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Com posse de Biden, Brasil sofrerá pressão conjunta de EUA e Europa por Amazônia

Por: Site

Diplomatas avaliam que nova Casa Branca se dedicará a vincular política ambiental à comercial. Embaixadores em Brasília dizem que, para não perder dinheiro, Planalto terá que ajustar discurso

Ernesto Araújo no Itamaraty no dia 8 de janeiro.
Ernesto Araújo no Itamaraty no dia 8 de janeiro. ADRIANO MACHADO / REUTERS

Pelos próximos dois anos, a boa relação do Brasil com os Estados Unidos dependerá muito mais do Governo Jair Bolsonaro do que o de Joe Biden, que será empossado na presidência americana nesta quarta-feira. Se o presidente brasileiro insistir na sua política ambiental que pouco protege o meio ambiente e na condução ideológica de seu ministério das Relações Exteriores, corre o risco de fazer o país perder dinheiro e ser cada vez mais um pária na arena internacional. A avaliação foi feita por quatro embaixadores europeus e asiáticos que trabalham em Brasília e foram ouvidos para esta reportagem. Todos falaram sob a condição de não terem seus nomes publicados. E todos entendem que uma sinalização de que a política brasileira estaria além da relação Donald Trump-Bolsonaro seria demitindo os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Ernesto Araújo (Itamaraty).

Conforme esses diplomatas, os chanceleres de países europeus, principalmente, darão suporte a qualquer veto ou restrição que Biden fizer ao Brasil por conta política ambiental. E mais. Já pediram que o presidente americano o faça. “A França já sinalizou que quer deixar de ser dependente da soja brasileira. A tendência é que, sem a proteção ambiental, os países encontrem mais argumentos para impor barreiras ao Brasil e, consecutivamente, protegerem os seus próprios produtores”, disse um diplomata europeu. “Quem não cuidar do que resta das florestas no mundo, acabará duramente punido onde mais dói, no bolso”, afirma outro representante de embaixada estrangeira.

A chegada de Biden encontra o Brasil em uma situação já frágil em termos internacionais. Se, sob sombra de Trump, Bolsonaro tinha uma caixa de ressonância poderosa e relativo pouco custo para a estratégia de isolamento internacional, agora o jogo começa a mudar. As últimas semanas foram de reveses para o Planalto na chamada “diplomacia da vacina”. O país, tenta, sem sucesso, acelerar a chegada de compras de doses prontas da vacina Oxford/AstraZeneca da Índia assim como de insumos para a fabricação de imunizantes vindos da China.

Uma das possibilidades que tem sido aventada no âmbito internacional seria a de Biden apoiar que a Organização Mundial do Comércio (OMC) estabeleça uma política de restrição a quem infringir determinadas normas ambientais. É algo parecido com o que ocorreu na década de 1990, quando havia severos vetos aos negócios com países em que eram registrados trabalho infantil ou escravo. É um debate que ocorrerá ainda ao longo de 2021.

“Os EUA querem criar uma nova doutrina mundial que prima pelos predicados da economia verde, da proteção da biodiversidade, mas também como componente vital na regulação das relações comerciais”, ressalta o cientista político e pesquisador de Harvard, Hussein Kalout, que foi secretário especial de Assuntos Estratégicos da Presidência sob o Governo Michel Temer. A escolha de John Kerry, ex-secretário de Estado de Barack Obama, para ocupar o cargo de “czar ambiental” de Biden é uma dessas sinalizações de endurecimento da política verde do novo presidente.

Outra indicação de que a política de Biden também enfraquecerá Bolsonaro foi a opção dele por Anthony Blinken para o cargo de secretário de Estado. Ele é um defensor do multilateralismo, ao passo que o presidente brasileiro, assim como Trump era, é um crítico das organizações internacionais e defensor de acordos bilaterais.

De início, contudo, Biden terá preocupações urgentes antes de tratar da política externa com o Brasil. Entre elas, estariam o combate à pandemia de coronavírus, estratégias para recuperar a economia americana e como recompor a política interna que ficou extremamente polarizada principalmente no fim do mandato de Trump. Na visão de Kalout, a gestão do democrata será pragmática na seara internacional, e com o Brasil não será diferente. Pontes não seriam queimadas, mas o Brasil seria colocado em espera, por um tempo.

“O alinhamento entre os Governos brasileiro e americano foi para além do que é um alinhamento automático. Tivemos uma subordinação de interesses. Perdemos a autonomia decisória em matéria de política internacional. O Brasil tornou-se incapaz de tomar decisões desprendidas daquilo que o Trump entendia o que era necessário para o Brasil”, ponderou o ex-secretário de Temer.

Desde que assumiu a presidência, Bolsonaro fez questão de se aproximar de Trump. Mesmo após a confirmação da eleição de Biden, ele insistiu na infundada tese de que as eleições americanas foram fraudadas. E foi um dos últimos a parabenizar o vencedor do pleito.

Sobre a possibilidade de se demitir Salles e/ou Araújo, Kalout diz que essa medida não surtiria efeito de imediato, a menos que a condução da política dessas pastas mudasse. “Não adianta só trocar nomes. Tem de trocar o direcionamento, tem de trocar a maneira de se conduzir. E isso não depende, exclusivamente, do ministro que ocupar o cargo, mas do presidente”, diz o cientista político.

Um tema que deverá sofrer poucas mudanças é o da tecnologia da internet 5G. Trump vetou a presença da empresa chinesa Huawei dos Estados Unidos e tem pressionado para que países aliados o façam. O presidente Bolsonaro vinha sinalizando que seguiria o caminho traçado pelo republicano, mas ainda não havia uma definição final. O leilão da frequência deve ocorrer até meados deste ano. Agora, mesmo com a assunção de Biden a tendência é que alguma limitação à empresa chinesa persista, ainda que de maneira mais moderada.

“Essa guerra é suprapartidária. Se fosse o Trump ou o Biden seria a mesma coisa. Se não vierem vetos, virão barreiras que vão dificultar uma vitória da Huawei”, disse um dos diplomatas. O que está em jogo, não é apenas a questão financeira, mas a guerra geopolítica que EUA e China travam por essa tecnologia. Avaliação parecida é feita pelo cientista político Kalout. “Não tem como o Brasil banir, ele ainda depende da Huawei. Mas os EUA vão exercer pressão para delimitar essa entrada da Huawei no 5G do Brasil, mas também em toda a Europa”, afirmou.

Por: Afonso Benites
Fonte: EL País

Avanço da monocultura no Maranhão ameaça produção do acampamento Marielle Franco

Por: Site

Mais de 150 famílias produzem alimentos na área, pulverizada com agrotóxicos para plantio de eucalipto e soja

Chamadas de deserto verde, extensas produções de eucalipto se espalham pelo Maranhão – Divulgação

Em meio a uma imensidão de soja e eucalipto, o acampamento Marielle Franco, próximo ao município de Itinga, no Maranhão, é considerado um ponto de resistência e sustentabilidade. Apesar de ainda não terem garantia da posse da terra, que está em processo de desapropriação, os agricultores acampados ali já avançam na produção de arroz, feijão, fava, abóbora, farinha, milho e diversas frutas e hortaliças.

Acampadas desde 9 de junho de 2018, as cerca de 150 famílias produzem uma diversidade de alimentos em um pequeno espaço de 110 hectares da área ocupada, em meio à pulverização de agrotóxicos para o cultivo de soja e eucalipto que se espalha pelo sul maranhense.

A região compreendida como mesorregião sul maranhense é pioneira na produção de soja em larga escala. Ainda no final dos anos 1990, alcançou a margem de 448,4 mil toneladas produzidas em quase 176,4 mil hectares, que antes era espaço de agricultores familiares que, da terra, tiravam a subsistência, mas se viram obrigados a migrar para centros urbanos como Itinga, Açailândia e Imperatriz.

Famílias do acampamento comercializam o excedente de produção nos centros urbanos e garantem renda / MST-MA

Filho de lavradores, o produtor Emílio Alves explica que as famílias ainda usam técnicas manuais de plantio e colheita, mas a produção já é suficiente para manter a subsistência de todas elas e gerar renda.

“Apesar de ser uma produção chamada de roça no toco, que é na foice e no machado mesmo, hoje nós temos uma produção muito boa. Digo com toda a segurança: hoje o feijão, o arroz, a fava, que é o que a gente consegue guardar, eu ainda tenho na minha casa para o consumo, frutos da mão de obra braçal, frutos da nossa terra”, destaca Emílio.

O produtor Emílio Alves se orgulha de alimentar a família com o que planta, entre arroz, feijão e farinha / Emílio Alves

Desapropriação em andamento

O acampamento Marielle Franco possui uma área de plantio reduzida em razão do processo de desapropriação em andamento. Contudo, em cerca de 110 hectares, os agricultores garantem destaque especial à produção de arroz, que deve alcançar a marca de 140 toneladas para a safra de 2020/2021.

Integrante da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Divina Lopes explica que, além de garantir alimento saudável para a população da região, o espaço é a garantia de preservação do bioma, de territórios e comunidades que precisam da terra para o sustento.

“O acampamento Marielle fica sitiado pelo avanço do monocultivo do eucalipto e da soja, então se constitui ali um espaço de produção de resistência, porque, além de ser um espaço de produção de alimento saudável, de alimento diversificado, é um espaço também que constitui uma muralha de impedimento do avanço dos monocultivos, que têm destruídos biomas, territórios e comunidades”, argumenta.

Sem agrotóxicos, as áreas de cultivo apresentam uma grande diversidade de produtos entre frutas, legumes, verduras e hortaliças / Emílio Alves

Com um plantio livre de agrotóxicos, os produtores também declaram preocupação com o avanço do monocultivo, que, além de retirar agricultores de suas terras, também prejudica o plantio de alimentos em razão da pulverização de agrotóxicos na região.

“As pragas vão correr para onde não tem agrotóxico, isso é bem claro. Eles põem agrotóxico de um lado, então elas se refugiam na mata, e quando você faz essa abertura, elas vão atacar a tua produção. Essa é a nossa preocupação e, inclusive ano passado, a gente teve perda de muita fava. Não sabemos como resolver isso, porque cada vez mais os campos estão crescendo”, lamenta Divina.

Desmatamento no Maranhão

O Maranhão foi o estado que mais desmatou o cerrado para a agricultura, pecuária e plantio de eucalipto entre agosto de 2019 e julho de 2020, o que representa um crescimento de 13% nesse período, informam dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Ainda segundo o Inpe, a região sul maranhense, onde está localizado o acampamento Marielle Franco, foi a que mais perdeu mata nativa, com uma estimativa de 7.300 km², o equivalente a cinco vezes a área da cidade de São Paulo.

Por: Mariana Castro
Fonte: Brasil de Fato

Pesquisadores descobrem nova espécie de cobra d’água e alertam para risco de extinção

Por: Site
Vistas dorsal, lateral e ventral da cabeça do holótipo de Helicops phantasma, nova espécie de cobra d’água. Imagem retirada do artigo “Long known, brand new, and possibly threatened: a new species of watersnake of the genus Helicops Wagler, 1828 (Serpentes; Xenodontinae) from the Tocantins- Araguaia River Basin, Brazil”/Reprodução

A ciência acaba de descobrir a existência de uma nova espécie de cobra d’água, mas pode ser tarde demais. O alerta vermelho de risco de extinção veio cedo para a recém-descrita Helicops phantasma porque a maior parte do seu habitat conhecido, na bacia do Tocantins-Araguaia, está hoje alagada pela represa construída por duas usinas hidrelétricas – Luís Eduardo Magalhães e de Estreito. As coletas da espécie foram feitas antes da construção das usinas, quando já havia a suspeita dos pesquisadores de que poderia se tratar de uma espécie diferente. Até então, a phantasma era associada a Helicops leopardinus, uma cobra d’água mais comum, que ocorre no Brasil inteiro.

A descrição da nova espécie, Helicops phantasma, foi publicada em um artigo na revista científica Zootaxa no início de janeiro. A pesquisa é assinada por cientistas do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal de Mato Grosso e da Universidade Federal de São Paulo.

O batismo científico dado à nova cobra d’água – phantasma – não é à toa. A inundação provocada pela represa das usinas hidrelétricas atingiu a maior parte dos habitats onde os indivíduos desta espécie foram encontrados, antes do alagamento. “Ou seja, é bastante provável que a espécie esteja altamente ameaçada de extinção; portanto, talvez tenhamos uma espécie que dificilmente veremos”, alerta Pedro Nunes, professor da UFPE.

Os primeiros indivíduos da espécie, e a maioria deles, foram coletados durante os trabalhos de resgate de fauna que antecederam a construção da Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães, no rio Tocantins, no início dos anos 2000. “Na época, apesar de muitos pesquisadores concordarem que os indivíduos eram diferentes do que já conhecíamos para as cobras d’água brasileiras, ainda não existiam evidências suficientes para a atribuição de um novo nome”, explica Nunes.

Sua coloração similar a da Helicops leopardinus, uma cobra d’água comum e amplamente distribuída no Brasil, levava alguns a apontarem que poderiam se tratar da mesma espécie. Dois fatos identificados pelos pesquisadores desmontaram essa teoria: a ausência das manchas típicas de leopardinus na nova espécie, onde são substituídas por bandas transversais; e a presença de um órgão sexual masculino (hemipênis) único no gênero.

Para chegar na sua distinção definitiva de outras cobras do gênero Helicops, os cientistas fizeram a análise biomolecular de um grande número de espécies, a partir dessas amostras preservadas capturadas anos atrás, e identificaram características que comprovaram que a phantasma é de fato uma espécie diferente.

Por: Duda Menegassi
Fonte: O Eco

Colapso no Amazonas: cresce o número de sepultamentos por covid-19

Por: Site

Vacinação do grupo prioritário deve começou nesta segunda (18), enquanto municípios do interior ainda são abastecidos

Crise de falta de oxigênio e colapso do sistema de saúde no Amazonas registra aumento nos sepultamentos com mais de 6 mil mortes por covid-19 no estado. – MICHAEL DANTAS / AFP

Após o colapso do sistema de saúde, na última quinta-feira (14), o estado do Amazonas começou esta semana registrando mais um crescimento no número de óbitos em decorrência da covid-19. Nesta segunda-feira (18) foram registradas 6.191 mortes, quase 280 mil casos confirmados e a fila de espera por um leito já passa dos trezentos pacientes, de acordo com dados da Secretaria de Saúde do Estado.

Em compensação, por causa da repercussão da calamidade de pacientes morrendo sem oxigênio nos principais hospitais, começaram a chegar novos cilindros, por meio de doações e ações do poder público. O governo do estado também iniciou a transferência dos pacientes graves com covid-19 para outras regiões. Ao todo, já foram transferidos 94 pacientes, endereçados para unidades no Piauí, Maranhão, Goiás e Paraíba.

Segundo comunicado da Secretaria Estadual de Saúde, 30 municípios retiraram, nos últimos dois dias aproximadamente 950 cilindros de oxigênio na própria Secretaria, na Central de Medicamento e na empresa White Martins. Outros 150 cilindros, ainda segunda SES, foram enviados via terrestre ou aérea para as cidades de Tefé, Coari, Parintins, Fonte Boa e Tapauá. 

Colapso

O sistema de saúde do estado entrou colapso na última quinta-feira (14), quando as unidades bateram recorde de internações e a demanda por oxigênio aumentou cinco vezes. Os médicos ficaram desesperados e começaram a gravar vídeos denunciando a situação. Alguns pacientes morreram por asfixia, quando não conseguem respirar.

A crise também atingiu quem não estava com covid-19. Era o caso de bebês recém-nascidos, que precisavam fazer uso do oxigênio. Especialistas, como epidemiologista Jesem Orellana da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Amazonas, afirmam que esta crise era evitável e que os governos estadual e federal sabiam que o oxigênio não seria suficiente para uma nova onda de internações  no estado.

“O governo do estado do Amazonas, na figura do governador, obviamente, reconhece que vinha fazendo o monitoramento de vários indicadores, incluindo do consumo de oxigênio medicinal. Portanto, eles vinham acompanhando essa situação há mais de duas, três semanas; eles sabiam que provavelmente nós chegaríamos a uma situação limítrofe como essa, e isso é uma situação que precisa ser investigada pela justiça”, pontuou. 

Com a escassez do oxigênio, as famílias dos pacientes se lançaram numa corrida em busca dos cilindros no mercado e se depararam com um aumento de preços incalculável, como recorda a psicóloga Karla Tayná, cujo tio estava internado no Hospital 28 de Agosto, um dos maiores de Manaus.
 
“A gente nunca imaginou que viveria o que viveu na semana passada. Muita gente procurando cilindro para comprar, as empresas aumentando o preço absurdamente; um cilindro que vale 600 reais indo para 6 mil reais. Imagina que muitas famílias não conseguiram comprar. É muito caro”, relata ela. 

Enem

A crise na saúde provocou o adiamento do Enem, o principal exame nacional que garante o acesso ao Ensino Superior, e os estudantes amazonenses farão a prova nos dias 23 e 24 de fevereiro.

A manutenção do exame não agradou a alguns candidatos, como Ana Paula Feitosa, que tentará o curso de medicina no vestibular. “Eu acho muito injusto, porque assim como foi difícil para mim me preparar, imagino que para muitos outros também. Então, você ainda ter que fazer  uma prova com familiar internado, ou depois de perder um familiar, é muito triste”, declarou. 

Vacina

O governo do Amazonas iniciou a vacinação do grupo prioritário nesta segunda-feira (18). O estado recebeu 256 mil doses do governo federal e 50 mil do governo de São Paulo.

Em comunicados à imprensa, o governo estadual anunciou requisição de novos cilindros, transferências de pacientes, força tarefa da equipe da assistência social e fiscalização sobre o abastecimento de oxigênio nas unidades do interior. 

A justiça federal do Amazonas determinou que o governo federal apresente um plano de abastecimento de oxigênio e transferência de pacientes com risco de morte. Até o momento, segundo informações do ministério da saúde, foram enviados 350 cilindros e 373 bombas de infusão, mas quantidade ainda é insuficiente.

Por: Afonso Bezerra
Fonte: Brasil de Fato

Quilombolas também ficarão de fora da vacinação prioritária

Por: Site

Negligenciados pelo Estado durante a pandemia e com alta taxa de letalidade, comunidades lutam para garantir prioridade na campanha de imunização.

Caos na Pandemia: Quilombolas também ficarão de fora da vacinação prioritária
Na imagem acima, Rubens Borges Paiva, morador do quilombo Vila Formosa no Pará (Foto: Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real)

Quilombolas lutam para estarem entre os primeiros grupos na fila da vacinação contra o novo coronavírus, mas se depender do governo federal é pouco provável que isso aconteça. Após meses de desassistência durante a pandemia, em que não conseguiram garantir sequer a segurança alimentar e os insumos básicos para a prevenção, eles batalham na Justiça para serem ouvidos, respeitados e vacinados.

Desde 9 de setembro, tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 742/2020), alegando que a omissão do governo federal contribuiu para o avanço da Covid-19 nos territórios quilombolas. A ação foi protocolada pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e por quatro partidos (PSB, PSOL, PT e PCdoB).

No dia 14 de dezembro, a Conaq aditou a ADPF 742/2020 solicitando, por meio de medida cautelar, a inclusão da população quilombola entre os grupos considerados prioritários pelo Ministério da Saúde para a vacinação. Até 19 de janeiro, a ação repousava na mesa do relator, o ministro Marco Aurélio, à espera de uma decisão.

Segundo a Conaq, a taxa de mortalidade do grupo por Covid-19 é superior à média nacional de cerca de 3%. No Norte, chega a 11,5%. Entre os estados com maior número de mortes pela doença nessa população, dois deles estão na Amazônia: o Pará, em primeiro lugar no ranking com 47 óbitos, e o Amapá, em terceiro com 25.

“Nossa preocupação agora é que a mesma desatenção dada nesses mais de dez meses de pandemia se repita na vacinação do nosso povo”, alerta Givânia Maria da Silva, uma das fundadoras da Conaq. Para ela, a ausência do Estado pode ser lida como uma prova do “racismo estrutural consolidado na sociedade brasileira”.

Não faltam indicações de que, mais uma vez, o governo federal esteja abandonado os quilombolas. Em 1º de dezembro, nas estratégias preliminares de vacinação apresentadas pelo ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, os quilombolas não foram incluídos entre os grupos prioritários dos primeiros lotes das vacinas. Diversas organizações rapidamente se manifestaram cobrando a inclusão dos quilombolas, incluindo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). 

Em 12 de dezembro, por determinação do STF, o ministro da Saúde encaminhou a primeira versão do que chamou de “Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19”, no qual as populações quilombolas permaneciam excluídas. No dia 16, uma nova versão do documento foi divulgada e junto aos quilombolas mais quatro grupos passaram a integrar a lista prioritária de vacinação: ribeirinhos, trabalhadores de transportes coletivos, pessoas em situação de rua e a população privada de liberdade.

Já no Amapá, o plano estadual de vacinação nem mesmo considera os quilombolas como grupo prioritário. Revoltadas, as 258 comunidades, distribuídas em dez dos dezesseis municípios do estado, questionaram oficialmente o governo no dia 15 de janeiro. Estima-se que o Amapá concentre cerca de 64 mil quilombolas.

Quilombolas são os últimos entre as “prioridades”

Comunidade Quilombola Mata Cavalo em Nossa Senhora do Livramento (MT)
(Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real)

Apesar da inclusão oficial, os quilombolas aparecem como um dos últimos grupos a serem beneficiados com a vacinação ao lado dos profissionais de educação, trabalhadores de outros serviços essenciais e pessoas em situação de rua. Pesquisadores não têm dúvida de que a população que vive em quilombos experimenta níveis de vulnerabilidade que só ficam atrás dos de indígenas aldeados. 

Sem uma segurança jurídica, e com um governo negacionista e declaradamente inimigo das minorias, os povos quilombolas seguem na incerteza. O próprio governador paulista João Doria, estado que deu a largada na imunização com a vacina Coronavac, do Instituto Butantan, garantiu na terça-feira (19) que, ao contrário do Ministério da Saúde que “excluiu os quilombolas da fase inicial do plano nacional de imunização”, vai incluir essa população em São Paulo.

Uma das justificativas já utilizadas para a exclusão dos quilombolas é a de que a ausência de dados oficiais sobre a população e o número de comunidades existentes no país dificultam o planejamento e a logística de vacinação do grupo nesse primeiro momento. O plano destaca que a estimativa populacional dos quilombolas “está em desenvolvimento pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”. O censo de 2020, adiado por conta do novo coronavírus, seria o primeiro a incluir as populações quilombolas nas bases oficiais de dados.

Em julho de 2020, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a Lei 14.021 que prevê medidas de proteção e de assistência para indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores e outras populações tradicionais, além da criação de um Plano Emergencial para Enfrentamento à Covid-19. Mas Bolsonaro deixou de fora 22 pedidos do projeto de lei (PL) original, alegando falta de recursos. Em agosto, o Congresso derrubou 16 dos 22 vetos, ficando garantida a declaração do critério raça/cor nos registros e notificações do SUS (Sistema Único de Saúde), visando identificar indígenas não aldeados que tenham contraído a doença. No entanto, mesmo em vigor, a queixa das populações tradicionais é a de que a lei não tem sido cumprida.

O plano nacional prevê a vacinação dos grupos prioritários em três fases iniciais: na primeira, serão imunizadas pessoas acima de 75 anos, pessoas acima de 60 anos institucionalizadas, profissionais da saúde, indígenas aldeados e ribeirinhos; na segunda, está prevista a vacinação de pessoas entre 60 e 74 anos; na terceira fase, pretende-se imunizar as pessoas com comorbidades comprovadas.

Mario Santos, 43 anos, presidente da Associação da Comunidade Quilombola Gibrié de São Lourenço, em Barcarena, no Pará, afirma que está preocupado com a logística da vacinação nas comunidades quilombolas da Amazônia. “Mesmo nós aqui em Barcarena, que vivemos dentro de uma cidade industrial, ouvimos da prefeitura que o acesso à nossa comunidade é difícil, imagine outras que estão distantes horas de rabeta dos municípios onde elas estão”, explica.

“Precisamos garantir a prioridade na vacinação de nosso povo, porque senão daqui há pouco não sobrará nenhum dos nossos velhos para contar para os mais novos sobre as nossas origens, nossos costumes e tradições. Nossa cultura está sendo dizimada por esse vírus”, diz Santos.

A expectativa pela chegada das vacinas

Chegada da vacina contra o COVID-19 em Santarém (Foto: Marco Santos/Agência Pará)

Raimundo Magno, membro da Coordenação Estadual das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Pará (Malungu), relata que há uma grande expectativa para a chegada da vacina entre as comunidades. “A gente tem estado angustiado com relação à vacinação porque não fazemos ideia de quais estratégias e prioridades serão utilizadas pelo Ministério da Saúde para alcançar as demandas da população quilombola”. 

O Pará é o estado da federação com o maior número de comunidades quilombolas, são 528 no total, reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares (FCP), onde vivem cerca de 6.000 famílias, distribuídas em 64 municípios do estado. Existem também no Pará outras comunidades autodeclaradas que ainda não conseguiram certificação junto ao órgão.

Para Hilton Silva, professor do programa de pós-graduação em Saúde, Ambiente e Sociedade na Amazônia e do programa de pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), há uma negligência sistemática por parte do Estado brasileiro, no que diz respeito ao tratamento das comunidades quilombolas. 

O professor, que também é membro do Grupo Temático Racismo e Saúde da Abrasco, afirma ainda que o que tem acontecido com os quilombolas durante a pandemia “é reflexo de todo um processo de desconhecimento das suas realidades pelo Estado, que ignora propositalmente suas existências, na tentativa de descaracterizá-los do ponto de vista cultural, com a intenção de tomar suas terras e fazer com que eles se transformem em proletariado camponês”.

Amazônia Real procurou o Ministério da Saúde em busca de informações sobre o plano de imunização e sobre as estratégias que estão sendo elaboradas pelo órgão para atender as comunidades quilombolas, mas não obteve resposta até esta publicação. 

O plano estadual de vacinação do Pará, publicado em 18 de janeiro, considera as populações quilombolas na segunda fase da vacinação, entrando na fila com profissionais da segurança pública na ativa; idosos acima de 60 anos. O plano indica que as prefeituras onde existam populações quilombolas deverão traçar as próprias estratégias e logísticas de imunização dessas comunidades. 

No entanto, segundo relatos ouvidos pela reportagem, há municípios paraenses que nem mesmo reconhecem a existência de comunidades quilombolas em seus limites, indicando mais um problema a ser enfrentado pelos quilombolas durante este processo. Estima-se que haja no Brasil quase 6 mil comunidades autodeclaradas quilombolas.

“Nós nunca tivemos saúde”

Maria de Fátima Gusmão Batista, presidente da Associação de Moradores da Comunidade Quilombola do Gurupá (Foto: Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real)

Segundo o professor Hilton Silva, as populações quilombolas já possuem um histórico de ocorrências de doenças maior que o da população urbana de maneira geral, mesmo da população urbana pobre. São doenças como hipertensão, diabetes, tuberculose e  anemia falciforme. “Você já tem um corpo lutando contra uma série de enfermidades, aí chega mais uma ameaça externa como este vírus e sobrecarrega um sistema que já está no limite. É justamente por isso que essas populações precisam de maior atenção durante a pandemia e precisam ser vacinadas prioritariamente”, orienta Silva.

As más condições sanitárias e a falta de assistência médica são fatores que contribuem para a situação de vulnerabilidade das famílias. Muitas comunidades lutam também contra a invasão e a contaminação dos seus territórios por indústrias de mineração e do agronegócio, algo que ao longo dos anos tem comprometido a segurança alimentar dessas populações. E, segundo a Conaq, a maioria das famílias não conseguiu acessar o auxílio emergencial.

“Aumentou a carência nutricional, a insegurança alimentar, porque eles viviam da agricultura familiar, de tirar os seus produtos e vender nas feiras, então com o autobloqueio e com as barreiras sanitárias improvisadas que foram construídas para tentar evitar que o vírus chegasse às comunidades houve uma perda de renda”, afirma Givânia Silva, da Conaq.

“A questão que temos que observar não é o que a Covid-19 trouxe para as comunidades, mas como elas estavam quando a doença chegou”, ressalta Givânia. Ela se refere a problemas históricos vivenciados pelas populações quilombolas, como a falta de infraestrutura, dificuldades de acesso aos serviços básicos de saúde, saneamento básico, invasões de seus territórios, além de contaminações industriais em comunidades situadas próximas a grandes empreendimentos, problemas que foram acentuados durante a pandemia. 

“Temos feito denúncias aos Ministério Público Federal no Supremo Tribunal Federal, mas o que temos observado é que há uma paralisia no Estado brasileiro como um todo, o sistema de Justiça não tem funcionado”, denuncia Givânia Silva. Núbia de Souza, 39 anos, coordenadora da Conaq no Amapá, caracteriza a falta de cuidados com a população quilombola como “uma forma de violência praticada pelo Estado”. 

“Tenho me perguntado como essa vacinação será feita, qual a ordem? Quais as prioridades? E quais medidas serão tomadas para que a pandemia não acabe se alastrando ainda mais por conta do contato com pessoas de fora?”, acrescenta Hilton Silva.

Não se sabe quantos quilombolas morreram

Elisabete Pereira-, no quilombo Casa Grande no Amapá (Foto Rudja Santos/Amazônia Real)

“O Brasil é um país que quando não mata a população negra, deixa morrer. No caso da pandemia e dos quilombolas, o Estado ainda tem escondido os corpos, ocultado a prova do crime”, denuncia Givânia Silva, indicando o fato de que não existe nenhuma estatística ou banco de dados por parte do governo federal e dos governos estaduais, que quantifique o número de quilombolas infectados e mortos pela Covid-19. “Isso é uma ação de Estado, mas infelizmente o Estado não faz e nós estamos fazendo de maneira precária, porque sabemos que são subnotificados, mas é o que nós temos.”

A frase da líder Givânia é uma tradução quase literal da categoria “necropolítica”, criada pelo filosofo negro e camaronês Achille Mbembe. Para o teórico o Estado age, em determinadas situações, de modo a promover deliberadamente a morte de alguns grupos em detrimento de outros.

Giivãnia falando no Congresso nacional (Foto Arquivo pessoal)

Uma base de dados autônoma foi montada pela Conaq, em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), para o monitoramento do avanço da doença nos territórios quilombolas. Até o dia 18 de janeiro havia 4.753 casos confirmados e 179 óbitos, mas a própria entidade avisa que esses dados são subnotificados.

Os dados são compilados a partir das informações repassadas pelos núcleos estaduais da Conaq, que por sua vez recebem as estimativas via WhatsApp diretamente das comunidades. “Tu achas que a gente consegue dar conta da demanda que temos por aqui?”, pergunta Raimundo Magno, integrante da Malungu, que tem atuado no auxílio às comunidades quilombolas do Pará. A instituição não dispõe de estrutura logística para alcançar as 528 comunidades autodeclaradas e reconhecidas pela FCP, presentes no estado. “Não houve nenhuma iniciativa por parte do Estado, nenhuma campanha, medida de prevenção, ou registro dos casos ocorridos em comunidades quilombolas”, diz Magno.

No Pará, a Malungu em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), passou a elaborar boletins informativos com os quantitativos informados pelas comunidades do Pará. Além do número de casos confirmados e de óbitos, o boletim informa também a quantidade de pessoas sem assistência médica e de suspeitos em tratamento. Segundo o último boletim, lançado no dia 14 de janeiro, havia 2.149 casos confirmados, 46 óbitos, 1.225 casos suspeitos sem assistência médica e 1.228 suspeitos em tratamento no estado.

“Na nossa comunidade só foram diagnosticadas 3 pessoas com a doença, as outras 85 nós que diagnosticamos pelos sintomas, e nos resguardamos”, afirma Mário Santos. A Amazônia Real buscou as mesmas informações de registros estatísticos nos bancos de dados do governo do Pará. A Secretaria de Saúde informou que “esses dados não são inseridos no Sistema do Ministério da Saúde, pois não há campo para classificar o paciente como quilombola”, ainda que exista uma estatística feita pela própria Sespa que permitiria incluir os dados. Questionada sobre o estado concentrar o maior número de casos de óbitos entre os quilombolas, a Sespa atribui à maior testagem e pelo maior contingente populacional.

Dona Maria Divina no quilombo do Amapá (Foto: Anderson Menezes/Amazônia Real)

Por: Cicero Pedrosa Neto
Fonte: Amazônia Real

Nutri Meio-Norte avança e já é usado em quatro regiões do País

Lançado em maio de 2019, o aplicativo Nutri Meio-Norte, módulo Soja, avança e já é usado por produtores dos estados de quatro das cinco regiões do Brasil.

Vídeo mostra passo a passo para pasteurização do leite

Processo de pasteurização lenta proporciona queijos artesanais saudáveis e com qualidade

Governo Bolsonaro vai deixar quase 400 mil indígenas fora da primeira etapa de imunização

Por: Site

O plano do governo federal prevê que sejam imunizados apenas indígenas que vivem em aldeias dentro de territórios demarcados.

Caos na pandemia: governo Bolsonaro vai deixar quase 400 mil indígenas fora da primeira etapa de imunização
No Amazonas, o governo estadual quebrou a regra e vacinou a primeira indígena de contexto urbano: Vanda Witoto, que mora em Manaus (Foto: Arthur Castro/Secom)

plano nacional de imunização da Covid-19, previsto para começar nesta terça-feira (18) no país, exclui pelo menos 380 mil indígenas porque eles não vivem dentro de aldeias dos territórios demarcados, segundo levantamento do Coletivo Indígenas do Amazonas, que no último domingo (17) lançou uma mobilização nacional para pressionar as autoridades de saúde a ampliarem a cobertura vacinal prioritária. O número é com base no Censo de 2010 do IBGE, no qual aponta que a população indígena é de 900 mil indígenas, sendo que 379,535 mil vivem fora de terras indígenas, portanto, sem cobertura do subsistema de saúde indígena (SUS) do Ministério da Saúde. Este número pode estar subestimado, e deve ser muito maior, chegando a 400 mil, a quantidade de indígenas excluídos da vacina, segundo Lúcia Alberta Andrade, do povo Baré, indígena do Alto Rio Negro, uma das lideranças que assinam o documento (leia ele na íntegra).

Organizações indígenas do Amazonas estimam que só em Manaus, que enfrenta nesta pandemia a pior tragédia humanitária de sua história, há cerca de 20 mil indígenas vivendo em comunidades urbanas. Ao deixar esse grupo de fora das prioridades, o Ministério da Saúde lava as mãos de sua responsabilidade sobre os povos originários. Segundo Lúcia Alberta, na lista dos excluídos estão indígenas de contexto urbano, comunidades rurais fora de terras demarcadas, acampamentos e territórios que lutam por demarcação, além de imigrantes, como é o caso do povo Warao, da Venezuela.

“Todas as vezes que o ministro da saúde [general Eduardo Pazuello] fala em ‘indígenas aldeados’ com prioritários, ele esquece que somos indígenas em qualquer lugar. Eu nasci em uma aldeia do Alto Rio Negro. Por morarmos em cidades e termos uma imunidade mais delicada do que os não indígenas, temos mais facilidade de sermos infectados, até mais do que nossos parentes que estão nas comunidade distantes, mais isoladas. Tem que ser revista essa política de separar indígenas aldeados de não aldeados”, disse Lúcia Alberta à Amazônia Real.

Lúcia Alberta também ressaltou que não são apenas os indígenas de contexto urbano que serão excluídos, mas aqueles que vivem em territórios em processo de demarcação. Ela destaca também a necessidade de incluir os indígenas Warao, refugiados na Amazônia desde 2015.

“Tem esse agravante. Quando fala não aldeados, exclui completamente os indígenas há muito tempo lutam para terem suas terras demarcadas. E que perderam suas terras por todo esse processo de colonização. Essas pessoas correm grave risco de não ter vacinação”, alerta.

A Articulação dos Povos Indígenas Brasileiros (APIB), maior organização indígena do país, deve definir, ainda nesta terça-feira (19), os planos de uma campanha de pressão nacional e internacional para cobrar informações detalhadas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A organização vai se reunir com pesquisadores da Fiocruz. Segundo Sonia Guajajara, em entrevista à Amazônia Real, a APIB não descarta entrar com medidas judiciais para cobrar por ações efetivas no combate à Covid-19 entre a população indígena.

“Queremos garantir a imunidade para toda a população indígena independente de distância e localização geográfica, desde as áreas mais remotas ao contexto urbano. Nesse momento talvez seja mais difícil conseguir vacinação para quem está perto, pois o governo federal adotou uma política de exclusão dos povos que estão vivendo nas cidades. Isso será uma grande questão a ser enfrentada”, protestou. 

Sonia Guajajara deu como exemplo a situação do Amazonas, onde os indígenas que vivem na capital “estão doentes e morrendo”. “O Amazonas está um caos. Os indígenas em Manaus precisam de apoio. Como ser seletivo [a vacina] nesta situação? Não podemos permitir esse racismo institucional”, afirmou.

Dos 900 mil indígenas, segundo o Censo do IBGE de 2010, mais de 500 mil vivem em territórios tradicionais demarcados. Mas segundo as organizações a população indígena do país passa de 1 milhão.

A condução do combate à pandemia do governo federal envolve não só desinformação e negacionismo, mas também ocultamento de dados reais sobre a situação entre os povos indígenas. O governo Bolsonaro tem subestimado o número de óbitos e a contaminação por Covid-19.

A APIB produz um levantamento próprio da evolução da doença e aponta que o número de óbitos de indígenas é quase o dobro do divulgado pelo governo, 917 ante 513. Desde o mês de abril de 2020, a organização indígena registrou 45.267 casos positivos do novo coronavírus no país A Secretaria Especial de Saúde Inígena (Sesai), do Ministério da Saúde, contabiliza 5.867 mortes, uma diferença de 87,0%.

Nesta segunda-feira (18), com as primeiras doses da Coronavac chegando aos estados, as organizações indígenas do Amazonas iniciaram uma mobilização para pressionar a inclusão de todos os povos originários do Brasil. O documento do Coletivo Indígena do Amazonas traz um abaixo-assinado, liderado por representações dos 65 povos do Estado com a maior população de indígenas autodeclarados (168,7 mil), foi encaminhado ao procurador da República Fernando Merlotto Soave, do Ministério Público Federal (MPF). Eles também reivindicam a criação de planos estadual e municipal de imunização e de um hospital de campanha.

Vanda Witoto é vacinada em Manaus

Velório do Cacique Messias no Parque das Tribos (Foto: Raphael Alves)

No Brasil, a vacinação de imunização do novo coronavírus começou no domingo (16) em São Paulo. A primeira mulher indígena a ser vacinada foi a técnica de enfermagem e assistente social Vanuzia Kaimbé, de 50 anos.

O governo de São Paulo enviou 50 mil doses da vacina Coronavac do Instituto Butantan para o Amazonas. Mais 256 mil doses foram enviadas pelo Ministério da Saúde, segundo o governador Wilson Lima (PSC).

Em Manaus, o início da vacinação começou nesta noite de segunda-feira (18) tendo a primeira pessoa imunizada, com a primeira dose da Coronavac, a auxiliar enfermagem a indígena Vanda Ortega Witoto, de 33 anos.

Moradora do Parque das Tribos, comunidade urbana de Manaus onde vivem mais de 35 etnias, Vanda atendeu centenas de doentes indígenas na primeira onda da pandemia, e agora está de novo na linha de frente da crise em Manaus. Na comunidade vivem 132 famílias, aproximadamente 660 pessoas. Nas duas últimas semanas, 32 indígenas testaram positivo para a Covid-19, segundo Vanda Witoto.

Antes de ser convidada pelo governo do Amazonas para ser a primeira a ser vacinada no Estado, Vanda falou com a Amazônia Real e criticou a falta de vacinação para os povos indígenas que vivem nas cidades brasileiras. “Estamos fora do planejamento de vacinação e de todas as ações realizadas pelo Ministério da Saúde. A Sesai não nos atende por levar em consideração esse termo ‘aldeados’. No quantitativo de 410 mil indígenas que está referenciado para ser vacinado, ficaríamos de fora”, afirmou Vanda.

Morando em Manaus, ou seja, em contexto urbano, ela disse que a escolha pode abrir precedentes para que outros indígenas da capital também sejam incluídos na prioridade. Depois de ser vacinada no Centro de Convenções Vasco Vasquez, na zona centro-sul de Manaus, Vanda Witoto cobrou a vacinação para todos os povos indígenas brasileiros e fez um desabafo ao governador Wilson Lima:

“Para as populações indígenas do Amazonas, esse momento representa muito para o meu povo Witoto e para os 63 povos indígenas do Estado do Amazonas. Esse estado, que tem a maior população indígena do Brasil, precisa ser cuidado”, discursou.

“Eu venho lá do Parque das Tribos, e nessa segunda onda de Covid nós temos, nesse momento, 32 indígenas positivos para Covid. Na verdade, não era para estar aqui, porque nesse momento nós recebemos uma ligação de que quatro parentes estão indo para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), com dificuldade respiratória. Nós estamos montando um hospital de campanha por nossos próprios esforços dentro da comunidade e a gente precisa do seu apoio. A gente já conversou sobre isso [disse ela ao governador]. E quero que esse estado olhe para essas populações aqui”, ressaltou.

Indígenas participam d 5ª Marcha dos Povos Indígenas do Amazonas (2919) (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)

A liderança lembrou o histórico de negligência por que passa os indígenas no país e salientou a necessidade de romper a discriminação nas estruturas do poder.

“Os nossos povos, historicamente, são muito negados. Negado por esse sistema de poder, mas nós queremos nesse momento histórico, que essa vacina chegue para os nossos povos na cidade também. Isso é uma luta do nosso movimento indígena. E precisa ser garantido que esses povos sejam contemplados por essa vacina. Ela é importante para nós”, afirmou.

Com uma fala forte e impactante, Vanda pediu que as autoridades “cuidem das populações que estão na cidade” e apontou “precariedade junto a essas comunidades”.

“Nesse momento de pandemia, as nossas comunidades não têm água potável. É preciso olhar para essas questões dos nossos povos na capital. E sou muito grata àquelas pessoas que têm nos ajudado de alguma maneira. Nós temos recebido apoio de remédio. Nós precisamos de alimento na nossa comunidade para essas famílias que estão desempregadas dentro das nossas comunidades. E eu quero, nesse momento aqui, eu só quero agradecer a Deus, a Mooma, ao nosso Deus Criador, aos nossos ancestrais, porque é necessário garantir a vacina não só para 410.000 indígenas. Hoje, nós somos mais de um milhão de indígenas no território brasileiro, que precisa ser cuidado nesse enfrentamento de pandemia”, declarou, emocionada.

“Muito obrigado a todos por esse momento que Tupana olhe por todos nós. Que Deus cuide de todos nós. Viva os povos indígenas!”, finalizou Wanda Witoto

À Amazônia Real, Lúcia Alberta Andrade destacou a relevância das palavras de Vanda Witoto no momento em que o plano de saúde do governo federal ignora as populações de comunidades não demarcadas.

“A vacina em nossa parenta foi uma vitória. Ela levou nossa mensagem para que seja garantida a vacinação para todos os povos indígenas do Amazonas e do Brasil. Em Manaus, temos muitos povos. São quase 20 mil indígenas que vivem em contexto e mais os povos Warao [da Venezuela] que temos acolhê-los. Queremos que eles sejam vacinados. Vivem numa situação bastante vulnerabilidade. A Vanda, por ser indígena em contexto urbano, mostrou a importância dessa vacinação ser para todos os indígenas”, ressaltou.

Até o momento, contudo, o Ministério da Saúde e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) não divulgaram como vai ser essa operação da imunização nos territórios indígenas. Não há informações de datas, locais, logística para áreas mais remotas, povos, etc. Historicamente, o subsistema de saúde indígena já possui experiência em ações de imunização de indígenas contra doenças endêmicas como sarampo e gripe.

Covid está em alta entre indígenas

Foto do protesto de Vanda Witoto com o secretário Robson Santos em frente ao hospital
(Foto: Dsei Manaus)

Com três ‘parentes’ com dificuldade respiratória, a enfermeira Vanda Witoto afirma que conseguiu a doação de dois cilindros de oxigênio que deveriam ser instalados na segunda-feira. “Iniciamos uma campanha para a compra de medicamento e o pedido de oxigênio para poder cuidar dos nossos parentes sem levar nos hospitais por conta do caos que está lá fora. Para os que têm mais dificuldade respiratória, fazemos exercícios com garrafa pet para ajudar”, explicou.

O abaixo-assinado “Pela vida de todos os povos indígenas do Amazonas: vacinação para todos!” pressiona o governo do Amazonas a vacinar contra a Covid-19 todos os indígenas do estado, inclusive o povo Warao, oriundo da região do rio Orinoco, na Venezuela e que integra a população migrante daquele país no Estado.

“Se é para morrer calado, morrer sem nenhuma assistência dentro de casa, é melhor morrer com dignidade, na rua, lutando, porque não vamos ficar esperando o governo, que já maltrata tanto a nossa população, continue nos matando”, afirmou a líder indígena Marcivana Sateré-Mawé, coordenadora – executiva da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime).

 “Vão fingir que índio não existe”

A liderança Marcivana Sateré-Mawé (do lado de fora) (Foto: Cáritas)

“Sabemos que o prefeito (David Almeida) foi eleito sem ter nenhuma proposta para atender a população indígena da cidade de Manaus. É uma vergonha a Prefeitura não ter um plano, uma vez que grande parte dos indígenas estão em Manaus. Até quando vão viver fingindo que não existe índio em Manaus?”, indagou a liderança Marcivana Sateré-Mawé,. Segundo ela, na capital amazonense, hoje, são falados 16 línguas diferentes entre os povos originários.

Para o médico sanitarista Douglas Rodrigues, do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, a imunização dos indígenas em situação urbana deveria ser priorizada. “Eles estão nas cidades para estudar, trabalhar, buscar atendimento. Passa um tempo e voltam. Se a ideia é proteger as comunidades, por que não vacinar essas pessoas?”, questiona o profissional que trabalha com populações indígenas e em isolamento voluntário na Amazônia há mais de 50 anos.

O indigenista aposentado, Armando Soares, que atuou durante 35 anos pela Fundação Nacional do Índio (Funai) na Amazônia, concorda: “Hoje a saúde indígena tem problemas gravíssimos como se negar a atender indígenas que estão na cidade. Isso é inadmissível, como se morar na cidade tirasse a origem das pessoas”, afirma.

“Esse governo que está aí tirou todos os indigenistas, as pessoas capacitadas das Coordenações regionais da Funai e colocou militares, pessoas que sempre foram inimigas dos índios. É difícil conceber que a vacinação possa dar resultado sendo uma iniciativa deste governo”, completa.

Por: Steffanie Schmidt
Fonte: Amazônia Real

Por que o consumo de carne bovina no Brasil deve voltar em 2021 ao patamar de décadas atrás

Por: Site
Homem compra carne em açougue em Santo André, São Paulo
A perspectiva para 2021 é de que os preços da carne de boi continuem em alta – REUTERS/AMANDA PEROBELLI

Em meio a uma alta de 18% no preço das carnes em 2020, o consumo de proteína bovina pelos brasileiros caiu no ano passado ao menor nível em mais de duas décadas.

A perspectiva para 2021 é de que os preços da carne de boi continuem em alta, como resultado da oferta restrita de gado no país e forte demanda da China. Isso num cenário de menor disponibilidade de renda dos brasileiros, com desemprego recorde, avanço da pandemia e fim do auxílio emergencial.

Diante desse quadro, a expectativa de analistas é de uma nova queda no consumo interno de carne bovina esse ano, o que deve levar o acesso à proteína preferida pelos brasileiros a níveis anteriores à década de 1990.

“Quem mais sofre nesse cenário são os consumidores”, diz Rodrigo Queiroz, analista de mercado da Scot Consultoria, especializada em cotações do agronegócio.

Consumo é o menor desde pelo menos 1996

Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o consumo brasileiro de carne bovina foi de 29,3 quilos por habitante em 2020, uma queda de 5% em relação aos 30,7 quilos por habitante de 2019, ano em que o consumo já havia recuado 9%.

O patamar de 2020 é o menor da série histórica da Conab, que tem início em 1996.

E representa uma redução de 13,5 quilos por habitante em relação ao ponto máximo da série, de 42,8 quilos por habitante em 2006, durante o primeiro governo Lula (PT).

A Conab mede o chamado consumo aparente ou disponibilidade interna per capita, que é o volume produzido, descontadas as exportações e somadas as importações. O número para 2020 é uma estimativa, já que ainda não há dados fechados para a produção pecuária no ano passado.

Mulher compra carne em açougue em Santo André
No ano passado, o preço das carnes subiu 17,97%, segundo o IPCA

Os dados da Conab consideram apenas a carne bovina fiscalizada. Mas, considerando a produção informal, a tendência é a mesma.

Segundo estimativa da consultoria Agrifatto, levando em conta a produção formal e informal, o consumo de carne bovina teria caído 11% em 2020, para 34 quilos por habitante, contra 38,2 quilos por habitante em 2019.

Preço da carne de segunda foi o que mais subiu

No ano passado, o preço das carnes subiu 17,97%, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), bem acima da alta de 4,52% da inflação em geral.

Dos cortes bovinos analisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apenas o nobre filé-mignon teve queda de preço em 2020, de 6,28%. Já a picanha (17,01%), o contrafilé (12,71%) e a alcatra (5,39%) ficaram mais caros no ano passado.

As carnes de segunda, mais consumidas pela população de baixa renda, cujos rendimentos foram impulsionados pelo auxílio emergencial em 2020, foram as que mais subiram, com alta de 29,74% da costela, aumento de 27,67% do músculo e avanços de 26,79% e 20,75%, respectivamente, do cupim e do acém.

A alta das carnes nos supermercados acompanhou o aumento do preço do boi no campo.

A arroba do boi gordo fechou 2020 cotada a R$ 267,15, uma alta de 29% em relação ao final de 2019, segundo o Cepea da Esalq/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo).

Somente nos primeiros 15 dias de 2021, o preço do boi gordo já subiu 7,77%.

Falta gado e sobra demanda chinesa

“Há uma combinação de fatores que explica a alta no preço do boi”, diz Lygia Pimentel, diretora-executiva da Agrifatto. “O mais determinante é o ciclo pecuário: entre 2016 e 2018, nós abatemos muitas fêmeas no Brasil, com isso, o preço do bezerro subiu muito e diminuiu a oferta de gado pronto para entregar.”

Desde o final de 2019, com o preço dos chamados animais de reposição (bezerro, boi magro e garrote) em alta, os produtores passaram a reter as fêmeas nas fazendas para produzir novos animais. Com menos fêmeas “indo para o gancho”, na linguagem dos pecuaristas, a oferta de gado para abate ficou reduzida no ano passado e a tendência é que a retenção de fêmeas continue ao longo desse ano, já que o preço do bezerro segue nas alturas.

“O segundo fator importante certamente foi a China, porque, nos outros mercados compradores de carne brasileira — Egito, Rússia, Chile, Estados Unidos —, houve retração”, diz Pimentel, destacando ainda o papel da alta do dólar nesse impulso às exportações para a China, o que reduz a oferta de carne no mercado interno, levando à alta de preços.

A analista destaca que a participação do país asiático nos embarques brasileiros de carne bovina chegou a 40,9% em 2020, comparado a 25,3% em 2019 e 6,5% em 2015.

E que, com esse impulso chinês, a participação das exportações na produção total de carne bovina brasileira chegou a 28% no ano passado, contra 24% em 2019 e 19,3% em 2015.

Forte demanda da China ainda é reflexo da gripe suína

O coronavírus em 2020 tornou o quarto surto de gripe suína da China em 2018 uma lembrança distante. Mas é essa epidemia que ainda repercute na forte demanda chinesa por proteínas.

“Ainda não houve resolução para a peste suína africana. Ninguém sabe o número exato, mas se estima que ela dizimou entre 40% e 60% do plantel de suínos na China, isso representa mais ou menos um terço da produção de carne de porco do mundo”, diz Rodrigo Queiroz, da Scot Consultoria.

Com essa redução na oferta de suínos, os chineses têm consumido mais frango e carne bovina, daí o forte aumento da demanda naquele país.

Além desse fator conjuntural, também contribuíram para o crescimento das importações pela China o fato de ela ter sido a única grande economia do mundo a registrar crescimento em 2020, mesmo em meio à pandemia do coronavírus, e um fator mais de longo prazo, que é o gradual aumento de renda da população chinesa, o que resulta em maior consumo de proteínas mais caras, como é o caso da carne bovina.

Quem se beneficia da alta de preços?

Segundo os analistas, a alta de preços do boi gordo tem impacto distintos na cadeia pecuária.

Os pecuaristas que trabalham com engorda e recria chegaram a perder margem no ano passado, já que o farelo de soja subiu 100%, o milho subiu 70% e o bezerro, mais de 80% dependendo da categoria.

“Por mais que o boi tenha subido de preço, os custos de produção variaram acima”, observa Pimentel, da Agrifatto. Segundo ela, pecuaristas que trabalham com o ciclo completo — produzindo o bezerro, engordando ele e vendendo o boi dois anos depois – tiveram margens melhores, porque seu estoque se valorizou.

Já entre os frigoríficos, a diferença está entre os pequenos dedicados ao mercado interno e os maiores, com certificação para exportar.

“O frigorífico que trabalha exclusivamente com o mercado doméstico foi muito prejudicado em 2020, porque o preço do boi gordo subiu muito e o preço da carne no atacado não acompanhou na mesma medida, então ele perdeu margem.”

Segundo Paulo Bellincanta, presidente do Sindifrigo-MT (Sindicato das Indústrias de Frigoríficos de Mato Grosso), foram muitos os frigoríficos que precisaram fazer ajustes para sobreviver ao ano passado.

“Toda indústria tem uma linha de equilíbrio de produção, com uma série de custos fixos. Quando o abate fica muito abaixo da capacidade da empresa, aumenta o custo no produto final, isso se reflete nesse preço maior que estamos vendo na ponta, com a carne mais cara para o consumidor”, diz Bellincanta, que estima que a ociosidade da indústria frigorífica esteve entre 15% e 25% ao longo de 2020, sendo que o normal é uma folga em torno dos 10%.

E o que esperar para 2021?

No ano que se inicia, as perspectivas não são melhores, já que a renda e a demanda do brasileiro devem diminuir, mas os preços da carne tendem a continuar em alta, devido à escassez de oferta e à forte demanda externa.

“Com o desemprego acima dos 14% e a extinção do auxílio emergencial, o consumidor brasileiro de baixa renda vai para proteínas alternativas, como ovo, frango e suíno, que também estão com valores altos, mas a carne bovina é a que mais sente quando o poder aquisitivo da população diminui”, diz Queiroz, da Scot Consultoria.

Mulher come hambúrguer
Os preços das carnes devem permanecer pressionados pelo menos até a metade de 2022 – GETTY IMAGES

“Esperamos uma nova queda do consumo per capita de carne bovina esse ano, voltando a patamares antigos, de 20, 30 anos atrás”, completa.

O pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, do Cepea, estudou em sua tese de mestrado a relação entre variação de renda e consumo de carnes.

“O consumo de qualquer tipo de alimento de valor agregado maior é determinado por renda, preço e preferência”, diz Carvalho. “A carne bovina de primeira é a que tem maior elasticidade entre as carnes, em torno de 0,6. Ou seja, se a renda aumentar 10%, o gasto com carne bovina de primeira aumenta 6%. Para carne de segunda, a elasticidade é de 0,2.”

“Nesse primeiro semestre, com o fim do auxílio, o consumo cai no mercado brasileiro, sem sombra de dúvida”, diz o pesquisador, ponderando que o quadro pode ser melhor na segunda metade do ano, caso a economia venha a se recuperar, levando a um aumento da renda.

O problema não acaba em 2021

Pimentel, da Agrifatto, avalia que os preços das carnes devem permanecer pressionados pelo menos até a metade de 2022, por conta do ciclo pecuário. “A baixa oferta de boi gordo não é algo que se consegue resolver de imediato. A produção de bovinos é plurianual, começa a produzir hoje, para entregar esse animal daqui dois, três, quatro anos. Então demora.”

Já Bellincanta, do Sindifrigo-MT, avalia que, mesmo quando houver aumento da oferta de gado, os preços da carne bovina não voltarão aos níveis do passado, devido a mudanças na indústria pecuária que tornaram o processo de produção mais custoso.

“O Brasil, a cada dia que passa, tem menos animais sendo terminados a pasto. O grande rebanho brasileiro hoje é terminado em confinamento”, diz o empresário. “Há cerca de dez ou 15 anos atrás, havia menos de 20% de animais terminados a cocho, hoje é mais da metade. Esses animais comem grãos, e por isso são finalizados em 18 a 24 meses, comparado a três a quatro anos quando o animal era solto no pasto.”

“Então teremos uma proteína mais cara sem data, não há volta nesse processo. A arroba do boi ganhou valor e terá oscilações, mas estará sempre em novo patamar.”

Por: Thais Carrança
Fonte: BBC News

MP vai investigar mortes por falta de oxigênio no Amazonas

Por: Site

Procedimento foi instaurado pelo Gaeco

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) vai apurar as causas e as consequências da falta de oxigênio medicinal em hospitais públicos e privados do estado. O procedimento foi instaurado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Segundo o MP, promotores vão coletar “possíveis evidências de atuação criminosa organizada” e apontar soluções para a situação – que, em nota, o órgão classificou como “caótica”. Além do Gaeco, a ação contará com a colaboração de membros de outras promotorias que lidam com aspectos como direito à saúde, à vida e à dignidade humana.

Em um despacho conjunto, promotores do Gaeco citam reportagens publicadas pela imprensa que, entre outros aspectos, informam que pacientes internados em hospitais de Manaus devido à covid-19 morreram pela falta de oxigênio.

Alegando que as medidas adotadas para fazer frente ao problema deveriam ter sido tomadas antes, os promotores afirmam ser necessário apurar quem, “entre pessoas físicas, jurídicas, servidores e entidades”, deixou de observar as “medidas de precaução necessárias”, permitindo que, “por motivos de desídia [negligência] ou interesses econômicos”, o “caos” se instalasse no sistema de saúde amazonense.

Desde a semana passada, o Amazonas, sobretudo a capital, Manaus, está às voltas com o desabastecimento de oxigênio medicinal. Já na terça-feira (12), o governador Wilson Lima afirmou que, só nos estabelecimentos públicos de saúde, a demanda pelo produto tinha aumentado mais de 11 vezes além da média diária de consumo em virtude do crescimento do número de casos da covid-19.

“Consumimos, na rede pública estadual de saúde, uma média de 5 mil metros cúbicos diários. Só nessa terça-feira foram consumidos 58 mil metros cúbicos”, disse Lima na terça-feira.

Principal fornecedora do insumo para o estado, a empresa White Martins afirma enfrentar um “cenário de crise sem precedentes”. A companhia, que até recentemente utilizava apenas metade da capacidade de produção da fábrica de Manaus para atender à demanda regional, elevou de 25 mil m3/dia para 28 mil m3/dia o limite máximo de produção da unidade fabril – o que, segundo a empresa e autoridades, ainda é pouco para atender a demanda que, na quinta-feira (14), já chegava a 70 mil m3/dia.

Para mitigar a situação, a White Martins está adotando uma série de medidas, entre elas a importação de parte do oxigênio que produz em suas fábricas da Venezuela e a compra do produto de outros fornecedores locais. O produto também está sendo transportado de outras cidades onde a White Martins tem fábricas para Belém, de onde é levado para Manaus em balsas, de onde a quantidade necessária é redistribuída para o interior do estado.

Força-tarefa

Até o momento, a situação só não foi pior devido a uma operação de guerra montada com o apoio de órgãos públicos, sobretudo das Forças Armadas. Nos últimos dias, aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) transportaram até o estado 36 tanques de oxigênio líquido, 1.510 cilindros de oxigênio gasoso, 40 respiradores e 12 usinas de oxigênio, entre outros equipamentos que, até este fim de semana, já totalizavam mais de 168 toneladas de carga. Em média, o estado tem recebido quatro voos diários de aeronaves militares cargueiras (KC-390 e C-130) transportando oxigênio líquido e gasoso, produto altamente inflamável.

Além disso, com o adiamento da entrega, pelo governo da Índia, de 2 milhões de doses de vacina que o Ministério da Saúde comprou do laboratório indiano Serum Institute, o avião comercial que o governo federal fretou para buscar os imunizantes foi usado para transportar sete usinas de oxigênio do Rio de Janeiro para Manaus. Segundo o governo estadual, os equipamentos doados pelo Ministério da Saúde chegaram à capital amazonense na tarde de ontem (17) e vão contribuir para a geração de oxigênio para uma parte dos hospitais locais a partir desta semana.

Juntas, as usinas têm capacidade para gerar o oxigênio necessário para abastecer a 100 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Inicialmente, duas usinas vão abastecer a enfermaria de campanha do Hospital Delphina Aziz. Três atenderão os hospitais Platão Araújo, Francisca Mendes e o Instituto de Saúde da Criança do Amazonas. Outras duas usinas restantes serão destinadas a outros hospitais que ainda serão definidos.

Outras cinco usinas de oxigênio foram doadas ao estado pelo Hospital Sírio-Libanês. O governo de Pernambuco e a prefeitura de Recife doaram 200 concentradores de oxigênio que serão destinados a 49 cidades amazonenses com maiores dificuldades de acesso à capital e poucos cilindros de oxigênio disponíveis. Os equipamentos pernambucanos vieram de hospitais de campanha desativados no estado e ajudarão os pacientes que necessitarem de máscaras de ventilação não invasiva, sem a necessidade de respiradores.

Parte dos cilindros de oxigênio doados já foram distribuídos no último fim de semana, com o apoio da Polícia Civil, que usou helicópteros para transportar os equipamentos até hospitais de cidades do interior do estado.

Venezuela

De acordo com o governo estadual, o governo do estado de Bolívar, na Venezuela, também doou oxigênio hospitalar ao estado. A iniciativa, segundo a própria White Martins, não tem qualquer relação com a importação do produto disponível nas fábricas venezuelanas da empresa.

Ainda de acordo com o governo do Amazonas, carretas vindas da Venezuela devem chegar ainda hoje a Manaus, transportando 107 mil metros cúbicos de oxigênio doados pelo governo de Bolívar. “Isso vai contribuir significativamente para que haja uma estabilidade na nossa rede hospitalar, tanto na capital quanto no interior”, afirmou o governador Wilson Lima, em nota.

Também em nota, a White Martins esclareceu que está atuando para viabilizar a importação do oxigênio que identificou estar disponível em suas operações no país vizinho. Esta sim será, segundo a multinacional, “uma operação entre as empresas do grupo, sem envolvimento do governo”.

Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Valéria Aguiar

Setenta e sete pacientes com covid-19 foram transferidos do Amazonas

Por: Site

A Força Aérea transportou 74 pacientes e 3 voaram de UTI aérea

A lotação de hospitais públicos do Amazonas devido ao aumento do número de internações de pessoas infectadas pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) já motivou a transferência de 77 pacientes para outras unidades da federação.

Segundo o Ministério da Saúde, a Força Aérea Brasileira (FAB) transportou a 74 pacientes com covid-19 entre sexta-feira (15) e a manhã de hoje (18). Deste total, 23 foram levados para São Luís (MA); 15 para Brasília (DF); 15 para João Pessoa (PB); 12 para Natal (RN) e 9 para Teresina (PI).

A Secretaria de Saúde do Amazonas remanejou outros três pacientes na última sexta-feira (15). De acordo com a pasta, os pacientes foram levados a Rio Branco a bordo de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea da própria secretaria.

De acordo com o Ministério da Saúde, as transferências fazem parte de um plano de cooperação interestadual, executado pelo governo federal, em parceria com o governo do Amazonas, para “aliviar a demanda do sistema de saúde de Manaus diante do recrudescimento da pandemia no Amazonas”.

A seleção dos pacientes a serem transferidos leva em conta o chamado Protocolo de Classificação de Risco Manchester, observando os sinais e sintomas que a pessoa apresenta e com base nos quais é estabelecida a prioridade de atendimento conforme a gravidade de cada caso. Para ser transferido, o paciente deve apresentar sinais vitais (frequência cardíaca, respiratória e pressão arterial) estáveis, além de assinar um termo de consentimento para a transferência.

Durante o trajeto, o paciente é acompanhado por sete profissionais de saúde. Além disso, as aeronaves usadas devem contar com equipamentos e insumos hospitalares.

Até ontem (17) a noite, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas contabilizava 230.644 casos confirmados da doença. Desde que a presença do novo coronavírus no país foi confirmada, no fim de fevereiro de 2020, 6.191 pessoas perderam a vida em todo o estado em consequência da covid-19. Entre os casos confirmados, 1.702 pacientes continuavam internados, em observação, até ontem. Destes, 1.123 ocupam leitos clínicos (486 na rede privada e 637 na rede pública), 561 vagas de UTI (255 na rede privada e 306 na rede pública) e 18 estão nas chamadas salas vermelhas (estruturas destinadas à assistência temporária a pacientes críticos ou graves que, uma vez estabilizados, são encaminhados a outros pontos da rede de atenção à saúde).

Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Aline Leal

Problema de oxigênio no Amazonas está equacionado, diz Pazuello

Por: Site

Ministro e governador falaram sobre plano de enfrentamento à covid-19

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, declarou em entrevista coletiva hoje (18) que o problema de abastecimento no estado do Amazonas está “equalizado”. Ele e o governador do estado, Wilson Lima, falaram sobre o plano de ações para enfrentar o colapso no sistema de saúde local, especialmente na capital Manaus.

O plano foi elaborado em resposta a uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandovski na sexta-feira (15). A partir de um pedido do PC do B e do PT, o magistrado estabeleceu que o governo federal teria até 48h para apresentar o plano e fornecer oxigênio e insumos ao estado.

Pazuello informou que o plano foi submetido ao STF ontem (17) e que será disponibilizado na página do Ministério da Saúde. Apesar de afirmar que o abastecimento de oxigênio estaria normalizado, o titular do Ministério admitiu a situação grave do estado. “Toda a logística está impactada, não é só oxigênio. Equipes de saúde estão no seu limite. Hospitais estão no seu limite. Médicos estão no seu limite”, destacou.

O governador do Amazonas reforçou que o abastecimento de oxigênio foi “equilibrado”, mas acrescentou que o cenário pode piorar. Isso porque o mês de fevereiro é tradicionalmente quando há mais casos de síndromes gripais graves, tendo um clima e ambiente propícios para a disseminação de vírus gripais.

“Temos preocupação para o mês de fevereiro. Ele historicamente é onde há maior quantidade de casos de SRAG [Síndrome Respiratória Aguda Grave]. Estamos nos preparando para a situação. Estamos trabalhando para ampliação de leitos. Uma enfermaria foi montada no estacionamento do hospital Delphina Aziz. Ainda temos fila significativa de pessoas que esperam atendimento”, contou Lima.

Crise

Tanto Lima quanto Pazuello buscaram explicar como a situação saiu do controle e as ações adotadas. Segundo o governador, no auge do primeiro pico da pandemia, entre abril e maio, o consumo de oxigênio chegou ao máximo de 30 mil metros cúbicos (m3). Já neste novo pico, entre dezembro e janeiro, o consumo médio saiu de 15 mil m³ para 75 mil m³.

Lima colocou que houve ampliação dos leitos na cidade, com 700 unidades criadas nos últimos dois meses. Agora, para além de Manaus está havendo uma preocupação com o interior, onde o sistema de saúde é menos estruturado.

O ministro da Saúde disse que a equipe da pasta tomou conhecimento do desabastecimento no dia 8 de janeiro. Ele negou a informação publicada na imprensa de que um ofício da Advocacia-Geral da União (AGU) ao STF revelaria que o órgão já tinha ciência da situação antes.

“Quando chegamos [a Manaus] no dia 4 [de janeiro] o problema era estrutura de leito. Não havia a menor indicação de falta de oxigênio. A quantidade de oxigênio que a White Martins fabrica por dias é de 28 mil m³ e o consumo era de 17 mil m³. A White Martins tinha flexibilidade de trazer quase o dobro. A elevação foi muito rápida. Tomamos conhecimento de que a White Martins chegou no limite quando ela nos informou”, comentou.

Pazuello elencou as medidas adotadas pelo governo. Até o momento foram removidos 90 pacientes para hospitais federais. Foram levadas “toneladas de equipamentos e insumos” ao estado e transportados “centenas de cilindros” em aviões cargueiros civis e militares. Um navio cargueiro da Marinha está em deslocamento para Manaus com 40 mil m³ de oxigênio.

Ele destacou os leitos habilitados (quando o ministério passa a custear parte das despesas), mas não detalhou o número. Um hospital de campanha militar foi deslocado para Manaus. Sobre o apoio com pessoal, o titular do Ministério da Saúde relatou ter selecionado e capacitado oito mil profissionais de saúde, tendo 300 já sido contratados.

O governo brasileiro está em diálogo com o governo dos Estados Unidos para conseguir o apoio de um avião que auxilie no transporte dos cilindros. Mas, conforme o ministro, ainda não há data para que a aeronave comece a operar.

Outras cidades

Pazuello alertou que a crise em curso no Amazonas pode se replicar em outras cidades e estados. Ele destacou o período chuvoso no Norte e em parte do Nordeste neste início do ano como propício para a disseminação do vírus, enquanto no restante do país os períodos mais perigosos podem ser no inverno. Além disso, chamou a atenção para o fato de que a variante do novo coronavírus encontrada na capital amazonense já está em circulação em outros locais do país.

“Isso sim pode se replicar para outras cidades e pode se replicar quando chegarmos mais perto do inverno na região centro-sul. Vamos combater isso com vacina. É por isso que estamos tão ávidos por receber as vacinas, distribuí-las e imunizar a população. Esta é a grande ação efetiva para segurar a pandemia. E manter as estruturas que foram criadas, os leitos que foram criados para a covid-19 ativos nas regiões que poderão sofrer o impacto”, sublinhou.

Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Aline Leal

Técnicos e especialistas de todo o país validam Zarc dos citros

A Rede Zarc Embrapa e o Mapa promoveram, na última semana, três reuniões técnicas virtuais de validação dos estudos de zoneamento agrícola de risco climático (Zarc) da cultura dos citros.

Colha e Pague em uma Unidade de Produção Integrada de Morango em Atibaia é opção de passeio durante a pandemia

No sistema Colha e Pague, o próprio cliente colhe os morangos, que não possuem resíduos de agrotóxicos e são cultivados no sistema semi-hidropônico

Falta de equipamentos de irrigação prejudica plantações de café no Triângulo Mineiro

Por: bruof

A dificuldade em conseguir equipamentos de irrigação está prejudicando o plantio de café em Minas Gerais. Muitos agricultores precisaram diminuir a área de cultivo.

Na fazenda dos irmãos José e Mário Dianin, em Romaria, no Triângulo Mineiro, o café ocupa 130 hectares. Mas o plantio, previsto para o início de dezembro, foi adiado.

Para o desenvolvimento das mudas, os agricultores precisam de um sistema de irrigação eficiente. O escolhido pelos irmãos foi o modelo por gotejamento, que também é usado em outras áreas da propriedade. Apesar do pedido ter sido feito em julho, até agora, a empresa que faz a instalação não conseguiu entregar.

Antes de iniciar o plantio do café, o ideal seria que o sistema de irrigação já estivesse pronto. Os produtores esperaram o quanto puderam e como os canos ainda não chegaram, a solução foi irrigar as mudas com um trator, o que leva, em média, três dias para molhar toda a área.

Quem está fazendo esse trabalho é o Márcio Dianin, filho do Mário. Para dar conta dos mais de 30 hectares em renovação, ele precisa ir ao córrego para buscar água.

“Isso demanda um trabalhador a mais. Preciso de mais tempo para abastecer o tanque e vir molhar o café já plantado, em torno de uma hora e meia”, conta Márcio.

Pedidos atrasados
E não é só essa família que está sofrendo com o problema. Uma empresa que implementa sistemas de irrigação para produtores de café está com pedidos atrasados desde junho. Principalmente porque a indústria parou de fornecer os tubos de PVC, material indispensável para a fabricação dos sistemas.

Quem fez pedidos mais para o fim do ano também vai enfrentar preços mais altos. E foi esse aumento nos custos que fez o agricultor Luiz Augusto, de Coromandel, no Alto Paranaíba, desistir da irrigação.

A pandemia derrubou as vendas de PVC no ano passado e as indústrias diminuíram a produção. Agora, a demanda aumentou e é por isso que está faltando produto.

Fonte: Globo Rural

bruof

Soja brasileira tem tecnologia para aumento de produção sem pressão por áreas de florestas

The development of its own technologies allows Brazil, the world leader in soybean production, to produce the grain in a sustainable way, without putting pressure on forest areas, even considering the scenarios of increased demand for the grain in the coming years. The analysis presented in 2019 by researchers from the Brazilian Agricultural Research Corporation (Embrapa) remains valid and answers part of the international questions about the Brazilian production system. With the title "Does the increase in Brazilian soybean production pose a threat to the Amazon rainforest?". The study analyses whether the prospects for increasing global demand could cause greater pressure on the Amazon rainforest, as has been suggested in the international environment.

Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais é sancionada pelo governo federal

A nova lei (14.119 de 13/01/2021) define conceitos, objetivos, diretrizes, ações e critérios para a implantação da Política Nacional.

Novo híbrido de sorgo com alta produtividade de grãos está em oferta para contratos de cooperação técnica e licenciamento

Um novo híbrido de sorgo granífero desenvolvido pela Embrapa está em oferta pública para licenciamento por produtores de sementes.

Pesquisa comprova elevado potencial nutricional do murici

Pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental (Belém, PA) identificaram clones de muricizeiro com genética boa para produção de polpa de fruta de valor nutricional superior.

Busca por ‘Ensino à Distância’ em bovinocultura de leite da Embrapa aumenta 1.000% na pandemia

Com seus cursos presenciais temporariamente suspensos, Embrapa Gado de Leite utiliza EAD para levar conhecimento a produtores e estudantes

Grão-de-bico: crescimento da área plantada confirma potencial da cultura para atender a demanda por produtos orgânicos

Satisfação de produtores que apostaram no cultivo orgânico de grão-de-bico pode ser medida pelo aumento progressivo da área plantada em diversas regiões do Brasil.

Banco Ativo de Germoplasma de Arroz e Feijão recebeu chancela de qualidade

BAG da Embrapa Arroz e Feijão recebeu selo de excelência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

Sabesp adota melhorias para ampliar serviços de saneamento nas cidades do Vale do Ribeira

Novas instalações, locação de geradores e reforço no atendimento estão entre as medidas adotadas na região

Mais de 17 mil serviços de desentupimento de esgotos foram realizados na Baixa Santista

São, em média, 46,5 serviços realizados por dia nos nove municípios pelo mau uso da rede pela pouplação

 

Com mais de 80 mil negociações já feitas, Blue Friday da Sabesp vai até a quinta (31/12)

Ação para renegociar dívidas em até 15 parcelas ocorre exclusivamente pelos canais digitais da empresa: site e aplicativo Sabesp Mobile

 

Sabesp tem plano para temporada de verão e alerta para uso consciente da água

Manutenções preventivas, melhorias nos sistemas de água e esgotos, bem como reforço no atendimento à população estão entre as principais medidas adotadas

 

Sabesp tem plano para temporada de verão e alerta para uso consciente da água

Mais infraestrutura para abastecimentode água, coleta e tratamento dos esgotos e campanha de economia para alertar a população sobre consumo

Trajetória de inovação da Sabesp é reconhecida no prêmio BID FEMSA 2020

Prêmio é a culminação de um trabalho de vários anos, que posicionou a companhia como referência em inovação no setor de saneamento

 

Sabesp promove oficina e bate-papo sobre meio ambiente no Jardim Ana Maria

Evento educativo faz parte do Programa Novo Rio Pinheiros e busca orientar a comunidade sobre o reaproveitamento de materiais e a preservação dos recursos naturais

 

Falta de energia elétrica afeta abastecimento de água em Cidade Tiradentes e Santa Etelvina

Concessionária já está no local para providenciar reparos necessários. Sabesp pede economia de água aos moradores

 

Sabesp inaugura sistemas e aumenta oferta de água à população de Piedade

 Além das obras de ampliação do abastecimento foi inaugurado também o sistema de esgotamento sanitário da Vila Moraes

Em 1 ano, Sabesp amplia rede de esgoto para mais de 100 mil pessoas em Guarulhos

Com os trabalhos de melhoria e ampliação do esgotamento sanitário em Guarulhos, o volume tratado de esgoto teve um incremento de 47%

Sabesp certifica estações de tratamento de esgoto com selo de sustentabilidade

Programa da Companhia estimula a adoção de ações sustentáveis nas unidades, beneficiando diretamente o meio ambiente

 

Nota: Vazamento na Rua Leópolis

 Vazamento ocorreu duranta a madrugada e as equipes realizam os reparos necessários

Sabesp inicia Blue Friday para negociação de dívidas

 Atendimento começa em 27 de novembro exclusivamente pelos canais digitais da empresa: site e APP

Sabesp: Empresa Amiga da Justiça

Programa reconhece a Companhia com o Selo Bronze, por seus cinco anos de adesão à iniciativa

Poupatempo de Santo André passa a ter posto de atendimento da Sabesp

É necessário agendamento de data e horário para ser atendido; Companhia pede que cliente dê preferência a canais digitais e central telefônica

 

Codevasf incentiva aprimoramento técnico de estudantes e profissionais em evento no Norte da Bahia

Por: bruof

A Codevasf está apoiando a realização nesta semana de uma capacitação para engenheiros, estudantes de engenharia e agronomia e projetistas que trabalham na elaboração de projetos de irrigação, adutoras de água e linhas de recalque de estações elevatórias de esgoto.

O curso de “Transitórios Hidráulicos aplicados a Projetos de Irrigação” ocorre em horário comercial no auditório do Hotel Rapport em Juazeiro (BA) e os participantes, vindos de diversas regiões do país, foram divididos em duas turmas: uma nos dias 16 e 17 e outra nos dias 19 e 20.

A promoção do curso é do Instituto de Pesquisa e Inovação na Agricultura Irrigada (Inovagri), com sede em Fortaleza. O instrutor é Marcos Aurélio Holanda de Castro, engenheiro civil e professor titular da Universidade Federal do Ceará, com pós-doutorado em recursos hídricos e em engenharia nos Estados Unidos.

Segundo a organização do curso, apesar de as equações básicas que governam os fenômenos transitórios serem conhecidas há muito tempo, foi só com o surgimento e popularização do uso dos computadores que estes fenômenos puderam ser estudados e simulados com precisão, sem a necessidade de simplificações, muitas vezes grosseiras e irreais.

Durante o evento, os participantes vão poder analisar e simular no computador o fenômeno do Golpe de Ariete, além de dimensionar dispositivos de proteção (ventosas, válvulas de alívio, reservatórios hidropneumáticos, chaminés de equilíbrio e TAUs). Atualmente, a simulação computacional do Golpe de Ariete é uma ferramenta indispensável para projetos na área de saneamento. Durante o curso, serão os softwares UFC2, UFC5 e UFC7.

Para o engenheiro agrônomo Rodrigo Franco Vieira, que atua na 6ª Superintendência Regional da Codevasf em Juazeiro, “este é o primeiro curso sobre o assunto no país, voltado para a agricultura irrigada”. Ele é especialista em irrigação e, em junho deste ano, escreveu um artigo sobre Transientes Hidráulicos na revista Irrigazine (páginas 24 a 26), uma publicação nacional especializada em irrigação e suas aplicações em agricultura, paisagismo e também campos esportivos.

Em circulação desde o ano de 2005, a Irrigazine tornou-se uma referência por seu pioneirismo ao colocar em pauta temas de interesse do setor da irrigação nacional (http://www.irrigazine.com.br).

bruof

Sabesp realiza curso gratuito em Guarulhos

Aulas serão virtuais. Inscritos terão certificado e oportunidade de reinserção no mercado de trabalho

Sabesp recebe Selo Bronze de “Empresa Amiga da Justiça

Companhia é a única instituição de economia mista condecorada no programa de incentivo a práticas que contribuam com a redução de litígios judiciais

 

Agro e ciência: cientistas desenvolvem solo com auto irrigação

Por: bruof
Agronegócio

De acordo com um novo estudo, publicado na ACS Materials Letters, o sistema de irrigação de água atmosférica usa géis superabsorventes para capturar água do ar. Quando o solo é aquecido a uma determinada temperatura, os géis liberam a água, disponibilizando-a para as plantas. Quando o solo distribui água, parte dela volta ao ar, aumentando a umidade e facilitando a continuidade do ciclo de colheita.

Segundo Guihua Yu, professor associado de ciência dos materiais no Departamento de Walker de Engenharia Mecânica, habilitar a agricultura autônoma em áreas onde é difícil construir sistemas de irrigação e energia é crucial para liberar a agricultura da complexa cadeia de abastecimento de água à medida que os recursos se tornam cada vez mais escassos.

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Cada grama de solo enriquecido com gel pode extrair aproximadamente 3-4 gramas de água. Dependendo das safras, aproximadamente 0,1 a 1 quilo de solo pode fornecer água suficiente para irrigar cerca de um metro quadrado de terra. Os géis no solo retiram a água do ar durante os períodos mais frios e úmidos à noite. O calor solar durante o dia ativa os géis que contêm água para liberar seu conteúdo no solo.

A equipe realizou experimentos no telhado do prédio do Centro de Ensino de Engenharia da Escola Cockrell na UT Austin para testar o solo. Os cientistas descobriram que o solo enriquecido com gel absorvente era capaz de reter água melhor do que os solos arenosos encontrados em áreas secas e precisava de muito menos água para cultivar plantas.

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Durante um experimento de quatro semanas, a equipe descobriu que seu solo retinha aproximadamente 40% da quantidade de água inicial. Em contraste, o solo arenoso teve apenas 20% de sua água restante após apenas uma semana. Em outro experimento, a equipe plantou rabanetes nos dois tipos de solo. Todos os rabanetes no solo enriquecido de gel absorvente sobreviveram um período de 14 dias sem qualquer irrigação além de uma rodada inicial para garantir que as plantas se firmassem. Rabanetes no solo arenoso foram irrigados várias vezes durante os primeiros quatro dias do experimento. Nenhum dos rabanetes no solo arenoso sobreviveu mais de dois dias após o período inicial de irrigação.

Fei Zhao, pesquisador de pós-doutorado no grupo de pesquisa de Yu que liderou o estudo com Xingyi Zhou e Panpan Zhang, diz: “a maior parte do solo é boa o suficiente para suportar o crescimento das plantas, porém a principal limitação é a água, por isso queríamos desenvolver um solo que pudesse captar água do ar ambiente.”

O solo para coleta de água é a primeira grande aplicação de tecnologia na qual o grupo de Yu vem trabalhando há mais de dois anos. No ano passado, a equipe desenvolveu a capacidade de usar materiais híbridos de gel-polímero que funcionam como “super esponjas”, extraindo grandes quantidades de água do ar ambiente, limpando-o e liberando-o rapidamente usando energia solar.

Os pesquisadores vislumbram várias outras aplicações da tecnologia. Ele poderia ser potencialmente usado para resfriar painéis solares e data centers. Ele poderia expandir o acesso à água potável, seja por meio de sistemas individuais para famílias ou sistemas maiores para grandes grupos, como trabalhadores ou soldados.

Fonte: Tempo.com

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Agronegócio

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Embrapa lança livro sobre agricultura digital nas cadeias produtivas

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A Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) lançou na sexta-feira (6), passada, o livro “Agricultura Digital: pesquisa, desenvolvimento e inovação nas cadeias produtivas”, durante as comemorações dos 35 anos do centro de pesquisa especializado em tecnologia da informação aplicada à agricultura. A publicação em formato digital apresenta iniciativas desenvolvidas pela Unidade em parceria com outros centros de pesquisa da Embrapa e instituições parceiras dos setores público e privado.

Dividida em três partes, a obra apresenta o contexto atual da agricultura digital no Brasil, além das principais aplicações nas áreas de modelagem agroambiental, geotecnologias, computação científica, visão computacional, agricultura de precisão, engenharia da informação, bioinformática, biologia estrutural e genômica aplicada às mudanças climáticas. Também aborda como o ecossistema de inovação em agricultura digital está se organizando e as principais perspectivas.

O livro está disponível no site da Unidade e pode ser baixado gratuitamente. São editores técnicos Silvia Maria Fonseca Silveira Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Maria Angelica de Andrade Leite, pesquisadora, Stanley Robson de Medeiros Oliveira, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento, Carlos Alberto Alves Meira, chefe de Transferência de Tecnologia, e os pesquisadores Ariovaldo Luchiari Junior e Édson Luis Bolfe.

Webinar Transformação digital da agricultura

A transformação digital da agricultura é o tema central das comemorações dos 35 anos e foi discutida durante o webinar que a Empresa realizou em 6 de novembro, com transmissão no canal da Embrapa no YouTube. O objetivo é trazer a visão de diferentes atores sobre a agricultura digital no país, as tendências e os principais desafios.

O evento on-line contou com a participação dos especialistas e representantes da área de inovação no agronegócio Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e coordenador do FGV Agro, Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil, Francisco Jardim, sócio-diretor da SP Ventures e Silvia Massruhá. A moderação do jornalista José Luiz Tejon.

A abertura teve a presença de Celso Moretti, presidente da Embrapa, Fernando Camargo,  secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e Paulo Alvim, secretário de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

Memória da Unidade

A Embrapa Informática Agropecuária também criou um site dedicado à preservação da sua memória. Lá é possível conhecer um pouco mais sobre a trajetória do centro de pesquisa e os principais resultados obtidos durante esses 35 anos.

O ambiente está organizado por décadas e contém depoimentos, fotos e vídeos que ajudam a contar a história da Unidade. A ideia é que esse espaço seja atualizado continuamente de forma colaborativa.

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

irrigazine

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