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Somente 8% dos investimentos financeiros na América Latina são destinados a empreendedoras

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Novas tendências do sistema financeiro com enfoque em gênero e exemplos de boas práticas orientaram painéis do seminário “Promoção de financiamento inovador por meio de investimentos inteligentes em gênero: experiências, oportunidades e desafios”, realizado por ONU Mulheres, Organização Internacional do Trabalho (OIT) e União Europeia em 10 de outubro, em São Paulo (SP).

A troca de experiências entre bancos multilaterais e instituições de financiamento de desenvolvimento voltada para as mulheres foram os destaques da primeira parte do evento.

Para a diretora regional da ONU Mulheres para as Américas e Caribe, Maria-Noel Vaeza, é necessário que mulheres aprendam a utilizar o sistema financeiro. “Somos esses 50%, mas com uma energia muito forte para remover os obstáculos que enfrentam as pequenas e médias empreendedoras.”

Especialistas abordaram os desafios de se atrair mais investidores capazes de disseminar instrumentos e estratégias para impulsionar empreendedoras.

Segundo dados de 2019 do Investor LATAM, apenas 8% dos investimentos financeiros na América Latina são destinados ao empreendedorismo feminino frente a 16% de projetos liderados por homens, “apesar do grande potencial de retorno financeiro que mulheres apresentam”, destacou a especialista em Investimento de Impacto e Financiamento Inovador do Escritório Regional da ONU Mulheres para as Américas e Caribe, Gabriela Rosero.

A formação de redes de networking e matchmaking (relacionamento e encontro de partes interessadas) – unindo quem deseja investir com quem precisa do investimento – foi uma das soluções apresentadas.

Formas de trazer mulheres à formalidade no mercado de trabalho e investimentos voltados para esse objetivo também foram amplamente debatidos, por meio de diagnósticos, dados e trocas de experiência.

Para a coordenadora de sustentabilidade do Itaú Unibanco, Fernanda de Carvalho Boschi, trazer as mulheres para o mundo dos negócios é muito mais do que uma atitude de boa vontade. “Se mostrarmos bons resultados econômicos, como é perfeitamente possível, os investidores chegarão até nós.”

Negócios desafiadores

A criação de fundos de pensão dedicados às mulheres empreendedoras foi um dos temas tratados como prioridade entre as painelistas. “O sucesso está relacionado ao conhecimento e à confiança entre investidores”, declarou a sócia especialista em gestão de carteiras da mexicana Ignia Ventures, Christine Kenna.

No agronegócio, também foram revelados gargalos e desafios. Para a associada sênior da Acumen Latam Capital Partners, Maria Pia Morante, homens se sentem mais confortáveis trabalhando junto a outros homens e aí se encontra um grande obstáculo a ser vencido pelas mulheres empreendedoras.

O caminho para a inclusão no setor de investimentos é a comunicação e a união, disseram as painelistas. De acordo com elas, o papel da ONU Mulheres em aproximar empreendedoras com interesses comuns é fundamental para o alcance de bons resultados.

Para a especialista nacional do setor privado do Programa Ganha-Ganha, ONU Mulheres Brasil, Adriana Carvalho, o intercâmbio de informações sobre estratégias que não foram bem-sucedidas também ajudam no aprendizado.

Nesse sentido, Christine Kenna lembrou que no início de seu envolvimento com temas de investimentos voltados para mulheres apenas procurava engajar outras mulheres e, por fim, entendeu que o sucesso dependia do envolvimento direto por parte dos homens empreendedores, já que, naquele momento, eles eram os tomadores de decisão.

“Sensibilizá-los e engajá-los foi fundamental para atingir bons resultados. Além disso, todos temos que nos esforçar e nos responsabilizar para que cada investidor exerça seu papel”, concluiu.

Redes e serviços de apoio ao investimento inteligente com enfoque de gênero foi o tema do último painel do seminário.

Para a sócia-gerente da argentina NXPT, o segredo para o sucesso de empreendedoras e investidoras está no comprometimento de todas as partes envolvidas, no espírito de iniciativa, na ousadia.

Seminário discute exploração mineral em Terras Indígenas

Por: Site

Para MPF, garimpo em terras indígenas é terminantemente proibido pela Constituição Federal

Seminário discute exploração mineral em Terras Indígenas
Foto: Divulgação Fundação Fernando Henrique Cardoso

Conforme disciplina estabelecida pela Constituição Federal, atualmente não é permitida qualquer atividade de mineração em terras indígenas (TIs). Isso poderá eventualmente ocorrer, apenas com uma lei específica de regulamentação, conforme exige a Constituição, e autorização do Congresso Nacional caso a caso, com oitiva prévia e informada das comunidades afetadas. O esclarecimento foi feito pelo subprocurador-geral da República Mario Bonsaglia ao participar de um simpósio em São Paulo, promovido pela Fundação Fernando Henrique Cardoso, na última quinta-feira (24).

Membro 6ª Câmara de Coordenação e Revisão, que trata de questões relacionadas às populações indígenas e comunidades tradicionais, Bonsaglia destacou ainda que a atividade específica de garimpo em terras indígenas já é terminantemente proibida pela Constituição, não obstante as diversas violações ocorridas, que têm sido objeto da atuação do Ministério Público Federal, citando, como ilustração, a atuação da Câmara e de ofícios a ela vinculados com relação ao garimpo nas terras indígenas Yanomani e Cinta Larga, e os reflexos danosos da atividade minerária da Companhia Vale com relação ao povo indígena Xikrin do Cateté.

Dentre os aspectos problemáticos envolvendo a exploração mineral em TI, Bonsaglia mencionou, além da degradação ambiental que cerca as atividades de mineração, a situação especial dos povos que vivem em isolamento voluntário e o uso de substâncias nocivas à saúde humana, além dos graves riscos evidenciados pelas tragédias de Mariana e Brumadinho.

Bonsaglia citou ainda recentes providências adotadas judicialmente pelo MPF, que ensejaram a concessão de liminar para que sejam indeferidos todos os requerimentos de pesquisa ou de lavra minerais incidentes sobre terras indígenas no Estado do Amazonas, bem como proibindo a prática de sobrestamento de futuros novos requerimentos administrativos de títulos minerários incidentes sobre terras indígenas naquele mesmo Estado.

“Essa é uma questão bastante impactante para os povos indígenas”, disse a deputada federal Joênia Wapichana, ao defender a proibição de mineração em Tis. Atividade de alto impacto ao meio ambiente, com grande risco de contaminação de cursos d’água, solo, fauna e flora locais, a mineração é vista com preocupação pela deputada indígena. A relação dos indígenas com a terra deve ser vista uma estratégia de preservação do meio ambiente, defendeu.

“Direitos indígenas: entrave ao desenvolvimento ou parte da riqueza nacional?” Essa foi a questão colocada em discussão no simpósio que buscou reunir pontos de vista diferentes para aprofundar a discussão. Além de Bonsaglia e Joênia, participaram representantes do Instituto Socioambiental (ISA), da Confederação Nacional da Agricultura, de empresas de pesquisa e extração mineral, dentre outros.

Trata-se de um falso dilema, pois desenvolvimento e direitos indígenas podem se harmonizar, afirma o biólogo Ismael Nobre, que defendeu o uso de alta tecnologia para a exploração econômica de produtos da floresta. “O discurso de que os direitos indígenas representam entrave ao desenvolvimento gera discriminação e violência”, disse Joênia Wapichana.

Fonte: MPF

Brasil é vice-líder mundial em reestatização da água

Por: fnu

O motivo é recorrente: baixos investimentos e insatisfação com a prestação dos serviços oferecidos pela iniciativa privada.

Poucas pessoas sabem, mas o Brasil é vice-líder em reestatização de água e saneamento no mundo, com 78 casos confirmados, ante 106 na França, o país campeão, segundo balanço do Transnational Institut (TNI). São 77 municípios do Tocantins e mais Itu, no estado de São Paulo.

No mundo, a TNI mapeou 267 casos (excetuando os municípios brasileiros) ocorridos a partir do ano 2000, a maioria nas nações desenvolvidas. Há outros exemplos de reestatização de serviços de energia, transporte, resíduos, educação, saúde e administração local, totalizando 835 contratos retomados em 45 países.

Entre os problemas são apontados tarifas altas, falta de transparência, evasão de divisas (muitas companhias estão em paraísos fiscais), valores excessivos pagos aos executivos e elevados dividendos repassados aos acionistas das empresas. Ou seja, um quadro de financeirização e, consequentemente, de priorização de retorno aos investidores, em detrimento da qualidade dos serviços prestados.

O Brasil, em 2017, somava 245 dos 5.570 municípios com contratos de concessão de água e esgoto repassados para a iniciativa privada.

Pesquisa do Instituto Mais Democracia, Quem são os proprietários do saneamento no Brasil?, indica que 58% dos grupos atuantes neste setor no país possuem fundos de investimento e instituições financeiras entre seus controladores, sendo que dois dos maiores – BRK Ambiental (ex-Odebrecht Ambiental) e Iguá Saneamento (ex-CAB, da Queiroz Galvão) são totalmente controlados por instituições financeiras.

O processo de internacionalização é outro movimento em expansão. Por enquanto, o capital estrangeiro está presente em 27% das empresas, mas participa como sócio majoritário ou minoritário de quatro líderes do segmento: Aegea (Fundo Soberano de Cingapura e Banco Mundial como minoritários), BRK (controlada pelo Fundo canadense Brookfield), Grupo Águas do Brasil (corporação japonesa Itochu, minoritário) e GS Inima (controlado pela sul-coreana GS).

Diante dessa dinâmica é fundamental conhecer melhor os casos brasileiros de reestatização, para evitar repetir erros e se preparar para a esperada vinda das transnacionais do setor.

À medida que perdem espaço em seus países de origem, as companhias tendem a procurar territórios alternativos para continuar lucrando no mercado. A gigante francesa Veolia, por exemplo, anunciou planos de compra de ativos na área de saneamento no Brasil em 2019. Como é sabido, o Programa de Parceria para o Investimento (PPI) do governo Temer prevê a privatização de 17 companhias de saneamento pertencentes aos governos estaduais, indo na contramão do que se passa no mundo e, como se vê, também no âmbito doméstico.

Mas vamos aos casos brasileiros de reestatização. Em Itu, o contrato de concessão, assinado em 2007, pertencia ao grupo Bertin e foi retomado pela prefeitura menos de 10 anos depois. O poder público local alega que os investimentos na ampliação da oferta de água potável não estavam sendo cumpridos, até que veio a crise hídrica e impôs uma situação de seca total aos moradores.

Foi o mais longo racionamento da história da cidade, entre fevereiro a dezembro de 2014, quando as torneiras chegaram a secar. A prefeitura, então, interveio em 2014 e, em 2017, criou a Companhia Ituana de Saneamento (CIS), cujo slogan é: Agora a água é nossa! A autarquia cuida também do esgotamento sanitário.

Já o Tocantins apresenta um caso peculiar no país. Foi a única unidade da federação a privatizar sua Companhia Estadual de Água e Esgoto, a Saneatins. O processo teve início em 1998, com aporte de 30% efetuado na estatal pela Empresa Sul-Americana de Montagens (Emsa), grupo de Goiás, que passou a deter o controle da empresa em 2002, após novos aportes. A partir de 2011, a Saneatins passou para a Odebrecht Ambiental (hoje BRK Ambiental, controlada pela Brookfield).

Antes da mudança de controle para a Odebrecht, a insatisfação com o serviço já existia, tanto que, em 2010, o governo estadual criou uma autarquia (Agência Tocantinense de Saneamento – ATS) para ser uma alternativa pública para localidades atendidas pela iniciativa privada.

Até esse momento, a Saneatins atendia 125 municípios. Ao todo, 77 deles migraram para a ATS, que passou a atender também as áreas rurais do estado, enquanto a empresa privada se manteve na parte urbana de 48 municípios, entre eles os mais populosos, ou seja, onde as receitas são mais robustas.

Em que pese a análise de especialistas do setor de que a reestatização no Tocantins ocorreu porque a iniciativa privada “devolveu” ao estado os municípios que não lhe interessavam, o caso contém muitos ensinamentos.

Para começar, o que ocorreu primeiro foi a insatisfação com os serviços prestados. Mesmo entre os 48 municípios que continuam até hoje sendo atendidos pela iniciativa privada havia reclamações. O caso do Tocantins não comprova a alegada eficácia da iniciativa privada, sobretudo nas localidades menores e nas áreas rurais.

Estudo de 2017 da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Rio), Privatização de Companhia Estadual de Saneamento : A Experiência Única do Tocantis – Lições para Novos Arranjos com a Iniciativa Privada, indica uma evolução dos serviços bastante insatisfatória. De 1998, quando a Emsa aportou recursos teoricamente para que a Saneatins aumentasse seus investimentos, a população atendida por rede de água era de 65%, passando para meros 73%, em 2010, ano de criação da ATS.

Em 2015, a taxa passou para 83%. Já o serviço de esgoto, que era inexistente em 1998, passou para 13%, em 2010; e para pífios 22%, em 2015. Nos 48 municípios controlados pela Saneatins, este percentual é de 32%, também muito baixo, considerando o tempo decorrido de 16 anos de atuação.

O estudo da FGV critica a ineficácia da regulação dos contratos e explica que “os municípios de pequeno porte são os mais prejudicados, pois além de menos lucrativos, têm carência de apoio do estado, pouca capacidade técnica e quase nenhuma força política para negociar com o prestador dos serviços de saneamento”.

Assim, apenas quatro municípios tocantinenses, os únicos que superam 50 mil habitantes, conseguiram alterar os contratos no período entre 1999 e 2014: Palmas, Araguaína, Gurupi e Porto Nacional.

A capital, Palmas, conseguiu renegociar em 2013, quando a Saneatins precisava da anuência da prefeitura para obter um empréstimo de R$ 240 milhões da Caixa.

Foi quando finalmente conseguiu a priorização de bairros carentes e com riscos de alagamento na implantação da rede de coleta e tratamento de esgotos e também a instituição de um comitê gestor para fiscalizar e decidir as áreas prioritárias de expansão dos serviços. “Com as alterações no contrato de concessão e viabilização dos investimentos, houve uma expansão rápida da cobertura dos serviços na cidade, de 89,9% em 2013 para 99,9% em 2015, no abastecimento de água; e de 43,5% para 71,1% no esgotamento sanitário, no mesmo período”, observam Raquel Soares, Irene Altafin, Maria Teresa Duclos e Samuel Arthur Dias, autores do estudo.

Mesmo a tese da “devolução” dos 77 municípios, alertada pelo ex-secretário Nacional de Saneamento Ambiental, Abelardo Oliveira Júnior, traz lições que devem ser observadas neste momento em que se tenta privatizar outras companhias estaduais de água e esgoto, como a Cedae, do Rio de Janeiro. Os riscos para os municípios sem força política diante do gigantismo das transnacionais não podem ser ignorados.

Enquanto isso, a lista de casos de reestatização no Brasil continua engordando, com a entrada de mais duas cidades fluminenses na lista: Santo Antônio de Pádua, que rompeu o contrato com a Conasa em 2017 (o que está sendo contestado pela concessionária) e São João de Meriti, onde Aegea e (novamente) a Conasa interromperam temporariamente o serviço de esgoto, também em 2017. Caso não haja reversão, a lista brasileira de reestatização na área de saneamento subirá para 80.

A lista mundial também tende a crescer. No Reino Unido, meca das privatizações nos anos 1980, 83% da população defendem a reestatização da água, segundo pesquisa do Instituto Legatum, realizada no segundo semestre de 2017.

Silvia Noronha é jornalista com Especialização em Políticas Públicas e pesquisadora do Mais Democracia e João Roberto Lopes Pinto é doutor em Ciência Política, professor de Políticas Públicas da UniRio e PUC-RJ e coordenador do Mais Democracia.

Fonte: Assemae

Cientista cria modelo para o desenvolvimento sustentável da Amazônia

Por: Site
Papa Francisco em cerimônia nos jardins do Vaticano realizada com indígenas da Amazônia — Foto: Divulgação/Vatican News
Papa Francisco em cerimônia nos jardins do Vaticano realizada com indígenas da Amazônia — Foto: Divulgação/Vatican News

Depois de três semanas envolvido com as questões da Amazônia, no Sínodo que terminou neste sábado (26), o papa Francisco fez ontem (27), na missa da Basílica de São Pedro, uma espécie de reprimenda a quem menospreza a cultura indígena. Chamou de “superioridade presumida” o fato de não se dar o devido valor a esses povos. E atribuiu aos saques que se fizeram nas terras indígenas o que está acontecendo agora na Floresta Amazônica. O documento final do Sínodo alerta ainda para os riscos da mineração e do desflorestamento.

Há um pedido, feito pelos bispos que estiveram reunidos durante três semanas, de se classificar a degradação ambiental como um “pecado ecológico”. Desta forma, a Igreja será mais um poder a lutar pela mesma causa dos cientistas e dos ambientalistas. Que não se esqueçam de perceber que natureza e homem estão intrinsecamente ligados, e que não adianta preservar um sem considerar o outro.

Neste sentido, vejo com bons olhos quem apresenta soluções que consigam integrar o desenvolvimento que se quer, inclusivo, usando o potencial econômico da floresta em pé. Carlos Nobre, cientista e pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP, que desde sempre acompanha o imbróglio entre preservação e progresso, debruçou-se sobre dados, relatórios, estudos, e criou o que chama de “terceira via para o desenvolvimento sustentável da Amazônia”.

Há tempos, Carlos Nobre vem se ocupando e se preocupando com o fato de que os alertas feitos ao público em geral não está dando certo para criar uma consciência em torno da necessidade de se promover mudanças. Quando perguntadas, as pessoas se mostram preocupadas, sim, com o futuro da Amazônia. Mas apenas 10% delas se mostram dispostas a fazer alguma coisa para travar a degradação.

Interessados também em desvendar essa possibilidade, os empresários do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) convidaram algumas pessoas para ouvir as propostas sobre o projeto do cientista. O encontro foi na sexta-feira (25), eu estive lá e trago informações para os leitores.

O nome do projeto criado por Carlos Nobre é Amazônia 4.0, porque a ideia é realizar a 4ª Revolução Industrial para a região, que sofre sério risco de virar uma savana se a estação seca passar do período de quatro meses.

Climatologista Carlos Nobre participou do primeiro dia de evento — Foto: Maiana Belo/G1 Bahia
Climatologista Carlos Nobre participou do primeiro dia de evento — Foto: Maiana Belo/G1 Bahia

“O caminho é combinar o mundo dos ativos biológicos e biomiméticos (aprender como a natureza resolveu um problema) com tecnologias avançadas num círculo virtuoso”, disse Nobre, para uma plateia atenta.

Somos o país com a maior biodiversidade do mundo, e este é um potencial que pode ser aproveitado sem que seja preciso acabar com ele. E é preciso colher sementes em vez de derrubar árvores. Chama-se a isso de bioeconomia:

“Hoje, mais de 245 espécies da flora brasileira já são base de produtos cosméticos e farmacêuticos e ao menos 36 espécies botânicas nativas possuem registros de fitoterápicos. Cerca de 80 famílias e 469 espécies de plantas são cultivadas em sistemas agroflorestais. Nesse contexto de grande potencial econômico, o que falta é industrialização, mas dentro de um modelo descentralizado. A Amazônia Legal tem 4.438 localidades. E as tecnologias modernas permitem desenvolver modelos industriais descentralizados”, acredita Carlos Nobre.

O cientista tem números que podem ajudá-lo a propagar sua ideia sem muito esforço. Um deles é bastante emblemático: o mesmo valor econômico gerado pela mineração da empresa Vale no Pará, por exemplo, é o do sistema extrativista do açaí na mesma região. Isto se explica porque a Vale apenas extrai o recurso e o exporta, sem dar a ele valor agregado.

“Muito poucos países desenvolvidos não são industrializados. Podemos nos inspirar em modelos descentralizados, já que são 4.438 localidades na Amazônia Legal. Hoje é possível, com a tecnologia avançada, imaginar educação moderna chegando a esses lugares. A Telemedicina também já possibilita o atendimento de saúde descentralizado. São as modernas tecnologias da 4ª Revolução Industrial que podem tornar isto possível. E é possível desenvolver capacidades locais”, disse Carlos Nobre.

O projeto Amazônia 4.0 já está em andamento, com Laboratórios Criativos funcionando em tendas ou em plataformas flutuantes, de maneira experimental. E, para quem já está se perguntando se os povos indígenas – maior centro da preocupação do Papa Francisco – estão inseridos, vale dizer que o desenvolvimento de Capacitação Local é realizado em território Yanomâmi e voltado para a cadeia do cupuaçu e do cacau. Só no território Yanomâmi tem mais de 400 variedades de cacau, e esta é uma riqueza nacional.

“Há um terceiro projeto, que é o Genômica, voltado para o potencial de recursos genéticos. É um laboratório que tem um sequenciador portátil e faz registro de blockchain. Isso tem um enorme potencial econômico”, disse o cientista à plateia de empresários.

É claro que, sem apoio governamental, fica mais difícil. Todo esse projeto, já em andamento, depende de uma educação de qualidade para criar modelos de capacitação de desenvolvimento em negócios sustentáveis. Como não há, segundo informa o cientista, nenhum país tropical desenvolvido que explore adequadamente sua biodiversidade, eis aí a grande oportunidade de o Brasil se tornar um diferencial.

Mas é preciso começar a criar uma outra visão sobre o meio ambiente e, mais do que isso, não esperar que o governo faça tudo sozinho. As indústrias precisam entrar e avançar em pesquisa aplicada, lembrando que as empresas com histórico de investimento nessa área costumam ser a mais bem sucedidas.

Quem está chegando agora no mercado de trabalho, quem está nos bancos escolares, também precisa ajudar. É preciso um olhar cuidadoso, de preferência sem preconceitos mas com curiosidade e muita leitura, em busca de verdadeiras mudanças de paradigma. A natureza não é um ente à parte do humano, ela é um todo integrado. Vale a pena usar, portanto, a tecnologia, o saber avançado que o homem soube criar, para aprender a tirar dela nosso sustento e ajudá-la a se renovar. Ela tem esta capacidade.

Por:Amelia Gonzalez
Fonte: G1

Onze organizações firmam compromisso para alcançar metas globais de saúde até 2030

O grupo de organizações de saúde concordou em desenvolver novas formas de trabalhar em conjunto para maximizar recursos e medir o progresso de uma forma mais transparente. Foto: World Health Summit

O grupo de organizações de saúde concordou em desenvolver novas formas de trabalhar em conjunto para maximizar recursos e medir o progresso de uma forma mais transparente. Foto: World Health Summit

Onze chefes das principais organizações de saúde e desenvolvimento do mundo assinaram na sexta-feira (12) o compromisso de encontrar novas maneiras de trabalhar em conjunto para acelerar o progresso para alcançar as metas relacionadas ao tema na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a iniciativa une o trabalho de 11 organizações, além de outras preparadas para participar da próxima fase.

O compromisso segue um pedido da chanceler alemã, Angela Merkel, do presidente de Gana, Nana Addo Dankwa Akufo-Addo, e da primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, com apoio do secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres. O objetivo é desenvolver um plano de ação para definir como os atores globais podem colaborar para acelerar o progresso rumo às metas relacionadas à saúde da Agenda 2030.

“Pessoas saudáveis são essenciais para o desenvolvimento sustentável – para acabar com a pobreza, promover sociedades pacíficas e inclusivas e proteger o meio ambiente. No entanto, apesar dos grandes avanços alcançados contra muitas das principais causas de mortes e doenças, devemos redobrar nossos esforços. Se não fizermos isso, não alcançaremos várias das metas relacionadas à saúde”, anunciaram as organizações na Cúpula Mundial da Saúde em Berlim.

“O Plano de Ação Global para Vidas Saudáveis e Bem-Estar para Todos representa um compromisso histórico com novas formas de trabalhar em conjunto para acelerar o progresso para cumprir as metas até 2030. Estamos comprometidos em redefinir o trabalho conjunto entre nossas organizações para oferecer um apoio mais efetivo e eficiente aos países e para alcançar todas as pessoas com saúde e bem-estar.”

O grupo concordou em desenvolver novas formas de trabalhar em conjunto para maximizar recursos e medir o progresso de uma forma mais transparente. A primeira fase de desenvolvimento do plano é organizada em três abordagens estratégicas: alinhar, acelerar e prestar contas.

As organizações se comprometeram a coordenar processos programáticos, financeiros e operacionais para aumentar a eficiência coletiva e o impacto em uma série de prioridades compartilhadas, como igualdade de gênero e saúde reprodutiva, materna, neonatal, infantil e adolescente.

Também concordaram em desenvolver abordagens comuns e coordenar ações em áreas de trabalho que têm o potencial de aumentar o ritmo do progresso na saúde global. O conjunto inicial de sete “aceleradores” inclui envolvimento da comunidade e da sociedade civil, pesquisa e desenvolvimento, dados e financiamento sustentável.

Para melhorar a transparência, a responsabilização e a prestação de contas aos países e parceiros de desenvolvimento, as organizações de saúde estão inovando ao estabelecer marcos comuns para quase 50 metas relacionadas à saúde de 14 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Esses marcos fornecerão um ponto de verificação essencial e uma referência comum para determinar onde o mundo está em 2023 e se ele está no caminho certo para atingir os objetivos de 2030.

O Plano de Ação Global também reforçará a ação coletiva e impulsionará fundos para abordar as desigualdades de gênero que atuam como barreiras ao acesso à saúde e para melhorar cuidados de saúde de qualidade para mulheres e meninas, incluindo serviços de saúde sexual e reprodutiva.

As organizações que já se inscreveram no Plano de Ação Global para Vidas Saudáveis e Bem-Estar para Todos são: Aliança Mundial para Vacinas e Imunização (Gavi the Vaccine Alliance), Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária, Global Financing Facility, Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Unitaid, ONU Mulheres, Banco Mundial e OMS. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) se comprometeu a aderir ao plano nos próximos meses.

O plano final será entregue em setembro de 2019 na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Clique aqui para obter mais informações (em inglês).

Mapa de agência da ONU mostra quantidade de reservas de carbono nos solos do mundo

Mulheres da comunidade Batwa em Gashikanwa, Burundi, cultivam o solo para plantar batatas. Foto: FAO

Mulheres da comunidade Batwa em Gashikanwa, Burundi, cultivam o solo para plantar batatas. Foto: FAO

Coincidindo com as celebrações do Dia Mundial do Solo, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apresentou no início de dezembro (5) um mapa detalhado sobre as reservas de carbono nos solos do mundo.

A matéria orgânica do solo — sendo o carbono seu principal componente — é crucial para sua saúde e fertilidade e para a infiltração e retenção de água, assim como para a produção de alimentos. Como sistema fundamental de armazenamento de carbono, sua conservação e restauração são essenciais tanto para a sustentabilidade da agricultura como para a mitigação da mudança climática.

Os solos do mundo atuam como o maior escoadouro de carbono da terra, reduzindo os gases de efeito estufa na atmosfera. Aumentar seu papel poderia compensar significativamente o rápido aumento do dióxido de carbono na atmosfera. De fato, em uma decisão histórica sobre agricultura, a recente conferência sobre mudanças climáticas em Bonn (COP23), na Alemanha, reconheceu a necessidade de melhorar o carbono, a saúde e a fertilidade do solo.

O Mapa Mundial do Carbono Orgânico do Solo, que mostra as reservas de carbono orgânico nos primeiros 30 cm de solo, revela áreas naturais com um elevado armazenamento de carbono que requerem conservação, assim como regiões onde seria possível reter uma maior quantidade.

Esta informação pode ser uma boa ferramenta para ajudar a tomar decisões sobre práticas que apontem para preservar e aumentar as atuais reservas de carbono do solo, contribuindo para a luta contra a mudança climática.

“Os solos são a base da agricultura, é onde começam os alimentos”, disse a subdiretora-geral da FAO, Maria Helena Semedo. “Manter as importantes funções e serviços do solo para apoiar a produção de alimentos e aumentar a resiliência frente a um clima em mudança requer práticas de gestão sustentável do solo”.

Proteger os solos ricos em carbono e restaurar os degradados

O mapa afirma que, em todo o mundo, os 30 primeiros centímetros do solo contêm cerca de 680 bilhões de toneladas de carbono, quase o dobro do presente na atmosfera. Trata-se de uma quantidade significativa quando comparada ao total de carbono armazenado na vegetação (560 bilhões de toneladas).

Mais de 60% dessas 680 bilhões de toneladas de carbono estão em dez países (Rússia, Canadá, EUA, China, Brasil, Indonésia, Austrália, Argentina, Cazaquistão e República Democrática do Congo). Isso significa que devem ser implementadas medidas para proteger estes solos naturais ricos em carbono e evitar as emissões à atmosfera.

A degradação de um terço dos solos no nível global induziu uma enorme liberação de carbono na atmosfera. Restaurar estes solos pode eliminar até 63 mil toneladas de carbono da atmosfera, contribuindo significativamente para a luta contra a mudança climática.

Aumentar a quantidade de carbono nos solos

Os solos com alto conteúdo de carbono orgânico são mais produtivos, purificam melhor a água e dão às plantas condições ótimas de umidade. A água armazenada no solo sustenta 90% da produção agrícola mundial e representa cerca de 65% da água doce.

Aumentar o carbono orgânico do solo com uma gestão melhorada pode ajudar a manter a produtividade em condições mais secas. Portanto, devem ser tomadas medidas para fomentar o sequestro adicional de carbono quando as condições forem adequadas para isso. Práticas inovadoras devem ser promovidas, como o uso de espécies de enraizamento profundo.

“Manter, mas, especialmente, aumentar os estoques de carbono orgânico deveria ser uma obrigação, já que isso nos permitiria liberar todo o potencial para apoiar as ações de mitigação e adaptação em um clima em mudança”, disse Semedo.

Processo participativo

Este primeiro mapa do carbono orgânico do solo foi desenvolvido através de um processo inclusivo e dirigido pelos países e contou com o apoio do Grupo Técnico Intergovernamental de Solos (GTIS) da FAO.

No total, mais de 100 países-membros compartilham seus mapas nacionais de carbono que a FAO reuniu neste mapa global, uma contribuição concreta ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 15, que trata da vida na terra.

O passo seguinte para os países será avançar no monitoramento dos níveis de carbono orgânico do solo utilizando seus sistemas nacionais de informação para tomar decisões baseadas em evidências sobre como geri-los e como dar prosseguimento ao impacto dessas ações.

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