de como as empresas impactam o meio ambiente, e não como as empresas estão expostas às ameaças climáticas, o que é fundamental para o aumento esperado dos impactos relacionados a eventos mais extremos, afirmou o relatório.

De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), dada a concentração atual e as emissões contínuas de gases de efeito estufa, até o final do século, o aumento da temperatura global provavelmente excederá 1,5 ºC, acima dos níveis pré-industriais, isso virá com o aumento do nível do mar e uma maior frequência e intensidade dos impactos das mudanças climáticas.

“Na última década, os bancos da América Latina e do Caribe avançaram na incorporação de critérios de sustentabilidade em suas diferentes áreas de trabalho. A pesquisa que foi apresentada hoje ajudará os bancos a gerir seus riscos climáticos em suas carteiras de financiamento”, disse Julián Suarez Migliozzi, vice-presidente de Desenvolvimento Sustentável do CAF.

“A avaliação do risco climático é fundamental para alinhar o portfólios do setor bancário a uma economia global sustentável e equitativa no século 21, que se torna ainda mais relevante hoje considerando os efeitos da pandemia de COVID-19”, disse Eric Usher, diretor da UNEP FI.

O relatório chama a atenção para as recomendações da Força Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD, na sigla em inglês), assim como as oferecidas pela UNEP FI com a colaboração do CAF.

Segundo o PNUMA, é importante replicar iniciativas como o projeto-piloto da UNEP FI com 16 dos principais bancos do mundo para desenvolver ferramentas e indicadores analíticos para ajudar a fortalecer a avaliação e divulgação do risco climático, o que será incluído no Curso Virtual “Mudanças Climáticas e o TCFD: riscos e oportunidades para o setor bancário”, da UNEP FI com a colaboração do CAF.

A pesquisa revelou que 53% dos bancos utilizam o Relatório de Sustentabilidade como mecanismo para divulgar os riscos associados às mudanças climáticas, enquanto apenas 16% dos bancos relatam por meio de seus formulários financeiros regulatórios conforme as recomendações da TCFD.

Devido ao desconhecimento e pouca clareza em relação às definições relacionadas aos riscos climáticos, os autores também chamam o setor bancário da região a trabalhar no desenvolvimento de uma taxonomia que tornaria conhecidas definições comuns no setor latino-americano sobre essas questões.

Sobre a Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI)

A Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI) é uma aliança entre o PNUMA e o setor financeiro global, em escala mundial, por meio de seus mais de 300 signatários, entre bancos, seguradoras e investidores, e sua rede de mais de 100 instituições de apoio.

Por meio de um programa de trabalho impulsionado por seus membros, a UNEP FI implementa sua missão de identificar, promover e apoiar a adoção das melhores práticas socioambientais em todos os aspectos das operações financeiras. Mais informações em: www.unepfi.org

Sobre o CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina

O CAF tem a missão de promover o desenvolvimento sustentável e a integração regional, por meio do financiamento de projetos do setor público e privado, da prestação de cooperação técnica e de outros serviços especializados.

Fundada em 1970 e atualmente composto por 19 países – 17 na América Latina e no Caribe, juntamente com Espanha e Portugal – e 13 bancos privados, a instituição é uma das principais fontes de financiamento multilateral e um importante gerador de conhecimento para a região.

Mais informações em: www.caf.com

Sobre a Federação Latino-Americana de Bancos (FELABAN)

A Federação Latino-Americana de Bancos (FELABAN) é uma instituição sem fins lucrativos, incorporada em 1965 na cidade de Mar del Plata, Argentina.

Reúne, por meio de suas respectivas associações em 19 países do continente, mais de 623 bancos e instituições financeiras da América Latina.

Seu objetivo é promover e facilitar o contato, compreensão e relações diretas entre as instituições financeiras na América Latina. Mais informações em: www.felaban.net

Senso de urgência da Agenda 2030 é ainda maior com pandemia, diz ONU no Brasil

Criança no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

Criança no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

O senso de urgência para a execução da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável foi renovado diante dos efeitos da pandemia de COVID-19 no Brasil e no mundo, na avaliação do coordenador-residente da ONU no país, Niky Fabiancic.

“Como sabemos, a Agenda 2030, com seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, foi o plano elaborado pelos 193 países-membros das Nações Unidas para a construção de um mundo mais justo e sustentável, que não deixe ninguém para trás”, lembrou.

“Quando este plano foi acordado pelos países em 2015, com intensa liderança do Brasil, os países tinham consciência de que estavam discutindo os desafios mais urgentes enfrentados pela humanidade. Esses países aprovaram a Agenda 2030 com a certeza de que avançar no cumprimento dos 17 ODS era o caminho mais curto, justo e seguro para a superação desses desafios.”

Para Fabiancic, cinco anos após sua aprovação, o senso de urgência da execução desse plano foi renovado pela “gigantesca emergência sanitária que a pandemia de COVID-19 impôs ao mundo”.

“Temas que já estavam expressos na Agenda 2030 em 2015, como o acesso à água e a saneamento básico e a universalização dos serviços de saúde, se mostram imprescindíveis para a superação desta crise sem precedentes”, disse.

As declarações foram feitas na sexta-feira (31), em Brasília (DF), durante audiência pública da Frente Parlamentar Mista em Apoio aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Congresso Nacional.

Na ocasião, foi lançado o IV Relatório Luz da Sociedade Civil sobre a Agenda 2030, produzido pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, o GT Agenda 2030 – coalizão formada por 51 organizações, fundações e movimentos brasileiros.

O documento é a única publicação no Brasil, organizado pela sociedade civil, que apresenta um panorama sobre como os 17 ODS estão sendo implementados no Brasil, país que foi um dos 193 signatários do acordo que deu origem à Agenda 2030, na ONU.

Clique aqui para acessar o relatório.

“O Relatório Luz que está sendo lançado hoje nos alerta que não estamos avançando na implementação dos ODS na velocidade que precisamos. Isso não é uma novidade e nem é uma exclusividade do Brasil”, disse Fabiancic.

No início do ano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, já havia feito um chamado para que esta fosse a Década de Ação, para que todo o mundo empreendesse mais esforços para tirar os ODS do papel.

“A pandemia nos mostra que essa união é imprescindível e que investir em saúde, educação, saneamento e na preservação do meio ambiente é estratégico. Parafraseando o secretário-geral, o mundo é tão forte quanto seu elo mais fraco.”

Segundo o coordenador-residente da ONU no país, a pandemia alcançou o Brasil, assim como toda a América Latina, em uma situação desfavorável, e a crise decorrente da pandemia agravou essa situação.

As desigualdades históricas são determinantes para a forma e a intensidade com que cada pessoa experimenta os efeitos da pandemia, disse. “As pessoas que já se encontravam em situação vulnerável foram mais duramente atingidas. Elas estão mais suscetíveis aos efeitos na saúde, já que têm menos condições de adotar as medidas de prevenção à doença, e muitas delas têm mais chance de desenvolver as formas graves da COVID-19.”

“Ao mesmo tempo, são esses grupos vulneráveis que sofrem mais com os efeitos socioeconômicos da pandemia. Trabalhadores informais, mulheres, indígenas, afrodescendentes, pessoas com deficiência são alguns dos grupos que que estão sentindo os piores efeitos da crise socioeconômica provocada pela pandemia.”

O Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe deve recuar 9,1% este ano – enquanto a queda prevista para o PIB brasileiro é de cerca de 9%. A pobreza deve chegar a mais de 37% da população da região, ou seja, 231 milhões de pessoas, enquanto 98 milhões de pessoas viverão em situação de pobreza extrema, segundo projeções da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

Fabiancic lembrou que o desemprego e a informalidade também devem aumentar, com o fechamento de 2,7 milhões de empresas, somando 44 milhões de pessoas sem emprego na região. No Brasil, a pobreza deve chegar a 25% da população, ou cerca de 50 milhões de pessoas, salientou.

“Portanto, a desigualdade, que já era intensa, deve ser acirrada. E com mais desigualdade, a tendência é termos desafios maiores em todas as áreas do desenvolvimento, como saúde, educação, trabalho e renda, lacunas de gênero, segurança alimentar, meio ambiente e crescimento econômico.”

Altos níveis de desigualdade são um empecilho para o desenvolvimento e estão associados a instabilidade econômica, corrupção, crises financeiras, aumento da criminalidade e condições de saúde ruins, disse Fabiancic.

“Precisamos quebrar esse ciclo e, para isso, precisamos ter dados confiáveis e oportunos, como estes do Relatório Luz. Portanto desejo parabenizar a todas as organizações que fizeram um grande esforço para a preparação deste relatório.”

As Nações Unidas, por meio da CEPAL, têm algumas recomendações para que os países consigam quebrar o ciclo de desigualdade, entre elas, a implementação de programas de renda básica, que ajudarão inicialmente as famílias pobres a atravessar o período mais crítico da crise, disse Fabiancic.

Outras recomendações incluem a adoção de políticas sociais universais, de saúde e educação, ancoradas em reformas fiscais progressivas e distributivas, tanto nos impostos quanto nas despesas públicas. “Políticas desse tipo provocarão mudanças estruturais duradouras capazes de levar a região a um modelo de desenvolvimento mais inclusivo e sustentável”, disse.

Fabiancic lembrou que a geração de emprego e renda deve ser uma prioridade, principalmente por meio do apoio a pequenas e médias empresas. Também deve haver alinhamento de esforços pela redução da grande lacuna digital da região, como no acesso à Internet, que também favorecerá a redução de outras desigualdades e a geração de emprego e renda.

“Essas quatro recomendações têm um aspecto em comum: políticas fiscais e monetárias expansivas, que mantenham um período mais longo de investimentos que não seja interrompido por regimes de austeridade”, disse.

“Encorajamos o Congresso Nacional e a sociedade brasileira como um todo a se engajar nesta discussão para encontrar as soluções mais adequadas para que o Brasil construa um futuro melhor, com igualdade, inclusão e sustentabilidade.”

“Enxergamos o Sistema Nações Unidas como um catalisador de diálogos e seguimos à disposição do Brasil para facilitar essa grande conversa. Estou seguro de que com todo seu potencial e criatividade, o Brasil será capaz não apenas de encontrar soluções inovadoras para seus desafios, como também de contribuir para que todo o mundo emerja desta crise melhor do que antes”, concluiu Fabiancic.

Clique aqui para acessar a íntegra do discurso do coordenador-residente da ONU Brasil.

Mergulho virtual nas águas de Belize ensina como proteger os oceanos

Participe da campanha e faça um mergulho virtual através de três ecossistemas marinhos ameaçados por atividades humanas como o turismo, a pesca e a poluição. Foto: Фото ЮНЕП

Você gostaria de mergulhar nas águas caribenhas do Belize para aprender como proteger nossos ecossistemas marinhos?

Junte-se à campanha Selvagem Pela Vida do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e participe de uma jornada virtual e imersiva através de três ecossistemas marinhos únicos, mas conectados – florestas de mangues, campos marinhos e recifes de coral –, ameaçados por atividades humanas como o turismo, a pesca e a poluição.

Jornada Marinha, disponível em português, permite que os usuários explorem o fundo do mar como três personagens diferentes, mostrando como a biodiversidade fornece bens e serviços vitais à humanidade, além de apresentar as ameaças que esses ecossistemas estão enfrentando e ensinar como ações simples podem ajudar a proteger esses habitats interconectados.

Os personagens – um turista, um barqueiro ou um pescador – representam as pessoas que desfrutam dos oceanos para atividades de lazer nas férias, para a recreação de quem mora no litoral e para negócios relacionados aos oceanos. Cada indivíduo tem motivos únicos para sua jornada e representa tanto uma ameaça quanto uma oportunidade para os oceanos. Os usuários são encorajados a experimentar a jornada com os três personagens.

Por que Belize?

Vizinho do México, da Guatemala e do Caribe, o Belize abriga cerca de 300 km do Recife de Coral Mesoamericano, do qual cerca de 200.000 pessoas dependem para atividades como pesca e turismo. Além disso, o país é conhecido por suas estratégias inovadoras voltadas para a proteção dos oceanos. Por exemplo, eles exigem uma licença para os indivíduos pescarem nas águas do país e todas as capturas devem ser relatadas, o que tem ajudado a coibir a pesca ilegal.

Ao participar da jornada como turista, o primeiro ecossistema visitado será as florestas de mangues, apontadas como as “Guardiãs da Costa”. Os usuários aprenderão que os manguezais abrigam muitas espécies comercializadas de peixes e ajudam a mitigar as mudanças climáticas, pois são sumidouros de carbono extremamente eficientes.

No entanto, esses ambientes estão ameaçados pelos impactos negativos das atividades humanas, como o desenvolvimento costeiro, a aquicultura e a poluição. Enquanto exploram os manguezais, os usuários examinarão o impacto das ações humanas, como os riscos gerados ao alimentarmos peixes em seu habitat.

Outro ecossistema explorado são os campos marinhos, apontados como a “Creche do Mar”, onde animais jovens e vulneráveis ​recebem os cuidados necessários até se tornarem fortes o suficiente para se mudar para recifes e outros ecossistemas marinhos.

A jornada final passa pelos recifes de coral, as “Cidades do Mar”, outro ecossistema ameaçado. Durante o passeio, os usuários aprendem como as atividades humanas, por exemplo o uso de filtros solares inadequados, pode afetar os corais. Protetores solares químicos que utilizam ingredientes como a avobenzona e a oxibenzona são tóxicos para os recifes de coral, por isso é recomendado o uso de protetores solares minerais, que são mais seguros para a pele e para os recifes.

O PNUMA e parceiros trabalham no Belize como parte da Convenção de Cartagena para a proteção e gestão de ecossistemas marinhos. O país nomeou três Áreas Marinhas Protegidas como parte do Protocolo de SPAW e em apoio ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (Vida na Água): a Reserva Marinha do Recife de Glover, a Reserva Marinha de Hol Chan e a Reserva Marinha de Porto Honduras.

A coordenadora do Departamento de Água Doce e Ecossistema Marinho do PNUMA, Leticia Carvalho, defende que os seres humanos têm muito a ganhar com ecossistemas saudáveis.

“Os recifes de coral são os ecossistemas mais biodiversos do oceano e abrigam aproximadamente 25% das espécies marinhas, fornecendo meios de subsistência para pelo menos 500 milhões de pessoas em todo o mundo. Infelizmente, eles também são os que mais sofrem com as mudanças climáticas. Agora é a hora de os Estados-membros se unirem para enfrentar a crise global dos recifes de coral e proteger esses valiosos ecossistemas”, completou.

Conforme afirma o relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) de 2019, a biosfera está se deteriorando mais rápido do que nunca. Um milhão de espécies de plantas e animais estão em risco de extinção e alguns já enfrentam esse risco há décadas.

A Jornada Marinha visa mobilizar e inspirar as pessoas a conservarem nossos valiosos ecossistemas marinhos. Essa é a primeira de quatro jornadas distintas, com futuros projetos incluindo ambientes como turfeiras, savanas e florestas.

O modelo segue o exemplo de outro produto inovador: em março de 2020, a campanha Selvagem Pela Vida lançou a Jornada nos Corais, um desafio virtual que permite explorar um recife de coral através do olhar de uma tartaruga marinha, a fim de entendermos seu papel singular na manutenção do equilíbrio da natureza.

Reconstruir melhor no pós-pandemia demanda respeito ao direito das futuras gerações

Atualmente, os jovens estão muito à frente nos esforços de proteger o planeta se comparados às gerações anteriores. Foto: pixabay/Alexandra Koch

Atualmente, os jovens estão muito à frente nos esforços de proteger o planeta se comparados às gerações anteriores. Foto: pixabay/Alexandra Koch

Para nos recuperarmos da crise da COVID-19, será necessário um esforço intergeracional. As decisões tomadas hoje sobre os setores econômicos que devemos priorizar e as oportunidades que devemos aproveitar para nossa recuperação podem impactar desproporcionalmente a vida de jovens e crianças.

Temos uma geração emergente de eleitores e consumidores cada vez mais conscientes. Por isso, é fundamental garantirmos um futuro saudável, seguro e mais resiliente às ameaças globais, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Com aulas pela Internet, os horários foram alterados e as rotinas de crianças e adolescentes estão bagunçadas. É difícil saber o que a COVID-19 mudará no longo prazo nas crianças que estão enfrentando a pandemia atual, mas certamente haverá mudanças. Sejam de atitudes em relação à sociedade, ao trabalho ou à educação, a geração jovem não sairá dessa situação do mesmo jeito que entrou.

Uma das áreas com mais transformações pode ser a do meio ambiente.

Atualmente, os jovens estão muito à frente nos esforços de proteger o planeta se comparados às gerações anteriores. Eles viram em primeira mão os impactos gerados por uma crise realmente global. Para os que já estavam preocupados com a crise climática, a pandemia pode ter fortalecido sua determinação em transformar o planeta para melhor.

Muitos movimentos liderados por jovens, como as Sextas-feiras pelo Futuro, que mudaram o teor social da ação climática, não pararam, mas passaram a acontecer pela Internet. Durante esse período de distanciamento social, em vez de interromperem seus trabalhos, os jovens estão se expressando de dentro de casa.

Além da ação social, eles continuam avançando política e legalmente. Autoridades recém-nomeadas em algumas partes do mundo assumiram compromissos perante a jovens que estão trabalhando para priorizar garantias ambientais para os esforços de recuperação da COVID-19.

As petições lideradas por eles continuam a tramitar nos tribunais de Colômbia, Canadá, Noruega, Estados Unidos e outros, para intimar governos e empresas a agirem pelo meio ambiente.

Já o PNUMA está apoiando esforços para promover o direito das crianças a terem um ambiente saudável, seguro, limpo e sustentável.

Nenhum grupo é mais vulnerável aos danos ambientais do que as crianças, explica o relator especial da ONU sobre direitos humanos e meio ambiente, David Boyd. “Toda criança na Terra, não importa em que país viva, deve ter o direito de viver, brincar e estudar em ambientes saudáveis”, diz Boyd.

“Hoje, muitas crianças sofrem com a poluição do ar, a contaminação da água e os alimentos inadequados. Também são preocupantes os impactos crescentes da mudança climática e a redução dos ecossistemas e da biodiversidade, que infligirão danos crescentes às crianças no futuro, incluindo mais pandemias como a COVID-19, a menos que as tendências atuais sejam revertidas.”

A iniciativa #MeuPlanetaMeusDireitos culminará na preparação de uma “Declaração para o Direito das Crianças a um Meio Ambiente Saudável”.

A Declaração irá inspirar ações adicionais para estabelecer padrões nos níveis internacional e nacional e alimentar esforços para estabelecer um direito global a um ambiente saudável. O trabalho sobre a Declaração começou com consultas na América Latina e na Ásia em 2019 e continuará acontecendo até o próximo ano, à medida que mais regiões forem introduzidas.

A COVID-19 expôs a vulnerabilidade dos sistemas globais para proteger o meio ambiente, a saúde e a economia, demonstrando que não há soluções individuais para uma crise global.

Mas a pandemia nos permitiu repensar nosso relacionamento com a natureza e nos proporcionou a oportunidade de nos reconstruirmos melhor como planeta. O ponto central desse esforço é o princípio de que todos temos direito a um ambiente saudável. Em especial, devemos defender esse direito para as crianças, que muitas vezes não conseguem exercê-lo sozinhas.

É um princípio que foi refletido nas declarações do secretário-geral da ONU, António Guterres, que afirmou que a nosso processo de reconstrução deve “respeitar os direitos das gerações futuras”.

Se as atitudes dos jovens continuarem a se solidificar com a ação ambiental por causa da pandemia, os adultos poderão não ter escolha a não ser agir.

Como Boyd observa, “milhões de crianças e jovens em todo o planeta estão pedindo por mudanças. As crianças falaram, agora os adultos devem agir”.

Concentração global de CO2 bate recorde mesmo durante crise da COVID-19

As cidades deverão produzir mais de 70% das emissões de gás carbônico globais e consumirão 80% da energia do mundo em 2030. Foto: UNsplash

As cidades deverão produzir mais de 70% das emissões de gás carbônico globais e consumirão 80% da energia do mundo em 2030. Foto: UNsplash

Nas últimas semanas, à medida que o mundo parava para combater a pandemia de coronavírus, houve muitos relatos de melhoria na qualidade do ar em alguns lugares. No entanto, ninguém deve pensar que a crise climática está resolvida.

Os dados mais recentes da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) mostram que os níveis globais de dióxido de carbono (CO2) estão aumentando acentuadamente.

Em abril de 2020, a concentração média de CO2 na atmosfera era de 416,21 partes por 1 milhão (ppm), a mais alta desde o início das medições, que começaram em 1958, no Havaí.

A Sala Mundial de Situação Ambiental do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) mostra um aumento representativo de mais de 100 ppm nas concentrações de CO2 desde março de 1958.

A curva indica flutuações sazonais esperadas: o Hemisfério Norte possui maior massa de terra que o Hemisfério Sul e a vegetação absorve mais CO2 durante o verão.

No Hemisfério Norte, o pico de concentração de CO2 acontece ao final do inverno, em maio, pois, com o frio, a Terra tem menos processos de fotossíntese e, portanto, os níveis de CO2 sobem até o próximo ciclo.

Quando, então, a fotossíntese volta a ocorrer e as novas folhagens aparecem, elas voltam a absorver CO2, diminuindo as concentrações em cerca de 7,5 ppm até outubro.

Contudo, devido às emissões antropogênicas (liberadas por atividades humanas), as concentrações de CO2 estão aumentando rapidamente.

O gráfico a seguir mostra a diferença nos níveis entre o mesmo mês em diferentes anos (há, por exemplo, um acréscimo de mais de 2,88 ppm entre abril de 2019 e abril de 2020).

Isso mostra que, embora na década de 1960 o aumento em um ano tenha sido de cerca de 0,9 ppm, no período de 2010-2019 a média foi de 2,4 ppm. Há uma tendência ascendente claramente acelerada.

A visão de longo prazo

Usando registros do núcleo de gelo, é possível medir o CO2 aprisionado pelo gelo na Antártica, que remonta a 800 mil anos atrás. Desse período até hoje, nunca tínhamos atingido 416 ppm.

Dado que o Homo sapiens apareceu cerca de 300 mil anos atrás e o primeiro vestígio do Homo sapiens sapiens (também conhecido como ser humano) data de 196 mil anos atrás, nenhum indivíduo de nossa espécie jamais vivenciou níveis tão altos de CO2.

“Isso é, obviamente, uma grande preocupação para o clima e demonstra, mais uma vez, que ações urgentes são necessárias para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Para manter a média de aquecimento global em 1,5°C, precisamos zerar as emissões líquidas até 2040 – no mais tardar, até 2055”, disse o diretor do GRID-Genebra do PNUMA e gerente de programas da Sala Mundial de Situação Ambiental, Pascal Peduzzi.

Esses resultados podem ser surpreendentes para aqueles que assumem com otimismo que a COVID-19 reduzirá as emissões globais totais.

Embora seja verdade que o tráfego veicular e aéreo, bem como a atividade industrial, tenham sido drasticamente reduzidos na maior parte do mundo desde janeiro de 2020, esse não é o caso do consumo de eletricidade. De acordo com o Panorama Energético Mundial 2019, 64% das fontes globais de energia elétrica provêm de combustíveis fósseis (carvão: 38%, gás: 23%, petróleo: 3%).

Os sistemas de aquecimento estão funcionando como antes da COVID-19 e nenhuma das questões fundamentais mudou – como a busca por energia renovável, o uso de transporte público e o fim do desmatamento.

Além disso, incêndios florestais mais frequentes e severos, provocados pela mudança climática e outras origens, continuam afetando países como Brasil, Honduras, Mianmar, Tailândia e Venezuela, emitindo grandes quantidades de CO2 adicional.

“Sem mudanças fundamentais na produção global de energia, não teremos motivos para esperar uma redução duradoura dessas emissões”, afirmou o especialista em mudanças climáticas do PNUMA, Niklas Hagelberg.

“A COVID-19 nos dá a oportunidade de medir os riscos que estamos assumindo com o relacionamento insustentável com o meio ambiente e de aproveitarmos para reconstruir nossas economias de maneira mais ecológica. Devemos levar em consideração as ameaças globais, como pandemias e desastres climáticos, a fim de criar mercados, empresas, países e sistemas globais resilientes e gerar um futuro saudável e sustentável para todos.”

“Apoiar o estímulo fiscal e os pacotes financeiros para aproveitar a descarbonização e a transição acelerada para energias limpas e renováveis não será apenas uma vitória econômica de curto prazo, mas também uma vitória para a resiliência futura”, acrescentou.

PNUMA mapeia zoonoses e protege meio ambiente para reduzir riscos de pandemias

O PNUMA é a principal voz global em temas ambientais. Foto: Pixabay

O PNUMA é a principal voz global em temas ambientais. Foto: Pixabay

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) está intensificando seu trabalho no mapeamento de ameaças zoonóticas e na proteção do meio ambiente para reduzir o risco de futuras pandemias, como a da COVID-19, que se espalhou por todo o mundo.

No documento “Trabalhando com o Meio Ambiente para Proteger as Pessoas” divulgado nesta terça-feira (12), o PNUMA mostra como está se ajustando para responder à COVID-19 e apoiar nações e parceiros na reconstrução de um mundo melhor – por meio de de bases científicas mais sólidas, políticas que apoiem um planeta mais saudável e investimentos verdes.

A resposta do PNUMA abrange quatro áreas: apoiar nações na gestão de resíduos relacionados ao novo coronavírus; gerar uma mudança transformadora para a natureza e as pessoas, trabalhar para garantir que os pacotes de recuperação econômica criem resiliência a crises futuras e modernizar a governança ambiental global.

“Com a COVID-19, o planeta emitiu seu maior alerta de que a humanidade precisa mudar”, afirmou a diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen.

“Suspender as economias é uma resposta de curto prazo ao alerta. É uma medida que não vai durar. Economias que trabalhem com a natureza são essenciais para garantir que as nações do mundo prosperem.”

No intuito de apoiá-las em seus esforços para lidar com os impactos socioeconômicos e ambientais da COVID-19, o PNUMA coordenará seu trabalho com o restante do sistema das Nações Unidas.

Exemplos das intervenções incluem:

Apoiar os tomadores de decisão a lidarem com um maior volume de resíduos perigosos – como equipamentos de proteção individual, equipamentos eletrônicos e produtos farmacêuticos – de forma que não prejudiquem ainda mais a saúde humana ou o meio ambiente.

Criar um programa de risco e resposta a zoonoses para aperfeiçoar as habilidades dos países de reduzirem ameaças por meio de abordagens ambientais positivas – incluindo um novo mapeamento global dos riscos do comércio irregular de animais silvestres, da fragmentação de habitats e da perda de biodiversidade.

Promover oportunidades de investimento na natureza e na sustentabilidade como parte da resposta à crise do COVID-19 – inclusive por meio de fundos que o PNUMA gerencia e por pacotes de estímulo econômico que os países estão planejando.

Alcançar os verdadeiros agentes econômicos para remodelarem, ampliarem e acelerarem o consumo e a produção sustentáveis ​​e criarem empregos verdes – fazendo parcerias com agências da ONU, órgãos financeiros, governos e instituições do setor privado, bem como revitalizando mercados e cadeias de suprimentos para produtos ecológicos e sustentáveis.

Reavaliar as implicações de mover a governança ambiental e o multilateralismo para plataformas de reuniões online, reduzindo o impacto ambiental.

“A ideia de que um mundo natural próspero é essencial para a saúde humana, as sociedades e as economias sempre foi central para o trabalho do PNUMA”, disse Andersen.

“Mas agora devemos fornecer ainda mais apoio aos países, enquanto eles reduzem o risco de futuras pandemias por meio da restauração de ecossistemas e da biodiversidade, combate à mudança do clima e redução da poluição.”

ARTIGO: Pagamento por serviços ambientais

Mudanças climáticas ameaçam a Amazônia e, consequentemente, disponibilidade de recursos hídricos para países da região. Foto: Flickr (CC) / Dams999

Amazônia. Foto: Flickr (CC) / Dams999

Por Katyna Argueta*

O novo coronavírus reduziu as emissões de efeito estufa mais rapidamente que anos de negociações internacionais e certamente conseguiu despertar a consciência global muito mais depressa do que a mudança do clima. Foi capaz, em poucas semanas, de gerar alteração de hábitos, consenso político e aceitação mais ou menos ampla de medidas de distanciamento social, enquanto a mudança global do clima parece ter ainda que justificar, entre alguns setores, a importância de modificar hábitos de consumo, reciclar ou reutilizar, para garantir a sustentabilidade do planeta.

Em meio aos esforços da sociedade para combater a pandemia do novo coronavírus, passou despercebida no Brasil a assinatura do documento de projeto Pagamentos por resultados de Redd+ (redução de emissões provenientes de desmatamento e degradação florestal) por resultados alcançados pelo país no bioma Amazônia em 2014 e 2015 com recursos do Fundo Verde para o Clima (GCF, em na sigla em inglês), cujo objetivo é expandir a ação humana
coletiva para responder à mudança global do clima. Tem financiamento de 49 países/regiões/cidades, incluindo nove países em desenvolvimento.

O projeto, assinado pelo Ministério do Meio Ambiente, Ministério das Relações Exteriores e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), é histórico tanto no plano mundial quanto no nacional. Trata-se da primeira proposta em nível global no âmbito do programa piloto de pagamentos baseados em resultados do Redd do GCF. Ademais, nacionalmente, representa mudança de paradigma no sentido de buscar remunerar quem
preserva a floresta Amazônica por meio de compensação por serviços ambientais.

Conhecidos também como pagamentos por serviços ecossistêmicos ou PSA, os recursos se destinam a proprietários e administradores de terras ou outros espaços que concordaram com determinadas ações voluntárias para gerenciar os bens naturais ali existentes com vistas a fornecer um serviço ecológico que dificilmente poderia ser fornecido ou mantido na ausência de pagamentos. Os “serviços” podem incluir a proteção de bacias hidrográficas, a conservação da biodiversidade, a promoção do estoque de dióxido de carbono por meio, por exemplo, do replantio de árvores, da manutenção da floresta em pé ou do uso de diferentes técnicas agrícolas.

Trata-se, portanto, de instrumento para promover a conservação e solucionar as falhas do mercado relacionadas ao meio ambiente. A abordagem reconhece o importante papel que o ambiente desempenha para o bem-estar e a prosperidade econômica. Desde o primeiro projeto piloto na Costa Rica, em 1997, número crescente de iniciativas de PSA foi implementado em comunidades, regiões ou países. Exemplos incluem o programa nacional do México para proteção florestal, políticas agroambientais nos Estados Unidos e na União Europeia, serviços
ecossistêmicos para proteção de chimpanzés nas florestas de Uganda e o Programa de Conversão de Terrenos em Encostas da China.

O PSA é diferente dos instrumentos convencionais de política ambiental ao operar por meio de incentivos, ao invés de desincentivos (como regulamentos legais, mecanismos de sanções ou impostos). O recurso configura tanto sua virtude quanto seu maior desafio. Se bem planejados, os pagamentos podem ser solução eficiente na consecução de objetivos ambientais com significativos benefícios socioeconômicos. No entanto, o design deficiente pode levar ao desperdício de meios financeiros ou induzir efeitos comportamentais adversos.

As discussões sobre a eficácia dos pagamentos por serviços ambientais devem ser estimuladas, considerando que oferecem ferramenta política para a verificação das sinergias e o equilíbrio entre as dimensões ambientais, sociais e econômicas enfatizadas pela Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Ademais, o reconhecimento do valor econômico dos recursos naturais pela sociedade fornece arcabouço relevante para que os setores público e privado trabalhem juntos.

A crise ambiental parece geral e distante, enquanto o novo coronavírus é imediato. Estamos menos dispostos a modificar nosso comportamento quanto mais distantes nos pareçam as consequências de não o fazermos. Atendemos ao urgente e ao mais visível frente ao tardio e silencioso e isso confirma que, como sociedade, funcionamos à base de pressões e incentivos.

Em meio a tantos textos e reflexões sobre o combate ao novo coronavírus, não é, portanto, estranho falar de incentivos como os pagamentos por serviços ambientais. Afinal, meio ambiente saudável e bem-estar são fundamentais à vida, à sociedade e à economia. De nossas decisões dependerá construir um futuro sustentável no qual os habitantes possam ser capazes de resistir a suas provocações.

*Katyna Argueta, representante-residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil.

Invasão de habitats naturais intensifica surgimento de zoonoses, diz especialista

Na agricultura intensiva, animais são criados em ambientes pequenos e densos, e têm diversidade genética limitada, o que os torna mais suscetíveis a doenças. Foto: OPAS

Na agricultura intensiva, animais são criados em ambientes densos, e têm diversidade genética limitada, o que os torna mais suscetíveis a doenças. Foto: OPAS

No passado, os coronavírus que acometiam os humanos causavam apenas infecções leves. Isso mudou em 2002, quando o vírus SARS-CoV se apresentou como a doença que agora conhecemos como SARS. Em 2020, um parente desse mesmo vírus, o SARS-CoV-2, se apresentou como a COVID-19.

O especialista ugandês Bernard Bett lidera as pesquisas sobre doenças infecciosas negligenciadas e emergentes no Instituto Internacional de Pesquisa Pecuária, como parte do portfólio do movimento “Melhorando a Saúde Humana”.

Seus estudos sobre zoonoses – doenças transmissíveis entre animais e humanos – foram referência para o Relatório Fronteiras do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em 2016, e chamaram a atenção para uma questão que agora preocupa o mundo. Nesta entrevista, Bett discute a delicada relação entre seres humanos, animais selvagens e os patógenos que circulam entre eles.

A COVID-19 parece ter pego grande parte do mundo de surpresa. Qual foi sua reação?

Não fiquei surpreso com o surgimento em si. Muitas patologias emergentes foram relatadas nos últimos dez anos, mas não vimos nada como a COVID-19, que afetou quase todos os países do mundo. O que me surpreendeu foi sua rápida disseminação.

As doenças zoonóticas parecem estar ocorrendo com mais frequência do que antes. Por que?

As zoonoses estão realmente mais frequentes. Uma revisão das tendências globais de doenças infecciosas emergentes desde 1940 confirma que seus surtos têm aumentado com o tempo. Cerca de 60% dessas doenças são zoonóticas e mais de 70% das infecções são causadas por patógenos originários na vida selvagem. Algumas das razões pelas quais elas estão mais frequentes são a crescente aproximação entre animais selvagens e humanos, a invasão de habitats naturais, a urbanização e o desenvolvimento socioeconômico.

À medida que a população humana cresce e as economias se desenvolvem, a demanda por alimentos e outros bens também aumenta. Indústrias como a agrícola são intensificadas. O uso da terra, as mudanças climáticas, o desenvolvimento econômico, o crescimento populacional e as pessoas que vivem em áreas densamente povoadas contribuem para o surgimento de zoonoses, facilitando a disseminação de patologias entre animais e seres humanos.

É possível mudar essa realidade? Como os patógenos se cruzam?

As doenças emergentes ocorrem devido a alterações na estrutura biológica de um patógeno, na capacidade dos hospedeiros de resistirem a infecções e/ou na capacidade do ambiente de controlar surtos.

Um vírus inofensivo pode evoluir para uma forma muito mais patogênica, seja por mutações genéticas ou por recombinação com outros organismos que carregam características patogênicas críticas. Pequenas mutações geralmente ocorrem conforme os vírus se multiplicam ou conforme eles tentam sobreviver melhor em seus hospedeiros.

Para os seres humanos, pensamos em mudanças nas práticas de subsistência – principalmente no desenvolvimento socioeconômico, que geralmente promove agricultura intensiva, onde muitos animais são criados em ambientes pequenos e densos. Esses animais e pássaros que são frequentemente criados nas fazendas têm uma diversidade genética limitada. Populações hospedeiras geneticamente homogêneas são mais suscetíveis a doenças.

O uso da terra e as mudanças climáticas reduzem a capacidade do ambiente de controlar infecções. Esses fatores desestabilizam a interação patógeno-hospedeiro em ambientes limpos, aumentando a oportunidade de disseminação zoonótica.

A utilização de áreas protegidas, por exemplo, para horticultura, pastoreio ilegal ou caça de animais silvestres, coloca humanos e animais domésticos em contato direto com ambientes potencialmente infectados. Quando as pessoas degradam os habitats da vida selvagem ou estabelecem seus próprios assentamentos em algumas áreas, elas se tornam parte do ecossistema e do ciclo selvático – o ciclo de transmissão viral que ocorre entre os animais nas florestas.

Reunindo essas três coisas, temos um ambiente ideal para doenças zoonóticas.

Você diria que os seres humanos estão reduzindo os limites entre a vida humana e a animal?

A urbanização influencia a ocorrência de doenças de maneira peculiar. Sistemas de drenagem e eliminação de resíduos inadequados fornecem condições para vetores de artrópodes, roedores e aves transmitirem patógenos para prosperar. A alta densidade da população humana em assentamentos peri-urbanos é outro fator crítico que aumenta esse contato, promovendo a disseminação de patologias infecciosas.

Como as mudanças climáticas influenciam essa dinâmica?

Existe uma grande ligação entre as mudanças climáticas e a disseminação de doenças. As mudanças climáticas são impulsionadas pelo aumento da temperatura média global. Seus efeitos na transmissão de patologias são complexos.

Em geral, um aumento na temperatura até determinado ponto (em torno de >40°C) amplia as taxas de desenvolvimento de vetores e patógenos – contudo, a partir daí um adicional na temperatura mataria a maioria dos vetores. As mudanças climáticas também promovem a incidência de eventos extremos, como fortes chuvas e inundações, que têm impactos substanciais na propagação de doenças. As inundações, por exemplo, levam à a abundância de vetores, incentivando as infecções transmitidas por artrópodes.

A relação entre seres humanos e natureza é bastante delicada. O que podemos fazer para equilibrá-la?

Em termos de patologias, a biodiversidade é essencial para preservarmos a saúde das pessoas, dos animais e do meio ambiente. Pesquisas mostram que, quando você conserva o meio ambiente e possui várias espécies hospedeiras, o risco geral de transmissão de patógenos é reduzido por meio de algo conhecido como efeito de diluição. Isso ocorre porque, em uma população de hospedeiros mistos, alguns seriam hospedeiros “sem saída”, não permitindo a ocorrência de infecções; por isso, conservar a natureza é uma maneira de mitigar a propagação de doenças.

Quais são algumas lições práticas que podemos extrair da resposta à COVID-19 até agora?

Em primeiro lugar, precisamos relatar as doenças assim que elas surgirem e montar um plano de intervenção eficaz. Em segundo lugar, é bom continuar o que estamos fazendo agora – desenvolvendo medicamentos e vacinas que podem ser aproveitados durante epidemias. Em terceiro lugar, devemos pensar em incentivos para as comunidades participarem do controle de doenças. O distanciamento social funciona bem em algumas regiões, mas em outras, onde as práticas de subsistência exigem que as pessoas se mudem de um lugar para outro, a medida é difícil de implementar.

O que devemos fazer de diferente para reduzir a ocorrência e mitigar o impacto das doenças zoonóticas no futuro?

A natureza cuida bem de si mesma, então, a melhor maneira de gerenciar zoonoses é conservá-la e proteger a biodiversidade.

As intervenções para doenças infecciosas emergentes devem ser implementadas com a colaboração de várias agências inseridas no âmbito da One Health. As doenças zoonóticas afetam seres humanos, rebanhos e vida selvagem ao mesmo tempo. Os médicos especialistas devem se reunir com veterinários, ambientalistas e partes interessadas para encontrar soluções. Os cientistas sociais também devem participar dessas intervenções, pois precisamos entender melhor o comportamento das comunidades para implementar quaisquer mudanças em possíveis pontos focais de zoonoses.

Por fim, precisamos diversificar nossa atenção – observar a economia e os meios de subsistência. Porque, no fim das contas, quando queremos nos recuperar de epidemias ou pandemias, voltamos aos meios de subsistência. Por isso, é importante que os governos pensem em abordagens multifacetadas para enfrentar a COVID-19.

Quarentena com o Pacto aborda relação entre pandemia e sustentabilidade

Profissional em trabalho remoto é uma das medidas relatadas pelas empresas do Pacto Global para conter o coronavírus. Foto: Pixabay

Profissional em trabalho remoto é uma das medidas relatadas pelas empresas do Pacto Global para conter o coronavírus. Foto: Pixabay

A Rede Brasil do Pacto Global promove a segunda edição do projeto Quarentena com o Pacto, que promove discussões sobre a pandemia sob a perspectiva dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e dos Dez Princípios do Pacto Global. Confira abaixo os próximos webinars:

Covid-19: perspectivas, articulação e apoio

Rede Brasil convida lideranças para abordar o atual cenário e perspectivas econômicas e sociais da COVID-19, assim como o papel das iniciativas privada e pública no contexto de pandemia.

Participantes:

  • Julien Imbert – Sócio do BCG no Brasil
  • Teresa Vernaglia – CEO da BRK Ambiental
  • Nicola Cotugno – CEO da Enel Brasil
  • Jonas Donizette – Presidente da Frente Nacional de Prefeitos
  • Mediação: Rodolfo Sirol – Presidente do Conselho de Administração da Rede Brasil do Pacto Global

Data e hora: 29 de abril, às 14h. Inscrições aqui.

Comunicação, reputação e propósito em tempos de pandemia

A COVID-19 está moldando nossa rotina e nosso futuro em diversos aspectos, sejam eles sociais ou individuais. A forma como as empresas se posicionam neste momento em resposta à pandemia pode ser um fator decisivo para proteger e recuperar a reputação frente a uma nova recessão. Como as marcas se inserem nesse contexto? E o que podemos esperar do “novo normal” no que se refere à reputação e ao propósito das organizações?

Participantes:

  • Carlo Pereira – diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global
  • Eraldo Carneiro – head de Consultoria em Gestão Estratégica de Reputação e Propósito da InPress Porter Novelli
  • Roberta Machado – CEO InPress Novelli
  • Sonia Favaretto – presidente do Conselho Consultivo da GRI Brasil e SDG Pioneer do Pacto Global

Data e hora: 5 de maio, de 11h às 12h30. Inscrições aqui.

Importância da Devida Diligência em Direitos Humanos e os desafios durante a epidemia

Ao longo de suas cadeias de valor, as empresas podem ter um enorme impacto na vida das pessoas em todo o mundo. Especialmente em tempos de crise, líderes empresariais devem estar cientes de suas responsabilidades de praticar due diligence em direitos humanos. Neste webinar, Löning – Human Rights & Responsible Business, apresentará uma ferramenta digital criada com intuito de ajudar empresas a dar o primeiro passo para cumprir essa responsabilidade.

Convidados:

  • Löning – Human Rights & Responsible Business

Data e hora: 13 de maio, de 10h às 11h. Inscrições aqui.

COVID-19 e Clima: Efeitos da pandemia nos padrões de emissões e agenda de enfrentamento das mudanças climáticas

Segundo o coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedi, o período crítico da COVID-19 deve reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa, especialmente no setor energético. Por outro lado, estamos intensificando outros impactos como o uso de materiais e embalagens descartáveis. Alguns destes efeitos são temporários e serão revertidos assim que a economia começar a se recuperar. Outros poderão ser mais perenes, como a redução das viagens aéreas de negócios. Neste webinar iremos discutir estes e outros efeitos da pandemia nos padrões de emissão de GEE e na agenda de mudança do clima.

Convidado:

  • Tasso Azevedo – coordenador MapBiomas e SEEG
  • Abertura de Carlo Pereira – Diretor-executivo da Rede Brasil co Pacto Global

Data e hora: 14 de maio, de 14h às 15h30. Inscrições aqui.

COVID-19 e Corrupção: como empresas e suas áreas de integridade estão respondendo

Esse webinar, mediado pelo Fórum Econômico Mundial, traz como foco central a discussão de como as empresas brasileiras e suas áreas de integridade e compliance têm reagido aos desafios que o momento coloca, principalmente em termos de corrupção. O webinar convida empresas da Rede Brasil do Pacto Global a discutir os desafios anticorrupção nas suas ações atuais de reação à crise, principalmente nas doações.

Convidados:

  • Silvio Dulinsky – membro do comitê executivo do Fórum Econômico Mundial

Data: 20 de maio, de 11h às 12h. Inscrições aqui.

ONU e parceiros coordenam esforços para apoiar defensores ambientais

A indiana Fátima Babu lidera campanha contra a fundição de cobre Sterlite em Tuticorin há 24 anos. Foto: Thom Pierce /Guardian/Global Witness/PNUMA

A indiana Fátima Babu lidera campanha contra a fundição de cobre Sterlite em Tuticorin há 24 anos. Foto: Thom Pierce /Guardian/Global Witness/PNUMA

Programas das Nações Unidas, defensores do meio ambiente, ONGs e instituições acadêmicas se reuniram em Genebra no fim de fevereiro para discutir como mobilizar a comunidade internacional para apoiar os defensores ambientais.

Em todo o mundo, esses defensores estão lutando por um meio ambiente mais saudável ​​– não apenas para suas comunidades, mas para todos. Apesar de seu trabalho valioso e corajoso, eles continuam altamente vulneráveis ​​e sob crescente ataque em todo o mundo.

Embora a proteção da natureza esteja se tornando cada vez mais essencial e significativa, há um espaço cada vez menor para a defesa dos direitos ambientais, observou Yves Lador, da organização Earthjustice.

Reconhecendo essas questões, diversas organizações implementaram projetos para proteger essas pessoas e fortalecer os direitos ambientais. No entanto, embora necessárias, algumas dessas iniciativas são fragmentadas.

Por isso, os programas e parceiros da ONU se reuniram para deliberar sobre os programas de proteção de defensores existentes. Em vários eventos, organizações intergovernamentais, acadêmicas e da sociedade civil relevantes fizeram um balanço da situação, revisaram as iniciativas existentes e começaram a desenvolver um Roteiro de Genebra (Geneva Road Map, em inglês).

O Roteiro de Genebra busca garantir a implementação efetiva do direito de agir pela proteção da natureza, a fim de fornecer uma plataforma coletiva na qual iniciativas governamentais, sociedade civil, instituições de pesquisas, instituições acadêmicas e o setor privado possam se apoiar.

“Não temos escolha: precisamos mobilizar a comunidade internacional para proteger os defensores do meio ambiente”, disse Yves Flückiger, reitor da Universidade de Genebra.

O primeiro evento foi um workshop técnico intensivo, entre 25 e 26 de fevereiro de 2020, que se concentrou na revisão do conhecimento sobre as mudanças e ameaças que reduzem os espaços da sociedade civil e dos defensores dos direitos humanos ambientais.

Os participantes – que incluíam jovens e mulheres de Quênia, Moçambique, Turquia, Filipinas, Brasil e Rússia – mapearam várias iniciativas e abordagens focadas na proteção dos defensores dos direitos humanos ambientais.

Além disso, reuniram as lições aprendidas nas abordagens de proteção já existentes, identificaram lacunas em todo o espectro de abordagens dos diferentes órgãos e organizações e elaboraram recomendações políticas, elementos para o Roteiro de Genebra e ações para a comunidade apoiadora do meio ambiente e dos direitos humanos em geral.

Em 26 de fevereiro, uma mesa redonda pública discutiu como a comunidade internacional em Genebra – um centro de diplomacia internacional – pode ser organizada para proteger defensores ambientais e espaços cívicos.

Vários defensores puderam compartilhar os testemunhos das ações realizadas em seus países e comunidades. As organizações intergovernamentais, acadêmicas e da sociedade civil envolvidas expressaram profunda solidariedade por seus trabalhos e agradeceram por seus esforços diante de situações muitas vezes tão difíceis.

Além disso, essas organizações compartilharam como é o trabalho com os defensores, se comprometeram a apoiá-los e compartilharam suas expectativas quanto ao Roteiro de Genebra. Foram divulgadas, também, oportunidades de engajamento contínuo, a fim de aproveitar os progressos realizados.

“Os defensores ambientais são essenciais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), porque seus direitos são nossos direitos, seu planeta é o nosso planeta”, disse Grethel Aguilar, diretora-geral da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

Dois eventos paralelos na 43ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU continuaram abordando a construção de métodos de apoio e esclarecimento para a proteção das pessoas que defendem o meio ambiente.

Os participantes discutiram várias iniciativas em andamento para implementar a Resolução 40/11 do Conselho de Direitos Humanos, adotada em 21 de março de 2019, que reconhece a contribuição dos defensores e as obrigações dos Estados de respeitar seus direitos fundamentais.

Entre esses esforços, houve uma discussão sobre como mobilizar a comunidade internacional, tanto do campo dos direitos humanos quanto da conservação ambiental, para responder à crise que estamos enfrentando e unir forças para implementar essa resolução.

Além disso, os participantes se uniram para discutir boas práticas dos governos no reconhecimento e na implementação do direito de viver em um ambiente limpo, seguro, saudável e sustentável.

Durante essas intervenções, eles ainda compartilharam informações e ideias sobre o apoio aos defensores dos direitos humanos ambientais e ajudaram a conscientizar a comunidade internacional e os diplomatas sobre as descobertas e prioridades emergentes do Roteiro de Genebra.

O PNUMA trabalhou com um grande grupo de organizações nesses diferentes eventos, incluindo a Universidade de Genebra, a Academia de Genebra, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o Relator Especial da ONU sobre Direitos Humanos e Meio Ambiente, o Relator Especial da ONU sobre os Defensores dos Direitos Humanos e a Earthjustice.

Escola pela Terra visa manter conexão de alunos com natureza durante período de isolamento

O conteúdo disponibilizado inclui vídeos, textos e atividades – que serão traduzidos para 10 idiomas. Foto: PNUMA

O conteúdo disponibilizado inclui vídeos, textos e atividades – que serão traduzidos para 10 idiomas. Foto: PNUMA

Em resposta à crise da COVID-19, foi criada uma coalizão inédita para lançar a Escola pela Terra (Earth School, em inglês), plataforma que fornece conteúdo educacional gratuito e de alta qualidade para ajudar estudantes, pais e professores em isolamento em todo o mundo. Iniciada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pelo TED-Ed, a Escola pela Terra leva os alunos a uma aventura de 30 dias pelo mundo natural.

O conteúdo disponibilizado inclui vídeos, textos e atividades – que serão traduzidos para 10 idiomas – para ajudar jovens e crianças a entenderem o meio ambiente e considerarem seu papel na natureza. Essa é a maior iniciativa de aprendizagem online feita pelo PNUMA e está disponível gratuitamente no site do TED-Ed.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), mais de 1,5 bilhão de alunos foram afetados pelo fechamento das escolas por conta do COVID-19. A pandemia provocou uma crise de saúde, econômica e educacional; nessa era de restrições físicas e sociais, há uma necessidade global de educação científica.

É por isso que o PNUMA e o TED-Ed – em parceria com outros 30 colaboradores, como a National Geographic, a WWF e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) – se uniram para lançar a Escola pela Terra em pouco mais de duas semanas. Construída para crianças e jovens de 5 a 18 anos, ela abrange 30 dias letivos que se estendem do Dia da Terra até o Dia Mundial do Meio Ambiente – celebrado em 5 de junho, sob o lema Hora da Natureza.

Com videoaulas gratuitas sobre diversos temas, como animais e mudanças climáticas e fazendas subaquáticas, o TED-Ed é o braço educacional do TED, contando com uma biblioteca com milhares de aulas interativas que abrangem todas as idades e assuntos – construída por uma rede de 500 mil educadores de todo o mundo.

Cada aventura ambiental foi cuidadosamente selecionada por um grupo de especialistas para atender a diferentes faixas etárias, consistindo em um experimento prático e uma descoberta da natureza. Além do conteúdo do próprio TED-Ed, a Escola pela Terra contará com vídeos de organizações midiáticas, como a National Geographic, a PBS LearningMedia e a BBC, com o objetivo de capacitar os alunos participantes a cuidarem de nosso planeta.

“Atualmente, bilhões de crianças estão fora das escolas por conta da COVID-19. Mas a educação não pode parar. A pandemia revelou quão profundamente interconectada está toda a vida no planeta”, disse a diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen. “Estou feliz que o PNUMA, juntamente com o TED-Ed e outros colaboradores, estejam lançando a Escola pela Terra. Aprender sobre o mundo natural será fundamental para construir um futuro melhor e mais sustentável para todos”.

“Essa situação inédita em que nos encontramos destaca a importância dos jovens se conectarem com a natureza e entenderem a ciência”, disse a vice-presidente executiva e diretora de educação da National Geographic Society, Vicki Phillips. “Estamos entusiasmados por unir forças com organizações confiáveis ​​como o PNUMA e o TED-Ed para cultivar o descobrimento e gerar empatia pela Terra, independentemente de onde os estudantes estejam – seja dentro de suas casas, em uma janela ou em uma curta caminhada pela vizinhança”.

“Essa plataforma é uma porta de entrada para algumas das lições mais inspiradoras sobre a natureza e o meio ambiente e cada aula traz atividades práticas e divertidas com as quais os alunos podem se envolver e compartilhar com outras pessoas”, disse o diretor fundador do TED-Ed, a iniciativa de educação e juventude do TED, Logan Smalley.

As lições foram escolhidas por uma equipe de especialistas em educação ambiental, incluindo Kathleen Usher (Ph.D) e Jessie Oliver e Juliane Voss, que trabalharam junto de mais de 100 colaboradores na criação da Escola pela Terra. Apoiando o ODS 4.7 e a Década de Ação, a iniciativa ainda contribui com a Coalizão Global de Educação lançada pela UNESCO no mês passado, reunindo governos, parceiros tecnológicos e líderes educacionais para continuar a aprendizagem dos alunos.

Como parte dessa coalizão, o PNUMA explorará como esse conteúdo pode ser adaptado e compartilhado com crianças que não possuem acesso à Internet.

Entre os colaboradores que apoiaram essa iniciativa estão: BBC Ideas; Convenções de Basileia, Roterdã e Estocolmo; Bill Nye, o cientista; Conservação Internacional; CEE; Earth Day Network; Earth Challenge 2020; Environment Online (ENO); GeSI; Comitê Olímpico Internacional; IUCN; Instituto de Segurança Planetária; Junior Achievement; Learning in Nature; Littlescribe; Minecraft; National Geographic Society; Ocean Wise; Only One; Sociedade Geográfica Real; SciStarter; Sitra; TAT; TED-Ed; The Nature Conservancy; Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU; UN SDSN / TRENDS; Laboratórios de Tecnologia e Inovação das Nações Unidas; UNCCD; PNUD; PNUMA; UNESCO; Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima; FAO; Universidade da Pensilvânia; Vult Labs; Associação Mundial de Guias e Escoteiras; Organização Mundial do Movimento Escoteiro; Wild Immersion e WWF.

Economia Verde: As escolhas que fazemos agora moldarão o futuro

Foto: Unplash

Em meio à resposta global à COVID-19, o mundo está precisando de uma transformação econômica sustentável que promova tanto o bem-estar dos indivíduos quanto do meio ambiente. Esse é um momento decisivo para todos. Mesmo diante das adversidades atuais e do prejuízo na economia global, existe a possibilidade de construção de um futuro melhor e mais verde. Mas que dependerá das decisões dos governantes, das empresas e dos indivíduos.

A Parceria para Ação pela Economia Verde (PAGE) tem promovido a transformação econômica sustentável inclusiva em 20 países, desde 2013. Ao longo destes sete anos, a PAGE aprimorou sua grade de conhecimentos, entendendo que, embora as circunstâncias possam variar, existem muitos caminhos para alcançar o mesmo objetivo universal.

Cinco agências da ONU – o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e o Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa – fazem parte da PAGE, que visa fornecer apoio integrado e holístico para erradicar a pobreza; aumentar a oferta de empregos; promover a equidade social; fortalecer os meios de subsistência, a administração ambiental e o crescimento sustentável; garantir a coerência das ações tomadas e evitar a duplicação de esforços.

Ao reunir o conhecimento especializado destas agências da ONU, a PAGE já está ajudando os países a buscarem a transição por uma economia verde inclusiva, que promova o crescimento, gere empregos e traga prosperidade para todos, enquanto reduz a pressão no planeta.

Quando essa transição não é planejada, os riscos e os custos sociais, econômicos e ambientais ficam cada dia mais claros. Países e comunidades serão forçados a enfrentar uma série de desafios inéditos pelos próximos meses.

Durante esse período difícil, o papel da economia verde inclusiva para ajudar a restaurar a estabilidade e a resiliência será ainda maior.

O PNUMA permanece firme no propósito de tornar o futuro mais sustentável, compromissado com o desenvolvimento sustentável inclusivo, sabendo que o melhor caminho é abraçar uma economia verde.

O recente e-book ‘Economia na época da COVID-19’, de Richard Baldwin e Beatrice Weder di Mauro, mostra a importância que as respostas do governo terão na limitação dos efeitos negativos do vírus. Weder di Mauro afirma que “o tamanho e a persistência dos danos econômicos dependerão de como os governos vão lidar com esse súbito encontro com a natureza e com o medo”.

Agora, a cooperação é crucial para construção de um futuro melhor que não deixe ninguém para trás.

Queda nas emissões devido à pandemia não irá interromper mudanças climáticas, diz ONU

A Organização Meteorológica Mundial diz que temperaturas acima da média são esperadas em muitas partes do mundo nos primeiros meses de 2020. Foto: OMM/Kabelo Tamocha

A Organização Meteorológica Mundial diz que temperaturas acima da média são esperadas em muitas partes do mundo nos primeiros meses de 2020. Foto: OMM/Kabelo Tamocha

Uma queda esperada nas emissões de gases de efeito estufa associada à crise econômica global causada pela pandemia de COVID-19 é apenas uma “boa notícia a curto prazo”, disse o chefe da agência meteorológica da ONU na quarta-feira (22).

“Essa queda de 6%, infelizmente, é (apenas) boa notícia a curto prazo”, disse o professor Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), em referência a uma queda de 5,5% a 5,7% nos níveis de dióxido de carbono devido à pandemia, sinalizada pelos principais especialistas em clima, incluindo o Center for International Climate Research.

Quando a economia global começar a se recuperar do novo coronavírus, a OMM espera que as emissões voltem ao normal.

“Pode até haver um aumento nas emissões porque algumas indústrias foram interrompidas”, alertou o chefe da OMM.

CO2 em níveis recordes mais uma vez

Os últimos dados da OMM publicados para coincidir com o 50º aniversário do Dia da Terra, em 22 de abril, indicam que os níveis de dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito estufa na atmosfera atingiram novos recordes no ano passado.

Os níveis de dióxido de carbono foram 18% maiores de 2015 a 2019 do que nos cinco anos anteriores, de acordo com o relatório Global Climate 2015-2019 da OMM.

O gás “permanece na atmosfera e nos oceanos por séculos. Isso significa que o mundo está comprometido com a mudança climática continuada, independentemente de qualquer queda temporária nas emissões” devido à pandemia, afirma o relatório, com dados indicando que as concentrações de CO2 estão no caminho certo” para atingir ou mesmo exceder 410 ppm no final de 2019”.

A queda prevista nas emissões de carbono é refletida pelas reduções nos níveis de poluentes atmosféricos comuns causados ​​por escapamentos de carros e energia de combustíveis fósseis, como partículas de óxido nitroso (N2O).

“Sua vida útil é tipicamente de dias a semanas, então o impacto é visto mais rapidamente”, disse o professor Taalas. “Mas essas mudanças nas emissões de carbono não tiveram nenhum impacto no clima até agora”.

Ar mais limpo, mesmo nas cidades mais poluídas

Destacando a dramática melhoria na qualidade do ar nas principais cidades e regiões industrializadas “em várias partes do mundo”, o chefe da OMM observou que esse tem sido o caso “na China, na Índia e também aqui perto de nós, na Planícia Padana, no norte” da Itália, que é uma das áreas mais poluídas da Europa. E vimos isso também em cidades como Paris.”

A mudança climática é “de uma magnitude diferente” na comparação com os problemas colocados pelo novo coronavírus, insistiu o professor Taalas, ressaltando seu sério risco à saúde, além de um impacto econômico devastador.

Mitigar as mudanças climáticas é uma questão de sobrevivência

Considerando que os últimos 50 anos viram os sinais físicos das mudanças climáticas – e seus impactos – ganhando velocidade a uma taxa perigosa, o secretário-geral da OMM insistiu que, a menos que o mundo possa mitigar as mudanças climáticas, isso levará a “a persistente problemas de saúde, especialmente fome e incapacidade de alimentar a crescente população mundial e haverá também um impacto mais maciço na economia”.

Desde o primeiro Dia da Terra em 1970, os níveis de dióxido de carbono subiram 26% e a temperatura média do mundo aumentou 0,86 grau Celsius (33,5 Fahrenheit).

O planeta também está 1,1 °C (quase 34F) mais quente que a era pré-industrial e espera-se que esta tendência continue.

Em seu último relatório de alerta sobre os impactos das mudanças climáticas, a agência da ONU confirmou que os últimos cinco anos foram os mais quentes já registrados.

Esse aquecimento foi desigual, com a Europa registrando a maior mudança na última década (de cerca de +0,5 °C) e a América do Sul com a menor mudança.

Outros indicadores-chave mostraram uma aceleração da mudança climática nos últimos cinco anos.

Isso inclui o calor e a acidificação dos oceanos, o aumento do nível do mar (até 112 milímetros desde 1970), o derretimento das geleiras e o derramamento de gelo no mar Ártico e Antártico (com perda de gelo cinco vezes maior nos últimos cinco anos, em comparação à década de 1970).

O Dia da Terra é mais importante do que nunca

Foto: Guillaume de Germain/Unsplash

22 de abril é o Dia da Terra.

Enquanto o mundo se apressa para planejar uma recuperação pós-pandemia, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) vê esse momento de pandemia como uma oportunidade de chamar a atenção para a necessidade de nos reconstruirmos melhor. Os riscos enfrentados por ignorarmos as ameaças de destruição ambiental devem ser entendidos e endereçados com proteções e políticas ambientais. O dia 22 de abril é um lembrete oportuno para abraçarmos os empregos verdes, estimularmos a economia sustentável, tomarmos medidas urgentes para nos proteger do aquecimento global e garantirmos futuros dignos e saudáveis.

De acordo com o Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2019 do PNUMA, as emissões globais de CO2 precisam cair 7,6% até o final de 2020 – e continuar caindo 7,6% a cada ano – para limitar o aquecimento global em até 1,5°C.

A pandemia é um lembrete da vulnerabilidade dos seres humanos e do planeta diante das ameaças globais. É preciso endereçar os danos ao meio ambiente. “Se tivéssemos cumprido um pouco mais os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris sobre Mudanças do Clima, poderíamos enfrentar melhor esse desafio”, afirmou o Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, em sua resposta aos impactos socioeconômicos da COVID-19.

Contexto histórico

A primeira vez que o Dia da Terra foi celebrado foi em 1970. Vinte milhões de pessoas, indignadas com o derramamento de óleo, a poluição atmosférica e dos rios, foram às ruas protestar contra o que reconheceram ser uma crise ambiental. Foi o maior evento cívico do planeta à época e obrigou os governos a tomarem ações concretas, como o estabelecimento de leis e agências ambientais. Além desses resultados práticos, o evento demonstrou a força das pessoas quando se unem e demandam ações.

Até hoje, a data continua com grande significado. Em 2009, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou uma resolução reconhecendo formalmente o Dia Internacional da Mãe Terra. Em 2016, a ONU adotou o Acordo de Paris, articulando o compromisso das nações em limitar o aumento da temperatura global em até 2ºC em relação aos níveis pré-industriais e fortalecer sua capacidade de mitigar os impactos negativos das mudanças climáticas.

O Dia da Terra 2020 não comemora apenas o 50º aniversário da celebração, mas também o aniversário da assinatura do Acordo de Paris pela ação climática.

Dia da Terra 2020

Para marcar seu 50º aniversário, o Dia da Terra 2020 estabeleceu a ação climática como tema. A proposta inicial era reunir as pessoas em uma série de eventos, mas o surto da COVID-19 mudou o formato para plataformas digitais. O Dia da Terra 2020 pede por ações em tempo integral, grandes e pequenas, pelas pessoas e pelo planeta. Nesse aniversário, as organizações da sociedade civil esperam preencher o mundo digital com conversas, performances, webinars e eventos que apoiem ações urgentes para controlar a mudança climática.

O que podemos fazer?

No dia 22 de abril, assista às discussões, eventos e ações ao vivo pelo site earthday.org. Explore diversas transmissões do Dia da Terra através dessa plataforma para eventos online em diferentes fusos horários globais. Conheça novas ferramentas para voluntariado, defesa e participação como cientistas cidadãos – usando o aplicativo Earth Challenge 2020 (Desafio da Terra, em português) para avaliar dados como qualidade do ar e poluição plástica de onde você estiver. Existem desafios diários, gráficos para compartilhar nas redes sociais, dicas para criar seu próprio cartaz e lugares para divulgar suas ações pela natureza.

O defensor da saúde e músico ganhador do Grammy, Ricky Kej, juntamente com 44 músicos de seis países, se apresentaram ao vivo em um show em apoio à Organização Mundial de Saúde e ao Fundo de Resposta de Solidariedade para o COVID-19.

Lideranças comunitárias na linha de frente participaram de um webinar no dia 21 de abril, trazendo as bênçãos do Dia da Terra pelas líderanças mundiais, as mensagem de jovens ativistas pelo clima e as conversas com lideranças indígenas e religiosas.

Assim como no primeiro Dia da Terra, há 50 anos, agora é hora de demonstrarmos solidariedade, agindo e enviando uma mensagem clara para as lideranças mundiais pela ação contra a mudança climática, detendo a perda da biodiversidade e dos habitats e garantindo que a proteção ambiental seja uma das bases para nos reconstruirmos melhor.

Com os próximos 50 anos em perspectiva, e em preparação para o Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, o PNUMA compartilhará informações sobre ações que podem ser tomadas para proteger a biodiversidade, contribuir com o reflorestamento de paisagens degradadas e se comprometer com a gestão sustentável de recursos naturais.

A natureza está em crise, ameaçada pela perda de biodiversidade e de habitat, pelo aquecimento global e pela poluição tóxica. Falhar em agir é falhar com a humanidade. Enfrentar a nova pandemia da COVID-19 e nos proteger das futuras ameaças globais requer o gerenciamento correto de resíduos médicos e químicos perigosos, a administração consistente e global da natureza e da biodiversidade, e o comprometimento com a reconstrução da sociedade, criando empregos verdes e facilitando a transição para uma economia neutra em carbono. A humanidade depende de ação agora para um futuro resiliente e sustentável.

Assista aqui o vídeo (em inglês) com a mensagem da diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen.

No Dia da Terra, chefe da ONU propõe seis ações-chave para evitar ‘ruptura climática’

Neste Dia Internacional da Terra, marcado anualmente em 22 de abril, toda a atenção está voltada para a pandemia da COVID-19. Segundo o secretário-geral das Nações Unidas, este é de fato “o maior teste que o mundo enfrentou desde a Segunda Guerra Mundial”.

“Devemos trabalhar juntos para salvar vidas, aliviar o sofrimento e diminuir as suas consequências econômicas e sociais devastadoras”, disse António Guterres, em uma mensagem em vídeo para a data.

“O impacto do coronavírus é imediato e terrível. Mas há outra emergência profunda: a crise ambiental do planeta”, destacou.

Guterres lembrou que a biodiversidade está em declínio acentuado, enquanto a ruptura climática está alcançando um “ponto sem retorno”. Ele ressaltou a importância de agir “sem hesitação para proteger o nosso planeta, tanto do coronavírus como da ameaça existencial das perturbações climáticas”.

“A crise atual é um despertar sem precedentes. Precisamos transformar a recuperação numa oportunidade real de fazer as coisas certas para o futuro”, acrescentou.

Na mensagem, Guterres propõe seis ações relacionadas ao clima para “moldar a recuperação e o trabalho que temos pela frente”.

A primeira é relacionada à recuperação da crise provocada pelo coronavírus: “ao gastarmos enormes quantias de dinheiro para nos recuperar do coronavírus, precisamos criar empregos e negócios através de uma transição limpa e verde”.

A segunda ação pede que, quando o dinheiro dos contribuintes for usado para resgatar empresas, este “deve estar vinculado à obtenção de empregos verdes e ao crescimento sustentável”.

A terceira ação diz respeito às políticas orçamentárias: estas, diz Guterres, devem “transformar a economia cinzenta em uma economia verde e tornar as sociedades e as pessoas mais resilientes”.

A quarta ação trata dos fundos públicos, que devem ser usados para “investir no futuro, não no passado”, e ser utilizados em setores e projetos sustentáveis que ajudam o meio ambiente e o clima. Guterres acrescentou: “Os subsídios aos combustíveis fósseis devem ser encerrados e os poluidores devem começar a pagar pela sua poluição”.

Quinta ação: os riscos e as oportunidades relacionados com o clima devem ser incorporados no sistema financeiro, bem como em todos os aspetos da formulação de políticas públicas e de infraestruturas.

E, por fim, a sexta ação proposta por António Guterres trata da cooperação entre todos os países, comunidades e povos: “precisamos trabalhar juntos como uma comunidade internacional”.

“Estes seis princípios constituem um guia importante para juntos nos recuperarmos melhor. Os gases de efeito de estufa, assim como os vírus, não respeitam fronteiras nacionais. Neste Dia da Terra, por favor unam-se a mim para exigir um futuro saudável e resiliente para as pessoas e para o planeta”, disse o secretário-geral da ONU.

VÍDEO: 2020 é o Ano Internacional da Saúde Vegetal

Você sabia que algumas espécies de árvores só podem ser germinadas na barriga de um elefante? Esse é apenas um exemplo de como plantas e animais – incluindo humanos – estão intrinsecamente conectados e não sobrevivem sem as bactérias e fungos que compõem os solos saudáveis.

As plantas são a fonte do ar que respiramos e da maioria dos alimentos que ingerimos, mas sua saúde é frequentemente ignorada.

Isso pode ter resultados devastadores: a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que até 40% das culturas alimentares são perdidas anualmente devido a pragas e doenças vegetais.

Isso deixa milhões de pessoas sem comida suficiente e prejudica seriamente a agricultura — a principal fonte de renda para as comunidades rurais.

Por essas e outras razões, 2020 foi nomeado Ano Internacional da Saúde Vegetal pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

“A saúde das plantas está cada vez mais ameaçada. As mudanças climáticas e as atividades humanas degradaram os ecossistemas, reduziram a biodiversidade e criaram novos nichos onde as pragas podem prosperar”, diz Marieta Sakalian, especialista do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

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Como aproveitar os ingredientes na cozinha e reduzir o desperdício e as saídas de casa

Massimo é chef do premiado restaurante Osteria Francescana, em Modena. Foto: unplash/@maxdelsid

Massimo é chef do premiado restaurante Osteria Francescana, em Modena. Foto: unplash/@maxdelsid

São oito horas da noite e o chef italiano Massimo Bottura está em sua cozinha. Com óculos de armação grossa, barba grisalha bem aparada e um capuz preto, suas mãos são um borrão em movimento enquanto corta alguns legumes e os coloca em potes e panelas dispostos ao seu redor.

Nada novo até aqui. Mas esta está longe de ser sua rotina normal. Como milhões de outros italianos, Massimo está em quarentena enquanto o país luta contra a COVID-19.

Os italianos demonstraram coragem, paciência e criatividade para superar esse período difícil.

Massimo é chef do premiado restaurante Osteria Francescana, em Modena, e cofundador com sua esposa Lara Gilmore da organização Comida para a Alma (Food for Soul, em inglês), que combate o desperdício alimentar através da inclusão social.

Ele está inspirando e entretendo os espectadores do “Quarentena na Cozinha” (Kitchen Quarantine, em inglês), um programa de culinária online transmitido pelo Instagram para ensinar a fazer ótimas refeições com o que temos em casa, reduzindo o desperdício e as saídas para comprar alimentos.

“A Quarentena na Cozinha é uma maneira divertida de interagir com famílias de todo o mundo, cozinharmos juntos, compartilharmos ideias, desfrutarmos da companhia uns dos outros e ensinarmos às pessoas as boas práticas culinárias, como limpar a geladeira para limitar o desperdício, usar sobras para preparar algo novo e comer alimentos diferentes”, diz Bottura.

Pode não parecer óbvio, mas o desperdício alimentar está ligado às doenças zoonóticas – doenças transmitidas de animais para seres humanos – como a COVID-19.

A agricultura é a principal responsável pela expansão humana a ecossistemas naturais, o que pode ser problemático, como explicou a diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Inger Andersen, em uma entrevista recente ao The Guardian.

“A perda contínua dos espaços naturais nos aproximou demasiadamente de animais e plantas que abrigam doenças que podem ser transmitidas para os seres humanos”, disse ela.

“À medida que nos aproximamos dos habitats naturais, o contato entre seres humanos e hospedeiros animais aumenta – gerando maior probabilidade de interação entre vetores e humanos”.

As pessoas desperdiçam cerca de um terço de todos os alimentos que são produzidos ao ano, o equivalente a 1,3 bilhões de toneladas.

Essa perda alimentar também significa perda de recursos, como água e terra. Acabar com o desperdício nos ajudará a economizá-los e a mitigar a mudança climática – grandes ameaças à saúde humana.

Reduzir o desperdício é uma prioridade da Comida para a Alma, com seus projetos de refettorio (refeitório) em todo o mundo recuperando mais de 200 toneladas de sobras alimentares que seriam destinadas a aterros sanitários.

Os ingredientes são transformados em refeições nutritivas e servidas em um ambiente de convívio para aqueles que sofrem extrema vulnerabilidade social, incluindo os sem-teto e os refugiados.

Mas Massimo quer inspirar ações adicionais sobre a perda de alimentos em toda a sociedade, mostrando que os produtos descartados – como vegetais machucados ou alimentos fora de datas arbitrárias de validade – podem se tornar algo delicioso e nutritivo.

“Se pudermos usar todos os ingredientes, reduziremos a quantidade de resíduos produzidos e faremos compras mais eficientes”, disse ele.

“Compras compulsivas são o ponto de partida para a superprodução e exploração dos recursos agrícolas. Questões como perda de biodiversidade, mudança climática e vulnerabilidade social estão conectadas. Um hábito ruim leva a outro, o que cria um círculo vicioso, e a natureza sofre com o resultado.”

“Nós podemos solucionar esse problema ao olhar os ingredientes com outros olhos. O desafio é pensar, por exemplo, em uma maçã ou uma banana mesmo com suas imperfeições: elas ainda podem ser saborosas e nutritivas se usadas adequadamente. Meu conselho é comprar alimentos sazonalmente e encontrar maneiras criativas de usar o que você já tem, ao invés de sair para comprar mais.”

“Uma das minhas receitas favoritas feitas com restos de alimentos é a passatelli, que qualquer pessoa pode fazer em casa. Trata-se de uma massa tradicional de Modena feita com farinha de rosca, que minha avó Ancella costumava fazer para minha família. Eu aprendi com ela e agora amo fazer aqui em casa. Essa também foi uma das primeiras receitas da Quarentena na Cozinha”.

Claro que o problema não vai ser completamente resolvido por simplesmente redirecionarmos o desperdício alimentar. É importante que os consumidores olhem para seus próprios perfis de consumo e comprem apenas o que precisam.

Os supermercados também precisam observar as práticas e padrões de datação de alimentos para reduzir a quantidade jogada fora. Isso deve ser feito em toda a cadeia alimentícia, até chegarmos à fazenda.

O desperdício é apenas uma parte do problema. O consumo cada vez maior de alimentos que exigem utilização intensiva de recursos, como a carne vermelha e os ultra processados, também está impulsionando a conversão de áreas naturais para a agricultura – destruindo ecossistemas, reduzindo a biodiversidade e contribuindo para as mudanças climáticas.

Os parceiros dos refettorio estão sempre melhorando sua programação para elevar a consciência da comunidade e melhorar o sistema alimentar local.

A organização Comida para a Alma está pesquisando o papel transformador da natureza para melhorar a resiliência dos mais vulneráveis, com conceitos de design arquitetônicos, iniciativas de jardinagem urbana e educação culinária.

Essas atividades evidenciam o valor da comida, o que é necessário para produzi-las e as aplicações práticas para mantermos espaços verdes mesmo em uma era de rápida urbanização.

No cerne dos desafios que a humanidade enfrenta – sejam pandemias emergentes, perda de biodiversidade ou mudanças climáticas – está o nosso relacionamento disfuncional com a natureza.

À medida que superarmos a pandemia da COVID-19 e chegarmos a um mundo bastante transformado, será necessário desenvolver um relacionamento muito mais saudável com o planeta.

“Se não cuidarmos da natureza, não poderemos cuidar de nós mesmos”, disse Andersen. “E, à medida que a população mundial avança para 10 bilhões de pessoas, precisamos entrar no futuro com ela como nossa principal aliada”.

Para saber mais sobre Massimo Bottura e acompanhar a Quarentena na Cozinha, siga-o no Instagram: https://www.instagram.com/massimobottura/.

O que fazer com resíduos biomédicos e de serviços hospitalares durante a pandemia?

Foto: Simon Davis/DFID

Em entrevista, Keith Alverson, diretor do Centro Internacional de Tecnologia Ambiental (IETC) do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em Osaka, no Japão, fala sobre o Compêndio de Tecnologias para o Tratamento e a Destruição de Resíduos de Saúde.

A publicação científica aborda a gestão dos lixos hospitalares e pode auxiliar a avaliação e a seleção de tecnologias apropriadas para sua destruição, além de ajudar no planejamento e gerenciamento do grande número de rejeitos oriundos da pandemia de COVID-19.

PNUMA: Como é o documento e como ele pode nos ajudar nessa pandemia atual?

Keith Alverson: O Compêndio destina-se a auxiliar governos nacionais e regionais, países e organizações de saúde na avaliação e seleção de tecnologias apropriadas para a destruição de lixos de saúde. Diante do surto de coronavírus, ele pode ajudar os responsáveis ​​a lidarem com o planejamento e gerenciamento do grande número de rejeitos oriundos da pandemia.

PNUMA: O que são resíduos biomédicos e de serviços hospitalares?

Keith Alverson: São todos os materiais descartados por unidades de saúde, laboratórios médicos e centros de pesquisa biomédica, bem como por outras fontes dispersas ou de menor dimensão. Embora os hospitais produzam a maior parte desses rejeitos, eles são apenas uma das diversas fontes envolvidas.

Seu tratamento e disposição inadequados implicam em sérios riscos de transmissão secundária de doenças devido à exposição dos catadores, lixeiros, profissionais da saúde, pacientes e da comunidade em geral a agentes infecciosos em locais onde os lixos são descartados incorretamente.

A queima aberta e a incineração sem controle adequado da poluição expõem os trabalhadores e as comunidades próximas aos contaminantes tóxicos espalhados no ar e nas cinzas.

PNUMA: Qual o volume de resíduos hospitalares produzido por um hospital de médio porte?

Keith Alverson: Uma avaliação das taxas de geração de resíduos globais mostra que é produzido cerca de 0,5 kg de lixo por leito por dia nos hospitais de médio porte. No entanto, o valor e a composição subjacente desses materiais variam dependendo do contexto local, sendo que os países desenvolvidos geram muito mais lixos e plásticos e frequentemente são responsáveis por mais da metade de todo o descarte hospitalar do mundo. Devido a essa grande diversidade, não existe uma única solução para lidar com esses materiais.

O Compêndio fornece uma metodologia robusta para analisar as necessidades locais de geração, composição e descarte de resíduos e selecionar tecnologias apropriadas como parte de um sistema local de gerenciamento de rejeitos.

PNUMA: Que tipo de lixo biomédico e hospitalar é mais arriscado em termos de propagação de doenças infecciosas?

Keith Alverson: Os resíduos biomédicos e de serviços hospitalares podem ser classificados de acordo com as seguintes categorias: perfurocortantes, patogênicos, outros tipos infecciosos, farmacêuticos – incluindo resíduos citotóxicos –, químicos perigosos, radioativos e gerais (sem risco).

Cerca de 75 a 90% dos rejeitos produzidos pelas unidades de saúde são gerais (sem risco) – não infecciosos e não perigosos –, comparáveis ​​aos lixos domésticos. Os infecciosos são aqueles que podem conter patógenos (bactérias, vírus, parasitas ou fungos que podem causar doenças) em concentração ou quantidade suficiente para acometerem hospedeiros suscetíveis.

PNUMA: O Compêndio fala sobre a segregação de resíduos de saúde. O que significa isso?

Keith Alverson: A segregação é uma etapa importante no gerenciamento eficiente desses resíduos de saúde. Ao separar os tipos perigosos dos não perigosos, é possível reduzir drasticamente o volume de materiais que requerem tratamento especial. Outras etapas são classificação, redução, contentorização, codificação por cores, rotulagem, sinalização, manuseio, transporte, armazenamento, tratamento e disposição final desses materiais – claro, todas essas etapas requerem treinamento, planejamento, orçamento, monitoramento, avaliação, documentação e registros contínuos.

PNUMA: O que os países devem fazer para implementar uma política de gerenciamento de lixos biomédicos e hospitalares?

Keith Alverson: O processo de institucionalização de um bom sistema de gerenciamento de rejeitos é complexo. É necessário avaliar os materiais produzidos, bem como as práticas já existentes e as opções cabíveis; desenvolver um plano de administração de rejeitos; promulgar políticas e diretrizes institucionais; estabelecer uma organização de resíduos; alocar recursos humanos e financeiros; implementar um cronograma definido; bem como estipular um programa periódico de treinamento, monitoramento, avaliação e melhoria contínua.

PNUMA: Como o Compêndio pode orientar a administração de resíduos de coronavírus nos hospitais?

Keith Alverson: Países, cidades e instituições que usaram esse documento – ou outras ferramentas similares – e desenvolveram um sistema operacional de gerenciamento de materiais descartados estão muito mais aptos a lidarem com o aumento dos lixos hospitalares associados a desastres, como o surto de COVID-19. Os melhores sistemas incluem planos de contingência para desastres naturais, como as pandemias.

O Compêndio é uma ferramenta de redução de risco muito útil e relevante para uma resposta ao surto a médio e longo prazo – de meses a anos –, mas deve ser complementado com orientações para operações de emergência em tempo real.

PNUMA: Quais são os processos básicos envolvidos no tratamento dos resíduos hospitalares?

Keith Alverson: Existem quatro processos básicos envolvidos: térmicos, químicos, irradiativos e biológicos. Infelizmente, a realidade mundial é que uma enorme quantidade de lixos de saúde – incluindo os que foram gerados como resposta à pandemia – é tratada com tecnologias inadequadas e às vezes sequer recebe tratamento.

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