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ACNUR apoia o lançamento do plano municipal para imigrantes da prefeitura de São Paulo

Representante do ACNUR no Brasil, Jose Egas (ao centro), participa da live de lançamento do Plano Municipal de Política para Imigrantes. Foto: ACNUR

Pioneira na implementação de políticas públicas voltadas para a integração de pessoas refugiadas e migrantes, a Prefeitura de São Paulo lançou, na semana passada (11), o primeiro Plano Municipal de Políticas para Imigrantes.Composto por 80 ações a serem cumpridas pelo poder público até 2024, o plano é dividido em oito eixos que refletem as reais necessidades de integração da população refugiada e migrante que vive na capital.

Fruto da Conferência Municipal de Políticas para Imigrantes, realizada em novembro do ano passado com a participação de 800 pessoas, o presente plano é um instrumento de planejamento, implementação, monitoramento e avaliação da política municipal para a população de outras nacionalidades que vivem na cidade, tendo vigência entre os anos de 2021 e 2024.

Composto por 80 ações a serem cumpridas pelo poder público até 2024, o plano é dividido em oito eixos que refletem as reais necessidades de integração da população refugiada e migrante que vive na capital. Dentre as ações referenciadas, destacam-se a necessidade de implantar um centro de acolhida especial 24hs para famílias e ampliar as unidades de abrigamento existentes; promover políticas de subsídio para o transporte público para refugiados e migrantes em situação de vulnerabilidade; criar e manter um centro cultural de referência e memória sobre refúgio e migração; criar e monitorar programas específicos de acompanhamento a pessoas LGBTI+ refugiadas e migrantes; criar programas de conscientização sobre os direitos da população de outras nacionalidades e aprimorar os canais de denúncia para casos de racismo, xenofobia e outras formas de discriminação.

Para o representante do ACNUR no Brasil, Jose Egas, a construção do Plano Municipal reflete as diretrizes do ACNUR ao envolver as pessoas refugiadas na construção das políticas públicas que contemplam as diferentes perspectivas de quem vive nas cidades.

“São Paulo é uma cidade cosmopolita, que está na vanguarda das políticas municipais para a população refugiada no Brasil. Já é reconhecida pelo ACNUR como cidade solidária aos refugiados e o lançamento do plano municipal consolida a garantia de direitos de quem busca recomeçar suas vidas com respeito e dignidade. Por ser coletivo em sua elaboração, o plano é um perfeito exemplo de boa prática no âmbito da gestão municipal, dialogando com os anseios das pessoas refugiadas e migrantes que contribuem para o desenvolvimento da cidade”, afirmou o representante do ACNUR no Brasil.

De acordo com o coordenador em exercício de políticas para imigrantes da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), Vinicius Duque, 13 pastas municipais estiveram envolvidas na construção do plano, ao lado da participação de pessoas refugiadas, migrantes e de profissionais técnicos do ACNUR e da OIM, agências das Nações Unidas voltadas para a temática do refúgio e da migração, respectivamente.

“O referente plano não se limita às ações da Secretaria de Direitos Humanos, trata-se de um plano para a cidade como um todo. As ações contidas em cada eixo temático envolvem as diversas secretarias da prefeitura e precisamos que sejam conhecidas e pautem o trabalho de cada equipamento público, como as escolas e os centros de assistência social”, explicou o coordenador da SMDHC.

Histórico da Política Municipal para Refugiados e Migrantes de São Paulo

Desde 2016, a cidade de São Paulo conta com uma política municipal voltada para a população refugiada e imigrante residente na cidade. A Lei Municipal nº 16.478 institui a Política Municipal para a População Imigrante de São Paulo (PMPI) que, de acordo com a própria lei, deve ser implementada de forma transversal às políticas e serviços públicos, garantindo, assim, o acesso aos direitos sociais e aos serviços públicos à população de outras nacionalidades.

No fim do mesmo ano, a Lei Municipal foi regulamentada por meio do Decreto 57.533, que atribuiu às Secretarias Municipais as competências necessárias para a implementação de políticas voltadas para a população refugiada e migrante. A Lei e o Decreto consolidaram uma série medidas para essa população implementadas no município desde 2013, como o Centro de Referência e Atendimento a Imigrantes (CRAI) e a criação do Conselho Municipal de Imigrantes (CMI).

Atuante desde outubro de 2017, o CMI é um colegiado ligado à Coordenação de Políticas para Imigrantes e Promoção do Trabalho Decente, da SMDHC, e tem como objetivo promover a participação social junto às políticas públicas voltadas à população refugiada e migrante, sendo mais uma sólida estrutura de participação do debate político adotada pela Prefeitura de São Paulo.

“Nós, do Conselho Municipal de Imigrantes, trabalhamos para que as propostas do plano municipal não se tornem uma letra morta, mas um plano de ações para que o poder público possa saber como começar e como terminar as medidas”, comentou o refugiado congolês Jean Katumba, presidente da ONG África do Coração – entidade integrantes do CMI.

Em 2019, o CMI contribuiu para a realização da 2ª Conferência Municipal, a qual definiu cinco objetivos esperados, entre esses “definir propostas prioritárias de execução municipal e promover as bases para a construção de um Plano Municipal”. No total, foram realizadas quatro pré-conferências regionalizadas e 18 conferências livres que, ao longo de três dias de discussão e deliberação, foram encaminhadas 78 propostas finais que estruturaram a base do plano municipal.

Encaminhamentos após o lançamento

O monitoramento do 1º Plano Municipal de Políticas para Imigrantes ficará a cargo do CMI, que deve se dar de forma contínua e transparente, com base nas metas, indicadores e linhas de base definidos no próprio plano.

Após os dois primeiros anos de vigência, o Plano prevê a realização de prestação de contas e revisão parcial junto à sociedade sobre a implementação de suas ações, de forma a avaliar os resultados e permitir eventuais correções ou adaptações necessárias à consecução de seus objetivos. Ao final de sua vigência, em 2024, o plano prevê, igualmente, a realização de avaliação final junto à sociedade, que deverá pautar a construção do 2º Plano de Políticas para Imigrantes.

A chefe do escritório do ACNUR de São Paulo, Maria Beatriz Nogueira, destacou a sinergia do plano municipal com o Pacto Global sobre Refugiados, pois embora o plano seja responsabilidade da gestão municipal, a participação de outros atores na implementação e no monitoramento se torna fundamental para garantir os resultados almejados.

“Cada vez mais as pessoas refugiadas estão vivendo em áreas urbanas, os municípios são os primeiros a responder as demandas existentes e as articulações entre os diferentes segmentos requer o envolvimento articulado de todos setores. O plano municipal agrega todos esses elementos, com responsabilidades compartilhadas e a certeza de que somente com o engajamento multissetorial as respostas mais assertivas poderão ser dadas à população refugiada e migrante”, afirmou a chefe do ACNUR em São Paulo.

Atualmente, vivem em São Paulo mais de 360 mil pessoas refugiadas e migrantes de cerca de 200 nacionalidades, contribuindo com a construção das pluralidades que formam o território da cidade. Em 2019 o ACNUR e a Caritas São Paulo lançaram um estudo georreferenciado sobre a população refugiada atendida pela organização, buscando assim facilitar o debate para a implementação de políticas públicas que potencializem a integração local de pessoas em situação de refúgio que vivem em São Paulo.

O ACNUR seguirá promovendo iniciativas sustentáveis e de longo prazo em prol da população refugiada, apoiando os esforços dos atores público e privado, da sociedade civil e da academia na construção de sólidos instrumentos que valorizem o potencial de quem busca proteção internacional no Brasil para reconstruir suas vidas com dignidade e respeito.

ONU e parceiros lançam apelo de US$565 milhões para Líbano

Apoiadores da comunidade limpam entulhos provocados pela explosão catastrófica na área de Gemmayze, em Beirute, no Líbano. Foto: UNICEF

Apoiadores da comunidade limpam entulhos provocados pela explosão catastrófica na área de Gemmayze, em Beirute, no Líbano. Foto: UNICEF

ONU e parceiros estão buscando 565 milhões de dólares para atender às necessidades do Líbano após as explosões mortais que arrasaram grandes áreas da capital, Beirute, há quase duas semanas.

O apelo lançado na sexta-feira (14) ajudará o povo libanês a passar do socorro imediato para a reconstrução e recuperação, incluindo o reparo da economia despedaçada a longo prazo.

“A escala das perdas com as explosões de Beirute é tão vasta que é provável que cada pessoa no Líbano tenha sido de alguma forma atingida por este terrível evento”, disse Najat Rochdi, o vice-coordenador especial da ONU para o país, que também é coordenador-residente e humanitário.

Quase 180 pessoas morreram e mais de 6 mil ficaram feridas nas explosões, que destruíram a maior parte do porto de Beirute e bairros vizinhos. Milhares estão desabrigados.

As explosões danificaram seis hospitais, 20 clínicas de saúde e 120 escolas, de acordo com o escritório de assuntos humanitários da ONU, o OCHA.

Agravando crises já existentes

A catástrofe estagnou enquanto o Líbano enfrenta várias crises, incluindo contração econômica, aumento da pobreza e a pandemia de COVID-19. Tanto os cidadãos quanto a grande população de refugiados do país, principalmente sírios e palestinos, foram afetados.

A transmissão da COVID-19 está sobrecarregando o sistema de saúde, com a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrando mais de 7,7 mil casos no país até sexta-feira. Metade de todas as infecções até o momento foi diagnosticada nas últimas duas semanas, de acordo com o OCHA.

O apelo de 565 milhões de dólares visa quatro áreas: segurança alimentar, saúde, abrigo e educação.

Os planos imediatos incluem o fornecimento de refeições quentes e rações alimentares, bem como a entrega de grãos.

A resposta à saúde se concentrará na reabilitação de instalações danificadas e no fornecimento de kits para traumas e medicamentos essenciais.

Famílias forçadas a deixar suas casas receberão dinheiro para custear abrigo, e o financiamento também irá para o conserto das áreas comuns dos edifícios e instalações afetadas pela explosão.

A resposta educacional incluirá a reforma de escolas e o fornecimento de apoio psicossocial, entre outras medidas.

OIT cria empregos decentes para apoiar as operações de limpeza após explosões em Beirute

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) mobilizou recursos para dar uma resposta rápida à explosão que devastou partes da capital libanesa.

Mais de 100 empregos decentes de curto prazo para ajudar na remoção de escombros e destroços das ruas foram criados para cidadãos libaneses e refugiados sírios, no âmbito do Programa de Infraestrutura Intensiva em Emprego da OIT (EIIP) , financiado pela Alemanha por meio do Banco de Desenvolvimento Alemão (KfW).

Cerca de 60 trabalhadores participam das operações de limpeza em uma das áreas mais afetadas da capital libanesa. Omar Saidoun, de nacionalidade libanesa, é um deles:

“O apoio mais importante é o financeiro. Eu precisava muito desse apoio, pois não tinha qualquer trabalho antes. Além do trabalho remunerado, o trabalho em equipe que vivemos é fundamental ”, disse ele.

A equipe da EIIP está trabalhando em estreita colaboração com a Prefeitura de Beirute para garantir que o apoio chegue às áreas que foram duramente atingidas pela explosão. Está em coordenação com grupos de trabalho da agência da ONU, liderados pelo Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), com o objetivo de garantir que os esforços para criar uma Beirute mais segura sejam coerentes e apoiem todas as pessoas afetadas pela explosão.

“Em poucos dias, conseguimos realocar trabalhadores libaneses e sírios empregados no programa, para ajudar na resposta imediata às necessidades em Beirute, e esperamos aumentar este esforço nas próximas semanas ”, disse o Diretor Regional Adjunto da OIT para os Estados Árabes, Frank Hagemann.

“A OIT não é uma agência humanitária, mas há muitos anos trabalhamos na área de resiliência, no context de emergência e desenvolvimento. Desde o início da guerra na vizinha Síria, temos trabalhado com refugiados sírios e comunidades anfitriãs vulneráveis, e esse esforço continuará no futuro ”, acrescentou.

Curso de capacitação profissional da OIT recebe chefs Neide Rigo e Fernanda Cunha

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O projeto Cozinha&Voz Web recebeu no início de agosto as chefs Neide Rigo e Fernanda Cunha para duas semanas de aulas especiais com os(as) 100 alunos(as) do curso profissionalizante de assistente de cozinha.

Em tempos de pandemia de COVID-19, o Cozinha&Voz Web busca manter a capacitação profissional de pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão socioeconômica com aulas a distância, que reúnem homens e mulheres transexuais de Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Rondônia, Espírito Santo e Distrito Federal.

Na primeira semana, as aulas foram com a chef Fernanda Cunha, que desde 2017 participa do Cozinha&Voz na modalidade presencial. Ela ensinou receitas fáceis de fazer e de vender, como tortilha, fritada de batata e cebola e cuscuz de abóbora e sardinha.

“O conhecimento online é mais tranquilo de se passar porque não há possibilidade de dispersão de atenção. Vi muitos(as) alunos(as) participando com bastante interesse”, disse Fernanda.

Já na segunda semana, a sala virtual ficou sob o comando da nutricionista, colunista e chef Neide Rigo, que ensinou a fazer pão com fermentação natural. Esse método antigo e mais tradicional de fazer pães pode ser aplicado a várias receitas, tornando o pão um alimento mais saudável e um produto diferenciado e procurado no mercado.

“Eu fiquei muito feliz em dar aula para uma sala cheia, com muita gente fazendo o pão junto- desde a preparação do levain, um fermento natural, até a produção de diferentes receitas de pão. Eu fiquei emocionada”, disse ela.

A produção de pães com fermentação natural, produtos frescos e selecionados, os chamados pães artesanais, há algum tempo ganhou o gosto dos consumidores e criou mais uma oportunidade de negócio para a venda de pães caseiros.

A aluna de Rondônia Karen Oliveira, mulher trans de 51 anos, tem produzido diferentes tipos de pão para vender e reforçar a renda familiar durante a pandemia. Com as aulas, ela pensa em ampliar a oferta de produtos.

“Agora, com essa aula de fermentação natural, vou ter mais um tipo de produto para fazer”, disse ela.

Iury Ferreira Ferraz, homem trans de 34 anos e aluno de Brasília, disse ter descoberto uma nova alternativa de trabalho decente. Intérprete de libras, ele ficou sem ter como trabalhar por causa da pandemia.

“Eu aprendi algo que nunca fiz na vida: pão. A cozinha pode ser uma opção para eu me reinventar profissionalmente”, disse ele.

Da sala de aula para a sala de casa

O Cozinha&Voz faz parte de uma ampla iniciativa de promoção do trabalho decente para pessoas em situação de vulnerabilidade, desenvolvida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), com apoio da chef Paola Carosella, da nutricionista Neide Rigo, e da Casa Poema.

Criado na forma de aulas presenciais em 2017, o projeto promove a capacitação profissional por meio de um curso de assistente de cozinha, visando aumentar a empregabilidade de pessoas em situação de exclusão e vulnerabilidade socioeconômica.

Em cada local e com cada grupo são realizadas atividades e cursos específicos, como rodas de conversa sobre legislação, saúde, retificação de documentos, direitos trabalhistas, elaboração de currículos, dança, arte, música, fotografia, entre outros. Os cursos contam com o apoio de organizações de empregadores, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Para assegurar a capacitação contínua e treinamentos essenciais em tempos de COVID-19, a OIT e o MPT, realizadores do Cozinha&Voz, adotaram um plano de contingência para assegurar a profissionalização das(os) alunas(os), com um método inédito de aulas online ministradas por meio de ferramenta de videoconferência, conversas virtuais e outras alternativas de conexão. Assim foi criado o Cozinha&Voz Web .

Criada em abril, a primeira turma online serviu como base para a criação da segunda turma, lançada em julho. Ao todo, os(as) 100 alunos(as) participam de aulas diárias a distância, por um período de três meses.

São aulas de música, dança, poesia, palestras com especialistas, curso de empreendedorismo em parceria com o SEBRAE. Cada participante recebe também uma bolsa de auxílio mensal no valor de 500 reais durante todo o curso, com a contrapartida de participar dos cursos e permanecer em isolamento.

Desde o lançamento, foram capacitadas mais de 314 pessoas como assistentes de cozinha em diversas cidades do país, sendo que 70% delas estão empregadas em empresas ou montaram o próprio negócio no setor de gastronomia.

Projeto de parceria público-privada visa universalizar cobertura de esgotamento sanitário no MS

Vista aérea de Campo Grande (MS). Foto: Flickr/overdrive_cz (CC)

Vista aérea de Campo Grande (MS). Foto: Flickr/overdrive_cz (CC)

Universalizar a cobertura do serviço de esgotamento sanitário do Mato Grosso do Sul em dez anos é o objetivo do projeto de Parceria Público-Privada apresentado em sessão virtual, na última terça-feira (14).

Na apresentação virtual, representantes da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul) mostraram o modelo de negócios da PPP e mais detalhes sobre normas e procedimentos aos interessados em participar do processo licitatório aberto.

A iniciativa prevê a concessão privada do serviço nos 68 municípios atendidos pela Sanesul, que representa 98% da cobertura em todo o estado e envolve 1,7 milhão de pessoas.

“O estado se preparou para receber esse investimento privado. No marco legal do saneamento do Brasil, estamos saindo na frente com uma PPP bem modelada e equilibrada, com segurança para os investidores. Posso garantir que quem entrar nessa parceria vai investir em um dos estados mais promissores do Brasil”, destacou o governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja.

Conforme previsão do projeto, serão 4,5 bilhões de reais de investimentos nos sistemas de esgotamento do estado nos próximos 30 anos.

A meta é atingir a universalização do sistema nos primeiros dez anos de contrato, por meio de obras e serviços de implantação, recuperação, manutenção e operação da infraestrutura de esgotamento sanitário.

O governo do Mato Grosso do Sul e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) firmaram acordo de cooperação técnica em 2016. Com a parceria, foi possível analisar a viabilidade técnica e econômico-financeira do projeto, bem como aspectos ambientais, modelagem jurídica, execução e acompanhamento de contratos.

Por meio do desenvolvimento de capacidades e transferência de conhecimento, foram desenvolvidos os estudos necessários para viabilizar a PPP.

Em sua participação no evento, a representante-residente do PNUD no Brasil, Katyna Argueta, destacou a importância de projetos de infraestrutura para o desenvolvimento humano, afirmando que os déficits existentes estão mais visíveis em meio à pandemia da COVID-19 e impactam, de forma mais grave, os mais vulneráveis.

“A resposta a essa crise deve ter como base uma confiança mútua, onde o setor privado é chamado a cumprir um papel crucial. Há uma necessidade urgente de transformar os municípios e de construir cidades mais resilientes, inclusivas e sustentáveis. Sabemos que isso é possível”, destacou.

A iniciativa deverá colocar o Mato Grosso do Sul como estado pioneiro no Brasil no alcance da meta 6.2 do Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS 6), que estabelece “até 2030, alcançar o acesso a saneamento e higiene adequados e equitativos para todos”.

Também participaram do evento virtual o diretor presidente da Sanesul, Walter Carneiro Jr.; o secretário estadual de Governo e Gestão Estratégica de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel; a secretária Especial do Escritório de Parcerias Estratégicas do Estado, Eliane Detoni; o representante da EY Consultoria, Gustavo Gusmão; e o gerente de processos licitatórios da B3, Guilherme Peixoto.

O leilão que definirá o parceiro privado da Sanesul está marcado para 23 de setembro. A modalidade escolhida é a de concorrência administrativa, cujo critério de julgamento é o menor preço apresentado. O edital de concorrência e seus anexos estão disponíveis no site da Sanesul.

UNAIDS pede à Polônia que respeite direitos das pessoas LGBTI

O UNAIDS está preocupado com a perseguição contínua e intensificada de pessoas LGBTI na Polônia. Foto: UNAIDS

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) está profundamente preocupado com relatos de perseguições e detenções de ativistas pelos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersex (LGBTI) enquanto exercem pacificamente seus direitos à liberdade de expressão e de associação. O UNAIDS se preocupa também com os relatos de discriminação, repressão e culpabilização de pessoas LGBTI.

O UNAIDS foi informado de que no dia 7 de agosto um protesto contra a detenção da ativista LGBTI Margot Szutowicz, atualmente em prisão preventida de dois meses, resultou em relatos de violência policial e mais de 50 prisões. Isso ocorreu após as recentes prisões de ativistas que colocaram bandeiras de arco-íris em monumentos públicos. As prisões aconteceram de forma ostensiva sob o Artigo 196 do código penal da Polônia – que prevê até dois anos de prisão para qualquer pessoa que “ofender os sentimentos religiosos de outros insultando publicamente um objeto religioso ou local de culto ou adoração”.

Organismos internacionais e europeus de direitos humanos afirmaram os direitos à liberdade de expressão, associação e reunião pacífica. Eles também afirmaram o direito fundamental à não discriminação com base em sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

A Declaração Política de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas de 2016 sobre o Fim da AIDS reconhece que a discriminação, particularmente o uso discriminatório e abusivo de poderes de manutenção da ordem, cria barreiras significativas à saúde e ao bem-estar das pessoas, incluindo seu acesso a serviços de prevenção, tratamento e cuidados do HIV – barreiras que os governos se comprometeram a remover.

O estigma e a discriminação aumentam a violência, o abuso e o assédio contra as pessoas LGBTI e causam danos significativos à sua saúde e bem-estar físico e mental, à sua inclusão na sociedade e à sua capacidade de acesso ao trabalho, educação e serviços essenciais.

As ações na Polônia limitam a liberdade de expressão e, quando combinadas com a aplicação discriminatória que visa os defensores dos direitos humanos, minam a igualdade, o Estado de direito e o acesso das pessoas a serviços essenciais. No contexto de fechamento do espaço cívico para o advocacy pelo fim da discriminação em áreas como direitos LGBTI, saúde sexual e reprodutiva e igualdade de gênero, as proteções à liberdade de expressão são mais vitais do que nunca.

O UNAIDS está preocupado com a perseguição contínua e intensificada de pessoas LGBTI na Polônia, incluindo o incentivo às chamadas “zonas livres de ideologia LGBT” em todo o país, no ano passado, e até as recentes repressões crescentes contra defensores dos direitos humanos que exercem seus direitos humanos fundamentais de defender o fim da discriminação.

Infodemia tem tornando resposta às emergências de saúde ainda mais difícil, afirma OPAS

Jovem mexe no celular em escola em Cebu, nas Filipinas. Foto: UNICEF/Estey

Jovem mexe no celular em escola em Cebu, nas Filipinas. Foto: UNICEF/Estey

A infodemia — um aumento significativo no volume de informações, corretas ou não, sobre um tema específico — tem dificultado a resposta à pandemia de COVID-19, afirmou na sexta-feira (14) a representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, Socorro Gross, na aula inaugural da especialização Comunicação em Saúde, promovida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Brasília.

Após saudar os 30 alunos selecionados para a primeira turma da pós-graduação, Gross falou sobre a relevância da parceria com a Fiocruz, pontuando que um dos pilares fundamentais da estratégia de promoção da saúde é a comunicação em saúde.

“No curto período em que vivemos esta terrível pandemia, uma grande quantidade de informações, muitas delas falsas, inundou os diferentes canais que existem, como as redes sociais e os meios de comunicação.”

“Muitas pessoas estão se perguntando qual notícia é a correta e, por isso, essa formação é tão importante – não só por levar à população as informações certas, mas também pela oportunidade de combater as notícias falsas que causam tantos danos à população e trazem insegurança”, ressaltou Gross.

Segundo a representante da OPAS no Brasil, o curso formará pessoas e profissionais que contribuirão para a construção de uma saúde universal, fortalecendo a democracia da comunicação, permitindo às pessoas ter acesso a informações oportunas para que possam proteger a si e a suas famílias das ameaças à saúde.

A especialização, estruturada em sete módulos, foi lançada em janeiro deste ano com palestra magna de Renata Schiavo, professora da Universidade de Columbia. A OPAS é parceira da Fiocruz Brasília para a realização da pós-graduação e coordenará, junto ao Ministério da Saúde, o módulo Saúde e Mídias, previsto para ocorrer em fevereiro de 2021.

A aula inaugural da pós-graduação — transmitida virtualmente aos alunos e interessados no tema com mediação do coordenador de comunicação da Fiocruz Brasília, Wagner Vasconcelos — contou com palestras da pesquisadora da Universidade de Buenos Aires, Monica Petracci, e do professor da Universidade Jonhs Hopkins, Benjamin Lozare.

Na ocasião, a Fiocruz Brasília também lançou o e-book “Fake News e Saúde”, organizado pela assessoria de comunicação da instituição com base no “VI Seminário Nacional e II Seminário Internacional As Relações da Saúde Pública com a Imprensa: Fake News e Saúde”, realizados em março de 2019.

O curso, inicialmente previsto para acontecer presencialmente, precisou ser adaptado devido ao distanciamento físico imposto pela pandemia de COVID-19. “Se nosso encontro de hoje fosse presencial, estaríamos recebendo os alunos no jardim da Fiocruz, mas por força da necessidade de cuidado, trabalhamos para garantir esta transmissão ao vivo”, disse Fabiana Damásio, diretora da Fiocruz Brasília.

“Os tempos são difíceis e demandam de nós compreensão, atenção e a desafiadora tarefa de mantermos viva a nossa rede de afetos com o auxílio das ferramentas virtuais. Diante das dificuldades, nós assumimos o desafio de ofertar o curso virtualmente”.

Cristiane Machado, vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, ressaltou que para a Fundação, a “comunicação não é uma área meio e sim uma área finalística, porque remete ao direito dos cidadãos de ter acesso a informações confiáveis, possibilidade de diálogo, ou seja, um conjunto abrangente de direitos que estende a possibilidade de acesso a outros direitos”.

Consumo desenfreado de desinformação

Em sua palestra, a pesquisadora argentina Mónica Petracci abordou, entre outros temas, as mudanças no modelo de comunicação em saúde exigidas pelos meios digitais e os desafios impostos pelo agravamento da infodemia durante a COVID-19.

“A emergência sanitária desencadeou um consumo desmensurado de desinformação. A OMS definiu como infodemia, ou pandemia de desinformação, uma rede de comunicação que é a porta de entrada para a presença da desinformação. Vale a pena estudarmos o peso dos diferentes atores que produzem esta infodemia”, explicou.

Com base em um artigo publicado ao fim de 2019, a pesquisadora argentina também apresentou uma agenda propositiva para lidar com pandemias em termos de comunicação.

“Os números colocam em evidência que as linguagens especializada e jornalística são difíceis de conciliar. Mostrar uma curva ou uma medida requer o conhecimento de especialistas, mas muitas vezes eles não consideram o papel da compreensão desses números.”

“Os comunicadores têm como tarefa não naturalizar esses dados. A comunicação de pessoas mortas foi naturalizada, mas essas pessoas são histórias, existe luto e dor por trás de tudo isso”. Para Petracci, recorrer às mídias sociais é algo muito importante neste momento desde que se saiba avaliar as características de cada uma delas para trazer mensagens de maneira clara.”

Comunicação eficaz depende de aprendizado contínuo

Benjamin Lozare deu ênfase à importância do aprendizado e da liderança na comunicação durante a COVID-19 e outras pandemias que ainda virão: “a base da função de liderança em comunicação é crucial. Para mudarmos os outros, precisamos mudar a nós mesmos em primeiro lugar”.

De acordo com o professor da Universidade Jonhs Hopkins, momentos de crise são também momentos que oferecem a grande oportunidade de aprender e aprimorar o que já se sabe. “Temos que questionar tudo. A síndrome do “eu sei, eu sei” (IKIK, em inglês) quer dizer que podemos parar de aprender. E precisamos aprender com outras culturas. Nós cometemos erros, mas isso faz parte do processo de aprendizado.”

Segundo o professor, a forma como podemos comunicar e liderar depende diretamente de como vemos e nos relacionamos com os outros. “A COVID-19 é um problema que apresenta diversos desafios em termos de liderança. Ainda não saímos da nossa zona de conforto”. Para Lozare, a equação mais adequada para uma comunicação efetiva neste contexto é a combinação entre liderança e um bom gerenciamento.

“O ideal talvez seja o mínimo de ‘lidar com o problema’, mas com o apoio de uma boa gerência e liderança. E muitas vezes olhamos para a liderança como alguém que está no topo, mas existem líderes em todos os níveis de uma organização, do mais alto ao mais baixo.”

“Uma comunicação em saúde eficaz é um investimento, não um gasto, pois temos retorno: salva vidas, economiza dinheiro e é crucial nos resultados de saúde”, afirmou Lozare, que também salientou a necessidade de uma comunicação mais clara, com um público-alvo bem definido e com mensagens-chave claras para as pessoas – evitando muitas mensagens ao mesmo tempo, o que pode confundi-las.

“Nossas campanhas de comunicação em saúde ainda têm muitas mensagens, fazendo com que a mensagem principal se perca. Precisamos também mostrar benefícios claros às pessoas e não dar ordens e falar em tom de autoridade.”

Medo de exposição à COVID-19 afeta cobertura vacinal nas Américas

Pesquisas internas realizadas pela OPAS mostram redução na cobertura vacinal nas Américas durante a pandemia. Foto: OPAS

Embora os países das Américas tenham implementado estratégias inovadoras para impulsionar os programas de imunização durante a pandemia da COVID-19, a preocupação com o risco de exposição ao novo coronavírus, bem como os desafios de acesso aos serviços durante o confinamento, levaram a uma redução na cobertura vacinal, mostram os resultados de uma série de pesquisas internas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

As pesquisas foram realizadas com consultores dos programas de imunização da OPAS em 16 países da América Latina e 22 do Caribe e revelam que, à medida que as políticas de confinamento diminuíram e foram relaxadas, a oferta de serviços regulares de vacinação aumentou.

Isso se deve à implementação de medidas como a vacinação drive-thru, postos móveis de vacinação, vacinação em domicílios e outros locais estratégicos como bancos e escolas vazias, além da comunicação digital para enfatizar a importância da imunização durante uma pandemia.

Apesar desses esforços, no entanto, o Resumo da Situação dos Programas Nacionais de Imunização durante a Pandemia da COVID-19 revelou que a preocupação pública em torno do risco de exposição à COVID-19 afetou a demanda por serviços de vacinação. Outras questões, como confinamento ou distanciamento físico, bem como limitações no transporte público, também levaram à redução da cobertura vacinal e ao aumento das lacunas existentes.

Relatórios de 23 países revelam uma diminuição entre 12% e 14% no número de doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP) e da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (conhecida no Brasil como tríplice viral) administradas em crianças – se comparadas com o mesmo período do ano passado, principalmente em março.

O chefe do Programa de Imunização da OPAS, Cuauhtemoc Ruiz Matus, enfatizou a necessidade de “os países continuarem a implementar medidas e estratégias inovadoras para alcançar aqueles que não foram vacinados”. Ele também pediu esforços de comunicação “para transmitir mensagens à população sobre a importância da imunização e para manter as pessoas saudáveis e protegidas contra doenças evitáveis por vacinação”.

Na pesquisa, participantes de 17 países relataram um impacto na vigilância epidemiológica devido à mudança nas prioridades para os casos de SARSCoV-2. No entanto, outros fatores, como recursos humanos dedicados para a resposta à pandemia, redução das investigações de campo e triagens para doenças evitáveis por vacinas, bem como a suspensão do envio de amostras para análise, também dificultaram a vigilância. Os participantes da pesquisa também indicam que a notificação de casos diminuiu significativamente.

O fechamento das fronteiras internacionais e problemas com o transporte internacional também levaram a dificuldades na entrega de vacinas e suprimentos para programas nacionais de imunização, com entrevistados de 18 países (47%) relatando problemas nesta área.

Daqueles que responderam a pesquisa em 38 países, 12 também enfatizaram a interrupção dos serviços laboratoriais devido à redefinição de prioridade do trabalho de diagnóstico de casos da COVID-19.

A publicação analisou os resultados de pesquisas realizadas a cada duas semanas de abril até 6 de julho de 2020. Os inquéritos mostram que os serviços de vacinação de rotina têm aumentado lentamente nos últimos meses. Todos os entrevistados relataram na pesquisa mais recente que os serviços de vacinação estavam abertos.

Como identificar e amparar mulheres vítimas de violência, orienta pesquisadora

Jackeline Romio é doutora em demografia e pesquisadora sobre violência contra mulheres. Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Com o objetivo de informar as mulheres sobre como acontece a violência baseada em gênero e os mecanismos para prevenção e denúncia, a doutora em demografia Jackeline Romio conversou com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e com o Departamento Nacional do Sesc.

A pesquisadora considera ser fundamental o engajamento das comunidades na luta pelo fim da violência praticada contra as mulheres. Segundo ela, neste momento de pandemia, o isolamento social pode gerar mais tensões, novos casos podem aparecer e os que já existem tornam-se mais frequentes.

A entrevista, que faz parte da campanha promovida pelo UNFPA e Sesc, tem como objetivo apoiar as mulheres, reforçar a importância de falar sobre a violência doméstica e sobre o direito das mulheres a uma vida com segurança, liberdade e paz. Além de informar como elas podem se prevenir.

Confira abaixo a entrevista completa com a pesquisadora.

UNFPA e Sesc: Como uma mulher pode identificar se está sofrendo violência? Existem alguns sinais? Onde ela pode ter ajuda para fazer essa identificação?

Há vários sintomas da violência no cotidiano de vida das mulheres, o isolamento é um deles. Uma das ferramentas do agressor é isolar a mulher, com isso se enfraquece a rede de possíveis apoios à mulher. A ausência de comunicação deve ser um alerta as pessoas que vivem em torno da mulher que vive a violência. Mesmo as meninas também tendem a ficarem mais caladas e distantes no auge das agressões e esse deve ser um padrão a ser observado por professoras, amigas e vizinhas, para conseguir intervir na violência de gênero que vê no silêncio e isolamento social seus maiores aliados.

UNFPA e Sesc: Quando se fala em prevenir a violência de gênero, sempre pensamos em macroações. Mas o que cada um e cada uma pode fazer, em suas comunidades, para prevenir essas violências?

A violência de gênero, por ser naturalizada na sociedade, é de difícil prevenção, devido às normas sociais que minimizam o sofrimento cotidiano de meninas, adolescentes e mulheres, como o poder masculino dentro das relações domésticas e familiares, por exemplo. A divulgação de informações de qualidade destinada a desmascarar esta naturalidade é uma atitude que as cidadãs e os cidadãos podem fazer para mudar esta realidade desde a comunidade.

UNFPA e Sesc: Um exemplo disso é aquela velha história de “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, não é mesmo? Como evitar esse comportamento?

Sim, outra atitude que ajuda a prevenir a violência de gênero é a solidariedade com as vítimas das agressões sexistas. A comunidade é cúmplice da violência de gênero quando assiste, sem reação, às amigas, vizinhas e familiares sofrendo da violência conjugal, doméstica, familiar e sexual, ali ao seu lado, sem assumir o papel ativo de barrar a violação, especialmente utilizando o Disque 180, que pode ser acionado de forma anônima para qualquer denúncia de atos de violência. Também para o caso de arbitrariedade policial e tortura pode-se ligar para o Disque 100, que recebe denúncias da violação dos direitos humanos.

UNFPA e Sesc: Então, quando a pessoa sabe de uma situação de violência com uma amiga ou uma vizinha, por exemplo, como ela deve proceder?

É fundamental identificar situações de violência de gênero encarando-as com seriedade e compromisso. Ao perceber que uma amiga, vizinha ou aluna esteja em uma situação de violência, seja física, sexual ou psicológica, deve-se tomar partido por meio de ajuda. A covardia do machista pode ser barrada com a presença ativa da comunidade naquele contexto, o que é raro, pois a maioria prefere “não se meter”, até mesmo por medo da segurança pessoal.

De qualquer forma, as denúncias anônimas e o apoio, seja na escuta, seja na presença e ligações para apoiar as vítimas que perpassam seu ciclo próximo de convívio, são fundamentais. Não feche a cortina, não vire as costas, não pense que é normal uma menina, adolescente, mulher estar isolada e sozinha num convívio violento. Essa ação solidária pode salvar vidas, ligue 180, visite uma familiar em contexto de violência, tome partido pela vida das mulheres!

UNFPA e Sesc: E para quem não flagrou nenhum comportamento violento, mas deseja se engajar nesta luta, como fazer?

Uma boa atitude é não compartilhar material que reforce os estereótipos, que autorizem a violência contra as meninas, adolescentes e mulheres. Não consuma pornografia infantil, não compartilhe meme sexistas e racistas em suas redes sociais. Divulgue informação sobre formas de identificar e prevenir a violência de gênero.

 

 

ONGs parceiras concluem primeira fase de entregas da campanha Compra Solidária

Clique para exibir o slide.

Organizações não governamentais (ONGs) parceiras da campanha Compra Solidária do Carrefour Brasil concluíram na semana passada a distribuição de 6 mil cartões de alimentação de 100 reais cada em 12 estados e no Distrito Federal.

A arrecadação foi feita pelo Carrefour, enquanto o Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (WFP) das Nações Unidas coordenou a atuação das ONGs parceiras Ação da Cidadania, Cáritas, Diaconia e Fundação Amazônia Sustentável (FAS).

A maior parte dos cartões foi entregue diretamente às famílias, possibilitando a compra direta, em estabelecimentos locais, dos itens de necessidade básica escolhidos pelas famílias.

Para a entrega em comunidades mais isoladas no estado do Amazonas, a FAS usou os cartões para compor cestas de alimentos que foram entregues às famílias. O Centro de Excelência do WFP inicia agora a segunda fase de distribuição, com 8.898 cartões.

Saiba mais sobre o que essa ação significou para as famílias beneficiadas:

Para esta campanha, a Ação da Cidadania distribuiu 700 cartões em bairros de São Luís e de Paço do Lumiar (MA). Antônia Célia, de 44 anos, moradora da comunidade Vila Vitória, em São Luís, foi uma das beneficiadas.

“Estamos agradecidos por receber esse tíquete de alimentação de 100 reais. A gente já recebia ajuda antes, mas agora foi diferente porque podemos escolher o que comprar de acordo com a nossa necessidade, então estamos muito gratos por isso”, disse.

Já a Cáritas distribuiu 3,4 mil cartões em 11 regiões metropolitanas de norte a sul do país. Em Belo Horizonte (MG), a ONG entregou os cartões para famílias da ocupação Pátria Livre e moradores da comunidade Pedreira Padro Lopes, além de catadores e catadoras de materiais recicláveis da capital mineira.

“Nós catadoras estamos sem trabalhar, não temos retirada de materiais. Então, esse é um momento bem difícil para nós e os cartões irão trazer alegria para as mesas de muitas famílias”, disse Silvana Assis, presidente da Cooperativa Solidária dos Recicladores e Grupos Produtivos do Barreiro e Região.

A Diaconia distribuiu 1,1 mil cartões em áreas rurais e urbanas de Ceará, Paraíba e Pernambuco, por meio de articulações com grupos comunitários e igrejas parceiras. De acordo com a ONG, o formato de cartão possibilitou que as famílias escolhessem o que e onde comprar.

“Eu pude comprar outras coisas que não estão na cesta básica, por exemplo, goma de tapioca, bolacha, carne, frutas, legumes e verduras. A gente pôde escolher e comprar um pouco de cada”, disse Silva Rangel, de 56 anos, que recebeu um dos cartões. Ela está desempregada e mora com outros quatro familiares no Recife (PE).

Já a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) recebeu 700 cartões e os utilizou para compor cestas de alimentos que foram distribuídas a comunidades mais afastadas do estado do Amazonas.

Na Reserva de Desenvolvimento Sutentável Canumã, 455 famílias foram beneficiadas, enquanto que a Floresta Estadual de Maués, 813 famílias receberam alimentos. O processo de entrega durou vários dias e incluiu viagens de barco.

Até agora, a campanha já arrecadou mais de 1,6 milhão de reais, valor que foi dobrado pela contribuição do Carrefour.

Para doar e saber mais sobre as outras instituições parceiras, acesse comprasolidaria.carrefour.com.br

 

FAO lança plataforma para reduzir perda e desperdício de alimentos

A perda e desperdício de alimentos gera entre 8 a 10% de todas as emissões de gases de efeito estufa produzidos por seres humanos. Foto: Flickr/Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (cc)

A perda e desperdício de alimentos gera entre 8% a 10% de todas as emissões de gases de efeito estufa produzidos por seres humanos. Foto: Flickr/Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (cc)

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulgou uma plataforma abrangente para ajudar a comunidade global a intensificar as ações para reduzir a perda e o desperdício de alimentos.

A agência da ONU e seus parceiros pedem mais esforços e se preparam para o Dia Internacional da Conscientização sobre a Perda e o Desperdício de Alimentos – que será comemorado pela primeira vez em 29 de setembro.

Plataforma Técnica de Medição e Redução de Perda e do Desperdício de Alimentos reúne informações sobre medição, redução, políticas, alianças, ações e exemplos de modelos de sucesso aplicados na redução da perda e do desperdício de alimentos em todo o mundo.

“Desperdiçar alimentos significa desperdiçar recursos naturais escassos, aumentar os impactos das mudanças climáticas e perder a oportunidade de alimentar uma população crescente no futuro”, disse o diretor-geral da FAO, QU Dongyu, no lançamento da plataforma.

O evento também proporcionou uma oportunidade de aumentar a conscientização sobre o próximo Dia Internacional de Conscientização sobre a Perda e o Desperdício de Alimentos, que visa enfatizar como isso pode contribuir para o desenvolvimento sustentável.

O diretor da FAO pediu aos setores público, privado e aos indivíduos, que promovam, controlem e expandam políticas, inovações e tecnologias para reduzir a perda e o desperdício de alimentos, além de garantir que o primeiro dia internacional seja significativo e influente.

QU Dongyu somou esforços ao seu apelo por maiores esforços para reduzir a perda e o desperdício de alimentos – especialmente em um momento em que a COVID-19 expôs ainda mais as vulnerabilidades e a necessidade de sistemas alimentares mais resilientes – por meio de representantes de uma série de organizações parceiras e estados membros da FAO.

“A perda e o desperdício bobo são um sinal de sistemas alimentares em perigo”, disse Lawrence Haddad, diretor-executivo da Global Alliance for Improved Nutrition (GAIN na sigla em inglês), enquanto aponta que “os alimentos nutritivos são os mais perecíveis e, portanto, os mais vulneráveis à perda. Não só se perdem alimentos, mas também se perde a segurança alimentar e a nutrição”.

“Abordar a perda e o desperdício de alimentos com informações e evidências precisas em nível nacional é uma tentativa de criar um sistema alimentar que atenda à saúde planetária e humana”, disse Geeta Sethi, conselheira e líder global de sistemas alimentares do Banco Mundial, acrescentando: “mas para saber o que é uma prioridade política para um país e, portanto, quais os investimentos e intervenções necessários, requer bons dados e evidências. Esta plataforma é muito relevante.”

Principais informações sobre a plataforma

A plataforma é uma porta de entrada para todos os recursos de perda e desperdício de alimentos da FAO, incluindo: a maior coleção de dados online sobre quais alimentos são perdidos e desperdiçados e onde; fórum de discussão sobre redução da perda de alimentos; exemplos de iniciativas de sucesso; cursos de e-learning; relatório de políticas da perda e desperdício de alimentos no contexto da pandemia de COVID-19; e dicas sobre o que todos podem fazer para reduzir o desperdício de alimentos.

Ele também se conecta a portais de parceiros de desenvolvimento, servindo como uma fonte única de todo o conhecimento sobre perda e desperdício de alimentos.

A plataforma consolidada foi possível graças ao financiamento da Cooperação Suíça para o Desenvolvimento.

Por que reduzir a perda e o desperdício de alimentos?

A redução da perda e do desperdício de alimentos pode trazer muitos benefícios: mais alimentos disponíveis para os mais vulneráveis; uma redução nas emissões de gases de efeito estufa; menos pressão sobre os recursos terrestres e hídricos; e aumento da produtividade e crescimento econômico.

Para que isso aconteça, o diretor-geral da FAO e parceiros convidam para a candidatura de inovações – tanto tecnológica como operacional – como por exemplo, encontrar soluções tecnológicas para a gestão pós-colheita, novas formas de trabalhar em conjunto, melhor embalagem dos alimentos – bem como relaxar nos regulamentos e padrões sobre requisitos estéticos para frutas e vegetais; melhores hábitos de consumo; políticas governamentais destinadas a reduzir o desperdício de alimentos, assim como diretrizes para redistribuir o excedente de alimentos seguros para os necessitados por meio de bancos de alimentos; e construção de alianças, inclusive fora do setor de alimentos, por exemplo, com atores climáticos.

A FAO acredita que intervenções, como informar o público sobre como reduzir o desperdício de alimentos, investir na infraestrutura da cadeia de abastecimento, treinar os agricultores em melhores práticas e reformar os subsídios aos alimentos que involuntariamente levam a mais perdas e desperdícios de alimentos são medidas pequenas em comparação com outras.

Corrigir o ciclo negativo de perda e desperdício de alimentos aproximaria o mundo da meta do acordo de Paris de 2015 de limitar o aquecimento global a menos de 2°C. Por exemplo, reduzir a perda de alimentos em 25% compensaria os danos ambientais que seriam causados pelo uso futuro da terra para a agricultura. Isso significa não ter que destruir mais florestas com consequências devastadoras para as mudanças climáticas e a biodiversidade para produzir mais alimentos.

As inovações tecnológicas também podem combater o impacto ambiental indesejável enquanto economizam alimentos. No Quênia e na Tanzânia, por exemplo, a tecnologia de resfriamento movido a energia solar para resfriar o leite – por meio de um projeto apoiado pela FAO e pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) – ajudou a prevenir perdas de leite sem criar qualquer emissão adicional de gases de efeito estufa. A mesma tecnologia economiza três milhões de litros de água por ano na Tunísia.

Explicação da perda e desperdício de alimentos

Alimentos são perdidos quando são estragados ou derramados antes de chegar ao produto final ou ao varejo. Por exemplo, laticínios, carne e peixe podem estragar no trânsito devido ao transporte não refrigerado e às instalações de armazenamento refrigerado inadequados.

A FAO estima que 14% dos alimentos são perdidos dessa forma, avaliados em US$ 400 bilhões anuais. Em termos de emissões de gases de efeito estufa (GEE), os alimentos perdidos estão associados a cerca de 1,5 gigatoneladas de CO2 equivalente.

As perdas são maiores nos países em desenvolvimento, a exemplo de 14% na África Subsaariana e 20,7% no Sul da Ásia e na Ásia Central, enquanto nos países desenvolvidos, como por exemplo, Austrália e Nova Zelândia, são em média cerca de 5,8%.

As principais perdas são em tubérculos de raízes e oleaginosas (25%), frutas e vegetais (22%) e carne e produtos animais (12%).

Os alimentos são desperdiçados quando são descartados pelos consumidores ou descartados no varejo devido à sua incapacidade de atender aos rígidos padrões de qualidade ou, muitas vezes, devido a um mal-entendido sobre a marcação da data no produto.

A medição do desperdício de alimentos é uma questão complexa. Sabemos, porém, que o alimento que nunca é consumido representa um desperdício de recursos, como trabalho, terra, água, solo e sementes, e aumenta em vão as emissões de gases de efeito estufa.

Plan International Brasil e UNICEF iniciam parceria para empoderamento de meninas em São Paulo

A Plan International Brasil e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançaram uma iniciativa para contribuir com o empoderamento de meninas na cidade de São Paulo (SP).

Denominada Minhas Escolhas, a ação reunirá 80 meninas de 15 a 19 anos, moradoras de bairros periféricos da capital paulista, para aprimorar conhecimentos sobre seus direitos, discutir sobre gravidez na adolescência e prevenção da violência online.

A ideia é que essas adolescentes sejam líderes multiplicadoras que disseminem os conhecimentos adquiridos para pelo menos 800 adolescentes, entre meninas e meninos.

“Debater esses temas é fundamental para que meninas se empoderem e desfrutem plenamente de seus direitos, vivam bem e sejam respeitadas. Os conteúdos também serão compartilhados com o poder público, para que possam ser utilizados ou sirvam de inspiração para programas municipais pelos direitos das meninas e mulheres”, afirma Adriana Alvarenga, coordenadora do UNICEF em São Paulo.

São vários os desafios que afetam o desenvolvimento pleno das adolescentes nos centros urbanos. Um exemplo é a gravidez na adolescência. No Brasil, 53 a cada 1 mil meninas se tornam mães enquanto têm entre 15 e 19 anos.

A estatística, divulgada recentemente pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), coloca o país bem acima da média mundial, que é de 41 a cada 1 mil meninas.

Na cidade de São Paulo, a desigualdade dentro da cidade chama atenção: a chance de um bebê nascer de uma mãe adolescente é 47 vezes maior em Parelheiros do que em Moema, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde de 2018.

“Falar de gravidez é pensar na vida de meninas e meninos, nas informações que recebem sobre seus corpos. É refletir que há palavras pouco faladas, proibidas. Sexualidade é uma delas. Adultos que tiveram desafios para viver sua sexualidade seguem com essa dificuldade. Quando isso não é elaborado, manifesta-se em tabu ao pensar a sexualidade dos jovens”, diz Viviana Santiago, gerente de Gênero e Incidência Política da Plan International Brasil.

Além disso, em 2018, quase 1.500 meninas foram vítimas de violência sexual na cidade de São Paulo – e isso leva em conta apenas os casos que foram denunciados. Mais de dois terços de todas as vítimas de casos registrados de violência sexual na cidade tinham até 18 anos, segundo dados da Secretária de Segurança Pública do estado.

Diante dos intensos desafios cotidianos, a iniciativa se propõe a sensibilizar as próprias adolescentes e jovens sobre seus direitos por meio de uma trilha formativa de empoderamento feminino.

Entre os temas que serão abordados, estão ser assertiva, ter consciência de gênero, ter autoconfiança corporal, estar informada sobre saúde sexual e reprodutiva, desfrutar de direitos sexuais e reprodutivos com responsabilidade, viver livre da violência baseada em gênero, ser economicamente empoderada, e dialogar sobre gênero com meninos.

Essa trilha formativa visa reforçar os conhecimentos e as habilidades que as meninas já têm e possibilitar novos aprendizados. Assim elas poderão multiplicar esses conhecimentos para outras meninas e meninos de seus territórios.

Minhas Escolhas

Considerando a desigualdade no acesso a informações, a iniciativa Minhas Escolhas vai priorizar a seleção de meninas que vivem em bairros periféricos.

As 80 selecionadas receberão três tipos de materiais: uma revista formativa sobre os temas abordados na iniciativa, um jogo de cartas que elas podem jogar sozinhas ou com outra pessoa e um brinde que vai ajudá-las a compartilhar os conhecimentos aprendidos nas redes sociais.

A partir de setembro, elas participarão de encontros online com as educadoras da iniciativa, terão a oportunidade de conhecer e interagir com as outras líderes multiplicadoras e planejar juntas processos que podem conduzir para o engajamento de outras jovens.

Os conteúdos da iniciativa também serão compartilhados com os parceiros governamentais do UNICEF e da Plan, para que possam ser usados para o aprimoramento de políticas públicas pelos direitos das meninas e mulheres.

A fase de inscrições para a iniciativa está aberta até 20 de agosto pelo link https://forms.gle/aWjiDsQheu26W3LD7.

Médica sul-africana é nova relatora da ONU para o direito à saúde física e mental

A médica sul-africana Tlaleng Mofokeng é a nova relatora especial da ONU para o direito à saúde física e mental. Foto: UNAIDS

A médica sul-africana Tlaleng Mofokeng é a nova relatora especial da ONU para o direito à saúde física e mental. Foto: UNAIDS

Tlaleng Mofokeng, médica sul-africana e ativista dos direitos das mulheres e dos direitos de saúde sexual e reprodutiva, foi nomeada nova relatora especial das Nações Unidas sobre o direito de todas as pessoas de usufruto do mais alto padrão possível de saúde física e mental.

“Cumprimento Tlaleng Mofokeng por sua nomeação como relatora especial das Nações Unidas para o direito à saúde — a primeira mulher africana a ser nomeada para esse importante papel”, disse Winnie Byanyima, diretora-executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS).

“Eu sei que ela lutará pelos direitos humanos e por todas as pessoas, em todos os lugares, para que consigam os cuidados de saúde de que necessitam. Ambas compartilhamos uma visão: que os cuidados de saúde não devem ser apenas para os ricos, mas um direito para todas as pessoas.”

Nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, a relatora especial sobre o direito de usufruto do mais alto padrão possível de saúde física e mental monitora o direito à saúde em todo o mundo.

A titular estuda práticas e experiências nacionais relacionadas ao direito à saúde, identifica tendências e desafios no processo e faz recomendações sobre como garantir a proteção do direito à saúde. Ela também recebe denúncias individuais de supostas violações do direito à saúde.

O direito à saúde é um direito humano fundamental consagrado no direito internacional e os países têm obrigações básicas em direitos humanos de respeitar, proteger e cumprir o direito à saúde.

“Estou ansiosa para trabalhar com a Dra. Mofokeng”, acrescentou Byanyima. “Somente ao garantir que o direito à saúde seja uma realidade para todas as pessoas, poderemos acabar com a AIDS em 2030”.

UNAIDS: resposta ao HIV ainda está falhando em relação às crianças

Ano após ano, o objetivo ambicioso de eliminar novas infecções por HIV entre as crianças no mundo todo está sendo esquecido. Foto: UNAIDS

Ano após ano, o objetivo ambicioso de eliminar novas infecções por HIV entre as crianças no mundo todo está sendo esquecido. Foto: UNAIDS

O relatório mais recente sobre o progresso das metas Start Free, Stay Free, AIDS Free mostra que, apesar dos grandes progressos realizados desde o início da epidemia, a resposta ao HIV para crianças tem falhado.

Ano após ano, o objetivo ambicioso de eliminar novas infecções por HIV entre as crianças no mundo todo está sendo esquecido e elas estão morrendo desnecessariamente por doenças relacionadas à AIDS—mortes que poderiam ser evitadas com tratamentos simples e de baixo custo se as crianças fossem diagnosticadas e tratadas a tempo.

“É uma tragédia ver tantas crianças perdidas e sendo deixadas para trás enquanto temos tantas ferramentas disponíveis, tantas novas infecções por HIV prevenidas entre crianças e tantas crianças com HIV vivendo bem”, disse Winnie Byanyima, diretora-executiva do UNAIDS.

“Não podemos aceitar que dezenas de milhares de crianças ainda sejam infectadas pelo HIV e morram de doenças relacionadas à AIDS todos os anos.”

O marco Start Free, Stay Free, AIDS Free possui três conceitos simples. Primeiro, os bebês têm o direito de entrar neste mundo livres do HIV. Segundo, através da prevenção do HIV, crianças, adolescentes e mulheres jovens têm o direito de permanecer livres do vírus. Terceiro, crianças e adolescentes que adquirem o HIV têm o direito de receber diagnóstico, tratamento e cuidados, para que possam permanecer livres da AIDS.

Os países concordaram com uma série de metas de prevenção e tratamento do HIV. Para que as crianças comecem a viver sem HIV, um desses objetivos era reduzir as novas infecções infantis (de 0 a 14 anos) para menos de 40.000 em 2018 e para 20.000 em 2020. No entanto, estimativas recém-publicadas mostram que 150.000 crianças foram infectadas com HIV em 2019—uma redução de 52% desde 2010, mas ainda quatro vezes acima da meta de 2018.

Ao garantir que as mulheres grávidas que vivem com HIV sejam diagnosticadas, iniciadas e retidas no tratamento com medicamentos antirretrovirais durante a gravidez, o parto e a amamentação, a chance de transmitir o vírus é inferior a 1%. Globalmente, 85% das mulheres grávidas que vivem com HIV receberam esses medicamentos em 2019.

Mas, apesar da alta cobertura, as crianças ainda estão sendo infectadas devido ao acesso desigual aos serviços de tratamento (principalmente na África Ocidental e Central), mulheres que estão evadindo os cuidados de saúde e grávidas e mulheres que se infectam por HIV na fase de amamentação.

“Como comunidade global, fizemos um progresso notável no controle da pandemia do HIV, mas ainda estamos perdendo muitas crianças, adolescentes e mulheres jovens”, disse Angeli Achrekar, principal coordenadora adjunta de AIDS Global dos Estados Unidos no PEPFAR (Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da AIDS).

“Todos devemos redobrar nossos esforços para alcançar urgentemente essas populações críticas—e o PEPFAR continua profundamente comprometido em fazer sua parte.”

O componente Stay Free (permaneça livre) estabeleceu uma meta de reduzir as novas infecções por HIV entre meninas e mulheres jovens para menos de 100.000 até 2020. Há muito tempo, meninas e mulheres jovens são afetadas pelo HIV de maneira desproporcional – entre os países- foco da iniciativa Start Free, Stay Free, AIDS Free , meninas adolescentes e mulheres jovens representam 10% da população total, mas correspondem a 25% das novas infecções por HIV e têm um risco quase duas vezes maior de infecção pelo vírus em comparação com os homens.

No entanto, novas infecções por HIV entre mulheres jovens vêm caindo. Na África do Sul, onde existem programas de prevenção combinada para meninas adolescentes e mulheres jovens, as novas infecções por HIV nessa faixa etária caíram 35%. E em Suazilândia, as novas infecções por HIV entre mulheres jovens de 15 a 24 anos caíram 54%.

“Por muito tempo, a resposta ao HIV negligenciou crianças, adolescentes e mulheres jovens”, disse Henrietta Fore, diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

“Mas há esperança. O momento recente na redução de novas infecções entre meninas e mulheres adolescentes em países como Suazilândia e África do Sul nos mostra o que é possível quando governos e comunidades, liderados pelas próprias meninas, unem esforços. Não devemos deixar que a COVID-19 e suas questões econômicas nos atrapalhem. Devemos permanecer ousados ​​e ambiciosos em nossos esforços conjuntos para garantir que a próxima geração de crianças permaneça livre do HIV e da AIDS”.

Para que crianças e adolescentes permaneçam livres da AIDS, os países convocaram metas ambiciosas, mas alcançáveis, para o tratamento do HIV—oferecer terapia antirretroviral a 1,4 milhão de crianças vivendo com HIV até 2020. Em 2019, no entanto, apenas 950.000 (53%) dos 1,8 milhão de crianças vivendo com HIV estavam recebendo tratamento para HIV—muito abaixo dos 67% dos adultos em tratamento. É claro que, para salvar vidas, as 840.000 crianças que não estão em tratamento—estima-se que dois terços delas estejam entre 5 e 14 anos—devem ser diagnosticadas e tratadas com urgência.

“A falta de medicamentos ideais para o HIV com formulações pediátricas adequadas tem sido uma barreira de longa data para melhorar os resultados de saúde para crianças vivendo com HIV, contribuindo para a baixa cobertura do tratamento”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde.

“O acesso aos serviços para grupos vulneráveis ​​deve ser expandido através de um maior envolvimento da comunidade, de melhoria na prestação de serviços e de combate ao estigma e discriminação.”

Apesar das falhas, a notícia positiva é que sabemos como o mundo poderia ter atingido as metas previstas nesta iniciativa. E com bastante comprometimento, ainda podemos superar os principais obstáculos e reverter estas falhas.

“A década passada foi marcada por inovação e progresso no campo pediátrico do HIV, mas a dramática falha em alcançar as metas para as crianças que vimos neste último relatório é simplesmente inaceitável. Precisamos renovar urgentemente nosso compromisso de lutar por uma geração livre de AIDS. Hoje, como comunidade global, estamos desapontando os mais vulneráveis ​​entre nós: crianças e jovens”, disse Chip Lyons, Presidente e CEO da Elizabeth Glaser Pediatric AIDS Foundation.

“Nós podemos fazer melhor. Precisamos fazer melhor”, acrescentou Byanyima. “Sabemos como salvar vidas e impedir novas infecções por HIV entre crianças. Exijo que não poupemos esforços. Nada menos que isso é vergonhoso”.

O UNAIDS e o Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da AIDS (PEPFAR) lançaram o marco Start Free, Stay Free, AIDS Free em 2016 para aproveitar as realizações do Plano Global, finalizado em 2015, para a eliminação de novas infecções por HIV entre crianças até 2015 e manutenção de suas mães vivas.

Especialistas destacam importância da atenção primária à saúde em meio à pandemia

Pandemia da COVID-19 causou impactos na atenção primária, inclusive com a paralisação de alguns serviços logo no pico da doença. Foto: Reprodução

Pandemia da COVID-19 causou impactos na atenção primária, inclusive com a paralisação de alguns serviços logo no pico da doença. Foto: Reprodução

O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Pará (Cosems/PA) em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) realizou na última semana um webinário com o tema “Experiência do Distrito Federal nos serviços da Atenção Primária à Saúde, com ênfase na saúde da mulher durante a pandemia”.

O evento teve como palestrante o coordenador de Atenção Primária da Secretaria Estadual de Saúde do Distrito Federal, Fernando Erick. O evento online contou ainda com a participação do presidente do Conselho, Charles Tocantins, e da oficial de programa em Saúde Sexual e Reprodutiva da UNFPA, Nair Souza.

Erick apresentou a estrutura da Atenção Primária do Distrito Federal, destacando os números e características dos casos da COVID-19 no estado. Ele ainda fez uma explanação sobre as estratégias tomadas, além de apresentar a expansão e qualificação dos serviços da atenção primária no atual cenário de pandemia.

“Estamos numa situação atípica muito delicada no âmbito da saúde. Tivemos de fazer adaptações dos serviços diante das circunstâncias provocadas pela pandemia. Isso nos obrigou a mudar a forma de trabalho e determinou toda nossa rotina”, disse Erick.

De acordo com Charles Tocantins, a pandemia teve impactos na atenção primária, inclusive com a paralisação de alguns serviços logo no pico da doença. Ele ressaltou que a região amazônica lidou com consequências mais graves devido às dificuldades de acesso e até mesmo para a fixação de médicos no interior.

“Percebemos que a experiência do Distrito Federal tem sido bem sucedida, visto que eles têm uma estruturação muito bem elaborada, principalmente relacionada aos recursos humanos. Outro fator positivo é a qualificação das equipes diante da pandemia e o planejamento da rotina”, disse.

Ele lembrou que o COSEMS firmou parceria com a UNFPA para a promoção de diversas atividades conjuntas voltadas à saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes e garantia de direitos das mulheres.

Entre as ações está o projeto para a Ilha do Marajó, que inclui a distribuição de kits dignidade a gestantes e puérperas, que contém insumos para higiene pessoal. Nair Souza reforçou a importância da parceria com o Conselho com a UNFPA, lembrando os próximos eventos a serem realizados. “Além disso, teremos ainda outros webinários a cada quinze dias voltados para essa temática”, lembrou.

Irmãs do Sudão do Sul superam traumas e recomeçam suas vidas na Etiópia

“Nós cuidamos uma da outra. Não sabemos o que o futuro nos reserva." Foto: ACNUR/ Eduardo Soteras Jalil

“Nós cuidamos uma da outra. Não sabemos o que o futuro nos reserva.” Foto: ACNUR/ Eduardo Soteras Jalil

Aos 16 anos, Nyamach Lul já passou por mais perdas e tristezas do que a maioria das pessoas que viveram por mais tempo. A adolescente do Sudão do Sul perdeu o pai em um ataque de um grupo armado e depois a mãe por uma doença.

Depois que conflitos eclodiram em sua cidade natal Guel Guk, no Alto Nilo, Nyamach e sua irmã mais nova foram forçadas a fugir para a Etiópia em busca de segurança.

A única constante na vida de Nyamach tem sido sua irmã, Nyakoang, de 13 anos. Nos últimos quatro anos, elas fizeram de Jewi um lar.

O local é um dos sete campos na região de Gambella, Etiópia, que acolhem mais de 300 mil refugiados do Sudão do Sul. Existem outros 40 mil refugiados sul-sudaneses vivendo em outras regiões do país.

“Nós cuidamos uma da outra — somos apenas nós duas”, diz Nyamach. Ao contrário de outros irmãos, elas procuram não brigar. “Nós temos muito medo de discutir porque não sabemos o que o futuro nos reserva”, acrescenta Nyamach.

As irmãs Lul fugiram do Sudão do Sul em 2016, seguindo outras milhares de pessoas que também estavam desesperadas para escapar de assassinatos, estupros e da destruição das comunidades por aqueles que promovem a guerra. “Foi muito difícil. Nós fugimos sem nada”, lembra Nyamach.

O conflito no Sudão do Sul provocou um impacto devastador na vida das crianças, que representam mais da metade dos mais de 2 milhões de sul-sudaneses que vivem exilados. A violência não afasta as crianças apenas de suas famílias, lares e infâncias, mas também deixa milhares delas cuidando de si mesmas.

Na Etiópia, a maioria das crianças refugiadas vive com suas famílias, mas um número significativo — mais de 42 mil — não está acompanhada dos pais ou responsáveis. Esta crise de deslocamento tem uma das maiores proporções de famílias chefiadas por crianças no mundo. Mundialmente, o número é de 150 mil.

Como chefe de sua pequena casa, Nyamach teve que crescer muito cedo. “Não fico pensando na minha família porque eles já se foram”, diz. “Nós estamos aqui, eles não. É assim que as coisas são”.

Nyamach mantém a casa sempre limpa e arrumada. As panelas estão bem organizadas, uma em cima da outra. O chão é varrido constantemente e a vassoura fica pendurada na parede. Guardanapos verdes, que ela mesma fez com crochê, enfeitam as paredes. Na casa de Nyamach, há um lugar para cada coisa.

Depois de voltarem da escola, as irmãs Lul seguem uma rotina familiar. Nyamach prepara o mingau de fubá que é servido no jantar na maioria das noites. Enquanto ela esmaga grãos de milho com uma pedra, Nyakoang enche uma jarra de barro com água, lava uma panela para Nyamach cozinhar o mingau e junta a lenha para cozinhar. “Ela observa o que estou fazendo e vai aprendendo comigo”, diz Nyamach.

Quando falta o que comer, Nyamach pede que Nyakoang se alimente primeiro. Um tempo atrás, elas estavam precisando de sapatos. Nyamach vendeu parte da sua comida e comprou um par para Nyakoang primeiro. “Gosto de vê-la feliz, mais do que a mim mesa”, diz a irmã mais velha.

Há um vizinho que fica de olho nas meninas, mas Nyamach resiste à idéia de ter um pai adotivo. “Eu não vou deixar isso acontecer. Vou cuidar da minha irmã ”, diz ela, revelando uma obstinada determinação que a faz parecer muito mais velha.

Patrick Kawuma, chefe do sub-escritório de Gambella do ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, diz que a situação das crianças do Sudão do Sul continua sendo um problema de grandes proporções, especialmente para menores de idade desacompanhados ou separados.

“Sempre que possível, o ACNUR localiza os pais desaparecidos e trabalha para reunir as famílias, permitindo que as crianças sejam crianças. Ter crianças como chefes de família significa que eles estão se tornando adultos em uma idade muito, muito jovem. Isso quer dizer que eles são forçados a crescerem rápido demais, perdendo a fase de serem crianças.”

A prioridade de Nyamach é garantir que ela e a irmã sobrevivam da melhor maneira possível e que permaneçam na escola. Sua matéria favorita é inglês. “Espero ter um bom trabalho um dia”, diz.

OMS pede solidariedade no financiamento, garantindo igualdade de acesso à futura vacina COVID-19

Menino realiza exame de saúde em meio a casos de COVID-19 na cidade de Muntinlupa, nas Filipinas. Foto: OIT/Minette Rimando

Menino realiza exame de saúde em meio a casos de COVID-19 na cidade de Muntinlupa, nas Filipinas. Foto: OIT/Minette Rimando

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse na quinta-feira (13) que seis meses depois de soar o alarme internacional sobre a COVID-19, a agência da ONU está agora intensamente focada nos testes necessários para as pesquisas de vacinas e em garantir acesso rápido, justo e equitativo a para todos os países.

Com os efeitos em cadeia afetando a vida das pessoas, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse durante coletiva de imprensa em Genebra que, para seguir em frente, “a melhor aposta é fazermos isso juntos”.

O Acelerador de Acesso às Ferramentas COVID-19 (ACT), lançado em abril, mostrou resultados, disse Tedros, com nove vacinas candidatas no portfólio do mecanismo COVAX, projetado para garantir o acesso rápido, justo e equitativo às vacinas contra COVID-19 em todo o mundo, agora avançando pelos testes de Fase 2 ou 3.

O portfólio, o mais amplo do mundo, está em expansão, acrescentou. Países que representam 70% da população global se registraram ou expressaram interesse em fazer parte da iniciativa.

Em termos de tratamento, ele disse que a primeira terapia comprovada para COVID-19 grave, a dexametasona, foi anunciada em junho e agora está ganhando escala. Mais de 50 testes estão em avaliação e novas evidências foram geradas em torno dos testes de detecção rápida de antígenos que podem estar “mudando o jogo”.

FMI: pandemia custará US$12 trilhões em dois anos

Salientando que o Acelerador ACT é a única estrutura global para garantir a alocação justa e equitativa das ferramentas COVID-19, ele disse que, para ter sucesso, esta deve ser adequadamente financiada.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a pandemia esteja custando 375 bilhões de dólares por mês e prevê uma perda cumulativa de 12 trilhões de dólares para a economia global em dois anos.

Só o G-20, grupo de economias mais ricas, mobilizou mais de 10 trilhões de dólares em estímulos fiscais para tratar e mitigar as consequências da pandemia – três vezes e meia o que o mundo liberou para enfrentar a crise financeira global de 2008.

Por outro lado, o financiamento do Acelerador ACT custará uma “pequena fração” em comparação com a alternativa, que é as economias retraírem ainda mais e exigirem pacotes de estímulo fiscal contínuos, disse Tedros.

Antes de gastar mais 10 trilhões de dólares nas consequências da próxima onda, ele disse que o mundo precisará gastar pelo menos 100 bilhões de dólares em novas ferramentas, especialmente quaisquer novas vacinas que sejam desenvolvidas.

A necessidade mais imediata é de 31,3 bilhões de dólares para o Acelerador ACT — a única iniciativa ativa que reúne todas as pesquisas globais, fabricação, estipulações regulatórias, compras e aquisições necessárias para acabar com a pandemia.

Divulgue o risco, compartilhe a recompensa

“Escolher vencedores individuais é uma aposta arriscada e cara”, disse ele. “O Acelerador ACT permite que os governos distribuam o risco e compartilhem a recompensa.”

Para ser seguro, o desenvolvimento de vacinas é longo, complexo, arriscado e caro, disse Tedros, observando que a grande maioria falha nos estágios iniciais.

O mundo precisa de múltiplas vacinas candidatas para maximizar as chances de encontrar uma vencedora que funcione.

‘Nacionalismo vacinal’

O excesso de demanda e a competição pelo fornecimento já estão acelerando o “nacionalismo da vacina” e o risco de aferição de preços, disse ele: o tipo de falha de mercado que somente a solidariedade global, o investimento público e o engajamento podem resolver.

A lacuna de financiamento do Acelerador ACT não pode ser coberta apenas pela ajuda tradicional ao desenvolvimento, disse ele. A melhor solução é uma combinação de ajuda ao desenvolvimento e financiamento de pacotes de estímulo. É a maneira mais rápida de acabar com a pandemia e garantir uma rápida recuperação global.

Os investimentos em estímulos e a implementação coordenada de novas vacinas, testes e tratamentos terão um grande efeito multiplicador nas economias globais. “Há esperança”, disse ele. “Se todos nós implantarmos as ferramentas à nossa disposição hoje e investirmos coletivamente em novas (vacinas) por meio do Acelerador, teremos uma rota para sair desta pandemia.”

Rafael Sanz, migrant and tireless hero caring for others

 

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Every day since the beginning of the pandemic Rafael Sanz, driver for the UN Population Fund (UNFPA) in Roraima, Brazil, follows a careful routine when arriving home after an intense day of work on the front lines. He takes off his shoes, undresses and showers in an improvised stall in the backyard of his house.  These extra safety measures are justified. Rafael, who is Venezuelan, resides in Boa Vista, in the North of Brazil, with his wife and his 13-year-old son, Guierry Pierre, who lives with Duchenne muscular dystrophy and is considered to be in the high risk category for contracting COVID-19.

It was with Guierry in mind that Rafael left Venezuela in 2016. Duchenne’s syndrome is a degenerative disease and has no cure, but the best treatment for this condition is available in São Paulo, where the family often goes. “The disease is advancing very fast, Guierry no longer walks or stretches his legs. But the treatment helps to slow the progression of the disease. His body may be weak, but his mind is very strong. He’s a smart boy and loves to use the computer”, said his proud father.

Rafa – as he is known – is a fundamental part of UNFPA’s humanitarian assistance team, which directly serves migrants and refugees, acting strategically, so that the missions take place safely. During the pandemic, he assisted with the delivery of Dignity Kits, containing personal hygiene items, such as soap and alcohol gel, to help prevent COVID-19 among the highly vulnerable population.

Tireless and always with a smile on his face, Rafa is extremely kind to both team members and beneficiaries. “Rafael is an exceptional human being and his personal story strengthens us all”, said the head of the UNFPA office in Roraima, Igo Martini.

Rafael started working for UNFPA in 2018, two years after arriving in Brazil. He joined the UN after completing a Portuguese language course for foreigners. His work has been an even greater source of pride during the pandemic, despite the risks. “We’re extremely careful. I see that people are very happy when we deliver the kits with basic necessities. They are so happy that they want to hug us. But we explain that they can’t”, he said. “It’s great to be able to work, remain in this agency and help my Venezuelan brothers and sisters. I feel very proud”, he concluded.

Rafael Sanz, migrante e herói incansável no cuidado com o próximo

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Todos os dias, desde o princípio da pandemia, o motorista e apoio em operações do Fundo de População da ONU (UNFPA) em Roraima, Rafael Sanz, adota uma cuidadosa rotina ao chegar em casa após um intenso dia de trabalho em campo. Ele tira os sapatos, se despe e toma banho em um chuveiro improvisado do lado de fora da casa, no quintal. Os cuidados redobrados têm razão de ser: Rafael, que é venezuelano, mora em Boa Vista com a esposa e o filho de 13 anos, Guierry Pierre, que vive com distrofia muscular de Duchenne e integra o grupo de risco da COVID-19.

Foi pensando em Guierry que Rafael deixou a Venezuela, em 2016. A síndrome de Duchenne é uma doença degenerativa e não tem cura, mas o melhor tratamento disponível para Guierry é feito em São Paulo, para onde a família vai com frequência. “A doença avança muito rápido, Guierry já não anda nem estica as pernas. Mas o tratamento ajuda a frear esse avanço. Seu corpo pode estar fraco, mas sua mente está bem forte. Ele é um menino esperto e adora mexer no computador”, conta o pai, orgulhoso.

Mais do que o responsável pelo deslocamento das equipes do Fundo de População da ONU em Roraima, Rafa, como é conhecido, é peça fundamental do time de assistência humanitária, que atende diretamente as pessoas migrantes e refugiadas, atuando estrategicamente para que as missões ocorram em segurança. Durante a pandemia, ele tem auxiliado na entrega dos Kits Dignidade, contendo itens de higiene como sabonete e álcool em gel e uma das principais frentes de trabalho do UNFPA para ajudar a prevenir a COVID-19 entre pessoas que enfrentam situação de grande vulnerabilidade.

Incansável, sempre com o sorriso a postos e uma gentileza inata, o integrante do time é extremamente querido tanto pelos membros da equipe quanto pelos beneficiários. “O Rafael é um ser humano excepcional e sua história de vida fortalece a todos nós”, relata o chefe do escritório do Fundo de População da ONU em Roraima, Igo Martini.

Rafael começou a trabalhar para o Fundo de População da ONU em 2018, dois anos após chegar ao Brasil. Ele chegou ao Sistema ONU por intermédio de um curso de português para estrangeiros. Seu trabalho tem sido uma fonte ainda maior de orgulho durante a pandemia, apesar da preocupação. “Nós somos extremamente cuidadosos. E eu vejo que as pessoas ficam muito felizes quando entregamos os kits e cestas básicas. Ficam tão felizes que querem abraçar a gente. Então explicamos que não pode”, relata ele. “É muito bom poder trabalhar, permanecer nesta agência e ajudar os meus irmãos e irmãs venezuelanos. Eu me sinto muito orgulhoso”, conclui.

Tragédia pessoal impulsiona luta de assistente social contra violência de gangues em Honduras

Santiago Ávila, líder da Juventude contra Violência, usa jovens “embaixadores” para manter os jovens longe das gangues. Foto: Ruben Salgado Escudero/ACNUR

Para Santiago Ávila, a luta contra as poderosas gangues de rua que aterrorizam as comunidades de seu país, Honduras, é profundamente pessoal. Ele tinha 19 anos quando seu irmão Maurício, de 16 anos, foi sequestrado, torturado e assassinado por grupos criminosos violentos conhecidos como maras.

Mas a tragédia não terminou aí. A morte de Maurício desencadeou uma série de outras consequências traumáticas que se prolongaram por muitos anos, forçando a família a se mudar de casa em casa em busca de segurança e, eventualmente, obrigando Santiago e sua mãe a fugir do país para sobreviver.

“Em uma semana, tudo mudou”, lembrou Santiago, agora com 32 anos de idade. “Minha família ainda não superou isso”.

Mesmo assim, Santiago passou anos tentando transformar o sofrimento de sua família em algo positivo para sua comunidade. Como diretor da Jóvenes Contra la Violencia (Juventude Contra a Violência, em tradução livre), ele ajudou a transformar uma emergente organização comunitária sem fins lucrativos em uma das mais importantes forças que combatem gangues em Honduras.

Os maras, como são conhecidos em espanhol, fazem negócios que vão do tráfico de drogas à extorsão e roubo, cometendo regularmente assassinatos, agressões e estupros como uma forma de controlar comunidades inteiras. Eles procuram recrutar jovens vulneráveis, muitas vezes ameaçando matar suas famílias se resistirem.

A Juventude Contra a Violência vira de cabeça para baixo as práticas das quadrilhas, trabalhando com jovens “embaixadores” que se envolvem com seus pares para fazer frente ao recrutamento, mostrando-lhes que futuros alternativos são possíveis.

O grupo – que começou há cerca de uma década e recebe apoio do ACNUR, Agência da ONU para Refugiados – conta atualmente com mais de 600 jovens embaixadores em Honduras, bem como com cerca de 200 embaixadores crianças, alguns com apenas seis anos de idade.

As gangues prosperam em bairros onde a pobreza é generalizada e a presença do Estado é fraca. Ao trabalhar em campo em algumas das comunidades mais marginalizadas do país para fortalecer os laços familiares e construir respeito pelos professores e escolas, o grupo tornou mais difícil para as quadrilhas recrutar jovens como soldados para administrar drogas e impor seu reinado de terror.

“A prevenção da violência começa em casa”, disse Santiago. “Se crianças e adolescentes se sentirem amados e valorizados, é menos provável que sejam sugados para o turbilhão da criminalidade que inundou nosso país”.

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A violência em Honduras levou muitas pessoas a abandonar suas casas e comunidades. No final de 2019, a taxa de assassinatos no país era de 44 por 100.000 habitantes, segundo a Polícia Nacional. No mesmo período, pelo menos 148.000 hondurenhos haviam fugido do país e procurado asilo no exterior, o que tornou Honduras um dos dez principais países de origem de solicitantes de refúgio no mundo. Além disso, estima-se que cerca de 247.000 pessoas tenham sido deslocadas internamente em Honduras de 2004 a 2018.

A violência e seus efeitos são algo que Santiago conhece muito bem. As complicações em sua própria vida começaram depois que um parente se envolveu com uma gangue e acabou lhe devendo dinheiro. Em vingança, a gangue atingiu Maurício, irmão de Santiago, atirando nele mais de 30 vezes e forçando parte da família a se deslocar, primeiro dentro de Honduras e depois para o exterior.

Santiago voltou a Honduras depois de cerca de um ano e, contra as probabilidades, conseguiu permanecer distante daqueles que estavam atrás dele enquanto se dedicava a uma carreira no trabalho social.

“Eu gostaria que uma organização como a Juventude Contra a Violência tivesse existido antes que meu irmão fosse morto e antes que meu parente se envolvesse na venda de drogas”, disse. “Pessoalmente, estou muito motivado a trabalhar com as crianças porque em cada uma delas eu vejo o rosto de meu irmão”.

A organização também trabalha para reabilitar os jovens que em algum momento estiveram afiliados às gangues.

“Geralmente, existem apenas duas maneiras de sair de uma gangue”, disse Santiago. “Entrando na igreja ou morrendo”.

Mas nas comunidades onde a Juventude Contra a Violência é ativa, “há uma terceira alternativa: nossa organização”, afirmou Santiago. “Os líderes das gangues conhecem nosso trabalho e sabem que quando os jovens estão conosco, não há como envolvê-los em mais nada”.

Dentre aqueles cujas vidas foram mudadas pelo projeto está o artista Byron Espino, ex-membro de uma gangue que agora é voluntário da Juventude Contra a Violência. Ele dá aulas de arte como parte dos programas de educação continuada da organização. Byron lembra que as gangues entraram em cena para recrutá-lo depois que sua família desmoronou.

“Minha mãe morreu quando eu tinha sete anos e, logo depois disso, minha irmã morreu em um incêndio. Meu pai se tornou alcoólatra, e eu… fiquei sozinho. Foi quando entrei para a gangue”, lembrou Byron, acrescentando que, como voluntário da Juventude Contra a Violência, seu objetivo é “mostrar às crianças o trapo sujo que minha vida costumava ser para que elas não se envolvam com as gangues”.

OIM: 22 municípios participam de projeto para aprimorar governança migratória local

MigraCidades é uma parceria entre OIM e UFRGS, instituições que atuarão em conjunto na certificação de políticas migratórias locais dos municípios e estados participantes. Foto: Agência Brasil/Rovena Rosa

MigraCidades é uma parceria entre OIM e UFRGS, instituições que atuarão em conjunto na certificação de políticas migratórias locais dos municípios e estados participantes. Foto: Agência Brasil/Rovena Rosa

A primeira edição do MigraCidades, projeto que aprimora a governança migratória local, terá a participação dos governos de 22 municípios e de sete estados brasileiros, informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM) nesta quinta-feira (13).

A iniciativa é implementada por meio de uma parceria entre OIM, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), com financiamento do Fundo da OIM para o Desenvolvimento.

Ao todo, 22 municípios e sete estados irão se engajar no processo de aprimoramento da governança migratória local proposto pelo projeto. As etapas da certificação incluem capacitação, diagnóstico das políticas locais e definição de áreas prioritárias para a governança migratória.

As cinco regiões do país estão representadas por ao menos um estado e um município. A região Sul foi a que registrou o maior número de governos participantes, sendo também a que acolheu o maior número de pessoas refugiadas e migrantes venezuelanas beneficiárias da estratégia de interiorização, implementada pelo governo brasileiro com o apoio de OIM, outras agências da ONU e sociedade civil.

“Um dos principais objetivos do MigraCidades é visibilizar a diversidade de boas práticas em governança migratória que existem nas cidades e estados brasileiros, além de servir como plataforma para a troca de experiências entre os participantes”, disse a coordenadora de projetos da OIM, Isadora Steffens.

“A participação de governos locais de diferentes regiões do país, com os contextos migratórios e particularidades de cada uma delas, é fundamental para enriquecer o processo.”

A divulgação do processo seletivo, que resultou na escolha dos municípios e estados certificantes, contou com o apoio da Confederação Nacional de Municípios (CNM) e da Federação de Municípios do Rio Grande do Sul (FAMURS).

Confira a lista completa dos governos locais participantes:

Região Centro-Oeste

Corumbá/MS

Dourados/MS

Mato Grosso do Sul

Região Norte

Amazonas

Belém/PA

Região Nordeste

Ceará

Igarassu/PE

Rio Grande do Norte

Região Sudeste

Guarulhos/SP

Minas Gerais

Rio de Janeiro/RJ

São José do Rio Preto/SP

São Paulo/SP

Região Sul

Cachoeirinha/RS

Campo Largo/PR

Caxias do Sul/RS

Chapada/RS

Curitiba/PR

Esteio/RS

Foz do Iguaçu/PR

Joinville /SC

Maringá/PR

Novo Hamburgo/RS

Paraná

Porto Alegre/RS

Rio Grande do Sul

São Leopoldo/RS

Sapucaia do Sul/RS

Umuarama/PR

 

UNICEF e SuperVia distribuem itens de higiene e limpeza em comunidades vulneráveis do Rio

Kits com material de limpeza e higiene estão empilhados em um carrinho para distribuição. Foto: João Laet/UNICEF

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a SuperVia, empresa responsável pelo serviço de trens urbanos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, iniciaram a distribuição de kits com materiais de higiene pessoal e limpeza na semana passada (6). Ao todo, 2.345 famílias de comunidades que margeiam a linha férrea no Rio de Janeiro serão beneficiadas.

A distribuição é feita com a ajuda de ONG’s que atuam nessas comunidades e é focada em famílias lideradas por mulheres e/ou jovens mães. Os kits começaram a ser entregues nas comunidades da Pedreira, Chapadão e Palmeirinha, localizadas na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, e Muquiço e Providência, no Centro da capital fluminense. A distribuição seguirá ao longo de agosto e terá, no total, mais de 112,5 mil itens de limpeza e higiene.

A doação beneficiará cerca de 9,4 mil pessoas e será feita com recursos da Fundação Mitsui Bussan do Brasil, que faz parte da Mitsui & Co. (Brasil) S.A., uma das empresas japonesas que detêm o controle acionário da concessionária.

Como lavar as mãos e manter a limpeza dos ambientes são medidas efetivas de prevenção contra o novo coronavírus, a ação foi concentrada em doar itens que ajudem na higiene pessoal e limpeza das casas. O kit de higiene pessoal e doméstico foi montado considerando a necessidade de uma família de quatro pessoas, durante um mês, e cada família receberá dois deles.

Os kits são compostos por dez sabonetes, cinco sabões em pedra, dois detergentes líquidos, quatro frascos de álcool em gel (430 ml), três litros de água sanitária e três pacotes de absorvente higiênico. Também estão sendo entregues folhetos educativos com dicas de prevenção.

“O sistema ferroviário do Rio de Janeiro é margeado por diversas comunidades com população de baixa renda e carente de infraestrutura e saneamento. Com o cenário de crise instaurado no País em função da pandemia do novo coronavírus, a população que vive em situação de vulnerabilidade é quem mais precisa de ajuda para conseguir sobreviver. Como estamos contando com a parceria do UNICEF, as doações serão destinadas a famílias com crianças e adolescentes”, informou o presidente da SuperVia, Antonio Carlos Sanches.

A coordenadora do UNICEF na Região Sudeste, Luciana Phebo, reforçou que cuidar da higiene e proteger a saúde é um direito básico de cada criança, cada adolescente, cada família. “Diante da pandemia da COVID-19, é essencial buscar alternativas para que as famílias – especialmente as mais vulneráveis – tenham acesso a itens críticos de higiene e limpeza, e também à informação confiável. Por isso, estamos muito satisfeitos em chegar a mais famílias em parceria com a SuperVia e a Fundação Mitsui Bussan do Brasil”.

Por preocupação e indicação da SuperVia, as comunidades beneficiadas estão localizadas nos cinco ramais atendidos pela concessionária. A seleção das comunidades contempladas foi feita pelo UNICEF e a SuperVia levando-se em conta aquelas com alta vulnerabilidade social e com projetos já realizados pelo Fundo ou por seus parceiros.

Ramal Deodoro: Muquiço; Providência; Morro do Pinto.
Ramal Santa Cruz: Curral das Éguas; Vila Vintém.
Ramal Japeri: Caixa d’água; Chatuba.
Ramal Saracuruna: Vigário; Lixão.
Ramal Belford Roxo: Pedreira; Chapadão; Palmeirinha.

Além de a doação, a ação está envolvendo o fortalecimento de cinco núcleos de jovens dessas comunidades para produção e divulgação de conteúdo sobre prevenção ao novo coronavírus em canais digitais.

Outras ações de prevenção
Desde os primeiros sinais de transmissão da doença no Estado do Rio de Janeiro, a SuperVia adotou uma série de medidas preventivas. Equipes extras de limpeza realizam a desinfecção dos trens quando chegam à Central do Brasil, antes de suas partidas para novas viagens, durante todo o dia. A limpeza é feita no interior das composições, como em balaústres, alças pega-mão e bagageiros.

As estações de maior movimento também estão recebendo higienização especial nas catracas e validadores. Paralelamente, a SuperVia está utilizando os seus canais de comunicação para divulgar informações de prevenção à COVID-19.

Fundação Mitsui Bussan do Brasil
A Fundação Mitsui Bussan do Brasil foi criada em fevereiro de 2008 pela Mitsui & Co. (Brasil) S.A., Mitsui Rail Capital Latin America (MRCLA), Mitsui Alimentos e Mitsui Gás e Energia do Brasil.

A Fundação apoia atividades nas áreas de educação, meio ambiente, social e intercâmbio bilateral entre o Japão e o Brasil, com o objetivo de contribuir para o fortalecimento da relação e colaboração entre os dois países.

Novo selo reconhecerá tribunais brasileiros que se destacarem na incorporação dos objetivos globais

Relatório mostrou que apenas 21% dos presidentes de empresas do mundo acreditam que os negócios têm um papel importante para a conquista dos objetivos globais. Foto: ONU

Selo visa divulgar as ações dos tribunais brasileiros associadas à Agenda 2030 e aos objetivos globais. Foto: ONU

Os tribunais brasileiros que tiverem melhor desempenho no cumprimento das metas relacionadas aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) serão premiados com o Selo CNJ – Agenda 2030.

O selo é uma iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com a ONU Brasil e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O objetivo é divulgar as ações dos tribunais associadas à Agenda 2030. Na fase atual dos trabalhos, o Conselho prepara o edital para apresentação das condições e seleção dos projetos.

“Saúdo a continuada e incansável liderança do CNJ na institucionalização da Agenda 2030 e sua incorporação como agenda oficial de direitos humanos do Poder Judiciário brasileiro”, disse o coordenador-residente da ONU Brasil, Niky Fabiancic, ao participar na segunda-feira (10) do II Encontro Ibero-Americano da Agenda 2030 no Poder Judiciário Brasileiro, em Brasília (DF).

Niky Fabiancic, coordenador-residente da ONU Brasil. Foto: UNIC Rio/Luise Martins

Niky Fabiancic, coordenador-residente da ONU Brasil. Foto: UNIC Rio/Luise Martins

“Esse trabalho, promovido pelo presidente da Suprema Corte, ministro Dias Toffoli, provê um exemplo de inovação para outros países na região, rumo à institucionalização da Agenda 2030”, declarou.

O II Encontro Ibero-Americano da Agenda 2030 no Poder Judiciário teve como objetivo compartilhar e difundir boas práticas e desafios, bem como conhecer as experiências de outros países, rumo à institucionalização da Agenda 2030.

A Agenda 2030 é um plano de ação formado por 17 grandes objetivos e 169 metas para países, sociedade e cidadãos comprometidos e interessados no desenvolvimento sustentável. Entre as diretrizes mundiais constam erradicação da pobreza e da fome, educação de qualidade, redução das desigualdades, trabalho decente e desenvolvimento econômico. Diretamente identificadas com a esfera judiciais estão a busca de paz e justiça e instituições eficazes.

“Faltando apenas uma década para cumprir os 17 ODS, nos encontramos no meio de uma emergência sanitária global. Podemos afirmar que a América Latina e Caribe é a região mais afetada em termos de números de vidas perdidas. Além disso, os efeitos da pandemia de COVID-19 são agravados em nossa região da America Latina e Caribe por sistemas de saúde fragmentados, desigualdades profundas, desemprego alto e sistemas de proteção social frágeis”, lembrou Fabiancic.

“Assim, o senso de urgência da execução da Agenda 2030 se impõe com ainda mais força, chamando os países da região a não só fazer o melhor esforço para mitigar o impacto da pandemia, mas também a se reconstruírem melhor do que antes, com democracias fortalecidas, direitos humanos protegidos e sustentabilidade.”

O evento, realizado pelo CNJ, teve a participação do vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, e do embaixador Ronaldo Costa Filho, chefe da missão do Brasil na ONU.

As Nações Unidas no país assinaram no ano passado um memorando de entendimento com o Poder Judiciário, visando a colaboração com o CNJ para a incorporação dos 17 ODS no trabalho do sistema de Justiça do país.

Prêmio Vladimir Herzog contempla diversidade racial e de gênero na escolha dos homenageados

Foto: Instituto Vladimir Herzog.

A comissão organizadora do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos – a mais tradicional honraria de jornalismo do país – definiu na semana passada (7) os homenageados de sua 42ª edição. A cartunista Laerte, o advogado Luiz Gama (in memoriam) e a filósofa Sueli Carneiro foram os escolhidos de forma unânime pelo colegiado composto por 14 entidades ligadas à defesa dos direitos humanos. Veja aqui mais informações sobre o prêmio, inclusive a lista de entidades na íntegra.

Desde 2009, a comissão organizadora do concurso entrega o Prêmio Especial Vladimir Herzog a personalidades pelos seus relevantes serviços prestados à sociedade, pelas contribuições à imprensa e ao jornalismo em geral e pela atuação em defesa da democracia, da paz e da justiça. Ao longo desses anos, já foram homenageados nomes como Dom Paulo Evaristo Arns, Audálio Dantas, Alberto Dines, entre outros. No ano passado, os escolhidos foram Glenn Greenwald, Patrícia Campos Mello e Hermínio Sacchetta (in memoriam).

Laerte
Cartunista, ilustradora, roteirista e jornalista, Laerte Coutinho é uma das mais importantes artistas do traço do Brasil. Criadora de personagens emblemáticos como os Piratas do Tietê, Hugo Baracchini, Deus e Overman, Laerte se notabilizou por explorar temas relevantes da existência humana com um humor ao mesmo tempo refinado e mordaz. Junto de outros artistas de sua geração, como Angeli e Glauco, inaugurou um novo estilo na produção de quadrinhos, tornando-se um marco para o cartunismo brasileiro.

Foi uma das fundadoras da Oboré, empresa de jornalistas e artistas criada em 1978 para colaborar com movimentos sociais e trabalhadores urbanos na montagem de seus departamentos de imprensa e na produção de veículos jornalísticos e de comunicação.

Laerte atuou como roteirista em diversos programas de televisão e participou de diversas publicações como a “Balão” e “O Pasquim”. Também colaborou com as revistas “Veja”, “Piauí” e “IstoÉ”, além do jornal “O Estado de S. Paulo”. Desde 2014, publica charges na “Folha de S. Paulo” e atualmente milita no movimento LGBT. Em 2020, completa 50 anos de carreira.

Luiz Gama
Jornalista, poeta, advogado e um ativista incansável na luta contra o regime escravocrata, Luiz Gama deveria estar entre as figuras mais conhecidas da história brasileira, como um dos maiores – senão o maior – símbolo dessa época.

Filho de Luiza Mahin, uma negra africana livre, com um fidalgo de origem portuguesa de uma das principais famílias baianas, cujo nome se desconhece, Luiz Gama, com apenas dez anos de idade foi vendido como escravo por seu pai. No cativeiro, aprendeu a ler e escrever e reconquistou a sua liberdade após provar que havia nascido livre. Daí em diante, sua paixão pelas letras e seu espírito aguerrido não pararam de crescer.

Ativista da causa republicana e abolicionista, colaborou com diversos jornais denunciando violações das leis e erros cometidos por juízes e advogados contra negros e escravos. Não era diplomado, mas possuía uma provisão – documento que autorizava a prática do Direito – dada pelo Poder Judiciário do Império e foi um advogado autodidata com grande cultura jurídica e responsável pela libertação de dezenas de escravos.

Em 2015, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) concedeu o título de advogado a Luiz Gama, reconhecendo sua importância como jurista. Em 2018, recebeu o título de “Patrono da Abolição da Escravidão no Brasil” e teve finalmente seu nome inscrito no livro dos heróis da pátria.

Sueli Carneiro
Filósofa, educadora e escritora, Sueli Carneiro é porta-voz de uma geração e uma das maiores referências do país nos estudos sobre raça e gênero. Seu pensamento nos ensina como a vivência da mulher negra brasileira e o feminismo antirracista são fundamentais para as lutas pela democracia e pelos direitos humanos no Brasil.

Sua contribuição para o jornalismo e para a comunicação vai além. Foi colunista do “Correio Braziliense” por quase uma década e, neste período, fez com que redações de todo o país passassem a abordar as temáticas raciais e feministas de uma forma mais humanizada, plural e libertária.

Como se não bastasse, é a fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, organização que, desde 1988, se dedica à defesa dos direitos humanos sob a perspectiva racial e de gênero e se tornou uma referência nos conteúdos – inclusive jornalísticos – sobre o tema.

A cerimônia de entrega dos troféus do 42º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos acontece no dia 25 de outubro e, neste ano, será feita de forma virtual. Para saber mais, acesse: www.premiovladimirherzog.org.br.

Conheça jovens agroempresários que estão adaptando seus negócios em meio à pandemia

Karina Brito e sua equipe adaptaram seu negócio de agroecoturismo na Guatemala. Foto: FAO

Karina Brito e sua equipe adaptaram seu negócio de agroecoturismo na Guatemala. Foto: FAO

Desde o início da COVID-19, a vida mudou para empreendedores e empresas em todo o mundo. Devido a bloqueios e restrições de deslocamento, os pequenos agricultores e empresas rurais não têm conseguido acessar os mercados para vender sua produção ou outros produtos.

Como muitas vezes os jovens que trabalham no meio rural têm pouco ou nenhum acesso à seguridade social, eles sofrem desproporcionalmente com as restrições da pandemia aos negócios. Em geral, os jovens também já enfrentam maiores taxas de desemprego e subemprego em comparação com os adultos.

No entanto, experientes com o uso da tecnologia, os jovens empresários agrícolas estão adaptando rapidamente seus modelos de negócios e usando ferramentas digitais a seu favor. Aceitar pedidos online com pagamentos móveis, oferecer entrega em domicílio, comercializar produtos nas redes sociais, usar as TICs para trabalhar em casa e fazer aulas online para adquirir novas habilidades, são apenas algumas das maneiras que os jovens estão usando esta oportunidade para crescimento e inovação.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançou uma iniciativa de engajamento da juventude, Coping with COVID-19: voices of young agripreneurs (Lidando com a COVID-19: vozes dos jovens agroempresários na tradução para o português), no final de março de 2020 para compreender o impacto do surto nos negócios dos jovens rurais e saber como apoiá-los durante e após a pandemia.

Por meio de redes e grupos de jovens agricultores e agroempresários em toda a África e América Central, a iniciativa identificou soluções lideradas por jovens para lidar com a crise. Isso serviu de base para o conselho político da FAO aos governos e aos esforços de mobilização de recursos para defender respostas que incluam os jovens.

Aqui estão as histórias de três jovens agroempresários provando que estão se adaptando diante da pandemia:

Do ecoturismo ao serviço de alimentação online na Guatemala

Há seis meses, Karina Brito, de 22 anos, estava pronta para lançar seu novo negócio. Junto com um grupo de 20 jovens empresários de Nebaj, Guatemala, ela fundou uma empresa chamada Avantichajil – uma palavra indígena Ixil que significa “semeadores de vida”.

Com o apoio de um programa liderado pela FAO e treinamento do Instituto Florestal Nacional, seu plano era oferecer serviços de agroecoturismo, como passeios pela floresta e aulas de culinária, e vender móveis de madeira. Mas quando a COVID-19 chegou, tudo teve que esperar.

O movimento nacional e as restrições aos negócios obrigaram Karina e sua equipe a suspender as atividades de ecoturismo, além da fabricação de móveis. Eles rapidamente perceberam que não poderiam deixar seu negócio desmoronar, então começaram a procurar uma maneira de diversificar seus serviços.

Eles decidiram usar o componente ‘Gastronomia Ixil’ de sua empresa como o novo foco. O negócio originalmente iria oferecer pratos tradicionais da comunidade indígena Ixil local e aulas de culinária para turistas.

Agora, a equipe se organizou para produzir comida local e vendê-la online. Eles oferecem carne defumada, banana, pão de banana, smoothies, café e muito mais. Para obedecer às regras de distanciamento físico, eles criaram um perfil online, chamado MercaRed, para promover e vender produtos de sete diferentes agroindústrias lideradas por jovens em sua área. O empreendimento ainda é novo, mas os resultados já são animadores.

“Se tivéssemos permanecido focados no projeto inicial, não sei onde estaríamos agora. É preciso arriscar, avançar, inovar e aprender errando”, diz Karina.

Oferecendo energia limpa em Uganda

Arthur Woniala, de 29 anos, é cofundador e engenheiro de projeto da Khainza Energy, uma empresa liderada por jovens e comprometida em reduzir a dependência das famílias de Uganda de combustíveis de madeira, oferecendo biogás como uma alternativa limpa, acessível e sustentável. Eles embalam o biogás em cilindros recicláveis e fornecem treinamento sobre como usá-lo.

As interrupções no transporte público em resposta à COVID-19 deixaram milhões de ugandenses sem acesso a serviços básicos, como combustível para cozinhar. A Khainza Energy está tentando preencher essa lacuna.

Arthur tem limitado o contato físico anunciando e coletando pedidos nas redes sociais e aceitando pagamentos pelo celular. Dando um passo além para manter as comunidades de Uganda informadas durante a pandemia, ele distribui panfletos com conselhos do Ministério da Saúde junto a entrega dos seus pedidos.

Embora ele não possa negar que os últimos meses foram difíceis para seu negócio, Arthur permanece firme. “Temos o compromisso de garantir que as pessoas ainda tenham acesso aos serviços básicos”, diz ele com orgulho.

Vendendo produtos em Ruanda

As redes sociais também têm sido uma tábua de salvação para a ruandesa Adeline Umukunzi, de 25 anos. Antes da pandemia, ela vendia cogumelos para hotéis, restaurantes e atacadistas. As grandes vendas foram importantes, pois ela produziu uma colheita diária de 100 quilos. No entanto, com o surto de COVID-19 e, consequente, com o bloqueio, a demanda dos clientes diminuiu. Muitos negócios fecharam e, com severas restrições ao transporte público, ela não conseguiu colocar seus produtos no mercado.

Adeline não possui instalações para armazenar e refrigerar produtos não vendidos, então, para vender seus produtos o mais rápido possível, ela passou a vender diretamente para as pessoas. Adeline tem anunciado seus produtos nas redes sociais e pedido aos clientes que compartilhem para ajudar na divulgação. Ela aumentou sua força de trabalho e comprou uma bicicleta para poder ampliar sua rota de entrega.

Apoio da FAO à juventude rural

Por meio de parcerias com organizações de jovens rurais, a FAO tem trabalhado com jovens trabalhadores agrícolas e empresários para entender suas necessidades e mitigar os efeitos negativos da pandemia.

Apenas 1 em cada 10 jovens relatou ter recebido apoio de governos locais ou outros atores do desenvolvimento. Apesar disso e do cenário negativo para os negócios, é inspirador ver quantos jovens enxergam a crise como uma oportunidade para inovar.

Os problemas enfrentados por Karina, Arthur e Adeline nos últimos meses são comuns, e suas soluções são prova da engenhosidade e resiliência dos jovens diante de crises. A julgar por sua incrível resposta aos desafios da COVID-19, os jovens de hoje estão bem preparados para o futuro.

Jovens apoiados pelo UNAIDS celebram Dia Internacional da Juventude com vídeo sobre zero discriminação

Os jovens da NBR são um exemplo da aplicação prática do tema das celebrações da ONU para este ano: engajamento juvenil para a ação global. Foto: UNAIDS

Os jovens da NBR são um exemplo da aplicação prática do tema das celebrações da ONU para este ano: engajamento juvenil para a ação global. Foto: UNAIDS

Em comemoração ao Dia Internacional da Juventude, celebrado em 12 de agosto, a organização não governamental Nação Basquete de Rua (NBR) lança o vídeo “Humano igual a você” junto com uma série de cards para redes sociais inspirados no projeto Se Liga Ae, Juventude!, que levou conhecimento sobre HIV e AIDS a jovens da periferia de Campos dos Goytacazes (RJ), em 2019.

Os jovens da NBR são um exemplo da aplicação prática do tema das celebrações da ONU para este ano: engajamento juvenil para a ação global. Ao abordar o HIV, ISTs e sexualidade como temas centrais em seus projetos, a NBR mobilizar os jovens para discussões sobre racismo, direitos humanos, educação e empoderamento feminino, entre outros.

O projeto Se Liga Aê, Juventude!, que contou com o apoio do UNAIDS, buscou promover o empoderamento e o engajamento destas comunidades por meio do conhecimento sobre sexualidade e questões relacionadas ao estigma e à discriminação—que ainda têm impacto significativo sobre pessoas que vivem com HIV, especialmente sobre a população negra.

“O objetivo do vídeo e destes materiais é conscientizar a comunidade, principalmente a juventude negra de periferia, sobre a prevenção do HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), sobre seus direitos e sobre a importância do empoderamento como resposta ao estigma e à discriminação”, explica presidente da ONG Victor Hugo Ribeiro Almeida, mais conhecido na comunidade como Lebron Victor.

“O vídeo e os materiais foram produzidos antes da pandemia de COVID-19, com foco no trabalho que desenvolvemos com o UNAIDS em 2019, mas segue muito atual e tem tudo a ver com o tema do Dia Internacional da Juventude. Por isso, seu lançamento agora é muito simbólico para nós.”

Segundo dados do Boletim Epidemiológico sobre HIV/AIDS do Ministério da Saúde, em 2017, foram registrados 11.463 óbitos por causas relacionadas à AIDS, com uma taxa de mortalidade de 4,8/100.000 habitantes. A taxa de mortalidade teve redução de 15,8% entre 2014 e 2017, possivelmente em consequência da recomendação do “tratamento para todos” no Brasil e da ampliação do diagnóstico precoce da infecção pelo HIV.

Contudo, deste total, 60,3% ocorreram entre pessoas negras (pretas 14,1% e pardas 46,2%), 39,2% em entre pessoas brancas – sendo 0,2% entre amarelas e 0,2% entre indígenas. A proporção de óbitos entre mulheres negras foi superior à observada entre homens negros: 63,3% e 58,8%, respectivamente. Realizando-se uma comparação entre os anos de 2007 e 2017, há uma queda de 23,8% na proporção de óbitos de pessoas brancas e um crescimento de 25,3% na proporção de óbitos de pessoas negras.

“A violência, em todas as suas faces, impacta a população negra de maneira desporporcional no Brasil. E os dados sobre HIV e AIDS demonstram claramente uma destas faces, através do estigma, da discriminação e do racismo estrutural”, explica Cláudia Velasquez, diretora e representante do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) no Brasil.

“Quando focamos nosso olhar na juventude negra, vemos que a morte precoce destes jovens tem impacto direto no futuro de suas comunidades, de suas famílias e na contribuição potencial que cada indivíduo tem para oferecer à sociedade, não apenas como parte da riqueza inerente de sua diversidade, mas também como parte do direito de todas as pessoas a uma vida digna e cheia de oportunidades.”

Engajamento juvenil em tempos de COVID-19

Em continuidade ao projeto Se Liga Aê, Juventude! e no contexto da pandemia de COVID-19, a ONG Nação Basquete de Rua tem implementado ações e iniciativas emergenciais nas comunidades mais carentes de Campos dos Goytacazes. Um dos projetos é sobre informação a respeito de direitos sexuais e reprodutivos, voltado para meninas de uma das comunidades atendidas – um pedido que partiu da própria comunidade.

“Pra além disso, estamos mapeando questões de saúde desse território e atuando com jovens saídos do tráfico para sua reinserção social no âmbito da formação para uma conscientização comunitária e para o entendimento, por exemplo, das medidas sanitárias para prevenção da COVID-19”, conta Lebron.

A liderança juvenil da NBR deu seguimento também ao projeto Papo Reto, cujos encontros passaram de presencial a virtual em função da pandemia. Neste caso, atuam em parceria com escolas públicas debatendo temas como racismo, politica, saúde, direitos, entre outros – também conforme as demandas das próprias escolas e alunos –, buscando fazer trocas de forma horizontal e tentando tornar os assuntos mais palatáveis.

O tema do Dia Internacional da Juventude deste ano, “Engajamento Juvenil para a Ação Global”, destaca as formas pelas quais o engajamento dos jovens nos níveis local, nacional e global está fortalecendo instituições e processos nacionais e multilaterais. A celebração deste ano também busca extrair lições sobre como a representação e o envolvimento da juventude na política institucional formal podem ser aprimorados.

“Neste Dia International da Juventude, queremos celebrar o empoderamento da juventude negra brasileira por meio deste projeto e desta iniciativa. Através de nosso mandato de resposta ao HIV e defesa aos direitos humanos, queremos ecoar o chamado do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, e convidar todas as lideranças e pessoas adultas, em todos os lugares, a fazer tudo o que for possível para permitir que a juventude tenha uma vida com segurança, dignidade e oportunidade, contribuindo ao máximo para seu grande potencial”, concluiu Velasquez.

OIM e defensoria pública da união promovem curso sobre direito migratório brasileiro

A primeira turma do curso online sobre Direito Migratório brasileiro contará com 100 participantes. Foto: OIM

Como parte de seu programa conjunto para reforçar a capacidade de atores locais que prestam assistência aos migrantes e refugiados no Brasil, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Defensoria Pública da União (DPU) lançam a primeira edição do curso online e gratuito “O Novo Direito Migratório Brasileiro”, destinado a defensores públicos e advogados de organizações não-governamentais que prestam assistência direta aos migrantes em todo o Brasil.

A ideia do curso surgiu a partir do grande número de pedidos de apoio para qualificação que as organizações promotoras passaram a receber de atores da sociedade civil a partir do crescente incremento do fluxo de venezuelanos no país.

A capacitação tem foco específico nos profissionais jurídicos e busca apresentar o novo cenário legal brasileiro após a aprovação da Lei de Migração de 2017 (Lei 13.445), discutindo hipóteses legais, controvérsias enfrentadas no dia a dia dos migrantes e enfatizando alternativas práticas para a proteção de direitos pelas vias administrativas e judicial.

A primeira turma conta com 100 participantes, sendo 40 da Defensoria Pública da União e 60 indicados pela recém criada rede de organizações da sociedade civil que prestam assistência aos refugiados e migrantes.

Segundo o chefe de missão da OIM no Brasil, Stéphane Rostiaux, o Brasil possui uma legislação moderna que cria um ambiente favorável para que a migração funcione para os migrantes e para a sociedade acolhida. “O desafio agora é fortalecer as capacidades da sociedade civil, que está em contato diário com os migrantes e o curso certamente contribuirá para esse objetivo”.

O conteúdo da formação foi produzido com contribuições de diversas organizações governamentais ativas na temática migratória brasileira como a própria DPU, o Ministério das Relações Exteriores, a Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério da Economia e organizações não-governamentais com amplo histórico na pauta, como a Caritas, Compassiva e ITTC.

“O curso decorre de uma exitosa parceria entre a DPU, Escola Nacional da Defensoria Pública da União (ENADPU), OIM e sociedade civil, e se traduz numa relevante ação de capacitação dos defensores públicos federais, bem como de outros envolvidos na prestação de assistência jurídica aos migrantes, que se não raras vezes se encontram em situação de vulnerabilidade, necessitando de uma atuação especializada em seu favor”, destacou a diretora-geral da ENADPU, Olinda Vicente Moreira.

“A realização desse curso se encontra dentre as atribuições específicas da ENADPU, tanto na capacitação técnica dos membros da DPU, como na disseminação do conhecimento para a sociedade civil”, complementou a diretora-geral.

O coordenador de conteúdo do curso, defensor federal João Chaves, destacou que um dos principais desafios para a criação do treinamento foi “a elaboração de um material conciso e ao mesmo tempo aprofundado sobre o atual direito migratório brasileiro, ante a escassez de produção atualizada sobre o tema”.

“O curso foi pensado para ampliar a capacidade da DPU e das organizações da sociedade civil no atendimento jurídico às populações migrantes e refugiadas em todas as regiões do Brasil, inclusive naquelas com menor tradição no acolhimento de migrantes e refugiados. Capacitar esses atores e fortalecer a rede é essencial para oferecermos um atendimento cada vez mais qualificado e especializado a essas comunidades, garantindo, assim, o acesso a direitos no Brasil”, complementou a conteudista, Lívia Lenci.

Atualmente, mais de trinta instituições da sociedade civil prestam assistência jurídica a migrantes vulneráveis, constituindo uma verdadeira rede de assistência com a Defensoria Pública da União e as defensorias estaduais. Milhares de migrantes se beneficiam anualmente desses serviços jurídicos gratuitos que serão agora potencializados para fazer frente a demanda de atenção aos mais 250 mil venezuelanos que chegaram ao país desde 2017 em potencial situação de vulnerabilidade.

O curso é ofertado por meio da plataforma digital da ENADPU e após a conclusão da turma piloto em julho será atualizado para lançamento nacional por meio de um edital público de seleção de participantes.

A OIM e a DPU já haviam lançado, em 2018, o curso geral sobre a temática chamado “Uma Introdução às Migrações Internacionais”, que está disponível gratuitamente na plataforma da Escola Virtual de Governo da Escola Nacional de Administração Pública e já formou mais de 7.000 participantes.

A produção do curso foi possível graças ao apoio financeiro do Escritório de Populações, Refugiados e Migrações (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América e do Fundo da OIM para o Desenvolvimento.

Quase 40% das escolas brasileiras não têm estruturas básicas para lavagem de mãos

Alunos aprendem a prevenção ao novo coronavírus na Escola Municipal Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro (RJ), através de cartazes, trabalhos escolares, e medidas de higiene e convívio pessoal. Foto: Agência Brasil/ Fernando Frazão

Alunos aprendem a prevenção ao novo coronavírus na Escola Municipal Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro (RJ), através de cartazes, trabalhos escolares, e medidas de higiene e convívio pessoal. Foto: Agência Brasil/ Fernando Frazão

Enquanto as escolas em todo o mundo estão discutindo sua reabertura, os dados mais recentes do Programa Conjunto de Monitoramento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para Saneamento e Higiene revelam que 43% das escolas em todo o mundo não tinham instalações básicas para lavagem das mãos com água e sabão em 2019 – uma condição fundamental para que sejam capazes de operar com segurança em meio à pandemia de COVID-19.

“O fechamento global de escolas desde o início da pandemia de COVID-19 apresentou um desafio sem precedentes para a educação e o bem-estar das crianças”, disse Henrietta Fore, diretora executiva do UNICEF.

“Devemos priorizar o aprendizado das crianças. Isso significa garantir que as escolas sejam seguras para reabrir – incluindo acesso à higiene das mãos, à água potável limpa e ao saneamento seguro.”

De acordo com o relatório, cerca de 818 milhões de crianças não têm instalações básicas para lavar as mãos em suas escolas, o que as coloca em maior risco de contrair COVID-19 e outras doenças transmissíveis.

Mais de um terço dessas crianças (295 milhões) estão na África ao sul do Saara. Nos países menos desenvolvidos, sete em cada dez escolas carecem de instalações básicas para lavagem das mãos e metade das escolas carecem de saneamento básico e serviços de água.

O relatório enfatiza que os governos que buscam controlar a disseminação da COVID-19 devem equilibrar a necessidade de implementação de medidas de saúde pública e os impactos sociais e econômicos associados às medidas de quarentena/lockdown. As evidências dos impactos negativos do fechamento prolongado de escolas na segurança, no bem-estar e no aprendizado das crianças estão bem documentadas, afirma o relatório.

“O acesso a serviços de água, saneamento e higiene é essencial para a prevenção e o controle eficazes de infecções em todos os ambientes, incluindo escolas”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “Deve ser o foco principal das estratégias governamentais para reabertura e operação seguras de escolas durante esta pandemia de COVID-19”.

Outras descobertas importantes do relatório incluem:

Das 818 milhões de crianças que não tinham um serviço básico de lavagem das mãos na escola, 355 milhões foram para escolas que tinham instalações com água, mas não tinham sabão, e 462 milhões para escolas que não tinham nenhuma instalação ou água disponível para lavar as mãos.
Nos 60 países com maior risco de crises de saúde e humanitárias devido à COVID-19, três em cada quatro crianças não tinham serviço básico de lavagem das mãos na escola no início do surto; metade de todas as crianças não tinha serviço básico de água; e mais da metade não tinha serviço de saneamento básico.
Uma em cada três escolas em todo o mundo tinha serviço limitado de água potável ou nenhum serviço de água potável.
698 milhões de crianças não tinham serviço de saneamento básico na escola.

O relatório identifica vários recursos necessários para a prevenção e controle da COVID-19 nas escolas, incluindo 10 ações imediatas e listas de verificação de segurança.

O documento se baseia nas diretrizes sobre a reabertura segura de escolas publicadas por Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), UNICEF, Programa Mundial de Alimentos (WFP) e Banco Mundial. Há conselhos práticos para as autoridades nacionais e locais sobre como se preparar para a reabertura segura e como manter as crianças seguras quando retornarem à escola.

O relatório identifica vários recursos necessários para a prevenção e controle da COVID-19 nas escolas, incluindo dez ações imediatas e listas de verificação de segurança. As diretrizes incluem protocolos relacionados com água, saneamento e higiene, uso de equipamento de proteção individual, limpeza e desinfecção, bem como acesso a água limpa, estações de lavagem das mãos com sabão e banheiros seguros.

UNICEF e OMS estão empenhados em alcançar o acesso equitativo a serviços de água, saneamento e higiene adequados em todo o mundo.

As agências lançaram recentemente uma iniciativa conjunta, Hand Hygiene for All (Higiene das Mãos para Todos – disponível somente em inglês), para apoiar as comunidades mais vulneráveis com os meios para proteger sua saúde e meio ambiente. Reúne parceiros internacionais, governos nacionais, setores público e privado e sociedade civil para garantir que produtos e serviços acessíveis estejam disponíveis, especialmente em áreas desfavorecidas.

No Brasil

Nota técnica lançada pelo UNICEF, em parceria com o Banco Mundial e o Instituto Internacional de Águas de Estocolmo (SIWI) mostra a situação de água e saneamento no Brasil, apresentando uma análise das ações implementadas no país e recomendações para uma resposta mais eficaz e equitativa à crise da COVID-19.

No Brasil, 39% das escolas não dispõem de estruturas básicas para lavagem de mãos, segundo dados do Programa Conjunto de Monitoramento da OMS e do UNICEF para Saneamento e Higiene (JMP). Além disso, de acordo com o Censo Escolar 2018, 26% das escolas brasileiras não têm acesso a abastecimento público de água. Quase metade (49%) das escolas brasileiras não tem acesso à rede pública de esgoto.

Confira a nota técnica.

Sobre o Programa Conjunto de Monitoramento

O Programa Conjunto de Monitoramento da OMS e do UNICEF para Saneamento e Higiene (JMP) é responsável por monitorar o progresso global em direção a metas e indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados a água potável, saneamento e higiene. O JMP produz estimativas nacionais, regionais e globais do progresso de água, saneamento e higiene nas famílias, escolas e instalações de saúde.

Sobre a OMS

A Organização Mundial da Saúde dirige e coordena a saúde internacional dentro do sistema das Nações Unidas. Trabalhando com seus 194 Estados-Membros, a missão da OMS é promover a saúde, manter o mundo seguro e servir aos vulneráveis.

FAO explica como os povos indígenas ajudam a acabar com a fome no mundo

Indígenas em manifestação em Brasília. Foto: Mídia Ninja

Indígenas em manifestação em Brasília. Foto: Mídia Ninja

Apesar de representarem apenas 5% da população mundial, os povos indígenas são agentes vitais para a preservação do meio ambiente.

Cerca de 28% da superfície terrestre do mundo, incluindo algumas das áreas florestais mais intactas e biodiversas, é  gerenciada principalmente por povos indígenas, famílias, pequenos proprietários e comunidades locais.

Essas florestas são cruciais para conter as emissões de gases e manter a biodiversidade. Os alimentos indígenas também são particularmente nutritivos e seus sistemas alimentares associados são resistentes ao clima e se adaptam bem ao meio ambiente.

O modo de vida e os meios de subsistência dos povos indígenas podem nos ensinar muito sobre como preservar os recursos naturais, obter e cultivar alimentos de maneiras sustentáveis e viver em harmonia com a natureza.

Mobilizar o conhecimento que se origina dessa herança e desses legados históricos é importante para enfrentar os desafios que a alimentação e a agricultura enfrentam hoje e no futuro.

Aqui estão 5 entre as diversas maneiras pelas quais os povos indígenas estão ajudando o mundo a combater as mudanças climáticas:

1. Suas práticas agrícolas tradicionais se adaptam facilmente à mudança climática

Ao longo dos séculos, os povos indígenas desenvolveram técnicas agrícolas adaptadas a ambientes extremos, como as altas altitudes dos Andes ou as pastagens secas do Quênia. Suas técnicas comprovadas, como terraços para evitar a erosão do solo ou jardins flutuantes para fazer uso de campos inundados, são adequadas para os eventos climáticos cada vez mais extremos e mudanças de temperatura provocados pelas mudanças climáticas.

2. Eles conservam e restauram florestas e recursos naturais

Os povos indígenas se veem conectados à natureza e como parte do mesmo sistema, assim como o meio ambiente em que vivem.

Eles adaptaram seus estilos de vida para se adequar e respeitar seus ambientes. Nas montanhas, os sistemas de gestão da paisagem dos povos indígenas preservam o solo, reduzem a erosão, conservam a água e diminuem o risco de desastres. Nas pastagens, as comunidades de pastores indígenas cuidam do pastoreio de gado e do cultivo de maneiras sustentáveis que permitem a conservação da biodiversidade. Na Amazônia, a biodiversidade dos ecossistemas melhora nas regiões habitadas por povos indígenas.

3. Seus alimentos e tradições podem ajudar a expandir e diversificar as dietas

O mundo atualmente depende muito de um pequeno conjunto de culturas básicas. Apenas cinco safras–arroz, trigo, milho, painço e sorgo–fornecem cerca de 50% de nossas necessidades energéticas. Repleto de cultivos nativos nutritivos como a quinoa, os sistemas alimentares dos povos indígenas podem ajudar o resto da humanidade a expandir sua estreita base alimentar para incorporar ervas, grãos, frutas, animais e peixes que podem não ser bem conhecidos ou usados em outras partes do mundo.

4. Eles cultivam safras indígenas que são mais resistentes às mudanças climáticas

Como muitos povos indígenas vivem em ambientes extremos, eles optaram por culturas que também se adaptam a tais condições. Os povos indígenas costumam cultivar uma variedade de espécies nativas e uma infinidade de variedades que são mais bem adaptadas aos contextos locais e frequentemente mais resistentes à seca, altitude, inundações ou outras condições extremas. Usadas de forma mais ampla na agricultura, essas safras podem ajudar a construir a resiliência das fazendas que agora enfrentam mudanças climáticas mais extremas.

5. Eles gerenciam uma grande parte da biodiversidade mundial

Territórios indígenas tradicionais abrangem 28% da superfície terrestre do mundo, mas hospedam 80% da biodiversidade do planeta. Preservar a biodiversidade é essencial para a segurança alimentar e nutricional. O acervo genético de espécies vegetais e animais é encontrado em todos os biomas terrestres, bem como em rios, lagos e áreas marinhas. Vivendo uma vida sustentável, os povos indígenas preservam esses espaços, ajudando a manter a biodiversidade das plantas e animais da natureza.

A FAO considera que os povos indígenas são parceiros inestimáveis no fornecimento de soluções para as mudanças climáticas e na criação de um mundo sem fome. Nunca alcançaremos soluções a longo prazo para as mudanças climáticas e para a segurança alimentar e nutricional sem buscar ajuda e proteger os direitos dos povos indígenas.

FAO lança plataforma para ajudar a fortalecer os setores de alimentos e agricultura pós-COVID-19

FAO lança plataforma geoespacial que contribuirá para a transformação agrícola e o desenvolvimento rural sustentável. Foto: Free-Photos/Pixabay

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançou uma plataforma geoespacial Hand-in-Hand com um grande e rico conjunto de dados sobre alimentos, agricultura, socioeconomia e recursos naturais para ajudar a fortalecer as tomadas de decisão baseadas em evidências nos setores de alimentação e agricultura.

A plataforma é uma ferramenta crucial para os esforços de reconstruir melhor e criar sistemas alimentares mais resilientes pós-COVID-19.

Possui mais de um milhão de camadas geoespaciais e milhares de séries estatísticas com mais de 4.000 registros de metadados, reunindo informações geográficas e dados estatísticos em mais de dez domínios ligados à alimentação e agricultura – desde segurança alimentar, safras, solo, terra, água, clima, pesca e pecuária para silvicultura. Também inclui informações sobre o impacto da COVID-19 na alimentação e na agricultura.

Os dados foram obtidos através da FAO e de outros provedores de dados públicos, como as Nações Unidas e ONGs, universidades, setor privado e agências espaciais. Também incorporam dados da FAOSTAT sobre alimentação e agricultura para os 194 países membros da FAO, mais os 51 territórios, de 1961 ao ano mais recente disponível.

Segundo o diretor-geral da FAO, QU Dongyu, as tecnologias geoespaciais e os dados agrícolas representam uma oportunidade para encontrar novas maneiras de reduzir a fome e a pobreza por meio de soluções baseadas em dados mais acessíveis e integrados.

“A plataforma geoespacial serve como um bem público digital para criar mapas de dados interativos, analisar tendências e identificar lacunas e oportunidades em tempo real”, acrescentou o diretor-geral.

A plataforma pode ser usada por qualquer pessoa, e seu uso ajudará na tomada de decisões baseadas em dados e evidências em alimentação e agricultura.

Entre seus muitos usos, a plataforma fornece informações vitais para:

– monitorar a produtividade agrícola da água, incluindo sistemas agrícolas em risco devido à pressão humana sobre a terra e a água;
– comparar a densidade da população humana com a distribuição de gado ou comparar a densidade entre duas espécies de gado em todo o mundo;
– verificar a distribuição das espécies aquáticas;
– analisar tendências de precipitação;
– analisar informações de sistemas nacionais de monitoramento de florestas que mostram a distribuição de recursos florestais com outros dados geoespaciais, como a rede de estradas. Isso permite a separação de áreas florestais não perturbadas com alto valor de conservação, de áreas acessíveis que são mais adequadas para restauração ou produção.

“A plataforma geoespacial nos permitirá projetar intervenções agrícolas e planos de investimento mais direcionados por meio de uma abordagem territorial – uma abordagem que promove a igualdade, inclusão e segurança alimentar e nutricional sustentável”, disse o economista-chefe da FAO, Maximo Torero.

A FAO adicionará à plataforma, novos conjuntos de dados e estudos de caso específicos dos países para melhorar o direcionamento e adaptação de intervenções políticas, inovação, finanças e investimento, e reforma institucional em alimentação e agricultura.

A plataforma faz parte da iniciativa Hand-in-Hand da FAO – uma iniciativa baseada em evidências, liderada pelos países, e de propriedade dos países, que visa acelerar a transformação agrícola e o desenvolvimento rural sustentável para erradicar a pobreza (ODS1) e acabar com a fome e todas as formas de desnutrição (ODS2), inclusive por meio do uso das ferramentas mais sofisticadas disponíveis, como modelagem e análise geoespacial avançada.

Artistas do mundo todo unem-se em campanha da UNESCO contra o racismo

Campanha Unidos contra o Racismo reuniu artistas de todo o mundo. Foto: Reprodução

Campanha Unidos contra o Racismo reuniu artistas de todo o mundo. Foto: Reprodução

Diante das crescentes manifestações de racismo no mundo todo, personalidades se uniram à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em um vídeo para a campanha Unidos Contra o Racismo, lançado no início do mês (6). O cantor e compositor brasileiro Gilberto Gil está entre os artistas participantes.

Ao lado da diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, o filme em preto e branco de 2 minutos e 41 segundos apresenta mensagens de personalidades do cinema, da mídia, da música, do esporte e da ciência

Participam Charlotte Gainsbourg, Freida Pinto e Naomi Campbell; os embaixadores de boa vontade da UNESCO Jean-Michel Jarre, Jorge Ramos, Sumaya bint Al Hassan, Bobi Wine, Herbie Hancock e Forest Whitaker; os artistas pela paz da UNESCO Marcus Miller, Yalitza Aparicio, Rossy de Palma e Gilberto Gil; os campeões pela educação de mulheres e meninas da UNESCO Nadia Nadim, Amadou Gallo Fall e Ada Hegerberg.

A UNESCO está na vanguarda da luta contra o racismo desde sua criação em 1945. Em 1978, adotou a Declaração sobre Raça e Preconceito Racial, que reafirma que “todos os seres humanos pertencem à mesma espécie e têm a mesma origem. Nascem iguais em dignidade e direitos, e todos formam parte integrante da humanidade”.

Saiba mais sobre o trabalho da UNESCO no combate ao racismo e a exclusão no Brasil nas áreas de:

Mais sobre o trabalho da UNESCO para combater o racismo e a exclusão no mundo (em inglês).

Pandemia interrompe educação de mais de 70% dos jovens no mundo

Pandemia interrompe a educação de mais de 70% dos jovens e pode prejudicar o potencial produtivo de uma geração inteira, aponta relatório da OIT. Foto: Pexels por Pixabay

A crise da COVID-19 está causando um efeito devastador sobre a educação e a formação de jovens. Desde o início da pandemia, mais de 70% dos(as) jovens que estudam ou combinam os estudos com o trabalho foram adversamente afetados(as) pelo fechamento de escolas, universidades e centros de treinamento, de acordo com um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Segundo os resultados do relatório “Juventude e COVID-19: impactos sobre empregos, educação, direitos e bem-estar mental” (em inglês), 65% dos jovens relataram que sua atividade educacional foi adversamente afetada desde o início da pandemia, como consequência do período de transição do ensino presencial em sala de aula para o ensino online ou a distância durante a fase de confinamento. Apesar de seus esforços para continuar os estudos e a capacitação, metade destes jovens acredita que a conclusão dos estudos será atrasada e 9% afirmam que poderão ter que abandonar os estudos de forma definitiva.

A situação é ainda mais grave para os jovens que vivem em países de baixa renda, onde há grandes lacunas no acesso à Internet e na disponibilidade de equipamentos e, às vezes, até de espaço em casa.

Isso destaca a enorme “divisão digital” entre as regiões. Enquanto 65% dos jovens em países de alta renda puderam assistir às aulas por meio de videoconferência, a proporção de jovens que puderam prosseguir seus estudos online em países de baixa renda foi de apenas 18%.

“A pandemia está infligindo vários choques aos jovens. Ela não só destrói seus empregos e suas perspectivas profissionais, mas também compromete sua educação e seu treinamento e tem repercussões graves sobre o seu bem-estar mental. Não podemos deixar que isso aconteça”, disse diretor-geral da OIT, Guy Ryder.

Preocupados com o futuro

De acordo com o relatório, 38% dos jovens não têm certeza sobre suas perspectivas de carreira, e espera-se que a crise crie mais obstáculos no mercado de trabalho e estenda o período de transição entre o fim dos estudos e o momento em que os jovens ingressam no primeiro emprego.

Alguns jovens já foram afetados, visto que um em cada seis teve que parar de trabalhar desde o início da pandemia. Os trabalhadores mais jovens geralmente têm empregos em setores fortemente afetados pela pandemia, como aqueles nas áreas de atendimento ao cliente, prestação de serviços e vendas, e, portanto, são mais vulneráveis aos efeitos econômicos da pandemia. Nesse contexto, 42% dos jovens que mantiveram seus empregos tiveram sua renda reduzida.

Isso afetou seu bem-estar mental. A pesquisa revelou que 50% dos jovens podem ser propensos a sofrer de ansiedade ou depressão, enquanto outros 17% provavelmente estão sofrendo de ansiedade ou depressão.

É preciso escutar a voz dos jovens

Apesar da complexa situação atual, os jovens estão usando seu vigor para se mobilizar e fazer sua voz ser ouvida na luta contra a crise. De acordo com a pesquisa, um em cada quatro jovens fez algum tipo de trabalho voluntário durante a pandemia.

É essencial ouvir a voz dos jovens para dar uma resposta mais inclusiva à crise da COVID-19. Segundo o relatório, a participação dos jovens na tomada de decisões de acordo com as suas necessidades e seus projetos aumenta a eficácia das políticas e programas e lhes dá a oportunidade de contribuir para a implementação.

O relatório também defende a adoção urgente de medidas políticas específicas em grande escala para evitar que a crise prejudique, a longo prazo, o futuro profissional de toda uma geração de jovens.

Dentre essas medidas, vale destacar a reinserção no mercado de trabalho de jovens que perderam o emprego ou tiveram que reduzir o número de horas de trabalho, bem como o acesso de jovens ao seguro-desemprego e a programas que lhes permitam melhorar o bem-estar mental, como apoio psicossocial ou realização de atividades esportivas.

O relatório “Juventude e COVID-19: impactos sobre empregos, educação, direitos e bem-estar mental” é uma publicação conjunta da OIT, AIESEC, Fundo Fiduciário de Emergência da União Europeia para a África, o Fórum Europeu da Juventude, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e o Grupo Principal das Nações Unidas para Crianças e Jovens.

ONU Mulheres apoia Itabira na implementação dos objetivos globais com perspectiva de gênero e raça

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Itabira, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), é a primeira cidade na América Latina a implantar o Projeto Cidade 50-50, desenvolvido pela ONU Mulheres para apoiar governos municipais na implementação dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a partir da perspectiva de gênero e raça.

O Projeto Cidade 50-50: Itabira é a efetivação de uma expectativa da Prefeitura do município somada ao conhecimento da ONU Mulheres em desenvolver ações para a promoção da igualdade de gênero, como afirma a vice-prefeita da cidade, Dalma Barcelos.

“Queremos eliminar a desigualdade de gênero, porque isso corrói a sociedade. Essa desigualdade de salário, de oportunidades, está sempre presente na nossa história, às vezes veladas, às vezes não.”

Barcelos considera que o projeto impulsiona o desenvolvimento da cidade, contribuindo para uma maior participação das mulheres na política e reduzindo desigualdades de renda e no mercado de trabalho.

“A igualdade de oportunidades e a participação ativa das mulheres, na sua diversidade, juntamente com os homens, no desenvolvimento social e econômico são cruciais para a eficácia e a sustentabilidade das iniciativas de desenvolvimento municipal”, afirma a representante da ONU Mulheres Brasil, Anastasia Divinskaya.

“As necessidades e as prioridades das mulheres devem ser atendidas e devem estar no centro e não nas margens dos processos de desenvolvimento.”

Desde a implantação do projeto, em agosto de 2019, aconteceram na cidade uma série de ações com o objetivo de transformar a realidade local, aproximando as mulheres, poder público e sociedade civil.

Entre elas há destaque para a oficina de planejamento, que envolveu mais de 100 participantes e foi realizada no primeiro semestre deste ano. “Quando nós fizemos aquele encontro, a gente pôde ver e perceber várias mulheres naquele espaço, mulheres que não se encontravam e que, por causa desse seminário, foram participar”, conta Lia Andrade, agente social na cidade de Itabira.

A construção de propostas levantadas na oficina sustenta ações prioritárias para serem executadas e apoiadas em Itabira, com o suporte de assessoria especializada. Este exercício motivou a posição de revisão de planos e ações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Inovação e Turismo de Itabira para incorporação perspectiva de gênero.

Além da oficina, foram realizadas mais de 45 reuniões, com diferentes segmentos da sociedade. Foi constituído o Comitê Cidade 50-50, que será responsável por propor estratégias de promoção da igualdade de gênero a partir das secretarias municipais, e realizará em agosto um curso voltado para mulheres interessadas na disputa eleitoral.

Políticas públicas e participação das mulheres

Desde a sua fundação, a cidade de Itabira não teve mulheres ocupando o cargo de prefeita. Foi apenas na atual gestão que o município passou a ter uma vice-prefeita. Na história da cidade, apenas duas mulheres foram presidentas da Câmara Municipal e, no último pleito, todos os representantes eleitos são homens.

“A desigualdade entre mulheres e homens na vida social, econômica e política geralmente surge de uma falha nas estratégias de desenvolvimento para atender adequadamente às necessidades específicas das mulheres e aproveitar as experiências e habilidades das mulheres. Portanto, o exemplo do município de Itabira, que facilita a participação plena das mulheres no desenvolvimento municipal, é inspirador”, considera a representante da ONU Mulheres Brasil.

Dalma Barcelos foi a responsável em promover a parceria com a ONU Mulheres e tomou para si a liderança de fazer com que a Itabira seja uma “cidade amiga das mulheres”. Para a vice-prefeita, “é a partir do empoderamento feminino e a promoção da participação das mulheres em todas as instâncias que é possível chegar em uma cidade, que promove o desenvolvimento sustentável”.

As secretarias do município seguem alinhadas com esse compromisso. Desde que o início do projeto, a maneira de elaborar políticas públicas se transformaram. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Inovação e Turismo, por exemplo, passou a determinar que em todas as suas ações a paridade de gênero seja priorizada.

“O que mudou no pensar e agir da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Turismo, é que não temos só o compromisso de desenvolver e implantar políticas públicas, mas o de desenvolver e implantar políticas públicas levando em consideração a proporcionalidade 50-50, entre mulheres e homens. Acredito que evoluímos no conceito de uma nova ótica de igualdade de direito para todas e todos,” enfatiza o secretário municipal José Don Carlos.

Quem vive e cresceu na cidade, espera que as mudanças aconteçam. Lia Andrade, cidadã itabirana e agente social da Cáritas Diocesana de Itabira, espera que a cidade seja mais inclusiva para as mulheres e principalmente dê espaço para o desenvolvimento, a partir da participação das mulheres em sua diversidade, em espaços de construção de políticas públicas.

“Nós precisamos pensar e fazer com as pessoas se encantem e participem mais desses espaços de controle social para construção da política pública da mulher. Seria importante a participação da mulher da periferia, da mulher da zona rural, da mulher negra, da mulher menina falando o que é bom para ela”.

Para a gerente de Projetos de Normas Globais, Governança, Liderança e Participação Política da ONU Mulheres Brasil, Ana Cláudia Pereira, a igualdade requer engajamento de toda a sociedade e políticas que eliminem as desigualdades: “nenhum município, estado ou país atingirá o desenvolvimento se deixar mais de metade de sua população para trás. É preciso que haja participação igualitária na vida econômica, social e política”.

ARTIGO: juventude lidera o caminho para as soluções frente à COVID-19

A diretora-executiva do UNFPA, Natália Kanem. Foto: UNFPA Bangladesh/Lauren Anders Brown

A diretora-executiva do UNFPA, Natália Kanem. Foto: UNFPA Bangladesh/Lauren Anders Brown

Por Natalia Kanem*

Enquanto nos preparamos para celebrar o Dia Internacional da Juventude em meio a uma pandemia, estamos testemunhando como a juventude está agindo para resolver os problemas em suas comunidades.

Jovens estão na linha de frente na resposta à pandemia da COVID-19, mobilizando-se em todo o mundo. Eles e elas são profissionais de saúde, ativistas, inovadores e trabalhadores sociais e comunitários.

Para alcançar e engajar a juventude durante esta pandemia, é necessário compartilhar informações, elucidar desinformações e equipar essas pessoas para que tomem medidas para conter a propagação do vírus. Devemos reconhecer a liderança de pessoas jovens e defender seus direitos humanos.

O UNFPA, a agência de saúde sexual e reprodutiva das Nações Unidas, ouve a voz da juventude e apoia sua valiosa participação nas decisões que a afeta.

Na semana passada, o UNFPA liderou uma conversa global com a hashtag #YouthAgainstCOVID19. Pessoas jovens em todos os lugares são encorajadas a enviar vídeos que mostram suas ações para enfrentar a pandemia e compartilhar lições sobre como estão traçando novos caminhos para suas comunidades.

Entre os efeitos devastadores da pandemia, está a perda de oportunidades de emprego, educação e acesso a serviços essenciais, incluindo serviços de saúde sexual e reprodutiva, e significa que muitos jovens estão enfrentando violações de seus direitos e escolhas. Mulheres jovens e meninas estão particularmente vulneráveis.

À medida que o mundo busca se reconstruir melhor, devemos garantir que pessoas jovens sejam priorizadas para que tenham acesso à educação, às ferramentas e aos serviços necessários, e que alcancem seu pleno potencial.

Hoje, vamos andar de mãos dadas com as gerações. Vamos nos unir e enfrentar os desafios que temos pela frente, trabalhando com jovens para construir um futuro mais inclusivo e sustentável para todas e todos.

*Declaração da diretora-executiva do UNFPA

ONU elogia engajamento de jovens em meio à pandemia

Comemorando o Dia Internacional da Juventude, altos funcionários da ONU pediram que líderes de todo o mundo “façam todo o possível” para permitir que os jovens alcancem seu potencial máximo.

Contra o pano de fundo da pandemia de coronavírus, que afetou as vidas e aspirações dos jovens e aumentou suas vulnerabilidades, o secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou a resiliência, a desenvoltura e o envolvimento das gerações mais jovens.

“São os jovens que se levantaram para exigir ações climáticas. Eles estão se mobilizando por justiça racial e igualdade de gênero e são os defensores de um mundo mais sustentável”, disse ele em mensagem marcando a data.

“Muitos são mulheres jovens que estiveram na linha de frente da mobilização por justiça e ação climática – ao mesmo tempo em que atuaram na linha de frente da resposta à COVID-19.”

O secretário-geral também destacou que cumprir a promessa da geração jovem exige investir muito mais em sua inclusão, participação, organizações e iniciativas.

“Convido os líderes e adultos em todos os lugares a fazer todo o possível para permitir que os jovens do mundo desfrutem de uma vida com segurança, dignidade e oportunidades e contribuam para o máximo de seu grande potencial”, acrescentou.

O tema do Dia Internacional da Juventude deste ano, “Engajamento Juvenil para a Ação Global”, destaca as maneiras pelas quais o engajamento dos jovens em nível local, nacional e global está fortalecendo instituições e processos nacionais e multilaterais, tirando lições sobre como sua representação e envolvimento na política institucional formal podem ser aprimorados.

Também neste ano, por meio da campanha de mídia social #31DaysOfYOUth, a ONU celebra os jovens ao longo do mês de agosto, antes e depois do Dia Internacional, para espalhar a palavra e iniciar uma conversa em torno do engajamento dos jovens para a ação global.

Ecoando o apelo do secretário-geral, Tijjani Muhammad-Bande, presidente da Assembleia Geral da ONU, também destacou uma “responsabilidade global” de garantir que os jovens em todos os lugares tenham acesso a oportunidades justas e equitativas para cumprir seus direitos e aspirações.

“O potencial da humanidade para criar um futuro pacífico e próspero não será alcançado enquanto as desigualdades e a discriminação contra os jovens continuarem sendo comuns e os jovens não tiverem oportunidades de fazerem ouvir suas vozes”, disse ele em mensagem para a data.

O presidente da Assembleia aplaudiu os jovens por suas “contribuições incríveis” para um futuro melhor. Seus movimentos em suas comunidades e países, disse ele, já estão melhorando as sociedades e aumentando as ambições globais, a cada dia.

“Na era da COVID-19 e em meio a seus efeitos socioeconômicos negativos duradouros sobre os jovens – e faltando apenas 10 anos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) -, [sua] visão e compromisso são fundamentais para criar um mundo mais sustentável e inclusivo”, acrescentou.

“Com sua inovação e ambição, orientadas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, tenho certeza que sua geração irá efetivamente transformar o mundo em um lugar mais sustentável, inclusivo e justo para todos”, disse Muhammad-Bande, exortando todos os jovens a participar da Plenária Juvenil UN75 virtual, a ser realizada em setembro, para somar sua voz à formação das Nações Unidas nas próximas décadas.

Jovens são a nossa maior esperança de futuro

A representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, Astrid Bant, gravou uma declaração em vídeo na qual reconhece os esforços e cumprimenta as milhares de pessoas jovens atuando em suas comunidades durante a pandemia da COVID-19.

Astrid também destaca a necessidade de continuar ofertando serviços e acesso a direitos e educação à juventude.

COVID-19 ameaça controle e eliminação de doenças infecciosas nas Américas

Médica analisa exame para eventual diagnóstico de tuberculose. Foto: AGECOM/Carol Garcia

Médica analisa exame para eventual diagnóstico de tuberculose. Foto: AGECOM/Carol Garcia

A pandemia de COVID-19, que matou mais de 390 mil pessoas nas Américas, está ameaçando os planos regionais para eliminar e controlar doenças infecciosas, incluindo tuberculose, HIV e hepatites, disse na terça-feira (11) Carissa F. Etienne, diretora da OPAS.

Com mais de 10,5 milhões de casos de COVID-19 nas Américas e 100 mil novos casos sendo notificados todos os dias, “os países não podem atrasar a luta contra COVID-19, mas não devem permitir que a doença nos atrase para completar a agenda inacabada de eliminar e controlar as doenças infecciosas em nossa região”, afirmou Etienne em coletiva de imprensa.

Desafios na distribuição de tratamentos de tuberculose (TB) durante a pandemia foram relatados por 80% dos países da América Latina e do Caribe, o que poderia transformar casos controláveis de TB em infecções ativas.

Da mesma forma, 30% das pessoas que vivem com HIV evitam procurar atendimento e os medicamentos antirretrovirais são limitados. Interrupções nos exames de hepatites, chave para detecção e tratamento, também foram relatadas por um terço dos países.

A diretora da OPAS lembrou que a prevenção e o tratamento de doenças infecciosas foram o ímpeto para a criação da Organização Pan-Americana da Saúde há quase 120 anos e que a região continua “na vanguarda da eliminação de doenças infecciosas”.

De fato, em outubro de 2019, os Estados-membros da OPAS se comprometeram com um enfoque regional para a eliminação de mais de 30 doenças transmissíveis e condições relacionadas nas Américas até 2030.

Mas “o progresso para alcançar este marco está agora ameaçado devido à carga da COVID-19 nos sistemas de saúde e à interrupção dos serviços essenciais, incluindo programas prioritários de controle de doenças, iniciativas de eliminação e imunização de rotina”, observou Etienne.

A pandemia também interrompeu as campanhas de administração de medicamentos em massa que são vitais para os esforços de eliminação “exatamente quando estávamos fazendo um progresso significativo contra doenças tropicais negligenciadas como filariose linfática, esquistossomose e helmintíases transmitidas pelo solo”, pontuou a diretora da OPAS.

A dengue e a malária continuam sendo uma grande carga para os serviços de saúde e, como a COVID-19, têm um impacto desproporcional nas populações pobres e vulneráveis, incluindo as comunidades indígenas, acrescentou.

A diretora da OPAS relevou ainda que, “nos primeiros dois meses de 2020, as Américas relataram um aumento de 139% nos casos de dengue em comparação ao mesmo período de 2019. No entanto, desde que a COVID-19 atingiu nossa região em março, os casos notificados de dengue diminuíram”.

As notificações de doenças transmitidas por mosquitos, como a malária, “caíram mais de 40%, e houve uma redução observada no número de pessoas fazendo o teste. No entanto, sabemos que esses dados não contam a história completa”, disse Etienne.

A diretora da OPAS explicou que, “embora seja verdade que, como muitos de nós estamos presos em casa, estamos menos propensos a ser picados por mosquitos, a realidade é que os mosquitos e os patógenos que eles transmitem ainda estão circulando. E sem testes ou tratamento, os casos graves de doenças transmitidas por mosquitos podem ir de condições facilmente tratáveis à morte”.

Etienne disse que os sistemas de saúde devem tornar mais fácil para os pacientes receber cuidados, “aproveitando a telemedicina e oferecendo cuidados fora dos ambientes hospitalares, por meio de programas de extensão à comunidade e visitas domiciliares, por exemplo”.

Os sistemas de saúde também precisam proteger os profissionais de saúde na linha de frente desta pandemia. “Nossos médicos, enfermeiras e equipe devem ter o equipamento de proteção, suprimentos e tecnologias de que precisam para oferecer cuidados com segurança” e garantir que os pacientes possam continuar a receber atenção médica e os medicamentos para gerenciar com segurança suas condições”.

Mais de 200 venezuelanos em Roraima são atendidos em ação de saúde da OIM

Refugiados e migrantes venezuelanos receberam atendimento de saúde da equipe médica da OIM. Foto: OIM

Com o objetivo de mitigar os impactos da pandemia da COVID-19 e de responder às necessidades de saúde de refugiados e migrantes venezuelanos e de famílias brasileiras vulneráveis, a equipe médica da Organização Internacional para as Migrações (OIM) passou uma semana em Pacaraima (RR). Foram realizados atendimentos nos assentamentos espontâneos, bem como no abrigo institucional indígena da Operação Acolhida.

Mais de 230 atendimentos foram realizados pela equipe que levou três profissionais de saúde até a fronteira do Brasil com a Venezuela. Com a Unidade Móvel de Saúde da OIM que viajou de Boa Vista, os dois médicos acompanhados de um técnico de enfermagem, e apoiados pela equipe administrativa, fizeram atendimentos de atenção primária em diversas localidades.

No abrigo institucional indígena Janokoida foram atendidos, em um dia, mais de 50 idosos, gestantes e crianças da etnia Warao. No assentamento espontâneo Orquídeas, os atendimentos foram realizados com o apoio do Exército nas tendas do Batalhão de Fronteira de Pacaraima.

“Nesse período de pandemia, o desafio aumentou e é cada vez mais importante que as necessidades básicas de saúde das pessoas mais vulneráveis sejam atendidas. A ação também é uma medida importante para mitigar o impacto da COVID-19”, ressaltou a coordenadora de emergência da resposta humanitária da OIM, Lia Poggio.

Nos diferentes locais por onde a equipe de saúde passou, foram realizados testes rápidos para sífilis, HIV, hepatite B e C e COVID-19, além de procedimentos de drenagem e curativos. Exames de pré-natal, como o de detecção dos batimentos cardíacos de bebês com ultrassom, foram feitos com os equipamentos da Unidade Móvel de Saúde. Muitos dos medicamentos prescritos também já eram dispensados diretamente e sem custos.

No abrigo institucional indígena Janokoida foram atendidos, em um dia, mais de 50 idosos, gestantes e crianças da etnia Warao. No assentamento espontâneo Orquídeas, os atendimentos foram realizados com o apoio do Exército nas tendas do Batalhão de Fronteira de Pacaraima.

Durante as consultas, casos de doenças relacionados à falta de água potável e saneamento foram assinalados. Um caso de leishmaniose também feito identificado.

Foto: OIM

“A OIM traz a equipe médica e fornece os medicamentos, além de sempre apoiar nosso trabalho nos abrigos e ocupações espontâneas em Boa Vista e agora em Pacaraima”, comentou a médica do Ministério Público e Tribunal de Justiça, Mariângela Nazário Andrade, que esteve no primeiro dia de atividades e atua em parceria com a Operação Acolhida acompanhando e avaliando a situação dos refugiados e migrantes em Roraima.

Há seis meses no Brasil, o venezuelano Ramon J. Z. mora na Vila Esperança e foi um dos moradores a se consultar: “Todos os cuidados dos médicos da OIM dão um sentimento de valorização para nós que somos migrantes e estamos em busca de uma vida melhor”.

A iniciativa de atender durante vários dias a população vulnerável no município de Pacaraima partiu de uma primeira ida ao local em conjunto com a Operação Acolhida. À ocasião, foi feita uma avaliação das necessidades das comunidades e elaborado um plano de ação prevendo o retorno da equipe médica.

“Este é mais um trabalho que está sendo desenvolvido dentro dessa sinergia de cooperação entre a OIM e a Operação Acolhida. Vemos aqui uma ação que começa para mitigar os efeitos colaterais, mas também pensando em uma solução a longo prazo”, destacou o Coordenador Operacional da Operação Acolhida e Comandante da Força-Tarefa Logística Humanitária, General Manoel de Barros, presente nas atividades na Vila Esperança no primeiro dia do mutirão.

Estas ações em promoção da saúde são realizadas com o apoio financeiro do Governo do Japão e do Canadá. O intuito é garantir assistência humanitária nas áreas de atenção primária à saúde por meio do suporte assistencial em saúde a venezuelanos e à população do estado. As atividades são alinhadas e executadas em consonância com o Sistema Único de Saúde do Brasil.

OMS cita sinais de esperança no combate à pandemia de COVID-19

Proteções de acrílico foram instalados para garantir o distanciamento social em um hospital em Bangkok, Tailândia. Foto: Alin Sirisaksopit /OIT

Embora o número de casos da COVID-19 esteja próximo de atingir 20 milhões no mundo esta semana e 750.000 mortes, o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou sinais de esperança em meio à crise global. Mas instou governos e pessoas para continuarem trabalhando para suprimir o novo coronavírus.

“Sei que muitos de vocês estão de luto e que este é um momento difícil para o mundo”, disse o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (10).

“Mas gostaria de deixar claro que há sinais de esperança, não importando aonde esteja o país, a região, a cidade ou a vila – nunca é tarde para reverter o surto ao redor”.

Tedros destacou dois elementos para responder a pandemia de forma eficaz: “os líderes devem intensificar a ação e os cidadãos devem adotar novas medidas”.

O chefe da OMS elogiou a Nova Zelândia como um “exemplo global” na pandemia. Neste fim de semana o país celebrou 100 dias sem transmissão comunitária do vírus. Ainda assim, a primeira-ministra Jacinda Adern destacou a necessidade de a população manter-se cautelosa.

Tedros também mencionou a situação de Ruanda: “o progresso do país se deve a uma combinação semelhante de liderança forte, cobertura universal de saúde, profissionais de saúde bem apoiados e comunicações claras de saúde pública”.

O chefe da OMS também elogiou as nações do Sudeste Asiático, Caribe e Pacífico, que tomaram medidas precoces para suprimir o vírus.

Países como França, Alemanha, República da Coréia, Espanha, Itália e Reino Unido, que enfrentaram grandes surtos, também foram capazes de suprimir o vírus de forma significativa, depois que agiram.

Medidas fortes e precisas

Durante toda a pandemia, a OMS recomendou medidas como identificação rápida de casos, rastreamento de contato, distanciamento físico, uso de máscara e lavagem frequente das mãos.

Tedros disse que os países que enfrentam novos picos da doença “agora têm todas as ferramentas disponíveis”.

Ele citou medidas recentemente implementadas no Reino Unido para ficar em casa, bem como a decisão da França sobre o uso obrigatório de máscaras em espaços ao ar livre movimentados em Paris.

“Medidas fortes e precisas como estas, combinadas ao uso de todas as ferramentas disponíveis, são fundamentais para prevenir qualquer ressurgimento da doença e permitir que as sociedades sejam reabertas com segurança”, disse ele. “E mesmo em países onde a transmissão é intensa, ela pode ser controlada através de uma resposta do governo e de toda a sociedade”.

“Suprimir, suprimir e suprimir”

O chefe da OMS enfatizou que a supressão do vírus é crucial para que as sociedades se reabram com segurança, inclusive para que os alunos voltem às aulas.

“Minha mensagem é clara: suprimir, suprimir e suprimir o vírus. Se suprimirmos o vírus de forma eficaz, poderemos abrir sociedades com segurança”, disse ele.

Apoio ao Líbano

A OMS destacou seu apoio ao Líbano após a explosão devastadora na semana passada, que destruiu grande parte da capital, Beirute, deixando cerca de 200 mortos, mais de 6.000 feridos e centenas de milhares desabrigados.

A OMS lançou um apelo de US$ 76 milhões para o Líbano, enquanto a equipe está trabalhando ao lado dos libaneses e de outros parceiros da ONU para avaliar o impacto no setor da saúde.

A agência está enviando US$ 1,7 milhão de itens de equipamentos de proteção individual (EPI) para ajudar na resposta à COVID-19, além de suprimentos humanitários que foram destruídos pela explosão.

“Nós também estamos trabalhando em estreita colaboração com as autoridades nacionais de saúde para melhorar o atendimento ao trauma, inclusive por meio da implantação e coordenação de equipes médicas de emergência qualificadas”, disse Tedros.

“Nós estamos mitigando o impacto da COVID-19, atendendo às necessidades psicossociais e ajudando a restaurar com rapidez as unidades de saúde que foram danificadas”, explicou o chefe da OMS.

Especialistas reúnem propostas para combater violência de gênero no Brasil durante a pandemia

Policial apoia mulher vítima de violência doméstica. Foto: Jackson Cardoso

Policial apoia mulher vítima de violência doméstica. Foto: Jackson Cardoso

Com o intuito de discutir propostas e promover o fortalecimento da sociedade civil na prevenção e resposta à violência baseada em gênero no Brasil, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) promoveu na semana passada (6) a quarta reunião com organizações da sociedade civil da região Nordeste.

No encontro, as organizações discutiram a repercussão da Carta pela Vida das Mulheres, documento no qual pedem medidas de proteção às mulheres em risco de violência do Nordeste. A carta, que está recolhendo assinaturas de adesão na Internet, aponta para o risco de aumento da violência doméstica durante a quarentena.

Os encontros virtuais, denominados Sala de Situação, são um espaço de diálogo e coordenação de ações da sociedade civil na resposta à violência baseada em gênero.

Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Bruna G. Benevides, secretária de Articulação Política da ANTRA, foram convidadas para falar sobre os indicadores de violência doméstica durante a pandemia da COVID-19 no Brasil.

Bueno lembra que os números de violência doméstica registrados nas delegacias caíram durante os meses de março a maio deste ano. “No período da pandemia de COVID-19, a gente percebe que os números de registros de violência doméstica feitos nas delegacias caíram sensivelmente. Mas, esses números geram uma certa desconfiança, pois será que a violência está caindo ou está caindo porque mulheres estão com dificuldades de acessar os equipamentos públicos?”

A diretora-executiva do Fórum complementa: “quem trabalha no dia a dia tem a impressão de que a violência não caiu, muito pelo contrário, os casos que estão chegando, são casos com violência ainda mais intensa e os registros de feminicídio não estão caindo”.

“Isso é muito preocupante, porque as delegacias são a principal porta de entrada para solicitação da medida protetiva de urgência.”

Confira abaixo, a tabela apresentada dos registros de violência doméstica de alguns estados do Brasil:

Os indicadores apresentados por Bueno excluem casos ocorridos com mulheres trans, pois os boletins de registro não fazem diferenciação por identidade de gênero.

Diante disso, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) realiza um monitoramento e publica anualmente um documento sobre assassinatos e violência contra travestis e transexuais brasileiras.

Bruna G. Benevides, secretária de Articulação Política da ANTRA, explicou a forma de catalogação dos dados utilizados no documento.

“Mesmo por meio da Lei de Acesso à Informação, nós não temos uma resposta, e a gente já enfrenta esse primeiro entrave na busca de dados, por isso, realizamos a metodologia de busca dos casos a partir das notícias publicadas na mídia.”

A secretária de Articulação Política da ANTRA propõe uma formação mais eficaz para agentes de polícia. “A formação dos agentes é urgente, mas não deve ser uma formação apenas para ensinar conceitos ou para preencher [a identidade de gênero no BO], mas também deve fazer um enfrentamento eficaz e efetivo contra a LGBTfobia, especialmente a transfobia institucional porque a violência e a discriminação fazem parte da estrutura da nossa sociedade.”

Bruna Benevides também observa a importância de se ter um marcador identitário de gênero em boletins de ocorrência.

“Quando existe apenas o sexo feminino e masculino nos boletins, pode acontecer um processo de invisibilização quando se tem o documento retificado, pois mulheres trans passam a ser vistas também como mulheres cisgêneras, por isso que é importante insistirmos neste marcador para que possamos entender essa dinâmica de violência contra pessoas trans.”

Próximos encontros

Para dar prosseguimento, mais encontros virtuais da Sala de Situação de Violência Baseada em Gênero serão realizados durante o ano para o aprofundamento do tema e realização de possíveis ações de advocacy.

A sala de situação baseia-se no Plano de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento e também nas metas do Fundo de População das Nações Unidas para alcançar três zeros até 2030: zero necessidades insatisfeitas de contracepção, zero mortes maternas evitáveis e zero violências ou práticas nocivas contra mulheres e meninas.

Clique aqui para conferir a última edição da publicação lançada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública sobre Violência Doméstica Durante Pandemia de COVID-19.

Confira os documentos produzidos pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA): https://antrabrasil.org/assassinatos/

Cidades serão determinantes para a recuperação verde no pós-pandemia

A recuperação pós COVID-19 oferece uma oportunidade para as economias voltadas para o futuro, ajudando as cidades a limparem o ar atmosférico, criarem espaços abertos naturais e adotarem soluções que reduzam a emissão de carbono e o uso de recursos naturais. Foto: Pxfuel / DMCA

As cidades abrigam 55% da população mundial, condensando muitas pessoas em um mesmo lugar. Não é de se estranhar que elas sejam as áreas mais afetadas pela COVID-19: estima-se que 90% de todos os casos relatados do coronavírus tenham ocorrido nestas regiões.

No entanto, a concentração de pessoas também torna esses locais essenciais para vencer a luta pela recuperação verde no pós-pandemia – importante para reduzir o risco de futuras pandemias e combater as mudanças climáticas.

As cidades são terrenos férteis para novas ideias e lugares onde muitas técnicas inovadoras para reduzir as mudanças climáticas, a poluição, o uso de recursos e a perda de biodiversidade estão tomando forma.

Antes da COVID-19, muitas já haviam adotado a agricultura urbana, a mobilidade elétrica, os meios de transporte não motorizados e exploravam opções como edifícios de zero carbono, energia distrital, sistemas de energia renovável descentralizados, soluções baseadas na natureza e projetos de recuperação.

De fato, os trilhões de dólares que serão investidos em pacotes de recuperação pós COVID-19 podem acelerar esses desenvolvimentos.

“Ao respondermos à pandemia e trabalharmos pela recuperação, consideramos nossas cidades como hubs de comunidade, inovação e engenhosidade”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, no lançamento de um resumo de políticas sobre a COVID-19 em áreas urbanas. “Agora é a hora de nos recuperarmos melhor, construindo cidades mais resilientes, inclusivas e sustentáveis”.

Economias preparadas para o futuro

A recuperação pós COVID-19 oferece uma oportunidade para as economias voltadas para o futuro, ajudando as cidades a limparem o ar atmosférico, criarem espaços abertos naturais e adotarem soluções que reduzam a emissão de carbono e o uso de recursos naturais, bem como os impactos relacionados aos ecossistemas, ao mesmo tempo em que geram novos empregos.

É fundamental focar no planejamento e design urbanos para criar cidades estrategicamente densas e conectar as residências aos meios de transportes e ao planejamento energético, além de combinar infraestruturas cinza, azul e verde para aproveitar os benefícios das soluções baseadas na natureza.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) defende uma abordagem integrada que conecte natureza, clima e uso da terra nas cidades. Além disso, o PNUMA é a agência implementadora do Programa de Impacto em Cidades Sustentáveis do GEF-7 (GEF-7 Sustainable Cities Impact Program, em inglês), uma plataforma global para a instalação de desenvolvimentos urbanos sustentáveis do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

Por meio desse projeto, o PNUMA, juntamente com o Grupo de Liderança Climática das Grandes Cidades C40, o World Resources Institute (WRI) e a associação Governos Locais pela Sustentabilidade (ICLEI), vão trabalhar com várias áreas urbanas, como Freetown (capital da Serra Leoa), para avançar nas abordagens integradas, que também incluem soluções baseadas na natureza.

O PNUMA também está trabalhando com o ICLEI, através do Centro de Biodiversidade de Cidades (CBC), para apoiar a governança multinível, a fim de ver as pessoas e a natureza coexistindo em harmonia nas cidades e arredores.

“Precisamos lutar por uma recuperação econômica mais verde, resiliente e inclusiva”, disse Guterres. “Ao focar em transformação ecológica e criação de empregos, os pacotes de estímulo podem nos direcionar para um caminho mais resiliente e de baixo carbono, ajudando-nos a avançar rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.

Mudança climática: a próxima ameaça

Para evitar maiores problemas, é necessário agir logo. No momento, a COVID-19 pode estar roubando os holofotes, mas as mudanças climáticas estão aguardando nos bastidores.

As cidades costeiras já estão sofrendo com eventos relacionados à mudança climática, como inundações, erosão costeira, elevação do nível do mar e eventos climáticos extremos. Além disso, as áreas urbanas sofrem mais com altas temperaturas do que as não urbanas.

Atualmente, cerca de 200 milhões de habitantes de mais de 350 cidades experimentam temperaturas superiores a 35°C no verão (95°F). Até 2050, prevê-se que o número de cidades afetadas cronicamente pelo estresse térmico aumente para 970. Todos esses fatores representam graves ameaças à saúde, meios de subsistência e economias em geral.

Contudo, ao mesmo tempo em que as cidades são vulneráveis ​​às mudanças climáticas, elas também são responsáveis por cerca de 75% das emissões globais de dióxido de carbono. Isso significa que a transição pela descarbonização é de responsabilidade dos prefeitos e vereadores. Mais de 70 cidades grandes se comprometeram com a neutralização do carbono até 2050 – o que representa 425 milhões de pessoas.

No entanto, isso é apenas o começo, pois estima-se que cerca de 227 cidades são responsáveis por produzir mais de 10 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C, é preciso reduzir em cinco vezes essas emissões.

Mas, como as cidades já têm o costume de se reinventar, isso é possível. Por exemplo, pandemias anteriores também trouxeram respostas inovadoras, como a introdução dos sistemas de esgoto, os parques públicos e a regulamentação habitacional para melhorar o saneamento e reduzir a superlotação.

Conectando natureza, clima e uso da terra

O Parque Centenário da Universidade Chulalongkorn de Bangcoc é um bom exemplo que combina estratégias baseadas na natureza com objetivos que promovam a saúde, a resiliência urbana e o clima. Seu design inovador reduziu o risco de inundações, através da absorção e armazenamento de água, que é posteriormente usada para a irrigação nos períodos de seca.

Enquanto isso, Medellín, na Colômbia, adotou a natureza como uma solução para a refrigeração do ar atmosférico, através do projeto “Corredores Verdes”, que transformou 18 estradas e 12 vias fluviais em paraísos verdes e de sombra fresca. O projeto reduziu a temperatura da cidade em 2-3°C, melhorando a qualidade do ar e ajudando a biodiversidade.

Através da governança multinível na tomada de decisões, cidades e nações estão cada vez mais unidas pela recuperação socioeconômica. Ministros e prefeitos se reuniram recentemente para acelerar a ação climática em um evento organizado pelo PNUMA, juntamente com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a ONU-Habitat, o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia, o ICLEI e a organização Cidades e Governos Locais Unidos (UCLG).

Mais de 300 participantes – incluindo ministros da Itália, Indonésia, Costa do Marfim, Etiópia, África do Sul e Chile, bem como mais de 25 prefeitos e governadores – discutiram a coordenação de ações para combater as mudanças climáticas, especialmente em setores-chave, como construção civil, transporte, agricultura e gestão de resíduos.

Pacotes de estímulo “verdes”

Como todos os níveis de governo estarão planejando a recuperação socioeconômica das nações, pacotes de estímulo poderiam apoiar a transição rumo à descarbonização. O investimento urbano pode gerar cidades mais compactas, integradas e de uso misto, que reduzam a distância entre locais de trabalho e de residência.

Revitalizar espaços verdes, repensar a mobilidade urbana, promover o uso de transporte público e não motorizado e investir na reforma de prédios para reduzir as desigualdades são formas de melhorar o bem-estar e de criar mais empregos.

“As cidades estão tanto na linha de frente dos impactos das mudanças climáticas, quanto das soluções”, disse a diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen. “Cidades sustentáveis beneficiam nossa saúde, ajudam na mitigação e adaptação do clima e ainda geram empregos”.

Evento online discute boas práticas regulatórias e investimentos em infraestrutura

Foto: Ministério da Infraestrutura/Alberto Ruy

A Controladoria-Geral da União (CGU), o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) e a Associação Brasileira de Agências de Regulação (ABAR) promovem na semana que vem (20) o evento virtual “Encontro sobre Boas Práticas Regulatórias e Investimentos em Infraestrutura”.

O objetivo é discutir a importância da adoção de boas práticas em setores regulados de infraestrutura.

Na ocasião, será apresentado o projeto “Avaliação da Capacidade Institucional para Regulação”, que visa obter um diagnóstico sobre a adoção de boas práticas regulatórias em âmbito nacional.

O evento será transmitido pela plataforma Teams, das 14h30 às 15h30 (horário de Brasília). A participação é gratuita e não há necessidade de inscrição prévia.

Voltado para agentes públicos dos órgãos de controle e das agências reguladoras, o encontro discutirá como tais instituições podem atuar para a melhoria da regulação no Brasil, de forma a contribuir com o aumento de investimentos em infraestrutura e o desenvolvimento socioeconômico do país.

O encontro terá a participação de representantes das três entidades promotoras do evento: secretário Federal de Controle Interno da CGU, Antonio Carlos Bezerra Leonel; representante do UNOPS no Brasil, Claudia Valenzuela; presidente da ABAR, Fernando Alfredo Rabello Franco; entre outros.

Entre os temas que serão debatidos estão o cenário desafiador para o aumento dos investimentos em infraestrutura; boas práticas regulatórias e gestão pública equitativa; e a importância da adoção de boas práticas regulatórias para o fortalecimento das agências reguladoras.

Maioria dos indígenas venezuelanos no Maranhão migrou em busca de trabalho e reunificação familiar

Indígenas venezuelanos da etnia warao e eñepas em abrigo em Boa Vista, Roraima. Foto: OIM

Indígenas venezuelanos da etnia warao e eñepas em abrigo em Boa Vista, Roraima. Foto: OIM

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) lança na quinta-feira (13) em seminário online uma pesquisa que traça o perfil e traz dados sobre a integração socioeconômica de indígenas venezuelanos Warao que chegaram ao Maranhão.

Realizada em parceria com o governo do estado e o Ministério da Cidadania, esta é a primeira Matriz de Monitoramento de Deslocamento (DTM) no Brasil dedicada exclusivamente a povos indígenas.

O estudo apresenta uma fotografia inédita do perfil do povo Warao em deslocamento pelas cidades de São Luis, Imperatriz e São José do Ribamar. Os Warao são hoje o principal contingente de refugiados e migrantes indígenas que chegam da Venezuela ao Brasil.

Uma das conclusões da pesquisa foi a de que a maioria dos indígenas venezuelanos no Maranhão migrou em busca de trabalho e reunificação familiar.

De acordo com dados compilados pela Plataforma R4V, mais de 5 mil indígenas venezuelanos chegaram ao país desde 2016 pela fronteira norte, sendo que aproximadamente 65% deles são da etnia Warao. Na Venezuela, a estimativa é de que sejam mais de 50 mil indígenas dessa etnia.

A população Warao está presente nas cinco regiões do país, mas até hoje poucas iniciativas buscaram conhecer o perfil desses indígenas em deslocamento e nenhuma havia focado sua chegada ao Maranhão.

“A produção de informações sobre o perfil dos indígenas Warao é fundamental para que o governo e as organizações envolvidas na acolhida possam tomar decisões baseadas em evidências. Para OIM, conhecer esses dados é poder trabalhar mais perto da realidade encontrada em campo”, ressalta a coordenadora de projetos da OIM, Natália Maciel, quem irá mediar o seminário de quinta-feira.

“No Maranhão, optamos pelo caminho do acolhimento e da promoção de direitos. Os desafios são imensos, mas contamos com o apoio de instituições mais experientes para lidar com este público e, desde 2019, temos buscado parcerias para garantir a dignidade dos refugiados que chegam ao estado, como a OIM”, destaca o secretário de Direitos Humanos e Participação Popular do Maranhão, Francisco Gonçalves, que também estará presente no evento online.

Além da Secretária de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular do Maranhão (SEDIHPOP), participam do lançamento o Centro de Cultura Negra do Maranhão, responsável pelo atendimento a migrantes em São Luís, a Prefeitura de São Luís, a diretoria de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e representantes dos ministério da Cidadania e da Família, Mulher e Direitos Humanos do governo federal.

A DTM indígena no estado do Maranhão foi realizada no mês de março e contou com uma amostra de 112 pessoas, divididas em 26 famílias. Foram capacitados pela OIM para aplicação da pesquisa 29 servidores da SEDIHPOP e da Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social do Município de São Luís (SEMCAS).

No Brasil, a DTM é aplicada desde março de 2018. As setes edições realizadas no país cobriram principalmente o movimento de venezuelanos que chegavam ao estado de Roraima, produzindo informações relevantes sobre o perfil e as necessidades dessa população, facilitando a execução da acolhida emergencial humanitária e o desenho de políticas públicas de proteção e integração.

A DTM é uma ferramenta desenvolvida pela OIM em 2004 e originalmente utilizada para monitorar deslocamentos de migrantes no Iraque. Desde então, a ferramenta já foi aplica com sucesso em 55 países ao redor do mundo.

A realização da DTM no Brasil faz parte da estratégia da OIM para apoiar o país na acolhida e integração dos refugiados e migrantes que chegam da Venezuela e conta com o apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América.

Clique aqui para acessar o documento.

Serviço

Seminário de lançamento da Matriz de Monitoramento de Deslocamento (DTM) da População Warao

Data: 13/8

Horário: 14h

Transmissão: www.facebook.com/OIMBrasil e Rádio Timbira: 1290 AM

ACNUR registra 134 mil refugiados e migrantes da Venezuela no Brasil

A venezuelana Angela e dois de seus netos no Abrigo Rondon 3, com documentos de identificação obtidos por meio do serviço de registro do ACNUR. Foto: Lucas Ferreira/ACNUR

O registro e a documentação das pessoas que fogem de guerras, conflitos políticos e perseguições nos países que as recebem são de extrema importância para assegurar sua proteção e acesso a serviços.

A proteção de um refugiado, portanto, começa com seu registro e esta é uma das principais atividades da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em apoio às ações realizadas pelo governo do Brasil, no contexto do fluxo de refugiados e migrantes da Venezuela para o país.

Angela*, venezuelana de 59 anos, e sua família (seis netos e um sobrinho) chegaram ao Brasil em 2019, ficando em situação de rua por dois meses em Boa Vista, capital do Estado de Roraima. Identificada como um caso de extrema vulnerabilidade, sua família foi registrada pelas equipes do ACNUR e encaminhada para o Rondon 3 – um dos abrigos da Operação Acolhida, resposta humanitária do governo brasileiro ao fluxo de venezuelanos apoiada pelo ACNUR, outras agências da ONU e organizações da sociedade civil.

“No abrigo, sinto-me mais protegida e há mais segurança para meus netos. Sinto que minhas crianças estão seguras aqui”, afirmou Angela. “Fizemos o registro com o ACNUR, e isso nos ajudou a obter CPF, carteira de trabalho e documentos para as crianças”.

Com doações à operação do ACNUR no Brasil, o governo do Japão tem ajudado a garantir a proteção de refugiados e migrantes da Venezuela financiando a doação de itens básicos, abrigamento, atividades de integração e de registro, que é uma ferramenta fundamental de proteção às populações deslocadas e em vulnerabilidade.

Ao desempenhar estas frentes de trabalho, o ACNUR contribui com os três principais eixos de atuação da Operação Acolhida: ordenamento da fronteira, abrigamento e interiorização. No que se refere ao registro, esta atividade do ACNUR apoia diretamente o Sistema Acolhedor, que é a plataforma oficial da Operação para coletar e analisar informações referentes a refugiados e migrantes venezuelanos no Brasil.

No Brasil, a equipe de registro trabalha nas cidades de Pacaraima, Boa Vista e Manaus. De 2018 a junho de 2020, mais de 134 mil venezuelanos foram registrados pelo ACNUR. Os dados são do Relatório Mensal de Registro e Abrigamento em Roraima de junho, mês que contabilizou 812 novos registros de pessoas da Venezuela. Com a fronteira fechada por conta da pandemia da COVID-19, o ACNUR segue registrando a população venezuelana que já está no Brasil e ainda não foi identificada.

Para o representante do ACNUR no Brasil, Jose Egas, o registro é uma ferramenta essencial de proteção. “Ao realizar o monitoramento de fronteira, registrar e identificar quem foi forçado a deixar seu país de origem, é possível compreender melhor as necessidades das pessoas que entram no território brasileiro, facilitando assim a resposta humanitária e o acesso a serviços básicos”.

Funcionária do ACNUR faz sinal positivo ao concluir registro de venezuelano na base de dados da organização. Foto: Lucas Ferreira/ACNUR

A atividade de registro ganha ainda mais relevância como ferramenta de proteção fundamental no atual contexto de pandemia da COVID-19, já que possíveis vulnerabilidades precisam ser mais rapidamente identificadas e atendidas.

“A partir do registro, é possível encaminhar as pessoas mais vulneráveis para redes locais de proteção e assistência. Saber se há crianças desacompanhadas, mulheres solteiras chefes de família, pessoas com graves problemas de saúde, deficiências físicas, entre outros, ajuda na organização da resposta humanitária, para que esta seja mais efetiva”, explicou o representante do ACNUR.

Todo dado coletado irá ajudar as outras áreas do ACNUR, o governo brasileiro e as organizações parceiras preparem ações para dar a melhor assistência a essas pessoas, principalmente em casos de necessidades especiais e urgentes.

Segundo o representante do ACNUR, Jose Egas, o registro do ACNUR complementa o Sistema Acolhedor, especialmente com informações sobre as necessidades de proteção física e legal de refugiados e migrantes venezuelanos. “Adicionalmente, continuaremos produzindo relatórios específicos para que a Operação Acolhida e seus parceiros tenham acesso ao número e ao perfil das pessoas abrigadas”.

Agora, Angela pensa na estratégia de interiorização da Operação Acolhida, que realoca refugiados e migrantes venezuelanos de Roraima para outros estados do país, como um opção para sua família se estabelecer no Brasil. “Para meu futuro, espero ir para São Paulo ou Santa Catarina, já que tenho família nestes estados, onde também há mais trabalho para que meus netos cresçam com mais oportunidades”.

Apoio japonês

O governo do Japão vem apoiando a resposta humanitária brasileira desde o ano passado. Em junho de 2019, doou US$ 3,7 milhões ao ACNUR e outras três agências da ONU (OIM, OPAS/OMS e UNICEF) para fortalecer as atividades voltadas à proteção de refugiados e migrantes da Venezuela e fortalecimento das comunidades de acolhida no Brasil. Entre as atividades financiadas estavam registro e documentação, fortalecimento de capacidades locais em saúde mental e atenção psicossocial, serviços de saúde e proteção de crianças.

Em 2020, uma nova doação de US$ 2,5 milhões foi feita exclusivamente ao ACNUR Brasil, visando o fortalecimento das ações de abrigamento, integração, assistência básica e proteção da população venezuelana em situação de vulnerabilidade.

Abrigo e interiorização

O Relatório Mensal de Registro, Abrigamento e Interiorização em Roraima de junho aponta que naquele mês foram realizados 448 novos abrigamentos em Roraima. Ao final do junho, o total da população venezuelana abrigada no estado era de 5.690 pessoas, entre refugiados e migrantes indígenas e não indígenas.

O monitoramento traz em destaque 29 atividades realizadas em 13 abrigos e num espaço emergencial da Operação Acolhida no estado, entre ações de prevenção à COVID-19, participação comunitária na gestão do abrigo, distribuição de doações e comemorações do Dia Mundial do Refugiado (20 de junho).

A edição de junho é a primeira do relatório que traz dados sobre a Estratégia de Interiorização do Governo Federal, que conta com o apoio do ACNUR, outras agências das Nações Unidas e organizações da sociedade civil. Mais de mil venezuelanos foram interiorizados naquele mês, sendo a maior parte deles por reunificação social (quando amigos recebem os refugiados e migrantes em suas casas nas cidades de destino).

Segundo dados disponibilizados pela Operação Acolhida, por intermédio do sistema Acolhedor, no total, 38 mil venezuelanos já se beneficiaram pela estratégia de interiorização desde 2018, saindo de Roraima para mais de 570 municípios de 26 estados brasileiros mais o Distrito Federal.

*O nome foi alterado por motivos de proteção

UNESCO manifesta preocupação com grande número de incêndios no Pantanal

O pantanal é uma das seis Reservas da Biosfera localizadas no Brasil. Foto: Flickr/Denis Gustavo

O pantanal é uma das seis Reservas da Biosfera localizadas no Brasil. Foto: Flickr/Denis Gustavo

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), por meio do Centro do Patrimônio Mundial (WHC) e do Programa O Homem e a Biosfera (MAB), disse observar com atenção e preocupação o grande número de incêndios têm atingido a região ecológica do Pantanal nas últimas semanas.

Segundo informações prestadas por especialistas e bombeiros do local, bem como dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), várias dezenas de milhares de hectares deste território (equivalente a oito vezes a área da cidade de São Paulo) têm sido destruídas como resultado de incêndios desde julho.

A UNESCO afirma que, de acordo com as informações disponíveis, alguns desses incêndios podem estar ocorrendo no sítio do Patrimônio Mundial “Área de Conservação do Pantanal” e na Reserva da Biosfera do Pantanal, ou em áreas ao seu redor.

O WHC da UNESCO e o secretariado do Programa MAB elogiaram os esforços das autoridades competentes para lidar com a situação e disseram estarem prontos para mobilizar apoio técnico e financeiro.

“É importante fazer tudo o que for humanamente possível para superar este flagelo que ameaça a biodiversidade daquela que é também a maior zona úmida do planeta”, afirmaram o diretor do WHC, Mechtild Rössler, e o secretário do MAB, Miguel Clüsener-Godt.

O Pantanal se estende principalmente pelos estados brasileiros de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, e pelos territórios da Bolívia e do Paraguai.

Em 2000, parte dessa região ecológica, a chamada “Área de Conservação do Pantanal”, que representa 1,3% do Pantanal brasileiro, foi inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. No mesmo ano, 26,4 milhões de hectares foram designados Reserva da Biosfera da UNESCO.

Terceira maior reserva da biosfera do mundo, a Reserva da Biosfera do Pantanal abriga uma diversidade de flora e fauna particularmente valiosa, contendo pelo menos 4,7 mil espécies descritas. Além disso, quase 2 milhões de pessoas vivem no sítio do Patrimônio Mundial e na Reserva da Biosfera.

OIM apoia plano de políticas para imigrantes da Prefeitura de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo lança nesta terça-feira (11) o I Plano Municipal de Políticas para Imigrantes (PPI) elaborado em conjunto por migrantes e poder público, com o apoio técnico da Organização Internacional para as Migrações (OIM) e do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), por meio de sua Coordenação de Políticas para Imigrantes e Promoção do Trabalho Decente (CPMigTD), junto ao Conselho Municipal de Imigrantes (CMI), conduziu os trabalhos.

A apresentação será realizada em cerimônia online pelas redes sociais da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania do município São Paulo, a partir das 19h.

“Há anos São Paulo vem demonstrando que é possível e necessário um município se engajar ativamente na política migratória, tendo as pessoas migrantes como centro das políticas públicas locais, e o faz de forma participativa e transparente”, destaca o coordenador de projetos da OIM e do escritório da Organização em São Paulo, Guilherme Otero.

“O 1º Plano Municipal é abrangente e ambicioso, mas estamos seguros de que o poder público e a sociedade civil têm condições de implementá-lo, assim como têm feito nos últimos anos. A OIM está muito satisfeita de ter contribuído com este processo, e seguiremos apoiando a cidade e sua população migrante na execução deste Plano”, complementa Otero.

O Plano reflete a vocação da capital paulista de acolher pessoas originárias de diversos países do mundo e o seu pioneirismo na aprovação de uma política municipal voltada para esse fim, sendo a primeira cidade brasileira a adotar uma iniciativa desse gênero.

O documento foi estruturado a partir das resoluções da 2ª Conferência Municipal de Políticas para Imigrantes, realizada em novembro do ano passado, com o Conselho Municipal de Imigrantes, que teve a participação de 800 pessoas. Trata-se de um importante instrumento de planejamento de ações concretas por parte da administração pública municipal para a população imigrante na cidade para os próximos quatro anos.

Ele contempla ações que devem ser implementadas em áreas como assistência social e  habitação, valorização e incentivo à diversidade cultural, proteção aos direitos humanos, combate à xenofobia, racismo e intolerância religiosa, mulheres e população LGBTI+, trabalho decente, educação integral, ensino da língua portuguesa, acesso à saúde, lazer e esporte, entre outras.

O PPI é consequência direta dos avanços verificados ao longo da implementação da Política Municipal para a População Imigrante, instituída pela Lei Municipal 16.478/2016 e regulamentada pelo Decreto Municipal 57.533/2016. Essa política pública foi elaborada de forma participativa e transversal por meio de um Comitê Intersetorial, composto por 13 secretarias municipais.

Como um dos resultados de sua implementação, a cidade de São Paulo conta hoje com o CMI – órgão consultivo composto de forma paritária pela sociedade civil (incluindo representantes imigrantes) e poder público e vinculado à SMDHC. Esse conselho participa da formulação, implementação, monitoramento e avaliação das medidas implementadas no município em benefício da comunidade imigrante de São Paulo.

Atualmente, mais de 360 mil pessoas imigrantes de cerca de 200 nacionalidades vivem em São Paulo, contribuindo com a construção das pluralidades que formam o território da cidade.

Serviço

Lançamento Plano Municipal de Políticas para Imigrantes (PPI)

Data: 11 de agosto

Horário: 19h

#MeuFuturoDoTrabalho: Uma conversa online sobre emprego juvenil na América Latina e no Caribe

No Dia Internacional da Juventude (12 de agosto) em tempos de pandemia, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nas Américas e no Brasil convida para uma conversa virtual importante para o futuro das sociedades na América Latina e no Caribe sobre o emprego das/dos jovens e suas oportunidades de trabalho decente.

A conversa online será realizada na quarta-feira (12), às 18h (horário de Brasília) com tradução em três idiomas (espanhol, inglês e português). Inscreva-se o quanto antes – pois as vagas são limitadas – pelo seguinte link: https://zoom.us/webinar/register/WN_pWHVMr1mRTyIbZF9oJRM-Q

Como as/os jovens enxergam seu futuro do trabalho? Como as/os jovens foram afetados pela COVID-19? Quais são os principais desafios que as/os jovens enfrentam no mundo pós-COVID-19? Quais ferramentas e habilidades as/os jovens precisam ter para sobreviver à crise? Como podemos construir um normal melhor que inclua as/os jovens e que promova seu enorme potencial?

Essas são algumas perguntas que buscaremos responder como parte da estratégia para enfrentar uma crise sem precedentes na região.

Apresentação

Sigrid Bazán, moderadora, Peru.
Vinícius Pinheiro, diretor da OIT para a América Latina e o Caribe.

Painelistas

Alice Caymmi, cantora e compositora, Brasil.
Jameela Hollingsworth, representante do Conselho de Desenvolvimento da Juventude, Barbados.
Santiago Cano, Global Shaper – One Young World, Colômbia.
Marysol Rodriguez, União Industrial Argentina (UIA) Jovem, Argentina.
Gustavo Padua, presidente do Comitê da Juventude Trabalhadora das Américas (CJTA), Brasil.
Max Trejo, secretário-geral da Organização Internacional da Juventude para Iberoamérica (OIJ).

As consequências desta crise acompanharão as/os jovens nos próximos anos. Elas e eles correm o risco de se tornar uma “geração de confinamento”, caracterizada pela interrupção de programas educacionais, pela perda de empregos, pela falência de empreendimentos e pela queda de renda. Mas também é o momento de responder aos desafios, criar novas oportunidades e tornar as/os jovens a força motriz de uma nova sociedade.

O diálogo regional da OIT neste Dia Internacional da Juventude com e para as/os jovens buscará:

Debater o futuro do trabalho das e dos jovens no “#pósCOVID19.
Explorar alternativas de políticas públicas: o que pedem as/os jovens.
Boas práticas: o que funciona para as/os jovens.
Habilidades de amanhã: educação e treinamento para um mundo sustentável.
Empreendimento e empoderamento: o futuro é das/dos jovens.
Diálogo social: como construir um futuro possível.

Mande a sua opinião também!

Diga-nos: O que você deseja para o seu futuro do trabalho pós-COVID-19? Quais os desafios?

Publique sua resposta na forma de um vídeo de até 30 segundos ou um texto curto no Twitter, Instagram ou Facebook com a hashtag #MeuFuturoDoTrabalho. E nós publicaremos em nossas redes sociais.

Saiba mais sobre o evento: https://bit.ly/2CildSZ

 

ONU-Habitat apoia concurso para casas e cidades saudáveis no Rio Grande do Sul

As inscrições do concurso para a categoria profissional vão até o dia 30/08 e para a categoria estudantes até o dia 31/08. Foto: CAU/RS

O Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) está apoiando institucionalmente o Concurso de Ideias “Casa Saudável – Cidade Saudável”, promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul, como parte do pacote de medidas do conselho para responder à pandemia da COVID-19.

O Concurso de Ideias é uma oportunidade para a criação, inovação e propostas de soluções para o enfrentamento da pandemia, com o objetivo de promover uma sociedade mais saudável e segura. A iniciativa busca envolver profissionais e estudantes da Arquitetura e Urbanismo, promover a valorização profissional e também servir como uma resposta à redução da atividade econômica resultante da pandemia.

As ideias a serem apresentadas devem atender cinco categorias: 1. Cidade Saudável: planejamento, urbanização, mobilidade, saneamento; 2. Espaços Públicos: parques, praças, ruas, mobiliário urbano; 3. Equipamentos Públicos: saúde, ensino, cultura; 4. Trabalho Saudável: ambiente de trabalho comercial, serviços ou industrial – coletivos ou individuais; e 5. Casa Saudável: Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS), unifamiliar, condomínios verticais e horizontais, co-livings; home-office e outras modalidades de moradia individual ou coletiva.

Serão premiadas cinco propostas por categoria (25 prêmios para profissionais e 25 para estudantes), totalizando 50 ideias premiadas e R$ 100 mil em prêmios.

“Habitação digna e saneamento são fundamentais para o ser humano sentir-se cidadão e viver com dignidade. Precisamos devolver às cidades os bens universais como ar, sol, água e espaço. E é com esse objetivo que o CAU/RS propõe iniciativas emergenciais para resposta à COVID-19 no estado”, afirmou a vice-presidente interina do CAU/RS, Helenice Macedo do Couto.

De acordo com o Presidente do CAU/RS, Tiago Holzmann da Silva, “a iniciativa aumenta ainda mais a responsabilidade dos Arquitetos e Urbanistas no enfrentamento da crise sanitária que estamos vivendo e busca também sensibilizar a sociedade e reforçar a importância do profissional para a construção de uma sociedade mais saudável, da casa à cidade”.

Segundo a analista de programas do ONU-Habitat, Paula Zacarias, “a pandemia da COVID-19 evidenciou a necessidade de colocar uma ‘lente’ de saúde nos espaços urbanos e habitacionais, e iniciativas como a do Concurso de Ideias “Casa Saudável – Cidade Saudável” contribuem, portanto, para que os determinantes de saúde sejam considerados nos projetos e soluções”.

O Concurso de Ideias é também uma oportunidade para que “os princípios e diretrizes da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e da Nova Agenda Urbana sejam implementados localmente, contribuindo para que tenhamos cidades mais sustentáveis, inclusivas, resilientes e, agora mais do que nunca, também saudáveis”, concluiu a analista de programas do ONU-Habitat.

Clique aqui para acessar mais informações sobre o concurso na categoria profissional
(inscrições até o dia 30/08)

Clique aqui para mais informações sobre o concurso na categoria estudante
(inscrições até o dia 31/08)

Cristo Redentor é palco de celebrações do Dia dos Pais e do lançamento de vídeo narrado por Tony Ramos

Cena do vídeo com poema narrado por Tony Ramos foi exibido em homenagem às vítimas da COVID-19. Evento teve apoio da campanha Verificado. Foto: Divulgação

Cena do vídeo com poema narrado por Tony Ramos foi exibido em homenagem às vítimas da COVID-19. Evento teve apoio da campanha Verificado. Foto: Divulgação

No final de semana em que o Brasil ultrapassou a triste marca de 100 mil vítimas fatais por conta da pandemia, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas Brasileira, com apoio da Verificado – iniciativa das Nações Unidas para o combate à desinformação sobre a COVID-19 – promoveram duas missas em Ação de Graças pelo Dia dos Pais, aos pés do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. As celebrações, presididas pelo cardeal brasileiro Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, homenagearam também as vítimas e as famílias que perderam pais e entes queridos afetados pela COVID-19.

O cardeal deixou uma mensagem para as pessoas que perderam familiares nesta pandemia: “Que essas pessoas que perderam os seus entes queridos, principalmente os pais, mas todos os demais entes queridos também, avós, parentes, filhos, que, mesmo com a dor da separação, sintam que não estão sozinhos. E assim como o Redentor, de braços abertos, nós estamos também abertos para ser essa presença que dá esperança e confiança, para olhar o horizonte bonito que temos aqui com coragem, ânimo, esperança e confiança”, afirmou o arcebispo do Rio de Janeiro.

Na ocasião, foi lançado o vídeo com um poema de autoria do cardeal, poeta e teólogo português José Tolentino Mendonça, lido e interpretado pelo ator Tony Ramos, que emocionado ressaltou que o mundo só pode ficar melhor se nos respeitarmos. A mensagem de solidariedade e esperança busca acalentar os corações dos brasileiros, além de trazer luz aos dias que estão por vir. O vídeo pode ser assistido no link https://youtu.be/nioABTEtndo.

As celebrações foram transmitidas na manhã de ontem (09), ao vivo, pela TV Globo às 6h25, e às 11h nas TVs de inspiração católica – REDEVIDA e Pai Eterno, pelos canais de YouTube da CNBB, Cáritas Brasileira, Edições CNBB e WebTV Redentor, pela Rádio Catedral 106,7 FM da Arquidiocese do Rio de Janeiro, e também pelas páginas de Facebook da Rádio Catedral, WebTV Redentor, Pascom Rio, Arquidiocese do Rio de Janeiro e Cardeal Orani João Tempesta. As imagens foram geradas pela REDEVIDA.

A MENSAGEM
“Livra-nos, Senhor, deste vírus, mas também de todos os outros que se escondem dentro dele.
Livra-nos do vírus do pânico disseminado, que em vez de construir sabedoria nos atira desamparados para o labirinto da angústia.
Livra-nos do vírus do desânimo que nos retira a fortaleza de alma com que melhor se enfrentam as horas difíceis.
Livra-nos do vírus do pessimismo, pois não nos deixa ver que, se não pudermos abrir a porta, temos ainda possibilidade de abrir janelas.
Livra-nos do vírus do isolamento interior que desagrega, pois o mundo continua a ser uma comunidade viva.
Livra-nos do vírus do individualismo que faz crescer as muralhas, mas explode em nosso redor todas as pontes.
Livra-nos do vírus da comunicação vazia em doses massivas, pois essa se sobrepõe à verdade das palavras que nos chegam do silêncio. Livra-nos do vírus da impotência, pois uma das coisas mais urgentes a aprender é o poder da nossa vulnerabilidade.
Livra-nos, Senhor, do vírus das noites sem fim, pois não deixas de recordar que Tu Mesmo nos colocaste como sentinelas da Aurora.”
Cardeal José Tolentino Mendonça

As celebrações com o tema “Para Cada Vida” contam com o apoio do projeto Verificado, uma iniciativa global da Nações Unidas, que busca inundar os canais de comunicação com informações verificadas e transmitidas pela ONU envolvendo os temas de ciência, solidariedade e soluções, combatendo, assim, a infodemia de desinformações em meio a esta pandemia que assola o mundo. O projeto conta com a colaboração da Purpose, uma das maiores organizações de mobilização social do mundo, e com o apoio de articulação do NEXUS, movimento global que facilita espaços de encontro entre as novas gerações de filantropos, empreendedores sociais e investidores de impacto.

Sobre a Cáritas Brasileira
A Cáritas Brasileira é um organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Está organizada em uma rede com 187 entidades-membros e 12 regionais. Sua diretriz geral de ação é a construção solidária, sustentável e territorial de um projeto popular, pautado no fortalecimento da democracia e da justiça social. Acesse www.caritas.org.br.

Sobre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é uma instituição permanente que reúne os bispos católicos do Brasil que exercem conjuntamente funções pastorais em favor dos fiéis do seu território, a fim de promover o maior bem que a Igreja proporciona aos homens, principalmente em formas e modalidades de apostolado devidamente adaptadas às circunstâncias de tempo e lugar. Acesse www.cnbb.org.br.

Sobre o projeto Verificado projeto Verificado é uma iniciativa global ONU que tem o objetivo de combater a infodemia de desinformação em meio à pandemia, compartilhar informações que salvam vidas e orientações baseadas em fatos e histórias do melhor da humanidade. O site Verificado traz uma galeria de informações verificadas e transmitidas pelas Nações Unidas. Na busca de inundar os canais de comunicação, as mensagens são baseadas em três frentes: Ciência – para salvar vidas, Solidariedade – para promover cooperação local e global; e Soluções – para defender o apoio a populações impactada. Acesse: www.compartilheverificado.com.br.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA – AGÊNCIA KETCHUM
Cátia Aiello – catia.aiello@ketchum.com.br – (11) 99566-5328
Valéria Santoro – valeria.santoro@ketchum.com.br – (11) 97672-0159

Pandemia interrompe acesso a informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva

Especialistas participaram da 15ª edição da série de webinários “População e Desenvolvimento em Debate” sobre os impactos da COVID-19 no acesso aos métodos contraceptivos, organizado pelo UNFPA em parceria com a ABEP. Foto: UNFPA

Além das diversas consequências epidemiológicas, a pandemia da COVID-19 também vem interrompendo o acesso a informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva. Especialistas se juntaram, em debate virtual, na última quarta-feira (5) para discutir os impactos no acesso aos métodos contraceptivos. O encontro resultou na 15ª edição da série de webinários População e Desenvolvimento em Debate, realizado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em parceria com a Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP).

O consultor regional do UNFPA em Sistemas de Saúde e Garantia de Suprimentos de Saúde Reprodutiva, Federico Tobar, apresentou resultados de pesquisas – frequentemente atualizadas – realizadas em toda a América Latina e Caribe desde o início da pandemia. “O indicador de necessidades insatisfeitas de planejamento familiar na América Latina vinha caindo nos últimos anos. No início de 2020, chegou a 11,2%, e, com a pandemia da COVID-19, em agosto de 2020, chegou a 16,3%, revelando que cerca de 17 milhões de mulheres descontinuaram o uso de métodos contraceptivos, um retrocesso de até 27 anos”.

O consultor do UNFPA acredita que, neste momento, é necessário desenvolver uma ampla variedade de estratégias para que a população em situação de vulnerabilidade afetada possa, de alguma maneira, acessar os serviços de saúde e contraceptivos.

De acordo com a vice-presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, Cristiane Martins Pantaleão, “este momento de pandemia trouxe várias dificuldades e desafios para nós, gestores municipais e profissionais de saúde quando pensamos na continuidade da garantia do atendimento à população”.

Para lidar com este cenário, desenvolveram guias de orientação para a organização da rede de atenção à saúde, além de oficinas de capacitação para profissionais de saúde. “O Conasems trabalha para apoiar os municípios e os profissionais de saúde, e assim manter o atendimento e o acesso aos serviços de saúde, não só em relação aos contraceptivos, mas todos os serviços, principalmente os vinculados à atenção primária”.

A coordenadora do ForoLAC/Reproductive Health Supplies Coalition, Milka Dinev, trouxe para a discussão exemplos de ferramentas disponíveis que auxiliam no acesso aos serviços. “A SEPREMI, plataforma de seguimento de preços de métodos contraceptivos e insumos de saúde sexual e reprodutiva, cujo objetivo final é que os governos tenham acesso a medicamentos e insumos a melhores preços e condições, pode cobrir as populações em situação de vulnerabilidade”. A segunda ferramenta, MiPLAN, permite medir o impacto do investimento em planejamento familiar e em número de casais protegidos.

A mediação do webinário foi realizada pela representante do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil, Astrid Bant.

Assista o debate na íntegra:

A cada semana, a série “População e Desenvolvimento em Debate” promovida por UNFPA e ABEP realiza discussões entre academia, governo e sociedade civil sobre temas emergentes na Agenda de População e Desenvolvimento. Na próxima quarta-feira (12/08) o tema será: “Pessoas jovens, adolescentes e a COVID-19”. Acompanhe no perfil do UNFPA no Youtube.

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VOCÊ JÁ OUVIU O PODCAST “FALA, UNFPA”?

O Fundo de População das Nações Unidas no Brasil lançou o podcast “Fala, UNFPA” que aborda temas como saúde sexual e reprodutiva, equidade de gênero, raça e etnia, população e desenvolvimento, juventude, cooperação entre países do hemisfério sul e assistência humanitária. Tudo isso, claro, a partir de uma perspectiva de direitos humanos. Saiba mais clicando aqui.

Novo padrão global para o setor de mineração visa melhorar a segurança das instalações de rejeitos

Padrão para gestão de rejeitos foi desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Princípios para o Investimento Responsável e Conselho Internacional de Mineração e Metais após o trágico rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho em 25 de janeiro de 2019. Foto: Pixabay

Padrão para gestão de rejeitos foi desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Princípios para o Investimento Responsável e Conselho Internacional de Mineração e Metais após o trágico rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho em 25 de janeiro de 2019. Foto: Pixabay

Um padrão para a gestão segura dos rejeitos da mineração foi lançado por uma aliança internacional com o objetivo de se tornar o primeiro padrão global desse tipo a ser aplicado às instalações existentes e futuras, independentemente da localização, para evitar danos às pessoas e ao meio ambiente.

O Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos foi desenvolvido a partir da Revisão Global de Rejeitos (RGR), um processo independente organizado conjuntamente pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Princípios para o Investimento Responsável (PRI) e Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM) após o trágico rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho em 25 de janeiro de 2019.

O conjunto de diretrizes reforça práticas atuais no setor de mineração ao integrar fatores sociais, ambientais, técnicos e econômicos locais, e abrange todo o ciclo de vida das estruturas de disposição de rejeitos – desde a seleção do local, projeto e construção, passando pelo gerenciamento e monitoramento, até o fechamento e pós-fechamento.

Com a ambição de evitar qualquer dano às pessoas e ao meio ambiente, o novo padrão estabelece critérios significativamente mais rigorosos para o setor alcançar sólidos resultados sociais, ambientais e técnicos. Além de ampliar a responsabilização aos mais altos níveis organizacionais e prever novos requisitos de supervisão independente, o Padrão também estabelece expectativas claras em relação ao cumprimento de requisitos globais de transparência e divulgação, ajudando a melhorar a compreensão das partes interessadas.

Cada um dos co-organizadores endossou o Padrão e defende sua implementação ampla e eficaz em todo o setor:
• O PNUMA apoiará os governos que desejarem utilizar e incorporar o novo padrão a suas leis e políticas nacionais ou estaduais.
• Os PRI, que representam US$ 103,4 trilhões em ativos sob gestão, elaborarão uma declaração de expectativas de investidores para apoiar todas as empresas de mineração na implementação do Padrão.
• As empresas associadas do ICMM implementarão o Padrão como um compromisso de associação, o que inclui a realização de validações robustas no nível local e avaliações externas.

“É com enorme satisfação que apresento o Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos, que estabelece um precedente para a gestão segura de estruturas de disposição de rejeitos com o objetivo de alcançar a meta de dano zero”, afirmou Bruno Oberle, presidente da Revisão Global de Rejeitos.

“O catastrófico rompimento da barragem de rejeitos da mina do Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, foi uma tragédia humana e ambiental que demandou ações decisivas e adequadas para melhorar a segurança e fortalecer a governança das estruturas de disposição de rejeitos em todo o mundo. Para mim, é uma satisfação especial entregar um documento que reflete e aborda a complexidade e a natureza multidisciplinar de uma gestão de rejeitos robusta”, declarou Oberle.

“Foi um privilégio liderar esse trabalho e agora faço um apelo para que todas as empresas de mineração, governos e investidores usem o Padrão e continuem trabalhando juntos para melhorar a segurança de todas as estruturas de disposição de rejeitos do mundo. Espero que o Padrão seja apoiado por um órgão independente que possa manter a qualidade e refiná-lo e fortalecê-lo ainda mais ao longo do tempo”, complementou.

Para Ligia Noronha, diretora da Divisão de Economia do PNUMA, a abordagem de gerenciamento de estruturas de disposição de rejeitos da mineração deve colocar a segurança em primeiro lugar, priorizando a segurança ambiental e humana em ações de gestão e operações locais. “O Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos constitui um importante marco em prol da consecução da ambiciosa meta de evitar qualquer dano às pessoas e ao meio ambiente causado por rompimentos de estruturas de disposição de rejeitos. Seu impacto dependerá do nível de sua adoção e o PNUMA seguirá trabalhando no sentido de promover sua implementação”, afirmou.

Adam Matthews, diretor de Ética e Engajamento da Equipe de Investimentos do Conselho de Pensões da Igreja da Inglaterra (que representa os PRI), explicou que durante décadas, as pessoas exigiram o desenvolvimento de um padrão global que promovesse a adoção de melhores práticas.

“É trágico que foi preciso o desastre de Brumadinho para isso acontecer, mas uma parceria inédita foi formada para superar um desafio sistêmico enfrentado pelo setor de mineração e agora estamos empenhados em fazer dessa uma prática comum em todas as operações. Pela primeira vez, temos um modelo global que vai além das melhores práticas existentes, estabelecendo o Padrão mais abrangente já produzido pelo qual os investidores responsabilizarão as empresas na sua implementação”,  ressaltou.

Para Tom Butler, diretor executivo do Conselho Internacional de Mineração e Metais, “o ICMM e seus membros – que representam cerca de um terço do setor global – têm um compromisso inabalável com a promoção de uma gestão mais segura de estruturas de disposição de rejeitos”. “O Padrão será integrado aos atuais compromissos dos membros do ICMM, que incluem a verificação e validação externas, e estamos trabalhando no desenvolvimento de orientações de apoio”, informou.

O documento abrange seis tópicos principais: comunidades afetadas; base integrada de conhecimentos; projeto, construção, operação e monitoramento de estruturas de disposição de rejeitos; gestão e governança; resposta a emergências e recuperação de longo prazo; e divulgação pública e acesso à informação. Esses tópicos contêm 15 princípios e 77 requisitos auditáveis específicos que os operadores devem cumprir.

O lançamento é apoiado por outros dois documentos, publicados de forma independente pelo presidente da RGR: um compêndio detalhado de artigos que exploram diversas questões operacionais e de governança relacionadas a rejeitos e um relatório sobre o feedback colhido na consulta pública.

A RGR foi presidida pelo Dr. Oberle e contou com o apoio de um painel multidisciplinar de especialistas e com a contribuição de um Grupo Consultivo de Múltiplas Partes Interessadas. A revisão, que envolveu um amplo processo de consulta pública com comunidades afetadas, representantes do governo, investidores, organizações multilaterais e partes interessadas do setor de mineração, fundamenta-se nas boas práticas existentes e em lições aprendidas com rupturas de estruturas de disposição de rejeitos ocorridas no passado.

O Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos está disponível em aqui em inglês, português, russo, francês, espanhol, chinês e japonês.

Leia o documento completo em Português aqui.

Sobre o ICMM
O Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM) é uma organização internacional dedicada a promover uma indústria de mineração e metais segura, justa e sustentável. Reunindo 27 empresas de mineração e metais e 37 associações regionais e de commodities, o ICMM fortalece o desempenho ambiental e social e serve como um catalisador de mudanças, aprimorando a contribuição da mineração para a sociedade. Todas as empresas associadas do ICMM cumprem os Princípios de Mineração da organização, que incorporam requisitos ambientais, sociais e de governança abrangentes, mecanismos robustos de validação local de expectativas de desempenho e a verificação confiável de relatórios de sustentabilidade corporativos.

Sobre o PNUMA
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é a principal autoridade ambiental global que determina a agenda internacional sobre o meio ambiente, promove a implementação coerente da dimensão ambiental do desenvolvimento sustentável no Sistema das Nações Unidas e serve como autoridade defensora do meio ambiente no mundo. A missão do PNUMA é desempenhar um papel de liderança e encorajar parcerias na proteção do meio ambiente, inspirando, informando e permitindo que países e pessoas melhorem sua qualidade de vida sem comprometer as gerações futuras.

Sobre os PRI
Os Princípios para o Investimento Responsável (PRI) são o principal defensor mundial do investimento responsável. A iniciativa trabalha para compreender as implicações de investimento dos fatores ambientais, sociais e de governança (ASG) e apoiar sua rede internacional de investidores signatários na incorporação desses fatores a suas decisões de investimento e propriedade. Os PRI buscam defender o interesse de longo prazo de seus signatários, dos mercados financeiros e economias em que atuam e, em última análise, do meio ambiente e da sociedade como um todo. Nesse processo, a iniciativa está sendo representada por John Howchin, do Conselho de Ética da Suécia, e Adam Matthews, do Conselho de Pensões da Igreja da Inglaterra.

Contatos para imprensa:
Antonia Mihaylova, Gerente de Projeto, Revisão Global de Rejeitos
Marie Daher-Corthay, Oficial de Comunicação, PNUMA, +973 3695 5988
Rojin Kiadeh, Especialista de Comunicação, Princípios para o Investimento Responsável
Kira Scharwey, Oficial Sênior de Comunicação, Conselho Internacional de Mineração e Metais, +44 (0) 7483 092315

OIM e Câmara Internacional de Comércio lançam guia para proteger trabalhadores migrantes da COVID-19

Migrantes birmaneses trabalham com barcos de pesca nas comunidades costeiras de Phang Nga, na Tailândia. Foto: Thierry Falise/OIM

Migrantes birmaneses trabalham com barcos de pesca nas comunidades costeiras de Phang Nga, na Tailândia. Foto: Thierry Falise/OIM

A Câmara Internacional de Comércio (CIC) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) lançam nesta semana um guia do empregador com medidas para proteger migrantes durante a COVID-19.

Os trabalhadores migrantes são parte crucial da força de trabalho global, respondendo por 3,5% da população mundial, de acordo com a OIM. Em todo o mundo, micro, pequenos e médios empreendimentos dependem dos trabalhadores migrantes, incluindo serviços que garantem commodities e serviços essenciais, assim como indústrias muito afetadas pela COVID-19.

Como as consequências econômicas e humanas da COVID-19 continuam a definir comunidades locais, os negócios podem ter um papel decisivo em abordar os desafios singulares enfrentados por trabalhadores migrantes.

Os trabalhadores migrantes são suscetíveis a perda de trabalho, redução salarial e outros assuntos de segurança e saúde. Ao contrário das populações locais, os trabalhadores migrantes normalmente estão longe de redes de apoio familiares. Eles enfrentam barreiras culturais e linguísticas e com frequência não possuem proteção social. Muitos sofrem discriminação. Enquanto isso, economias no exterior que contam com as contribuições financeiras de trabalhadores migrantes -especialmente países de baixa e média renda – enfrentam uma brusca queda nas remessas internacionais.

Em resposta, a CIC e a OIM publicaram uma lista de recomendações para os empregadores, destacando o papel do setor privado em lidar com desafios específicos dos trabalhadores migrantes durante a pandemia da COVID-19.

O guia inclui um conjunto de princípios gerais para os empregadores, tais como tratar todos com “igualdade, dignidade e respeito”, independentemente do gênero ou condição migratória. Este guia é apresentado em cinco categorias: saúde física e mental, condições de moradia e trabalho, apoio econômico, recrutamento ético e transparência na cadeia de suprimentos.

“A COVID-19 tem exposto e realçado desigualdades do nosso sistema econômico global, incluindo os desafios diários enfrentados pelos trabalhadores migrantes ao redor do mundo”, afirmou o secretário-geral da CIC, John W.H. Denton.

“Ao estabelecer políticas de respostas inclusivas, os negócios podem garantir a saúde, bem estar e segurança de todos os empregados e, ao mesmo tempo, lançar as bases para uma recuperação mais resiliente da economia”, ele acrescentou.

O documento foi adaptado do Guia da OIM para COVID-19 para empregadores e negócios para melhorar a proteção do trabalhador migrante durante a atual crise sanitária e complementa outras recomendações da Câmara em medidas de saúde e segurança para trabalhadores.

“Trabalhadores migrantes continuam nas linhas de frente da nossa resposta à pandemia da COVID-19: não apenas como médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, mas também como trabalhadores em agricultura, transporte e comércio, que mantém nossas cidades funcionando”, afirmou Marina Manke, chefe da Divisão de Desenvolvimento Humano e Mobilidade Laboral da OIM.

“Empregadores estão numa posição única de garantir proteção total para estes trabalhadores, tanto no local de trabalho quanto nas cadeias de suprimento e operação em suas comunidades. Esperamos que este guia seja útil”, afirmou.

A Câmara e sua rede nacional de comitês estão trabalhando com a OIM para chamar atenção às necessidades específicas e medidas de apoio para trabalhadores migrantes durante a COVID-19 em negócios de diferentes regiões. Mais recentemente, a CIC e a OIM – junto com seus escritórios regionais na Argentina, Colômbia, Guatemala e México – realizaram um webinar destinado a empregadores da América Latina.

Acesse o guia complete aqui.

Informações para a imprensa

OIM – Porta-voz: Safa Msehli
smsehli@iom.int Tel: +41794035526

CIC – Oficial de comunicação global: Timothy Conley
timothy.conley@iccwbo.org Tel: +336451282

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