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Sabesp tem 6 municípios entre os 20 melhores do País em ranking do saneamento

Santos e Franca lideram a lista do Instituto Trata Brasil entre as maiores cidades, que destaca ainda São José dos Campos, Taubaté, Suzano e São Paulo

 

Comunicado aos consumidores

Edital de citação - Processo nº 018909-47.2019.8.26.0577 

Governo do Estado e Sabesp anunciam obras no Vale do Ribeira e entregam novas instalações

Projeto beneficia diretamente mais de 15 mil pessoas com mais saúde e qualidade de vida, além de gerar mais de 400 empregos diretos

Sabesp patrocina workshop sobre qualidade da água, em Presidente Prudente

Evento organizado pela Unesp acontece nos dias 19 e 20 de março, na Fundação Inova Prudente

 

SabespDigital oferece atendimento sem sair de casa

Por meio de site, aplicativo ou central telefônica, consumidor pode fazer solicitações e consultas

 

Visitas do Programa Município VerdeAzul

Encontros do primeiro ciclo foram cancelados em virtude da prevenção ao coronavírus 

 

Técnica de congelamento é usada em reparo numa tubulação de água sem interromper fornecimento aos

Equipamento alcançou temperatura de 196 º negativos para impedir passagem da água e realizar o conserto

 

Sabesp isenta tarifa social para aliviar orçamento das famílias

Em todo o Estado, aproximadamente 2 milhões de pessoas que já têm o benefício serão atendidas

 

Sabesp vai distribuir 1.200 caixas-d’água em Paraisópolis

Ação visa a prevenir que moradores fiquem sem água durante reparos ou manutenções e reduzir impacto na rotina por causa do coronavírus

 

Embrapa Hortaliças implementa medidas de segurança contra a pandemia do coronavírus

O sistema de teletrabalho e de revezamento foi adotado por todas as Unidades Centrais e Descentralizadas da Embrapa para o enfrentamento da doença provocada pelo novo coronavírus.

Congresso Mundial de ILPF é adiado para 2021

Evento será realizado de 3 a 6 de maio de 2021, em Campo Grande (MS).

Trabalho da Embrapa se adapta às exigências do enfrentamento ao coronavírus

Medida tem prazo de prazo de 60 dias ou até novas orientações do Ministério da Saúde.

Centro de pesquisa e SDI/Mapa articulam parceria

Equipes das instituições reuniram-se, em 11 de março, para avaliar a possibilidade de formalizarem parceria. Os estudos do centro de pesquisa poderão subsidiar programas regionais a serem desenvolvidos pelo Mapa.

Especialista da Fiocruz alerta sobre cuidados com o novo coronavírus

Especialista fala sobre os cuidados com o novo coronavírus

Tecnologia da Embrapa é um dos destaques do Globo Rural

O BiomaPhos foi tema de matéria veiculada no último domingo, 22, no programa Globo Rural.

Embrapa Roraima adota medidas para prevenção de disseminação do COVID-19

A Embrapa Roraima diante do quadro de pandemia do (COVID-19), adotou um plano de continuidade de suas atividades para manutenção do trabalho de pesquisa seguindo as recomendações da Diretoria-Executiva da Embrapa, para contenção do Corona vírus (COVID-19), por um prazo de 60 dias.

Parceria Sabesp e Prefeitura de SP vai construir 10 lavatórios no Centro da cidade

Ação é mais uma medida adotada no combate à COVID-19

 

Ações de transferência de tecnologias recebem reforço no Juruá

Estrutura de funcionamento conta com espaço reformado e frota de veículo ampliada. Trabalhos em parceria ajudam a fortalecer atuação da Empresa na região.

Coronavírus

Conheça as ações da Sabesp para ajudar a proteger à população

Prêmio Rede ILPF de Jornalismo é adiado para 2021

Inscrições serão reabertas em 1º¶ de novembro. Poderão ser inscritas reportagens veiculadas a partir de 01/07/19.

Zoneamento aponta áreas aptas para cultivos agrícolas em quatro municípios do Acre

Resultados do estudo visam orientar técnicos, produtores rurais e outros atores sobre as áreas adequadas para cultivo de café, banana, seringueira e abacaxi no Estado do Acre.

II Pedometrics Brazil anuncia nova data e prazos

Devido à pandemia que assola o mundo o comitê organizador do II Pedometrics Brazil anunciou a nova data do evento, que acontecerá na sede da Embrapa Solos (Rio de Janeiro-RJ): 30 de setembro a 03 de outubro.

Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária vai apoiar resposta à COVID-19

Foto: UNAIDS

O Conselho do Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária aprovou, por unanimidade, um novo mecanismo para apoiar os países na resposta à COVID-19 e amenizar o impacto nos sistemas de saúde e em programas de combate ao HIV, tuberculose e malária de forma eficaz, dobrando o valor do financiamento disponível para até US$ 1 bilhão.

O Mecanismo de Resposta à COVID-19 autoriza o financiamento de US$ 500 milhões, além de até US$ 500 milhões em flexibilizações de doações, anunciadas pelo Fundo Global em 4 de março, e que já estão sendo implementadas por 54 países.

Peter Sands, diretor-executivo do Fundo Global, enfatizou a urgência da situação e pediu aos parceiros que unam forças para responder a uma emergência de saúde pública sem precedentes que ameaça prejudicar o progresso em HIV, tuberculose e malária, e sobrecarregar os sistemas comunitários e de saúde com consequências potencialmente catastróficas.

“É absolutamente crucial tomar medidas imediatas, tanto para proteger as pessoas neste momento, quanto para manter programas que salvam vidas, combatendo o HIV, a tuberculose e a malária. Enfrentamos um desafio monumental e temos que trabalhar juntos como nunca foi feito antes. Não é apenas a coisa certa a fazer, é também o mais sensato a ser feito. Devemos nos unir para lutar”, afirmou o diretor-executivo do Fundo Global.

O Fundo Global está respondendo rapidamente à pandemia da COVID-19 sob a liderança da Organização Mundial da Saúde (OMS) e em estreita colaboração com outros parceiros. O Mecanismo de Resposta à COVID-19 fornecerá apoio adicional às respostas dos países à pandemia e dará continuidade aos serviços prestados contra o HIV, tuberculose e malária, através da rápida distribuição de fundos. Além disso, permite que o Fundo Global mobilize recursos adicionais de doadores públicos e privados dispostos a apoiar os países mais vulneráveis enquanto combatem à COVID-19.

Com uma verba inicial de US$ 500 milhões, o Mecanismo de Resposta à COVID-19 vai alavancar o princípio de propriedade do país e permitirá que os países solicitem financiamento para controle e contenção para amenizar o impacto no HIV, tuberculose e malária e apoiar sistemas de saúde, incluindo redes de laboratórios, cadeias de suprimentos e respostas lideradas pela comunidade.

Vários membros do Conselho do Fundo Global enfatizaram a importância de remover as barreiras que envolvem direitos humanos e gênero para os cuidados de saúde, e o papel das comunidades, essencial para uma resposta eficaz. Assim como no HIV, tuberculose e malária, a COVID-19 afetará desproporcionalmente os mais pobres, os mais marginalizados e os mais vulneráveis.

O avanço da segurança de saúde global e o fortalecimento dos sistemas locais de saúde são fundamentais para a missão do Fundo Global de acabar com as três epidemias mais mortais do mundo – HIV, TB e malária – e combater doenças novas e emergentes como a COVID-19.

O Fundo Global arrecada e investe mais de US$ 4 bilhões por ano para apoiar programas de combate à AIDS, Tuberculose e Malária em mais de 100 países. A infraestrutura e as capacidades para eliminar doenças como AIDS, TB e malária – cadeias de suprimentos médicos, laboratórios, agentes comunitários de saúde, vigilância de doenças – também são necessárias para combater a COVID-19.

O Fundo Global está respondendo rapidamente e, desde 4 de março, permitiu que os países usassem até 5% do financiamento aprovado. Um orçamento de US$ 70 milhões foi aprovado em 54 países além de dois subsídios regionais, e mais solicitações de financiamento estão sendo consideradas. Sob orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo Global incentiva fortemente os países a tomarem providências imediatas para reduzir as possíveis consequências negativas da COVID-19 em programas existentes apoiados por doações do Fundo Global.

ONU-HABITAT apoia elaboração de medidas contra COVID-19 nos assentamentos precários de Maceió

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Por meio de parceria com o governo de Alagoas, o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT) disponibilizou dados para subsidiar gestores dos governos estadual e municipal na elaboração de medidas rápidas e emergenciais de enfrentamento à COVID-19.

A parceria no projeto “Prosperidade Urbana Sustentável e Inclusiva no Estado de Alagoas: Uma Iniciativa Integrada” também visa elaborar medidas a longo prazo, visando a melhoria das condições urbanas nos assentamentos precários de Maceió.

Os assentamentos precários não são territórios homogêneos entre si, por isso, o ONU-HABITAT Brasil preparou materiais apontando as localidades mais vulnerabilizadas, tendo como objetivo auxiliar o governo do estado no enfrentamento da COVID-19.

A Nota Técnica , recebida pela secretária especial do Tesouro da Secretaria de Fazenda do Estado de Alagoas, Renata Santos, contém dados e informações que permitem a formulação de respostas rápidas e a priorização de territórios e ações específicas para os assentamentos precários de Maceió.

O documento traz dados de natureza espacial e tabular oriundos tanto do trabalho do ONU-HABITAT no estado desde 2017 – como o mapeamento de todas as grotas da cidade – quanto de outras fontes, como o Censo Demográfico 2010.

Essas informações foram também disponibilizadas em uma plataforma interativa do Google que permite a visualização das diferentes condições de vulnerabilidade dos moradores de grotas e favelas da capital.

Foram abordadas questões como o abastecimento de água, a infraestrutura de coleta de esgoto, a densidade de domicílios em cada assentamento e a densidade de moradores em cada domicílio e por dormitório, e os níveis de informalidade de emprego e renda.

Segundo Renata Santos, diversas medidas e iniciativas emergenciais já estão sendo implementadas pelo governo do estado, mas o recebimento da Nota Técnica pode auxiliar na elaboração de medidas específicas que se adaptem à realidade das favelas e grotas.

“O documento que temos em mãos hoje é fruto do conhecimento do ONU-HABITAT sobre Alagoas e sobre as grotas de Maceió, construído durante os quase três anos de parceria com o governo do Estado”, disse.

“Ações e medidas de mitigação dos graves efeitos da crise sanitária, incluindo a recuperação econômica dos assentamentos e comunidades atingidas, pedem a cooperação de uma multiplicidade de atores”, afirmou o oficial sênior internacional do ONU-HABITAT, Alain Grimard.

“Apoiamos o governo do estado de Alagoas na articulação de respostas emergenciais no curto prazo e também aconselhamos a realização de um planejamento de longo prazo que possibilite a recuperação das condições de vida dos moradores de assentamentos precários e de Maceió”, concluiu Grimard.

O conteúdo da Nota Técnica alinha-se com o posicionamento da sede do ONU-HABITAT em Nairóbi, no Quênia, que incentiva a cooperação entre atores locais, regionais e internacionais para mitigar a propagação da pandemia causada pelo coronavírus.

Acesse as mensagens-chave do ONU-Habitat no link: https://unhabitat.org/

Entregador enfrenta diariamente medo da infecção pelo novo coronavírus

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Quando o relógio marca 10 horas da manhã, Matheus Martinez, de 27 anos, já está montado em sua bicicleta, carregando sua grande mochila quadrada e pedalando pelas ruas de Porto Alegre (RS).

Desde 2018, o músico passou a fazer entregas por meio de aplicativos de entregas e, hoje, tem a atividade como principal fonte de renda.

Matheus faz parte do grupo de trabalhadores autônomos que não têm a possibilidade de trabalhar de casa e se veem enfrentando o medo da infecção pelo novo coronavírus todos os dias.

“Eu tenho medo de morrer (mesmo) não estando no grupo de risco, mas eu preciso sair e trabalhar”, relata. Diariamente, ele percorre uma média de 40 a 60 quilômetros entre os bairros de Azenha e Partenon.

“Antes, eu trabalhava muito mais à noite e, hoje, o dia está meio similar, acho que muito pelo fato de as pessoas estarem em casa”, afirma.

Com a disseminação do novo coronavírus no Brasil, Martinez logo direcionou sua atenção aos procedimentos de higiene durante as entregas.

As alças das embalagens, por exemplo, foram seu primeiro foco de preocupação. Carregando sempre álcool em gel consigo e esterilizando as mãos quando chega aos estabelecimentos, o jovem diz que sua mudança de comportamento é sua principal defesa.

Em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), ele relata que a maioria dos estabelecimentos se adaptou aos procedimentos de higiene. Alguns chegam a oferecer luvas aos entregadores, disponibilizam álcool em gel e áreas para lavagem das mãos e até das mochilas.

Martinez afirma não ter recebido, contudo, itens de higiene fornecidos pelas empresas de aplicativo. O jovem tentou comprar máscaras por conta própria, mas não encontrou o produto nas farmácias.

A solução só apareceu no dia 11 de abril, quando, em um gesto de solidariedade, a mãe de um colega de apartamento confeccionou uma máscara e lhe deu de presente.

“Eu preciso arcar com os custos de tudo para me proteger”, relata. “A única coisa que eu recebi (dos aplicativos) foi informação: faça tal coisa na hora da entrega”.

Entre as recomendações das empresas, está a de não entrar nos prédios ou residências, mas aguardar os clientes no portão de entrada.

“Se eu entrar no prédio e estou vindo da rua, posso acabar entrando em contato com muitas superfícies que outras pessoas vão entrar em contato”, aponta.

“Então, os clientes têm vindo até a porta, e achei isso muito legal. As pessoas se conscientizaram”, completa.

Além disso, o jovem afirma estar recebendo mais gorjetas. “Isso é uma ajuda muito boa, porque só em gorjeta vem quase uma corrida extra.”

Quando se reúne com outros entregadores, Martinez diz que o debate sobre a pandemia quase não acontece. As conversas giram em torno de questões financeiras, afinal, é por esse motivo que não podem permanecer em casa, relata.

A pandemia da COVID-19 está exacerbando as desigualdades já existentes em todos os países, desde o risco de ser infectado pelo vírus, até a chance de se manter vivo ou lidar com as dramáticas consequências econômicas.

Nesse cenário, as respostas políticas dos países devem garantir que o apoio chegue às trabalhadoras, aos trabalhadores e às empresas que mais precisam, afirmou a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em todo o mundo, 61,2% das pessoas empregadas estão em trabalhos informais e, portanto, mais propensas a enfrentar maior exposição a riscos de saúde e de segurança, de acordo com a organização.

A OIT recomenda que o apoio à renda para esses trabalhadores seja realizado por meio de um plano de seguridade social não contributiva ou dos programas de transferência de renda já existentes.

A previsão é de forte deterioração da situação do emprego e da renda nos países latino-americanos diante dos efeitos da pandemia, apontou o diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Vinícius Pinheiro.

“Enfrentamos uma emergência que está infectando o mundo do trabalho e agora é uma prioridade agir de maneira eficaz para reduzir as consequências nos mercados de trabalho da região”, disse Pinheiro.

Brazilian delivery worker faces daily fear of coronavirus infection

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When the clock strikes ten in the morning, Matheus Martinez, 27, is already riding his bicycle, carrying a big square backpack and cycling through the streets of Porto Alegre, in the south of Brazil.

Since 2018, the musician has been making food deliveries through apps and today, this is his main source of income.

Matheus is one of the “gig economy” workers who are unable to work from home and find themselves facing every day the fear of contracting the novel coronavirus.

“I am afraid of dying (even) if I don’t belong to any of the groups who are most at risk, but I need to go out and work”, he said. He rides his bike an average of 40 to 60 kilometers between the neighbourhoods of Azenha and Partenon on a daily basis.

“Before (the pandemic), I used to work more at nights but today, the days are kind of similar, I think probably because people are at home”, he said.

With the coronavirus outbreak in Brazil, Martinez soon turned his attention to following safe hygiene practices during deliveries.

The package handles, for example, were his first concern. Always carrying alcohol gel and sterilizing his hands when arriving to pick up the food from the restaurants, Martinez explained that this behavior change was his main defense against infection.

He emphasized that most of the restaurants had adapted to the new situation, by putting in place new hygiene practices. Some of them offered latex gloves, hand sanitizers and created a specific area at the restaurant where the backpacks can be washed.

Martinez said he had not received, however, any items provided by the food delivery companies that would help him to protect himself. He tried to buy face masks, but they weren’t available in the pharmacies. The solution to his problem came on 11 April when, in a gesture of solidarity, his roommate’s mother gave him a handmade mask.

“I need to bear the costs of every item that I have to buy to protect myself,” he said “The only thing I received (from the companies) was instructions on what to do when making a delivery”.

One of the recommendations was to avoid entering the buildings or houses, and wait for the customers at the entrance.

“If I enter the building and I’m coming from the street, I may end up touching a lot of surfaces that other people will touch”, he pointed out.

“So customers are now going to the door, and I think that is really cool. People are aware of the pandemic”, he added.

The delivery workers are paid for each delivery that they make . Since the coronavirus outbreak, Martinez said that he has been receiving more tips. “This is a very big help, because with the increase in tips, it’s like getting paid for an extra delivery”.

When he meets with other delivery workers, Martinez said that he rarely has a conversation about the pandemic. “ Our conversations revolve around financial issues, after all, that’s why we can’t stay at home, he said.

The COVID-19 pandemic is exacerbating the inequalities that already exist in all countries, from the risk of being infected by the virus, to the chance of staying alive or dealing with the dramatic economic consequences.

In this scenario, the countries’ political responses must ensure that support reaches the workers and companies that need it most, said the International Labor Organization (ILO).

Worldwide, 61.2% of employed workers are in informal jobs and are therefore more likely to face bigger exposure to health and safety risks, according to the organization.

ILO recommends that income support for the workers should be carried out through a non-contributory social security plan or existing income transfer programmes.

Vinícius Pinheiro, ILO regional director for Latin America and the Caribbean, indicated that there would be a sharp deterioration in employment and income levels in Latin American countries in view of the effects of the pandemic.

“We face an emergency that is infecting the world of work and it’s now a priority to act effectively to reduce the consequences on the region’s labor markets”, said Pinheiro.

Podemos mudar a maré em favor da igualdade de gênero, diz diretora-executiva da ONU Mulheres

Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora-executiva da ONU Mulheres. Foto: ONU/Rick Bajornas

* Por Phumzile Mlambo-Ngcuka

Em um mundo desigual, uma crise de saúde como a que enfrentamos hoje fere desproporcionalmente as mulheres. Chamamos as lideranças a agir agora para incluir fortes dimensões de gênero na resposta.

Olhe em volta e verá que as mulheres formam a maior parte das tropas da linha de frente na guerra contra a pandemia da COVID-19. Elas cuidam de pessoas doentes, idosas, famílias e crianças. Globalmente, as mulheres compõem 70% da equipe médica e de apoio e 85% das enfermeiras em hospitais, e metade dos médicos nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento do Comércio) são mulheres. As mulheres estão salvando milhões de vidas enquanto se expõem a um maior risco de infecção. Além disso, 90% das atividades de assistência a longo prazo e até 10 vezes mais trabalho doméstico não-remunerado são realizadas por mulheres em todo o mundo.

Com o fechamento de escolas e creches, a crise da COVID-19 apenas ampliará a pressão dos cuidados não-remunerados e do trabalho doméstico sobre as mulheres. No entanto, essas contribuições essenciais, muitas vezes, passam despercebidas e não são recompensadas, o que significa que as mulheres podem acabar sofrendo mais enquanto salvam o mundo.

Saúde, questões sociais e econômicas estão interconectadas. As mulheres estão potencialmente mais expostas a dificuldades materiais associadas às consequências econômicas da COVID-19. Prevê-se um aumento significativo no desemprego e subemprego globalmente. Muitas mulheres – 740 milhões das quais trabalham na economia informal com empregos que oferecem pouca ou nenhuma proteção social – agora enfrentam grave insegurança econômica e poucas opções.

No México, por exemplo, 99% da maioria das trabalhadoras domésticas do país não estão vinculadas em nenhum programa de seguridade social. Algumas indústrias, como a indústria de confecção de roupas em Bangladesh, onde as mulheres constituem 85% da força de trabalho, também serão atingidas com rapidez e força por esses múltiplos choques com maior risco de perda de emprego. A situação é ainda mais angustiante para as mulheres idosas, pois existe o dobro de mulheres com mais de 65 anos e que vivem sozinhas nos países do G20, muitas vezes sem uma pensão adequada.

A mensagem é simples. A COVID-19 está afetando todo mundo, mas está afetando mais as mulheres. As respostas precisam considerar esse impacto assimétrico. Caso contrário, corremos o risco de cometer o mesmo erro que cometemos na crise financeira de 2008, quando a nossa resposta não se concentrou nas pessoas mais vulneráveis ​​de nossa sociedade; pessoas como as mães solteiras que terão maior risco de cair abaixo da linha de pobreza após o parto.

Veja a situação das pequenas e médias empresas. Essas empresas estão sofrendo e precisam de suporte econômico, mas as empresas chefiadas por mulheres têm menos capacidade financeira para lidar com a crise e obter autofinanciamento.

A resposta da COVID-19 precisa ouvir as preocupações e ideias das mulheres. Mesmo com a sua alta representação no setor da saúde, as mulheres são extremamente sub-representadas em posições de liderança.

Além disso, as políticas de confinamento para conter a pandemia também estão exacerbando a violência de gênero. Mesmo em tempos normais, é inaceitável a alta taxa de uma em cada três mulheres no mundo sofre violência doméstica e 38% de todos os assassinatos de mulheres são cometidos por seus parceiros. Com o confinamento, vimos um aumento de mais de 30% nas chamadas para as linhas de apoio em alguns países, à medida que os bloqueios para 4 bilhões de pessoas aumentam a pressão. No entanto, isso provavelmente é apenas a ponta do iceberg, já que, em média, globalmente, menos de 40% das mulheres que sofrem violência buscam ajuda de qualquer tipo ou denunciam o crime. A violência contra as mulheres já era uma epidemia assustadora e onerosa em todas as sociedades, estimada em 1,5 trilhão de dólares. Espera-se que esse número aumente agora à medida que os casos aumentem, e continue após a pandemia, criando um impacto em cascata em nossa economia.

A pandemia abalou as nossas economias e sociedades e mostrou o que precisa mudar. Não devemos sair desta crise sem as lições aprendidas. Antes, devemos ver isso como uma oportunidade para corrigir a situação desigual com a qual as mulheres vivem há décadas. Pedimos às lideranças que apliquem a perspectiva de gênero para reduzir as desigualdades existentes em nossas sociedades, à medida que implementam medidas de curto e longo prazo para combater o impacto econômico e social da COVID-19.

*Por Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora-executiva da ONU Mulheres e chefe de gabinete da OCDE e Sherpa para o G20 Gabriela Ilian Ramos.

COVID-19: Bachelet pede aos países latino-americanos que autorizem retorno de seus cidadãos

Alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, concede coletiva de imprensa na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. Foto: ONU/Jean-Marc Ferre

Alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet. Foto: ONU/Jean-Marc Ferre

Respondendo a um impasse de uma semana que se desenvolveu na fronteira entre a Bolívia e o Chile, a alta-comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, Michelle Bachelet, pediu nesta quarta-feira (15) aos países da América Latina e de outras partes do mundo que abram suas fronteiras aos seus próprios cidadãos presos no exterior, muitos deles com pouco ou nenhum acesso a cuidados de saúde e outras necessidades básicas.

“De acordo com o direito internacional, todos têm o direito de retornar ao seu país de origem – mesmo durante uma pandemia”, disse a alta-comissária, exortando os Estados a fazer todo o possível para garantir o retorno seguro, digno e voluntário e a reintegração sustentável de seus nacionais.

“Quando os migrantes desejam voltar para casa voluntariamente, os governos têm a obrigação de receber seus próprios nacionais e garantir que eles tenham acesso a cuidados de saúde e outros direitos”, disse Bachelet.

“Caso contrário, eles estão colocando os migrantes em situações de extrema vulnerabilidade, especialmente durante a atual pandemia de COVID-19. Em geral, são os trabalhadores migrantes mais pobres que tentam voltar para casa através das fronteiras terrestres, em muitos casos depois que a quarentena os privou de qualquer renda, e estão sendo impedidos de fazê-lo.”

“Os Estados devem incluir todos os migrantes, independentemente do status migratório, nos planos nacionais de prevenção, resposta e recuperação da COVID-19 e garantir acesso igual a informações, testes, cuidados de saúde e proteção social”, acrescentou Bachelet.

Ela elogiou a cooperação e as medidas tomadas pelo Chile e pela Bolívia para acabar com o impasse relativo ao retorno dos cidadãos bolivianos, que começou quando a pandemia prejudicou seus meios de subsistência no Chile, e a Bolívia fechou suas fronteiras em 26 de março.

Como resultado, cerca de 1.300 bolivianos, incluindo idosos, crianças e mulheres grávidas, que tentavam retornar ao país de origem, ficaram presos no lado chileno da fronteira, onde acabaram dormindo com pouca comida e água, sob temperaturas negativas.

“Isso não precisava ter acontecido”, disse Bachelet. “Isso mostra como é essencial para todos os países resolverem esses problemas assim que eles surgirem, ou preverem com antecedência, a fim de evitar sofrimento desnecessário”.

Nos dias 12 e 13 de abril, as autoridades chilenas transportaram cerca de 800 migrantes bolivianos de Colchane para a capital regional de Iquique, onde foram colocados em escolas e tiveram acesso a cuidados de saúde e serviços básicos. Em 13 de abril, um novo grupo de cerca de 200 bolivianos chegou a Iquique.

O governo anunciou que cerca de metade seria transferida de Iquique no final da semana para Pisiga, um acampamento no lado boliviano da fronteira, onde uma equipe da ONU, incluindo alguns funcionários de Bachelet, tem ajudado as autoridades locais e atores humanitários a fornecer suprimentos e serviços básicos para os migrantes que retornam, além de avaliar suas necessidades e promover sua proteção.

A expectativa é de que o restante seja levado diretamente de Iquique para suas casas na Bolívia no final da quarentena obrigatória de 14 dias exigida pelas autoridades bolivianas.

Com centenas de outros migrantes bolivianos planejando potencialmente retornar através das fronteiras com outros países vizinhos, é crucial que o Estado e os atores locais garantam que todos possam retornar com segurança ao seu local de origem e os ajudem a se reintegrar em suas comunidades.

Questões semelhantes têm afetado os migrantes que tentam cruzar as fronteiras terrestres em outros lugares da região, e alguns dos que conseguiram voltar foram submetidos a hostilidade, discriminação e até atos de violência.

“Estou chocada ao ver como a pandemia da COVID-19 está gerando estigmatização e discriminação dentro e entre Estados em muitas partes do mundo”, disse Bachelet.

“As pessoas que podem ter a doença precisam de cuidados, para não se tornarem alvos de ódio e rejeição. Todos os países, incluindo os de origem e destino, têm a obrigação de respeitar, proteger e garantir os direitos humanos dos migrantes.”

“Os migrantes que retornam aos seus países de origem devem ser incluídos nas estratégias nacionais de resposta, proteção social e recuperação sem discriminação, e também devem ser protegidos contra o estigma e a exclusão na esfera pública e privada.”

OMC diz que ações conjuntas podem ajudar na recuperação do comércio mundial

Moradores fazem compras em um supermercado local em Wuhan, na China, no dia 8 de abril, depois da cidade ser reaberta após enfrentar um bloqueio de 76 dias. Foto: Wang Zheng

Moradores fazem compras em um supermercado local em Wuhan, na China, no dia 8 de abril, depois da cidade ser reaberta após enfrentar um bloqueio de 76 dias. Foto: Wang Zheng

A Organização Mundial do Comércio (OMC) informou que é difícil determinar com precisão qual será o impacto econômico – e as perspectivas de recuperação – dada a natureza sem precedentes da nova crise de coronavírus. Ainda assim, economistas da OMC acreditam que a baixa no comércio será superior a causada pela crise financeira global em 2008 e 2009.

De acordo com a Organização, o comércio mundial de mercadorias deve cair entre 13% e 32%, levando em consideração que a recuperação do comércio em 2021 dependerá de quanto tempo o surto ainda irá durar e de quão eficazes serão as respostas políticas.

Quase todas as regiões sofrerão um declínio de dois dígitos nos volumes comerciais este ano, sendo as mais afetadas as exportações da América do Norte e da Ásia. A OMC informou ainda que o comércio provavelmente cairá mais acentuadamente em setores com cadeias de valor complexas, como produtos eletrônicos e automotivos.

Setor de serviços – Enquanto isso, o comércio de serviços está sendo diretamente afetado pela pandemia da COVID-19, em decorrência das restrições de viagens impostas pelos governos de todo o mundo para conter a propagação do vírus.

“O objetivo imediato é controlar a pandemia e mitigar os danos econômicos a pessoas, empresas e países, mas os dirigentes políticos também devem começar a planejar as consequências da pandemia”, afirmou o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, ao apresentar a análise.

“Esses números são feios – não há como contornar isso –, mas uma recuperação rápida e vigorosa é possível”, disse. “As decisões tomadas agora determinarão a forma futura das perspectivas de recuperação e crescimento global”.

Azevêdo acrescentou: “Precisamos lançar as bases para uma recuperação forte, sustentada e socialmente inclusiva. O comércio será um ingrediente importante aqui, junto com a política fiscal e monetária”.

“Manter os mercados abertos e previsíveis, além de promover um ambiente de negócios mais favorável em geral, será essencial para estimular o investimento renovado de que precisaremos. E se os países trabalharem juntos, veremos uma recuperação muito mais rápida do que se cada país agir sozinho”, completou.

Desemprego em massa – A perspectiva da OMC surgiu quando a Organização Internacional do Trabalho (OIT) alertou que os rápidos e crescentes efeitos econômicos da COVID-19 no mundo do trabalho poderiam ser muito piores do que a crise financeira de 2008-2009, esperando-se que, apenas nos próximos três meses, ocorram cortes equivalentes a quase 200 milhões de trabalhadores em período integral.

Embora todas as regiões do mundo estejam sofrendo as consequências da COVID-19, os países árabes e a Europa tiveram o pior impacto sobre o emprego em questões percentuais, informou a agência de trabalho da ONU. As maiores perdas numéricas estão na região da Ásia-Pacífico – a mais populosa do mundo.

Em comunicado divulgado no dia 8 de abril, a OMC disse que o volume de comércio de mercadorias caiu 0,1% em 2019, pressionado pelas tensões comerciais e pela desaceleração do crescimento econômico. Em termos de dólar, as exportações caíram 3%, para 18,89 trilhões de dólares.

Enquanto isso, o valor das exportações de serviços comerciais aumentou 2%, para 6,03 trilhões de dólares em 2019. No entanto, o ritmo de expansão foi mais lento do que em 2018, quando o comércio de serviços cresceu 9%.

Dois cenários possíveis – Em sua previsão, a OMC disse que o futuro desempenho do comércio pode ser compreendido em termos de dois cenários distintos: um relativamente otimista, com uma queda acentuada no comércio, seguido por uma recuperação iniciada no final de 2020, e um mais pessimista, com maior declínio inicial e uma recuperação mais prolongada e incompleta.

Ambos cenários devem ser vistos como explorações de diferentes trajetórias possíveis para a crise, e não como previsões específicas de desenvolvimentos futuros, afirmou a Organização, enfatizando que os resultados reais podem estar facilmente fora do intervalo de precisão – no lado positivo ou no negativo.

Dia Mundial da Doença de Chagas: trazendo uma doença esquecida à atenção mundial

Foto: OPAS

A comunidade global celebrou em 14 de abril o primeiro Dia Mundial da Doença de Chagas. A data visibiliza uma das doenças tropicais mais negligenciadas, priorizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pois continua a afetar milhões de pessoas em todo o mundo. A doença de Chagas foi descoberta há mais de um século – pelo médico e pesquisador brasileiro Carlos Ribeiro Justiniano Chagas – mas permanece amplamente ignorada.

Em reconhecimento a esse crescente problema de saúde pública e à necessidade de conscientizar sobre formas de aumentar a detecção e impedir sua disseminação, a Assembleia Mundial da Saúde de 2019, órgão decisório da OMS, concordou em designar 14 de abril como Dia Mundial da Doença de Chagas.

O diretor do Departamento de Controle de Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS, Mwelecele Ntuli Malecela, afirma que a doença de Chagas tem sido associada há muito tempo a populações rurais e vulneráveis e é caracterizada pela pobreza e exclusão. “É hora de acabar com essa negligência e o estigma social associado à infecção, que se apresenta como uma grande barreira para a triagem, diagnóstico, tratamento e controle eficazes”, explicou o diretor do Departamento de Controle de Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS.

As consequências sociais do estigma associado à doença de Chagas levam à rejeição social. As pessoas que sofrem da doença podem enfrentar restrições ao trabalho, porque muitas vezes estão associadas a problemas de saúde e possíveis dificuldades na execução do trabalho, e até a morte súbita, criando um medo de perdas financeiras por parte dos empregadores. É por esses e outros motivos que as pessoas relutam em procurar ajuda médica – levando a manifestações clínicas mais graves e complicações finais e uma maior disseminação
da doença.

Na América Latina, a doença de Chagas tem sido transmitida principalmente aos seres humanos pelo contato com as fezes ou a urina de espécies específicas de insetos triatomíneos infectados com o parasita Trypansosoma cruzi.

Esses insetos geralmente vivem em fendas nas paredes ou no telhado de casas em áreas rurais. Normalmente, se escondem durante o dia e são ativos à noite, quando se alimentam de sangue humano, picando uma área exposta da pele, como o rosto. Logo após se alimentar com sangue, o inseto defeca ou urina próximo à picada. Os parasitas entram no corpo quando a pessoa reage instintivamente à picada, pois as fezes ou a urina contaminam o local da picada ou qualquer outra rachadura na pele, nos olhos e na boca. A transmissão também pode ocorrer pela contaminação de alimentos durante sua preparação, armazenamento e consumo, frequentemente causando surtos de transmissão oral com maiores taxas de morbimortalidade.

Urbanização e expansão

No entanto, com a rápida urbanização e movimentação de populações entre a América Latina e outros países fora da região, a doença se espalhou para áreas urbanas e para outros países e continentes, incluindo a Europa e alguns países da África, Mediterrâneo Oriental e Pacífico Ocidental.

Segundo o diretor médico do Departamento de Controle de Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS, Pedro Albajar Viñas, nesses países, a doença de Chagas não é transmitida por insetos triatomíneos, como ocorre na América Latina, mas por outras formas não vetoriais. “Isso inclui sangue ou produtos sanguíneos para transfusão, de mãe para filho, transplante de órgãos e até acidentes de laboratório”, explicou o diretor médico do Departamento de Controle de Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS.

Melhorar conscientização e promover comportamentos de busca à saúde

A doença é pouco compreendida pelos profissionais de saúde em áreas não endêmicas, com muitos que a consideram uma doença tropical restrita a alguns territórios da América Latina. Da mesma forma, pacientes infectados com T.cruzi em áreas não endêmicas podem não estar cientes de sua condição, o que pode levar a uma transmissão adicional por vias não vetoriais.

“Treinar o pessoal de saúde para facilitar o diagnóstico, usando todas as oportunidades possíveis de integração sistemática com outras doenças tropicais negligenciadas e outras doenças crônicas transmissíveis e não transmissíveis, juntamente com a prestação de cuidados médicos adequados, pode ajudar muito a mitigar a transmissão e melhorar o prognóstico. A falta de conscientização e conhecimento sobre a doença, junto a crenças desatualizadas e incorretas, são obstáculos claros à promoção do comportamento de busca de saúde”, ressaltou o diretor médico da OMS, Pedro Albajar Viñas.

Neste ano, a comunidade global tem a oportunidade de entender e tornar mais visíveis as dimensões de saúde, psicossociais e econômicas dessa doença há muito esquecida e ignorada.

UNESCO lança iniciativas para apoiar cultura e patrimônio durante a pandemia

Ouro Preto foi a primeira cidade brasileira designada como Patrimônio Cultural da UNESCO no país. Foto: UNESCO/M & G Therin-Weise

Ouro Preto foi a primeira cidade brasileira designada como Patrimônio Cultural da UNESCO no país. Foto: UNESCO/M & G Therin-Weise

A UNESCO está lançando iniciativas para apoiar as indústrias culturais e o patrimônio cultural, à medida que bilhões de pessoas em todo o mundo se voltam para a cultura em busca de conforto para superar o distanciamento social durante a crise de saúde causada pela COVID-19, que está afetando fortemente o setor cultural.

Além de uma reunião online com ministros da cultura de todo o mundo, há uma exposição virtual de propriedades patrimoniais e as campanhas digitais #CompartilheCultura e  #CompartilheNossoPatrimônio.

“A natureza global da crise da COVID-19 é um apelo à comunidade internacional para reinvestir na cooperação internacional e no diálogo intergovernamental”, disse Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO. “A UNESCO está comprometida em liderar uma discussão global sobre a melhor forma de apoiar artistas e instituições culturais durante a pandemia da COVID-19 e além, e garantir que todos possam permanecer em contato com o patrimônio e a cultura que os conectam à sua humanidade”.

Na semana passada, a UNESCO lançou uma campanha global de mídia social, #CompartilheNossoPatrimônio, para promover o acesso à cultura e à educação em torno do patrimônio cultural durante este período de confinamento em massa.

A UNESCO também está lançando uma exposição online de dezenas de propriedades patrimoniais em todo o mundo, com o suporte técnico do Google Arts & Culture.

Outra iniciativa é o compartilhamento de relatos dos coordenadores dos sítios do Patrimônio Mundial sobre o impacto da COVID-19 nos locais  que administram e nas comunidades que os rodeiam. Crianças de todo o mundo serão convidadas a compartilhar desenhos do Patrimônio Mundial, dando a elas a chance de expressar sua criatividade e sua conexão com o patrimônio.

Depois que a atual crise terminar, as campanhas #CompartilheCultura e #CompartilheNossoPatrimônio serão mantidas como forma de dividir a reflexão sobre medidas para proteger os sítios do Patrimônio Mundial e promover o turismo sustentável.

Em 22 de abril, a UNESCO reunirá os Ministros da Cultura do mundo em uma reunião online sobre a COVID-19 e seu impacto na cultura. Com base no Fórum de Ministros da Cultura da UNESCO, realizado no ano passado, a reunião ajudará os ministros a trocar informações e pontos de vista sobre o impacto da crise de saúde no setor cultural de seus países e a identificar medidas políticas de mitigação que sejam apropriadas em seus diversos contextos nacionais.

“Agora, mais do que nunca, as pessoas precisam de cultura”, disse Ernesto Ottone R., diretor-geral adjunto para Cultura da UNESCO. “A cultura nos torna resilientes. Isso nos dá esperança. Ela nos lembra que não estamos sozinhos. É por isso que a UNESCO está fazendo todo o possível para apoiar a cultura, salvaguardar nossa herança e capacitar artistas e criadores, agora e depois que a crise passar”.

O fechamento de patrimônios históricos, museus, teatros e cinemas e outras instituições culturais está comprometendo o apoio financeiro à artistas e indústrias criativas, bem como a conservação de lugares extraordinários e os meios de subsistência das comunidades locais e profissionais da cultura.

A COVID-19 suspendeu muitas práticas de patrimônio cultural imaterial, incluindo rituais e cerimônias, impactando as comunidades em todos os lugares. A pandemia também acarretou na perda de muitos empregos e afetou diretamente os artistas, que em sua maioria, em todo mundo, dependem de atividades auxiliares para complementar a renda de sua arte.

Especialista da ONU pede mais gastos públicos para combater desigualdade, não para as grandes empresas

Equipe e voluntários da Sociedade do Crescente Vermelho de Bangladesh promovem lavagem das mãos, com desinfetante em spray, e fornecem alimentos de emergência em meio à pandemia de COVID-19. Foto: Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho

Equipe e voluntários da Sociedade do Crescente Vermelho de Bangladesh promovem lavagem das mãos, com desinfetante em spray, e fornecem alimentos de emergência em meio à pandemia de COVID-19. Foto: Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho

Os Estados devem aumentar drasticamente os gastos públicos para combater as desigualdades e a pobreza causadas pela crise da COVID-19, e não apenas resgatar empresas, bancos e investidores sem condicionantes sociais ou de direitos humanos, disse na quarta-feira (15) um especialista da ONU.

Em uma carta destinada a governos e instituições financeiras internacionais, o especialista independente da ONU sobre dívida externa e direitos humanos disse que os investimentos públicos também devem ter como objetivo alcançar pequenas e médias empresas, criando empregos sustentáveis a longo prazo, priorizando os direitos humanos e promovendo uma economia mais verde.

“Alguns promovem uma abordagem que consiste em “salvar a economia” a qualquer custo, inclusive colocando em risco a saúde e a vida da maioria de suas populações. Essa abordagem geralmente é acompanhada pela falta de esforços sérios para reduzir as desigualdades. Nesses termos, ‘salvar a economia’ significa priorizar o benefício de uma certa elite”, afirmou o especialista.

Juan Pablo Bohoslavsky disse que o pagamento de dívidas privadas deve ser suspenso para indivíduos financeiramente prejudicados pela crise sanitária. Durante esse período, esses empréstimos não devem incorrer em juros.

“Medidas devem ser consideradas imediatamente, incluindo transferências de renda não-condicionadas para manter um padrão de vida adequado, disponibilização de abrigos de emergência, interrupção de despejos e de cortes no fornecimento de serviços de eletricidade e água”, disse o especialista.

“As lições aprendidas com a crise financeira de 2008-2009 nos dão uma vantagem para enfrentar os desafios atuais e futuros. Sabemos muito bem como esse período viu um aumento da fome no mundo, desemprego, um grande aumento de despejos, execuções hipotecárias e falta de moradia, além de ter arraigado desigualdades e empurrado muitos para a pobreza.”

Bohoslavsky pediu uma moratória imediata ao pagamento de dívidas soberanas para os países mais pobres e endividados. “A reestruturação e o alívio de dívidas devem ser adotados por todos os credores, a fim de garantir não apenas a sustentabilidade financeira, mas também a sustentabilidade sanitária e social das dívidas. O argumento do estado de necessidade nunca foi tão forte.”

Os Estados também devem investir nos setores de nutrição, habitação, educação e na produção agrícola ambientalmente sustentável, local e em pequena escala. “Essa abordagem não impede que os governos operem como pagadores de último recurso para cobrir os custos das empresas e pagar salários durante a crise, se necessário. Mas essa política só seria justificada se implementada para evitar retrocessos em termos de direitos humanos econômicos e sociais.”

O especialista independente disse que os Estados poderiam impor um imposto emergencial sobre a riqueza, mas também deveriam empreender um programa de reformas mais ambicioso.

“Este é o momento certo para se envolver seriamente em reformas estruturais em favor da justiça redistributiva, incluindo reformas tributárias progressivas, a partir das quais milionários e bilionários e grandes conglomerados corporativos contribuam para a sociedade em uma proporção proporcional à sua riqueza”, disse Bohoslavsky.

Bohoslavsky (Argentina) foi nomeado especialista independente sobre os efeitos da dívida externa e os direitos humanos pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em 2014. Anteriormente, trabalhou como especialista em dívida soberana para a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio. e Desenvolvimento (UNCTAD), onde coordenou um Grupo de Especialistas em Empréstimos e Empréstimos Soberanos Responsáveis. Ele é independente de qualquer governo ou organização e atua em sua capacidade individual.

Os especialistas independentes fazem parte dos chamados Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos. Procedimentos Especiais, o maior corpo de especialistas independentes no sistema de Direitos Humanos da ONU, é o nome geral dos mecanismos independentes de investigação e monitoramento do Conselho que abordam situações específicas de países ou questões temáticas em todas as partes do mundo.

Especialistas em procedimentos especiais trabalham voluntariamente; eles não são funcionários da ONU e não recebem salário por seu trabalho. Eles são independentes de qualquer governo ou organização e servem em sua capacidade individual.

OIM apoia implementação de área de proteção e cuidados para venezuelanos em Boa Vista

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Para ampliar as estruturas de saúde na prevenção e enfrentamento à pandemia de COVID-19 e reforçar o atendimento aos refugiados e migrantes em Roraima, a Operação Acolhida, com apoio dos governos estadual e municipal, irá inaugurar em Boa Vista a Área de Proteção e Cuidados (APC).

A estrutura, montada por trabalhadores venezuelanos e brasileiros, começa a funcionar em breve na capital e conta com suporte da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

“Este local vai ajudar muitas pessoas, é um grande benefício para a população. Me sinto muito útil em poder estar aqui, contribuindo nesta obra, em prol do bem-estar de pessoas. Me sinto muito orgulhoso”, comenta o venezuelano José Costa, de 59 anos, natural de Maturim e que vive no Brasil há pouco mais de um ano e é um dos trabalhadores que ajudou a montar a unidade.

O local funcionará como espaço de observação, enfermaria e hospital de campanha e terá, inicialmente, 80 leitos. Com seu conhecimento técnico, a OIM apoiou a implementação do complexo e atuará nas atividades cotidianas com quatro profissionais médicos e cinco técnicos em enfermagem. Outras agências da ONU e parceiros também apoiam a iniciativa.

“A Operação Acolhida montou o hospital de campanha em Boa Vista para atender os casos de coronavírus. Vamos inaugurar o módulo inicial da Área de Proteção e Cuidados e agradecemos o comprometimento da OIM nessa parceria”, ressalta o Coordenador Operacional da Operação Acolhida e Comandante da Força-Tarefa Logística Humanitária, general Manoel de Barros. “Estamos em uma emergência dentro da emergência e vamos superá-la juntos”, complementa o general Barros.

A APC irá receber os casos suspeitos e confirmados de COVID-19, sendo dividida em dois espaços baseados no modelo de hospital de campanha do exército. A Área de Proteção servirá para o isolamento dos pacientes com casos suspeitos, de modo a reduzir o contágio de outras pessoas. A Área de Cuidado (AC) receberá os casos confirmados que necessitem tratamento. A estrutura poderá ser expandida, gradativamente, podendo chegar a até 1.200 leitos.

A APC iniciará suas atividades destinada ao atendimento de refugiados e migrantes, podendo também atender a comunidade local em função da capacidade de resposta da rede de saúde do estado e município. Entidades e órgãos das três esferas de governo estão mobilizados para que as estruturas locais operem em consonância.

Ações em promoção de saúde e de proteção

No contexto da pandemia de COVID-19, a OIM continua mobilizada para apoiar refugiados, migrantes e comunidade de acolhida com ações de saúde, saneamento e higiene.

Além das atividades junto à Operação Acolhida na APC, sessões informativas e a entrega de kits de higiene e panfletos sobre como se prevenir e já atingiram mais de 10 mil pessoas. Em breve, duas unidades móveis de saúde também irão reforçar os atendimentos da atenção primária na capital e nos municípios do estado.

Novos protocolos sanitários também foram postos em prática para os beneficiários da estratégia de interiorização da Operação Acolhida. Na Casa de Passagem em Belém, apoiada pela OIM, locais de isolamento foram definidos e rotinas de prevenção, como medir a temperatura dos beneficiários e campanhas de higienização das mãos e espaços, foram adotadas.

Em Manaus, a Organização apoia o acolhimento de indígenas warao que irá beneficiar cerca de 500 pessoas. Na rodoviária da cidade, também foram distribuídos materiais de limpeza para higienização do espaço de abrigamento dos refugiados e migrantes.

Estas atividades da OIM são financiadas pelo Governo do Japão e pelo Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado norte-americano.

Conhecimento sobre HIV é maior entre mulheres com renda mais elevada, diz UNAIDS

Foto: Logan Abassi/ONU

O acesso universal a uma educação sexual abrangente e de qualidade é crucial, especialmente para os jovens. Permite que os jovens sejam empoderados para tomar decisões coerentes enquanto exploram sua sexualidade e relacionamentos.

Isso os ajuda a adquirir as habilidades e os valores de respeito mútuo, tolerância, igualdade de gênero e não-violência, e os oferecem o conhecimento necessário para proteger sua saúde e seu bem-estar de maneira mais eficaz.

Os níveis de conhecimento sobre o HIV variam entre países, dependendo do contexto nacional e local, geralmente estão associados a desigualdades sociais e econômicas.

Em muitos países, os níveis de conhecimento abrangente e correto do HIV entre as adolescentes e mulheres são baixos, mas tendem a ser mais baixos entre aquelas que vivem na pobreza e com níveis mais baixos de educação.

Os níveis de conhecimento também são mais baixos entre as mulheres que vivem em zonas rurais do que entre as que vivem em áreas urbanas.

Veja mais detalhes no gráfico abaixo:

Especialistas da ONU e governo brasileiro discutem ações contra crimes cibernéticos

UNODC discute com governo iniciativas para combate a crimes cibernéticos - Foto: PxHere

UNODC discute com governo iniciativas para combate a crimes cibernéticos – Foto: PxHere

Governo, iniciativa privada e organismos internacionais precisam trabalhar juntos para combater crimes cibernéticos. Este foi um dos temas debatidos na videoconferência realizada no início de abril com especialistas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e o Grupo de Trabalho de Crimes Cibernéticos, coordenado pela Secretaria de Operações Integradas, e a Assessoria Especial Internacional do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Durante a reunião virtual foram debatidas propostas comuns de combate aos crimes cibernéticos, em concordância com as recomendações da ONU de incentivar a implementação de iniciativas público-privadas para combater esse tipo de delito.

Participaram da reunião integrantes do GT Cyber, representantes da Polícia Federal, Assessores Especiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública e representantes do setor privado, além da diretora do escritório do UNODC no Brasil, Elena Abbati, do Coordenador do UNODC no Brasil, Nivio Nascimento, da Chefe do Programa Global em Cibercrime, Bertha Marin, e do representante da Seção Regional para América Latina e Caribe, Andres Nunes Ricon.

Segundo Alesandro Barreto, coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas e coordenador do Grupo de Trabalho, a união de esforços entre governo, inciativa privada e academia é fundamental para prevenir e reprimir este tipo de crime. Ele explicou que estruturas existentes em países têm auxiliado a recuperar valores subtraídos por organizações criminosas em fraudes eletrônicas, apreensão de produtos falsificados e a identificar autores de crimes praticados em vários níveis da internet. A criação de uma estrutura semelhante no Brasil estará alinhada com a Estratégia Nacional de Segurança Cibernética (E-Ciber), aprovada através do Decreto nº 10.222/2020.

O chefe da Seção de Combate aos Crimes Cibernéticos e a Lavagem de Dinheiro do UNODC, Neil J. Walsh, citou exemplos de instituições que já seguem as recomendações da ONU, como o Serviço Europeu de Polícia Europol, a Organização Internacional de Polícia Criminal (INTERPOL) e a agência do governo britânico, National Cyber Security Center.

O Grupo de Trabalho tem como objetivo estimular o debate sobre uma parceria público-privada para a prevenção e combate ao cibercrime.

ARTIGO: Não permitam que crianças sejam as vítimas ocultas da pandemia da COVID-19


Em 5 de abril, em Idlib, na Síria, uma família é vista nos destroços deixados após sua barraca pegar fogo. As famílias no acampamento estão adotando medidas preventivas para limitar a exposição potencial ao coronavírus. Foto:Albam/UNICEF

Por Henrietta Fore*

O mundo está atualmente unido em uma luta compartilhada contra um inimigo invisível. Mas, enquanto nossos olhos estão firmemente focados em como evitar ou tratar a COVID-19, as sérias consequências que nos desafiarão muito além da pandemia atual – os impactos ocultos – ainda não estão no nosso radar. Isso precisa mudar.

Não apenas crianças, adolescentes e jovens contraem a COVID-19, eles também estão entre as vítimas mais severamente afetadas. A menos que ajamos agora para lidar com os impactos da pandemia em meninas e meninos, os ecos da COVID-19 danificarão permanentemente nosso futuro.

De acordo com nossa análise, 99% das crianças e dos adolescentes em todo o mundo (2,34 bilhões) vivem em um dos 186 países com alguma forma de restrição de movimento devido à COVID-19. Sessenta por cento de todos os meninos e meninas vivem em um dos 82 países com um confinamento total (7%) ou parcial (53%) – representando 1,4 bilhão de vidas jovens.

Sabemos que, em qualquer crise, os mais jovens e os mais vulneráveis sofrem desproporcionalmente. Essa pandemia não é diferente. É nossa responsabilidade prevenir o sofrimento, salvar vidas e proteger a saúde de cada criança e cada adolescente. Também devemos garantir que as decisões relacionadas às medidas de controle da COVID-19 – além de levar em conta os riscos – sejam tomadas com base nas melhores evidências disponíveis, a fim de minimizar e evitar danos colaterais e fornecer medidas de mitigação para que o dano não seja duradouro.

Isso começa com resistir à tentação, em tempos de possível recessão global, de desvalorizar o investimento em nosso futuro. O aumento, agora, dos investimentos em educação, proteção da criança, saúde e nutrição e água e saneamento ajudará o mundo a reduzir os danos causados por esta crise e a evitar futuras crises. O mundo se abrirá novamente e, quando isso acontecer, a resiliência dos sistemas de saúde mais fracos será o indicador de como vamos gerenciar ameaças futuras.

Países e comunidades ao redor do mundo devem trabalhar juntos para enfrentar esta crise. Como aprendemos dolorosamente nos últimos dois meses, até que haja uma vacina, o coronavírus em qualquer lugar é uma ameaça para as pessoas em todos os lugares. Precisamos agir agora para fortalecer os sistemas de saúde, bem como outros serviços sociais voltados para crianças, para acompanhar as prioridades globais de desenvolvimento, em cada país em todo o mundo.

Nesta semana, o UNICEF está lançando uma agenda global de ação para proteger as crianças mais vulneráveis contra os danos da COVID-19. A agenda tem seis pilares: 1) Manter as crianças saudáveis; 2) Alcançar crianças vulneráveis com água, saneamento e higiene; 3) Manter as crianças aprendendo; 4) Apoiar as famílias para cobrir suas necessidades e cuidar de suas crianças; 5) Proteger as crianças contra a violência, a exploração e o abuso; e 6) Proteger as crianças refugiadas e migrantes e as afetadas por conflitos.

Sem uma ação urgente, esta crise de saúde corre o risco de se tornar uma crise dos direitos da criança. Somente trabalhando juntos, podemos manter milhões de meninas e meninos saudáveis, seguros e aprendendo.

Na área da saúde, a COVID-19 tem o potencial de sobrecarregar sistemas de saúde frágeis em países de baixa e média renda e minar muitos dos ganhos obtidos na sobrevivência, na saúde, na nutrição e no desenvolvimento infantil nas últimas décadas. Muitos sistemas nacionais de saúde já funcionavam com dificuldades. Antes da crise da COVID-19, 32% das crianças em todo o mundo com sintomas de pneumonia não eram levadas a um profissional de saúde. O que acontecerá quando a COVID-19 atingir sua força total? Já estamos vendo interrupções nos serviços de imunização, ameaçando surtos de doenças para as quais já existe uma vacina, como poliomielite, sarampo e cólera. Muitos recém-nascidos, crianças, adolescentes, jovens e gestantes podem morrer por causas não relacionadas ao coronavírus se os sistemas nacionais de saúde, já sob grande tensão, ficarem completamente sobrecarregados. Da mesma forma, muitos programas de nutrição foram interrompidos ou estão suspensos, assim como os programas comunitários de detecção e tratamento precoces de crianças desnutridas. Precisamos agir agora para preservar e fortalecer os sistemas de saúde e alimentação em todos os países.

Da mesma forma, proteger-nos e proteger os outros por meio de práticas adequadas de lavagem das mãos e higiene nunca foi tão importante. Mas, para muitas crianças, instalações básicas de água, saneamento e higiene permanecem fora de alcance. Globalmente, 40% da população – 3 bilhões de pessoas – ainda carece de uma instalação básica para lavar as mãos com água e sabão disponível em casa, e esse número chega a quase três quartos da população dos países menos desenvolvidos. Vamos garantir que todos os lares, escolas e instituições de saúde tenham os meios para um ambiente higiênico e saudável.

Na educação, toda uma geração de crianças viu sua educação interrompida. O fechamento de escolas interrompeu a educação de mais de 1,57 bilhão de estudantes – 91% – em todo o mundo. Sabemos, pelas paralisações anteriores, que as crianças em idade escolar, e especialmente as meninas, que ficam fora das salas de aula por longos períodos de tempo têm muito menos probabilidade de retornar quando as escolas reabrem. O fechamento das escolas também elimina o acesso a programas de alimentação escolar, aumentando as taxas de desnutrição. Uma geração inteira de estudantes pode sofrer danos em seu aprendizado e potencial. Redobrar nossos compromissos com a educação e nossos investimentos nela nunca foi tão urgente.

O impacto socioeconômico da COVID-19 será sentido mais fortemente pelas crianças mais vulneráveis do mundo. Muitas já vivem na pobreza, e as consequências das medidas de resposta à COVID-19 correm o risco de mergulhá-las ainda mais em dificuldades. Enquanto milhões de pais e mães lutam para manter seus meios de subsistência e renda, os governos devem aumentar as medidas de proteção social – fornecendo redes de segurança social e transferências de renda, protegendo empregos, trabalhando com empregadores para apoiar pais e mães que trabalham e priorizando políticas que conectem as famílias a serviços vitais de saúde, nutrição e educação.

Sabemos, por emergências de saúde anteriores, que as crianças correm maior risco de exploração, violência e abuso quando as escolas são fechadas, os serviços sociais são interrompidos e o movimento é restrito. Por exemplo, o fechamento de escolas durante o surto de ebola na África Ocidental de 2014 a 2016 resultou em picos de trabalho infantil, negligência, abuso sexual e gravidez na adolescência. E a forma mais comum de violência que as crianças enfrentam ocorre em casa. Na maioria dos países, mais de duas em cada três crianças são submetidas a disciplina violenta pelos cuidadores. O que acontece quando essas crianças não podem sair de casa, estão afastadas de professores, amigos ou serviços de proteção? E, à medida que milhões de crianças se voltam para a tecnologia digital em busca de conexão com o mundo exterior, como vamos mantê-las protegidas dos riscos e possíveis consequências prejudiciais online? Um movimento social para acabar com a violência e o abuso contra crianças, espelhando-se no movimento para acabar com a violência sofrida pelas mulheres, é essencial. Quanto mais cedo começarmos esse movimento, melhor será o nosso mundo.

As crianças já vivendo crises humanitárias também não devem ser esquecidas durante a resposta à COVID-19. O ano de 2020 já estava marcado para ser um ano com mais pessoas mais do que nunca precisando de assistência humanitária, e as vulnerabilidades das crianças nos países afetados pela crise persistirão e provavelmente serão agravadas pelas consequências desta pandemia, expondo-as a um duplo risco. O secretário-geral da ONU lançou um Plano Global de Resposta Humanitária à COVID-19. Cabe à comunidade global se unir em apoio às crianças mais vulneráveis – aquelas que são arrancadas de suas famílias e de suas casas – para defender seus direitos e protegê-las da propagação do vírus.

Por fim, defender crianças no meio desta crise significa garantir a disponibilidade e acessibilidade de suprimentos vitais, como medicamentos, vacinas, saneamento e material educativo. O atual surto de COVID-19 está colocando pressão na logística e na produção global de fabricantes, e estamos trabalhando com empresas na produção e aquisição de mercadorias essenciais com uma distribuição justa. Queremos apoiar os países – particularmente aqueles com sistemas de saúde sob pressão – para que tenham acesso igual a suprimentos para combater a COVID-19. Também precisamos garantir que as restrições de viagem, as proibições de exportação e a pressão atual sobre a capacidade de produção não nos impeçam de abastecer e transportar suprimentos essenciais para apoiar nossas intervenções nos programas de saúde, educação e água e saneamento, e em apoio à nossa resposta humanitária.

Enquanto atualmente estamos focados, durante esse período de confinamento, na preocupação imediata de nos manter e manter nossos entes queridos saudáveis, também devemos nos lembrar dos milhões de crianças que correm o risco de se tornar as vítimas esquecidas desta pandemia. Como o mundo delas será amanhã e como será o seu futuro também são nossa responsabilidade hoje.

* Henrietta Fore, diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Quais políticas serão mais eficazes para mitigar efeitos da COVID-19 no mundo do trabalho?

As respostas políticas à crise da COVID-19 devem se concentrar em dois objetivos imediatos: medidas de proteção à saúde e apoio econômico com relação à oferta e à demanda, segundo a OIT. Foto: ACNUDH

As respostas políticas à crise da COVID-19 devem se concentrar em dois objetivos imediatos: medidas de proteção à saúde e apoio econômico com relação à oferta e à demanda, segundo a OIT. Foto: ACNUDH

Em tempos de crise, as normas internacionais do trabalho fornecem uma base sólida para as principais respostas políticas voltadas para o papel crucial do trabalho decente na obtenção de uma recuperação sustentável e equitativa.

Essas normas, adotadas por representantes de governos, organizações de trabalhadores e empregadores, fornecem uma abordagem centrada nas pessoas para o crescimento e o desenvolvimento, inclusive promovendo políticas que estimulam a demanda e protegem trabalhadoras(es) e empresas.

As respostas políticas devem se concentrar em dois objetivos imediatos: medidas de proteção à saúde e apoio econômico com relação à oferta e à demanda.

Em primeiro lugar, trabalhadoras(es) e empregadoras(es), incluindo suas famílias, devem ser protegidas(os) dos riscos à saúde da COVID-19.

Medidas de proteção devem ser implementadas no local de trabalho e nas comunidades, ou deve-se fortalecer as já existentes, o que requer apoio e investimento público em larga escala.

Segundo, esforços coordenados e em larga escala devem ser feitos no nível político, de maneira oportuna e coordenada, para fomentar o emprego e a renda, e promover a economia e a demanda por mão de obra.

Essas medidas mitigariam os efeitos das perdas de emprego e da renda de empresas e trabalhadoras(es) no curto prazo e evitariam os efeitos adversos na oferta – incluindo perda de capacidade produtiva de trabalhadoras(es) – e na demanda – redução drástica no consumo trabalhadoras(es) e suas famílias – para que não ocorra uma recessão econômica prolongada.

Medidas integradas eficazes e em larga escala em todas as esferas políticas são necessárias para alcançar resultados favoráveis e sustentáveis.

Como a crise está evoluindo rapidamente, o monitoramento cuidadoso dos efeitos diretos e indiretos de cada intervenção é crucial para garantir que as respostas políticas sejam e permaneçam relevantes.

A construção de confiança por meio do diálogo é essencial para uma ação política eficaz.

Especialmente em tempos de maior tensão social e de falta de confiança nas instituições, é importante fortalecer os mecanismos de diálogo social e neles confiar, a fim de estabelecer uma base sólida que promova uma estreita colaboração entre empregadores, trabalhadores e governos.

O diálogo social no nível empresarial também é essencial.

A proteção das(os) trabalhadoras(es) no local de trabalho para reduzir ao máximo os efeitos diretos do coronavírus, de acordo com as recomendações e diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), deve enfatizar enfatizar os seguintes aspectos:

  • melhoria das medidas de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), em particular o distanciamento social, o fornecimento de equipamentos de proteção (especialmente para trabalhadoras(es) da saúde e relacionados, voluntárias(os) e outros que estão em contato permanente com a população), procedimentos e métodos de higiene organização do trabalho (apoiada em campanhas de informação e conscientização), bem como diálogo social entre empregadores e trabalhadores e seus representantes, por exemplo, no âmbito de comitês de SST;
  • promoção de acordos trabalhistas flexíveis e adequados, por exemplo, sobre trabalho a distância;
  • prevenção contra a discriminação e a exclusão relacionadas à COVID-19;
  • promoção do acesso universal a serviços de saúde com financiamento conjunto, especialmente para trabalhadoras(es) sem seguro saúde e suas famílias;
  • ampliação do acesso a licenças médicas pagas financiadas coletivamente, benefícios de doença e licença parental / de assistência para garantir segurança de renda para aqueles que estão doentes, em quarentena ou cuidando de crianças, idosos ou outros membros da família.

A promoção da atividade econômica e da demanda por mão de obra deve ocorrer mediante políticas econômicas e de emprego que ajudem a estabilizar a atividade econômica, por meio de:

  • políticas fiscais ativas, incluindo medidas de proteção social, transferências direcionadas e fatores de estabilização automática, como auxílio-desemprego, além de investimentos públicos e benefícios fiscais para pessoas de baixa renda e micro, pequenas e médias empresas (MPMEs);
  • políticas monetárias flexíveis (redução das taxas de juros, relaxamento dos índices de reserva e provisões específicas em matéria de liquidez);
  • apoio financeiro e concessão empréstimos a empresas, especialmente PMEs, em setores específicos. O investimento em sistemas de saúde é fundamental para criar resiliência e recuperação da crise da COVID-19 e criar emprego decente.

Apoio à manutenção do emprego e da renda de empresas e trabalhadores afetados indiretamente (por exemplo, como resultado de fechamentos de fábricas, interrupção das cadeias de suprimentos, restrições de viagens ou cancelamento de atos públicos) deve ocorrer por meio de:

  • medidas de proteção social baseadas em mecanismos existentes e / ou remuneração específica de trabalhadoras(es), em particular trabalhadoras(es) informais, sazonais, temporários e migrantes, bem como aquelas pessoas que realizam seu próprio trabalho (por exemplo, mediante o fornecimento de benefícios via programas de desemprego e assistência social ou emprego público);
  • provisões sobre retenção de empregos, em particular acordos sobre redução de jornada ou benefícios parciais de desemprego, entre outros tipos de apoio a empresas por um período determinado, por exemplo, subsídios salariais (e redução temporária de retenções na fonte em folha de pagamento ou isenção do pagamento de contribuições previdenciárias), concessão de licença remunerada às(aos) trabalhadoras(es) e extensão dos benefícios existentes, licença médica para fins de treinamento e subsídios, entre outras medidas correlatas;
  • medidas de auxílio financeiro ou redução de impostos e estabilização de renda por um período determinado, a fim de garantir a continuidade da atividade comercial, em particular para PMEs e trabalhadoras(es) autônomas(os) (por exemplo, por meio de subsídios ou programas de mediação para facilitar a concessão ou refinanciamento de créditos, a fim de evitar restrições de liquidez).

COVID-19: ACNUR e parceiros intensificam resposta emergencial a indígenas venezuelanos

Em Manaus, ACNUR e parceiros realizam realocação de população indígena da etnia warao para abrigos temporários. Foto: ACNUR/Felipe Irnaldo

Em Manaus, ACNUR e parceiros realizam realocação de população indígena da etnia warao para abrigos temporários. Foto: ACNUR/Felipe Irnaldo

Enquanto a pandemia do novo coronavírus avança em todas as partes do mundo e afeta especialmente as populações mais vulneráveis, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e seus parceiros no Brasil intensificam a resposta emergencial para prevenir a COVID-19 junto às populações indígenas em situação de refúgio nas regiões Norte e Nordeste do país.

No total, estima-se que aproximadamente 4 mil indígenas venezuelanos vivam atualmente no país, a maioria das etinas Warao e Eñepá.

Em conjunto com autoridades estaduais e municipais e com a Operação Acolhida (resposta federal ao fluxo de refugiados e migrantes venezuelanos no Brasil), o ACNUR e parceiros têm implementado ações que garantem abrigamento, segurança alimentar, acesso a serviços de saúde e informação de qualidade nos idiomas das etnias Warao e Eñepa.

Esses grupos estão presentes em diversos estados brasileiros por força da situação na Venezuela, com maior concentração em Roraima, Amazonas e Pará.

Desde o início de março, 264 pessoas indígenas da etnia Warao foram realocadas para locais mais seguros e com melhores condições de higiene em Manaus (AM), esforços que também irão acontecer em Belém (PA).

As novas instalações para indígenas estão recebendo unidades habitacionais do ACNUR, e as realocações irão continuar nas próximas semanas, com projeção de beneficiar cerca de 1 mil pessoas.

Nos abrigos que acolhem a população indígena em Roraima, Amazonas e também nas cidades de Belém e Santarém (PA), o ACNUR distribuiu cerca de 4,3 mil itens de assistência emergencial, como kits de limpeza, álcool gel, redes, colchões e redes mosquiteiras – para atender as recomendações internacionais de higiene e as necessidades específicas dessa população.

Em Roraima, o ACNUR e parceiros da sociedade civil coordenam dois abrigos com mais de 1 mil pessoas das etnias Warao e Eñepa (metade são crianças) e prestam assistência a quatro comunidades indígenas em território brasileiro da etnia transfronteiriça Pemon-taurepang, localizadas na região de Pacaraima (na fronteira do Brasil com a Venezuela).

Em Manaus, Belém e Santarém, o número de pessoas indígenas abrigadas pelos municípios é de em torno de 700 pessoas, e os esforços contínuos de abrigamento irão beneficiar mais pessoas nas próximas semanas.

A resposta de saúde para casos suspeitos ou confirmados segue os protocolos nacionais: se identificados, serão encaminhados para isolamento e tratamento no sistema público de saúde. As equipes do ACNUR seguem monitorando e coordenando com as autoridades locais para garantir a assistência necessária.

Enquanto mais fundos para a resposta emergencial no contexto da pandemia são extremamente necessários, estados e municípios têm tido um papel fundamental na inclusão da população refugiada e migrante em suas respostas contra o vírus, com atenção especial às necessidades específicas da população indígena.

Em coordenação com autoridades locais, o ACNUR tem fornecido assessoria técnica para a elaboração de planos de contingência estaduais e municipais, bem como protocolos de atendimento e acesso a serviços básicos, como abrigo, alimentação, serviço hospitalar e segurança sanitária.

No Rio Grande do Norte, o Comitê Estadual Intersetorial de Atenção aos Refugiados, Apátridas e Migrantes (CERAM) apoiou a implementação de medidas concretas para proteger e integrar essa população nas áreas de moradia, alimentação e saúde.

De acordo com as recomendações estaduais, as populações em situação de maior vulnerabilidade social, incluindo indígena em situação de refúgio, terão isenção de taxas para acessar serviços de segurança alimentar, auxílio financeiro para moradia e a garantia de atendimento, acolhimento e cuidados básicos (alimentação, material de higiene).

“O ACNUR reconhece que as ações do CERAM são uma clara demonstração da capacidade técnica e da boa vontade do estado do Rio Grande do Norte de proteger e integrar essa população”, destacou o representante do ACNUR no Brasil, José Egas. “Para combater essa pandemia de forma efetiva, todas e todos devem estar inclusos nos planos de resposta. Não podemos deixar ninguém para trás”, conclui.

Acesso à informação

A pandemia apresenta perigos adicionais às populações indígenas venezuelanas. Além da barreira do idioma, que dificulta o acesso à informação de qualidade, parte dessas populações vive em trânsito constante em busca de meios de vida relacionados à sua cultura, o que dificulta um abrigamento contínuo e a garantia de segurança alimentar e acompanhamento médico adequado.

Nesse sentido, o ACNUR e a ONG parceria Fraternidade – Federação Humanitária Internacional (FFHI) estão produzindo a cartilha “Comunicação sobre Saúde com Indígenas Warao e Eñepa”, disponível em quatro idiomas (português, espanhol, warao e panare). O material foi produzido em estreita colaboração com lideranças dessas duas etnias, que apoiaram na tradução, ilustração e elaboração do conteúdo.

A cartilha vai facilitar a comunicação entre indígenas e profissionais de saúde e melhorar o diagnóstico e tratamento de condições relacionadas à COVID-19 e outras doenças.

Esse é um instrumento complementar do trabalho informativo que o ACNUR realiza com os indígenas abrigados nos estados de Roraima, Amazonas e Pará nos esforços de prevenção ao coronavírus e que poderá apoiar ações de saúde com esta população a nível nacional

Além das sessões informativas que acontecem nos abrigos, diversos materiais da Organização Mundial da Saúde foram traduzidos com apoio dessas lideranças e disponibilizados em formatos de áudio, texto e vídeo, garantindo a acessibilidade das informações. Todo o conteúdo está disponível na plataforma “Ajuda”, do ACNUR.

Apelo global

A pandemia de coronavírus acelera, matando milhares de pessoas todos os dias. A população mais vulnerável a este surto inclui 70 milhões de crianças, mulheres e homens a deslocados à força por guerras e perseguições.

Para manter e mesmo expandir suas operações durante a pandemia do novo coronavírus, prevenir a disseminação da COVID-19 junto a refugiados e comunidades de acolhida e assegurar a continuidade de atividades vitais, o ACNUR lançou globalmente um apelo de 255 milhões de dólares.

A Agência da ONU para Refugiados quer responder ao surto de coronavírus e continuar a agir em parceria com os governos nas respostas extra-emergenciais no contexto da pandemia.

O financiamento irá cobrir as necessidades orçamentárias adicionais do ACNUR para os próximos nove meses em resposta ao surto, e o plano de resposta será implementado pelas agências da ONU, com o apoio direto de ONGs internacionais, locais e outros parceiros.

O ACNUR agradece todos os seus doadores pelas importantes contribuições que nos permitem continuar trabalhando para oferecer dignidade, proteção e segurança para refugiados e solicitantes de refúgio no Brasil.

UNFPA e ACNUR realizam primeiro treinamento online sobre prevenção ao abuso e à exploração sexual

Elayne Sartori, assistente de campo do Fundo de População da ONU, foi uma das mediadoras da sessão. Foto: UNFPA Brasil/Igo Martini

Elayne Sartori, assistente de campo do Fundo de População da ONU, foi uma das mediadoras da sessão. Foto: UNFPA Brasil/Igo Martini

Em razão da pandemia da COVID 19, foi realizada na segunda-feira (13) a primeira sessão remota da Oficina Proteção Contra a Exploração, Abuso Sexual e Assédio.

A atividade teve a participação de militares da área da saúde do 8º Contingente do Exército que atuará na Força Tarefa Humanitária da Operação Acolhida nas cidades de Boa Vista e Pacaraima (RR).

A oficina teve como objetivo sensibilizar os trabalhadores e trabalhadoras da assistência humanitária sobre como os atos de exploração e abuso sexual afetam indivíduos e comunidades inteiras e o que fazer a respeito por meio de mecanismos de denúncia.

O conhecimento adquirido apoiará os esforços para impedir, prevenir, proteger e combater a exploração e o abuso sexual.

As mediadoras foram Eloá Prado, associada de proteção da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), e Elayne Sartori, assistente de campo do Fundo de População da ONU (UNFPA).

Desde 2018, UNFPA e ACNUR lideram e apoiam os treinamentos do tipo em Roraima. Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Organização Internacional para as Migrações (OIM) e ONU Mulheres também apoiam e participam ativamente das oficinas.

Chefe da ONU pede maior proteção para crianças atingidas pela crise da COVID-19

Enfermeira mede a temperature de menina num Centro de Atenção à Saúde Primária em Beirute, no Líbano, durante a crise da COVID-19. Foto: Fouad Choufany/UNICEF

Enfermeira mede a temperature de menina num Centro de Atenção à Saúde Primária em Beirute, no Líbano, durante a crise da COVID-19. Foto: Fouad Choufany/UNICEF

A iminente recessão global resultante da pandemia da COVID-19 poderia causar mais centenas de milhares de mortes de crianças neste ano, efetivamente revertendo ganhos recentes de diminuição da mortalidade infantil. A conclusão está num novo relatório da ONU divulgado nesta quinta-feira (16).

Em um comunicado com os principais resultados do documento, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu ação urgente para apoiar as crianças de todo o mundo no meio desta crise universal.

“Felizmente, as crianças têm sido amplamente poupadas até aqui dos sintomas mais severos da doença. Mas suas vidas estão sendo totalmente viradas de cabeça para baixo”, afirmou.

“Apelo às famílias, em todos os lugares, e aos líderes, de todos os níveis: protejam nossas crianças.”

O relatório aponta que o impacto econômico-social da pandemia, aliado às medidas para mitigar o avanço do novo coronavírus, poderia ser potencialmente catastrófico para milhões de crianças em todo o mundo.

O documento detalha como a crise está colocando jovens vidas em risco em áreas fundamentais que incluem educação, alimentação, proteção e saúde. Acesse aqui o documento.

Educação no confinamento – Praticamente todos os estudantes ao redor do mundo estão fora da escola agora por conta da pandemia. Cerca de 190 países impuseram o fechamento das escolas, afetando um bilhão e meio de crianças e jovens. O relatório afirma que as perdas de aprendizado hoje e no desenvolvimento futuro são difíceis de compreender.

“Algumas escolas estão oferecendo ensino a distância, mas isto não está disponível para todos”, afirmou o secretário-geral, acrescentando que crianças em países com serviços de internet caros ou lentos são gravemente prejudicadas.

Milhões perdendo merenda escolar – Nutrição infantil é outra preocupação vital, de acordo com o relatório. O chefe da ONU lembrou que antes mesmo da pandemia, a desnutrição infantil e o atraso no crescimento estavam em níveis inaceitáveis.

Com as salas de aula fechadas, aproximadamente 310 milhões de crianças em todo o mundo que dependem da merenda escolar estão perdendo esta dose diária de nutrição. Enquanto isso, medidas de confinamento implementadas precipitadamente arriscam descontinuar as cadeias de abastecimento alimentar e os mercados locais, tornando-se grave ameaça em potencial no acesso à comida.

Parquinho em Ridgefield (Connecticut, EUA) permanece vazio em função do fechamento temporário das escolas por conta da COVID-19. Foto: JC McIlwaine/UNICEF

Parquinho em Ridgefield (Connecticut, EUA) permanece vazio em função do fechamento temporário das escolas por conta da COVID-19. Foto: JC McIlwaine/UNICEF

Segurança em casa e online – Sessenta por cento de todas as crianças em todo o mundo estão vivendo em países que implementaram confinamento parcial ou total, aponta o relatório.
Na medida em que a crise se aprofunda, os níveis de stress familiar também estão aumentando e as crianças confinadas em casa são ao mesmo tempo vítimas e testemunhas de abuso e violência doméstica.

O fechamento das escolas também implica na perda do que o chefe da ONU chamou de “um importante mecanismo de alerta precoce” para incidentes.

“Há ainda o perigo das meninas abandonarem a escola, levando a um aumento de casos de gravidez na adolescência”, ele afirmou.

No início desta semana, o Fundo da ONU para a Infância (UNICEF) e parceiros informaram que com mais crianças utilizando a tecnologia para aprendizado e socialização, está aumentando o risco de abuso e exploração online. O secretário-geral destacou, em especial, a responsabilidade  das empresas de mídias sociais em garantir a proteção online para crianças.

Saúde infantil em baixa – Apesar das taxas de infecção por coronavírus até aqui estarem brandas entre crianças, o relatório apontou que os efeitos mais amplos da crise na saúde das crianças são significativos.

Hospitais e centros de saúde sobrecarregados com pacientes da COVID-19 estão tornando mais difícil o acesso a cuidados básicos da saúde das crianças.

Famílias sem trabalho ou passando por redução de renda são forçadas a cortar gastos em alimentação e saúde essencial, o que afeta particularmente as crianças, mulheres e nutrizes.

As campanhas de vacinação contra a poliomielite pararam, retardando o progresso da erradicação da doença em pelo menos dois redutos: Afeganistão e Paquistão. Adicionalmente, 23 países suspenderam as campanhas de imunização do sarampo destinadas a aproximadamente 80 milhões de crianças.

“Com o avanço da recessão global, poderemos ter mais centenas de milhares de mortes de crianças em 2020”, alertou o secretário-geral. Este cenário efetivamente reverteria o progresso feito na redução da mortalidade infantil nos últimos dois ou três anos.

“Estes números alarmantes não levam sequer em consideração a interrupção de serviços em função da crise – apenas refletem a atual relação entre economia e mortalidade, então é provável um impacto subestimado”, aponta o relatório.

Ação para crianças – Embora a crise da COVID-19 seja sem precedentes, é também uma oportunidade para “solidariedade internacional sem precedentes” para crianças e a humanidade.

Governos são instados a adotar medidas para conter os efeitos indesejados nas crianças ao estender ou expandir assistência social para famílias, assegurar cadeias de suprimento alimentar e mercados de alimentação locais, e priorizando a continuidade de serviços como educação, programas de nutrição e atendimento maternal e para recém-nascidos.

O relatório recomenda ainda proteções específicas para crianças mais vulneráveis, como migrantes, refugiadas, minorias, crianças com deficiência e aquelas vivendo em favelas.

Estratégias padrão para distanciamento físico e confinamento deveriam ser adaptadas em locais de baixa renda em áreas urbanas, campos de refugiados e zonas de conflito.

O relatório ressaltou que as Nações Unidas estão trabalhando em todos os lugares e permanecem prontas para apoiar os países que estiverem empenhados em investir na geração mais jovem do mundo.

“Com a pandemia colocando em risco tantas crianças do mundo, reitero meu apelo urgente: vamos proteger nossas crianças e preservar seu bem-estar”, declarou o secretário-geral.

COVID-19: UNODC lembra importância de tratar pessoas com transtornos associados ao uso de drogas

Um jovem de 19 anos senta-se em sua cama em um abrigo para crianças que vivem ou trabalham nas ruas em Odessa, Ucrânia. Ele é usuário de drogas e HIV positivo, mas não tem acesso a medicamentos antirretrovirais. Foto: UNICEF/Giacomo Pirozzi

Um jovem de 19 anos senta-se em sua cama em um abrigo para crianças que vivem ou trabalham nas ruas em Odessa, Ucrânia. Ele é usuário de drogas e HIV positivo, mas não tem acesso a medicamentos antirretrovirais. Foto: UNICEF/Giacomo Pirozzi

À medida que o mundo tenta combater a pandemia de COVID-19, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) lançou um chamado aos países ao publicar recentemente a nota “Sugestões sobre tratamento, cuidados e reabilitação de pessoas com transtornos associados ao uso de drogas no contexto da pandemia da COVID-19“.

O documento tem o objetivo de alertar os países-membros sobre os transtornos associados ao uso de drogas, que são frequentemente acompanhados por agravos em saúde, tais como HIV/AIDS, hepatites B e/ou C, tuberculose, doenças pulmonares ou cardiovasculares, acidente vascular cerebral, câncer e lesões e traumas, entre outros.

Além disso, pessoas com transtornos associados ao uso de entorpecentes,  especialmente drogas injetáveis, podem ter o sistema imunológico comprometido.

Também o estigma e a discriminação ligados ao uso de drogas e aos transtornos associados ao consumo resultam em geral em um acesso limitado a recursos básicos, tais como moradia, emprego, cuidado em saúde e assistência social.

Por todas essas razões, pode ser mais difícil para essas pessoas se protegerem e elas podem estar com maior risco de desenvolver a COVID-19, salientou o organismo das Nações Unidas.

Clique aqui para acessar a nota completa.

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